Ensaio sobre a origem dos Costa medievais

Escudo de armas dos Costa (infografia de Manuel Abranches de Soveral)

Dos Costa medievais pouco ou nada se sabe; estão pura e simplesmente por estudar. De resto, é provável que tenham coexistido várias famílias deste nome, sem parentesco entre elas. Nomeadamente, sabemos que existiu também o nome Costas, no plural, que deve ter sido absorvido pelo mais divulgado nome Costa. É o caso, por exemplo, de João Costas, tabelião do crime em Lisboa em 1427. E outros terão tirado o chamadouro de lugares ou quintas deste nome, como é o caso dos Costa de Alpedrinha e provavelmente dos de Barcelos.

No séc. XIV tinha a quinta da Costa, no termo de Barcelos, um Afonso Esteves, que a perdeu por estar com Lourenço Buval contra o mestre de Avis, tendo este a 31.10.1384 doado para sempre a dita quinta a Luiz Domingues, cidadão do Porto, com a mercê de a poder vender, se quisesse.

 

O conde D. Pedro ignora os Costa, o que é já forte indício de que então não eram considerados uma linhagem de antiga nobreza. De resto, nem nenhum dos seus anotadores se refere aos Costa, salvo Lavanha, que diz terem sido pais de Afonso Anes de Brito um João Anes de Brito e sua mulher Madalena da Costa, filha de Gonçalo da Costa, privado de D. Afonso III e seu conselheiro, tudo isto sem explicar como o soube.

O conde D. Pedro limita-se a dizer que Afonso Anes de Brito era filho de N. de Brito e D. N.

Ora, o conde D. Pedro, que nasceu cerca de 1285 e escreveu o seu nobiliário entre 1340 de 1344, era neto de D. Afonso III. E custa a crer que não conhecesse os conselheiros e privados de seu avô e não soubesse que Afonso Anes de Brito, seu contemporâneo, era neto materno desse alegado Gonçalo da Costa, privado e conselheiro de D. Afonso III.

Por tudo isto, a informação de Lavanha carece de credibilidade.

Da mesma época de Lavanha (séc. XVII), e igualmente pouco credível, é a Monarquia Lusitana, onde, me parece, pela 1ª vez em obra publicada se procurou achar a origem medieval dos Costa. Mas só conseguiu encontrar dois (ML, III, 186): Gonçalo da Costa, no reinado de D. Afonso Henriques, e Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora no reinado de D. Afonso III. Embora adiante venha a falar num Pedro Soares da Costa que era igualmente alcaide-mor de Évora quando a 25.4.1279 confirmou a doação da herdade de Alvito que fizeram vários vizinhos de Évora a D. Estêvão Anes de Souza (ML, V, 50v e 51). Mas, quando trata do reinado de D. Afonso III, não refere aquele conselheiro e privado Gonçalo da Costa que só Lavanha conheceu…

 

Depois, Alão, com a prudência que o caracteriza, dá notícia de vários ramos Costa, sem os ligar entre si nem os remontar a época anterior ao séc. XV. E apenas nos Costa de D. Álvaro cita os dois Costa medievais que a Monarquia Lusitana refere e acrescenta mais dois, documentados no reinado de D.Fernando I: Lopo Afonso da Costa e Gonçalo Pires da Costa.

Só em Gouveia refere Gomes Gonçalves da Costa, dos de Viseu. E nos Costa Homem refere, sem os ligar, o tio materno deste Gomes, Pedro da Costa, casado com Isabel Nunes (Homem).

 

Monterroio (séc. XVIII) parece ter sido o primeiro a ordenar uma genealogia dos Costa medievais. Gaio, que se centra nos Costa de Alpedrinha, a que chama da Barca, e só no §207 fala dos Costa medievais ou de Mancelos, onde desenvolve uma montagem das informações dispersas na Monarquia Lusitana, Lavanha, Alão, Monterroio e outros tardios, cheia de correcções e dúvidas à sua própria montagem, até chegar ao Vicente Anes da Costa que na carta de armas (1564) do bisneto Francisco da Costa se diz que foi senhor da quintã e honra da Costa, em Mancelos, e do tronco desta linhagem.

 

Diz a Monarquia Lusitana que D. Afonso Henriques em 1154 mandou passar escritura do couto do mosteiro de Semide, na qual, entre os confirmantes, está um Gonçalo da Costa (Gunsalvos de Costa). Diz o autor que este documento é uma cópia, pelo que (entre outras coisas inerentes) não se pode saber a exacta posição e qualidade deste Gonçalo da Costa.

Fala depois a ML numa «certa memória de Santa Cruz de Coimbra, que está num livro escrito de mão», onde se diz que em 1155 (1193) foi a Santa Cruz contar o ouro do rei uma delegação capitaneada por D.Gonçalo de Souza e que integrava um Gonçalo da Costa.

 

Mas é certo que no reinado de D. Afonso Henriques existiu um Gonçalo da Costa, pois em 1149 testemunha a carta de couto que este rei deu a Mendo Eres e sua mulher Dordia Reinaldes para a sua quintã de Creixomil, no termo de Guimarães.

Dizem as genealogias tardias que este Gonçalo da Costa teve assento no couto de Mancelos, então em Santa Cruz de Riba Tâmega (hoje Amarante), onde fundou uma torre e uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Costa.

Segundo a tradição local, referida nomeadamente por Montebelo nas notas ao conde D. Pedro (Plana 359) - sendo que este já intitula os Fonseca como padroeiros e naturais do mosteiro de Mancelos -, foi Mem Gonçalves da Fonseca que em 1110 fundou o mosteiro de Mancelos. Mas isto é um anacronismo, pois este prócer só nasceu cerca de 1189. E o mosteiro deve ter sido de facto fundado na data indicada pela tradição, pois já é referido num breve de 1120 do Papa Calisto II a favor do bispo do Porto, conforme a «Crónica dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho». Donde, não só não pode tratar-se de Mem Gonçalves da Fonseca como é provável que o resto da tradição esteja correcta e o mosteiro tenha de facto sido fundado por um Mem Gonçalves. De resto, Mem Gonçalves da Fonseca e sua descendência são patronos e estão muito ligados a Salzedas, não a Mancelos. Dos muitos trinetos de Mem Gonçalves, apenas um, Rodrigo Anes da Fonseca, em 1339 se documenta na lista dos patronos de Mancelos sem justificação aparente, o que claramente indica que este direito lhe vinha por outro lado, talvez pela sua desconhecida mãe, mulher de João Afonso Michom. Dos outros quatro bisnetos e trinetos de Mem Gonçalves que figuram nessa lista (Vasco Lourenço, Mor Rodrigues e Lourenço Rodrigues da Fonseca, bisnetos, e Vasco Pires da Fonseca, trineto), o direito vem-lhes pelos Moreira. Com efeito, Gonçalo Rodrigues de Moreira, o famoso representante de D. Dinis nas inquirições gerais de 1288, é o único elo comum a estes quatro, uma vez que era avô de Mor Rodrigues e Lourenço Rodrigues, bisavô de Vasco Pires e genro de Vasco Lourenço.

Dada a onomástica, poderá esse eventual fundador de Mancelos Mem Gonçalves estar na origem dos Costa, uma vez que também é anacrónica a hipótese de se tratar de D. Mendo Gonçalves de Souza?

A Gonçalo da Costa dão as genealogias tardias um filho chamado Mem Gonçalves. Também não podia ser este, que terá nascido na final da 1ª metade do séc. XII, mas podia ser um seu avô homónimo, portanto o pai do dito Gonçalo da Costa. E, neste caso, esse Mem Gonçalves poderia ser filho Gonçalo Paes e neto de Paio Cavaleiro, naturais da Galiza, que Montebelo diz que foram pai e avô do Mem Gonçalves fundador de Mancelos, revelando até por esta genealogia de que se não trata do Fonseca, filho de Gonçalo Viegas e neto de Egas Mendes de Ribadouro.

Esta hipótese, contudo, fica prejudicada pelo facto de o conde D. Pedro aparentemente não considerar os Costa, que ignora, uma linhagem de antiga nobreza, o que seria certamente se descendesse do fundador do mosteiro de Mancelos no início do séc. XII.

Em alternativa, o 1º Costa, Gonçalo da Costa, que usaria o nome como simples chamadouro de origem, seria um dos muitos vilões melhorados que então floresciam, que tomou o nome da dita capela de Nossa Senhora da Costa que terá fundado em Mancelos, onde fez a quinta da Costa que aparece nos Costa do séc. XV, e se nobilitou ou engrandeceu no serviço real.

 

Mas terá Gonçalo da Costa sido pai de um Mem Gonçalves da Costa, como extrapolam as genealogias tardias, certamente para encaixar com filho deste o Martim Mendes da Costa que era alcaide-mor de Évora em meados do séc. XIII?

