Origem dos Avelar e dos Soveral

Armas dos Soveral (Infografia de Manuel Abranches de Soveral)

1.           Diogo Mendes (de Ribadouro), ca 1133 - ca 1171 (ver origem em Os Ribadouro e Ribadouro e Pacheco), senhor da honra de Quintela da Lapa (Sernancelhe), e talvez também da honra de Soveral (Lafões), sendo que esta lhe podia ter vindo por sua mulher. Nele começa o conde D. Pedro esta linhagem, sem o filiar, o que na verdade não significa que não fosse, como desenvolvo em Os Ribadouro, desta linhagem. Também o conde D. Pedro começa os Fonseca em Mem Gonçalves, sem o filiar, sendo já hoje possível dizer com segurança que era da linhagem dos Ribadouro. Diogo Mendes & ca 1169 Elvira Dias de Urrô, ca 1152-, senhora de Mouriz (Aguiar de Sousa, hoje Paredes, que incluía Cête), e talvez também da honra de Soveral, filha de Fernão Gonçalves de Souza, cavaleiro, ca 1120-1175/, e sua mulher D. Exâmea Dias de Urrô, irmã de Rui Dias de Urrô e de João Dias de Freitas, o 1º deste nome, todos filhos de Diogo Gonçalves de Urrô, -1138, governador de Lafões em 1128, senhor das honras de Urrô e Mouriz, e talvez também da honra de Soveral, e de sua mulher Urraca Mendes de Bragança. Segundo o conde D. Pedro, aquela D. Exâmea Dias de Urrô foi ferrada por uma vespa nas partes íntimas, do que sofreu muito, tendo deixado a todos os seus descendentes a obrigação de matar vespas onde quer que as encontrassem. 

1.1.    Estêvão Dias, ca 1170 - ca 1241, senhor da honra de Mouriz, das honras de Soveral e da Lapa, rico-homem, etc. Foi o 1º que Pedra de armas (séc. XVI) do solar de Sernancelhe (Soveral em pleno). ordenou o escudo de armas comum aos Avelar e aos Soveral. Segundo aO mais antigo documento heráldica com as armas dos Soveral - matriz sigilar de D. Inez Fernandes (séc. XIII) lenda, referida nomeadamente por Manso dePedra tumular em S. Bento de Aviz, que se julga ser de D. Martim de Avelar Lima, venceu em batalha três «reis» mouros, o que o levou a reordenar o seu escudo de armas desta forma: em campo de ouro (antiga nobreza), três faixas de vermelho carregadas com as cinco (depois passaram a três) estrelas de prata das suas armas originais. Segundo a dita tradição, estas armas originais seriam as dos Ribadouro (em campo azul, cinco estrelas de ouro em aspa, de seis, sete ou oito pontas). Mas, na verdade, também podiam ser as armas dos Urrô (depois ditas dos Freitas - em campo vermelho, cinco estrelas de prata de seis pontas em aspa), de qualquer forma igualmente descendentes dos Ribadouro (ver Ribadouro). Naquele episódio (certamente integrado na reconquista alentejana de D. Sancho II) Estêvão Dias terá sido ferido em combate singular, pelo que o timbre são três espadas cravadas no virol. Tendo em conta a heráldica mais antiga desta linhagem, parece poder concluir-se que as estrelas originais eram de oito pontas, como aparecem no túmulo de D. Martim de Avelar (imagem à direita), que faleceu depois de 1364. Tendo os Soveral (imagem à esquerda, da casa-solar de Sernancelhe), por diferença, usado as estrelas com seis pontas. Aliás, no mais antigo documento heráldico da família que se conhece (imagem ao centro) é com seis pontas que as estrelas aparecem. Trata-se da matriz sigilar do séc. XIII, identificada pelo marquês de Abrantes, de D. Inez Fernandes, filha de Fernão Martins de Soveral. Este pormenor, que me parece distinguiria as armas de cada um dos nomes, passou depois despercebido na reforma manuelina, sendo os Avelar registados igualmente com as estrelas de seis pontas. O conde D. Pedro (e, seguindo-o, José Augusto de Sotto Mayor Pizarro em «Os Patronos do Mosteiro de Grijó», 1995) dá a este Estêvão Dias duas mulheres e dois filhos do mesmo nome (Martim Esteves), com a agravante de se documentarem ambos como Avelar, sendo que só um deles seria filho de D. Maria Martins de Avelar. Para além deste desacerto e improbabilidade, também a cronologia não o permite. Parece evidente, e é essa a solução que defendo, que o conde D. Pedro confundiu dois homónimos, pai e filho, ambos senhores de Mouriz. A verdade é que na segunda metade do século XIII já se documentam vários indivíduos com o mesmo patronímico do pai, sobretudo quando o prenome e comum, como é o caso dos Martins Afonso Chichorro, pai e filho, se bem que estes sejam um pouco mais tardios. Mas basta percorrer as inquirições do século XIII para verificar este fenómeno. Assim, este Estêvão Dias em epígrafe & ca 1218 D. Maria Martins de Avelar (o nome escrevia-se então do Avellaal, aqui uniformizado em de Avelar), ca 1200-, senhora da honra de Avelar, filha herdeira de Martim de Aragão, que o conde D. Pedro diz que foi um cavaleiro que veio de Aragão com a rainha D. Dulce de Aragão e aqui casou D. Maria Raimundes. Mas, para aceitar a informação do conde D. Pedro, teríamos de datar essa vinda para Portugal em 1174, ano do casamento de D. Dulce, e considerar que o dito Martim não era então mais do que um seu pajem imberbe, com 6 ou 7 anos de idade. Na verdade, nas inquirições de D. Dinis de Julho e Agosto de 1284 diz-se que nas inquirições do rei D. Afonso (portanto as de 1258, do III, e não as de 1220, do II) testemunhou um mordomo do rei que fora subornado por Martim de Aragão. Mesmo que este já então (1258) tivesse falecido, não teria morrido há muitos anos. Ora, se em 1174 tivesse 6 anos, em 1258 teria 90, se fosse vivo. O que não é impossível, pelo que a informação do conde D. Pedro não pode ser assim liminarmente recusada. Avelar (então Avellaal) corresponde aos actuais lugares de Avelão e Avenal, em Stª Mª de Ul (Oliveira de Azeméis), de cuja matriz Martim de Aragão tinha o padroado. Nas ditas inquirições de D. Dinis documenta-se que toda a aldeia do Avelaal, no termo de Ul, no antigo julgado de Figueiredo, era «honrra velha», sem contudo se referir a quem pertencia. Nas mesmas inquirições documenta-se ainda que Gil Esteves de Avelar fez casa de morada na vizinha vila de Valverde, no lugar chamado Mortidi ou Murtidi, que fora de Martim de Aragão («d'Arangom»). Sendo também certo que na sua quintã de Avenal, em Ul, D. Sancha Martins de Avelar, referida adiante, instituiu morgadio e capela em seu testamento (Livro 1 das Capelas da Comarca de Esgueira, f. 260). Por outro lado, naquelas inquirições documentam-se mais três indivíduos Aragão (Arangom) e justamente ligados aos Avelar: Rodrigo Afonso de Aragão, Gil Afonso de Aragão e Martim Anes de Aragão, escudeiros, que possuíam casais na vizinha aldeia de Loureiro (hoje uma freguesia de Oliveira de Azeméis) e aí tinham, conjuntamente com os irmãos Martim de Avelar e Gil Esteves de Avelar, um monte defeso, «e nom dam a el Rey quinhon desse monte nem desse montadigo nen'o seu homem nom ham hy herdade mays veem do linhagem e dizem que defendem mays desse monte ca sohiam». Deste conjunto de informações podemos concluir que Martim de Aragão, tendo ou não vindo para Portugal com a rainha D. Dulce, em 1174 não seria mais do que uma criança recém-nascida. Quando muito seria filho de um cavaleiro do seu séquito. O seu casamento com D. Maria Raimundes ter-se-á realizado cerca de 1199, teria então cerca de 27 anos de idade. Dada a existência, passado um século, daqueles três escudeiros, é de supor que Martim de Aragão deixou, além da dita filha, pelo menos um filho. E dado que os dois Avelar referidos são seus netos maternos, é de aceitar que os escudeiros Rodrigo Afonso de Aragão e Gil Afonso de Aragão também o sejam, mas paternos, portanto filhos de um virtual Afonso Martins de Aragão. Já o Martim Anes, referido como «scudeiro que vem dos dArangom», deve ser bisneto, portanto sobrinho daqueles Rodrigo e Gil, ou seja, filho de um virtual João Afonso de Aragão, entretanto já falecido. Resta apurar como Avelar, honra antiga, veio parar à posse do estrangeiro Martim de Aragão, sendo que a hipótese mais plausível reside naturalmente no seu casamento. O conde D. Pedro diz apenas de Martim de Aragão casou com uma D. Maria Reymondo, sem a identificar. Mas parece evidente que é por ela que Martim de Aragão teve a honra de Avelar, que como vimos se estendia a toda a aldeia e respectivo padroado. Qualquer compra ou doação real não deixaria de ser referida na dita inquirição. De resto, só isso explica o essencial, que é não só a posse da «honra antiga» de Avelar, mas sobretudo a sua importância simbólica na linhagem, evidenciada no facto de quer D. Maria Martins (segundo o conde D. Pedro) usar este nome (e não Aragão, do pai) quer de seus descendentes o adoptarem também, ainda que vindo por via feminina. Tudo isto ponderado, é bem provável que já D. Maria Raimundes fosse de Avelar, e filha sucessora de um D. Raimundo que representava uma linhagem antiga deste nome, cuja memória se perdeu. Aliás, é possível que estes Avelar originais tivessem usado leões rompantes como heráldica. Com efeito, a já referida matriz sigilar armoriada de D. Inez Fernandes, do séc. XIII, de bronze dourado a ouro fino, com um escudo português carregado com três faixas, cada uma delas carregada com três estrelas de seis pontas, ou seja, as armas dos Avelar/Soveral, estão rodeadas por leões rompantes, que o marquês de Abrantes atribui à mãe ou ao marido (cujas armas seriam um escudo partido, o 1º de negro com um leão de prata armado e lampassado de vermelho e o 2º de vermelho com três faixas de ouro). Mas, como o próprio marquês de Abrantes reconhece, seria a primeira vez que apareceria o escudo de uma dama medieval em que as armas do marido não constassem do 1º quartel ou campo do escudo. Por outro lados, noutras matrizes sigilares desta época os meios lóbulos que rodeiam o escudo muitas vezes são ocupados por peças heráldicas que remetem para linhagens de ascendência relativamente remota e por via feminina, como é, por exemplo, o caso dos Correa com as águias dos Aguiar/Guedão nos ditos meios lóbulos. Assim, aqueles leões deveriam remeter para uma ascendência significativa de D. Inez, que seria ainda solteira quando foi feita a matriz. E essa linhagem, pelas razões apontadas, provavelmente era justamente a desses Avelar originais, da honra antiga. Tudo isto obriga também que D. Maria Martins de Avelar fosse a filha sucessora (é aliás a única referida pelo conde D. Pedro), pelo que seu virtual irmão Afonso Martins de Aragão, acima referido, só podia ser meio-irmão, isto é, filho de Martim de Aragão mas não de sua mulher D. Maria Raimundes (de Avelar). O que significa que ou era bastardo ou filho de outro casamento.      

