«Meirelles Barretto de Moraes 

das Casas do Pinheiro de Cête e do Outeiro de Mouriz»

Ensaio publicado na revista «Raízes e Memórias», órgão oficial da Associação Portuguesa de Genealogia, nº 14, Outubro de 1998 (corrigido e aditado)

Introdução 

Este pequeno estudo genealógico sobre uma família da nobreza rural do termo do Porto, inicia-se com um fidalgo minhoto que se estabeleceu em Cête na segunda metade do séc. XVI, numa casa que ainda não foi destruída e hoje se mantém com caseiros, mais ou menos com a arquitectura de então, de que se destaca a bela varanda colunada que dá para o pátio interior. Seu bisneto sucessor, Bento Barretto de Moraes, vem a casar com Brites de Meirelles Freire, cuja ascendência foi tratada, no artigo «O Descobridor do Congo e o apelido Cão»(1), pelo Prof. Doutor Luiz de Mello Vaz de São-Payo, que aí me manda actualizar a respectiva descendência... O que eu fiz na medida dos possíveis, resultando assim este pequeno estudo, para o qual tive a desinteressada ajuda do meu Amigo José Leão.

Como análise do conteúdo substantivo desta série genealógica, é de realçar a inicial ligação à administração local, sobretudo militar. Depois, no século XVIII, a quase inevitável ligação desta família duriense à produção e exportação de vinho do Porto. E, a partir de meados do século XIX, o retorno à administração pública local, desta feita sobretudo civil, a par das profissões liberais de formação universitária. Ao longo de todo este período é grande a ligação à Igreja, sobretudo às ordens de S. Bento e Stº Eloi. O uso de Dona para as senhoras desta família só começa, nos paroquiais, a partir dos finais do séc. XVII.

Finalmente, de registar a quase inexistência de títulos nobiliárquicos nesta família, mesmo no liberalismo, e da grande independência e autonomia que manteve em relação ao favor do Príncipe e às benesses do Terreiro do Paço...

 

 

§ único

I          FRANCISCO DE MORAES COGOMINHO(2), cavaleiro-fidalgo da Casa Real(3), foi o 1º senhor da casa e quinta do Pinheiro(4), bem assim como provavelmente da quinta da Covilhã(5), esta no lugar de Além (Cête), e de muitas outras propriedades em Cête e Mouriz, que lhe vieram pelo casamento. Viveu na primeira destas casas, sita no lugar do Pinheiro, em Cête (então freguesia e hoje lugar da freguesia Mouriz, concelho de Paredes, distrito do Porto), onde se tratou à lei da nobreza, com criados e escravos, como se documenta nos respectivos assentos paroquiais. Faleceu com mais de 80 anos de idade a 13.10.1616, ib, com testamento, sendo sepultado no mosteiro de Cête com um ofício de 21 clérigos. Tinha nascido em S. Romão de Mesão Frio (Guimarães) cerca de 1535 e era irmão de Fernão Gomes de Moraes Cogominho(6), escudeiro fidalgo da casa do infante Dom Luiz e depois da Casa Real (1556), fidalgo de Cota de Armas (22.4.1558), com carta de brasão para Moraes e Cogominho(7), etc., sendo ambos filhos(8) de Diogo Gomes de Moraes, também fidalgo da Casa Real, morador em S. Romão de Mesão Frio, e netos paternos de Fernão Gomes de Moraes, igualmente fidalgo da Casa Real, e de sua mulher e prima D. Isabel Mendes Cogominho, irmã de Cristóvão de Moraes Cogominho, filhos estes de Nuno de Moraes Pimentel(9), fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. Isabel Mendes Cogominho.

Casou cerca de 1570 na igreja do mosteiro de Cête(10) com MARIA BARRETTO, que terá nascido cerca de 1550 na cidade do Porto e já era falecida em 1586(11), muito herdada em Cête e Mouriz, que era irmã de João Monteiro Barretto e ambos filhos de António Monteiro, cidadão do Porto, juiz e recebedor das sisas de Aguiar de Sousa (hoje Paredes), etc., e de sua mulher Inez Barretto. Julgo ser este António Monteiro meio-irmão(12) de Álvaro Monteiro, fidalgo da Casa Real e de Cota de Armas (1543), cidadão e tabelião do Porto (1571), escrivão da Câmara (r. de 1576), etc., senhor da casa da Quintela, em Vila Nova (Arouca), portanto ambos filhos de outro Álvaro Monteiro, senhor da dita casa de Quintela, em Tarouca, cidadão e tabelião do Porto, cavaleiro fidalgo da Casa dos duques de Viseu (pais de Dom Manuel I), etc., e de sua 1ª mulher Filipa de Almeida (filha de Rui Lopes de Almeida, alcaide-mor de Freixo de Numão); e neta paterna de Gonçalo Monteiro, cavaleiro fidalgo da Casa dos duques de Viseu, cidade onde viveu, senhor do solar dos Monteiro em Penaguião, etc., e de sua mulher Isabel Rodrigues de Vasconcellos, senhora da dita casa da Quintela, sendo ela filha herdeira de Rui Gonçalves de Sequeira e de sua mulher Inez de Vasconcellos, filha de Luiz Vaz Cardoso, senhor da honra e quintã de Cardoso em S. Martinho de Mouros, e de sua mulher Leonor de Vasconcellos.

Inez Barreto(13), que ficou acima e terá nascido no Porto certa de 1525, julgo ser a filha mais nova(14) dos doze filhos(15) de Fernão Nunes Barretto, cidadão do Porto, 4º senhor de juro e herdade de Gafanhão (Castro Daire), senhor dos coutos de Freiriz (Vila Verde) e Penagate (Amares) com todos os seus padroados, senhor da quinta de S. João da Madeira, etc., e de sua mulher Isabel Ferraz, natural do Porto, filha de Afonso Rodrigues de Laborão, cidadão do Porto, e de sua mulher Brites Ferraz, filha esta de Afonso Ferraz(16), chefe desta linhagem, cidadão do Porto e nesta cidade senhor da casa dos Ferraz na rua das Flores, fidalgo da Casa do príncipe Dom João (futuro Dom João II) e seu tesoureiro, senhor morgado de Paço Covo (S. Cristóvão de Refojos) e dos padroados de S. Cristóvão de Refojos (Santo Tirso), Stª Marinha de Penamaior (Paços de Ferreira) e S. Tiago de Lustosa (Lousada), etc., e de sua mulher Isabel Fernandes Andorinha. Aquele Fernão Nunes Barretto era filho de João Nunes Cardoso de Gouvea, 3º senhor de juro e herdade de Gafanhão (confirmações de 24.12.1505 e de 24.9.1528), cavaleiro da Ordem de Cristo, morador em Aveiro, etc., e de sua mulher Leonor Gomes Barretto, senhora dos Coutos de Freiriz e Penagate; neto paterno de Fernão Nunes Cardoso (17), fidalgo da Casa do infante Dom Henrique, 2º senhor de juro e herdade de Gafanhão (Castro Daire), senhor do couto de Besteiros (Viseu) e sua torre do Quintal, senhor das honras do Telhado e do Real, etc., e de sua 1ª mulher Catarina Pires do Quental; e neto materno de Nuno Gil Barretto(18), senhor dos Coutos de Freiriz e Penagate, e de sua mulher Beatriz de Quadros.

Filhos:

1(II) Diogo Gomes de Moraes, que segue.

2(II) Francisco, crismado a 7.1.1587 no mosteiro de Cête, s.m.n.

3(II) Jerónima de Moraes, que viveu na quinta da Lage, em Parada de Todeia, sendo ela e seu marido «de nobre sangue e cidadãos da cidade do Porto». C. em 1606 c. Gaspar Barbosa de Leão(19), senhor da dita quinta, onde fal. antes de Novembro de 1609, filho de António de Leão da Fonseca, senhor da dita quinta, e de sua mulher Cecília Fernandes; neto paterno de Gaspar Barbosa e de sua mulher Beatriz de Leão.

Filho:

1.3(III) Capitão Francisco Barbosa de Moraes, que sucedeu como senhor da quinta da Lage, onde n. a 29.5.1607 e fal. a 10.3.1692, tendo c. a 24.1.1622 c. Ana da Fonseca, senhora do casal das Quintãs e outros, em S. Vicente do Pinheiro, c.g. nos morgados da Quintã.(20). 

4(II) Inez Barretto, que vivia solteira na casa do Pinheiro quando em 1611 é madrinha de baptismo de sua sobrinha Jerónima.

5(II) Maria Barretto de Moraes, que n. na casa do Pinheiro cerca de 1578 e deve ter herdado de seus pais a quinta da Covilhã, onde provavelmente viveu e onde uma sua filha aparece mais tarde a viver. C. a 11.6.1600, ib, c. Vicente Carneiro Borges, irmão do padre Gaspar Beleago, ambos filhos de Pedro Borges Carneiro e de sua mulher Guiomar da Cunha, moradores na sua quinta do Real, prazo que o mosteiro de Paço de Souza lhes confirmou em 3ª vida em 1608; neto paternos de Manuel de Carvalho e de sua mulher D. Maria Carneiro, 2ª senhora do prazo da quinta do Real, em que sucedeu a seu pai Diogo Alvares Beleago, a quem o mosteiro de Paço de Souza emprazou a quinta do Real em 1530. Aquela Guiomar da Cunha era irmã do padre Jerónimo da Cunha, abade do mosteiro de Cête, onde fal. a 29.6.1671, e de Pedro da Cunha, senhor da quinta de Subcarreira, em Ermegilde (Paço de Souza), que fez justificação da sua nobreza a 8.2.1617, no tabelião Manuel Pereira Barbosa, todos filhos de Pedro da Cunha e netos paternos do padre Jerónimo de Ozorio, fidalgo da casa do cardeal-rei Dom Henrique, que foi abade de S. Martinho de Lagares.

Filhos:

1.5(III) Padre Bento Carneiro de Moraes, reitor de S. Martinho de Parada de Todea, n. a 3.9.1608 em Cête e foi crismado a 24.10.1621 no mosteiro de Cête com suas irmãs Escolástica e Maria.

2.5(III) Francisco, n. a 21.11.1609, ib, e fal. menino.

3.5(III) Sebastiana, n. a 21.8.1611, ib, e fal. menina.

4.5(III) Guiomar, n. a 15.3.1612, ib, e fal. menina.

