Argollo Uma família brasileira de 1500

Subsídios para a sua Genealogia

Escudo de armas dos Argollo - infografia de Manuel Abranches de Soveral

As donzelas órfãs Lobo de Souza

Uma das mais antigas famílias da Baía que manteve a varonia, os Argollo, de origem andaluza (Baeça), foram para o Brasil em 1549 com o 1º governador Tomé de Souza. Com a independência, vários membros da varonia da família foram grandes do Império, com os títulos de condes (1860), viscondes (1854) e barões (1843) de Passé, viscondes de Itaparica (1868), barões de Cajaíba (1841) e barões de Pará-Mirim (1860). 

Nos finais do séc. XVIII, Paulo de Argollo e Gusmão, então o chefe da família, tinha uma fortuna avaliada em mais de 48.000.000 réis, com fazendas, engenhos de açúcar e mais de 500 escravos. Ao contrário do que aconteceria depois, antes da independência do Brasil, os Argollo, com foro de fidalgos da Casa Real referido desde o séc. XVI e documentado desde 1711, mantiveram-se relativamente afastados da administração geral, ocupando apenas cargos militares e da governança da Baía, mantendo nas gerações iniciais a propriedade da provedoria da fazenda e da alfândega da Baía. Família extremamente endogâmica, são inúmeros os casamentos entre primos e vários entre tio e sobrinha e tia e sobrinho. 

O primeiro da família, Rodrigo de Argollo (nos documentos aparece Argolo, Argullo ou Arguelo), foi provedor da fazenda real do Brasil e casou ainda em Lisboa com a portuguesa Joana Barbosa, que é dita «sobrinha do conde da Sortelha» nas genealogias brasileiras e erradamente incluída no lote das órfãs, donzelas da rainha D. Catarina, que D. João III, em 1551 na armada de António de Oliveira e em 1553 na armada de Duarte da Costa, enviou ao governador do Brasil Tomé de Souza para casarem com «pessoas principais que houvesse na terra», respondendo assim a pedido (1543) do Padre Manuel da Nóbrega, para evitar os casamentos consanguíneos entre a nobreza. A verdade é que Joana Barbosa era tia de uma das ditas órfãs e prima da outra, e foi para o Brasil já casada e com filhos. 

Mas, tanto quanto nos permite a documentação até agora inventariada, analisemos toda esta confusa questão das órfãs Lobo de Souza, que Frei Jaboatão, não sei com que bases, refere que «dizem as memórias, que delas tratam, eram sobrinhas do conde de Sortelha» e filhas de Baltazar Lobo de Souza. É certo que a filha de Baltazar Lobo de Souza não foi uma das órfãs, mas sim tia de uma e prima de outra, como já se disse. Com efeito, Joana Barbosa nasceu cerca de 1515 e casou em Lisboa cerca de 1529 com o andaluz Rodrigo de Argollo, então moço da câmara da rainha D. Catarina, que para cá o trouxe, e futuro 1º provedor da fazenda real do Brasil e provedor da alfândega e defuntos da capitania da Baía, como ficou dito. Uma das órfãs que nos interessam era filha de um irmão desta Joana Barbosa, Henrique Lobo, nascido cerca de 1517 e falecido antes de 1550, e de sua mulher Isabel de Reboredo 1a, com quem tinha casado cerca de 1540. Portanto, a dita órfã não era filha mas sim neta de Baltazar.
E quem era este Baltazar Lobo de Souza? Nascido cerca de 1491/3,
fidalgo referido por João de Barros, esteve em Surate (1530), foi capitão-mor de Cananor e em 1547 comandou uma armada que foi a Madagáscar. A 10.12.1555 escreveu à rainha pedindo-lhe que rogasse ao rei que mandasse fazer um recolhimento em Goa para os órfãos e desamparados. Ainda se documenta um ano depois, a 10.12.1556, pois é o Baltazar Lobo de Souza que nesta data escreveu outra carta1b aos reis, onde diz que andou no serviço da Índia e comandou uma armada, onde seu irmão Belchior de Souza foi capitão da nau Santa Cruz, a única da armada de seis que não se perdeu, e que estava pobre, e velho, e com dez filhos e filhas e mulher na ilha de S. Lourenço, que o governador Francisco Barreto o mandara descobrir, pela parte de fora, e fazer, no melhor porto e baía que descobrisse, uma fortaleza para servir de escola às naus da Índia. Tendo-lhe o dito governador feito mercê da fortaleza que se fizesse, por seis anos, com o ordenado da Índia, o que tudo fez com grandes perigos, e queria agora que o rei lhe confirmasse o senhorio de juro e herdade da ilha, com o título de capitão general, pedindo mercê de todas as ilhas que descobrisse e dos portos que achasse do cabo da Boa Esperança até ao das Correntes, tarefa em que mandaria seus filhos, pedindo ainda para o filho mais velho o cargo de juiz da alfândega de Goa no caso de ele morrer. Acrescenta que para a ilha de S. Lourenço foi como comandante de uma armada de três navios, sendo capitães Heitor Martins de Góis, filho de Fructus de Góis (certamente o meio-irmão do grande Damião de Góis, referido adiante), e Pedro Rodrigues Barriga, cavaleiro da Casa Real. Diz ainda ter levado consigo dois padres franciscanos para instruírem os habitantes na fé, e pede licença para ali edificar uma igreja a Nossa Senhora da Conceição. Assina esta carta como Baltazar Lobo de Souza.

O seu nome, conjugado com a referência de que as netas eram sobrinhas do conde de Sortelha, aponta claramente para que fosse filho de D. Diogo Lobo (de Souza), 2º barão de Alvito, e de sua 2ª mulher D. Leonor da Silveira, justamente irmã do 1º conde de Sortelha. Mas deste casamento não há notícia de nenhum filho Baltazar, além de que todos os filhos dos 2ºs barões de Alvito se documentam com Dom, apesar de um esclarecimento real de 6.10.1488, segundo o qual os barões de Alvito e sucessores podiam usar Dom, mas os outros filhos não. Mas, mais determinante ainda, D. Diogo só casou com D. Leonor depois de 1508, ano em que morreu sua 1ª mulher D. Joana de Noronha, filha dos 2ºs condes de Abrantes. E menos crível ainda é pensar que Baltazar pudesse ser filho de D. Joana de Noronha, sendo no geral de rejeitar por completo a ideia de que bisnetas dos barões de Alvito pudessem ser enviadas aos molhos para casarem no Brasil, por muita vontade que D. João III tivesse em satisfazer o pedido do Padre Manuel da Nóbrega.
Baltazar Lobo de Souza era, como vimos, irmão de Belchior de Souza, avô da outra órfã Lobo de Souza que nos interessa. E felizmente foi-me possível documentar a filiação deste Belchior, pois trata-se do Belchior de Souza, fidalgo, filho de Diogo Lobo e sua mulher D. Filipa de Souza, que embarcou para a Índia na nau Stº António em 1534, com 1.240 reais de moradia do seu foro de escudeiro fidalgo, como regista D. Flamínio (Arquivo de Documentos Históricos). Devendo ser ainda o que é referido numa carta que Manuel de Vasconcellos a 28.11.1545 escreveu ao rei, dizendo que ao tempo em que chegara a Cananor se estava em guerra por Belchior de Souza, capitão de costa, ter matado um regedor mouro e seu cunhado, e que só há seis meses tinha conseguido a paz. 
Portanto, Baltazar Lobo de Souza era de facto filho de um Diogo Lobo, mas completamente distinto do homónimo que foi 2º barão de Alvito, e daí talvez a confusão genealógica que se estabeleceu. De resto, já Alão, sem o identificar e sem apontar o irmão documentado Belchior, dá ao casal Diogo Lobo e D. Filipa de Souza um único filho, justamente chamado Baltazar Lobo de Souza!
Temos portanto estabelecida a filiação de Baltazar e, com ela, a sua ascendência. E ficamos assim a saber que Baltazar, inegavelmente um fidalgo, tinha uma origem mista, algo típica de Quatrocentos, onde se misturou o sangue plebeu, nobilitado pela toga, com a velha fidalguia, no caso vertente algo dissoluta. Com efeito, Baltazar era trineto por varonia, segundo Alão, de um ourives de Lisboa, quiçá cristão-novo. Mas também era neto dos senhores de Baião e, por esta linha, 6º neto do rei D. Pedro I e de D. Inez de Castro.
Com efeito, sua mãe D. Filipa de Souza, nascida cerca de 1472, era filha do conturbado casamento de João Fernandes de Souza, 4º senhor de juro e herdade de Baião (3.6.1500), com sua 2ª mulher D. Joana da Guerra.
João Fernandes de Souza, nascido cerca de 1454/5 e falecido depois de 1513, cedo ficou órfão de pai e era o único neto de Luiz Álvares de Souza, 3º senhor de juro e herdade de Baião (4.11.1434), fidalgo do Conselho e provedor da fazendo do Porto (1451), que ainda vivia a 9.2.1480, data em que D. Afonso V mandou que Luiz Álvares de Souza, do seu Conselho e provedor da fazenda régia da cidade do Porto, e seu neto João Fernandes de Souza, que têm a jurisdição do crime do mosteiro de Ancêde, que não entrem em disputas com o prior D. João, que tem a jurisdição do cível do dito mosteiro. E provavelmente ainda viveu até 1500, pois só a 3 de Junho deste ano seu neto é confirmado no senhorio de Baião. O que faz com que tenha falecido com muito avançada idade, uma vez que casou cerca de 20.8.1428, data em que D. João I lhe prometeu 4.000 dobras de ouro pelo seu casamento com D. Filipa Coutinho, conforme mais detalhadamente refiro no meu trabalho «Os filhos e netos do «muj honrrado barom» Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo».