1.1.1.   Martim (Esteves) de Avelar, ca 1219 - 1293/, senhor das honras de Avelar, de Soveral e da Lapa, cavaleiro e vassalo. Documenta-se com seus filhos e seu irmão Gil Esteves em 1288 e 1293 numa questão relativa à igreja de Sanfins de Stª Mª. Nas inquirições de D. Dinis de Julho e Agosto de 1284 documenta-se que Martim de Avelar seu irmão Gil Esteves, bem assim como Martim Anes e Rodrigo Afonso de Aragão, tinham um monte defeso em Loureiro (hoje freguesia de Oliveira de Azeméis), «e nom dam a el Rey quinhon desse monte nem desse montadigo nen'o seu homem nom ham hy herdade mays veem do linhagem e dizem que defendem mays desse monte ca sohiam». & ca 1241 Estevaínha Anes de Macieira, ca 1222 -, senhora da quintã de Macieira (de Cambra), filha herdeira de João Gonçalves «de Macieira», senhor da dita quintã. Nas inquirições de D. Dinis (1284 e 1290) verifica-se que no julgado de Cambra existiam vários lugares com o nome Macieira, desde logo a freguesia de Macieira, a aldeia de Macieira e a quintã de Macieira. Esta quintã, que mais parece ser a referida, era então honra de um Afonso Paes, tendo cinco casais, dois da Ordem do Hospital, um do mosteiro de Santa Cruz, um do dito Afonso Paes e outro de Tereza Afonso, monja em Arouca, e que vinham todos de fidalgos. Martim de Avelar e sua mulher podiam ter vendido e/ou doado, nomeadamente a Santa Cruz, os casais que aí tinham, uma vez que nem um nem outro são referidos nem aí, nem na dita aldeia de Macieira ou nas várias aldeias da freguesia de Macieira. Contudo, no lugar hoje chamado Paço, havia também o «paço velho» que tinha sido (pelo menos parte) de Henrique Magro, o Henrique Fernandes o Magro, filho do conde D. Fernando Afonso de Toledo e de sua mulher Urraca Gonçalves de Marnel, dita filha de Gonçalo Viegas de Marnel, grande proprietário local. Aquele Henrique Fernandes casou com Ouroana Raimundes de Portocarreiro, herdeira desta linhagem, nascida cerca de 1140/50, com geração nos Portocarreiro, que em 1284 traziam a dita aldeia por honra («a aldea de Paazos tragem-na os de Portocareyro por onrra»). Pela idade da mulher, Henrique Fernandes não terá nascido antes de 1110. O que significa que sua mãe, Urraca Gonçalves de Marnel, não podia ter nascido antes de 1070. O que, como já avisa Pizarro, implica que não podia ser filha, como dizem os LL, de Gonçalo Viegas de Marnel, que já governava Montemor em 1017, mas sim sua bisneta, filha de seu neto paterno Gonçalo Eriz de Marnel, que entre muitos outros bens possuía Macieira, e de sua mulher Onega Romarigues. Urraca seria portanto irmã de Paio Gonçalves de Marnel, documentado entre 1103 e 1145, e de Fernando Gonçalves de Marnel, documentado entre 1134 e 1162, que seriam co-proprietários do «paço velho» e quintã de Macieira. Este Paio, de resto, como propõe Almeida Fernandes, casou com Chamoa Soares, que justamente doa em 1109 ao mosteiro de Pedroso a quarta parte de Macieira («villa prenominata Maçaria») que lhe vinha de seus pais e avós (aqui por sogros e avós do marido). Aquele Fernando Gonçalves de Marnel, que nasceu depois de 1070 e a quem se atribui a conquista de Beja (1162), casou com Maria Nunes, documentada em 1148, que Mattoso propõe como a filha de Nuno Soares de Grijó (portanto também casada com Monio Ozores de Cabreira). E deste Fernando Gonçalves e sua mulher Maria Nunes sabe-se que foi filho Mendo Fernandes, documentado entre 1128 e 1174, que esteve com D. Afonso Henriques no cerco de Guimarães, e Elvira Fernandes, que se julga casada com Mendo Veegas «Tiçon». Mas provavelmente Fernando Gonçalves e Maria Nunes tiveram mais um filho Gonçalo, ou uma filha casada com um Gonçalo, que proponho como pais de João Gonçalves chamado «de Macieira» por ser co-senhor da honra de Macieira, em cujos paços devia viver, deixando a sua filha, provavelmente única, parte da dita quintã do «paço velho» de Macieira, em co-propriedade com seus primos, os Portocarreiro. As ditas inquirições de 1284, referindo, como se disse, que a honra era dos Portocarreiro, especifica que tinha sete casais, que vinham todos de fidalgos, e que então três eram do mosteiro de Vila Cova, dois do mosteiro de Paço de Sousa, um do mosteiro de Arouca e outro de Pedro Lourenço e seus irmãos. É pois muito provável que os casais então na posse dos mosteiros, ou parte deles, lhes tenham sido doados justamente por D. Estevaínha Anes de Macieira e seu marido. Aliás, o filho desta D. Estevaínha Anes de Macieira, Pedro Martins de Soveral, referido adiante, vai casar justamente com uma das irmãs do dito Pedro Lourenço, D. Maria Lourenço de Portocarreiro, que assim era sua parente, pois seriam ambos 4ºs netos de Gonçalo Viegas de Marnel. E a quintã de Macieira que aparece na descendência deste Pedro Martins de Soveral e sua mulher D. Maria Lourenço de Portocarreiro vem não dele (a parte da mãe já teria sido doada ou de outra forma alienada) mas sim dela, que terá acabado por herdar também a parte dos irmãos. Esta minha proposta, conjugada com a proposta de Mattoso segundo a qual aquela Maria Mendes era filha de Nuno Soares de Grijó, vem, por outro lado, finalmente explicar porque os descendentes do Martim (Esteves) de Avelar em epígrafe eram padroeiros de Grijó.

1.1.1.1.     Martim Martins de Avelar, ca 1242 - ca 1310, senhor da honra de Avelar. & ca 1290 Aldonça Esteves de Teote, -1334/, que em 1322 estava casada 2ª vez com Afonso Rodrigues Ribeiro, com quem nesse ano doou os seus direitos de padroado sobre a igreja de Stª Mª de Válega. A 19.12.1334 Aldonça Esteves doou com seus filhos (D.Sancha e os filhos do 2º casamento) bens à Sé do Porto. O conde D. Pedro diz que Aldonça Esteves era filha de Estêvão Peres «de Cooes» e de sua mulher Urraca Martins, filha esta de Martim Afonso «de Neuho»

1.1.1.1.1.  Sancha Martins de Avelar, ca 1291-1340/, filha única do tardio casamento do pai, que sucedeu na honra de Avelar, em Ul, em cuja quintã instituiu morgadio e capela no seu testamento (Livro 1º das Capelas da Comarca de Esgueira, f. 260). Em 1334 abdicou, com seu marido e seus meios-irmãos, dos seus direitos de padroado sobre a igreja de Stª Mª de Válega, o que confirmou em 1335. Em 1334 doa, com sua mãe e seus meios-irmãos, bens à Sé do Porto. Faleceu viúva depois de 16.12.1340, data em que pagou 100 libras ao testamenteiro do marido. & /1329 Martim Gonçalves de Paiva, - 1340, documentado como escudeiro em 1298 e como cavaleiro em 1317. Em 1331 fez partilha dos bens paternos com sua irmã. Em 1339 consta da lista dos padroeiros de Mancelos, como cavaleiro, mas já tinha falecido nos finais de 1340. O conde D. Pedro chama-lhe Martins Gonçalves «de Paña».

1.1.1.2.     Pedro Martins de Avelar, dito Pero Soveral ou Pedro Martins de Soveral, o 1º deste nome, ca 1243 - 1322, meirinho-mor de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes (1287), vassalo do rei D. Dinis, senhor das honras de Soveral de Soveral que est hereditas militum de avoenga» - inquirições de D. Afonso III) e da Lapa, padroeiro do mosteiro de Grijó, onde jaz, etc. Em 1284 testemunha um acordo sobre o senhorio de Góis. Documenta-se com seu pai, tio e irmão em 1288 e 1293 numa questão relativa à igreja de Sanfins de Stª Mª, a cujo padroado diziam ter direito. Em 1296, juntamente com seu irmão Fernão, testemunha as partilhas entre D. Vataça e D. Constança. & ca 1274 D. Maria Lourenço de Portocarreiro, ca 1252-/1322, senhora da quintã de Goim (Lousada), e da quintã e honra do «paço velho» de Macieira, já viúva de Martim Esteves Buval. Era irmã de Rui Lourenço de Portocarreiro, cavaleiro documentado entre 1297 e 1311, que foi trisavô paterno da 1ª condessa de Viana (do Alentejo). Esta Maria Lourenço de Portocarreiro seria assim parente do marido, como ficou dito, pois era filha de Lourenço Anes de Portocarreiro e de sua 2ª mulher Guiomar Rodrigues de Lanhoso; neta paterna de João Henriques de Portocarreiro e de sua mulher Maior Viegas Coronel (de Sequeira); e bisneta de Henrique Fernandes de Toledo, o Magro, referido acima, portanto trineta de Urraca Gonçalves de Marnel de quem propomos acima que seja sobrinho-neto João Gonçalves «de Macieira». Portanto, quer Pedro Martins de Soveral quer sua mulher D. Maria Lourenço de Portocarreiro eram 4ºs netos de Gonçalo Eriz de Marnel.

1.1.1.2.1.  Martim Peres de Soveral, cavaleiro de Avelar, ca 1276 - 1343, senhor das honras de Soveral e da Lapa, padroeiro do mosteiro de Grijó, onde jaz, foi por sua mulher senhor honra de Vila Chã (Argoncilhe - Feira), da aldeia de S. Tiago de Lourosa, da freguesia da Lavandeira e da aldeia de Bretall, tudo na Terra da Feira, «natural» de Grijó e Mancelos (lista de 1339). Em 1322 fez partilhas com os irmãos dos bens de Goim. Por testamento de 10.7.1343 deixa ao mosteiro de Grijó o casal da Herdade, no julgado do Vouga, para rezarem missa no aniversário da sua morte. & ca 1309 Guiomar Anes de Frazão (Farazom), filha herdeira de João Garcia de Frazão e neta de Pedro Garcia de Frazão. As Inquirições de D. Dinis dizem deste: «A casa de Pero Garcia de Farazom, de vila chaam, he provado que a virom honrrada des que sse acordam as testemunhas e de ouvida de longe com essa villa de villa chaam que nom entrava hy o mordomo ... e dizem as testemunhas que ora novamente estendeu Pero Garcia esta honra e meteu hy Dragincilhu, Seizedello, Alderiz, Botas, Ordonhy, Ramir, Moinhos, Silvares e o casal de Lavadoiros em que ha bem ssetenta ou oytenta casaes». Este Pedro Garcia de Frazão, ao que tudo indica, era neto ou bisneto de Pedro Pais da Maia, alferes-mor do reino (1147-1169) e senhor da honra de Frazão, e devia também descender dos de Marnel, de quem viria a honra de Vila Chã. O conde D. Pedro apenas refere de Martim Peres de Soveral e sua mulher tinham um filho, que não nomeia.    

1.1.1.2.1.1.   Fernão Peres de Soveral, ca 1310 - 1369/, sucessor de seu pai, instituiu o morgado e capela de S. Theotónio de Sernancelhe (1369), foi alcaide-mor de Celorico da Beira (5.3.1359, sendo aqui referido como Fernão Soveral, vassalo d'el rei, confirmado depois por D. Fernando, sendo aqui referido como Fernando do Soveral, cavaleiro fidalgo da sua Casa) e cavaleiro da Ordem de Cristo (/1359). Não aparece na lista de Grijó (1365), pelo que terá doado ou vendido os seus direitos de padroado. & ca 1353 Maior Soares, se é que não há confusão. Com efeito, esta não pode ser a homónima que foi filha de Soeiro Gonçalves de Alfanje, como dizem as genealogias. Esta Maior Soares casou de facto com um Fernando Soveral, mas trata-se de outro, que viveu quase um século antes, o Fernão Soares dito Soveral que refiro em «Ribadouro e Pacheco (séc. X a XIII). Origem dos Fonseca, dos Soveral, dos Alvellos e de uma outra família Soveral extinta».Com efeito, este Fernando Soveral já estava casado com Maior Soares a 15.1.1269 quando em Celorico da Beira ambos venderam a D. Afonso III bens que tinham em Santarém. É o seguinte o teor da carta: «Noverint universi quod ego Fernandus Soveral et uxor meã Maior Suerii facimus cartam venditionis et firmitudinis vobis donno Alfonso dei gratia Regi Portugalie et Algarbii de nostris quinionibus de casis quos habemus in villa de Santarena ubi vocatur Seserigo anta sanctam Eream parvam, et ipse case fuerunt de Suerio Gundisalvi de Alfanxi patre mei Maioris Suerii. Vendimus vobis domine nostros quiniones de ipsis nostris casis pró precio quod de vobis accepimus, scilicet centum et quinquaginta marabitinos de XV solidis pro marabitino, quia tantum nobis et vobis placuit et de precio nichil remansit in debito pro dare. In cujus rei testimonium mandavimus inde vobis fieri hanc cartam per Didacum Dominici nostrum tabellionem in Celorico. Et rogavimus júdice et concilium ipsius loci quod presentem cartam sigillo concilii Celorici facerent sigillari. Facta carta XVº die mensis Jenuarri, Era Mª CCCª VIIª. Testes: Menendus Gomeci et Johannes Martini judices Celorici, Dominicus Guedaz, Stephanus Gunsalvi, Dominicus Roderici, Martinus Johannis scutifer. Et ego Didacus Dominici vester publicus tabellio in Celorico, hiis omnibus interfui hanc cartam manu propria scripsi t honc signum meum ibi feci in testimonium. Et nos judices de Celorico rogati Fernando Soveral et uxore sua Maiore Suerii hanc presentem cartam sigilli nostri munimine facimus communiri». Este Soeiro Gonçalves de Alfanje devia ser descendente do Estêvão Soares de Alfanje cuja filha, Exâmea Esteves, casou nos finais do séc. XII com Estêvão Peres de Aboim, irmão do célebre D. João Peres de Aboim, 1º senhor de Portel.

1.1.1.2.1.1.1.  João Fernandes de Soveral, ca 1355 - 1420/, morgado de S. Theotónio de Sernancelhe. & ca 1390  Estefânia de Souza, ca 1367-, que julgo filha de D. Mem Peres, deão da Sé de Lamego, em memória de quem o cónego Fernão de Soveral, neto desta D.Estefânia, deixa em testamento a obrigação de missas. Como nesta época o nome Souza não seria usado por alguém que não pertencesse a esta grande família, julgo que D. Mem Peres, n. lá para 1320/30, poderia ser, nesta hipótese, filho natural de D. João Peres Portel de Souza, irmão mais novo de outro homónimo que já tinha falecido novo em 1325. O D. João Peres mais novo, que terá n. cerca de 1280, parece que não casou e terá falecido lá para 1340.

1.1.1.2.1.1.1.1.   Gaspar de Soveral, ca 1392 - 1460/, 3º morgado de S. Theotónio de Sernancelhe, etc. & ca 1425 Maria de Teive, c.g. conhecida (*).

1.1.1.2.1.2.   Gil Martins de Frazão (Farazom), -/1365, que também se documenta como Gil Martins de Avelar, senhor da honra de Vila Chã (Argoncilhe - Feira), que terá sucedido nos restantes bens que vinham de sua mãe. Na lista dos padroeiros de Grijó de 1365 é referido como pai (já tinha falecido) dos filhos que seguem.

1.1.1.2.1.2.1.  Vasco Gil

1.1.1.2.1.2.2.  Diogo Gil, que provavelmente é o Diogo Gil Farzam, vassalo de D. João I, que a 27.5.1385 lhe doou o lugar da Lagea, os casais de Requião e o casal de Gonçalo de Frades, tudo no termo de Guimarães, com suas rendas. 