5.3(III) Escolástica de Moraes Barretto, crismada a 24.10.1621, ib, com seu irmãos Bento e Maria. Sucedeu a sua tia paterna Isabel Borges da Cunha no prazo da quinta do Real, em Paço de Souza. Casou a 11.11.1644, ib, pelo dito seu irmão, com João Ribeiro Cabral, que sucedeu no prazo da quinta do Real por escritura de 1.4.1662.

Filho:

1.5.3(IV) Bento Cabral de Moraes, 7º senhor do prazo da quinta do Real, por escritura de 19.11.1674 no tabelião Manuel de Souza. C.c. Maria de Andrade e foram pais de Alexandre Ribeiro Cabral, sucessor na quinta do Real (29.11.1705), que deixou sucessora (testamento de 3.6.1762 no tabelião António Machado de Miranda) sua filha D. Tereza de Moraes Barretto, que c.c. (escritura de dote 24.2.1766 no tabelião Agostinho Manuel da França) João Barbosa da Silva Leão, da freguesia de Parada, s.m.n.

6.3(III) Maria Barretto de Moraes, n. a 25.11.1615, ib, tendo por madrinha de baptismo sua tia Escolástica Brandão e crismada a 24.10.1621 com seu irmãos. Sucedeu na quinta da Covilhã, onde viveu e fal. a 1.8.1699. C. a 29.11.1651 c. Manuel Lopes de Sousa, n. em S. Pedro de Ferreira, que viveu com sua mulher na quinta da Covilhã, onde fal. a 11.4.1703, filho de Simão de Souza, tesoureiro de S. Pedro de Ferreira.

Filho:

1.6.3(IV) Diogo Lopes Barretto de Moraes, que sucedeu como 4º senhor da quinta da Covilhã, onde n. a 10.11.1652 e fal. a 1.9.1720. C. cerca de 1688 c. Maria Barbosa de Andrade, n. em Barreiros (Paço de Sousa), senhora da quinta do Covo, em Mouriz, filha de Pedro Barbosa e de sua mulher ângela Rodrigues.

Filhos:

1.1.6.3(V) Hipólito Barretto de Moraes, sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Sousa, fidalgo de Cota de Armas, com carta de brasão para Moraes, Barretto, Barbosa e Andrade, que sucedeu como senhor da quinta do Covo. N. a 13.8.1689 na quinta da Covilhã e c. c. Ana Maria Coelho Ferraz, filha de Pedro Coelho e de sua mulher e prima Maria Coelho Ferraz.

Filha:

1.1.1.6.3(VI) D. Maria Eusébia Barretto de Moraes, que sucedeu como senhora da quinta do Covo, onde c.c. Bernardo José de Mattos de Sottomayor e Noronha(23), fidalgo cavaleiro da Casa Real, senhor da quinta do Paço, em S. João de Eiriz (Paços de Ferreira), filho de Baltazar de Mattos de Sottomayor e Noronha, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor da dita quinta do Paço, capitão-mor de Ferreira e Refoios, etc., e de sua mulher D. Asensia Maria de Sá Falcão Aranha. C.g.  

2.1.6.3(V) Padre José Lopes Barretto de Moraes, que viveu na quinta da Covilhã

3.1.6.3(V) D. Maria Barretto de Moraes, fal. solt.

4.1.6.3(V) D. Clara Maria Barretto de Moraes, que sucedeu a seus irmãos padres como 5ª senhora da quinta da Covilhã, onde nasceu. C. cerca de 1720 c. o Cap. Manuel Vieira Borges, n. em S. Vicente de Irivo (Penafiel), filho de António Vieira e sua mulher Susana Borges.

Filho:

1.4.1.6.3(VI) Manuel Estêvão Barretto de Moraes e Andrade Vieira de Barbosa, sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Souza, fidalgo de cota de armas, que sucedeu como 6º senhor da quinta da Covilhã, onde n. a 26.12.1721. C. a 4.11.1748, ib, c. D. Florência Ventura de Faria Leite de Bragança(25), filha de Hipólito de Meirelles Afonso Fayão, fidalgo cavaleiro da Casa Real, senhor da casa da Nogueira, ib, e de sua mulher D. Margarida de Faria Leite. C.g. 

5.1.6.3(V) Padre Jacinto Lopes Barretto de Moraes, que viveu na quinta da Covilhã.

6.1.6.3(V) Padre Dr. Henrique Lopes Barretto de Moraes, abade de Mouriz.

 II       DIOGO GOMES DE MORAES(26), fidalgo cavaleiro da Casa Real, sucedeu como 2º senhor da casa e quinta do Pinheiro e varias outras propriedades de seus pais. Nasceu cerca 1575, foi crismado a 7.1.1587 e faleceu velho a 15.8.1652, sendo sepultado no mosteiro de Cête. Na habilitação para o Stº Ofício (1701) de seu neto, várias testemunhas documentam a sua Nobreza, como é o caso do padre Jordão da Cunha, morador na quinta da Quebrada, em Mouriz, de 66 anos, que diz ter ainda conhecido bem Diogo de Moraes e sua mulher, sendo «pessoas mtº nobres, e elle grande cavaleiro, que viverao de suas fazendas». Casou em 1607 certamente em Paço de Sousa(27), teria ele já 32 anos e ela apenas 19 anos de idade, com ESCOLÁSTICA BRANDÃO, nascida cerca de 1588 em Paço de Sousa conforme garantem as citadas testemunhas, e falecida quase centenária a 18.4.1675 na casa do Pinheiro, sendo sepultada com seu marido no mosteiro de Cête. Era, tudo o indica, filha de Francisco Brandão Borges, morador em Paço de Sousa, que teve carta de armas a 26.4.1584 para Brandão e Borges, com um cardo de prata florido de verde por diferença, filho de Pedro Brandão Borges e neto de Pedro Brandão e sua mulher Maria Borges. Este Pedro Brandão foi senhor das quintas da Quebrada de Valbom e de Borbeches, ambas em Paço de Souza, prazos que o mosteiro lhe confirmou em 3ª vida respectivamente em 1570 e 1568, e casou com Catarina Lopes. Sua mães, Maria Borges, e sua avó Aldonça Borges, tiveram respectivamente a 2ª (1552) e 1ª vida (1514) nos ditos prazos. Diogo Brandão(28), deve ser o que foi filho e sucessor de outro Diogo Brandão(29), comendatário de Guilhabreu na Ordem de Cristo, senhor da quinta de Avintes, etc., e de sua mulher D. Mécia de Faria, filha do comendatário de Cête Simão de Faria.

Filhos:

1(III) Padre Diogo Gomes de Moraes, reitor de S. Paio (Penafiel), que n. em 1609, provavelmente em Paço de Souza, pois o respectivo assento não aparece em Cête, onde contudo foi crismado a 24.10.1621 com suas irmãs Maria e Jerónima.

2(III) Maria Barretto de Moraes, n. em 1610, provavelmente em Paço de Sousa, sendo crismada a 24.10.1621 com seus irmãos Diogo e Jerónima. C. a 9.5.1641 no mosteiro de Cête c. Nicolau de Freitas, de quem não deve ter tido geração, pois foi herdeira sua irmã mais nova.

3(III) Jerónima de Moraes Cogominho, n. a 11.9.1611 na casa do Pinheiro, onde fal. solteira. Crismada a 24.10.1621 com seus irmãos Diogo e Maria.

4(III) Sebastiana de Moraes Barretto, que segue.

III        SEBASTIANA DE MORAES BARRETTO, que sucedeu como 3ª senhora da casa e quinta do Pinheiro, onde viveu, e em mais propriedades de seus pais. Foi baptizada a 28.1.1625 no mosteiro de Cête pelo seu vigário Frei Manuel de S. Nicolau, sendo padrinhos seu primo Francisco Barbosa de Moraes e sua tia Maria Barretto. Faleceu com apenas 50 anos de idade a 18.4.1675, sem testamento, sendo sepultada no mosteiro de Cête com um ofício de dez padres. Ela e seu marido foram «pessoas mui nobres e principais desta freguesia, que viveram de suas fazendas», como se documenta no citado processo de familiar do Stº Ofº de seu filho. Casou a 2.2.1660 no mosteiro de Cête, tinha ela já 35 anos de idade e ele apenas 28 anos incompletos, com DOMINGOS FERREIRA DA FONSECA(30), capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa(31), onde foi várias vezes juiz ordinário e vereador do Senado da Câmara. Nasceu a 25.4.1632 na quinta do Prazo do Outeiro, em Cête, e viveu casado na casa do Pinheiro, tendo falecido antes de 1701. Era filho de Santos Ferreira da Fonseca(32), também capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa, senhor da dita quinta do Prazo do Outeiro, onde nasceu a 12.11.1589, vindo a falecer a 26.11.1664 na casa do Pinheiro, e senhor do casal de Cella, ib, que o mosteiro de Paço de Souza lhe emprazou(33) a 10.11.1634, etc., e de sua mulher (casados a 29.10.1629 em Mouriz) Águeda Antónia Teixeira, nascida na casa do Bairro, em Mouriz, e falecida a 23.9.1682 na casa do Pinheiro (irmã do alferes João Teixeira, senhor da casa do Bairro, em Mouriz, referido no nº V); neto paterno de Joana da Fonseca(34), senhora da dita quinta do Prazo, e de seu marido Santos Ferreira o Velho(35), também capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa (era-o em 1608), nascido cerca de 1555 em Paços de Ferreira e falecido a 18.5.1616(36) em Cête, que tudo indica era tio do capitão-mor de Paços de Ferreira Baltazar Ferreira e, portanto, irmão de Baltazar Fernandes Ferreira, que faleceu a 29.3.1617 na sua casa da Quintã de Paços de Ferreira e que na justificação de nobreza de um seu neto se diz descender dos senhores de Ferreira. Estes Santos Ferreira e Baltazar Fernandes Ferreira deviam ser filhos de outro Baltazar Ferreira(37) e sua mulher Catarina Vieira, que em 1541 eram senhores dos prazos do Outeiro de Miram e do Carvalho, foreiros à Mitra do Porto, ambos na freguesia de Santa Cruz e sub-emprazados a caseiros. E todos estes eram certamente descendentes de Estêvão Ferreira, documentado em Cête em 1368, como filho de Martim Ferreira, cavaleiro de Vila Verde, e sua mulher Ouroana Martins, que instituíram capela no mosteiro de Cête.

Filho:

1(IV) Bento Barretto de Moraes, que segue.