A 3.6.1500 João Fernandes de Souza teve de D. Manuel I confirmação da doação das terras de Baião, Lage e S. Salvador com os moinhos de Avitoure (concelho de Cinfães), «de juro e herdade, com toda sua jurisdição cível e crime e ponha em eles juízes e justiças» e possa apresentar tabeliães, como sucessor de seu avô Luiz Álvares de Souza e seu bisavô D. Frei Álvaro Gonçalves Camelo, prior da ordem do Hospital, o qual as recebera do irmão Vasco Gonçalves Camelo que falecera sem deixar filho lídimo, a quem haviam sido doadas por D. João I. Insertas confirmações de D. Duarte de 4.11.1434 e de Afonso V de 22.7.1449. Na mesma data teve confirmação da doação dos padroados das igrejas de Santa Maria de Gove e de S. Bartolomeu, na terra de Baião. Inserta a carta de D. Afonso V de 3.10.1464 com a outorga desta mercê a seu avô Luiz Álvares de Souza, do Conselho d'el-rei e vedor da fazenda na cidade do Porto. A 2.7.1500 João Fernandes de Souza, fidalgo da Casa d'el-rei, teve confirmação do privilégio (inserido diploma de 6.12.1493) pelo qual todos os caseiros, amos, mordomos e lavradores que viverem e lavrarem nas suas terras, quintas, herdades e casais encabeçados sejam escusados, entre outras obrigações, de servirem nos encargos do concelho. Embora Mafra e Ericeira pertencessem na sua maior parte ao conde de Penela, João Fernandes de Souza terá tido ainda, de sua avó, uma parte destas vilas, pois a 3 de Junho do mesmo ano João Fernandes de Sousa, fidalgo da Casa Real, teve confirmação de um privilégio (inseridos diplomas de 10.1.1476 e 28.8.1409) pelo qual os moradores de Mafra e da Ericeira são escusos de servir por mar ou por terra, não havendo, por outro lado, nesses lugares, alcaide dos homens do mar, nem almirante do rei que use desse ofício. A vila de Mafra e seus termos gozam ainda do privilégio de que não haja besteiros do conto, nem anadel dos mesmos nas suas terras. E ainda vivia a 13.3.(1513 - a carta não indica o ano), pois nesta data Lançarote Domingues, morador em Benavente, foi nomeado tabelião do público e judicial no concelho de S. Cristóvão de Nogueira por proposta de João Fernandes de Souza, senhor dessa terra, tal como até aqui foi João Pires, tendo-o renunciado para a coroa por carta de 10.3.1513.
João Fernandes de Souza era filho de Fernão Martins de Souza, que morreu em vida do pai, e de sua mulher Joana de Almada, filha João Afonso de Brito, o Moço, morgado de Stº Estêvão de Beja, e de sua mulher Violante Nogueira, herdeira do morgado e capela de S. Lourenço de Lisboa e da capela de D. Pedro Pires, neta do celebrado Doutor João das Leis. Este casamento realizou-se antes de 11.4.1455, data em que D. Afonso V faz quitação a Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, marido de Joana de Almada, donzela da infanta D. Catarina, doando-lhe uma tença anual de 30.000 reais de prata até ao pagamento das 3.000 coroas de ouro que tinham recebido pelo seu casamento.
Fernão Martins de Souza teve a 26.1.1453, ainda solteiro, carta de perdão real, a pedido da rainha D. Isabel, da acusação de ter ferido João Fernandes, porteiro da câmara na cidade de Lisboa. A 21.6.1462 um seu criado é nomeado para o cargo de requeredor das sisas do haver de peso, do ferro, madeira e hortaliça da cidade do Porto. A 23.7.1462 o rei doa a Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, uma tença anual de 28.000 reais de prata. E ainda vivia a 17.2.1466 quando D. Afonso V privilegiou Vasco Martins de Resende, do seu Conselho e regedor da justiça na comarca de Entre-Douro-e-Minho, para que possa nomear Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, para o cargo de juiz dos feitos nessa comarca.
Voltando ao 4º senhor de Baião João Fernandes de Souza, o mais que se conhece dele são os problemas de saias… Segundo Alão, «teve amores» na corte de Lisboa com D. Isabel da Silva, filha dos futuros 1ºs viscondes de Vila Nova de Cerveira, mandando-a por isso o pai recambiada para o seu paço de Giela, no Minho. Mas João Fernandes seguiu-a e conseguiu entrar às escondidas em Giela, onde foi apanhado pelos irmãos da amante, que o queriam matar, o que não fizeram porque sua irmã lhes garantiu que tinham casado em segredo. Não foi o futuro visconde em conversas e obrigou-os a casarem ali mesmo, cerimónia forçada que deve ter ocorrido cerca de 1470, seriam ambos ainda menores. Mas pouco depois João Fernandes foi para as terras do avô em Baião, abandonando a grávida D. Isabel em Giela e (diz Alão que «em vingança») cerca de 1471 casou «a furto» com sua prima D. Joana da Guerra, raptando-a da casa de seu avô materno, o reposteiro-mor e conselheiro Álvaro Pires de Távora, senhor de juro e herdade de Mogadouro e S. João da Pesqueira. Esta D.Joana, nascida cerca de 1454/5, era da idade do marido, teriam então ambos apenas 17 anos de idade, e eram primos relativamente próximos, pois eram ambos trinetos do marechal-mor e meirinho-mor Vasco Fernandes Coutinho, senhor de Marialva.
Diz Alão que João Fernandes foi depois a Roma e trouxe de lá a validade deste 2º casamento, o que se confirma, pois dez anos mais tarde, a 1.6.1481, D. Afonso V privilegia D. Joana da Guerra, mulher de João Fernandes de Souza, fidalgo da sua Casa, concedendo-lhe autorização para que nos anos de 1481 e 1482, enquanto o marido estiver na armada contra o turco, possa gerir os bens de que era usufrutuário o dito seu marido.
Contudo, algum tempo depois de regressar do combate ao turco, parece que João Fernandes teve notícia de que D. Joana da Guerra tinha tido uma relação incestuosa com seu meio-irmão Manuel Coutinho, pelo que a repudiou e voltou de novo para a 1ª mulher D. Isabel da Silva, de quem tinha uma filha.

Na sequência deste escândalo, D. Joana fugiu para Castela com o dito seu meio-irmão. De seu marido tinha D. Joana dois filhos, Fernão Martins de Souza e a dita D.Filipa de Souza, nascidos entre 1471 e 1473. A fuga para Castela de D. Joana deve ter-se realizado cerca de 1488, pois Alão diz que com ela iam os filhos, mas que refugiando-se em Fonte Arcada da Beira, em casa de Pedro de Gouveia, aí casou seu filho com uma filha deste. Talvez se trate do Pedro de Gouveia, fidalgo da Casa Real, a quem a 26.8.1475 D. Afonso V doou as rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego. Suponho eu que o filho e a filha de D. Joana terão assim ficado em casa do dito Pedro de Gouveia, tendo apenas ela e seu meio-irmão seguido para Castela, certamente receosos pela sua vida.
Terá havido de facto um caso de incesto, ou tudo não passou de uma tramóia dos Lima e de D. Isabel, que deste modo conseguiu reaver o marido? Na verdade, o fundamento desta história de incesto parece precário, uma vez que D. Joana nasceu cerca de1454/5 e seu meio-irmão, filho bastardo de Gonçalo Vaz Coutinho, matriculou-se em ordens menores em Braga a 29.4.1480, pelo que não terá nascido antes 1467, ou seja, era pelo menos 12 a 13 anos mais novo do que a meia-irmã D.Joana. Na data em que esse caso de incesto poderia ter acontecido, cerca de 1487/8, D. Joana teria entre 32 e 34 anos e seu meio-irmão no máximo 20 de idade, pelo que tudo me parece mais resultado de uma maquinação. De resto, o dito Manuel Coutinho veio a casar e a ter filhos que nasceram entre 1504 e 1510, o que aponta para que de facto tenha nascido alguns anos depois de 1467.
Mas, verdadeira ou não, esta história, que parece tirada de um romance barato, tem contudo antecedentes suficientemente escabrosos para que a simples suspeita, mesmo infundada, apavorasse o suficiente D. Joana para que a sua fuga se compreenda, mesmo se inocente. É que D. Joana da Guerra era filha do mal-afamado Gonçalo Vasques Coutinho, filho herdeiro dos senhores de Basto, figura violenta e instável que sucessivamente matou as suas duas mulheres, sendo julgado culpado e degolado em Santarém pela morte da segunda, D. Joana de Noronha. A execução de Gonçalo Vaz deu brado na época e dizia-se que o seu fantasma apareceu em Santarém, em S. Domingos das Donas, ao rei D. João II, como muito circunspecto nos conta Alão... 