1.1.1.2.1.2.3.  Filha, referida apenas na dita lista como «outra sua hirmaa».

1.1.1.2.2.  João Peres de Avelar, -1340 (batalha do Salado) s.g. O conde D. Pedro chama-lhe Juan del Avellal e diz que não teve filhos.

1.1.1.2.3.  Sancha Peres de Soveral, -1322/, freira no Convento de Arouca. O conde D. Pedro não a refere.

1.1.1.2.4.  Estêvão Peres de Avelar, cavaleiro, ca 1285 - 1354/, com testamento de 11.9.1354, co-senhor da honra e quintã de Macieira. & ca 1319 Tereza Anes de Pinho, possivelmente irmã do Gonçalo Anes de Pinho que com seu irmão Lourenço Anes tinham comedoria em Grijó em 1365. O conde D. Pedro diz que Estêvão Peres de Avelar casou com D. N. Anes de Pinho, filha de João Lourenço de Pinho, com filhos que não nomeia.

1.1.1.2.4.1.   Mécia Peres de Avelar, ca 1325- /1362 & /1349 Rodrigo Anes de Sá, cavaleiro, alcaide-mor de Gaia (23.5.1367). Tinha comedoria em Grijó em 1365.

1.1.1.2.4.1.1.  João Rodrigues de Sá, -1425, camareiro-mor de D. João I, senhor de juro e herdade de Gaia (2.3.1387), alcaide-mor do Porto (21.2.1392), etc. Tinha comedoria em Grijó em 1365. & Maria Rodrigues Machado.

1.1.1.2.4.1.1.1.   Fernão de Sá, -20.5.1449, sucessor (13.11.1425), alcaide-mor do Porto de juro e herdade, senhor de  de Matosinhos (11.12.1433), camareiro-mor de D.Afonso V, etc. & D. Filipa da Cunha, c.g. conhecida.

1.1.1.2.4.1.1.2.   Rodrigo Anes de Sá, cónego da Sé de Braga (/1426), arcediago de Labruje, abade de Santa Madalena. Sucedeu a honra e quintã de Macieira (Cambra), por testamento de Lourenço Martins de Avelar.

1.1.1.2.4.1.1.3.   Gonçalo de Sá, senhor de Aguiar de Sousa (28.1.1433), fal. com testamento de 30.6.1469. C. duas vezes, s.g. C.g. bastarda, legitimada por carta real.

1.1.1.2.4.2.   Martim (Martinho) de Avelar -/1354, sepultado Stª Mª da Várzea (Lafões), co-senhor da honra e quintã de Macieira. Deve ter casado com a filha de um Gonçalo Anes (de Pinho?), dado o prenome e patronímico de um dos filhos.

1.1.1.2.4.2.1.  Constança Martins de Avelar, co-senhor da honra e quintã de Macieira. A sua parte da quintã deve ter dado origem a Macieira de Sarnes, hoje uma freguesia de Oliveira de Azeméis. & Gomes Fernandes de Almeida e parece que só tiveram uma filha, Leonor Gomes de Almeida, «dona do mº d arouca», a quem a 10.10.1385 D. João I autorizou que deixasse ao dito mosteiro «a qujtaa que chama maceyra de sarnes e out bees que ficaram p morte de gomes frrz d almeida e de costança mjz do aueellar se padres»

1.1.1.2.4.2.2.  Gonçalo Anes de Avelar, -/1403, co-senhor da honra e quintã de Macieira, que deixou a seu irmão Lourenço. 

1.1.1.2.4.2.3.  Lourenço Martins de Avelar, -ca 1403, escudeiro, co-senhor da honra e quintã de Macieira, que lhe deixou o irmão e que ele, por testamento 4.9.1403 deixou a Rodrigo Anes de Sá, cónego da Sé de Braga, acima. Morava em Vila Chã quando fez o testamento. & Inez Afonso, de quem era viúvo, s.g., senhora da quintã de Pousadela, que fora de Rui da Maia.

1.1.1.2.4.3.   Pedro Esteves de Avelar, -1354/ sg, senhor da quinta do Pingo, escudeiro de Rodrigo Anes de Sá, com testamento de 11.8.1354.

1.1.1.2.5.  Rui Peres de Avelar, 1287 -1352/, que em 1352 fez doação das comedorias, pousadas, etc., como descendente dos padroeiros do mosteiro de Moreira. O conde D. Pedro diz que casou, mas não nomeia a mulher nem filhos, que podem ser os seguintes:

1.1.1.2.5.1.  ?Álvaro Peres de Avelar, ca 1315-, virtual pai de:

1.1.1.2.5.1.1. ?Pedro Álvares de Avelar, ca 1338 -, freire e comendador-mor da Ordem de Avis, cargo que ocupava a 17.1.1367 quando é testemunha no testamento de D. Pedro I. A 16.2.1389 foi legitimado por carta real seu filho Diogo Peres de Avelar, havido em mulher solteira que não é nomeada.

1.1.1.2.5.1.2. ?Diogo Álvares de Avelar, comendador da Chouparia na Ordem de Santiago.

1.1.1.2.5.2.  ?Diogo Peres de Avelar, ca 1318 - 1388/, vassalo de D. João I, que a 6.3.1384 lhe doou os bens móveis e de raiz que eram de Gil Peres da Guarda, que andava em deserviço, e a 11.6.1385, em tença, as rendas da judiaria, açougagem, portagem, oitavas, mordomado e colheita da cidade da Guarda, tal como tinha Álvaro Gil Cabral. Devia ser alcaide-mor de Vila Maior e pouco depois tomou o partido da rainha D. Beatriz, pois a 24.6.1388 o mesmo rei doou a Afonso Rodrigues da Fonseca, seu vassalo, a quintã de Arefiga, no termo da Covilhã, com todas as suas pertenças e direitos, que perdera Diogo Peres de Avelar, «que era nosso uasallo e se ora foe pa castella terra de nossos emjgos alçando se por castella com a nossa vila de villa mayor».

1.1.1.2.5.2.1. ?Álvaro Peres de Avelar, ca 1350-, que era criado e escudeiro de D. João I quando a 30.5.1384 este rei lhe deu os bens móveis e de raiz que Rui Lopes, filho de Lopo Simões, tinha em Lisboa, por andar em deserviço.

1.1.1.3.     Fernão Martins de Avelar, dito Fernão Soveral, ca 1242 - 1296/, vassalo, documenta-se em 1288 com seu pai e irmãos na questão sobre o padroado da igreja de Sanfins de Stª Mª. Em 1296, juntamente com seu irmão Pedro, testemunha as partilhas entre D. Vataça e D. Constança. & (1ª vez) Mécia Afonso de Sobrado (a), morgada de Stª Margarida de Lamego. & (2ª vez) Maria Guilherme de Santarém (b), que ainda vivia no séc. XIV. Teve um filho de Maria Anes Velho, filha de João Pires Velho, senhor de Pedregães, trovador, embaixador e conselheiro de D.Dinis. O conde D. Pedro só lhe indica como mulher D. Maria Guilherme de Santarém, a quem dá o filho Pedro.

1.1.1.3.1.  (a) Pedro Martins de Soveral, morgado de Stª Margarida de Lamego, sepultado em túmulo armoriado no claustro da Sé de Lamego. & (1ª vez) Marinha Martins de Alvellos (a), ama de leite de D. Guiomar de Barredo, filha de João Mendes de Briteiros e neta do rei D. Afonso III. Era irmã de D. Vasco Martins de Alvellos, bispo do Porto (1328-42) e de Lisboa (1342-44), 1º morgado de Medelo (Lamego), por instituição a 28.4.1317 em Coimbra de seu tio D. Geraldo Domingues, bispo de Évora. De D. Vasco Martins existe um selo de 1330 onde, além da emblemática religiosa, se mostram dois escudos, cada um dos quais contendo duas faixas ondadas, que não devem ser as armas então usadas pelos Alvellos, mas sim as dos Medelo, sua varonia. Pedro Fernandes & (2ª vez) Constança Fernandes Çatorinho (b).

1.1.1.3.1.1.   (a) D. Afonso Pires, ca 1295 - 28.11.1372, bispo do Porto (26.10.1355), instituidor do morgadio de Túmulo de D. Afonso Pires na igreja de Balsemão. O túmulo foi retirado da sua localização original, que seria sob um arco encostado à parede, como se comprova no facto de só a face do túmulo visível na imagem ser trabalhada, sendo as outras toscas. Balsemão (10.8.1361), onde jaz. Do bispo D. Afonso Pires existem dois selos de 1361: um com a sua figura de prelado, e outro, tirado de um anel, com as suas armas, mas infelizmente muito gasto, pelo que não é possível ver as peças. Como D. Afonso Peres, cónego do Porto, teve confirmação a 8.7.1342 pelo bispo de Lamego do padroado das igrejas que se encontravam neste bispado e que lhe deixara em testamento D. Guiomar de Barredo, que o diz seu colaço (o que leva o nascimento de D. Afonso Pires para cerca de 1295, pois esta D. Guiomar não podia ter nascido depois desta data). A 13.4.1342, no seu couto de Lumiares, D. Guiomar de Barredo, neta do rei D. Afonso III, como refere, faz seu testamento, onde nomeia seu testamenteiro Afonso Peres, seu colaço e cónego no Porto, e deixa-lhe, em sua vida, todos os padroados e colheitas e serviços de todas as igrejas que tinha e era padroeira. Este Afonso Peres não se pode confundir com outro Afonso Peres que era clérigo de D. João Mendes de Briteiros e sua mulher D.Urraca Afonso (pais da dita D. Guiomar de Barredo) quando a 24.4.1319 foi por eles apresentado como abade de S. João de Figueira, pois este já tinha falecido a 5.8.1333 quando por sua morte foi substituído na dita igreja. O Afonso Pires em epígrafe foi ainda cónego da Sé do Porto (antes de 1322), cónego da Sé de Lamego, por solicitação de seu tio o bispo D. Vasco Martins a Clemente VI (20.8.1343) e reitor de Stª Marinha de Zêzere.

1.1.1.3.1.2.   (a) João Pires, s.g.

1.1.1.3.1.3.   (b) Margarida Pires, ca 1318 -1348, & ca 1336 Martim Gil de Podentes ou de Pomares (ou Pumares), cavaleiro, senhor de Pomares. A 13.4.1342 Martim Gil, cavaleiro, e Fernão Martins, seu sobrinho, testemunham um procuração de D. Guiomar de Barredo feita em Caria a seu mordomo Martim Anes de Resende. Como se refere acima, na mesma data, no seu couto de Lumiares, D.Guiomar de Barredo, neta do rei D. Afonso III, como refere, faz seu testamento, em que igualmente testemunha Martim Gil, cavaleiro de Pomares. Neste testamento Martim Gil recebe 100 libras; Margarida Peres, sua mulher, é contemplada com 200 libras por seu casamento, e Violante Gil, filha do mesmo Martim Gil, com 50 libras. Martim Gil era filho de Gil Martins de Podentes, que em Janeiro de 1327 recebeu da rainha, testamenteira de seu pai, 25 libras por morte deste, neto paterno de Martim Martins de Podentes, vassalo (r. 1297), -/1327, e bisneto do célebre alcaide de Leiria (1245) Martim Fernandes de Podentes, ou de Urgezes, ou ainda de Leiria, documentado em 1255 como «miles» de Podentes, e de sua 2ª mulher Chamoa Gomes Ribeiro. Este Martim Fernandes de Podentes era filho de Fernão Pires de Urgezes, senhor da honra de Urgezes, que em 1220 trazia em préstamo seis casais reguengos na freguesia de Urgezes, e seu irmão outros tantos, sendo aí referidos com o apelativo Salvadores, e de sua 2ª mulher Sancha Pires de Podentes, filha de Pedro Martins de Podentes e neta de Martim Viegas de Ataíde e sua 2ª mulher Elvira Rodrigues de Podentes. 

1.1.1.3.1.3.1.  Gil Martins de Pomares, ca 1338-, senhor de Pomares, alcaide-mor de Castelo Mendo (1365). & ca 1385 Aldonça Martins Cochofel, ca 1358-, senhora de Nogueira de Resende e de Luzelos, (já viúva s.g. de Fernando Afonso de Oliveira), que era irmã do Gil Martins Cochofel que a 5.6.1383 era alcaide-mor do castelo de Óbidos. Este Gil Martins Cochofel, cavaleiro, testemunhou nas Cortes de Coimbra de 1385 contra a legitimidade do casamento de D. Fernando I com D. Leonor Telles. Terá, assim, acabado por abraçar a causa do mestre de Avis, embora a 15.9.1384 andasse em «deserujço», data em que o mestre, por isso, doou a Bartolomeu Sanches todos os bens móveis e de raiz de «gil mjz cuchufel». A 20.9.1404 D. João I legitimou-lhe uma filha, Constança, havida em Maria de Pampilhosa, sendo ambos solteiros. Eram ambos filhos de Martim Gil Cochofel, senhor de Nogueira de Resende, nascido cerca de 1325 e falecido depois de 11.7.1386, data em que D. João I doou a «martim gil cuhufel nosso scudeiro», de livre e pura doação para si e seus descendentes, umas casas que tinha «a par dos açougues de cojmbra em que soyam star os presos». Segundo Gaio, apesar da sua habitual confusão, a origem dos Cochofel está num Gil Fernandes de Portocarreiro, o Colchafria, que pela onomástica e cronologia só podia ser um filho de Fernão Gonçalves de Portocarreiro, o Cochafria, embora o conde D.Pedro apenas lhe aponte dois filhos (Martim Esteves e Afonso Fernandes). Diz Gaio que este Gil Fernandes casou com Aldonça Gomes de Barbedo e foram pais de Martim Gil de Nogueira, o Colchafria, que casou com Constança Aires Cazavel, e foram pais de Aldonça Martins, senhora de Nogueira, casada com Gil Martins de Pomares (a quem chama erradamente Cochofel, confundindo-o com o cunhado homónimo). Na verdade, Aldonça Martins é que era Cochofel e irmã de Gil Martins Cochofel. Parece. assim, que o nome-alcunha Colchafria (referido pelo conde D. Pedro, pois Gaio diz Cochafria), ou já era ou evoluiu para Cuhufel/Cuchufel/Cochofel.