IV       BENTO BARRETTO DE MORAES(38), que sucedeu como 4º senhor da casa e quinta do Pinheiro e demais propriedades de seus pais. Foi baptizado a 9.1.1661 no mosteiro de Cête, tendo por padrinho seu primo o padre Inácio Barbosa de Moraes, e faleceu a 9.8.1729, ib, com 68 anos de idade, deixando testamento e sendo sepultado na igreja do mosteiro de Cête, no seu jazigo «por cima das grades», com três ofícios de 20 padres cada um e a obrigação de lhe rezarem pela alma 100 missas «de tostão cada uma». Várias vezes juiz ordinário do concelho de Aguiar de Souza e vereador do Senado da Câmara, foi familiar do Stº. Ofº. (5.5.1701), em cujo processo(40) de habilitação as testemunhas dizem dele que «he homé nobre, e dos principaes da terra», acrescentado que «he pessoa de boa vida e costumes, juizo e capacidade pera delle se poderem fiar negocios de muito segredo, e importancia como os do Stº Ofº, e conhece delle que todos os que lhe forem incarregados dará boa conta e satisfação, porquanto tem sido juiz do concelho nesta Terra, e serviu com grd. inteireza e satisfação, e que sabe bem ler e escrever e vive mtº limpa e abastadamente de suas quintas». Casou em finais de 1684, em paróquia ainda indeterminada(41), tinha ele 23 anos e ela 25 anos de idade, com BEATRIZ DE MEIRELLES FREIRE(42), nascida a 2.9.1659 na quinta de Rio de Moinhos, em S. João de Covas (Lousada), e falecida a 8.5.1737 na casa do Pinheiro, com 78 anos de idade, após quatro meses de doença, sendo sepultada junto a seu marido, com três ofícios de 20 padres cada um. Era filha de Domingos de Meirelles Freire, capitão da Ordenança de S. João de Covas, senhor da dita quinta de Rio de Moinhos, onde faleceu a 20.5.1675, etc., e de sua 2ª mulher (casados a 12.6.1651 em S. Pedro de Raimonda) Leonor Neto (de Sottomayor) (43), falecida a 20.5.1675 na quinta de Rio de Moinhos; neta paterna de Domingos Gaspar Moreira(44), senhor da casa da Louzã, no lugar da Granja, freguesia da Gândara (hoje Gandra), concelho de Paredes (então Aguiar de Sousa), e de sua mulher Águeda Freire de Meirelles, senhora da dita quinta de Rio de Moinhos, onde nasceu cerca de 1557 e onde ambos viveram(45); neta materna de João Neto (de Sottomayor), senhor da quinta da Igreja, em S. Pedro de Reimonda (Paços de Ferreira), que a tradição genealógica diz descendente de um fidalgo galego, e de sua mulher Senhorinha Vaz, «pessoas honradas que viviam de suas fazendas».

Filhos:

1(V) D.Sebastiana Teresa de Meirelles Barretto de Moraes, que segue.

2(V) Frei Doutor Bento Barretto de Moraes, cónego regrante de S. João Evangelista, no mosteiro de Stº Eloi do Porto, onde vivia em 1721 com o nome de Frei Bento da Nactividade, sendo «famoso Pregador». N. a 22.10.1690 na casa do Pinheiro, tendo por padrinho de baptismo seu tio materno o Cap. Domingos de Meirelles Freire.

3(V) Frei Caetano de Moraes Barretto, também cónego regrante de Stº Eloi, bat. a 6.4.1694, ib, tendo por padrinhos seus primos o Doutor António Pinheiro da Silva e Escolástica de Moraes Barretto, moça solt., filha do Cap. Jerónimo Rodrigues Borralho e de sua mulher Isabel de Moraes Barretto, moradores em Paço de Sousa.

V        D. SEBASTIANA TERESA DE MORAES BARRETTO(46), que sucedeu como 5ª senhora da casa e quinta do Pinheiro e demais propriedades de seus pais. Foi baptizada a 2.9.1685 no mosteiro de Cête, tendo por padrinho seu primo Diogo Lopes Barretto de Moraes, já referido no nº 1.2(IV), e faleceu a 14.3.1748, ib, com 62 anos de idade, sendo sepultada na igreja do mosteiro de Cête no seu jazigo «por cima das grades», com três ofícios de 30 padres cada um. Casou a 30.12.1700 na igreja do mosteiro de Cête, tinha ela apenas 15 anos de idade e ele 17 anos, com seu primo FRANCISCO DA ROCHA ARANHA(47), que «sendo estudante de Filosofia se casou por amores»(48), e que veio a suceder a seu sogro e primo como capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Souza, nascido em 1683 e falecido a 24.4.1761, com 77 anos de idade, na casa do Pinheiro, onde viveu com sua mulher, com testamento feito no tabelião de Baltar Agostinho Manuel de F., sendo sepultado junto a sua mulher com três ofícios de 30 padres cada um. Era filho sucessor do Dr. João da Rocha Teixeira, cavaleiro da Ordem de Cristo, licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra e habilitado ao serviço de Sua Majestade (9.7.1666), juiz de fora em Vila Nova de Cerveira (3.7.1667), Coimbra e Estremoz, corregedor de Castelo Branco, onde faleceu nomeado corregedor, inquiridor e distribuidor do juízo da Índia e Mina (9.9.1683), senhor da casa de Vilela, em Stª Mª Madalena (Paredes, então Aguiar de Sousa), etc., e de sua mulher D. Tereza de Brito Aranha, natural da cidade do Porto (Padrão - Vitória), e irmã do abade de Canelas (Maia) padre António de Brito Ferreira Aranha; neto paterno de João Teixeira(49), alferes da Ordenança de Mouriz, senhor da casa do Bairro, ib, etc., e de sua mulher (casados a 1.1.1635 em Stª Mª Madalena de Paredes) D. Isabel da Rocha Moreira, filha de António da Rocha, senhor da dita casa de Vilela, e de sua mulher (casados a 29.2.1594 em Castelões de Cepeda) Isabel Gaspar Moreira(50), filha de Gervásio Gaspar Moreira (irmão de Domingos Gaspar Moreira, referido no nº IV) e de sua mulher Isabel Pires, senhora da casa da Ponte de Cepêda (Paredes). A 25.10.1686 os filhos do Dr. João da Rocha Teixeira tiveram mercê de D. Pedro II (RGM, 3, 95v) para receberam os 30.000 reais efectivos da tença da Ordem de Cristo de seu pai, além de 15.000 para sua filha D. Isabel

Filhos:

1(VI) D. Francisca Caetana Maria, freira no convento de S. Bento de Avé Maria, no Porto, onde ainda vivia em 1799. N. a 20.9.1708 na casa do Pinheiro e foi bat. a 29 no mosteiro de Cête, tendo por padrinhos sua avó Brites de Meirelles Freire e seu primo o morgado de Louredo José Monteiro Moreira.

2(VI) Frei Doutor João de S. Teotónio Barretto de Moraes, cónego regrante de S. João Envangelista, n. a 19.9.1710 na casa do Pinheiro, tento como padrinho de bat. o padre Luiz de Carvalho de Meirelles, abade de Cête, e sua avó materna Beatriz de Meirelles Freire.

3(VI) Padre António de Brito Ferreira Aranha, reitor de S. Cristóvão do Muro (Penafiel), onde sucedeu a seu tio-avô paterno.

4(VI) Bernardo de Meirelles Freire Barretto de Moraes, que segue.

5(VI) Luiz da Rocha Barretto de Moraes, n. a 8.2.1719 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seus tios paternos Frei Luiz de S. Bernardo, cónego secular de S. João Evangelista, e D. Joana Tereza dos Anjos, freira no convento da Monchique, no Porto. Fal. solt., ib.

6(VI) D. Teresa Maria de Brito, freira no convento de Vairão, onde ainda vivia em 1799. N. a 23.4.1721 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seu avô materno Bento Barretto de Moraes e sua tia paterna D. Francisca Clara.

7(VI) D. Helena Joana, n. a 12.4.1724, ib, e bat. a 19, tendo por padrinhos seus primos-direitos Braz de Souza Delgado e D. Joana Isabel de Souza Aranha, freira no convento de S. Bento de Avé Maria, no Porto.

8(VI) D. Margarida Tereza, n. a 11.10.1726 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seu tio materno o cónego Dr. Bento Barretto de Moraes e sua prima-direita D. Margarida Tereza de Souza Delgado. Fal. criança.

9(VI) D. Margarida, n. a 25.10.1727 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. Hipólito de Meirelles Afonso Fayão, fidalgo da Casa Real, referido no nº 1.4.1.2(VI), e sua prima D. Clara Maria Barretto de Moraes, referida no nº 4.1.2(V).

VI       BERNARDO DE MEIRELLES FREIRE BARRETTO DE MORAES(51), que sucedeu como 6º senhor da casa e quinta do Pinheiro, onde nasceu a 29.4.1716, sendo baptizado a 6 de Maio no mosteiro de Cête, tendo por padrinhos seus tios paternos o padre Bernardo de Meirelles Freire e D. Isabel Dorothea Aranha casada com o Dr. João de Souza Delgado, cavaleiro da Ordem de Cristo, vereador do Senado da Câmara do Porto, etc. Viveu casado na quinta de Sermanha(52), em Sedielos (Régua), que teve por sua mulher, onde foi grande produtor e exportador de Vinho do Porto e faleceu a 5.7.1786, com 70 anos de idade, sem testamento, indo a sepultar no dia 7 na igreja matriz, vestindo o hábito de S. Francisco. Casou presumivelmente em Vila Marim(53) (Mesão Frio) em 1767, tinha ele já 51 anos e ela só 22 anos de idade, com D. CLEMÊNCIA ÁGUEDA PEREIRA DA FONSECA E MENEZES, nascida em 1745 em Vila Marim, que herdou a dita quinta de Sermanha, onde viveu e faleceu viúva a 2.2.1816, com 71 anos de idade, sendo sepultada com seu marido na igreja matriz. Deixou testamento, no qual diz que teve cinco filhos adultos, que nomeia, dos quais diz que já faleceram Francisco Xavier, D. Maria e D. Ana, e onde deixa herdeiros os netos, filhos daquela D. Maria, referida abaixo, dos quais nomeia no terço D. Margarida e D. Maria, com a obrigação de mandarem rezar 40 missas por sua alma, de seu marido e de seu irmão António José, para além de outras missas que deixa por obrigação a seus filhos Bernardo e D. Tereza. Mais declara que tinha feito uma escritura de dote de todos os seus «bens de Prazo» pertencentes à casa de Sermanha para o casamento de sua filha D. Maria. D. Clemência Águeda era filha do Cap. Domingos Lourenço Pereira, senhor da quinta de Vila Cova, em Vila Marim (Mesão Frio), capitão da Ordenança de Mesão Frio, etc., e de sua mulher D. Sebastiana Luiza da Fonseca e Menezes(55), senhora da dita quinta de Sermanha, em Sedielos, onde faleceu viúva, com 80 anos de idade, a 1.3.1781, deixando herdeira esta sua filha.