Mas D. Joana era filha da 1ª mulher, de cuja morte o marido escapou ao castigo. Era essa 1ª mulher D. Isabel da Guerra, com quem Gonçalo Vaz Coutinho casou com autorização real de 27.3.1451 e escritura de dote de 3.2.1454, feita nos paços de seu tio o arcebispo de Braga D. Fernando da Guerra. Era filha dos senhores de juro e herdade de Mogadouro e S. João da Pesqueira, o já referido reposteiro-mor e conselheiro Álvaro Pires de Távora e sua mulher D. Inez da Guerra,  sendo esta filha de D. Pedro da Guerra e de sua mulher D. Tereza Anes de Andeiro (filha do mal-afamado D. João Fernandes de Andeiro, 2º conde de Ourém) e neta paterna do infante D. João.
Não será portanto difícil imaginar a pesada herança que recaía sobre a jovem D.Filipa de Souza, cujo nascimento estimo para 1473 e que teria assim cerca de 15 anos quando, como suponho e ficou referido acima, sua mãe a deixou na Beira ao cuidado de Pedro de Gouveia, sogro de seu irmão Fernão Martins de Souza, nascido cerca de 1471/2, pelo que teria 16 para 17 anos quando foi casado. O que certamente determinou que, pouco depois, D. Filipa tenha casado, muito abaixo da sua condição, com um tal João Gomes, que Alão diz que era filho de Mestre Pedro, boticário de Lisboa, mas que na verdade deve ser o Mestre Pedro, escolar em Física (portanto médico), a quem D. Afonso V a 3.8.1439 concedeu licença para exercer o ofício de cirurgião, por todo o reino e senhorio, mercê que confirma a 23.2.1445. É também quase certo que o dito João Gomes era seu filho legitimado, pois a 25.3.1454 o mesmo rei legitimou João e Gonçalo, filhos de Mestre Pedro, cirurgião, e de Maria Gonçalves, mulher solteira.
Este casamento de D. Filipa de Souza com o filho legitimado do cirurgião, que se terá realizado cerca de 1588, teria ela 15 anos de idade, além de desigual em condição foi-o também em idade, se aceitarmos que o marido é o João legitimado em 1454, pois neste caso teria pelo menos mais 22 anos do que ela. Donde se conclui que foi casamento tratado pela família, ou pelo dito Pedro de Gouveia, pelo que o filho de Mestre Pedro devia ser rico... E esta diferença de idades também se avalia pelo facto de este casamento ter sido necessariamente muito curto e, dizem as genealogias, sem geração.
Portanto, foi já viúva deste João Gomes, e possivelmente viúva rica, que D. Filipa casou 2ª vez, cerca de 1490, com Diogo Lobo, de uma família de notáveis jurisconsultos.
Diogo Lobo, nome com que se documenta, a quem as genealogias chamam Diogo Lobo Teixeira, estudou na Universidade de Bolonha com seu irmão mais velho, o doutor Luiz Teixeira, desembargador do Paço, mestre de Gramática de D. João III e comendador da Granja e de S. Gonçalo de Amarante na Ordem de Cristo, ambos filhos do notável jurisconsulto doutor João Teixeira e de sua mulher Maria Lobo, irmã de Rui Lobo, fidalgo da Casa Real, desembargador e corregedor de Lisboa no reinado de D. Afonso V e vedor da fazenda de D. João II, ambos filhos do corregedor de Lisboa Diogo Gonçalves Lobo, que foi vedor da Casa da rainha D. Leonor e válido de seu marido o rei D. Duarte, e de sua mulher a castelhana D. Elvira de Olivares, dama da dita rainha D. Leonor. A 10.4.1451 D. Afonso V nomeou Diogo Gonçalves Lobo, escudeiro, vedor que foi da rainha, para o cargo de corregedor da cidade de Lisboa, em substituição do doutor Pedro Faleiro. E a 13.4.1452 doou a Gonçalo Dias Lobo, filho de Diogo Gonçalves Lobo, corregedor na cidade de Lisboa, uma tença anual de 4.800 reais de prata para mantimento de seus estudos.
Aquele doutor João Teixeira foi chanceler-mor do reino (10.7.1484), do Conselho de D. Afonso V e D. João II, desembargador do Paço, embaixador de D. Afonso V ao Papa Xisto IV, para tratar do casamento deste rei com a sobrinha, e de D. João II aos Reis Católicos, para propor e tratar o casamento do herdeiro português com a herdeira de Castela. Foi ele que recitou o elogio a D. Pedro de Menezes na cerimónia em que o rei o fez marquês de Vila Real. O doutor João Teixeira estudou Direito nas universidades de Paris e Bolonha, tendo para o efeito recebido do rei a 29.7.1451 uma tença anual para estudos de 4.800 reais de prata. A 15.9.1473 era já desembargador e a 25.8.1475 D. Afonso V nomeou o doutor Diogo da Fonseca, do seu Conselho, para o cargo de desembargador régio e das petições, em substituição do doutor João Teixeira. Antes, a 6.1.1475, o rei tinha nomeado vitaliciamente o doutor João Teixeira, do seu Conselho, desembargador régio e das petições, para o cargo de vice-chanceler, com todas as honras, liberdades, franquezas e privilégios dos vice-chanceleres, mandando que lhe entreguem os selos redondos com os pendentes de prata e de metal. E a 23 de Outubro do mesmo ano D. Afonso V doou vitaliciamente ao doutor João Teixeira, seu criado e do seu Conselho e desembargador régio e das petições, a moradia do Conselho por ano, tal como tem Álvaro Pires Vieira, do seu Conselho, acrescentando-lhe mais 40.000 reais.
O doutor João Teixeira era filho de outro notável jurisconsulto, o desembargador Luiz Martins, um dos compiladores e revisores das «Ordenações Afonsinas», e de sua mulher Isabel Teixeira. Esta filiação, referida por Alão, documenta-se na já referida bolsa de estudo de 1451, que é dada a João, filho de Luiz Martins, desembargador do Paço. Luiz Martins aparece em dezenas de documentos da Chancelaria, durante todo o reinado de D. Duarte, como seu vassalo e do seu desembargo, cargo que manteve com D. Afonso V. A 26.4.1439 este rei confirmou o privilégio a Luiz Martins, seu desembargador, pelo qual lhe coutava a terra a que chamavam Romão Grande e Pequeno, situada perto do Paço da Valada, conforme carta de D. Duarte de 10.2.1434. A 12 de Junho do mesmo ano o mesmo rei confirmou o privilégio a João Escudeiro, morador em Benfica, termo da cidade de Lisboa, criado da mãe de Luís Martins, desembargador régio, pelo qual estava isento de ser posto por besteiro do conto, conforme alvará de 20.3.1435. Segundo Alão, como ficou dito, este desembargador Luiz Martins era filho de um ourives de Lisboa, arte que, convém notar, era a única nobilitante.
Voltando a Baltazar Lobo de Souza, nasceu cerca 1591/3 e, a avaliar pelo nome da filha, casou com uma senhora Barbosa, possivelmente Joana, justamente como a filha, sendo esta mulher, ou já outra, que em 1556 estava com ele e os filhos na ilha de S. Lourenço, como ficou dito. Na expedição a Madagáscar de 1547 era acompanhado por seu filho Diogo Lobo, como diz João de Barros, certamente o primogénito para quem em 1556 pede ao rei o cargo de juiz da alfândega de Goa. Poderia tê-lo acompanhado a Madagáscar seu outro filho Henrique Lobo, e aí ter falecido? O certo é que este Henrique Lobo, nascido cerca de 1617, já tinha falecido em 1551. Casou com Isabel de Reboredo e foram pais da outra das órfãs que nos interessam, Catarina Lobo, nascida em 1541 em Setúbal, que casou no Brasil em 1560, aos 19 anos de idade, com Gaspar de Barros de Magalhães, nessa data contador da fazenda real do Brasil. Estes foram, nomeadamente, pais de Felícia Lobo, que, dos seus quatro casamentos, um foi com seu primo Paulo de Argollo, filho dos ditos Rodrigo de Argollo e Joana Barbosa.
De Baltazar era irmão Belchior de Souza, que como vimos já fora servir para a Índia em 1534. Casou este Belchior com Luiza de Góis, irmã de António Perdigão de Góis, ambos filhos de Fructus de Góis (meio-irmão do grande Damião de Góis), camareiro e guarda-roupa do D. Manuel I, e de sua mulher Isabel Perdigão. De Belchior de Souza de sua mulher foi filha Filipa de Souza, que casou com seu primo-direito Luiz de Góis, filho do dito António Perdigão de Góis e de sua mulher Margarida de Mendonça. Deste casal nasceu nomeadamente Marta de Souza, outra das órfãs que nos interessam, onde casou com João Gonçalves Drummond, documentado em Ilhéus em 1552.
Aquele Luiz de Góis foi morto por seu filho, António de Mendonça, que casara com uma judia e na sequência do parricídio fugira para o Brasil.
Desta forma, antes de 1551 ficaram sem pais as duas donzelas órfãs Lobo de Souza que nos interessam, as ditas Catarina Lobo e Marta de Souza, a 1º neta de Baltazar Lobo de Souza e a 2ª neta de seu irmão Belchior de Souza, se bem que pelo menos o avô da primeira ainda vivesse, como vimos. Com elas foram também para o Brasil, além de Fernão e Maria de Reboredo, irmãos de Catarina Lobo, e de Mécia Lobo, irmã de Marta de Souza, duas primas destas últimas, Damiana e Apolónia de Góis, também órfãs e sobrinhas do grande Damião de Góis, então vivo, pois só faleceu muito depois, em 1574.