1.1.1.3.1.3.1.1.   Gonçalo Martins Cochofel, ca 1386-, senhor de Nogueira de Resende e morgado de Balsemão. Entrou na posse do morgadio de Balsemão em 1433, após demanda, e que deixou a seu sobrinho homónimo.

1.1.1.3.1.3.1.2.   Fernão Martins Cochofel, ca 1388-, senhor de Luzelos. & ca 1434 Constança Anes Pacheco. Destes foi filho Gonçalo Martins Cochofel, nascido ca 1435 e falecido antes de 1516, morgado de Balsemão em sucessão a seu tio homónimo. Este Gonçalo casou duas vezes, a 1ª cerca de 1458 com Leonor Pinto, c.g. nos morgados de Balsemão (o neto destes, Luiz Pinto, morgado de Balsemão, tira carta de armas em 1514), e a 2ª vez cerca de 1485, teria 50 anos de idade (documenta-se já casado em 20.7.1488), com Briolanja Pinto, falecida antes de 11.5.1528, data do inventário de seus bens, senhora da torre da Lagariça, que ficou viúva antes de 15.12.1516, data em que requer ficar na posse dos bens de seus filhos mais novos, então com 21 e 20 anos de idade. O filho deste 2º casamento, João Pinto, senhor da torre da Lagariça e capitão da terra de Aregos, nascido ca 1488, tirou carta de armas em 1538. C.g. nos Pinto da torre da Lagariça.

1.1.1.3.1.3.1.3.   ?Gil Martins Cochofel, ca 1389-, e já casado em 1416 quando teve sentença para pagar anualmente três libras pelos casais do Botulho, prazos do Cabido de Viseu, que tinham sido de seu sogro Afonso Fernandes, cavaleiro de Molelos.

1.1.1.3.1.3.2.  Afonso Martins de Pomares (Pumares), referido como deão da Sé do Porto e clérigo fidalgo quando a 26.3.1389 D. João I lhe legitima os filhos Afonso Martins e Vasco Afonso, havidos em Maria Anes, mulher solteira.

1.1.1.3.2.  (a) D. Inez Fernandes (de Soveral), de quem existe uma matriz sigilar armoriada, do séc. XIII, de bronze dourado a ouro fino (inventariada pelo marques de Abrantes, conforme se refere acima, onde vai a imagem), com um escudo português carregado com três faixas, cada uma delas carregada com três estrelas de seis pontas, ou seja, as armas dos Soveral/Avelar). As armas nesta matriz são rodeadas por leões rompantes, que o marquês de Abrantes atribui à mãe ou ao marido (cujas armas seriam um escudo partido, o 1º de negro com um leão de prata armado e lampassado de vermelho e o 2º de vermelho com três faixas de ouro). Mas, como o próprio marquês de Abrantes reconhece, seria a primeira vez que apareceria o escudo de uma dama medieval em que as armas do marido não constassem do 1º quartel. Por outro lados, noutras matrizes sigilares desta época os meios lóbulos que rodeiam o escudo muitas vezes são ocupados por peças heráldicas que remetem para linhagens de ascendência relativamente remota e por via feminina, como é, por exemplo, o caso dos Correa com as águias dos Aguiar/Guedão nos ditos meios lóbulos. Assim, aqueles leões deveriam remeter para uma ascendência de D. Inez, que seria ainda solteira quando foi feita a matriz. E essa linhagem provavelmente era, como já ficou dito, a dos Avelar originais, da honra de Avelar. D. Inez & João Guilherme de Santarém, vassalo de D. Dinis, irmão de sua madrasta, s.g. conhecida. O conde D. Pedro apenas diz que casou em Santarém, sem indicar o nome do marido nem filhos.

1.1.1.3.3.  (a) Lourenço Martins, cónego das sés de Palência e de Coimbra, documentado como tio de D. Afonso Pires.

1.1.1.3.4.  (a) Fernão Martins, documentado como tio de D. Afonso Pires.

1.1.1.3.6. (N) João Fernandes, cavaleiro, leg. a 3.12.1295, havido em Maria Anes Velho e adoptado por seu avô materno.

1.1.1.4.     João Martins de Avelar, que o conde D. Pedro dá como primogénito (dando em 2º lugar o irmão Pedro, acima) e chama Juan del Avellal. & Inez Pires do Vale.

1.1.1.4.1.  Guiomar Anes de Avelar, a única filha que dá o conde D. Pedro. & Estêvão Martins Carpinteiro.

1.1.1.4.1.1.  Pedro Esteves Carpinteiro, comendador-mor da Ordem de Calatrava, sendo mestre da ordem seu tio D. João Nunes do Prado, este mandado degolar por D. Pedro I de Castela e tido por filho da infanta D. Branca, quando senhora do mosteiro de Lorvão, e de Pedro Esteves Carpinteiro, embora esta infanta, depois senhora do mosteiro das Huelgas, em Burgos, onde jaz, não o refira nem no seu testamento (15.4.1321) nem na inúmera documentação que dela ficou. O conde D. Pedro não filia Pedro Esteves Carpinteiro em Estêvão Martins.

1.1.1.4.1.2.  Leonor Esteves Carpinteiro, a única filha que dá o conde D. Pedro. & Gonçalo Garcia Estramboz.

1.1.1.5.     Constança Martins de Avelar & Aires Gomes de Gundar.

1.1.1.5.1.  Gonçalo Gomes de Gundar & Maria Martins de Santarém.

1.1.1.6.     Guiomar Martins de Avelar, a quem o conde D. Pedro não dá marido nem filhos.

 

1.1.2.   Estêvão Dias de Avelar, ca 1221-ca 1270, senhor da honra e quintã de Mouriz, que o conde D. Pedro confunde com seu pai homónimo, a quem atribui como 2ª mulher a mulher deste, não reparando nem na cronologia nem que, assim, os filhos desse pretenso segundo casamento estavam a usar o nome da madrasta... Além de que assim ficaria com dois filhos do mesmo nome (Martim Esteves), o que, não sendo impossível, não é normal. Estêvão Dias & ca 1247 Sancha Gonçalves de Milheirós, filha de Gonçalo Pires de Milheirós, cavaleiro, senhor da honra de Milheirós (Maia), neta de Pedro Fernandes de Milheirós, e bisneta de Fernão Pires «de Milheirós», ca 1130-, senhor desta honra, de quem terá tirado o nome. Estes Milheirós são certamente descendentes de Soeiro Formarigues «de Grijó» e é por eles que os descendentes deste Estêvão tinham padroado no mosteiro. Aliás, como refiro em «Ascendências Visienses», é por estes mesmos Milherós que Gonçalo Garcia de Figueiredo e seu filho Aires Gonçalves também aí tinham comedoria. Possivelmente, aquele Fernão Pires de Milheirós, o 1º deste nome, era filho de Pedro Soares de Grijó, documentado entre 1104 e 1136, e de sua mulher Maria Rabaldes, com quem casou antes de 16.7.1129. De qualquer forma, o direito de padroado em Grijó deve em alguma altura ter sido doado, uma vez que, nesta linha, só a descendência do mestre da Ordem de Cristo D. Frei Martim de Avelar ali tinha comedoria em 1365, sendo dito «per bem fazer», o que entendo como a apresentação da razão porque seus filhos aí tinham padroado, portanto devido a importantes doações que o mestre teria feito ao mosteiro. 

1.1.2.1.     Urraca Esteves de Avelar, ca 1248-, que herdou a quintã de Mouriz, ou boa parte dela, e aí ter vivido com seu marido e filhos. & João Gonçalves, cavaleiro de Maçada, 1230/-. Como as armas que vieram a ser adoptadas pelos Macedo (em campo azul, cinco estrelas de ouro de seis pontas em aspa) são uma versão das armas dos Ribadouro (ou dos Freitas), devem remeter para esta D. Urraca. Dizem algumas genealogias (mas não o conde D. Pedro) que João Gonçalves era filho de Gonçalo Anes do Vinhal, trovador que consta no Cancioneiro da Biblioteca Vaticana, e neto de João Gomes do Vinhal e de sua mulher Maria Pires de Aguiar, nascida cerca de 1165. De Urraca Esteves e seu marido João Gonçalves devem ser filhos os seguintes:

1.1.2.1.1.  (Urraca) Anes de Maçada (ou Macedo), que & Estêvão Fernandes de Urrô, seu primo, senhor da honra de Urrô, filho legitimado por carta real de D. Dinis de Fernão Simões de Urrô, clérigo.

1.1.2.1.1.1.  Lopo Esteves de Urrô, escudeiro, senhor das quintãs, honras e coutos de Urrô, Pereira e Mouriz. A 24.9.1384 Lopo Esteves de Urrô, escudeiro, viu confirmadas pelo rei as suas quintãs de Urrô, Pereira e Mouriz, no julgado de Aguiar de Sousa, que já eram dos avós e de seu tio João Anes («suas qujntaas e os coutos dellas e honrras foram sempre coutados e onrrados e priujllegiados E que se costumou sempre em tempo de seu padre e de seus auos e de seu tio Johan eannes e dos outros ante del»).

1.1.2.2.2.  João Anes de Maçada (ou Macedo), ca 1267-, senhor da honra e quintã de Mouriz, que nas notas ao conde D. Pedro se diz que estava sepultado no mosteiro de Cête, com um escudo com suas armas (cinco estrelas) e o seguinte letreiro: «Hic jacet corpus Joanis de Maçada. Ejus anima requiescat in pace». Terá herdado a quinta de Mouriz, que ficou para seu sobrinho Lopo Esteves de Urrô, referido atrás, pois é certamente este o tio João Anes que ele invoca. Dadas as circunstâncias, os filhos seguintes, que parecem seus, devem ser bastardos, até porque se lhe não conhece mulher.

1.1.2.1.2.1.  João Gonçalves de Maçada (ou Macedo), com o nome e patronímico do avô. Apoiou o futuro D.Afonso IV contra seu pai.

1.1.2.1.2.2.  Gonçalo Anes de Macedo, ca 1290-, de que falam as genealogias tardias e dizem casado com sua prima Guiomar Martins de Avelar, referida adiante, sendo pais de Martim Gonçalves de Macedo, nascido cerca de 1330, que esteve com D. João I em Aljubarrota e a quem este doou a 27.5.1385 a aldeia e os direitos reais de Outeiro de Miranda, a dízima da portagem de Bragança, as aldeias de Algoselho e Pindelo no termo Miranda e vários bens em Miranda. Nesta doação o rei refere que doa a Martim Gonçalves de Macedo, seu vassalo, pelo muito serviço que dele recebeu, todos os bens móveis e de raiz que tinha em Portugal Martim Afonso de Seixas, nomeadamente em Miranda e seu termo, que morrera em deserviço. Todas estas doações são para si e seus sucessores, de livre e pura doação. Martim Gonçalves de Macedo casou com Catarina Anes, morgada de S. Braz de Vila Real, que, já viúva, fez uma escritura a 22.2.1433 no tabelião João Anes. Era filha de João Pires, escolar, que instituiu um morgado com capelas, rendas e hospital (morgadio de S. Braz de Vila Real), cuja administração foi a 2.12.1472 confirmada a seu bisneto João Teixeira de Macedo, fidalgo do Conselho (10.7.1476), alcaide-mor de Montalegre (6.2.1484) contador da comarca de Trás-os-Montes (antes de 28.11.1472), senhor da quintã e direitos reais de Macedo (30.5.1484), etc., c.g. conhecida.

1.1.2.2.     Martim Esteves de Avelar (Martim Freire - o conde D. Pedro diz Martim Estevez del Avellal, llamado el Freyre, muy buen Cavallero), ca 1250 - 1305/, cavaleiro e mordomo-mor de D. João Fernandes de Lima, de quem foi procurador quando em 1300 este trocou Portel por Évora Monte e Mafra. Testemunhou uma carta régia de 5.4.1305. & Maria Martins, ca 1265 - /1345, que ainda vivia a 28.1.1332, sendo seus bens em Rio de Mouro repartidos pelos seus filhos e netos em Agosto de 1345.

1.1.2.2.1.  D. Frei Martim (Martins) de Avelar, ca 1282 - 1364/, mestre da Ordem de Aviz (1358), que em 1364 passou a Castela. D. Pedro I faz a 6.3.1361 este D. Frei Martim do Avelar, «honrrado relegioso e honesto», «meestre da cavalaria da nossa hordem davjs», seu procurador a Castela para firmar as pazes com D.Pedro de Aragão. O conde D. Pedro diz apenas que morreu em Lisboa, o que se compreende, pois morreu antes de D. Frei Martim ser mestre. A sua descendência tinha comedoria em 1365 no mosteiro de Grijó, sendo dito «per bem fazer», o que entendo como a apresentação da razão porque seus filhos aí tinham padroado, portanto devido a importantes doações que o mestre teria feito ao mosteiro. Em 1345 os bens de sua mãe são partilhados por seu irmão Lourenço Martins de Avelar (e seus filhos) e por os seus herdeiros, alguns representados pelo seu tutor e curador, Lourenço Gomes, e por Tereza Fernandes (a), «molher que ffoy de Martim do Auelaal». Deve isto significar que Martim do Avelar já tinha professado em 1345, portanto com autorização da mulher, tendo então dela filhos menores. Teve ainda filhos bastardos tardios de Mor Mendes (N), mulher casada, então já nascidos, mas naturalmente não considerados nas partilhas.