Filhos:

1(VII) José, que fal. a 11.12.1777, na quinta de Sermanha, tendo de 8 para 9 anos de idade. Terá assim nascido nos finais de 1768, mas o seu registo de baptismo não aparece em Sedielos nem ele é naturalmente referido no testamento de sua mãe.

2(VII) D. Maria Isabel de Menezes e Meirelles Barretto de Moraes, que segue.

3(VII) Francisco Xavier de Meirelles e Menezes, que n. em 1772 e sucedeu com 7º senhor da casa do Pinheiro. Viveu na quinta de Sermanha, onde fal solteiro a 11.8.1799, com 27 anos de idade, sendo sepultado com seu pai na igreja matriz, vestindo o hábito de S. Francisco. Fez testamento, no qual deixa a obrigação de 200 missas e três ofícios cantados no dia do seu falecimento e nomeia sua irmã D. Maria herdeira de todos os seus bens livres e prazos. Deixa ainda a 12 pobres do lugar de Sermanha um cruzado para cada um.

4(VII) D. Ana, n. a 8.2.1775, ib, tendo por padrinhos de baptismo o Cap. Manuel Cardoso e sua mulher D. Theodósia, moradores em Vila Marim. Fal. solteira na quinta de Sermanha, com 25 anos de idade, a 24.3.1799, sendo sepultada na igreja matriz.

5(VII) D. Tereza Maria, n. a 10.5.1777, ib, tendo por padrinhos de baptismo Francisco de Almeida Carvalhaes e sua tia paterna D. Tereza Maria de Brito. Fal. solt. depois de 1816.

6(VII) Bernardo António de Meirelles Barretto de Moraes(56), n. a 10.8.1779, ib, tendo por padrinhos de baptismo a avó materna e o tio materno António José da Fonseca e Menezes. Viveu solteiro na casa de Sermenha, onde faleceu a 19.11.1821, com 42 anos de idade, deixando «disposições verbais», segundo as quais nomeava herdeiro universal seu sobrinho José António, com a obrigação de lhe rezarem as missas de corpo presente e mais 20 missas de 120 reis cada uma.

7(VII) D. Antónia, n. a 17.2.1781, tendo por padrinhos de baptismo sua irmã D. Maria e seu tio materno António José da Fonseca e Menezes. Fal. dois anos depois, a 1.10.1783, ib

VII       D. MARIA ISABEL DE MENEZES MEIRELLES BARRETTO DE MORAES(57), que sucedeu a seu irmão Francisco Xavier como 8ª senhora da casa e quinta do Pinheiro e a sua mãe com senhora dos prazos da quinta de Sermanha, que levou por dote em escritura antenupcial. Viveu na dita casa de Sermanha, onde nasceu a 23.10.1770, tendo por padrinhos de baptismo seu tio paterno o cónego Doutor João de S. Teotónio Barretto de Moraes e a tia materna D. Isabel Rosa da Fonseca e Menezes, e veio a falecer, já viúva, com apenas 44 anos de idade e sem testamento, a 21.1.1815, sendo sepultada no dia 23 na igreja matriz, com uma missa cantada de 26 padres. Casou a 25.7.1796 na capela de Stº António da quinta de Sermanha, tinha ela 26 anos e ele apenas 21 anos, tendo por padrinho seu tio materno o capitão-mor José Roiz Carneiro Borges(58) com JOSÉ ANTÓNIO VIDAL DA CUNHA REIS (59), nascido em 1775 em Vila Nova de Gaia e falecido «de um tiro»(60) em Sedielos, a 1.3.1803, sem testamento, sendo sepultado na igreja matriz. Foi produtor e exportador de vinho do Porto e era filho de João António Vidal, senhor da casa de Cima do Muro, em S. Nicolau, na cidade do Porto, grande exportador de vinho do Porto, etc., e de sua mulher Clara Maria de Jesus da Cunha Reis; neto paterno de Domingos Vidal e de sua mulher Isabel Duarte, moradores em Nozedo (Braga); neto materno de Rosa Maria de Jesus e de seu marido Fernando da Cunha Reis, também exportador de vinho do Porto, cidade onde vivia na dita casa de Cima do Muro, em S. Nicolau, e que era tio de António José da Cunha Reis da Mota Godinho, igualmente grande produtor e exportador de vinho do Porto, fidalgo de Cota de Armas (C. de 6.12.1815 para Cunha, Mota e Godinho), senhor da quinta da Vacaria, na Régua, etc.

Filhos:

1(VIII) D. Maria Isabel, n. a 14.6.1798 na quinta de Sermanha, onde fal. dois anos depois, a 3.9.1800, sendo sepultada na igreja matriz. Foram seus padrinhos de baptismo o tio Francisco Xavier e a avó D.Clemência Águeda.

2(VIII) D. Margarida Cândida de Meirelles Vidal Barretto, n. a 3.1.1800, ib, tendo por padrinhos de baptismo o avô João António Vidal e D.Ana Joaquina de Souza, da casa do Lameiro, e fal. a 12.7.1867, ib. C. contra a vontade da família, a 7.5.1835, ib., c. Francisco Pinto de Mesquita, n. em 1796 e fal. com 86 anos de idade a 27.3.1883, ib, já viúvo. Era irmão do cura de Sedielos o padre António Pinto de Mesquita, fal. com 25 anos de idade a 7.7.1838, ib, ambos filhos de José Pinto de Mesquita e de sua mulher Ana Pinto de Carvalho; neto paterno de António Pinto de Mesquita e de sua mulher Maria Guedes, moradores em Sermanha; e neto materno de Manuel da Silva e de sua mulher Ana Pinto de Carvalho, moradores em Portela (Mondim).

Filhas:

1.2(IX) Maria, n. a 21.4.1836, em Sedielos, tendo por padrinhos de baptismo os tio paternos José Pinto de Carvalho e Maria Rita, moradores em Alvações do Corgo. Deve ser a Maria Pinto de Meirelles c.c. Manuel de Freitas e Silva, senhor da quinta do Outeiro do Carvalho, em Sedielos, onde fal. a 24.5.1891 com 80 anos de idade. Destes foram filhos José Pinto de Freitas e Meirelles, fal. a 10.2.1908 na dita quinta do Outeiro, com 55 anos de idade, deixando filhos e viúva sua mulher Maria Emília; António Pinto de Freitas e Meirelles, morador no lugar de Sernanha, que de sua mulher D. Maria da Conceição teve pelo menos uma filha, Margarida, fal. com 8 dias de idade a 19.12.1886, ib.; e Manuel de Freitas e Meirelles que a 18.7.1887, ib, c.c. D. Maria Dias da Costa.

 2.2(IX) Ana, n. a 23.3.1838, ib, tendo por padrinhos de baptismo os tios paternos Manuel Pinto de Mesquita e Maria da Piedade. S.m.n. Parece ser a D. Ana Augusta de Meireles que c.c. Inácio de Almeida de Meirelles, proprietário em S. Miguel de Lobrigos, dos quais foi filha uma D. Maria da Conceição de Meirelles, também aí proprietária, que c.c. Salvador Pinto Mourão (filho de Joaquim Pinto Coutinho e de sua mulher D. Tereza de Jesus Pinto Mourão, proprietários em Sedielos), casal que viveu em Sedielos e aí lhe nascem vários filhos entre 1875 e 1880. 

3(VIII) José António de Meirelles Vidal Barretto de Moraes, que segue.

4(VIII) D. Maria Benedita de Meirelles, n. a 21.6.1802, ib, tendo por padrinhos de baptismo Raimundo José de Carvalho e D. Maria Madalena de Carvalho, por procuração do Cap. Manuel António de Carvalho, todos de Oliveira (Mesão Frio). Viveu na casa de Sermanha, onde fal. solteira, com 84 anos de idade, a 24.5.1889, sendo sepultada no adro da igreja matriz e deixando herdeira sua sobrinha D. Margarida Máxima.

VIII      JOSÉ ANTÓNIO DE MEIRELLES VIDAL BARRETTO DE MORAES, que ficou António José de Meirelles Vidal Barreto de Moraesórfão de pai aos 3 anos e de mãe aos 15 anos de idade, sucedeu a sua mãe como 9º senhor da casa do Pinheiro e senhor dos prazos da quinta de Sermanha, sendo depois herdeiro universal de sua avó materna, de seu tio Bernardo e de suas irmãs, com excepção da legítima de seu irmã D. Margarida. Viveu na quinta de Sermanha, onde nasceu a 15.12.1800, sendo baptizado a 1 de Janeiro do ano seguinte, tendo por padrinhos o capitão-mor José Borges de Carvalho, senhor da casa de Matos, e sua mulher D. Joana Raimunda. Faleceu depois de 1839, provavelmente em Cête, pois o seu óbito não aparece em Sedielos. Casou a 25.8.1822 no mosteiro de Cête, tinha ele apenas 22 anos e ela já 27 anos de idade, com sua parente D. JOANA EMÍLIA DE SOUZA PINTO BRANDÃO(61), nascida a 11.12.1794 na casa de Cima, na Várzea (Cête), e falecida depois de 1864, 7ª senhora da casa do Outeiro d'Além, em Mouriz, que herdou de seus irmãos, os padres Francisco e António Joaquim Pinto Brandão e o brigadeiro Bernardo Coelho Pinto Brandão, todos filhos do major Aniceto Pinto Brandão, sargento-mor de Aguiar de Souza (hoje Paredes), senhor da casa da Carreira, em Coreixas (Penafiel), onde nasceu a 3.8.1751, e da dita casa de Cima, onde viveu, etc., e de sua mulher (casados a 23.10.1782 na capela da casa do Outeiro) D. Maria Joaquina Álvares Coelho de Souza, 6ª senhora da dita casa; netos paternos de Bernardo Pinto Brandão(62), senhor da casa de Cima, na Várzea (Cête), onde nasceu a 12.2.1712, e de sua mulher D. Antónia Maria Moreira Rebello Pereira(63), senhora da dita casa da Carreira; e netos maternos do Dr. António José Coelho de Souza Delgado, juiz e advogado em Mouriz, etc., 5º senhor da dita casa do Outeiro, e de sua mulher (casados a 2.6.1755 no mosteiro de Cête) D. Custódia Álvares Coelho Furtado(64), irmã herdeira do brigadeiro Bernardino Álvares Coelho(65), herói da resistência às invasões francesas. Aquele Dr. António José Coelho de Souza Delgado era filho de Manuel de Souza Delgado, 4º senhor da casa do Outeiro d'Além, onde nasceu a 1.9.1682, e de sua mulher (casados a 23.9.1714 em Castelões) D. Luiza Clara Coelho de Oliveira, da casa das Paredes, em Castelões de Cepeda; e neto paterno de João de Souza Delgado(66), 3º senhor da casa do Outeiro d'Além, e de sua 1ª mulher (casados a 11.2.1680 em Cête) Ana Ferreira(67), da casa da Lama, em Mouriz.