O facto de todas estas órfãs terem parentes vivos (tio, tias e avós) significa sobretudo que a decisão política/religiosa de D. João III de enviar donzelas nobres para casarem no Brasil, respondendo ao pedido do Padre Manuel da Nóbrega, deve ter-se confrontado com a dificuldade de as arranjar, pois não parece fácil que os respectivos pais o deixassem, podendo evitá-lo. Assim, a solução do recurso a órfãs parece a melhor, sobretudo sendo donzelas da rainha. O que também significa que a ida para o Brasil, das duas uma: ou foi autorizada pelas famílias ou estas não tiveram como contrariar a vontade do rei. No caso das Lobo de Souza, havia mesmo uma relação familiar, ou seja, a tia de uma e prima de outra já tinha ido com seu marido (Rodrigo de Argollo) para a Baía em 1549, o que pode ter sido determinante para o consentimento do avô, se é que esse consentimento foi necessário, pois não se sabe quem eram os tutores ou tutoras das jovens, e afinal a tutora até poderia ser a própria rainha, já que as órfãs eram suas donzelas.
Daquela Marta de Souza e de seu marido foi filho Belchior de Souza Drummond, que casou com Mécia d'Armas e foram pais de D. Catarina de Souza, casada a 13.5.1603 com Eusébio Ferreira. Destes foi filha D. Clara de Souza, que casou com o capitão Belchior Barreto de Teive, fidalgo da Casa Real (1663), sobrinho do 1º marquês de La Fuente, em Espanha, e foram pais de D. Maria de Souza, que também aparece documentada como D. Maria de Teive, que casou com Miguel Rodrigues de Gusmão, cavaleiro da Ordem de Cristo (26.2.1680), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía (24.9.1678), etc., que foram pais de D. Inez de Gusmão. Esta D. Inez casou a 18.2.1692 no engenho de Copacabana com seu parente Paulo de Argollo, fidalgo da Casa Real (30.1.1711), bisneto da outra órfã, Catarina Lobo, e igualmente bisneto da tia desta Catarina, Joana Barbosa, filha de Baltazar Lobo de Souza.
E assim se cruzou a descendência dos dois irmãos, Baltazar e Belchior, tendo alguma dessa descendência regressado a Portugal na viragem do séc. XVIII para o XIX, 250 anos depois das suas antepassadas, as donzelas órfãs, terem ido casar ao Brasil.
 

GENEALOGIA

1.         Rodrigo de Argollo (Argollo, Argullo ou Arguelo, como aparece documentado em Portugal; mais tarde a família também aparece Argolo, sem a dupla consoante), fidalgo nascido cerca de 1507, provavelmente em Baeça (Andaluzia), pois usava o mesmo escudo de armas dos daí. Não se sabe a sua filiação, sendo contudo quase certo que seria filho de Alonso de Arguello, morador em Baeça, que a 2.7.1525 teve carta destas armas, a saber: escudo de ouro com duas chaves de azul postas em pala, com os anéis para baixo, dispostas em faixa e contrapostas, com bordadura de vermelho carregada de oito aspas em ouro. Timbre: Leão rompante de vermelho segurando na garra dextra uma das chaves. Este escudo de armas, usado pelos Argollo do Brasil, é diferente dos restantes Argollo, que em geral usam um escudo de vermelho com cinco flores de lis de ouro em aspa, com bordadura de ouro, que também aparece carregada de oito quadros de veiros de azul. Os Arguello de Brozas e Badajoz usam já um escudo de armas diferente: de azul, um carvalho da sua cor com frutos em ouro e duas cabras de ouro em pala, empinadas no tronco. Pela análise heráldica pode-se assim concluir que os Argollo do Brasil descendem do ramo de Baeça.

O certo é que Rodrigo de Argollo passou muito novo a Lisboa, em 1525, com a rainha Dona Catarina, de quem foi porteiro da câmara (Moradias, 2,4,59V) e moço da estribeira ou estribo (Moradias, 2,1,28). A 2.6.1529, já como moço da estribeira da Casa da rainha, teve desta provisão para receber 2.000 reais da sua moradia de 12.000 reais por ano. Era então muito jovem, e só 20 anos depois, a 16.1.1549, D. João III o nomeou 1º provedor da fazenda real do Brasil, bem assim como 1º provedor (proprietário) da alfândega e defuntos da capitania da Baía 2, dando-lhe ainda um alvará para resgatar um escravo cada ano 3. Rodrigo de Argollo embarcou a 1.2.1549 em Lisboa, com o 1º governador Tomé de Souza, tendo chegado ao Brasil a 29 de Março do mesmo ano, onde por pouco tempo desempenhou aqueles cargos, uma vez que faleceu relativamente novo a 15.11.1553. A historiografia brasileira refere que Rodrigo de Argollo veio viúvo e com filhos de Portugal, tendo na Baía casado 2ª vez, por insistência do Padre Manuel da Nóbrega, com a dita Joana Barbosa, de quem não teve geração, o que se documenta errado. A 18.11.1553 foi nomeado no cargo de provedor Rodrigo de Freitas, o futuro jesuíta, «contratado para haver de casar com uma sobrinha de Rodrigo de Arguello que Deus tem».

Rodrigo de Argollo casou em Lisboa em 1529 com Joana Barbosa, nascida cerca de 1518, filha de Baltazar Lobo de Souza e de sua mulher (Joana) Barbosa e neta paterna de Diogo Lobo e de sua mulher D. Filipa de Souza, filha dos 4ºs senhores de juro e herdade de Baião, como largamente ficou dito na introdução. Desta Joana Barbosa há duas cartas, ambas escritas e assinadas por si e datadas de 10.8.1556 (CC, P.I, m.99, nºs 55 e 84), sendo viúva, uma pedindo para seu filho ao bispo da Baía uma conezia na Sé que estava vaga, e outra carta para seu filho Luiz de Vada, cónego da Sé da dita cidade, em que lhe diz a mesma coisa, ou seja, que peça ao bispo uma conezia que se acha vaga para o seu irmão e fala-lhe na dívida que deve a André Cabreira, para que ele saiba deste em que género quer a paga e a quem o há-de pagar. Esse outro filho para quem a mãe pediu a conezia seria Paulo de Argollo, que então tinha cerca de 18 anos de idade, pelo que não a obteve nem seguiu a carreira eclesiástica.  

1.1.    Luiz de Argollo, que usou o nome de Padre Luiz de Vada. Foi cónego da Sé da Baía (10.10.1553) e faleceu a 16.6.1568, no trágico acidente da nau «Nossa Senhora da Ajuda», que deu à praia do rio Coruípe, tendo sido os passageiros trucidados pelos índios caetés. De Portugal já veio clérigo de Ordens Menores, onde terá nascido cerca de 1530, tendo sido apresentado pelo pai ao bispo Dom Pedro Fernandes Sardinha, que o proveu cónego da Sé. 

1.2.   D. Ana de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1532. Casou a 1ª vez a 24.11.1552 na Baía com João de Brito, senhor do engenho de Paraguaçu, s.g. Casou a 2ª vez, também s.g., com Gabriel Soares de Souza, autor do «Tratado Descritivo do Brasil» (1587), que faleceu no sertão em 1592, nomeando seu sobrinho por afinidade Bernardo Ribeiro, adiante, seu testamenteiro, com a obrigação de levar o seu corpo a sepultar na igreja dos beneditinos sobre uma pedra onde se dissesse «Aqui jaz um pecador». Por alvará de 13.12.1590 teve Gabriel Soares mercê da Ordem de Cristo, com tenças de 50.000 reais, para quatro cunhados e dois primos que o acompanharam no descobrimento de minas no sertão.

1.3.   D. Maria de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1534 e falecida a 11.2.1602 na Baía, ficando testamenteiro seu filho Bernardo Ribeiro e sendo sepultada em S. Bento. Casou a 5.11.1556 na Sé da Baía (Salvador), sendo testemunha o governador D. Duarte da Costa,  com António Ribeiro, capitão e governador dos índios de Santa Cruz de Itaparica, por nomeação do governador Mem de Sá. Em 1561 era capitão em Ilhéus, sendo nomeado a 14.10.1562 provedor da alfândega da Baía, cuja propriedade tinha seu cunhado. António Ribeiro tomou o partido do governador D. Duarte da Costa contra o bispo D. Pedro Fernandes Sardinha. Devia ser irmão de D. Agostinho Ribeiro, também bispo de Angra  e bispo de Lamego, nascido em Lisboa em 1483 e falecido em Xabregas a 27.3.1554, que era filho de Martim Ribeiro, escrivão da Casa da Índia, e de sua mulher Maria de Carvalho.

1.3.1.   D. Joana Barbosa, bat. a 10.3.1558 na Sé da Baía  e falecida em 1589, sendo sepultada no Colégio. Casou com Diogo Correa de Sande. Jabotão diz que este Diogo Correa, natural de Portugal, era da casa dos Correa de Sá, tronco dos visconde de Asseca. Diogo Correa de Sande tinha em 1584 um engenho em Jaguaribe considerado «uma das melhores peças da Bahia, porque está muito bem acabado, com grandes aposentos e outras oficinas, e uma fresca igreja de Vera Cruz», ficando perto do engenho de Gabriel Soares. Quando da invasão dos aimorés em Ilhéus, o governador Manuel Telles ordenou que fossem repelir esses bárbaros Diogo Correa de Sande e Fernão Cabral de Ataíde, «que possuíam muitos escravos e tinham aldeias de índios forros». Diogo Correa tinha também uma fazenda em Caípe.

1.3.1.1.   André Correa de Sande, s.m.n.

1.3.1.2.   António Ribeiro, referido como «primo do capitão Francisco de Paula», combateu valentemente os holandeses acastelados na Baía em 1624-5.

1.3.1.3.   D. Maria de Argollo, s.m.n.

1.3.1.4.   D. Leonor de Sande, que casou com Braz da Costa Cirne, com ascendência cristã-nova. Foram pais de Valentim da Costa, solicitador das causas da Baía, referido como «estudante que tem raça de nação» nas Denunciações da Bahia de 1618.

1.3.1.5.   D. Luiza de Sande, s.m.n.

1.3.1.6.   Pedro Correa, s.m.n.

1.3.1.7.   D. Catarina de Sande de Andrade, que foi a 2ª mulher de Sebastião Pacheco de Castro, que tinha um engenho em Itaparica, donde os holandeses foram desalojados em 1624. Tiveram uma filha, D. Clara de Sande, que casou com o capitão Francisco Fernandes da Ilha, que tinha uma fortuna avaliada em 700.000 cruzados. Destes foram filhas D. Francisca de Sande e D. Catarina de Sande, esta a 1ª mulher de Aires de Ornellas de Vasconcellos (1620-83), 6º morgado do Caniço (Funchal), de quem nasceu Agostinho de Ornellas de Vasconcellos.

