Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Casa da Trofa

origens

armas

1º senhor

2º senhor

3º senhor

4º senhor

5º senhor

6º senhor

7º senhor

8º senhor

9º senhor

10º senhor

descendência

sangue real

representação

análise

bibliografia

 

Ensaio sobre a origem

dos Lemos portugueses

Séculos XIV e XV

Não é fácil de reconstituir a genealogia da origem dos Lemos em Portugal, desde logo porque não aparece nem um para amostra nas chancelarias reais da primeira dinastia. O mais antigo que se documenta na ascendência da Casa da Trofa é Giral Martins de Lemos, que num documento de 1377, de permuta de terras em Calhariz com o convento de Chelas, vem como escudeiro e morador em Lisboa, bem assim como na doação da quintã de Calhariz que sua viúva faz ao filho em 1396. E o estatuto e casamento deste Giral Martins indicam-no da pequena nobreza, se bem que rica justamente com o seu casamento na burguesia lisboeta, o que permitiu que seu filho Gomes Martins de Lemos fosse criado por de D. João I, tivesse o alto cargo de aio do infante herdeiro D. Afonso (irmão mais velho de D. Duarte, que morreu antes de seu pai), recebesse mercês logo em 1384, fosse senhor de juro e herdade de Oliveira do Conde em 1386 e chegasse a fidalgo de Conselho de D. João I, casando antes de 1396 na velha fidalguia senhorial com Mécia Vasques de Góis, neta sucessora e herdeira do alcaide-mor de Lisboa Estêvão Vasques de Góis, 10º senhor de Góis, com geração ilustríssima nos condes de Sortelha e marqueses de Abrantes e na Casa da Trofa. E foi da conjugação deste dois factores, o engrandecimento pessoal de Gomes Martins de Lemos e o seu casamento com a herdeira Góis, que esta linha de Lemos alcança no século XV o inegável estatuto de alta nobreza.

Mas, a par desta linha, outros Lemos se começam a documentar durante o séc. XV na pequena nobreza, portanto mais próximos do estatuto de Giral Martins de Lemos, que as genealogias posteriores a todo o custo procuraram entroncar na Casa da Trofa, baseados apenas no nome, coisa pouco significativa, e sem perceber a questão essencial da incompatibilidade de estatutos. A isto acresce, já na passagem do séc. XV para o XVI, o aparecimento de indivíduos com o nome Lemos que são certamente cristãos-novos que o adoptaram com a conversão forçada de 1497, ou livre conversão anterior, como são os casos, por exemplo, de Diogo de Lemos, mercador com loja de mercadoria pública, que foi ouvidor na ilha de Angra, por nomeação do respectivo donatário, tendo D. João III a 6.12.1527 mandado que o corregedor da ilha Terceira o informe sobre essa nomeação. Ou da Guiomar de Lemos, mulher de Lopo Fernandes, moradores em Estremoz, que a 11.10.1513 teve de D. Manuel I licença para usar da ciência e arte da cirurgia em todo o reino e senhorios, depois de o doutor Diogo de Faria, físico e cirurgião-mor do reino, ter examinado a sua capacidade. Ou o bacharel Francisco de Lemos que a 11.10.1520 teve mercê do ofício de físico. Ou ainda do Gil Fernandes, filho de Fernão Pires de Lemos, que teve carta de perdão (sem data legível) por em 1500, quando levava um tição de uma casa para outra, lhe ter quebrado uma brasa sem ele dar por isso, que ateara fogo às casas de Álvaro Anes, na freguesia de Stª Marinha, julgado do mosteiro de Arouca, e que por isso andara fugido, mas obtivera perdão do lesado por instrumento público de 14.3.1500, tendo pago 1.000 reais para a Piedade.