Do ponto de vista cronológico é possível, se considerarmos que Gonçalo da Costa terá nascido cerca de 1120 e seu alegado filho Mem Gonçalves cerca de 1150, o que permite que Martim Mendes da Costa tenha nascido cerca de 1180 e falecido depois de 1265. Este Mem Gonçalves, dada a notoriedade que seu alegado filho teve em Évora, muito provavelmente foi companheiro (mais novo) do célebre Giraldo Giraldes, o sem pavor, que em 1166 conquistou Évora, sendo esta a única cidade alentejana que não caiu durante a investida almoáda do séc. XII, só travada em 1190 em Tomar pelo mestre dos Templários D.Gualdim Paes e depois em Navas de Tolosa (1212) por D. Afonso VIII de Castela; D. Sancho VII de Navarra, D. Pedro II de Aragão e D. Afonso II de Portugal. Resultou daqui que os cristãos que resistiram em Évora conseguiram enriquecer consideravelmente, e entre eles, porventura em posição destacada, estaria esse Mem Gonçalves, que assim seria verdadeiramente o patriarca da ascensão dos Costa e talvez tenha mesmo casado com uma filha ou parente de Giraldo Giraldes, o sem pavor.

A Monarquia Lusitana diz que Martim Mendes da Costa em 1255 era alcaide-mor de Évora, quando confirmou a doação que a Câmara desta cidade fez a D. Estêvão Anes de Souza, chanceler e futuro genro de D. Afonso III, da parte que possuía da herdade de Alvito (ML, III, 186, e V, 51). O que é mais ou menos verdade, ou seja: em Outubro de 1257 D. Afonso III aprova uma carta feita em Évora em Fevereiro desse ano, onde «Martinus Mendendi de Costa pretor et Joannes Stephani et Martinus Mendendi judices et concillium Elborensem» pedem ao rei que aprove a doação voluntária que o concelho fizera de Alvito ao chanceler D. Estêvão Anes (Chancelaria de D. Afonso III, livro 1). E a 4.2.1265 o mesmo rei (ib) confirma a D. João Peres de Aboim a doação e demarcação do termo de Portel feito pelo concelho de Évora a 17.1.1265, que é testemunhado por uma longa lista de pessoas, começando assim: «Petrus Roderici pretor Elbore, Suerius Roderici et Suerius Salvatoris judices Elbore, Valascus Velius, Stephanus Martini frater ejus, Joannes Johanis dictus Clerigus, Gonsalvus Dominici Pestana, Menendus Johannis Pestana, Martinus Menendi de Costa, Stephanus Petri de Costa, Johannes Alfonsi de Costa (...), milites». Temos assim que, a par dos Pestana, os Costa são então dos principais cavaleiros de Évora. Martim Mendes da Costa está acompanhado, como adiante proponho, de seus netos Estêvão Pires da Costa e João Afonso da Costa, todos cavaleiros fidalgos (milites). Três dias depois o mesmo rei aprova os limites de Portel e Reguengos de Monsaraz, onde também testemunha Martim Mendes da Costa, desta feita sem os netos.

 

Por outro lado, há um Mem Gonçalves que nas inquirições se documenta como tendo tido bens justamente em Santa Cruz de Riba Tâmega e que tem sido identificado com Mem Gonçalves da Fonseca, nascido cerca de 1189, portanto de uma geração posterior a esse alegado Mem Gonçalves da Costa. Sendo perfeitamente possível que este Mem Gonçalves não tenha usado o chamadouro do pai.

 

Diz Monterroio que o alcaide de Évora Martim Mendes da Costa casou com D. Tereza Mendes da Fonseca, filha de Mem Gonçalves da Fonseca, e que foram pais de Soeiro Martins da Costa, sendo este pai daquele Pedro Soares da Costa, alcaide-mor de Évora em 1279. E explica que este casamento se documenta, pois o casal possuía bens em Esmegilde. Esse documento de facto existe, só que Monterroio leu-o mal. Na verdade, João Martins e sua mulher D. Tereza Mendes, aí dita filha de Mem Gonçalves da Fonseca, documentam-se nas inquirições de 1275 como proprietários de duas herdades em Paredes, julgado de S. Martinho de Mouros. E este João Martins, dito filho de Martim Mendes, com a mesma D.Tereza Mendes possuía de facto uma herdade no Amieiro, termo de S. Lourenço e Stª Eulália de Esmegilde (Paço de Sousa).

Temos, portanto, que Martim Mendes não casou com D. Tereza Mendes mas era sim seu sogro, como aliás convém à cronologia. Assim, Martim Mendes teve pelo menos dois filhos: João Martins e Soeiro Martins. Sendo que provavelmente teve pelo menos ainda mais dois filhos, Pedro Martins e Afonso Martins, pais respectivamente de Estêvão Pires de Costa e de João Afonso da Costa, acima referidos. Sendo que aquele Estêvão Pires se documenta também como alcaide de Évora em Março de 1260, devendo ser irmão de Sancho Pires da Costa e pai de Soeiro Esteves da Costa, sendo este pai de Estêvão Soeiro da Costa, todos documentados em Évora (Gabriel Pereira, «Documentos históricos da cidade de Évora», 1885).

 

Voltando a João Martins (da Costa), o único que na verdade se documenta como filho de Martim Mendes, verifica-se que casou muito bem, com uma filha do poderoso D. Mem Gonçalves da Fonseca, o 1º deste nome, e deslocou-se para Norte, especialmente para a Beira Alta, onde D. Mem tinha o grosso dos seus bens. Tendo em conta que Martim Mendes nasceu cerca de 1180 e seu filho João Martins estava casado na Beira em 1277, é de presumir que este João Martins, certamente o filho mais novo, tenha nascido cerca de 1210 e seja avô dos dois Costa que se documentam na Beira na 1ª metade do séc. XIV: Lourenço Martins da Costa, escudeiro, que em 1343 era aio de Vasco Martins da Cunha, senhor de Tábua, já órfão e ainda menor; e Pedro da Costa, senhor de Lusinde (Penalva do Castelo, Viseu), fidalgo principal que viveu na cidade de Viseu e foi tronco dos Costa desta cidade, nomeadamente dos Costa Homem, morgados de Lajeosa, conforme refiro nas «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004, onde desenvolvo a sua descendência.

Assim, proponho a existência de um virtual Martim Anes, ainda por documentar, nascido cerca de 1250, como filho de João Martins e pai dos referidos Lourenço Martins e Pedro da Costa, nascidos cerca de 1285/95. Acresce que o filho deste Pedro da Costa se chamou Pedro Anes da Costa, recuperando assim o patronímico de seu virtual avô paterno, o que nesta época já acontecia. Aquele Pedro da Costa é muito provavelmente o homónimo que aparece várias vezes na chancelaria de D. Afonso IV como procurador de vários mosteiros, sobretudo da Beira, no recurso que fizeram para o rei das decisões das inquirições feitas sobre as jurisdições das honras e coutos, funcionando mais como juiz, uma vez que o rei sempre acatava as decisões que, a par com o procurador real, iam tomando sobre esses recursos. E ainda o Pedro da Costa que foi procurador do bispo de Lamego na demanda com a Câmara de Vila Real sobre o senhorio de Canelas, em Poiares, que venceu por sentença da rainha D. Beatriz de 12.9.1338.

Provavelmente também filho de João Martins e sua mulher foi um virtual Fernão Anes da Costa, que foi pai do Rui Fernandes da Costa, cavaleiro e vassalo, que, segundo informação que pessoalmente me deu José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, se documenta a 27.10.1298 e 26.5.1305 como testemunha de D.Fernão Pires de Barbosa em Arouca e em Paço de Souza.

 

Temos, assim, que é com os filhos de Martim Mendes da Costa que se dividem os Costa nos dois ramos principais da família: o da Beira e o que permaneceu no Alentejo e depois se estendeu ao Algarve. Resta saber como segue o ramo que se manteve ligado a Mancelos. Gaio faz este ramo descendente daquele Gonçalo da Costa que Lavanha diz que foi privado e conselheiro de D. Afonso III, mas que não se documenta, a Monarquia Lusitana não refere quando trata este reinado, o conde D. Pedro ignora e, na verdade, não parece ter existido. Segundo Gaio, este Gonçalo da Costa seria filho de um igualmente não documentado Gomes Gonçalves da Costa e neto do 1º Gonçalo da Costa.