1.3.2.   D. Helena de Argollo, bat, a 7.6.1560, ib, e casada com Manuel de Sá Sottomayor, provedor da alfândega da Baía (1578), cuja propriedade estava na família da mulher. Tiveram filhas, s.m.n.

1.3.3.   Bernardo Ribeiro, bat. a 20.8.1562, ib, bacharel formado em Teologia pela Universidade de Coimbra (1588), a quem seu tio Gabriel Soares de Souza, acima, nomeia testamenteiro. Foi provedor da alfândega da Baía (24.11.1606) e procurador do conde de Linhares em 1606. Em 1612 teve sesmaria em Jequiriçá, com engenho de açúcar. Pelas suas «ideias heterodóxas» e proposições heréticas  teve problemas com a Inquisição de Lisboa a 29.7.1591, sendo referido como «Bernardo Ribeiro, mancebo solteiro da idade de 30 anos mais ou menos», n. em Pernambuco, com sentença de 19.2.1592 (TSO, IL, 13957).

1.3.4.   D. Agostinho Ribeiro (Frei Agostinho de S. Gonçalo), bat. a 4.3.1564, ib, e falecido em Lisboa a 12.8.1621. Foi bispo de Angra (29.7.1613), bispo de Ceuta e Tanger (1602), doutorado em Teologia e cónego magistral da Sé de Lisboa. Foi o primeiro prelado natural do Brasil e o primeiro baiano formado na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Teologia em 1593.

1.3.5.   Gonçalo Ribeiro, estudante de Teologia na Universidade de Coimbra em 1588.

1.4.   D. Inez de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1536 e falecida a 14.9.1605 na Baía, sendo sepultada na igreja de São Francisco, ib. casou com Jácome Raymundo, s.m.n.

1.5.   Paulo de Argollo, que segue no nº 2.

2.         Paulo de Argollo, que nasceu em Lisboa cerca de 1538 e foi para a Baía com seus pais em 1549, onde viveu e faleceu a 12.1.1619, deixando testamenteiros sua mulher Felícia Lobo e seu enteado Baltazar Lobo, filho de Pedro Dias. Teve várias terras em Passé (1598) e sesmarias em Ilhéus (1608). A 11.11.1600 teve meia légua de terra em Jequiriçá. Sucedeu na propriedade da provedoria da fazenda e da alfândega da Baía, sendo provedor da alfândega em 1608, e era vereador do Senado da Câmara em 1607. A cidade de Aratuíbe nasceu de uma capela aí feita por seus descendentes. Muito provavelmente foi cavaleiro da Ordem de Cristo a 13.12.1590, data de um alvará para seu cunhado Gabriel Soares, que conferia a este o direito de dar a quatro cunhados e dois primos, que o acompanhavam no descobrimento das minas do sertão, hábitos de Cristo com tenças de 50.000 reais. Casou cerca de 1599 com sua prima-direita Felícia Lobo, já viúva, filha de Gaspar de Barros de Magalhães, contador da fazenda real do Brasil (1560), vereador do Senado da Câmara da Baía (1562), provedor da alfândega da Baía (1568), cuja propriedade tinha seu genro, morador em Recôncavo (Baía), no lugar chamado São Paulo, muito rico e já falecido em 1591, e sua mulher Catarina Lobo, nascida em Setúbal em 1541, uma das referidas órfãs enviadas para o Brasil. Esta Catarina Lopo era filha de Henrique Lobo e de sua mulher Isabel de Reboredo; neta paterna de Baltazar Lobo de Souza e de (Joana) Barbosa, como já ficou referido. Felícia Lobo tinha casado a 1ª vez com Pedro Dias de Figueiroa, de 50 anos de idade, mercador e rico fazendeiro no Brasil, natural do Porto, filho de Gonçalo Álvares, «homem do mar», e de sua mulher Bárbara Dias de Figueiroa, de quem teve dois filhos: Baltazar Lobo e José Dias de Figueiroa. Depois de viúva de Paulo de Argollo ainda casou mais duas vezes, primeiro com Vicente Coelho e depois com Constantino de Menelao, governador do Rio de Janeiro (1614-1616), capitão da carreira da Índia (CFI, 4, 249v), sem geração destes matrimónios.

2.1.   Paulo de Argollo, capitão da Ordenança de Passé (20.10.1650), foi bat. a 7.6.1601 na Sé da Baía e sucedeu na propriedade da provedoria da fazenda e alfândega, tendo fal. antes de 12.1.1641. Na sua nomeação para capitão da Ordenança de Passé diz-se: «Achando-se nas ocasiões do inimigo que se tem oferecido no Recôncavo, e procedido nelas com muito honrada opinião». Casou a 25.11.1621 com sua prima D. Mécia Lobo de Mendonça, filha de Jerónimo Moniz Barreto, o Velho, fidalgo e escudeiro, falecido em 1606, e de sua 1ª mulher D. Mécia Lobo de Mendonça (1559-1593), filha de outras da órfãs que vieram para o Brasil, também D. Mécia Lobo de Mendonça, e de seu marido Francisco Bicudo, espingardeiro do governador Tomé de Souza. Parece que s.g.

2.2.   D. Joana de Argollo, nascida na Baía e falecida nova a 18.1.1626, ib, sendo sepultada na igreja de S. Francisco. Jaboatão diz que foi bat. na Sé da Baía a 23.9.1620, o que é impossível, pelo que deve ser gralha por 1602, portanto cerca de um ano depois do nascimento de seu irmão. Ou, em alternativa, a data de 1620 não é baptismo mas sim do seu 2º casamento. Infelizmente estão desaparecidos os livros de assentos paroquiais que Jaboatão terá consultado. Se nasceu em 1602, o que parece, morreu com apenas 24 anos de idade. Apesar disso casou duas vezes e ainda viveu em Braga, onde lhe nasceram dois filhos do 2º casamento. Casou a 1ª vez, teria 15 anos de idade, com o doutor Francisco Subtil de Sequeira (a) desembargador que chegou ao Brasil em 1602, cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, natural de Tancos (Portugal) e falecido a 4.4.1619 no Brasil, com sepultura no convento do Carmo. Casou 2ª vez, cerca de 1620, com Sebastião Parvi de Brito (b), nascido em Évora, já viúvo, que sucedeu a seu cunhado na propriedade da provedoria da fazenda e alfândega (12.1.1641) e foi nomeado por D. João IV provedor-mor da real fazenda do Brasil (CJIV, 13, 172). Sebastião Parvi de Brito era irmão de Luiza de Brito e Ambrósia de Brito, que faleceram solteiras na Baía, e primo de Aires Falcão Pereira, guarda-mor da Torre do Tombo, do doutor Francisco da Silva de Menezes, colegial de S. Pedro, e do doutor Martim de Almada, como se refere na IG para o Stº Ofº de seu neto. Por estas indicações genealógicas, Sebastião Parvi de Brito era certamente neto de André Parvi e de sua mulher D. Leonor Barreto, irmã do doutor Pedro Barreto de Vasconcellos, avô do referido doutor Francisco da Silva de Menezes, colegial de S. Pedro da Universidade de Coimbra e familiar (25.9.1650), deputado e promotor do Santo Ofício. O também referido Aires Falcão Pereira, guarda-mor da Torre do Tombo, era certamente filho ou neto de Francisco Pereira Falcão e sua mulher D. Jerónima Barreto, também irmã do dito doutor Pedro Barreto de Vasconcellos, como refiro em Leitão. O parentesco com o doutor Martim de Almada não consigo explicar. A não ser que tenha havido confusão e se trate do doutor Martim Leitão, célebre general e ouvidor-geral do Brasil, que casou com D.Babiana Barreto, irmã do mesmo. Do 1º casamento de Sebastião Parvi de Brito parece neto outro Sebastião Parvi de Brito, que foi capitão de Ordenanças no Brasil (3.12.1725) e coronel de Infantaria de Ordenanças (30.1.1728) e a 27.1.1742 teve o hábito da Ordem de Cristo com 12.000 reais de tença. 

2.2.1.   (a) Agostinho Subtil de Sequeira, irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (1679), falecido a 18.6.1683 e sepultado em Stª Mª do Socorro. Casou com D. Francisca de Menezes, filha de Cristóvão da Costa Doria e sua mulher D. Maria de Menezes, filha de Jerónimo Moniz Barreto de Menezes.

2.1.1.1.   Francisco Subtil de Sequeira, vereador do Senado da Câmara de Salvador da Baía em 1671, falecido a 3.9.1693, ib. Casou a 2.4.1667 na Sé da Baia com D. Bárbara de Azevedo Henriques, fal. a 8.3.1686, ib, filha do doutor António Mendes de Oliva e sua mulher D. Isabel de Azevedo Henriques. C.g.

2.1.1.2.   D. Joana de Argollo, que casou a 5.12.1655 em Passé com Braz Lobo de Mesquita, c.g.

2.1.1.3.   D. Maria de Menezes, que casou com João de Barros Aranha

2.1.1.4.   D. Leonor de Menezes, bat. a 11.9.1646 na capela de S. Paulo, em Stª Maria do Socorro.

2.1.1.5.   D. Mariana de Menezes, que casou a 12.1.1663 na capela de S. Paulo com Lucas Tavares de Alvim, filho de Tomé Tavares de Alvim e sua mulher D. Bárbara Pereira de Gusmão. C.g.

2.1.1.6.   D. Antónia de Menezes, que casou com António Telles Pereira, s.g.

2.1.1.7.   D. Ângela, falecida menina.

2.2.2.   (b) Manuel de Brito Lobo, nascido em Braga, cavaleiro da Ordem de Cristo.