1.1.2.2.1.1.  (a) Lourenço Martins de Avelar, ca 1330 - /1.9.1384, que em 1345 ainda era menor. Como filho que foi do mestre de Avis aparece em primeiro lugar, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos naturais de Grijó de 1365. Com outros cavaleiros, foi intimado a comparecer a 29.6.1365 como "herdeiro" de Grijó, para defender os interesses de todos o "naturais" daquele cenóbio. É certamente o homónimo que foi alcaide-mor de Santarém (1367) e que teve de D. Fernando mercê dos castelos de Linhares e Castelo Mendo. A 5.4.1364, sendo cavaleiro e vassalo do ainda infante D. Fernando, teve confirmação real de um morgadio em Torres Vedras, constituído por casa, prazos e herdades, por direito de sua mulher, que D. Dinis confirmara a Estêvão da Guarda, avô dela. & com Sancha Dias da Guarda, - /1.9.1384, herdeira do dito morgadio, filha de Diogo Esteves da Guarda e neta de Estêvão da Guarda, a quem D. Dinis doara a dita casas, prazos e herdades em Torres Vedras, de juro e herdade, e que este com autorização real instituíra em morgadio. Deste casamento não houve geração, como se diz na doação real do morgado de Torres Vedras a João Fernandes Pacheco a 1.9.1384: «declaramos seer apropriado huu moorgado que he em torres uedras e bens delle que vagou por morte de sancha diaz molher que foe de lourenço martinz do auellar que ella auja e posuya no dicto logo de torres uedras, o qual moorgado e beens delle el rrey dom denjs nosso bisauoo o qual deus perdoe dera a esteuam da guarda seu vassallo e do seu conselho pera elle e pera todos seus descendentes lidimos emquanto durasem E ora Sancha diaz sua neta lidima morreo sem descendentes herdeiros». A 8.11.1386 D. João I concedeu a Sancho Gomes de Avelar, seu vassalo, «testameteiro dado p nos ao testamento de l.ço miz do auellar seu primo Ja passado», o foro de um moinho na Ribeira do Alviela, no termo de Santarém, que pertencia à capela instituída pelo dito Lourenço Martins de Avelar, que era de more azeite, sem pagar nada à coroa, e que agora queria passar a moer pão, pelo que passava a pagar.

1.1.2.2.1.1.1.  ?Tereza Lourenço de Avelar, que aparece, solteira, na lista de Grijó de 1365, logo depois dos filhos de Branca do Avelar, mas sem indicação de que seria filha de Lourenço Martins de Avelar, como proponho, dado o patronímico e cronologia. Terá assim falecido antes de seu pai, ou foi freira.

1.1.2.2.1.2.  (a) Leonor Martins de Avelar, menor em 1345, que parece ser a homónima que recebeu de Fruilhe de Souza (mulher de Fernão Sanches, filho do rei D. Dinis), as terras de Alcoentre, das quais a 1.5.1395, por morte desta Leonor, o Cabido de Viseu tomou posse. Faleceu portanto solteira e, embora aquele documento o não refira, deve ter sido freira, razão porque não consta na lista de Grijó.

1.1.2.2.1.3.  (a) Gil Martins de Avelar, menor em 1345, que aparece, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos naturais de Grijó de 1365, logo a seguir a Tereza Lourenço de Avelar (sua proposta sobrinha), mas sem a indicação de ser filho do mestre. Não parece ter tido descendência legítima, mas pode ser pai natural do Fernão Martins de Avelar, escudeiro, presente numa procuração do concelho de Santarém de 2.8.1383.

1.1.2.2.1.4.   (a) Branca de Avelar, ca 1338-, senhora da quintã de Oeiras, que, embora não conste nas partilhas de 1345, se documenta na lista de 1365 como filha do mestre, logo a seguir a seu irmão mais velho Lourenço Martins de Avelar, de quem é dita irmã, junto com seu marido e os dois filhos de ambos, estes não nomeados. A 16.6.1357, sendo referida como «branca do aueellar» e seu marido como «nuno martjnz de guõoes», o rei lhe faz mercê a ela e ao marido da quinta do reguengo de Oeiras. A 21.2.1371 o rei couta-lhe a ela e aos filhos uma herdade na vila de Moura. & ca 1355 Nuno Martins de Góis.

1.1.2.2.1.4.1.  Pedro Nunes de Góis, apenas referido como «huum filho» na lista de Grijó.

1.1.2.2.1.4.2.  Beatriz Nunes de Góis, ca 1353 -, apenas referido como «hua filha» na lista de Grijó de 1365. & ca 1372 Gonçalo Viegas de Ataíde, ca 1325-1391/, vassalo de D. João I. A 11.6.1391 D. João I confirmou a «gonçallo viegas de taide nosso uasallo e a briatiz nunez sua molher» o couto de todas as herdades que tinham em Moura e que foram de seu sogro e pai Nuno Martins, a quem as coutara D. Fernando I. Gonçalo Viegas de Ataíde, que teve o nome do avô paterno, era tio-avô do 1º conde de Atouguia. 

1.1.2.2.1.4.2.1.  Nuno Gonçalves de Ataíde, ca 1373 -, criado de D. João I e senhor do couto de Moura. A 13.2.1417 D. João I confirmou a a Nuno Gonçalves de Ataíde, seu criado, o couto das herdades de Moura que seu pai Gonçalo Viegas lhe dera e que fora de seu avô Nuno Martins de Góis. A 11.3.1437 seus filhos Pedro, Gonçalo e Beatriz têm de D. Duarte a confirmação do couto de Moura que fora de seu bisavô Nuno Martins de Góis. Nuno Gonçalves de Ataíde & Mécia de Meira.

1.1.2.2.1.4.2.2.  Branca Nunes

1.1.2.2.1.4.2.3.  Catarina de Ataíde, ca 1387 -. & Diogo Lopes de Souza, ca 1386-1451/, mordomo-mor de D. Duarte, 1º senhor de juro e herdade de Miranda do Corvo (1397), leg. a 3.1.1398, c.g. conhecida.

1.1.2.2.1.5.  (N) Sancha Martins de Avelarque aparece, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos naturais de Grijó de 1365, mesmo antes de Lourenço Martins de Avelar, o Moço, e que propomos que seja sua irmã inteira, portanto bastarda do mestre.

1.1.2.2.1.6.  (N) Lourenço Martins de Avelar, o Moço, ca 1340 - 1387/, legitimado por carta real de 24.10.1387, como filho de «dom martinho do auellar meestre que foe da cavalaria da ordem d aviz e de moor mendez molher casada». É certamente o «Lourenço Martinz do Avellal o Moço», como aparece na lista de Grijó de 1365, sem indicação do pai e muito depois do seu meio-irmão homónimo. O Moço seria justamente para se distinguir dele.

1.1.2.2.2.  Tereza Martins de Avelar, que a 14.2.1323, com seu irmão Martim, fizeram troca de alguns bens.

1.1.2.2.3.  João Martins de Avelar, - /1332, freire da Ordem de Santiago. Em 1322 esteve presente no capítulo da sua ordem realizado em Alcácer do Sal. O conde D. Pedro chama-lhe Juan del Avellal, Freyre de Sãtiago, e diz que não teve filhos. Foi nas casas de seu irmão Martim do Avelar, em Lisboa, onde vivia com a sua mãe, que fal. João de Avelar, segundo notícia de 28.1.1332.

1.1.2.2.4.  Sancha Martins de Avelar, que & Martim Gil de Penha, senhor da quintã de Penha Darga.

1.1.2.2.5.  Lourenço Martins de Avelar, ca 1288 - 1345/. & Beatriz Añes (a), ca 1290-, castelhana, colaça da rainha Dona Beatriz.

1.1.2.2.5.1.  Gomes Lourenço de Avelar, ca 1315 - 1384, cavaleiro, vassalo e guarda-mor de D. Pedro I e seu embaixador a Inglaterra, senhor de juro e herdade de Cascais e do seu castelo e alcaide-mor de Tavira por D. Fernando I. Teve ainda de D. Fernando a quinta de Marim, no termo de Faro (14.3.1369). O conde D. Pedro não o refere. Documenta-se que seu filho Sancho Gomes era primo de Lourenço Martins de Avelar (o filho legítimo do mestre, acima), pelo que tudo se conjuga (parentesco, sucessão, patronímico e cronologia) para ser filho do Lourenço Martins que leva por pai.

1.1.1.2.5.1.1. Sancho Gomes de Avelar, escudeiro, vassalo de D. João I, senhor de juro e herdade de Cascais e seu castelo (20.9.1384), senhor de juro e herdade da quinta de Marim (19.3.1384), tudo em sucessão a seu pai, e senhor de umas casas na Alcáçova de Lisboa. A 8.11.1386 D. João I concedeu a Sancho Gomes de Avelar, seu vassalo, «testameteiro dado p nos ao testamento de l.ço miz do auellar seu primo Ja passado», o foro de um moinho na Ribeira do Alviela, no termo de Santarém, que pertencia à capela instituída pelo dito Lourenço Martins de Avelar, em que ele sucedera, que era de moer azeite, sem pagar nada à coroa, e que agora queria passar a moer pão, pelo que passava a pagar. & Guiomar Gonçalves de Azevedo.

1.1.1.2.5.1.1.1.  Inez Gomes de Avelar, sucessora. A 11.3.1452 D. Afonso V doou a Inez Gomes de Avelar, mulher de Pedro Lourenço de Almeida, cavaleiro da sua Casa e almotacé-mor, uma tença anual de 6.000 reais de prata. & Pedro Lourenço de Almeida, -1460/, almotacé-mor do reino, senhor da quinta de Vila Corça, no termo de Viseu, em frente da qual D. Afonso V lhe coutou um rio, tendo sucedido na quinta de Marim (1445) e na capela instituída por Lourenço Martins de Avelar (6.9.1448 e 15.4.1457). Teve uma tença anual de 4.358 reais de prata (17.7.1450). S.g.

1.1.1.2.5.1.1.2.  João Gomes de Avelar, solteiro, s.g. 

1.1.1.2.5.1.1.3.  Guiomar Lopes de Azevedo, freira em Tarouquela. 

1.1.1.2.5.1.1.4.  Leonor Gomes de Azevedo, -1457/ & Álvaro Rodrigues Valente, senhor da Louzã, -/1457. Destes foi filha Maria de Azevedo, criada por sua tia Inez Gomes de Avelar, que a perfilhou por carta real de 11.3.1460 e escritura de 9.5.1457, e que foi sua herdeira (escritura de 8.11.1457), vindo a casar com Duarte de Almeida, o «Decepado». C.g. conhecida.

1.1.1.2.5.1.2. ?Gomes Lourenço de Avelar, clérigo, abade de S. Tiago da Torre de Moncorvo, apresentado por D. Pedro I a 6.12.1363.

1.1.2.2.5.2.   Leonor Martins de Avelar, que o conde D. Pedro diz s.g.

1.1.2.2.5.3.   Tereza Martins de Avelar, ca 1310 - /1363, & (1ª vez) Lourenço Martins Buval (a), -/ ca 1361, vassalo de D. Pedro I, alcaide-mor de Penamacor (12.8.1357) e de Lisboa (3.12.1360), que em 1327 testemunhou as doações feitas por Fernão Sanches a seu irmão o rei D. Afonso IV. & (2ª vez) Vasco Raimundes (b), - /1363, s.g. A 8.3.1363, na quinta de César, foi feita partilha entre João Lourenço Buval, por si e em nome de Martim Lourenço, prior de Viana, de Rui Lourenço, comendador-mor de Avis, seus irmãos, e de João Fernandes de Almeida, filho de Maria Vasques, sua irmã, através de instrumentos e de cartas de venda que mostrou, Leonor Martins, casada com Gonçalo Peixoto, Maria Lourenço e Leonor Vasques, monjas de Arouca, suas irmãs, dos bens que ficaram de Lourenço Martins Buval e de Teresa Martins, pai e mãe dos sobreditos. As duas monjas tinham procuração da abadessa de Arouca, datada de 26.2.1363, para partirem os bens que lhes ficaram da parte de Lourenço Martins Buval, de Teresa Martins, sua mulher, e de Vasco Raimundes, todos já falecidos.

1.1.2.2.5.3.1.  (a) Maria Vasques, -/1363. & Fernão Fernandes de Almeida, muito provavelmente filho de Fernando Fernandes de Almeida e sua mulher Guiomar Martins Zote, casados cerca de 1309 (vide o meu Ensaio sobre a origem dos Almeida). Maria Vasques e seu marido foram pais de João Fernandes de Almeida, que aparece na lista de Pedroso de 1363.

1.1.2.2.5.3.2.  (a) João Lourenço Buval, -1372, guarda-mor de D. Pedro I, de quem recebeu a 8.6.1357 as rendas da alcaidaria do Porto. A 1.4.1365 D. Pedro I coutou-lhe a quinta de Pecenas, em Évora, e a quinta de Chacoteca, no termo de Samora Correia, que lhe ficaram por morte de Fernão Gonçalves Cogominho, certamente um dos seus sogros. Aparece, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos naturais de Grijó de 1365, juntamente com três filhos de uma sua mulher e uma filha de outra sua mulher, todos não nomeados. Já no reinado de D. Fernando, foi alcaide-mor de Lisboa e teve confirmação da coutada das suas quintas no termo de Évora. Um dos seus filhos deve ser o Lourenço Martins Buval que 1381-2 estava casado com Mor Vasques.