Este alegado Gomes Gonçalves, como filho do 1º Gonçalo da Costa, teria nascido cerca de 1140/50, e seu alegado filho Gonçalo o mais tardar em 1200. E Gaio repete a dose, fazendo este último Gonçalo pai de outro Gomes Gonçalves da Costa, avô de outro Gonçalo da Costa e bisavô de outro Gomes Gonçalves da Costa, tudo nomes que pura e simplesmente não se documentam. Fazendo um cômputo médio das gerações, este último alegado Gomes Gonçalves da Costa teria nascido nos finais do séc. XIII, sendo contemporâneo e mais ou menos da mesma idade de D. Afonso IV, em cuja chancelaria não aparece, nem sequer como apenas Gomes Gonçalves. E Gaio dá a este último Gomes Gonçalves um filho João Gomes da Costa (nenhum aparece na chancelaria de D. Pedro, onde constam apenas dois Joões Gomes, ambos plebeus, um de Lisboa e outro de Aveiro), que por sua vez faz pai do Vicente Anes da Costa que se documenta na já referida carta de armas de seu bisneto. Mas isto é um anacronismo, pois aquele João Gomes, nascido em meados da 1ª metade do séc. XIV, não podia ser trisavô de alguém que tirou carta de armas em 1564, cerca de 250 anos depois.

De forma que deve ser considerada totalmente fantasiosa essa genealogia que Gaio dá, confusa e timidamente, no §207.

 

Mas, então, de quem descendia Vicente Anes da Costa, nascido no inicio do séc. XV, que a carta de armas do bisneto diz ter sido senhor da quintã da Costa, em Mancelos, e do tronco desta linhagem?

Na chancelaria de D. Afonso V aparecem já muitos Costa, mas nenhum Vicente Anes da Costa nem nenhum Costa ligado a Mancelos ou mesmo a Amarante. E não parece tratar-se do Vicente Afonso, morador em Mancelos, a quem a 24.4.1454 D. Afonso V perdoa a justiça régia pela fuga da prisão e concede carta de segurança pela querela que tivera com Gomes Anes, ali morador, contanto que se livre de direito do que é acusado.

Contudo, a 9.11.1450 D. Afonso V perdoa o resto do degredo a Pedro Vicente da Costa e a Lopo Dias Portela, cavaleiros da sua Casa, dos dois anos a que foram condenados para a vila de Arronches, acusados da morte de Diogo Lopes, comendador em Castro Marim. Este Pedro Vicente da Costa pode ser filho de Vicente Anes da Costa e, portanto, irmão do Vasco Vicente da Costa referido na dita carta de armas.

Certamente que Vicente Anes era filho de um João nascido na 2ª metade do séc. XIV, que na verdade podia ser neto daquele Rui Fernandes da Costa, cavaleiro e vassalo, que se documenta a 27.10.1298 e 26.5.1305 como testemunha de D. Fernão Pires de Barbosa em Arouca e em Paço de Souza, onde terá herdado os bens de Esmegide de seus avós, uma vez que é o único deste nome que nesta época se documenta a norte do rio Douro. O que implicava que a dita quinta da Costa, em Mancelos, a ter sido fundada pelo 1º Gonçalo da Costa, terá seguido por Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora, e deste por seu filho João Martins e seu neto o virtual Fernão Anes acima referido. Se aceitarmos que, como dizem as genealogias tardias, Vicente Anes da Costa foi filho de um João Gomes da Costa, então poderia ser neto de um Gomes Rodrigues da Costa e bisneto do já referido Rui Fernandes da Costa, todos senhores da quinta da Costa, em Mancelos. Acresce que Mendonça Arraes fala num Vicente Anes da Costa que foi professo em Santa Cruz de Coimbra pelos anos da 1427, mas saiu do convento para prior da igreja das Colmeias, no termo de Leiria, tendo deixado vários filhos. Mas este, que se documenta apenas como D. Vicente Anes, é outro, que se for Costa é provavelmente dos de Viseu.
 

Voltando ao alcaide-mor de Évora Martim Mendes e a seu alegado filho Soeiro Martins da Costa, é aceitável que este tenha sido pai do Pedro Soares da Costa que em 1279 era igualmente alcaide-mor de Évora, segundo a Monarquia Lusitana, sendo certo que, segundo informação que pessoalmente me deu José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, um Pedro Soares da Costa era alcaide-mor de Beja em Março de 1260, quando é testemunha de D. João de Portel.

Este Pedro Soares, que terá nascido cerca de 1237, diz Monterroio que foi pai de Afonso Soares da Costa e, por este, avô de D. João Afonso da Costa, mestre da Ordem de Avis, e de Lopo Afonso da Costa. Temos, portanto, que Afonso Soares terá nascido cerca de 1277 e Lopo Afonso e João Afonso cerca de 1300/3.

Esta cronologia concorda com a informação de que Lopo Afonso era juiz de Tavira em 1358 e com o facto de D. Fernando I, de quem era vassalo, a 23.4.1372 lhe ter confirmado o prazo de uma azenha em Tavira, em sucessão seu sogro João Galvão. Sendo talvez o Lopo Afonso, escudeiro, que a 22.1.1357 testemunhou em Évora um acordo sobre o morgadio dos Cogominho.

Mas não há nenhum João Afonso da Costa que tenha sido mestre da Ordem de Cristo, embora tenha exercido este alto cargo um D. João Afonso, falecido em 1353. Será o mesmo, que assim não usou o nome Costa? E será que o conde D. Pedro ia ignorar uma família que tinha um mestre da Ordem de Cristo, ainda por cima seu contemporâneo?

 

Como quer que seja, é certo que Lopo Afonso da Costa, que nasceu cerca de 1303, provavelmente em Évora, foi casar a Tavira com uma filha de João Galvão e foram pais de Afonso Lopes da Costa, morador em Tavira quando a 21.2.1384 teve do mestre de Avis confirmação do prazo de uma azenha no termo daquela vila e a mercê da dispensa do foro (que consistia num quarto da produção), certamente a mesma azenha que D. Fernando já confirmara ao pai. Deste Afonso Lopes foi filho Fernão Lopes da Costa, nascido cerca de 1363, que Gaio, quando trata os Galvão, diz que viveu em Évora, onde de facto casou cerca de 1387 com Mécia Martins da Silveira, nascida cerca de 1372, irmã mais velha de Nuno Martins da Silveira, 1º senhor de Terena (8.5.1436), escrivão da puridade de D. Duarte, rico-homem, fidalgo do Conselho, coudel-mor e vedor das obras do reino, alcaide-mor de Terena, embaixador a Castela, etc.

De Fernão Lopes da Costa e sua mulher Mécia Martins da Silveira foi filho Gonçalo Fernandes da Costa, que foi prior de Évora e na juventude teve um filho e duas filhas naturais a que deu o nome Galvão, sendo o filho o famoso Rui Galvão, n. cerca de 1405, escrivão da câmara de D. João I (pelo menos desde o início de 1329) e de D. Duarte, e depois secretário de D. Afonso V e fidalgo do seu Conselho (1463), com geração conhecida.

Alão chama àquele prior João Fernandes e diz que teve a alcunha de «o perna de vinho». Mas é quase certo que se chamou Gonçalo Fernandes, pois seu filho Rui Galvão, embora normalmente se documente apenas com este nome, por vezes aparece Rui Gonçalves Galvão, como a 17.3.1450 quando D. Afonso V privilegia Rica, judia, viúva, mulher que foi de Judas Abaatar, mercador na cidade de Évora, isentando-a do direito de pousada, a pedido de Branca Gonçalves, mulher de Rui Gonçalves Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa.

 

Regressando ao Lopo Afonso da Costa casado com uma filha de João Galvão, deve também ter sido seu filho um virtual João Lopes da Costa, nascido cerca de 1333, que terá ficado a viver em Tavira e sido pai do Vasco Anes da Costa que Alão diz que foi cavaleiro honrado de Tavira nos reinados de D. Fernando I e D. João I e fronteiro-mor do Algarve, e que talvez seja o Vasco Anes, escudeiro, morador em Tavira, a quem o mestre de Avis doou a 30.3.1384 todos os direitos e rendas da mouraria da dita vila.

Deste Vasco Anes da Costa foi filho Vasco Anes Corte Real, o 1º deste nome, armador-mor do reino, falecido antes de 17.3.1463, que é dado como um dos «12 cavaleiros de Inglaterra». Segundo Alão, mudou o nome para Corte Real por «ser grande agasalhador dos cavaleiros que vinham à Corte; e por ele disse o dito Rei (D. Duarte), quando Vasco Eanes estava em sua Corte; era a sua Corte Real». Acrescenta Alão que foi alcaide-mor de Tavira e de Silves, o que não se documenta. O certo é que Vasco Anes Corte Real se documenta bem em Tavira desde 1433, nomeadamente como cavaleiro da Casa Real e armador-mor, e que já tinha falecido a 17.3.1463.

 

Soeiro da Costa, navegador, alcaide-mor (antes de 1439) e almoxarife (8.5.1433) de Lagos, nasceu cerca de 1391 e faleceu em 1472. Nenhuma genealogia refere a sua filiação, mas estou em crer que era irmão do único outro Costa que nessa época se documenta em Lagos, Lourenço Pais da Costa, nascido cerca de 1390, tabelião, escudeiro do infante D. Pedro, morador na vila de Lagos, que a 31.5.1443 foi nomeado procurador dos resíduos na dita cidade e seu termo e a 9.1.1444 escrivão perante o contador dos vassalos. Portanto, ambos filhos de um Paio, que devia ser irmão do referido Vasco Anes da Costa, de Tavira. Pela cronologia, é pelo menos de aceitar que Soeiro da Costa e aquele seu proposto irmão Lourenço fossem bisnetos de Lopo Afonso da Costa, o primeiro que vai para o Algarve pelo casamento com uma filha de João Galvão.