2.2.3.   (b) D. Leonor de Brito, nascida em Braga e moradora na Baía, onde Jaboatão diz que fal. a 26.5.1678 e que foi sepultado na igreja do Carmo. Casou com António de Brito de Castro, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 100.000 reais de pensão (17.3.1673) provedor da alfândega da Baía (1638), cuja propriedade estava na família da mulher, tendo nascido na Baía, onde viveu e onde Jaboatão diz que fal. a 1.4.1675, sendo sepultado na igreja do Carmo, acrescentando que foi tenente às ordens do mestre de campo general. Era filho de Francisco de Brito de Sampayo, nascido em Mansos (Braga), e de sua mulher D. Susana Barbosa, nascida em Barcelos; neto paterno de António de Brito de Castro e de sua mulher Antónia de Sampayo (filha de António Mendes de Vasconcellos e sua mulher Isabel Pereira, moradores em Sabrosa); bisneto de Pedro de Brito Pimenta e sua mulher Francisca Godins (filha de António Freire de Andrade e sua mulher Antónia Godins); trineto paterno de Simão Pimenta de Castro e de sua mulher Isabel de Brito de Noronha, filha esta de Fernão de Brito, abade de Mouçós, como tudo se diz na IG de seu filho.

2.2.3.1.   Sebastião de Brito de Castro, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Stº Ofº (21.5.1689). Casou com D. Maria de Aragão, irmã de Pedro Camelo Pereira de Aragão, António de Aragão Pereira e Diogo de Aragão Pereira, todos cavaleiros da Ordem de Cristo e filhos de Diogo de Aragão Pereira, nascido na ilha da Madeira e morador na Baía, e de sua mulher D. Isabel de Aragão, nascida na Baía; netos paternos de Pedro Camelo de Aragão e Inez Martins, ambos da Madeira; netos maternos de Baltazar de Aragão de Souza, da Madeira, e de sua mulher Maria de Araújo, da Baía. S.m.n.

2.2.3.2.   André de Brito e Castro, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 20.000 reais de tença (13.3.1679). Foi provedor da alfândega (1678) e da fazenda (5.4.1688) da Baía, irmão da Misericórdia da Baía (1672), etc. Casou com D. Francisca Maria Leite, c.g. desenvolvida em «Gorjão Henriques», 2006 (2 volumes), de Nuno Gorjão Henriques e Miguel Gorjão-Henriques

2.2.3.3.   Francisco de Brito de Sampayo, que foi provedor da alfândega da Baía (1676). Casou com Maria Francisca Xavier Aranha, segundo Jaboatão. Foram pais de António de Brito de Castro, fidalgo cavaleiro da Casa Real, com 1.600 reais de moradia por mês (21.3.1690), e de André de Brito de Sampayo, também fidalgo cavaleiro da Casa Real (5.3.1699).

2.2.3.4.   D. Joana de Brito de Castro, que casou com Francisco Pereira Ferraz, provedor da alfândega da Baía (1689).

2.2.3.5.   D. Antónia de Castro, fal. a 8.11.1665, solteira, segundo Jaboatão.

2.2.3.6.   António de Brito de Castro, sobre quem Jaboatão dá ampla notícia da sua extraordinária vida. Parece ser este (e não ainda seu pai homónimo) que a 12.2.1674 teve alvará de D. Afonso VI para que possa formar uma vila no distrito do Rio de S. Francisco (Baía), no prazo de 6 anos. E deve ainda ser este (e não seu sobrinho homónimo, referido acima), que a 10.3.1694 foi nomeado provedor da Alfândega de Baía.

2.3.    Rodrigo de Argollo, que segue no nº 3.

3.        Rodrigo de Argollo, fidalgo da Casa Real 4, nascido cerca de 1603 e falecido em 1665. Parece ter sido o 1º senhor da fazenda e engenho S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro da vila de S. Francisco do Conde (S. Francisco da Barra de Sergipe do Conde), na Baía, onde casou a 28.7.1642 com D. Isabel Pereira de Magalhães, irmã do capitão Francisco de Padilha, que se celebrizou na luta contra os holandeses, ambos filhos do capitão André de Padilha de Barros, cavaleiro fidalgo da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo, fidalgo português que chegou ao Brasil em 1589, capitão de Infantaria que esteve na tomada de Sergipe e nas guerras contra os holandeses, nomeadamente em 1624-25, senhor de uma sesmaria com duas léguas de Passé a Jacuipe (10.7.1612), etc., e de sua mulher Maria Rangel, baptizada a 15.4.1585 na Sé da Baía. André de Padilha, quando pediu a sesmaria ao rei, em 1612, diz que há 23 anos que estava na Baía, «sempre servindo a S. Majestade em todas as ocasiões que então até hoje se ofereceram, como foi na ocasião de duas naus inglesas e um patacho que a esta terra vieram, governando nela Cristóvão de Barros. E na ocasião das naus holandesas governando Álvaro de Carvalho e outrossim na ocasião das naus que aqui vieram governando Diogo Botelho, assim se achou na tomada de Sergipe, em companhia do capitão-mor Cristóvão de Barros e também acompanhou a Gabriel Soares de Sousa na jornada que fez por mandado de S. Majestade e em todos os rebates e alardes gerais que no tempo de vossa senhoria se ofereceram, acudiu sempre com muita vontade. Em todo esse tempo serviu a S. Majestade com sua pessoa e armas e escravos sempre à custa do suplicante, sem gastar da fazenda de S. Majestade cousa alguma, e é morador na terra e tem mulher e filhos, e não tem terra nenhuma que de sesmaria lhe fosse dada». André de Padilha, que era certamente parente do capitão Cristóvão de Barros e filho de um ou uma Pereira de Magalhães, nomes usados pela filha, casado com um ou uma Padilha de Barros, devia ser neto (paterno ou materno) de Bartolomeu Fernandes de Padilha, escudeiro da Casa Real, que a 30.4.1530 tirou carta de armas para Padilha (de Castela), ou de seu irmão Francisco Fernandes de Padilha, morador em Lisboa, que tirou igual carta de armas a 23.8.1532. Maria Rangel era filha de Rafael Telles, natural da Madeira, lavrador que passou à Baía, e de sua mulher (casados a 6.1.1583, ib) Maria Rangel, nascida no Porto em 1567 (em 1591 diz ter nascido nesta cidade e ter 24 anos); neta paterna de António Fernandes de Abreu e sua mulher Maria de Gouveia, moradores na Madeira; e neta materna de Miguel Ribeiro, procurador do número do Porto e morador na rua de São Francisco desta cidade, e de sua mulher Marta Vilela, «pessoas opulentas e de cabedal». Esta Marta Vilela, natural do Porto, cristã-velha, em 1591 vivia na Baía, em casa da filha, quando foi acusada de praticar magia (Confissões de Santo Oficio, 1591). Miguel Ribeiro era certamente dos Ribeiro Rangel, de Aveiro.

3.1.   Padre Rodrigo de Argollo, bat. a 30.6.1643 na Baía (Jaguaripe). Foi clérigo de ordens sacras.

3.2.   Francisco de Padilha, parece que s.g., s.m.n.

3.3.   Paulo de Argollo, que segue no nº 4.

3.4.   D. Felícia Lobo, bat. a 19.9.1647, ib, s.m.n.

3.5.   D. Mariana Pereira de Menezes, bat. a 5.1.1649, ib, foi freira do convento do Desterro, onde recebeu hábito a 28.10.1679 com o nome de Soror Maria de Santa Clara.

3.6.   D. Ana de Argollo de Menezes, bat. a 19.2.1650 em Nª Sª do Socorro. Casou cerca 1670 com o capitão António Moreira de Menezes5, natural de Passé, juiz ordinário da Câmara da Baía em 1691, irmão da Stª Casa da Misericórdia (21.4.1671), que era irmão de Martim Afonso de Mendonça, e ambos filhos de António Moreira de Gambôa, fidalgo da Casa Real, senhor de engenho em Socorro, etc., e de sua mulher D. Antónia de Menezes

3.6.1.   Rodrigo de Argollo, padre, que julgo ter sido o mais velho.

3.6.2.   D. Helena Maria de Argollo, bat. a 29.2.1672 em Stª Mª do Socorro. Casou a 1ª vez com Bartolomeu Soares, s.g., e a 2ª vez com Francisco de Negreiros Côrte-Real, falecido a 26.7.1790, também s.g., sendo ele já viúvo de D. Antónia de Araújo de Aragão.

3.6.3.   D. Inez de Argollo, que casou com Teodósio de Sá Brandão, de Sergipe d'El Rei, s.g.

3.6.4.   D. Antónia de Argollo, bat. a 31.7.1675 em Stª Mª do Socorro. Casou a 1ª vez com João Pereira Coronel e a 2ª vez com Baltazar de Vasconcellos Cavalgante de Albuquerque, s.g. de ambos os matrimónios.

3.6.5.   José de Argollo de Menezes, nascido cerca de 1676, foi senhor de uma sesmaria donde expulsou os índios, segundo uma carta real de 17.1.1726, onde se diz que era «homem muito poderoso naqueles sítios». Casou a 1ª vez a 4.6.1710 em Guadalupe (dispensados no 3º grau de consanguinidade) com  D. Francisca de Menezes (a), irmã de João Pereira Barbosa de Araújo, referido adiante, ambos filhos de António Barbosa de Araújo e sua mulher D. Mónica de Menezes. Casou a 2ª vez a 8.1.1727, na capela de S. Domingos, com sua concunhada D. Catarina Ponciana Bezerra de Vargas Cirne (b), nascida em S. Francisco do Conde.

3.6.5.1.   (a) João de Argollo de Menezes, que nascido cerca de 1711 e, ainda muito novo e por motivo desconhecido, cumpriu pena de degredo em Angola, onde ainda estava a 8.3.1747, quando pede para lá sair, por se ter findado o tempo. Casou na vila de Cairu com D. Fé de Souza, dos Eça e Couros, s.g.