Filhos:

1(IX) José António de Meirelles Vidal Pinto Brandão, que sucedeu na quinta de Sermanha, onde n. a 12.8.1823, tendo por padrinhos de baptismo Frei José Maria de Nª Sª do Vale, monge beneditino, e o padre Francisco Pinto Brandão, seu tio materno, e fal. a 10.4.1876, ib, sem testamento (deixando vivo um filho, que foi seu herdeiro), sendo sepultado no adro da igreja matriz. C. a 31.12.1851, ib, c. D. Ana da Conceição Ferreira Borges, irmã do abade de Sedielos José Ferreira Borges, ambos filhos de José Ferreira Borges de Almeida e de sua mulher Ana Luiza Corrêa, moradores em Cidadelha (Peso da Régua); netos paternos de outro José Ferreira Borges de Almeida e de sua mulher Tereza Maria; e netos maternos de Francisco Teixeira Carneiro, n. em Fontelas, e de sua mulher Luiza Corrêa, n. em Oliveira (Mesão Frio).

Filhos:

1.1(X) António Joaquim de Meirelles Ferreira Borges, n. a 25.11.1852, na quinta de Sermanha, de que foi co-herdeiro, tendo por padrinhos de baptismo José Monteiro Soares, morador em Soalhães, por procuração passada ao tio paterno António Joaquim, e D. Maria Brandão, também moradora em Soalhães, por procuração passada à avó paterna D. Joana Emília. S.m.n. Depois de casado foi viver (pelo menos desde 1904) para Alvações do Corgo, em Santa Marta de Penaguião, onde c.c. D. Maria da Conceição Dias Teixeira, filha de João Dias Teixeira e de sua mulher Delfina Augusta da Conceição, aí proprietários. Destes foi filha, pelo menos, uma Ana, n. em Sedielos a 3.10.1888, s.m.n.

2.1(X) Manuel Maria, n. a 25.9.1855, ib., tendo por padrinhos de baptismo o padre José Ferreira Borges e Tereza da Conceição Ferreira Borges, tios maternos. S.m.n. 

2(IX) António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão, n. a 15.12.1824, ib, tendo por padrinhos de baptismo seus tio maternos D. Florisbela e o padre António Joaquim Pinto Brandão, e fal. solteiro na quinta de Sermanha a 5.6.1876, com 50 anos de idade, sem testamento, sendo sepultado no adro da igreja matriz. 

3(IX) D. Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão, n. a 27.2.1826, ib, tendo por padrinhos de baptismo os tios maternos D. Custódia Cândida e o brigadeiro Bernardo Coelho Pinto Brandão, representados por seu irmão o padre Francisco Pinto Brandão e por D. Maria Banedita, tia paterna da baptizada. Viveu solteira na quinta de Sermanha, onde fal. a 18.8.1867, sendo sepultada na igreja matriz e deixando herdeira sua irmã D. Margarida Máxima. 

4(IX) D. Margarida Cândida, n. a 13.11.1827, ib, tendo por padrinhos de baptismo seu tio materno o padre Francisco Pinto Brandão e a tia paterna D. Margarida Cândida, por procuração do padre Bernardo Coelho de Souza. Fal. criança. 

5(IX) Francisco Xavier, n. a 26.11.1829, tendo por padrinhos de baptismos José Monteiro Soares e sua mulher D. Maria de Jesus, moradores em Soalhães. Fal. criança. 

6(IX) D. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão, que segue. 

7(IX) D. Felicidade de S. José de Meirelles, que terá nascido cerca de 1837 (não encontrei o registo em Sedielos), pois tinha 50 anos a 24.1.1887, data em que casou em Sedielos com António Vieira, de 23 anos de idade, filho natural de Joaquim Vieira. S.g. 

8(IX) D. Joaquina de Meirelles, n. a 10.3.1839, sendo padrinhos de baptismo os tios maternos D. Joaquina e o padre António Joaquim Pinto Brandão, moradores em Paredes. Foi co-herdeira da quinta de Sermanha, onde viveu casada com Manuel Rodrigues, filho natural duma Maria Luiza. Tiveram vários filhos e netos, todos lavradores pobres em Sedielos.

IX      D. MARGARIDA MÁXIMA DE MEIRELLES VIDAL PINTO BRANDÃO,D. Margarida Máxima de Meirellos Vidal Pinto Brandão que sucedeu a seu pai como 10ª senhora da casa do Pinheiro, que vendeu, e a sua mãe como 9ª senhora da casa do Outeiro d'Além, onde viveu. Nasceu na quinta de Sermanha a 16.2.1831, tendo por padrinhos de baptismo o padre Francisco Pinto Brandão, tio materno, e D. Margarida Cândida, tia paterna, e viveu casada na casa do Outeiro, onde faleceu viúva a 25.4.1897, com 66 anos de idade, sendo sepultada no jazigo de família no cemitério de Mouriz. Casou a 8.11.1853 na capela de Nossa Senhora da Livração da casa do Outeiro, tinha ela 22 anos e ele já 39 anos de idade, com o Dr. ANTÓNIO RODRIGUES MOREIRA, (ver foto), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (27.5.1840), advogado e juiz de Direito, várias vezes presidente da Câmara e administrador do concelho de Paredes, 6º senhor da quinta de Vales de Cadeade(68), em Paço de Sousa, onde nasceu a 18.11.1814, tendo falecido a 9.11.1878 na casa do Outeiro, onde viveu casado. Era filho de João Rodrigues Moreira, 5º senhor da quinta de Vales, e de sua mulher (casados a 3.11.1795, ib) D. Maria Tereza de Moraes Lopes Pereira, natural de Esmegilde, ib, e falecida a 10.6.1817 na quinta de Vales; neto paterno de António Rodrigues Moreira, natural de Guilhufe (Penafiel), que a 23.7.1767 comprou várias terras que juntou à quinta de Vales de Cadeade, onde viveu e faleceu viúvo a 20.9.1811, cuja casa aumentou em 1771 e cujos prazos o mosteiro de Paço de Sousa lhe renovou em 1786 e 1790 por mais três vidas, por direito de sua mulher (casados a 31.8.1767, ib) Maria Clara Ferreira da Silva, falecida a 2.12.1794, ib, herdeira de seu tio o padre António Ferreira da Silva, falecido a 4.1.1747, ib, e de seus pais Manuel Ferreira da Silva, 3º senhor dos prazos nucleares da quinta de Vales, etc., e de sua mulher Mariana da Silva Borges, natural de S. Vicente de Irivo.

Filhos:

1(X) Padre Dr. Bernardo de Meirelles Pinto Brandão, bacharel formado em Teologia pela Universidade de Coimbra (1885), ordenado sacerdote em 1880, foi abade de S. Romão de Mouriz (de 2.2.1882 a 1.1.1894) e de Castelões de Cepeda (de 19.4.1895 a 4.10.1897). Sucedeu como 10º senhor da casa do Outeiro, onde n. a 6.1.1855, tendo por padrinho de bat. seu tio-avô o brigadeiro Bernardo Pinto Brandão e sua avó D. Joana Emília Pinto Brandão, e como 8º senhor da quinta de Vales, por compra a seu irmão José. Viveu na casa do Outeiro, onde fal. a 28.3.1922, deixando herdeira da casa do Outeiro sua irmã D. Margarida Adelaide. A quinta de Vales deixara-a ainda em vida ("venda" de 12.2.1917) a seu irmão Francisco. 

2(X) Eng. João Rodrigues Pinto Brandão, licenciado em Engenharia Civil pela Academia Politécnica do Porto (30.7.1880), engenheiro-chefe das Obras Públicas do distrito do Porto (28.6.1902), tendo nesta qualidade dirigido as obras da barra e porto de Aveiro (de 2.8.1902 a 15.11.1906), chefe da 2ª Circunscrição (Beira) dos Serviços Técnicos da Indústria (17.7.1907) e director das Obras Públicas do distrito de Castelo Branco (21.8.1911). N. na casa do Outeiro a 7.1.1856 (tendo por padrinhos de bat. seus tios maternos António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão e D. Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão) veio a fal. a 16.7.1917. C. na casa do Crasto, em Besteiros, c. D. Lavínia Lobo. Tiveram quatro filhos, entre eles D. Maria Camila Lobo Pinto Brandão, fal. a 1.11.1967, c.c. José da Rocha de Bragança Ribeiro, fal. a 4.6.1977, c.g. 

3(X) Dr. José Rodrigues Moreira, licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1887), médico de Partido (27.6.1914) e delegado de Saúde do concelho de Paredes. Viveu na casa do Outeiro, onde n. a 22.1.1857, tendo por padrinhos de bat. seu avô paterno João Rodrigues Moreira e sua avó materna D. Joana Emília Pinto Brandão. Fal. solt. a 16.7.1917, ib. Sucedeu a seu pai como 7º senhor da quinta de Vales, que aumentou com a compra de várias terras e cujos prazos remiu a 7.5.1905. Sendo solteiro, vendeu a quinta a seu irmão mais velho, com reserva de usufruto. Teve de Rodesinda Rosa de Souza, moça solteira nascida em 1879 em Besteiros (Paredes) e fal. a 20.4.1917 em Stª Mª Madalena, ib.

Filho:

1.3(X) (N) Frei Dom Gabriel de Sousa, Dom abade de Cingeverga (2.1.1949), autor de vasta bibliografia(69), etc. N. a 17.3.1912 em Besteiros e fal. a 23.1.1997 no mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto, indo a sepultar a Cingeverga. 

4(X) Agostinho, n. a 15.3.1858 e fal. a 28.10 do mesmo ano. 

5(X) Ten.-Cor. Dr. Agostinho Rodrigues Pinto Brandão, tenente-coronel médico e celebrado poeta e escritor, esteve em África com Mouzinho da Silveira na célebre Campanha do Gungunhana. Foi cavaleiro da Ordem de Avis e da Torre e Espada. Viveu na casa do Outeiro, onde fal. solt. a 28.3.1934 e onde tinha n. a 11.3.1859, tendo por padrinhos de bat. seus primos Agostinho Barbosa de Leão, senhor da casa de Cima, na Várzea (Cête), e D. Maria Emília Pinto Brandão. 