 

Finalmente, falta integrar os chamados Costa com Dom, descendentes de D. Álvaro da Costa, cuja filiação ainda não encontrei em fontes primárias, nem tão-pouco encontrei documentação sobre os que são apontados como seus pais, Martim Rodrigues de Lemos, que refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Lemos portugueses, e sua mulher Isabel Gonçalves da Costa. Mas, dada a cronologia, estatuto e onomástica, não há razão para duvidar desta reiterada informação genealogia, que aliás se pode documentar indirectamente.

Com efeito, documenta-se que D. Álvaro da Costa era tio de Gaspar da Costa, ou Gaspar da Costa Cabral, fidalgo da Casa Real, fidalgo de cota de armas (21.8.1552), alcaide-mor de Sortelha e senhor da quinta de Ninho de Açor. E, na carta de armas deste, embora infelizmente os pais e avós não sejam nomeados, diz-se que Gaspar da Costa Cabral descendia, por seus pais e avós, dos Cabral, Costa e Lemos, e teve confirmado um escudo esquartelado com Cabral no 1º, Costa no 2ª e 3ª, e Lemos no 4º, o que concorda perfeitamente com a ascendência que se lhe conhece, ou seja, que era filho de Pedro da Costa Cabral e sua mulher D. Isabel Rodrigues (da Costa), filha esta dos referidos Martim Rodrigues de Lemos e Isabel Gonçalves da Costa.

Esta carta de armas serve também para afastar a ideia, que algumas genealogias tardias veiculam, de que D. Álvaro era dos Costa do cardeal de Alpedrinha.

Portanto, D. Álvaro da Costa era irmão de D. Isabel Rodrigues (da Costa), que casou com seu parente Pedro da Costa Cabral, senhor da quinta de Ninho de Açor, o que se documenta, pois a 11.10.1513 D.Isabel Rodrigues, viúva de Pedro da Costa, fidalgo da Casa Real, então moradora na vila de Tomar, fez procuração a seu filho Gaspar da Costa em todas as suas coisas e especialmente em um concerto que faz com seus enteados.

A filiação de Isabel Gonçalves da Costa nem as genealogias referem. Mas conhecendo a genealogia dos Costa desta região e época, é possível propor, até por exclusão de partes, que esta Isabel seja irmã de Gonçalo da Costa de Gouveia, nascido cerca de 1449, senhor de Papízios e de Stª Eufémia da Matança, fidalgo da Casa Real, fidalgo de cota de armas (6.8.1529, para Gouveia em pleno, por ser desta varonia), bem documentado filho de Gomes Gonçalves da Costa, senhor de Stª Eufémia da Matança, e de sua mulher Genebra Anes de Gouveia, sendo este Gomes Gonçalves irmão de D. João da Costa, bispo de Lamego (1448-1463) e prior de Stª Cruz de Coimbra, e de Pedro da Costa, corregedor de Além Douro, regedor da Casa do infante D. Pedro e desembargador da Casa da Suplicação, todos filhos de Gonçalo Fernandes de Gouveia e sua mulher Maria Anes da Costa, filha de Pedro Anes da Costa, senhor de Lusinde.

 

Por último, um esclarecimento sobre os Costa ditos de Alpedrinha, que surgem nos finais do séc. XV com o célebre cardeal D. Jorge da Costa (1406-1509), que antes de ser prelado se chamou Jorge Martins e que não pertencia a esta linhagem. O jovem Jorge Martins era filho de Martim Vaz e Catarina Gonçalves, caseiros de uma quinta chamada da Costa, em Alpedrinha (Fundão), donde depois D. Jorge tirou o nome, que toda a sua família seguiu. Seus pais eram «gente mui baixa, popular e pobre» (Damião de Góis, seu contemporâneo). Ainda muito novo fugiu de casa de seus pais e foi guardar porcos para Santarém, e depois servir um estudante de Lisboa, onde então estava a Universidade. Em Lisboa estudou Latim, Filosofia e Teologia no hospício de Stº Elói e cedo se revelou a sua grande inteligência. Em pouco tempo já dava explicações de Latim a estudantes pobres, conseguindo assim algumas receitas que lhe permitiram prosseguir os estudos. Quando os cónegos de Santo Agostinho tomaram posse do hospício de Stº Eloi, onde ele estava, deram-lhe uma capelania no próprio mosteiro, então aí fundado. A sua fama de latinista levou D. Afonso V a chamá-lo em 1445 para mestre da infanta D. Catarina, por indicação do seu reitor. Foi depois bispo de Évora (1463), arcebispo de Lisboa (1464-1500) e de Braga (1501-1505) e conselheiro de D. Afonso V, tendo sido feito cardeal pelo Papa Sisto IV a 18.12.1476, com o título dos Santos Pedro e Marcelino, embora ficasse conhecido como o cardeal de Alpedrinha. Por desentendimentos com o príncipe, futuro D. João II, foi para Roma em 1483, donde governou os seus arcebispados e bispados e onde o seu prestígio e poder foi crescendo, não sendo Papa porque recusou. O Papa Alexandre VI deu-lhe o governo de toda a Igreja portuguesa e D. Jorge chegou a ser, ao mesmo tempo, arcebispo de Braga e de Lisboa, bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta, Dom abade de Alcobaça e de mais cinco abadias e de inúmeros priorados, nomeadamente a Colegiada de Guimarães, igrejas e conezias, conseguindo, ao longo dos seus 103 anos de vida, uma imensa fortuna para si e para toda a sua família. De facto, o cardeal de Alpedrinha teve vários meios-irmãos, de um 2º casamento de seu pai, que eram muito mais novos do que ele. Entre eles Jorge Vaz, depois também D. Jorge da Costa quando foi arcebispo de Braga (1486-1501); Martim Vaz (n. cerca de 1434 e fal. a 28.11.1521), depois D.Martinho da Costa quando foi arcebispo de Lisboa (1500-1521); Catarina da Costa, que em 1468 casou

(A 28.3.1468 D. Afonso V confirma o contrato de casamento e de dote e arras celebrado entre Pedro de Albuquerque, fidalgo da sua Casa, filho de Pedro de Albuquerque, com Catarina da Costa, irmã de D. Jorge, arcebispo de Lisboa, do seu Conselho)

com Pedro de Albuquerque, irmão do conde de Penamacor; Isabel da Costa, que casou com D. João de Sottomayor, filho do conde de Caminha; Luiza da Costa, que casou com D. Cristóvão de Cardenas; e Margarida Vaz, n. cerca de 1450/5 (portanto 44 a 49 anos mais nova do que seu meio-irmão), a quem o cardeal deu sua quinta da Atalaia (que já tinha em 1472), bem como a quinta de Pancas, que comprou a D.Fernando de Vasconcellos (que a teve de seu sogro o conde D. Pedro de Menezes), e que casou cerca de 1480 com Lopo Álvares Feio. Estes últimos foram pais, entre outros, de Cristóvão da Costa, tesoureiro-mor da Sé de Lisboa, que instituiu o morgado de Santa Catarina, em Alpedrinha, e que mandou trasladar o corpo de seu tio D. Martinho de Gibraltar para Lisboa, onde o fez sepultar na Sé; D. Diogo (Álvares) da Costa, bispo do Porto (1505); D. António (Álvares) da Costa, também bispo do Porto (1505), fal. em 1507; D. Pedro (Álvares) da Costa, n. em 1485, que foi nomeado como sucessor do irmão no bispado do Porto em 1507, com 22 anos de idade, tomando posse só em 1511, exercendo até 1535 e vindo a falecer em Espanha em 1563, tendo aí sido bispo de Leão e depois de Osma; Joana da Costa casada com Francisco Machado Freire, c.g. nos morgados de Pancas; e João da Costa, n. cerca de 1490, senhor das quintas de Atalaia e Pancas.

D. Jorge usou um escudo eclesiástico com a roda de navalhas de Stª Catarina, usado também por seus irmãos arcebispos e sobrinhos bispos e restantes parentes eclesiásticos. Mais tarde, a sua família usou estas armas partidas com as dos Costa, a que não tinham direito.

 

As armas dos Costa medievais são falantes, ou seja, representam o próprio nome: de vermelho, seis costas de prata postas em três faixas e dispostas em duas palas, firmadas nos flancos do escudo. Timbre: duas costas de prata passadas em aspa e atadas de vermelho. Segundo alguns autores, as peças representam um tipo de facas de sapateiro de lâmina curva e sem ponta, precisamente designadas de «costas», o que poderá querer dizer alguma coisa sobre a sua origem.