3.6.5.2.   (a) António Moreira de Menezes, falecido solteiro.

3.6.5.3.   (b) D. Maria Bernarda de Argollo de Vargas Cirne, nascida em Stº Amaro em 1727. Casou a 14.4.1749 com o guarda-mor Bernardo da Silveira de Menezes, cavaleiro da Ordem de Cristo, tabelião e escrivão do público, judicial e notas de Maragogipe (14.12.1726), filho do doutor Bernardo Mendes da Silveira e de sua mulher D. Antónia de Menezes. C.g. 

3.6.5.4.   (b) Simão Manuel de Argollo de Menezes, juiz ordinário de S. Francisco do Conde, fazendeiro de cana do açúcar, familiar do Stº Ofº (1756), processo que ficou incompleto com a sua morte. Foi bat. a 28.12.1730, ib, e faleceu em 1756, com apenas 26 anos de idade. Casou com D. Maria Clara da Encarnação da Costa Coelho, filha do sargento-mor António da Costa Coelho e sua mulher D. Águeda Luiza Gomes de Lima, referidos adiante. C.g. 6

3.6.5.5.   (b) José de Argollo de Menezes, bat. a 15.4.1731 em Nª Sª do Monte, falecido solteiro.

 3.6.6.  Bartolomeu de Argollo de Menezes, sargento-mor de Stº Amaro em 5.8.1748, ocupando o cargo há 18 anos, juiz ordinário de S. Francisco do Conde, irmão da Santa casa da Misericórdia da Baía (1733), senhor do engenho de Itacuipe, em 1720 desiste de uma contenda com os carmelitas sobre os limites das suas propriedades entre os rios Jacuibe e Itacuibe, sendo «pessoa que se fez célebre não só pela sua nobreza de sangue mas também por suas muitas virtudes morais» (Frei Bento da Apresentação, in «Cartágrafo Epipompteutico»). Nasceu cerca 1677 e faleceu octogenário a 10.7.1764. Casou a 1ª vez a 29.1.1715, na capela de Stº António do Socorro, com D. Antónia Isidora Maria Bezerra de Vargas Cirne (a), falecida a 18.8.1730, filha do capitão de Cavalos Miguel Bezerra e sua mulher D.Maria Cirne. Casou a 2ª vez com D. Águeda Luiza Gomes de Lima (b), já viúva do sargento-mor António da Costa Coelho, sendo filha do capitão Manuel Rodrigues Brandão e sua mulher D. Maria Rebouças.

3.6.6.1.  (a) D. Ana, nascida em S. Francisco do Conde e falecida solteira a 13.5.1731.

3.6.6.2.  (a) Frei João de Argollo de Menezes, nascido ib, carmelita na Baía.

3.6.6.3.  (a) D. Maria, nascida ib e falecida menor a 12.1.1718.

3.6.6.4.  (a) Rodrigo de Argollo Vargas Cirne de Menezes, coronel do Regimento de Cavalaria de Auxiliares da Baía em 1770, de que tinha sido sargento-mor, vereador do Senado da Câmara, escrivão da Casa da Moeda (8.5.1780), ofício que passou a seu genro Francisco Alexandre de Freitas e Eça a 11.11.1794, Familiar do Stº Ofº (26.3.1772), membro da Academia Brasileira dos Renascidos (1759), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía em 1726, donde foi expulso por incivilidade em 1762 e readmitido no ano seguinte, sendo escrivão da irmandade. Foi bat. a 1.5.1722 em Nª Sª do Monte e falecido a 25.6.1795. Casou com D.Marcela da Purificação da Silva, filha de António da Silva Gomes, natural do Porto, familiar do Stº Ofício e ferreiro da Casa da Moeda. C.g.

3.6.6.5.  (a) D. Ana Maria de Argollo Vargas Cirne de Menezes, bat. em 1718 em Nª Sª do Monte do Recôncavo (S. Francisco do Conde) e falecida menor a 3.5.1731.

3.6.6.6.  (a) D. Joana Baptista de Argollo, que casou com Estêvão da Mata Gomes, que morreu na Ilha do Príncipe com os bens sequestrados, tendo ela permissão para se repatriar.

3.6.6.7.  (a) D. Rosa, falecida menor a 8.9.1733, ib.

3.6.6.8.  (a) D. Helena, bat. a 7.11.1729 em Nª Sª do Monte e falecida com nove meses a 13.2.1730.

3.6.6.9.  (b) Pedro de Argollo de Menezes, capitão de Cavalos do Estado do Brasil (12.12.1762), nascido a 2.9.1734. Casou com D. Josefa Maria ...., s.m.n.

3.6.6.10. (b) Victorino de Argollo de Menezes, gémeo do anterior, capitão de Cavalos, inquiridor, contador e distribuidor da Baía (17.2.1763), escrivão da coroa e fazenda da Baía, familiar do Stº Ofº (12.11.1765), irmão da Stª Casa da Misericórdia (27.3.1763), falecido a 29.5.1785. Casou com D. Ana Inez Josefa de Saldanha de Andrade, falecida a 17.11.1768 na vila de S. Francisco do Conde (Baía) com inventário de menores, deixando filhos a António de Argollo e Menezes, de 3 anos de idade, que veio a falecer, e D.Maria Clara de Argollo e Menezes, de 13 anos, que veio a suceder no ofício de escrivão da Coroa e Fazenda (5.11.1804) e a casar com o capitão Vicente José de Souza Lisboa. Outro filho, Manuel, nascido em 1763, já tinha falecido. D. Ana Inez era a filha mais velha do Doutor José Borges de Sequeira, também inquiridor, contador e distribuidor da Baía, natural de Évora (irmão do comissário do Stº Ofº António da Costa de Andrade), e de sua mulher D. Clara Josefa de Saldanha. 

3.6.7.   Vicente de Argollo e Menezes, capitão-mor de Jaguaripe (confirmado a 23.10.1723), foi um dos cavaleiros dos jogos hípicos e bélicos da Baía em 1717. Casou a 21.10.1726 na capela de Stº António da Casa de Cinco Rios com sua concunhada D. Ana Maria Bezerra de Vargas Cirne.

3.6.7.1.   D. Maria, nascida em S. Francisco do Conde e falecida menina a 15.1.1728, ib.

3.6.7.2.   D. Antónia de Argollo Vargas Cirne de Menezes, nascida ib, e casada a 23.2.1756, ib, com Francisco de Vasconcellos e Albuquerque, falecido a 31.5.1778 em Stº Amaro, c.g.

3.6.7.3.   D. Maria, bat. a 15.1.1731 em Nª Sª do Monte, s.m.n.

3.6.7.4.   Francisco Xavier de Argollo Vargas Cirne de Menezes, bat. a 19.5.1732, ib, e falecido a 18.2.1751. Casou a 29.9.1750 com sua prima D. Antónia Isidora Bezerra de Vargas, s.g. 

3.6.7.5.   Inácio de Argollo de Menezes, bat. a 30.9.1733, ib, falecido solteiro.

3.6.7.2.   D. Ana Maria de Argollo Vargas Cirne de Menezes, que casou a 1ª vez a 10.8.1760 com José Pinto Ribeiro, falecido a 11.5.1774 em Passé, filho de António Pinto Ribeiro e sua mulher D. Rosa Maria de França. Casou a 2ª vez a 12.10.1774 em Passé com João Crisóstomo da Costa Pinto, filho do capitão António da Costa Pinto e sua mulher D. Maria de Jesus José. C.g. do 2º casamento.

3.6.7.6.   Leandro de Argollo Vargas Cirne de Menezes, que morava junto do Carmo quanto teve conflitos com os frades do mosteiro, tendo falecido em Stº Amaro. Casou a 30.8.1768 com D. Tereza Maria de Jesus Filgueiras, filha do capitão Francisco Corrêa Filgueiras e sua mulher D. Maria Josefa de Jesus. C.g.

3.6.8.   Manuel Telles de Argollo e Menezes, capitão de Infantaria da Ordenança de Nage (12.1.1719). Casou com D.Isabel da Rocha, filha de Zenóbio de Almeida e sua mulher Maria da Rocha de Ávila.

3.6.8.1.    António Moreira de Menezes, casado, s.m.n.

3.6.8.2.   Carlos José de Argollo de Menezes, casado, s.m.n.

3.6.8.3.   João de Argollo de Menezes, s.m.n.

3.7.   D. Joana Telles de Menezes, bat. a 9.3.1654, ib, e casada com o licenciado Bartolomeu Soares, senhor de engenho, que obteve sesmaria no Recôncavo a 29.5.1684, sendo vereador do Senado da Câmara em 1694. Nas actas da Câmara é referido como «pessoa abonada e segura». Em 1684 pagou o que devia o tesoureiro, de que foi fiador. S.g.