6(X) D. Maria Emília Pinto Brandão, que n. a 20.11.1860. C.c. Ramiro Pereira do Lago, senhor da quinta do Souto, em Guilhufe (Penafiel), c.g. 

7(X) D. Sofia, que n. a 14.11.1861 na casa do Outeiro, tendo por padrinhos de bat. seus tios António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão e D.Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão. Fal. criança. 

8(X) António Rodrigues Pinto Brandão, n. a 10.11.1862, ib, e fal. a 5.1.1951. C.c.g., s.m.n. 

9(X) D. Margarida Adelaide Rodrigues Moreira de Meirelles Pinto Brandão, que foi a principal(70) herdeira da casa do Outeiro D. Margarida Adelaide Rodrigues Moreira de Meirellos Pinto Brandãod'Além,  onde nasceu às duas horas da manhã do dia 23.3.1864, tendo por padrinhos de baptismo seu primo Agostinho Barbosa de Leão, senhor da casa de Cima, na Várzea (Cête) e sua avó D. Joana Emília Pinto Brandão. Viveu casada na casa da Quebrada, onde faleceu a 8.4.1952, com 88 anos de idade. C. a 3.10.1892 na capela de Nª Sª da Livração da casa do Outeiro, tinha ela 28 anos e ele 30 anos de idade, c. António José de Souza Machado (ver foto) (71), administrador  do concelho de Paredes (11.2.1893), senhor da casa da Quebrada, em Mouriz (Paredes) e da quinta das Caldas de Canavezes (Marco), n. a 13.8.1862 e fal. a 18.7.1937, filho de João José de Souza Machado (ver foto), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa, cavaleiro da Ordem de Cristo (16.3.1854), administrador do concelho e várias vezes presidente da Câmara Municipal de Paredes, senhor da dita casa da Quebrada, etc., e de sua mulher D.Francisca Augusta Pinto Vieira Peixoto (ver foto), senhora da quinta da Boavista, em Sobre Tâmega (Marco); neto paterno de Francisco José de Souza Machado (ver foto), senhor da casa da Chaminé, em Stª Cristina de Toutosa (Marco), etc., e de sua mulher D. Tomásia Maria Emília Ozorio da Fonseca Coutinho (ver foto), descendente dos senhores da casa de Juste, em S. Fins do Torno (Lousada); neto materno de José Pinto Ribeiro Vieira Peixoto, senhor da dita quinta da Boavista, e de sua mulher D. Maria Adelaide de Azevedo Cabral.

Filhos:

1.9(XI) Dr. João Augusto de Souza Machado,Dr. João de Souza Machado licencuado em Direito pela Universidade de Coimbra, advogado e notário em Paredes, presidente da União Nacional no concelho, etc., co-senhor da casa da Quebrada e senhor da casa do Calvário, esta última na vila de Paredes, que comprou e onde viveu. N. a 3.9.1893 e fal. a 27.12.1981, tendo c. a 20.11.1923 em Penafiel c. D. Maria José Manoel Geraldes de Vasconcellos e Araújo Carneiro Pinto (ver foto), n. a 1.5.1898 em Braga, senhora das casas das Quartas, em Stª Leocádia (Baião), e de Rande, em Milhundos (Penafiel), filha do ten-coronel Alexandre Carneiro Pinto, cavaleiro da Ordem de Aviz, comandante do Regimento de Penafiel, cidade onde proclamou a Monarquia do Norte em 1919, etc., e de sua mulher D. Maria da Nactividade Geraldes de Vasconcellos Pinto de Araújo(72), senhora das ditas casas das Quartas e Rande. C.g.(73)

 2.9(XI) D. Camila Vitória de Souza Machado, n. a 1.11.1894 na casa da Quebrada e aí fal. solt. a 26.12.1942.

 3.9(XI) D. Maria Sofia de Souza Machado, n. a 17.9.1895, ib, que sucedeu como 12ª senhora da casa do Outeiro, onde fal. C. a 11.6.1926 c. Henrique Nogueira Cabral, n. 22.6.1891 e fal. a 25.11.1958, filho de Joaquim de Souza Cabral, senhor da casa do Pinheiro, em Campêlo (Baião), e de sua mulher D. Cândida Nogueira de Araújo e Vasconcellos, das casas de Arrabalde (Vilares) e Paço (Gestaçô), em Baião. C.g.(74) 

4.9(XI) D. Maria Augusta de Souza Machado, n. a 27.9.1899, ib, onde fal. solt. 

5.9(XI) D. Maria Idalina de Souza Machado, n. 17.2.1900, ib, fal. a 1.2.1943 e c. a 3.5.1924 c. o Cor. Manuel Martins dos Reis, comendador da Ordem de Aviz, administrador do concelho de Paredes, coronel de Infantaria e elemento activo na revolução do 28 de Maio, etc, filho de António Martins dos Reis e de sua mulher D. Felicidades das Dores Nobre. C.g.(75) 

6.9(XI) Dr. António Augusto de Souza Machado, licenciado em Direito pela UC, advogado, n. a 15.4.1903, ib, fal. a 30.3.1965 e c. a 10.9.1934 c. D. Sara Ângela de Sena Cabral Ferreira, n. a 5.5.1900 e fal. a 30.8.1977, filha de Fausto Ferreira de Meireles e de sua mulher D. Sara de Sena Cabral. C.g.(76) 

10(X) Dr. Francisco Manuel Rodrigues Pinto Brandão, Dr. Francisco Pinto Brandãolicenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1894), foi advogado, conservador privativo do Registo Predial de Penafiel e Paredes (27.7.1895), etc. N. a 13.2.1869 na casa do Outeiro d'Álem, tendo por padrinhos de baptismo D. Francisca Augusta Pinto Vieira Peixoto (casada com o comendador João José de Souza Machado, senhor da casa da Quebrada, já referidos acima), e o cunhado destes, o comendador Manuel Justino de Azevedo. Fal. a 8.5.1939, em Penafiel, onde viveu e construiu casa na rua Fontes Pereira de Mello. Foi 9º senhor da quinta de Vales, por venda de seu irmão Bernardo, como ficou dito acima. C. a 4.11.1895 em Bitarães (Paredes) c. D. Maria da Graça de Almeida Gonçalves de Carvalho, n. a 9.4.1873 e fal. viúva a 17.3.1965 em Penafiel, filha de Adão Gonçalves de Carvalho e de sua mulher D. Engrácia Gonçalves de Almeida, moradores na sua casa da Mulra, ib.

Filhos:

1.10(XI) Adão António Pinto Brandão, n. a 22.8.1895 em Penafiel. Sucedeu como 10. senhor da casa de Vales e em parte da sua grande quinta, que vendeu (1966) a seu sobrinho Eurico, abaixo. Foi viver para o Brasil, onde foi conhecido desportista, nomeadamente ligado ao clube "Vasco da Gama", e onde fal. e c. a 22.9.1927 c. D. Rosa Fernandes Portela. Tiveram duas filhas c.c.g.no Brasil. 

2.10(XI) D. Maria da Graça Gonçalves Pinto Brandão, n. a 21.6.1898 em Penafiel e fal. em Lisboa a 18.2.1976. C. c. o capitão Ambrósio Afonso do Loureiro. Tiveram um filho e uma filha, ambos c.c.g. 

3.10(XI) D. Rosalina Gonçalves Pinto Brandão, n. a 23.1.1900, ib, e fal. a 27.4.1971. C. a 11.2.1920 c. o Capitão José Rodrigues dos Santos. Tiveram seis filhos e sete netos, entre os quais o conhecido jornalista da RTP José Rodrigues dos Santos. 

4.10(XI) José Rodrigues Pinto Brandão, n. a 18.4.1902 e fal. novo e solt. 

5.10(XI) D. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão, n. a 4.4.1904, ib, e fal. a 12.7.1980. C. a 17.9.1922, ib, c. o Coronel Eurico da Silva Ataíde Malafaia, oficial de Infantaria, n. a 5.4.1899 e fal. a 15.12.1971, em Lisboa.

Filho:

1.5.10(XII) Eng. Eurico Brandão de Ataíde Malafaia, licenciado em Engenharia Têxtil, n. a 15.12.1924 em Lisboa. É actualmente o 11º senhor da casa de Vales e de parte da antiga quinta, que comprou em 1966 a seu tio Adão, como ficou dito acima. C. a 24.1.1951, ib, c. D. Maria Teresa Gonçalves Barbieri Cardoso, filha do general Avelino Barbieri Cardoso e de sua mulher D. Gracinda Gonçalves. C.g. 

6.10(XI) António Rodrigues Pinto Brandão, n. a 24.3.1906 e fal. a 3.9.1980 no Porto. Sucedeu em parte da quinta de Vales, comprou às irmãs outra parte e com tudo isto constituiu a quinta da Lage, que corresponde a cerca de metade da quinta de Vales. C.c. com D. Balbina Ferreira Lopes, fal a 1.11.1993, ib. S.g. 

7.10(XI) D. Maria da Paz Gonçalves Pinto Brandão, n. a 29.1.1912, foi com seu irmão para o Rio de Janeiro (Brasil), onde fal. viúva a 1.8.1993. C. a 19.12.1938, ib, c. Paulo Rodrigues Ferraz. Tiveram oito filhos, cinco dos quais c.c.g. 

11(X) Eng. Alípio Rodrigues Pinto Brandão, n. a 13.9.1871 na casa do Outeiro, licenciado em Engenharia pela Academia Politécnica do Porto, foi director das Finanças de Paredes. C.c. D. Otília de Barros

12(X) D. Sofia Adelaide Rodrigues Pinto Brandão, que n. a 2.8.1872 na casa do Outeiro, de que foi co-herdeira e onde fal. solt., a 16.4.1954, deixando sua herdeira a sobrinha e afilhada D. Sofia de Souza Machado, atrás.

notas

1. Nº X-6 do § 36, pág. 145 da revista «Raízes e Memórias» nº 10.

2. Normalmente aparece nos paroquiais apenas Francisco de Moraes, mas surge como Francisco de Moraes Cogominho pelo menos no registo de casamento de sua filha Maria, em 1600.

3. Vem como fidalgo da Casa Real e morador na sua quinta do Pinheiro em Felgueiras Gaio (Costados IV, arv. 165 vº e 166, e Barbosas, § 219, nº 22), no Nobiliário dos Moreira, manuscrito existente na Biblioteca de Penafiel, e nos «Carvalhos de Basto», Vol. I, pag. 470. Não encontrei o respectivo registo do foro.