 

Segue abaixo um esquema da reconstituição genealógica dos Costas até aos inícios do séc. XVI, onde, sobretudo nos da Beira, reproduzo parte do que publiquei em «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004. As filiações que não são documentas ou seguras estão antecedidas por um ponto de interrogação.

Mas fora deste esquema ficaram muitos indivíduos que usaram o nome Costa e documentei nos finais do séc. XIV e no séc. XV, sem contudo recolher elementos suficientes sequer para propor um lugar nessa tentativa de reconstituição. Desde logo, em Évora, onde se documentam os mais antigos Costa, alguns ficaram por integrar, como é caso do cónego Álvaro da Costa, do prior de Beja Pedro da Costa e de Tristão da Costa, todos indivíduos não identificados, documentados na época medieval em Évora por Gabriel Pereira («Documentos históricos da cidade de Évora», 1885).

Eis a extensa lista dos restantes Costa que falta integrar, no caso de serem integráveis, pois misturam-se nela plebeus e nobres, todos usando o mesmo apelido:

 

·          Nicolau da Costa, a quem o mestre de Avis doou a 9.5.1384 uma casas na cidade do Porto, à Fonte Ourina.

·          Martim Vasques da Costa, morador na cidade do Porto, cujo escudeiro Diogo Afonso, vassalo de D. Afonso V, a 21.2.1455 teve carta de privilégio para todos os seus  caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores, que viverem e lavrarem, nas suas terras, quintas e casais.

·          João da Costa, guardador dos postos da comarca de Torre de Moncorvo (9.2.1439).

·          João Esteves da Costa, escudeiro do infante D. Pedro, moço dos contos da comarca do almoxarifado de Santarém (1440). A 17.9.1442 D. Afonso V perdoa a justiça régia e dá carta de segurança a João Fernandes, almocreve, morador na vila de Santarém, acusado de maus tratos na sua mulher Zizila Eanes, criada de João Esteves da Costa, a quem também bateu, e da fuga da prisão da dita vila, contanto que se livre de direito do que fora acusado.

·          Martim Gomes da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, morador em Santarém. A 26.7.1441 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Martim Gomes da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, acusado de tentar matar Diogo Martins, morador no termo de Santarém, e pela fuga da prisão, contanto que se livre de direito do que era acusado e preso. A 22.4.1446 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Luiz Anes, lavrador, morador na Codeseira, termo da vila de Santarém, culpado de ter morto um cavalo de Martim Gomes da Costa, escudeiro, morador na dita vila, tendo pago 500 reais de prata.

·          João [Soares] da Costa, morador na vila de Santarém, que a 24.9.1450 foi nomeado, novamente, para o cargo de procurador do número nessa vila.

·          Estêvão da Costa, morador em Santarém, que a 15.4.1453 teve licença real para andar de besta muar de sela e freio.

·          Jorge da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V, a quem a 18.11.1465 este rei perdoa a justiça régia, sendo acusado da morte de Álvaro Pires, na vila de Santarém, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que foram servir na armada para África no ano de 1463.

·          João da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, morador na vila de Santarém, nomeado corregedor da comarca e correição da Estremadura a 6.1.1471 e confirmado a 23.3.1473. A 19.10.1475 D. Afonso V doa a João da Costa, cavaleiro da sua Casa e corregedor na comarca da Estremadura, uma tença anual de 10.000 reais de prata, até obter o ofício de ouvidor na cidade de Lisboa. A 5.8.1476 João da Costa, cavaleiro, vizinho de Santarém, foi confirmado pelo rei na nomeação feita pelo concelho e homens bons da vila de Santarém para o cargo de vedor de todas as despesas e obras de Santarém, em substituição de João Rodrigues, havendo de mantimento 2.000 reais de prata. E a 27.8.1476 privilegia vitaliciamente João da Costa, antigo corregedor da comarca da Estremadura, que foi durante oito ou nove anos, concedendo-lhe todos os privilégios e liberdades que têm os desembargadores da Casa da Suplicação.

·          Maria da Costa, mulher solteira, estante na vila de Santarém, que a 20.1.1476 teve perdão da justiça régia, da prisão e de ser citada civelmente, pelo pecado que cometera sendo manceba de Vicente Lourenço, escudeiro do chanceler-mor, tendo na mesma data sido concedido igual perdão a este Vicente Lourenço, contanto que não volte a ter outras mancebas.

·          Gonçalo da Costa casado com Catarina Anes. A 9.10.1440 D. Afonso V perdoa a justiça régia a João do Vinhal, morador no julgado de Valdevez, acusado de ter levado Catarina Anes, mulher de Gonçalo da Costa, na sequência do perdão geral outorgado para reduzir o despovoamento de alguns lugares do reino.

·          Fernando Lourenço da Costa, escudeiro do infante D. Pedro, morador em Beja. A 16.1.1441 seu criado Fernão Rodrigues foi nomeado homem do almoxarifado dessa vila.

·          João Rodrigues da Costa, almoxarife em Beja, que a 15.4.1443 teve quitação da verba de 2.054.857 reais de prata, relativa aos anos de 1440-1441 e 1441-1442, conforme apresentação do relatório de receitas e despesas.

·          Fernão Rodrigues da Costa, vassalo de D. Afonso V, morador em Beja, que a 10.8.1456, a pedido da infanta D. Catarina, teve privilégio real de aposentação sem ter atingido a idade de 70 anos, com todas as honras, liberdades e franquezas. Talvez irmão do anterior.

·          Afonso da Costa, alcaide pequeno de Beja. A 29.8.1451 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Lourenço Vicente Alcouchel, escudeiro, seu vassalo, morador na vila de Beja, acusado de tentar matar Afonso da Costa, alcaide pequeno de Beja, morador na dita vila, mediante o perdão das partes, tendo pago 300 reais para a Piedade.

·          Mem Rodrigues da Costa, escudeiro e criado do infante D. João, nomeado a 20.3.1443 tabelião de Oriola (Portel) e Aguiar (Viana do Alentejo). Talvez pai do seguinte.

·          Mem Rodrigues da Costa, escudeiro, criado de Nuno Martins da Silveira, morador em Portel, nomeado a 22.11.1454 tabelião do cível e crime de Aguiar e a 21.1.1463 escrivão das sisas de Oriola. Talvez filho do anterior.

·          João Rodrigues da Costa, juiz dos órfãos de Serpa, que a 5.6.1444 foi substituído no cargo de coudel desta vila e a 13.3.1450 nomeado juiz e contador dos resíduos das obras régias e piedosas.

·          Rui da Costa, morador em Serpa, morto antes de 8.6.1464, talvez filho do anterior. A 23.6.1452 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Rui da Costa, morador em Serpa, na sequência do perdão geral outorgado aos que participaram nos desacatos e assaltos entre João de Mello e Rui Dias, e os seus, nos quais morreram João Vasques Sarilho, Luiz Marques e João Moura. A 8.6.1464 perdoa a justiça régia a Afonso Esteves Afonso, morador em Moura, acusado da morte de Rui da Costa na vila de Serpa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta, e mediante o perdão das partes.

·          Gonçalo Nunes da Costa, lavrador, morador na freguesia de Gavisco, termo da vila de Valença, que a 6.3.1445 teve cartas de perdão e segurança, acusado de ter ferido Martim Gonçalves, serralheiro, morador na dita vila, e de ter fugido da prisão.

·          Rui da Costa, morador em Pinheiro, termo de Valença do Minho, que a 3.7.1462, a pedido de Álvaro Veloso, escudeiro de Álvaro do Souto, teve privilégio real que o isentava do pagamento de diversos impostos ao concelho, de ser posto por besteiro do conto, de qualquer encargo, servidão e ofício concelhio, bem como do direito de pousada.

·          João da Costa, cavaleiro, morador em Évora, que por morte de sua mulher deixou bens de raiz no termo de Évora e de Lavar ao mosteiro de S. Francisco de Évora, que a 19.12.1445 D. Afonso V doa a Álvaro de Brito, cavaleiro da sua Casa e vedor mor das artilharias régias da guerra.

·          João da Costa, lavrador, que foi morto por Vasco Domingues de Sela. A 20.4.1446 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Gil Eanes, sapateiro, morador no arrabalde da cidade de Braga, acusado de falso testemunho sobre esta morte.

·          João da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V, que a 16.11.1449 lhe doou todos os bens móveis e de raiz que pertenciam a Vasco de Brito, escudeiro do infante de D. Pedro, que os perdera por ter ido na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito Infante.