1.1.2.2.5.3.3.  (a) Martim Lourenço Buval, prior de Viana /1363.

1.1.2.2.5.3.4.  (a) Rui Lourenço Buval, comendador-mor da Ordem de Avis (1362).

1.1.2.2.5.3.5.  (a) Leonor Martins Buval, & (1ª vez) /1363 Gonçalo Peixoto, certamente o cavaleiro homónimo que aparece na lista de Grijó de 1365, com um filho, não nomeado, pelo que seria criança. & (2ª vez) Vasco Martins do Vale, que fez testamento a 5.1.1439, no qual diz querer ser sepultado em Grijó.

1.1.2.2.5.3.6.  (a) Leonor Vasques, freira em Arouca /1363.

1.1.2.2.5.3.7.  (a) Maria Lourenço, freira em Arouca /1363.

1.1.2.2.5.4.   Martim de Avelar, que em 1345 estava & com Leonor Martins.

1.1.2.2.5.5.   Guiomar Martins de Avelar, ca 1312-, que parece filha de Lourenço Martins, legítima ou bastarda. & Gonçalo Anes de Macedo, seu primo, neto de Urraca Esteves de Avelar, referida atrás.

1.1.2.3.     Elvira Esteves de Avelar, sepultada na matriz de Azambuja. & /1270  Rui Fernandes de Tavares, sepultado ib, «pretor» e alcaide-mor e senhor de Azambuja, documentados casados em 1270. O conde D. Pedro di-lo filho de Fernão Gonçalves de Tavares, alcaide-mor e senhor de Azambuja e neto de Gonçalo Fernandes de Tavares e de sua mulher D. Maria Rool (sic), filha herdeira de D. Rolim, natural da Flandres. Trata-se, na verdade, de Childre Rolim, aqui conhecido por D. Xira, cavaleiro inglês, franco ou flamengo que, indo em cruzada à Terra Santa, ajudou D. Afonso Henriques no cerco de Lisboa (1147) e por cá ficou, e a quem este rei deu Azambuja e Vila Franca, terra esta que por sua causa passou a ser conhecida, até hoje, como Vila Franca de Xira. Este D. Xira é também tratado pelo conde D. Pedro como progenitor dos Soares de Albergaria, sem o relacionar com o antedito D. Rolim, dizendo-o casado com D. Maria Paes, neta sucessora de D. Paio Delgado, que esteve na batalha de Ourique e fundou a Albergaria de S. Mateus em Lisboa, junto ao Poço de Borratém, instituindo o morgadio com o mesmo nome e cuja cabeça da instituição era a ermida que existia defronte do actual beco dos Surradores. Trata-se, portanto, do mesmo, que teve um filho e uma filha (esta certamente de um 1º casamento), ele herdeiro de Vila Franca de Xira e ela herdeira de Azambuja. O filho, Martim Xira, sucedeu em Vila Franca de Xira e no morgadio da Albergaria de S. Mateus, tendo duas filhas. Sucedeu a mais velha, que casou e também teve duas filhas, a mais velha das quais, sucessora, casou com seu tio-avô (segundo o conde D. Pedro), filho do 2º casamento da antedita D. Maria Paes com um irmão do bispo de Lisboa D. Aires Vasques, sendo deste casamento filho Estêvão Soares de Albergaria, o Velho, o 1º deste nome, alcaide-mor de Lisboa, que sucedeu como 7º morgado da Albergaria de S. Mateus.

1.1.2.3.1.  Pedro Rodrigues (Rolim ou de Azambuja), alcaide-mor e senhor de Azambuja, & Tereza Rodrigues da Nóbrega, filha de Rui Fernandes da Nóbrega, cavaleiro documentado em 1254-65.

1.1.2.3.1.1.   Gonçalo Rodrigues, alcaide-mor e senhor de Azambuja. &  Leonor Esteves, que as genealogias dizem filha de Estêvão Esteves Carrilho, de Évora.

1.1.2.3.1.1.1.  Leonor Gonçalves, senhora de Azambuja, & Lopo Pires Palha, alcaide-mor do castelo de Azambuja.

1.1.2.3.1.1.1.1.   Urraca Fernandes Rolim, senhora de Azambuja, que perdeu para seu primo Lopo Álvares de Azambuja, referido adiante, por ter, com seu marido e filhos, seguido o partido de Castela contra o mestre de Avis. Diz D. João I, quando dá o senhorio e morgado de Azambuja ao dito Lopo Álvares, que é «notorio a nos que o dicto alvaro gonçalluez de moura e a dicta orraca ferrnandez e seus filhos mayores de sete annos specialmente pero rodriguez mayor filho que os sobreditctos ham ao qual dicto moorgado auya de ficar despois da morte da dicta orraca ferrnandez sua madre, som em deserviço nosso e destes regnos correndo a terra e roubando e teendo uoz e bando del rrey de castella e levantando se com o castelo de Moura (...)». Urraca Fernandes & Álvaro Gonçalves de Moura, senhor de Moura (4.1.1400), Portel e Stº Aleixo, alcaide-mor de Évora, Monção, Melgaço e Azambuja, meirinho-mor de Entre Tejo e Guadiana, c.g. conhecida.

1.1.2.3.1.2.   Lopo Rodrigues

1.1.2.3.1.3.   Pedro Rodrigues

1.1.2.3.1.4.   Beatriz Rodrigues & /1338  Martim Fernandes de Cambra, cavaleiro (r. 1306) - /1340.

1.1.2.3.1.4.1.  Afonso Martins Correa, menor em 1340.

1.1.2.3.1.5.   Alda Rodrigues & Gil Martins Barreto.

1.1.2.3.1.5.1.  Beatriz Gil Barreto & Paio Rodrigues de Novais.

1.1.2.3.2.  Estêvão Rodrigues, ca 1272 -, alcaide-mor de Azambuja, vila em cuja matriz foi sepultado. & com uma irmã (talvez de nome Beatriz) do cónego João Anes de Coruche e de Pedro Anes de Coruche, como se depreende no testamento de seu filho, que lhes chama tios e de quem herdou umas casas à Porta do Mar, em Lisboa.

1.1.2.3.2.1.   João Esteves, «o Privado», ca 1315-1372, camareiro-mor e tesoureiro de D. Afonso IV, reposteiro-mor de D. Pedro I, do Conselho de D. Fernando, alcaide-mor de Lisboa e de Azambuja (3.5.1371), co-senhor da quinta da Panasqueira, senhor de juro e herdade das quintãs de Verdelha (Tojal, Santarém, 22.4.1364), Paradela (Bouças, Porto, 30.9.1364) e Muge (15.11.1368) e das aldeias de Roalde (Bouças, Porto, 30.9.1364) e de Francos (ib, 31.7.1369), etc. Fez testamento em Lisboa a 16.9.1372, só aberto a 31.10.1375, no qual instituiu morgadio e capela na igreja do Salvador, em Lisboa, onde jaz e onde seu sobrinho o cardeal D. João haveria de fundar o adjacente mosteiro do mesmo nome. Faleceu pouco depois de Setembro de 1372, data do testamento, pois em Junho de 1373 sua viúva já estava casada. & ca 1354 Inez Migueis (a) (1ª mulher), referida como sua mulher no testamento, então já falecida, natural do Porto e irmã de uma Margarida Migueis. & 1368 (2ª vez) Violante Lopes de Albergaria (b), ca 1341-1384/, que deixou umas casas à capela do Salvador, filha de Lopo Soares de Albergaria e já viúva de Álvaro Vasques de Góis, escrivão da puridade de D. Pedro I e D. Fernando, a quem este rei deu o senhorio de Pedra Alçada (2, 67), coutou as suas quintãs de Pedra Alçada e Sacarabotão (1, 3v) e doou o castelo de Serpa (1, 2). Esta Violante Lopes casou logo depois com Rui Pereira, com geração, tendo o casal sucedido a João Esteves nomeadamente nas aldeias de Francos e de Roalde e nas quintãs de Paradela e Muge, por mercês de 17 e 20.6.1373, tendo Rui Pereira já falecido a 8.9.1384 quando Violante Lopes teve confirmação daquelas doações por D. João I. Deste 3º casamento foi, pelo menos, filha Tereza Novais, que casou, aparentemente sem geração, com Álvaro Gonçalves de Freitas, vedor da fazenda de D. João I, já falecido a 20.10.1419, quando D. João I confirmou a Tereza Novais, sua viúva, a venda que ela tinha feito ao conde D. Afonso (futuro duque de Bragança) de umas terras que lhe doara sua mãe Violante Lopes de Albergaria, depois da morte de seu pai Rui Pereira, as quais terras ambos tinham tido por mercê de D. Fernando I. A saber: as terras, casas e casais da freguesia de Breito e Figueiredo e S. Martinho de Lançós e o Rio de Ave e a quinta que chamam Santo Tirso de Riba de Ave, com sua torre, vinhas, herdades, direitos, jurisdições, horas, foros, etc., que tudo vendeu por 1.100 coroas de bom ouro.   

1.1.2.3.2.1.1.  (a) Beatriz Anes, ca 1355/8-/1450, a única filha referida, com seu marido, no testamento de seu pai, que outorgam. /9.1372 Estêvão Vasques Filipe, - 1415/, anadel-mor de besteiros (doc. a 2.6.1385) e anadel-mor de besteiros do conto (doc. a 4.6.1393). S.g. A. 10.5.1432 D. João I confirma a doação de Beatriz Anes, viúva de Estêvão Vasques Filipe, «por não ter filho, nem filha, nem neto, nem bisneto, nem herdeiro que seus bens pudesse herdar contra sua vontade», que fez de uma série de bens a seu sobrinho Rui Pires de Távora, «filho lídimo de Pero Lourenço de Távora e de Beatriz Esteves, sua boa irmã», deserdando Vasco Filipe, filho (legitimado) de Estêvão Vasques Filipe, a quem anteriormente (1427), tinha deixado os mesmos bens. 