4.        Paulo de Argollo, fidalgo da Casa Real (30.1.1711), senhor das fazendas e engenhos S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro (Baía), onde foi baptizado a 30.5.1646, e de Stº António de Cinco Rios, na freguesia de Nª Sª do Monte do Recôncavo (S. Francisco do Conde, Baía), onde viveu, sendo juiz ordinário de S. Francisco do Conde em 1711 e irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (15.4.1696). Casou a 18.2.1692 no engenho de Copacabana com sua parente D. Inez de Gusmão, filha de Miguel Rodrigues de Gusmão (que no Brasil também aparece, certamente por erro, como Manuel), cavaleiro da Ordem de Cristo (26.2.1680), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía (24.9.1678), natural da Baía, onde instituiu uma capela (cuja extinção em 1800 obteve D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz, viúva de seu neto, referida adiante), e de sua mulher D. Maria de Teive e Gusmão (que também aparece documentada como D. Maria de Souza), natural da Baía, que a 24.10.1664, sendo referida apenas como D. Maria, teve promessa real de 50.000 reais de pensão, com o hábito de Cristo, para quem com ela casar, pelos serviços de seu pai Belchior Barreto de Teive (mercê confirmada a 27.11.1673). D. Maria era irmã de Pedro de Teive Barreto ou Barreto de Teive, nascido na Baía, capelão fidalgo da Casa Real com 1.280 réis de moradia (29.12.1664), que a a 7.8.1655 teve o hábito de noviço da Ordem de Avis, com a pensão de 20.000 reais (16.4.1657), depois acrescida de mais 10.000 reais (7.3.1663). Eram ambos filhos e ela herdeira do capitão Belchior Barreto de Teive, fidalgo da Casa Real (1663), já falecido em 1680, e de sua mulher D. Clara de Souza. Esta D. Clara era irmã de António Ferreira de Souza, que a 22.10.1646 teve o hábito de cavaleiro noviço da Ordem de Santiago, por estar casado com D. Antónia Bezerra, filha de Luiz Bártolo e sua mulher D. Maria Furtado, sendo nesta mercê referido como filho de Eusébio Ferreira e sua mulher D. Catarina de Souza. De facto, eram ambos filhos de Eusébio Ferreira, natural de Porto Santo (Madeira) e falecido a 1.11.1636 no Brasil, e de sua mulher (casados a 13.5.1603, ib) D. Catarina de Souza, falecida a 21.8.1649, ib. Esta D. Catarina era filha de Melchior de Souza Drummond e de sua mulher D. Mécia d'Armas (filha de Luiz d'Armas, cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher Catarina Jacques), e neta paterna de João Gonçalves Drummond, fidalgo, documentado em Ilhéus em 1552, e de sua mulher Marta de Souza 7, outra das donzelas órfãs que foi para o Brasil. Aquele Miguel Rodrigues de Gusmão (que não se percebe donde lhe veio este nome, usado por sua mulher) era filho de Gregório Rodrigues Varella e sua mulher Maria Bernardes. Teve 50.000 reais de pensão e a Ordem de Cristo, conforme prometido a sua mulher, pelos serviços de seu sogro o capitão Belchior Barreto de Teive, sendo ele, Miguel, como se diz no respectivo processo 8, «pessoa nobre, morador na cidade da Baía, onde tem servido os melhores cargos da república», gozando «de todos os foros de nobre, por se tratar com semelhante luzimento, tendo em seu serviço criados, cavalos e escravos». O dito capitão Belchior Barreto de Teive era filho de D. Pedro de Teive y Guzmán (irmão do 1º marquês de La Fuente) e de sua mulher D. Leonor Barreto; neto paterno de D. Belchior de Teive, natural da Madeira (filho dos morgados da Ribeira Brava), gentil-homem de D. Filipe II de Espanha, um dos quatro ouvidores da sua câmara e membro do Conselho de Guerra, superintendente da fazenda real (1607), genealogista, etc., e de sua mulher (casados em 1608) D. Mariana Tello de Guzmán, senhora de Lerena, filha herdeira de  D. Pedro Tello de Guzmán, senhor de Lerena, alcaide-mor de Sevilha, cavaleiro dos 24 e da Ordem de Santiago, etc., e de sua 1ª mulher e prima D. Mariana Ponce de León, descendentes da principal fidalguia sevilhana, nomeadamente dos senhores (depois condes) de Orgaz e dos condes de Arcos. Antes de ser cavaleiro da Ordem de Cristo, Miguel Rodrigues de Gusmão teve a 22.9.1678 mercê real de 50.000 reais de pensão e promessa em bens da Ordem de Cristo, por estar casado com D. Maria de Teive. 

4.1.   José de Argollo de Gusmão, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), capitão-mor de Nª Sª do Monte de Recôncavo (12.2.1720), capitão de Infantaria (18.8.1718) do regimento do coronel Egas Moniz Barreto, etc., nasceu em 1693 e faleceu solteiro, s.g.

4.2.   D. Joana Maria de Argollo e Gusmão, nascida na Casa Grande do engenho de Cinco Rios. Casou a 27.2.1729, ib, com João Pereira Barbosa de Araújo, filho de António Barbosa de Araújo e de sua mulher D. Mónica de Menezes.

4.2.1.   D. Mónica Maria de Menezes, que faleceu solteira em 1776, em Iguape, freguesia de Santiago.

4.2.2.   António, bat. a 1.2.1730 em Iguape.

4.2.3.   D. Ana, bat. a 5.1.1731, ib.

4.2.4.   D. Rosa, bat. a 1.1.1735, ib.

4.2.5.   D. Antónia, bat. a 15.5.1737, ib.

4.3.   Paulo de Argollo e Gusmão, que segue no nº 5.

4.4.   Miguel Bernardino de Argollo, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), s.m.n.

4.5.   João de Teive Barreto e Argollo, fidalgo da Casa Real (21.4.1714), pessoa de grande fortuna, bat. a 6.9.1711 na capela de Stº António da casa da fazenda e engenho de Cinco Rios, sucedeu na fazenda e engenho de S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro, e faleceu depois de 1784, ano em que, sendo viúvo, testemunha um casamento. Casou com D.Ana Joaquina Marques de Almeida, já viúva, falecida a 17.2.1771, sem testamento mas com inventário de menores de 17.2.1772, deixando uma fortuna avaliada em 49.615.722 réis, ficando tutor o pai, que deu contas a 10.10.1785. Era filha de André Marques, capitão e contratador, e sua mulher Isabel de Almeida.

4.5.1.   Paulo de Argollo e Teive, fidalgo da Casa Real (3.8.1783), nascido em 1758, pois tinha 13 anos quando do inventário. Casou antes de 1780 com sua prima-direita D. Francisca Clara de Queiroz e Argollo, referida abaixo, filha de Paulo de Argollo e Gusmão, no nº 5.

4.5.1.1.  ?João de Teive de Argollo e Queiroz, capitão das milícias de Marinhas da Praia (9.5.1803), que julgo filho destes. Deve ser o João de Teive e Argollo que casou com D. Maria da Assunção Freire de Carvalho e foram, nomeadamente, pais de:

4.5.1.1.1.    Miguel de Teive e Argolo, coronel, nascido em Cotegipe (Baía), que casou antes de 1842 com sua prima D. Maria Murtha Ferrão de Pina e Mello, nascida a 7.5.1822 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 13.1.1824, referida abaixo no §2, filha do coronel José Maria de Pina e Mello de Argollo e Queiroz.

4.5.1.1.1.1. D. Maria Capitulina de Teive e Argollo, nascida a 26.10.1842 em Salvador e D. Maria Capitulina de Teive e Argollofalecida a 9.1.1882 em São Francisco do Conde. Casou a 31.10.1863 com seu primo o doutor Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque, senador e deputado à Constituinte, advogado, secretário do Governo da Baía, nascido a 20.9.1840 em Salvador e falecido em 15.5.1917 no Rio de Janeiro, referido adiante, filho dos 1ºs viscondes da Torre de Garcia d'Ávila. C.g. 

4.5.1.2.   D. Maria Luiza de Teive e Argollo, 1ª viscondessa de Pirajá pelo casamento, falecida a 19.4.1854 emVisconde de Pirajá Santo Amaro (Baía). Casou em 1814 com Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, 1º barão (5.5.1826) e 1º visconde com honras de grandeza (12.10.1826) de Pirajá, coronel de linha, brigadeiro graduado, benemérito da Independência, grande do Império, gentil-homem da Imperial Câmara, dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador das imperiais ordens de Avis e de Cristo, etc., bat. a 13.1.1788 na capela da casa do Unhão, em Salvador, e falecido a 29.7.1848 em Itapagipe (Baía). Era já viúvo, s.g., de D. Josefa Maria de Sá Pitta e Argollo, prima da 1ª mulher, referida abaixo, com quem casou a 28.1.1806. O visconde de Pirajá era filho de José Pires de Carvalho e Albuquerque, nascido em 1756, secretário de Estado do Brasil, senhor dos escravos envolvidos na «Revolução dos Alfaiates» e a quem se deve a lousa armoriada da igreja da Graça (1797), e de sua mulher (casados em 1781) D. Ana Maria de S. José e Aragão, morgada da Torre de Garcia d'Ávila.

4.5.1.2.1.    D. Ana Maria de S. José e Aragão, nascida em 1814 em Salvador (Baía) e falecida a 30.11.1855 na Baía. Foi a 1ª viscondessa da Torre de Garcia d'Ávila pelo casamento, a Visconde da Torre de Garcia d’Avila (coleção de Luiz Guilherme D’Aguiar de Ávila Pires)28.5.1834, com ou tio paterno António Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, 1º barão (1.12.1822) e 1º visconde (12.10.1826) da Torre de Garcia d'Ávila, com honras de grandeza (18.7.1841), nascido em 1779, bat. a 12.2.1785 em Salvador (Baía) e falecido a 5.12.1852, ib, secretário de Estado do Governo do Brasil, notável da independência, gentil-homem da Imperial Câmara, cavaleiro da imperial Ordem de Cristo, coronel de milícias, etc.

4.5.1.2.1.1. Dr. Domingos António Pires de Carvalho e Albuquerque, advogado, nascido a 11.1.1838 em Salvador e falecido a 3.10./1889 no engenho Periperi (Baía). S.g.

4.5.1.2.1.2. Dr. Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque, senador e deputado à Garcia Dias Pires de Carvalho e AlbuquerqueConstituinte, advogado, secretário do Governo da Baía, nascido a 20.9.1840 em Salvador e falecido em 15.5.1917 no Rio de Janei