·          Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha D. Isabel, contador da cidade de Lisboa, fal. antes de 3.1.1464, casado com Isabel Anes (filha de João Martins), mãe de João, Antão e Joana. A 15.1.1450 D. Afonso V privilegia Pedro da Costa, recebedor da sisa geral dos vinhos de Lisboa, concedendo-lhe uma tença anual, para seu mantimento e vestir de 735 reais de prata. A 30.3.14(51) o mesmo rei nomeia Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha, para o cargo de contador da cidade de Lisboa. A 4.5.1451 privilegia João de Viseu e sua mulher Inez Afonso, moradores em Santarém, termo da cidade de Lisboa, concedendo-lhes licença para que por suas mortes doassem os seus bens móveis e de raiz a Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha D. Isabel. A 27.5.1455 nomeia Pedro da Costa, escudeiro da rainha D. Isabel, e a seu pedido, para o cargo de contador dos contos na cidade de Lisboa, em substituição do seu sogro, João Martins, que fora aposentado, por se encontrar velho e já não poder exercer devidamente as suas funções. A 7.10.1463 nomeia Pedro Anes, criado de Pedro da Costa, escudeiro da sua Casa, contador dos contos na cidade de Lisboa, para o cargo de requeredor da sisa da merçaria nessa cidade. A 3.1.1464 nomeia João Gonçalves, escrivão da alfândega de Lisboa, para o cargo de contador dos resíduos da dita cidade, em substituição de Pedro da Costa, que morrera. A 8.12.1465 D. Afonso V confirma o perfilhamento de João, Antão e Joana, filhos de Isabel Anes, que fora casada com Pedro da Costa, morador em Lisboa, feito por Martim Gonçalves, escudeiro e feitor no condado de Frades, com direitos de herança. Possivelmente Pedro da Costa foi pai do que segue.

·          Tristão da Costa, escudeiro e cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, contador dos contos da cidade de Lisboa, talvez filho do anterior. A 13.3.1464 D. Afonso V concede carta de privilégio a Tristão da Costa, escudeiro do conde de Guimarães, isentando todos os seus caseiros, lavradores, encabeçados, amos e apaniguados, de qualquer imposto e encargo concelhio, de serem postos por besteiros do conto, de ir com presos e dinheiros, de servir por mar ou terra, bem como do direito de pousada. A 9.10.1464 nomeia Tristão da Costa, escudeiro do conde de Guimarães, para o cargo da contadoria dos contos régios da cidade de Lisboa, a partir do momento em que vague o referido cargo, sem embargo de ser para além do número, com o mantimento, direitos e rendas. A 24.10.1471 concedeu aTristão da Costa, contador dos contos da cidade de Lisboa, licença para andar de besta muar de sela e freio por todo o reino e senhorio. E a 10.10.1475 privilegiou Tristão da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, contador dos contos régios da cidade de Lisboa, mandando que quando ele deixar de exercer o dito cargo seja um seu filho maior a substitui-lo.

·          Martim da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Bragança. A 21.1.1450 obteve um privilégio real para um sobrinho de seu amo, morador na freguesia de S. Pedro de Maxainhas.

·          João Domingues da Costa, morador em Porto de Mós, que a 27.5.1450 foi substituído no cargo de besteiro de cavalo por Martim Freire, morador em Cortes, termo de Leiria.

·          João da Costa, morador em Faro, que a 26.8.1451, juntamente com João Rodrigues, teve perdão da justiça régia e do degredo, tendo pago cada um 400 reais de prata para a Arca da Piedade. A 1.10.1452 D. Afonso V perdoa a Afonso do Casto, João da Costa, Afonso do Egipto, Rodrigo da Rapadoira, entre muitos outros, moradores no julgado de Faro, responsáveis por conduzir Lopo Rodrigues, escudeiro do arcebispo de Braga, morador em Valença do Minho, para a cadeia de Ponte de Lima, e por o deixarem fugir para a Galiza, numa emboscada.

·          Estêvão da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, que a 19.10.1475 teve uma tença anual de 2.000 reais de prata, pelos bons serviços prestados nos reinos de Portugal.

·          Rui da Costa, que teve querela com Luiz Pires Delicado. A 25.7.1454 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Luiz Pires Delicado, pela querela que dele dera Rui da Costa, contando que pague 1.000 reais para Arca da Piedade.

·          João Álvares da Costa, vassalo de D. Afonso V, morador em Atalaia, que a 22.9.1454 foi vedor dos vassalos nessa vila e de Asseiceira.

·          João da Costa, alcaide que foi de Pena do [Douro], que a 28.9.1455 teve carta real de perdão e segurança pela fuga da prisão do Limoeiro, da cidade de Lisboa, contanto que se livre de direito do que fora acusado e preso.

·          Henrique da Costa, escudeiro de D. Álvaro de Castro, morador em Castanheira, morto antes de 11.7.1463. A 29.9.1456 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Henrique da Costa, escudeiro de D. Álvaro de Castro, e a seu pedido, acusado de roubar a casa de João Lourenço, morador na Castanheira, e de levar e pecar na lei do casamento com sua mulher, Briolanja Rodrigues, na sequência do perdão geral outorgado pela ida contra o Turco, contanto que vá estar três anos na cidade de Ceuta, sendo os dois primeiros à sua custa e o último por conta régia. A 11.7.1463 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Gil Franco, morador na Castanheira, acusado da morte de Henrique da Costa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados, contanto que não entre no lugar e termo onde ocorrera a dita morte.

·          Diogo da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, a quem pediu e obteve a 25.6.1459 privilégio para Samuel Hudara, judeu sapateiro, morador na Covilhã, isentando-o dos encargos e serviços do concelho ou comuna onde morar, de ser posto por sacador ou taxador, de servir nas obras salvo se forem régias, bem como do direito de pousada, podendo levar para fora da vila os couros que quiser.

·          Fernão da Costa, homem-bom da Covilhã e procurador da Câmara às Cortes de 1459. A 24.6.1459 D. Afonso V, na sequência dos capítulos especiais apresentados pelo concelho e homens bons da vila da Covilhã nas cortes de Lisboa de 1459, por Afonso André e Fernão da Costa, seus procuradores, decide sobre o privilégio de não pagarem portagem em nenhum lugar do reino e os castigos a aplicar aos alcaides que não cumpram esse privilégio, as obras que se devem fazer para reparar os muros e barreiras da vila, os privilégios de alguns moradores, entre outros. Talvez irmão do anterior. Os quatro seguintes parecem seus filhos.

·          Sebastião da Costa, escrivão da câmara do infante D. Fernando, coudel da Covilhã, provavelmente filho do anterior. A 4.12.1465 D. Afonso V nomeia por 5 anos Sebastião da Costa, escrivão da câmara do infante D. Fernando, para o cargo de coudel na vila da Covilhã, em substituição de Gil Figueiredo e de João Fernandes, que terminaram o tempo de exercício do cargo.

·          Fernão da Costa, escudeiro, morador na Covilhã, provavelmente irmão do anterior, que a 2.9.1469 foi coudel desta vila e seu termo, por três anos, em substituição de Sebastião da Costa, que terminou o seu tempo de serviço.

·          Henrique da Costa, escudeiro do duque (D. Fernando?), provavelmente irmão do anterior, que a 15.7.1472 foi coudel da Covilhã, por três anos, em substituição de Fernão da Costa, que terminara o seu tempo de serviço, e a 7.3.1475 foi substituído por Martim Gomes Telles, escudeiro, morador na Covilhã.

·          João da Costa, escudeiro do arcebispo de Lisboa, provavelmente irmão do anterior, que a 3.8.1475 foi nomeado vitaliciamente para o cargo de coudel da Covilhã, assim que o titular do cargo termine o seu tempo de serviço e desde que tire carta de ofício de três em três anos.

·          Jordão da Costa, escudeiro e criado do infante D. Henrique, morador em Abrantes. A 19.12.1460 D. Afonso V doa a Jordão da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, os bens que pertenceram a Vasco Gil de Orta e a seus filhos Afonso Vasques e Lourenço Vasques, moradores no termo de Abrantes, que os perderam por terem vendido alguns carneiros a um castelhano, sem licença régia. E a 13.9.1469 afora em enfatiota a Jordão da Costa, escudeiro e criado do infante D. Henrique, pelo seu casamento, duas azenhas de moer pão, situadas no lugar de Degraus, acima da vila de Abrantes, pelo foro anual de dois pares de capões, a pagar ao almoxarife da dita vila, a partir do Natal de 1470.

·          Rui da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, que a 24.5.1466 este rei nomeou para o cargo dos contos régios nas comarcas de Leiria e Óbidos, em substituição de Luiz Pestana.

·          Pedro Álvares da Costa, nascido em 1376, morador em Castelo de Vide, acontiado em besta de garrucha, que a 18.7.1446 foi aposentado pela idade de 70 anos. Talvez pai de Fernão Pires da Costa (pai de Pedro da Costa, referido adiante).