1.1.2.3.2.1.2.  (b) Beatriz Esteves, ca 1369-, referida por sua irmã, acima, de quem devia ser afilhada e daí o mesmo prenome. É referida com seu marido já em 1409 no testamento do cardeal D. João, adiante, que a diz sobrinha de seu pai. & ca 1383 Pedro Lourenço de Távora, reposteiro-mor de D. João I, 1º senhor de juro e herdade de S. João da Pesqueira e Ranhados (10.6.1382, com seu irmão Rui, este s.g., em atenção aos serviços de seu falecido pai), com todos os seus termos, rendas, pertenças, pão, vinho e azeite e todos os outros frutos, «pera todos seus sucessores filhos lidimos herdeiros de djr.to que delles descendesem p.r linha djr.ta», reservando para si toda a jurisdição cível e crime. O dito seu irmão Rui Lourenço de Távora não teve geração (as genealogias tardias dizem que foi franciscano), e ainda se documenta a 7.5.1386, quando, com seu irmão Pedro Lourenço, ambos referidos como vassalos, teve mercê das rendas e direitos de Alfândega da Fé e, só para si, das rendas e direitos de Penaguião. Mas já teria falecido (ou recolhido à vida religiosa) quando a 21.10.1391 Pedro Lourenço teve mercê dos direitos, rendas e tributos de Mogadouro, Alfândega da Fé e Mirandela. Foi a pedido de Pedro Lourenço de Távora que a 7.10.1385 Martim Afonso da Granja, dito aí seu parente, teve mercê de juro e herdade das honras de Lordelo e Galegos. No mesmo ano, a 5 de Novembro, já referido como reposteiro-mor, Pedro Lourenço, pelos seus «stremados sujços», teve de juro e herdade a terra entre Tua e Pinhão. Já antes, a 25.3.1384 teve mercê o senhorio de juro e herdade de Favaios e Alijó (Eligoo). E a 15.4.1385 teve confirmação dos senhorios de S. João da Pesqueira e Ranhados, bem como do couto de S. Pedro das Águias. E a 29 de Outubro do mesmo ano teve o senhorio de juro e herdade das ditas honras de Lordelo e Galegos. A 3.7.1387 teve o senhorio de juro e herdade de Aguiar de Sousa, enquanto seu outro irmão, Martim Lourenço de Távora, então escudeiro de João Afonso Pimentel, teve o senhorio de juro e herdade do reguengo de Louredo. A 27.12.1395 Pedro Lourenço teve confirmação dos senhorios de Mogadouro, Favaios, Lordelo, Galegos, Távora, Paradela, Lugo, couto de S. Pedro de Águias, Várzea e Soutelo. Pedro Lourenço de Távora faleceu antes de 27.4.1421, data em que seu filho Álvaro Pires de Távora, reposteiro-mor de D.João I, teve deste rei confirmação das terras que tinham sido de seu pai. Era Pedro Lourenço era filho de Lourenço Pires de Távora e de sua mulher Alda Gonçalves (de Moraes), que sendo viúva teve a 15.9.1384 carta real das graças, mercês e terras de seu marido. Logo a 16 de Abril do ano seguinte (1385) D. João I doou a «Alda g.çllz molher que foe de l.ço priz de tauora», pelos serviços que dela e de seus filhos recebera e esperava receber, o senhorio de juro e herdade das terras e lugares da Ribeira e de Samudães e a colheita e rendas de Lamego. No dia anterior, o mesmo rei confirmou a Rui Lourenço, escudeiro, a seu irmão Pedro Lourenço e à mãe de ambos, as mercês, privilégios e liberdades que eles tinham dos reis anteriores, bem como as suas quintãs, terras, lugares e bens que eram coutados, e as suas honras e jurisdições, dando-lhes ainda todos os bens dos moradores de S. João da Pesqueira, Ranhados e S. Pedro de Águias que se provasse que estavam contra ele (o rei). Parece que 1º a usar o nome Távora foi Lourenço Pires de Távora, o velho, nascido no início do séc. XIV ou final do XIII, como diz o conde de Barcelos D. Pedro (c. 1285-1354), seu contemporâneo, que com ele começa a família. Na verdade, antes dele não se documenta ninguém com o nome Távora. Frei Bernardo de Brito (1569-1617) e João Baptista Lavanha (1550-1624) acrescentaram-lhe muito depois uma ascendência duvidosa, recorrendo o primeiro a documentação manifestamente falsa. Mas é aceitável admitir que este 1º Lourenço Pires de Távora fosse filho de um Pedro Anes, neto de um João Esteves, bisneto de um Estêvão Pires e trineto de Pedro Ramires. Este Pedro Ramires (Petrus Ramiriz) documenta-se bem, mas normalmente dito Pedro Ramires de São João da Pesqueira. Nas inquirições de D.Afonso III (1258) são referidos dois descendentes deste Pedro Ramires: D. André, prelado da igreja de S. João da Pesqueira, e D. Mateus, prelado da igreja de Trevões, sendo na generalidade referidos «outros muitos que descendem da geração de Pedro Ramires de S. João da Pesqueira», que «têm, hão e possuem muitas casas e vinhas em S. João da Pesqueira e nos seus termos, e não fazem qualquer foro ao rei», por as terem herdado do dito Pedro Ramires.
De facto, explica-se na dita inquirição que Pedro Ramires tinha na região de S. João da Pesqueira (incluía o rio Távora) várias terras reais emprazadas e que D. Afonso Henriques lhe quitou o foro de todas elas. O mosteiro de S. Pedro das Águias (Tabuaço) tinha terras dessas, que tivera de «D. Estêvão de S. João e outros que descendem da geração de Pedro Ramires». Os inquiridores dizem que viram a carta de quitação de D.Afonso Henriques, que estava no mosteiro, datada de 1133 (ainda era infante).
Pedro Ramires, portanto, terá nascido no início do séc. XII ou final do séc. XI, tendo sido foreiro do rei, o que indica que originalmente não tinha grande estatuto nem deveria descender dos Maia por varonia, como quer o referido Frei Bernardo de Brito, que o faz filho de Ramiro Pinioniz, neto de Pinion Rausendiz, bisneto de Rausendo Ermiges e trineto de Ermigio Albõaçar. Acrescentando, como documentação falsa, que este Rausendo Ermiges e seu irmão Tedo fundaram o referido mosteiro de S. Pedro das Águias. Mas as inquirições afonsinas já referidas são categorias em dizer que o mosteiro era padroado do rei. O que não impede que os ascendentes de Lourenço Pires de Távora não tenham feito várias doações ao mosteiro, como aliás ficou dito. Não é portanto aceitável o entroncamento nos Maia, embora
a cronologia o permita. Com efeito, Ermigio Albõaçar terá nascido entre 936 e 950, teve de sua filha Toda Ermiges netos que nasceram a partir de 1009. Se bem que com margem folgada, Ermigio Albõaçar podia ser trisavô por varonia de alguém nascido nos finais do séc. XI. Mas os documentos aduzidos por Frei Bernardo de Brito para lhe dar esta ascendência são manifestamente falsos, como se sabe. De resto, não se documenta nenhum Rausendo Ermiges e os LL só dão a Ermigio Albõaçar uma filha, a dita Toda Ermiges, a única, aliás, que refere Mattoso.

1.1.2.3.2.1.2.1.   D. Tereza de Távora, ca 1384-1466/, que ainda criança foi a  2.9.1387 contractada para casar com o que viria a ser de facto seu marido. A 4.4.1431 este contracto é confirmado por D. Duarte e a 10.1.1466 por D. Afonso V. & Rui Vasques Pereira.

1.1.2.3.2.1.2.2.   Lourenço Pires de Távora, ca 1386-/1409, solt. s.g.

1.1.2.3.2.1.2.3.   D. Isabel de Távora, abadessa do mosteiro de Santa Clara de Santarém (era-o em 1450).

1.1.2.3.2.1.2.4.   Álvaro Pires de Távora, ca 1390-1.11.1474, que sucedeu a seu pai e na enorme herança e grande poder e prestígio dos Azambuja. Foi «criado» e reposteiro-mor de D. João I, do Conselho de D. Afonso V (r. de 1444), senhor de S. João da Pesqueira, Mogadouro, Ranhados Miranda, Alfândega da Fé, etc. (27.4.1421, confirmado a 20.11.1433 e a 7.10.1449), senhor de Stª Mª de Avinhoso (1.4.1448) e do pinhal e couto de Almada (18.5.1413 e 22.3.1453), alcaide-mor e senhor de Miranda (r. de 20.4.1463 e 29.4.1466), senhor de S. Tiago de Sanhoane (r. de 19.7.1469), senhor de Penas Róias (2.2.1457, por compra a Rui Gonçalves Alcoforado) senhor de Entre-Tua-e-Pinhão (r. de 1450), e ainda senhor Favaios, Lordelo e Galegos (14.6.1463), Távora, Paradela, Lugo, couto de S. Pedro de Águias, Várzea e Soutelo, tudo terras que a 7.3.1475 teve seu filho «como tiveram seu pai e avô». Teve ainda os direitos da moeda antiga de Caminha e Vila Nova de Cerveira (20.11.1433). Da herança do cardeal D. João teve nomeadamente o morgadio e capela de S. Lourenço e o padroado do mosteiro do Salvador, com a obrigação de viver na Estremadura, morgadio que depois passou a seu irmão Martim de Távora, certamente por não cumprir as condições estabelecidas. Segundo o epitáfio tardio do seu túmulo em S. Pedro das Águias, Álvaro Pires de Távora faleceu em Mogadouro a 1.11.1474, o que parece certo, uma vez que se documenta que já tinha morrido a 4.3.1475. Casou a 1ª vez D. Inez da Guerra, meia-irmã do arcebispo de Braga D. Fernando da Guerra, e a 2ª vez (com dote a arras de 18.6.1432) D. Leonor da Cunha, filha de Álvaro da Cunha, senhor de Pombeiro da Beira (filho da rainha D. Leonor Telles), c.g. conhecida de ambos os matrimónios.

1.1.2.3.2.1.2.5.   Rui Pires de Távora, herdeiro de sua tia Beatriz Anes em 1432, como se diz acima. Ainda vivia a 3.11.1434 quando Pedro Afonso Sanhudo, seu «criado» e escudeiro, foi substituído no cargo de escrivão dos contos de Lisboa.

1.1.2.3.2.1.2.6.   Martim de Távora, ca 1394-/4.10.1475, meirinho-mor de D. Afonso V (21.4.1445) e do seu Conselho (r. de 17.10.1462) e seu «criado» e fidalgo, como é referido quando este rei a 20.5.1441 lhe dá uma tença anual de 25.000 reais de prata até perfazer as 2.500 coroas de ouro que lhe deu em dote de casamento. Sucedeu no morgadio e capela de S. Lourenço e no padroado do mosteiro do Salvador, como ficou dito. & 1441 Beatriz de Ataíde, «criada» da rainha, que já sua viúva recebeu a 4.10.1475 uma tença anual de 10.000 reais de prata. Destes foi filha única D. Catarina de Távora, que casou com D.Pedro de Noronha, c.g. nos condes dos Arcos.

1.1.2.3.2.1.2.7.   D. Violante Lopes de Távora, ca 1396-1455/, que 17.2.1448 morava em Santa Maria com seu marido, quando o filho de ambos Pedro de Souza tirou ordens menores em Braga. Estava viúva a 1.5.1455 quando recebeu do rei uma tença anual de 10.000 reais de prata. & Martim Afonso de Souza, - /1455, fidalgo do Conselho, vedor das Obras de Trás-os-Montes (12.1.1440), senhor da torre de Stº Estêvão (Chaves), onde também viveu, etc. Foi legitimado por carta real de 22.1.1405, esteve na tomada de Ceuta (1415) como capitão de um galeão do Porto, era cavaleiro da Casa do conde de Barcelos (futuro 1º duque de Bragança) quando foi nomeado vedor das Obras de Trás-os-Montes, e da Casa Real e do Conselho de D. Afonso V quando este rei lhe deu, a 23.4.1450, uma tença de 20.000 reais de prata. C.g. conhecida.

1.1.2.3.2.2.   Afonso Esteves (de Azambuja), ca 1317-1393, morgado da capela do Salvador, senhor de juro e herdade de Salvaterra de Magos, etc. É documentado como irmão no testamento de João Esteves, que com ele foi sepultado na capela do Salvador, da qual também era provedor, como diz seu filho o cardeal. Fernão Lopes (I, 167) refere-o como Afonso Esteves de Azambuja. Sucedeu a seu irmão, nomeadamente no morgado e capela do Salvador, e foi senhor de juro e herdade de Salvaterra de Magos, da lezíria do Romão e do campo de Sacarabotão (1384) e ainda a herdade e lezíria da Atalaia, no dito termo (1.6.1493). Fora vassalo de D. João Afonso Tello e capitão de uma galé da armada que se perdeu em Sevilha. Parece ainda que esteve no cerco de Lisboa e foi embaixador de D. João I a Roma. 

1.1.2.3.2.2.1.  João Afonso (de Azambuja), ca 1340-1385, cavaleiro, cuja morte em combate pelo mestre de Avis, em Torres Vedras, Fernão Lopes descreve (I,167). João Afonso provavelmente & com uma Mor Anes, que no testamento do cardeal se diz que deixou bens à capela do Salvador.

1.1.2.3.2.2.1.1.   Álvaro Afonso, deão da Sé de Coimbra, a quem o cardeal D. João chama sobrinho, nomeia testamenteiro, deixa bens, nomeia administrador da capela do Salvador e manda fazer um «moymento de pedra com seu arco» na igreja de Azambuja e para aí trasladar sua mãe (do cardeal) e avós.

1.1.2.3.2.2.1.2.   ?Catarina Afonso, cujos filhos o cardeal D. João deixa sucessores no morgadio, no caso de os Távora não cumprirem as disposições testamentárias, e que parece irmã do deão Álvaro Afonso. & Gonçalo Anes, que parece filho do cardeal, como se diz adiante, e portanto primo-direito da mulher. Foram pais de um Diogo e de um Afonso, que parece vieram a ser clérigos e que herdaram do cardeal respectivamente os bens móveis e de raiz de Vale do Paraíso e de Aveiras de Baixo. Ora, há um Afonso Gonçalves que a 7.3.1415 solicita a abertura do testamento do avô, o cardeal, pelo que deve ser aquele Afonso, o que implica que Gonçalo Anes fosse filho de D. João. De resto, a 15.1.1434 D. Duarte doa ao conde de Vila Real o casal do Resio, acima de Vila Nova da Rainha, termo de Alenquer, «que soya trazer afomso gonçalluez neto do cardeal de lixboa». Mas ela, Catarina Afonso, também era parente, uma vez que o cardeal também faz herdeiros os filhos do seu 2º casamento e a ele doa Salvaterra. & Rui Gomes de Azevedo, que teve o senhorio de Salvaterra de Magos (26.11.1396) por doação do cardeal. Deste 2º casamento foram filhos, pelo menos, um filho e uma filha, esta casada com Diogo Fernandes.

1.1.2.3.2.2.2.  D. João Esteves, falecido a 22.1.1415 (Bruges), cardeal (3.6.1411), arcebispo de Lisboa (1402), bispo de Coimbra (1398), do Porto (1390) e de Silves (1389). Dele existe um selo heráldico de 1394 com as suas armas, um escudo com quatro bandas. Está sepultado no mosteiro do Salvador, em Lisboa, e teve o senhorio de Salvaterra e a lezíria da Atalaia (1.6.1793), a vila da Aveiras de Baixo (1.7.1391), e o morgado e capela do Salvador e o padroado do mosteiro de S. Salvador de Lisboa (1.7.1391) que deixou em testamento de 20.4.1409, por indicação que ficara de seu pai, a Álvaro Pires de Távora, acima, se este casasse e vivesse na Estremadura, caso contrário ficaria para o irmão de Álvaro que cumprisse estas condições. Fundou o dito mosteiro do Salvador e em Roma o mosteiro de S. Jerónimo. A sua sepultura no Salvador teve o seguinte epitáfio: «Aqui jaz o muyto honrado senhor dom joam esteves, arcebispo de Lisboa e cardeal de Roma. Varam sabedor e virtuoso, em Bolonha solenizou a sepultura de Sam Domingos, em Roma fundou o mosteyro de Sam Jeronimo e em Lisboa este em que se mandou sepultar». Teve um filho legitimado por carta real, Rodrigo Anes, e certamente o Gonçalo Anes referido acima como casado com Catarina Afonso.

1.1.2.3.2.3.   Catarina Esteves, freira em Stª Clara de Lisboa, documentada como irmã no testamento de João Esteves, onde se diz que já tinha falecido. 

1.1.2.3.2.4.   Gonçalo Esteves, ca 1325-, documentado como irmão no testamento de João Esteves. É certamente o que o Livro de Linhagens do séc. XVI diz que foi «priuado e camarejro moor» de D.Pedro I e a quem dá por filha Maria Gonçalves.