4. Na casa do Pinheiro ainda existia em 1960, já apeada, uma muito antiga pedra de armas de Moraes e Cogominho, vendida depois a um antiquário.

5. Esta quinta tinha um portão armoriado com um brasão de Moraes e Barretto, vendido cerca de 1970 e transplantado para uma quinta no Monte da Assunção, em Santo Tirso, onde hoje se encontra.

6. Fernão Gomes de Morães Cogominho c.c. D. Catarina de Andrade Guedes, e foram pais de Francisco de Moraes Cogominho, fidalgo da Casa Real, c.c. D. Catarina Cardoso Cabral, herdeira do morgadio de Stª Catarina de Estremoz, c.g. nesta casa.

7. «Brasões Inéditos», de Souza Machado, nº 165, pag. 55.

8. «Nobiliário de Famílias de Portugal», de Felgueiras Gaio, Costados, 65 e 65vº, pag.s 113 e 114.

9. Que os nobiliários fazem 4º neto por varonia de João Afonso Pimentel e de sua mulher Constança Rodrigues de Moraes, filha do alcaide-mor de Bragança Rui Pires de Moraes.

10. Os paroquiais de Cête começam em 1586.

11. Já falecida no casamento de sua filha Maria em 1600, deve ter morrido antes de 1586, data em que começam os paroquiais de Cête, uma vez que a partir desta data não aparece o respectivo óbito.

12. Este Álvaro Monteiro era filho de outro Álvaro Monteiro e de sua 2ª mulher Isabel Moutinho. Do 1º casamento com Filipa de Almeida foi também filha Catarina de Almeida, n. em Vila Nova (Arouca) e fal. a 21.7.1575 em Castro Daire, que c.c. André Vieira, do Porto, F.C.R. que esteve em Arzila, c.g. nomeadamente na casa da Trofa (6º senhor)

13. Felgueiras Gaio (Costados IV, arv. 165vº e 166, e Barbosas, § 219, nº 22) chama-lhe Inez Barretto. O Nobiliário dos Moreira e os «Carvalhos de Basto» (Vol. I, pag. 470) chamam-lhe Helena de Barros. Não tendo encontrado documento que tirasse a dúvida, inclino-me mais para Inez Barretto, não só pelo apelido mas também porque uma sua neta também se chama Inez Barretto, não havendo nenhuma Helena.

14. Felgueiras Gaio chama-lhe Ignasia, s.m.n.

15. Entre os quais se contam o padre jesuíta Dr. João Nunes Barretto, patriarca da Etiópia (24.5.1555), n. no Porto em 1517 e fal. em Goa a 22.12.1562; o também padre jesuíta Doutor Belchior Nunes Barretto, provincial da Índia (1553), n. no Porto em 1520 e fal. em Goa a 10.8.1571; e ainda o governador do Porto Gaspar Nunes Barretto, sucessor na casa, que em 1542 vivia na cidade do Porto, quando a Mitra lhe emprazou várias casas na Rua das Flores - Vide «O Censual da Mitra do Porto», de Cândido Augusto Dias dos Santos.

16. Filho sucessor de Vasco Fernandes Ferraz, senhor dos ditos morgado e padroados, que foi cidadão do Porto, viveu nas suas casas da rua das Flores e foi vereador do Senado da Câmara em 1380, sendo eleito para ir, pela cidade do Porto, jurar fidelidade ao novo rei Dom João I. Vide Felgueiras Gaio, Ferrazes, §1, nº 4, e «Patriciado urbano quinhentista: as famílias dominantes do Porto (1500-1580)», de Pedro de Brito.

17. Vide Felgueiras Gaio, Gouveas, §50, nº 6.

18. Vide Felgueiras Gaio, Barretos, §2, nº 18.

19. Vide Felgueiras Gaio, Barbosas, § 219, nº 22, e «Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada», 1983, na introdução de Luiz de Mello Vaz de São-Payo.

20. «Carvalhos de Basto», Vol. I, da pag. 155 à 163.

21. Certamente dos Beleago do Porto, provavelmente filho de Gonçalo Carneiro Baldaya, cidadão do Porto, e de sua mulher Guiomar Dias Beleago, que a 2.7.1553 instituíram morgadio com capela na igreja de S. Francisco, sendo esta irmã de Gaspar Beleago, escrivão da Alfândega da Porto, e do célebre humanista Doutor Belchior Beleago, lente da Universidade de Coimbra, cónego da Sé de Lisboa, deão da Sé da Guarda, desembargador do Paço e bispo de Fez, fal. a 19.10.1569. Vide «O Tripeiro», Série Nova, Novembro de 1983, pag. 290, e «Patriciado urbano quinhentista: as famílias dominantes do Porto (1500-1580)», de Pedro de Brito.

22. Vide «Portocarreros do Palácio da Bandeirinha», Porto 1997, obra do autor.

23. Vide Felgueiras Gaio, Ferreiras, § 70, nº 5.

24. Pais de José de Matos Viegas de Sottomayor e Noronha Barretto de Moraes, n. em Eiriz (Paços de Ferreira), que tirou OM em Braga com IG de 2.9.1777, e de seu irmão Baltazar Luiz de Matos.

25. Vide Felgueiras Gaio, Farias, § 87, nº 14.

26. É dito Diogo Gomes de Moraes quando, ainda «moço solteiro», é padrinho de baptismo em Cête em 1606. Depois aparece sempre apenas como Diogo de Moraes, nome com que assina, como testemunha, duas notas de 1616 (ADP -Notarial de Paredes, Serie 1, Livro 1, pag.26 e 33).

27. Os paroquiais de Paço de Souza só começam em 1642.

28. Vide «Patriciado urbano quinhentista: as famílias dominantes do Porto (1500-1580)», de Pedro de Brito.

29. Filho de Fernão Brandão, comendador de Guilhabreu da Ordem de Cristo, camareiro do infante Dom Fernando, embaixador a Castela, etc., e de sua mulher Isabel de Pina, filha do celebrado cronista Rui de Pina; neto paterno de João Brandão, contador do Porto, e de sua 2ª mulher Beatriz Pereira.

30. Aparece muitas vezes em documentos oficiais apenas como Domingos Ferreira ou Domingos da Fonseca, mas é como Domingos Ferreira da Fonseca que consta no registo do seu casamento. Apesar de ser o filho mais velho (tinha um irmão primogénito Santos, n. a 10.11.1630 mas fal. solt. a 12.3.1652), foi seu cunhado Luiz Barbosa, senhor da casa da Gaia, em Cête, que sucedeu na quinta do Prazo do Outeiro (1628, no Tab. de Paredes Roque Coelho).

31. O antiquíssimo concelho e julgado de Aguiar de Sousa foi substituído a 15.2.1837 pelo de Paredes, até então uma sua freguesia.

32. Irmão mais novo do Lic. Simeão Ferreira, crismado a 8.11.1590 no Mosteiro de Cête, que também exerceu o cargo de capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa, que ocupava em 1632.

33. Este prazo tinha sido comprado por seu pai Santos Ferreira, o Velho, ao Lic. Tomaz de Britto.

34. Irmã de Isabel da Fonseca c.c. Alexandre da Rocha, moradores na sua quinta das Talhadas, em Cête, que foram pais do Simeão da Fonseca, n. a 31.10.1593, ib. Isabel e Joana da Fonseca deviam ser filhas de Salvador da Fonseca, senhor dos prazos de Paços e da Costa, e de sua mulher Isabel de Araújo, e netas paternas de Pedro de Leão, senhor da quinta do Beco, em S. Miguel de Rans (Penafiel), e de sua mulher Beatriz da Fonseca, senhora do prazo da Lagea, em Parada de Todeia, foreira a Paço de Sousa. Esta Beatriz era filha de Álvaro da Fonseca, escudeiro do arcebispo de Braga e escrivão dos feitos do mar e dos reguengos do Porto, e de sua mulher Catarina Pires, senhora do dito prazo da Lagea, e neta paterna de Vasco da Fonseca, juiz dos Órfãos de Lamego (1437 e 1447), e de sua mulher Catarina Gonçalves. Este Vasco era filho de Gonçalo da Fonseca e de sua mulher D. Betança, descendente dos imperadores de Niceia. Vide «Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada», na introdução de Luiz de Mello Vaz de São-Payo.

35. Santos Ferreira e sua mulher fazem uma venda a 6.8.1607 no Tab. de Paredes Roque Coelho.

36. Seus filhos, o Capitão Santos Ferreira, o Licenciado Simeão Ferreira (c.c. Antónia Barbosa) e Paulo Ferreira, fazem escritura de partilha de bens em 1616 (ADP -Notarial de Paredes, Série 1, Livro 1, pag. 4).

37. Deste Baltazar Ferreira pode também ser bisneto o Cap. Paulo Ferreira, senhor da quinta do Paço de Ferreira, em S. João de Eiriz (Paços de Ferreira). Felgueiras Gaio começa os Ferreiras de Paço de Ferreira (§70) com os pais deste Cap. Paulo Ferreira (Pedro Ferreira ou Pedro Afonso e sua mulher Catarina Ferreira), sem lhes indicar a filiação.

38. Nome que o próprio assina e com que aparece muitas vezes nos paroquiais, embora também aí surja como Bento de Moraes Barretto, Bento de Moraes ou Bento Barretto.

39. A 15.9.1684, ainda solteiro ou já recém-casado, ainda seu pai era vivo, aparece a viver na quinta do Verdeal (propriedade muito próxima da quinta do Pinheiro), quando é testemunha e assina, numa nota de Leonor de Meirelles, moradora em Cête, viúva de Manuel Garcez de Carvalho.

40. ANTT - Familiares do Santo Ofício, Letra B.

41. Embora não haja dúvidas quanto a este casamento, atestado em muitos outros documentos, o respectivo assento paroquial não aparece nem em S. João de Covas nem em Cête. O que não quer dizer que se não tivessem casado numa destas paróquias, nomeadamente em S. João de Covas, onde ela vivia, pois infelizmente não é raro os abades esquecerem-se de registar os assentos, pelo menos a avaliar pelos que aparecem fora de ordem, confessando aí o sacerdote ter-se esquecido de os assentar na devida altura... Esta Beatriz era irmã inteira do Cap. Domingos de Meirelles Freire, sucessor na quinta de Rio de Moinhos, c.g. nos Mello Cabral Vaz Guedes Bacelar, viscondes de Vila Garcia. Vide «Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada», Braga 1983, de Elísio de Meirelles Ferreira de Sousa e Maurício Antonino Fernandes.