·          Álvaro Martins da Costa, vassalo de D. Afonso V e vizinho em Castelo de Vide, que foi coudel desta vila (substituído a 19.7.1446 por Diogo Álvares, escudeiro do Infante D. Pedro, talvez seu filho), e a 7.6.1456 foi nomeado no cargo de sesmeiro nessa vila e seu termo, como o fora por eleição desse concelho. Parece pai do seguinte.

·          João Álvares da Costa, morador em Castelo de Vide, que a 30.5.1459 teve perdão da justiça régia, acusado de agredir Pedro, filho de Estêvão Pires, aí morador, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na conquista de Alcácer. Talvez filho do anterior e irmão do seguinte.

·          Nuno da Costa, escudeiro do prior e cardeal D. James, tabelião de Castelo de Vide em sucessão a seu sogro Álvaro de Matos, e cunhado de Rui de Matos (ascendente dos condes de Armamar) e Afonso de Matos. A 18.12.1461 foi nomeado para o cargo de tabelião das notas de Castelo de Vide, em substituição de Álvaro de Matos, seu pai (sogro), que renunciara. A 25.1.1469 D. Afonso V privilegia Nuno da Costa, escudeiro do prior, tabelião das notas na vila de Castelo de Vide, concedendo-lhe licença para pôr um homem no seu ofício, e que o exerça por ele, enquanto andar acompanhado de uma carta de segurança, em demanda de Gonçalo de Andrade, juiz da dita vila, por várias querelas. A 8.10.1471 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Afonso de Matos, escudeiro do duque de Viseu, e Rui de Matos, escudeiro da sua Casa, acusados por Gonçalo de Andrade, escudeiro da sua Casa e juiz que foi na vila de Castelo de Vide, e aí morador, de o terem ferido quando ia prender Nuno da Costa, seu cunhado, por querela que dele deu Pedro, homem solteiro, filho de Martinho Eanes, morador em Nisa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes. A 14.10.1471 D.Afonso V perdoa a justiça régia e o degredo de dois anos a Nuno da Costa, escudeiro e criado do cardeal D. James, a que foi condenado para Ceuta, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada de Arzila e cidade de Tânger. A 11.11.1471 o mesmo rei  perdoa a justiça régia a Vasco Pires, escudeiro da sua Casa, morador na vila de Castelo de Vide, pela querela que ele tivera com Nuno da Costa, tabelião, morador na dita vila, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes. A 28.2.1472 perdoa a justiça régia a Eduardo Rodrigues, escudeiro de Vasco Martins de Mello, fidalgo da sua Casa e alcaide-mor de Castelo de Vide, acusado ter espancado e maltratado Nuno da Costa, morador na dita vila, e a Antão Rodrigues, tabelião na dita vila, mediante o perdão das partes e na sequência do perdão geral outorgado aos que foram na conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger. A 20.1.1473 nomeia Rui de Matos, escudeiro da sua Casa, nos cargos de contador dos feitos e custas e inquiridor na vila de Castelo de Vide, em substituição de Nuno da Costa, escudeiro que foi do cardeal D. Jaime, que renunciara.

·          Martim Dias da Costa, morador em Castelo de Vide, certamente parente do anterior, que a 8.10.1471 teve perdão justiça régia por ter ferido Gonçalo de Andrade, escudeiro da Casa Real e juiz que foi na vila de Castelo de Vide, ambos aí moradores, quando este ia prender Nuno da Costa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes.

·          Pedro da Costa (filho de Fernão Pires da Costa), morador em Castelo de Vide, a quem a 18.5.1475 D. Afonso V perdoa a justiça régia, acusado de ter ferido Vasco Fernandes, morador na dita vila, mediante o perdão das partes, tendo pago 800 reais de prata para a Piedade.

·          Nuno da Costa (filho de Fernão Rodrigues), moço da estribeira e depois escudeiro da Casa de D. Afonso V, tabelião do cível e crime e escrivão dos órfãos e dos resíduos de Elvas, em sucessão a seu pai. A 16.12.1465 D. Afonso V doa a Nuno da Costa, moço de estribeira de sua Casa, os bens que Catarina Fernandes, moradora em Elvas, deixara a Isabel Fernandes, sua criada, que morrera sem deixar testamento ou herdeiros. E a 26.12.1476 o mesmo rei nomeia Nuno da Costa, escudeiro da sua Casa, morador em Elvas, para os cargos de tabelião do cível e crime na dita vila e seu termo, e de escrivão dos órfãos e dos resíduos na dita vila, tudo em substituição de seu pai, Fernão Rodrigues, que renunciara ao cargo a favor dele, pois possuía um alvará passado pelo rei segundo o qual por sua renúncia ou morte o cargo passaria para o seu filho.

·          Álvaro Tristão, cavaleiro do conde de Loulé, capitão e regedor régio das vilas de Arzila e Alcácer, que a 10.5.1472 foi nomeado para o cargo de vedor das obras da vila de Arzila. Certamente o Álvaro Tristão, de Elvas, irmão de Tristão da Costa, que segue, e provavelmente parente do anterior, Nuno da Costa.

·          Tristão da Costa, moço da câmara da Casa de D. Afonso V, que a 26.7.1464 teve deste rei os bens móveis e de raiz que pertenceram a Álvaro Tristão, seu irmão, cavaleiro, que os perdeu por matar Gil Anes, de Elvas. Este Álvaro Tristão parece o anterior. Tristão da Costa é certamente o pai dos que seguem.

·          João da Costa, Lourenço da Costa e Fernando Aranha, irmãos, escudeiros, moradores na vila de Elvas, certamente filhos do anterior. A 12.6.1469 D. Afonso V concedeu-lhes licença para uso e porte de armas nesta vila e seu termo e por todo o reino e senhorio, em virtude de se sentirem ameaçados por Pedro Martins e Nuno de Góis, acusados na morte de seu pai. Já a 6.10.1463 D. Afonso V doa a Águeda Fernandes, viúva de Gil Anes, morador na vila de Elvas, e a seus filhos, e a João da Costa, Rui da Costa, Lourenço da Costa, Álvaro, Beatriz Fernandes, Leonor, Catarina, Maria e Isabel, todos os bens que pertenceram a Álvaro Tristão e a Pedro Martins, alcaide pequeno da vila de Elvas, moradores nessa vila, que os perderam por terem morto o dito Gil Anes. E a 19.4.1473 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Pedro de Góis, escudeiro, morador na vila de Elvas, acusado de, juntamente com Álvaro de Abreu, morador na dita vila, filho de Rui de Abreu, terem ferido João Fialho, filho de Gil Anes Fialho, bem como pela fuga e quebra da prisão, mediante o perdão das partes, tendo pago 1.000 reais para a Arca da Piedade. E a 8.4.1459 o mesmo rei perdoou a Águeda Fernandes, morador na vila de Elvas, por querela que dela deu Pedro Martins, alcaide pequeno da dita vila, mediante o perdão das partes. E já a 9.4.1953 perdoara quatro meses de degredo a Fernão Lourenço, morador na vila de Elvas, dos seis a que foi condenado para fora da dita vila, acusado por Gil Anes Fialho de o ter ferido numa campanha de Frei Daniel, comendador do Hospital, tendo pago 200 reais de prata para  a Arca da Piedade. Finalmente, a 29.11.1469 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Fernando Aranha, escudeiro, morador na vila de Elvas, pela fuga da prisão do castelo desta vila, acusado por vários oficiais da dita vila de ser responsável pela fuga de Nuno Machado, quando o levavam preso, contanto que se livre de direito do que fora acusado.

·          João da Costa, cavaleiro, vassalo de D. Afonso V, a pedido de quem este rei a 26.5.1462 privilegia Afonso Anes, morador em Pernes.

·          João da Costa, escudeiro do conde de Atouguia, que a 13.6.1462 foi nomeado escrivão das sisas dos panos da feira de S. Sebastião de Ribadalva e das sisas da Lourosa, apesar de este ser exercido por Gomes Garcia, que comprara o dito cargo.

·          João da Costa, que a 16.2.1464 teve perdão da justiça régia, sendo culpado da morte de um homem junto ao mosteiro de Serzeda, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta.

·          Afonso da Costa, cavaleiro da Casa do conde de Vila Real, que a 20.2.1464 teve privilégio real, a pedido do conde, para que à sua morte possa o referido conde tomar à sua conta o filho maior do referido cavaleiro.

·          Álvaro da Costa, vassalo de D. Afonso V, escudeiro do duque de Bragança e morador na vila de Monforte, que a 8.3.1464 teve carta de privilégio para todos os seus caseiros, mordomos e apaniguados que estiverem nas suas herdades, encabeçados, quintas e casais.

·          João da Costa, escudeiro, morador em Avis, que a 20.7.1468 foi nomeado, por três anos, para o cargo de coudel de Ponte de Sôr e seu termo. A 19.8.1472 D. Afonso V nomeia por três anos Álvaro Mendes, escudeiro, morador na vila de Avis, para o cargo de coudel da vila de Ponte de Sôr e seu termo, em substituição de João da Costa, que tinha terminado o seu tempo de serviço.