1.1.2.3.2.4.1.  Lourenço Gonçalves, alcaide-mor de Salvaterra (11.10.1372).

1.1.2.3.2.4.2.  Maria Gonçalves, ca 1350- , & João Afonso de Brito, o Velho, cavaleiro, morgado de Stº Estêvão de Beja, neto paterno do bispo de Évora D. Martinho Gil de Brito, falecido em 1374, sendo este D. Martinho irmão mais novo de D. João Afonso de Brito, bispo de Évora (1321) e de Lisboa (1326), falecido a 25.7.1341.

1.1.2.3.2.4.2.1.  João Afonso de Brito, o Novo, ca 1370-, morgado de Stº Estêvão de Beja. & ca 1410 Violante Nogueira, ca 1393-, herdeira do morgadio de S. Lourenço de Lisboa e da capela instituída por Pedro Pires em Elvas, filha sucessora de Afonso Anes Nogueira, -1426, do Conselho de D. João I, alcaide-mor de Lisboa, etc., e de sua mulher Joana Vaz de Almada; neta paterna do famoso doutor João das Leis, herdeiro do morgadio e capela instituída por Pedro Pires em Elvas, e de sua mulher Constança Afonso. De João Afonso e sua mulher foi filho sucessor Luiz de Brito, que a 16.2.1469 é confirmado por D. Afonso V na administração destes morgados e capelas, c.g. conhecida.

1.1.2.3.2.4.2.2.   Rodrigo Afonso de Brito

1.1.2.3.2.4.2.3.   Estêvão de Brito

1.1.2.3.3. João Rodrigues de Azambuja & (1ª vez) Tereza Mendes de Portalegre (a) & (2ª vez) Tereza Gil (b).

1.1.2.3.3.1.  (a) Álvaro Rodrigues de Azambuja, -/1384.

1.1.2.3.3.1.1. Lopo Álvares de Azambuja, escudeiro, senhor de Azambuja, etc. A 30.9.1384 D. João I doou-lhe o castelo, senhorio e morgado de Azambuja, de juro e herdade, então tirado a sua prima Urraca Fernandes e Álvaro Gonçalves de Moura, seu marido, acima, por terem seguido o partido de Castela. Neste documento o rei diz que «o dicto moorgado d azambuja segundo as condiçooes e maneiras que he fecto nom pode entanto seer confiscado per nos que delle nom deua e possa seer provendo aalguu da direita linhagem pois he cousa que sempre ha de ficar na linhagem dos sobredictos, o qual linhagem per nos nom pode ser privado do seu djreito Portanto nos por verdadeira enformaçam certa soubemos que o dicto lopo aluarez foe filho d aluaro rodriguez e neto de Joham rodriguez d azambuja os quaes eram djreitamente da dicta linhagem. Outrossy o dicto lopo aluarez he segundo coJrmaão da dicta orraca Ferrnandez assy a elle he e pode seer deuudo o dicto moorgado».

1.1.2.3.3.2.   (b) Maria Rodrigues & /1342 Pedro Afonso Ribeiro.

 

1.1.3.   Gil Esteves de Avelar, ca 1225-1293/, que deve ter co-herdado a honra e quintã de Macieira (hoje Vale de Cambra) e bens na Terra da Feira. Documenta-se com seu irmão Martim Esteves e sobrinhos em 1288 e 1293 numa questão relativa à igreja de Sanfins de Stª Mª. Como ficou dito, nas inquirições de D. Dinis de Julho e Agosto de 1284 documenta-se que Martim de Avelar seu irmão Gil Esteves, bem assim como Martim Anes e Rodrigo Afonso de Aragão, tinham um monte defeso em Loureiro (hoje freguesia de Oliveira de Azeméis), «e nom dam a el Rey quinhon desse monte nem desse montadigo nen'o seu homem nom ham hy herdade mays veem do linhagem e dizem que defendem mays desse monte ca sohiam». Nas mesmas inquirições documenta-se que fez casa de morada na vila de Valverde (Stª Mª de Ul, Oliveira de Azeméis), no lugar chamado Mortidi ou Murtidi, que fora de Martim de Aragão. Possivelmente é o Gil Esteves que era alvazil de Azambuja em 1270. & ca 1260 Dórdia Gonçalves, que seria sobrinha de João Gonçalves, cavaleiro de Maçada, referido adiante. O conde D. Pedro diz que D. Dórdia Gonçalves era filha de Afonso Gonçalves de Maçada e sua mulher D. Elvira Fernandes de Cabanões. Deve ser o Afonso Gonçalves de Maçada que nas inquirições de D. Dinis de 1284 é referido como tendo sido inquiridor e partidor do rei D. Afonso no julgado de Cambra, juntamente com Tomé Fernandes de Cabanões, certamente seu cunhado.

1.1.3.1.     Diogo Gil de Avelar, ca 1261-1338/, que em 1333 vivia na Terra da Feira. & ca 1313  Maria Anes de Cambra, ca 1297- (um sua irmã mais nova era freira em Arouca em 1327), filha de João Martins de Cambra e de sua 1ª mulher Mor Martins do Outeiro.

1.1.3.1.1.  Berengária Dias de Avelar, ca 1314-1374, tendo deixado um casal ao mosteiro de Grijó & ca 1330 (1ª vez) Martim Brandão (a) & (2ª vez) João Afonso de Sanir (b). Algumas genealogias tardias dão Martim Brandão filho do inglês Carlos Brandon, duque de Suffolk, o que é uma fantasia, além do mais anacrónica. O conde D. Pedro, embora não o filie, já refere este Martim Brandão e trata de vários indivíduos desta família, que já se documenta no séc. XII, ligada ao mosteiro de Lordelo. Nas inquirições de 1284 documenta-se um Martim Anes Brandão que tinha um casal na aldeia de Carvalhal de Oliveira, na freguesia de Romariz, julgado de Fermedo. D. Dinis (2, 107) legitimou um Lourenço Martins, filho de Martinho Brandão.

1.1.3.1.1.1.  (a) João Martins Brandão, ca 1331-1362/, alcaide-mor de Penamacor (1362). & /1351  Leonor Esteves de Medas, -1395/, com testamento de 1387, acrescentado em 1395.

1.1.3.1.1.2.  (a) Fernão Martins Brandão, ca 1333-/1401, alcaide-mor de Arronches (1.1.1363). Em 1369 foi-lhe coutada a herdade de Vale da Arca no termo de Montemor-o-Novo, morando então em Évora. A 21.3.1373 D. Fernando couta-lhe a sua herdade a par de Stª Margarida, no termo da cidade de Évora, onde vivia, o que a 10.6.1401 D. João I confirma a sua viúva e filhos, infelizmente não nomeados. Mas documenta-se como avô de Diogo Lopes Brandão, escudeiro da Casa do infante D. João, a quem D. Duarte confirma o dito couto de Évora a 28.3.1436.

1.1.3.1.2.  Estêvão Dias de Avelar, ca 1317-1393/, escudeiro e vassalo, senhor de juro e herdade de Povolide e Nespereira (10.12.1385) e de Oliveira de Currelos do Conde e da quinta de Stº André de Azurara da Beira (9.8.1384). A 13.2.1393 Gonçalo Vaz Coutinho teve confirmação de D. João I do senhorio de Povolide, no termo de Viseu, que lho tinha vendido Estêvão Dias de Avelar. & ca 1342 Senhorinha Afonso Furtado, ca 1321 -, filha de Afonso Fernandes Furtado e Maria Gonçalves de Moreira.

1.1.3.1.2.1.   Beatriz Esteves de Avelar, ca 1345-, que instituiu capela em Bustelo, & ca 1366 Gonçalo Peres Alcoforado, ca 1335-, alcaide-mor de Campo Maior (24.7.1357), vassalo de D. Pedro I, senhor da honra de Alcoforado e padroeiro do mosteiro de Bustelo, infanção padroeiro do mosteiro de Grijó (1365), co-senhor da quintã da Torre de Portocarreiro, filho de Pedro Martins Alcoforado, alcaide-mor de Elvas (24.7.1357), e de sua mulher Mor Gonçalves Camelo.

1.1.3.1.2.1.1.  Martim Gonçalves Alcoforado, ca 1365-, senhor de juro e herdade de Stª Cruz de Riba Longa (1.9.1384), senhor da honra de Alcoforado e torre de Bustelo, co-senhor da quintã da Torre de Portocarreiro, etc. D. João I deu-lhe a quinta de Recezinhos, no julgado de Stª Cruz de Riba Tâmega (L1, 43). & ca 1395 D. Maria (...).

1.1.3.1.2.1.1.1.  Fernão Martins Alcoforado, ca 1400-/1456/, senhor da honra de Alcoforado e torre de Bustelo, senhor de Mourisca e Aguieira (Águeda), co-senhor da quintã da Torre de Portocarreiro, etc. & 1ª vez Mécia Vaz, -1453/. & 2ª vez D.Maria da Cunha, sua prima, co-senhora da quinta da Torre de Portocarreiro, etc., já viúva do Dr. Martim do Sem e de Nuno Martins de Portocarreiro.

1.1.3.1.2.1.2.  Rui Gonçalves Alcoforado, ca 1367-/1434, que recebeu de Gil Vasques da Cunha os senhorios de Castro Vicente, Penas Róias e Bemposta, em Trás-os-Montes, confirmados pelo rei a seu filho.

1.1.3.1.2.1.2.1.  Martim Gonçalves Alcoforado, ca 1397-/15.51444, senhor e alcaide-mor de Penas Róias, senhor de Bemposta e Castro Vicente, senhorios e alcaidaria que D. Duarte lhe confirma a 21.1.1434 por morte de seu pai, e em que, por sua morte, sucede a 15.5.1444 seu filho, menor de idade, Rui Gonçalves Alcoforado. Este Rui Gonçalves Alcoforado, já referido como cavaleiro e criado do marquês de Valença, vendeu depois Penas Róias a Álvaro Pires de Távora, com carta de confirmação real de 2.2.1457. Já casado com Filipa Vasques, este Rui Gonçalves Alcoforado vendeu o senhorio de Bemposta a Vasco Fernandes de Sampayo, com carta real de confirmação de 2.10.1469.

1.1.3.2.    Sancha Gil de Avelar & Pedro Anes de Fafião, segundo o conde D. Pedro.

1.1.3.2.1.  Gonçalo Pires de Fafião & Guiomar Gonçalves Nogueira. O conde D. Pedro, que o apresenta como filho único, diz que teve filhos.

1.1.3.3.    João Gil de Avelar, ca 1267 -1337, meirinho-mor da Beira (1335) ou corregedor e vedor das justiças no meirinhado da Beira (1337). Em 1323 testemunhou uma doação ao bastardo real Fernão Sanches. & Aldonça Anes de Castelões, filha de João Martins de Castelões, segundo o conde D. Pedro, que não lhes aponta filhos.

 

2003

 


Siglas e Abreviaturas

& = casou com

Data antecedida de & = data de casamento

Data antecedida de hífen = data da morte

Data seguida de hífen = data de nascimento

Data antecedida de barra = antes da data apontada

Data seguida de barra = depois da data apontada

ca = cerca

s.g. = sem geração

leg. = legitimado por carta real

r. = referido a ou referência de

Notas

* Vide «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004, do autor deste estudo. A linha chefe dos Soveral manteve esta varonia até ao Dr. Rodrigo de Soveral de Carvalho e Vasconcelos, fidalgo da Casa Real (30.10.1703), desembargador da Relação do Porto, 11º morgado de S. Theotónio de Sernancelhe e 6º de Nª Sª do Pranto, 1º senhor  de juro e herdade da Lapa (17.12.1753), etc., que casou com D. Joana de Lemos e Souza Alcoforado, da Casa de Vila Pouca (Guimarães), mas não teve geração. Todos os irmãos deste Rodrigo faleceram também sem geração, a saber: João de Soveral de Carvalho e Vasconcelos, o primogénito, que foi capitão de Cavalaria, fidalgo da Casa Real (30.10.1703), cavaleiro da Ordem de Cristo, com tença de 88.000 reis (12.9.1701) e faleceu novo e solteiro; Frei José de Vasconcellos, cavaleiro professo da Ordem de Malta que foi governador de Angola (1758), também sem geração; Luiz Bandeira Galvão, governador de Castelo Rodrigo, casado sem geração. Com a extinção da varonia neste ramo, passou a representação para a irmã, D. Mariana de Vasconcellos e Soveral, que casou com seu primo José Manuel de Almeida Leitão, fidalgo da Casa Real, 11º morgado de Moçâmedes (Viseu), senhor da honra de Lamaçaes, mestre de campo dos Auxiliares de Pinhel, capitão-mor de Lafões, etc. Deste casal foi filho José de Almeida de Soveral e Vasconcellos, nascido em 1737, que foi governador e capitão-general de Angola, onde fundou a cidade de Moçâmedes, governador de Goiás (Brasil), do Conselho do Ultramar, fidalgo da Casa Real (27.3.1750), alcaide-mor de Barcelos, comendador de Stª Mª de Manteigas e de Stª Mª de Alcofra (Viseu) na Ordem de Cristo (2.11.1759), 12º morgado de Moçâmedes, 13º morgado de S. Theotónio de Sernancelhe e 8º de Nª Sª do Pranto, 2º senhor de juro e herdade da Lapa (20.4.1760), 1º barão de Moçâmedes de juro e herdade (13.8.1779) e 1º visconde da Lapa de juro e herdade (8.2.1805). Casou com D. Maria Antónia de Portugal e Souza, filha dos morgados de Mateus, e foram pais do 3º senhor, 2º visconde e 1º conde da Lapa de juro e herdade (31.8.1822), c.g. Nas outras linhas Soveral a varonia também se foi extinguindo, restando agora apenas um ramo com varonia Soveral, varonia essa hoje representada pelo autor deste estudo.

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