42. Referida no Nº X-6 do § 36 (pag. 145) do trabalho do Prof. Doutor Luiz de Mello Vaz de São-Payo intitulado «O Descobridor do Congo e o apelido Cão», publicado no nº 10 da revista «Raízes e Memórias», onde vai a sua ascendência. Era irmã do Padre Doutor Amaro de Meirelles, cónego (1635) e tesoureiro-mor da Sé do Porto.

43. Aparecendo nos paroquiais apenas como Neto, vêm nas genealogias, nomeadamente em Felgueiras Gaio, como Neto de Sottomayor.

44. Irmão do Padre Dr. Amaro Moreira, que se licenciou na Universidade de Coimbra, serviu depois no Desembargo do Paço e foi ouvidor da Casa de Cantanhede e tutor do conde Dom Pedro de Menezes. Recebendo a 17.2.1595 ordens de subdiácono em Coimbra, foi apresentado por aquele conde como abade de S. Vicente de Ermelo (hoje Mondim de Basto), tendo mandado fazer à sua custa a Misericórdia de Penafiel, em cuja capela-mor instituiu morgadio e se mandou sepultar por testamento de 11.1.1646, vinculando ao morgadio a sua casa de Marnel, em Bitarães. Eram ambos filhos de Beatriz Duarte, herdeira da dita casa da Louzã, e de seu marido Gaspar Gonçalves Moreira, nascido cerca de 1520 no lugar de Moreira, na mesma freguesia da Gândara, onde ambos faleceram, ele a 2.2.1588 e ela a 16.10.1590. Na mesma época vivia aí um Jerónimo Gonçalves Moreira (pai de um Gaspar Jerónimo Moreira casado em 1587), provavelmente um filho não referido nas genealogias ou até um seu irmão mais novo. O patronímico Gonçalves indicia um pai ou avô Gonçalo, mas não Gonçalo Rodriges Moreira de que fala Felgueiras Gaio, cuja filha Maria Gonçalves Moreira teria casado com um Afonso Furtado, casal que viveu no séc. XIV. O curioso é que nesta época e concelho vivia um Afonso Furtado, pai do João Furtado referido na nota 67), sendo tradição muito antiga nesta família a ascendência Furtado (de Mendonça), nome e armas que alguns ramos usaram. Seja como for, o casal Gaspar Gonçalves Moreira e Beatriz Duarte, casados em  meados de Quinhentos, é tronco de uma notável descendência de Moreira, família dominante que se espalhou por toda a região e de quem descendem muitas das principais casas nobres dos concelhos de Paredes, Penafiel e Lousada. Alguns de seus descendentes tiraram carta de armas de Moreira: em campo vermelho, nove escudetes de prata, cada um carregado de uma cruz florida, de verde.

45. Viviam na sua quinta de Rio de Moinhos a 12.9.1616, data em que seu filho o Cap. Domingos de Meirelles Freire faz escritura antenupcial para casar com sua 1ª mulher, Cecília de Abreu, filha de C... Ribeiro e de sua mulher Inez Pereira, já falecidos e moradores que foram em Stª Cruz de Riba Tâmega. De Domingos Gaspar Moreira e sua mulher Águeda Freire de Meirelles foi ainda filha Ana Moreira, nascida na quinta de Rio de Moinhos, que casou com Gonçalo Barbosa, senhor da quinta da Aveleda, em Penafiel. Deste foram  filhos o Padre Dr. Marcos de Meirelles Freire, nascido na dita quinta da Aveleda, que instituiu em morgadio, sendo abade de S. Mamede de Guisande (Feira) e comissário do Stº Ofº (29.5.1674), e sua irmã D. Maria de Meirelles Freire, que sucedeu no morgadio da quinta da Aveleda e casou com Miguel Moreira da Silva, natural de Parada de Todeia. Destes foi filha D.Mariana de Meirelles Freire, sucessora no morgadio da quinta da Aveleda, que casou com Manuel Guedes da Fonseca, natural de Gradiz, que jaz na Misericórdia de Penafiel com o seguinte letreiro: «Aqui jaz Manuel Guedes, genro de Miguel Moreira, o qual Miguel Moreira era parente do fundador da mesma Misericórdia do Ab.e de Ermello Amaro Moreira que tinha duas sepulturas na dita Igreja». Quem era seguramente sobrinha do dito abade Amaro Moreira era D. Maria de Meirelles Freire, mulher de Miguel Moreira, embora este também pudesse ser seu primo.  De D. Maria de Meirelles Freire e seu marido Manuel Guedes foi filho Gonçalo de Meirelles Guedes, morgado da quinta da Aveleda, onde nasceu, cavaleiro fidalgo da Casa Real e familiar do Stº Ofº (19.11.1739), c.g. nesta quinta, hoje um símbolo do Vinho Verde.

46. Felgueiras Gaio (Moreiras, § 33, nº 6) chama-lhe D. Sebastiana Tereza de Moraes e o Nobiliário dos Moreira di-la Dona Sebastiana Tereza de Moraes Barretto, nomes com que também aparece nos paroquiais. Mas também surge, nos mais tardios, como D. Sebastiana de Meirelles.

47. Irmão de: 1) Doutor Frei Luiz de S. Bernardo, cónego de S. João Evangelista, lente de Artes e Moral no mosteiro de Stº Eloi de Lamego, mestre jubilado em Teologia no mosteiro de Vilar de Frades, reitor do mosteiro de Stº Eloi do Porto, presidente do Capítulo Geral e do mosteiro de S. Bento de Xabreagas e definidor da sua ordem, etc.; 2) Padre João da Rocha Teixeira, jesuíta que serviu em Roma; 3) Padre Bernardo de Meirelles Freire, jesuíta, visitador espiritual e temporal da Companhia de Jesus na comarca da Feira, abade de Stª Eulália de Constance (Penafiel), etc; 4) Frei António de Stª Tereza, cónego de S. João Evangelista, reitor das igrejas de Celeiros (Vila Real) e de S. Cristóvão de Muro (Penafiel); 5) D. Isabel Dorothea Aranha c.c. o Dr. João de Souza Delgado, cavaleiro da Ordem de Cristo, vereador do Senado da Câmara do Porto, alferes do Castelo de S. João da Foz e tenente do Castelo de Leça da Palmeira, etc., provavelmente primo-direito de Manuel de Souza Delgado, 4º senhor da casa do Outeiro de Mouriz, referido no nº VIII - vide nota nº 55.

48. Vide Nobiliário dos Moreiras, manuscrito da Biblioteca de Penafiel.

49. Irmão de Águeda Antónia Teixeira c. a 29.10.1629 em Mouriz c. o Cap. Santos Ferreira da Fonseca, referidos no nº III, ambos filho João Teixeira e de sua mulher Catarina Gonçalves, senhora da casa do Bairro, em Mouriz, irmã do Padre Gaspar Gonçalves, que julgo filhos de Gaspar de Barros, fal. viúvo na casa do Bairro a 7.6.1611. Aquele João Teixeira, julgo filho de Henrique Teixeira, senhor da quinta do Paço, em Urrô (Cête), onde fal. antes de 1596, e de sua mulher Genebra Soares.

50. Irmã de Frei Ildefonso de S. Bernardo, que era abade de Arnoia em 1605.

51. É evidente que este se chamou como seu tio paterno e padrinho o Padre Bernardo de Meirelles Freire, nome porque, de resto, era vulgarmente conhecido. O curioso é que, embora sua avó materna fosse Meirelles Freire, o tio paterno que lhe deu o nome era de um ramo de Moreira sem qualquer ascendência Meirelles...

52. Nos assentos paroquiais aparece ora quinta de Sermanha ora casa de Sermanha. Sermanha é um lugar da freguesia de Stª Mª de Sedielos que tomou o nome do afluente do Douro, o rio Sermanha ou Sarmenha, que ali passa. Sedielos é terra antiquíssima, que outrora albergou o Castelo de Penaguião e foi centro da terra do mesmo nome. Apesar de pertencer hoje ao concelho de Peso da Régua, fica bem mais próxima de Mesão Frio, encravada nas faldas sul da serra do Marão.

53. Os paroquias de Vila Marim faltam entre 1658 e 1822. E o registo não aparece em Sedielos.

54. Penso ser dos Pereiras da casa do Paço, na vizinha freguesia de Cidadelhe, fundada pelo comendador da Ordem de Malta D. Diogo de Mello Pereira.

55. Prima de D. Sebastiana Maria de Sottomayor e Menezes, que faleceu com 80 anos de idade a 28.7.1788, na casa de Matos, em Sedielos, já viúva de Francisco Xavier de Ledesma e Vasconcellos, senhor da dita casa, filha de Marcos Malheiro Pereira, fidalgo da Casa Real, morgado de Covas, etc., e de sua mulher D. Sebastiana de Menezes, filha esta de Rui Pereira de Sottomayor, fidalgo da Casa Real., senhor da Barbeita, e de sua mulher D. Maria de Menezes, que parecem também avós maternos da D. Sebastiana Luiza da Fonseca e Menezes em epígrafe.

56. Deste deve ser filha natural uma Margarida Pereira de Meirelles, proprietária no lugar de Sermanha, onde fal. a 30.12.1886, com mais de 70 anos de idade, já viúva de Manuel Pinto Borges, referindo o óbito que se ignorava o nome de seus pais e terra de nascimento. Esta Margarida deixou pelo duas filhas, s.m.n.

57. Aparece normalmente nos registos paroquiais apenas ora como D. Maria Isabel de Menezes ora como D. Maria Isabel de Meirelles.

58. Casado com uma irmã da mãe da noiva, D. Clemência, e pai do Cap. Manuel Joaquim, referido na nota seguinte.

59. Irmão de D. Ana Clara Maria de Jesus Vidal da Cunha Reis, já então casada com o Cap. Manuel Joaquim Pereira Carneiro Borges, senhor da quinta de Stª Cruz, em Sedielos, c.g. Deve ter sido através desta sua irmã e cunhado (sobrinho de D.Clemência) que José António Vidal, como era normalmente chamado, conheceu a sua futura mulher.

60. O registo do óbito só diz que morreu de um tiro, sem mais explicar. Este facto pode no entanto estar relacionado com o nascimento, nos finais desse ano, de um António Joaquim Vidal, que morava junto à ponte de Sermanha quando fal. a 4.1.1876, com 72 anos de idade, deixando filhos e viúva Josefa de Mansilha.