·          Garcia da Costa, criado de D. Jorge, arcebispo da cidade de Lisboa, que a 26.7.1469 teve perdão da justiça régia e carta de segurança por, juntamente com outros homens, ajudar a tirar João Gonçalves do poder dos homens do alcaide da dita cidade, contanto que vá estar dois anos na vila de Alcácer, em África. E a 2.1.1470 D. Afonso V perdoa o degredo de dois anos a Garcia da Costa, criado de D. Jorge, arcebispo da cidade de Lisboa, a que fora condenado para a vila de Alcácer, em África, tendo pago 500 reais de prata para a Arca da Piedade.

·          D. Rodrigo da Costa, fidalgo da Casa de D. Afonso V, a pedido de quem a 3.9.1469 este rei doa a Gomes Anes, escudeiro do camareiro-mor conde de Monsanto, e a seus herdeiros, a administração da capela de Santa Cruz, situada na cidade de Lisboa, instituída por Bento Martins e Beatriz Martins, sua mulher, em substituição de Gil Afonso, morador no Lumiar, cidade de Lisboa, que a recebera de seu pai, Gil Afonso, morador na Ameixoeira, termo desta cidade, que morrera.

·          Rui da Costa, escudeiro de D. Pedro de Meneses, que a 6.7.1470 foi nomeado para o cargo de administrador da capela da igreja de Santa Maria de Vila Viçosa, instituída por Afonso Dias, mercador, aí morador, contanto que cumpra as cláusulas dispostas pelo dito Afonso Dias.

·          Afonso da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V e escrivão dos varregos da sisa da marçaria da cidade de Lisboa (17.5.1471), em substituição de Afonso Fernandes, escudeiro da Casa Real, que morrera. A 23.11.1471 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Afonso da Costa, escudeiro da sua Casa, morador na cidade de Lisboa, acusado de ferir João Martins, tanoeiro, aí morador, mediante o perdão das partes e na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada de Arzila. A 24.4.1475 o mesmo rei nomeia Álvaro Anes, escudeiro do arcebispo D. Afonso Nogueira, para o cargo de escrivão dos varejos da sisa régia da marçaria da cidade de Lisboa, em substituição de Afonso da Costa, que morrera.

·          João da Costa, acontiado em cavalo, morador em Ramalde, termo da vila de Torres Vedras, que a 21.6.1471 teve carta de privilégio, isentando-o de participar em alardo e de ter cavalo, contanto que pague a jugada.

·          Álvaro da Costa, casado com de Mícia Rodrigues, morador em Vila Viçosa, fal. antes de 20.10.1471, data em que D. Afonso V doa ao duque de Guimarães todos os bens que ficaram por morte de Álvaro da Costa, marido de Mícia Rodrigues, morador em Vila Viçosa. A 17.11.1472 D. Afonso V privilegia Álvaro Martins, escudeiro do conde de Penela, culpado da morte de Álvaro da Costa, concedendo-lhe licença para ficar no couto de Monsaraz, sem embargo de ter sido condenado e degredado para fora da vila de Monforte até 10 léguas.

·          Sebastião da Costa, ouvidor do Mestrado de Cristo, que a 2.9.1472 teve licença para comprar alguns bens de raiz que Gonçalo Pacheco vendia na vila de Tomar.

·          Catarina da Costa, mulher de João Jaques, ourives, moradores na cidade de Coimbra, que a 15.3.1473 teve carta de perdão da justiça régia, culpada de mandar bater e ferir João Anes, tecelão, mediante o perdão das partes, tendo pago 600 reais para a Arca da Piedade.

·          Diogo da Costa, tabelião do cível e crime (28.10.1477) e escrivão das sisas (29.10.1477) de Montargil, em substituição de Gonçalo Pires, escrivão do celeiro régio de Almeirim, que renunciara.

·          João da Costa, cavaleiro, ouvidor em Vila Franca de Xira, casado com Guiomar Lourenço, que a 12.2.1475 teve uma tença anual de seis moios de trigo da corte do [Preso], que é na granja do paul da Ota.

·          João da Costa, criado de Paio Rodrigues de Araújo, morador em Barbudo, terra do duque de Guimarães, que a 2.8.1476 teve carta de perdão da justiça régia, sendo acusado de vários delitos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela, e mediante o perdão das partes.

·          Fernão da Costa, recebedor da sisa do vinho na cidade de Lisboa, por cuja morte foi a 25.6.1480 substituído no cargo por Francisco Pestana, escudeiro e fidalgo da Casa Real.

·          Duarte da Costa, escudeiro, morador na Guarda, que a 20.6.1481 teve carta de perdão da justiça régia, por assalto e agressão física, mediante os instrumentos públicos de perdão feitos a seu favor, tendo pago 2.500 reais para a Piedade.

 

Esquema genealógico

§1

1.          Gonçalo da Costa, n. cerca de 1120, aparentemente o 1º deste nome. Em 1149 testemunha a carta de couto que D. Afonso Henrique deu a Mendo Eres e sua mulher Dordia Reinaldes para a sua quintã de Creixomil, no termo de Guimarães. Diz a Monarquia Lusitana que D. Afonso Henriques em 1154 mandou passar escritura do couto do mosteiro de Semide, na qual, entre os confirmantes, está um Gonçalo da Costa. Fala depois a ML numa «certa memória de Santa Cruz de Coimbra, que está num livro escrito de mão», onde se diz que em 1155 (1193) uma delegação capitaneada por D. Gonçalo de Souza, e que integrava um Gonçalo da Costa, foi a Santa Cruz contar o ouro do rei. Dizem as genealogias tardias que este Gonçalo da Costa teve assento no couto de Mancelos, então em Santa Cruz de Riba Tâmega (hoje Amarante), onde fundou uma torre e uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Costa, de que tirou o chamadouro. Dado o conde D. Pedro aparentemente não considerar os Costa, que ignora, uma linhagem de antiga nobreza, Gonçalo da Costa seria um dos muitos vilões melhorados que então floresciam, que tomou o nome da dita capela de Nossa Senhora da Costa, que terá fundado em Mancelos, onde fez a quinta da Costa que aparece nos Costa do séc. XV, e depois nobilitado ou engrandecido pelo serviço real.

1.1.   ?Mem Gonçalves (da Costa), n. cerca de 1150, que terá herdado a quinta da Costa, em Mancelos (Santa Cruz de Riba Tâmega). Talvez seja o Mem Gonçalves que nas inquirições se documenta com bens justamente em Santa Cruz de Riba Tâmega. Dada a notoriedade que seu alegado filho teve em Évora, muito provavelmente foi companheiro (mais novo) do célebre Giraldo Giraldes, o sem pavor, que em 1166 conquistou Évora, sendo esta a única cidade alentejana que não caiu durante a investida almoáda do séc. XII, só travada em 1190 em Tomar pelo mestre dos Templários D. Gualdim Paes e depois em Navas de Tolosa (1212). Resultou daqui que os cristãos que resistiram em Évora conseguiram enriquecer consideravelmente, e entre eles, porventura em posição destacada, estaria esse Mem Gonçalves, que assim seria verdadeiramente o patriarca da ascensão dos Costa. Talvez tenha mesmo casado com uma filha ou parente de Giraldo Giraldes, o sem pavor.

1.1.1.  ?Martim Mendes da Costa, n. cerca de 1180 e fal. depois de 4.2.1265, que foi alcaide-mor de Évora entre 1246 a 1257. Em Outubro de 1257 D. Afonso III aprova uma carta feita em Évora em Fevereiro desse ano, onde «Martinus Mendendi de Costa pretor et Joannes Stephani et Martinus Mendendi judices et concillium Elborensem» pedem ao rei que aprove a doação voluntária que o concelho fizera de Alvito ao chanceler D. Estêvão Anes (CAIII, livro 1). A 17.1.1265, sendo referido como cavaleiro, testemunhou a marcação dos limites entre Évora e Portel, como também ficou dito.

1.1.1.1.    ?Soeiro Martins da Costa, n. cerca de 1204, tronco dos COSTA do Alentejo e Algarve, no §2, onde segue.

1.1.1.2.    ?Pedro Martins da Costa, n. cerca de 1206.

1.1.1.2.1.   ?Estêvão Pires da Costa, n. cerca de 1230, que era alcaide-mor de Évora em Março de 1260 e a 17.1.1265, como cavaleiro, testemunha o referido acordo sobre os limites entre Évora e Portel.

1.1.1.2.1.1.  ?Soeiro Esteves da Costa.

1.1.1.2.1.1.1.    ?Estêvão Soeiro da Costa.

1.1.1.2.2.   ?Sancho Pires da Costa, n. cerca de 1232.

1.1.1.3.    ?Afonso Martins da Costa, n. cerca de 1208.

1.1.1.3.1.    ?João