A inexistência de documentação, ou pelo menos a dificuldade em a encontrar, deixam-nos miseravelmente nas mãos das genealogias tardias para qualquer tentativa de reconstituição da genealogia dos Lemos portugueses dos séculos XIV e XV. O ponto de partida tem de ser, obviamente, o referido escudeiro Giral Martins de Lemos, que pelo cômputo da cronologia própria e envolvente terá nascido cerca de 1330. O seu estatuto de pequena nobreza não significa que não possa descender de uma linhagem da alta nobreza, como se documenta em muitos outros casos idênticos nesta época. E assim não podemos, só por isso, recusar a informação de Frei Filipe de Gândara, em «Hechos heroicos de los hijos de Galicia», Madrid, 1662, segundo a qual os Lemos portugueses, os da nobreza, bem entendido, descendiam dos Lemos da Galiza, uma notável linhagem que remonta, pelo menos, a Vasco Lopez de Lemos, que viveu no reinado de D. Alfonso I (739-757), ao serviço de quem reconquistou a terra de Lemos (Lugo), de que tomou o nome. Mas também estes Lemos galegos não beneficiaram ainda de um estudo moderno, sendo vulgarmente confundidos com os posteriores condes de Lemos, descendentes de D. Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, o 1º senhor de Lemos nesta linhagem. Daquele Vasco Lopes foi neto Lope López de Lemos, senhor e povoador de Vale de Lemos, que fez o castelo de Sober. Deste foi filho Fernán López de Lemos, que a lenda diz que libertou doze donzelas do tributo mouro, e neto Diego López de Lemos, que esteve com D. Alfonso II na batalha de Santa Cristina contra Mahammed. Deste Diego foi filho Alonso López de Lemos, que esteve com D.Ramiro contra o usurpador conde Nepociano. No séc. XII notabilizaram-se Alfonso de Lemos, um dos fundadores da Ordem de Santiago em 1161, Diego López de Lemos, que esteve na batalha de Navas de Tolosa; o referido D.Sancho Fernandez (de Lemos), 3º mestre da Ordem de Santiago (1186 a 1193), e D. Fronila de Lemos, fundadora em 1175 do mosteiro de S. Salvador de Ferreira. Os principais senhorios destes Lemos eram Sober, Ferreira de Pantón e Amarante, tudo na terra de Lemos (Lugo).

O conde D. Pedro (1280-1354) refere um D. Afonso Pires de Lemos casado com D. Mor Anes, filha de João Pires de Nóvoa e sua mulher D. Beatriz Gonçalves. João Baptista Lavanha (ca1555-1625), nas suas notas ao conde D. Pedro, presume que este D. Afonso seria o pai do Lopo Afonso de Lemos referido no Livro Antigo como casado com D. Tereza Álvares, filha de D. Álvaro Nunes de Candarei. O referido Gândara diz que os Lemos portugueses descendem do dito Lopo Afonso de Lemos, mas di-lo filho segundo ou terceiro de Afonso Lopes de Lemos e sua mulher D. Beatriz Afonso de Menezes, e irmão de Diogo Afonso de Lemos e do referido D. Sancho Fernandez, 3º mestre da Ordem de Santiago, o que é impossível, pelo menos relativamente a este, quer pelo patronímico e quer pela cronologia.

Mas parece aceitável que Lopo Afonso de Lemos tenha de facto casado com a portuguesa D. Tereza Álvares de Candarei, filha de Álvaro Nunes de Candarei e sua mulher D. Elvira Gil. Ora, estes Candarei são um ramo dos Ribadouro e tronco da linhagem dos Machado. Mem Moniz de Ribadouro, rico-homem de D. Afonso Henriques, seu guarda-mor (1147) e o herói da conquista de Santarém, foi o 1º a usar este nome por ser senhor desta honra. Em 1147 D. Afonso Henriques tomou Santarém em assalto de surpresa, com 250 homens divididos por duas secções, comandadas por D. Afonso e por seu irmão D. Pedro Afonso. D. Mem Moniz, auxiliado por cinco companheiros, entre eles o seu jovem filho, foi quem arrombou a golpes de machado a porta de Atamarma, por onde logo entrou D. Afonso Henriques, ao mesmo tempo que escalava as muralhas o grupo chefiado por D. Pedro Afonso. Poucos foram os mouros que conseguiram a fuga [1]. D. Mem Moniz fez povoar por seu filho D. Roberto Mendes de Candarei o lugar de Alões, ao qual, com sua mulher, deu foral, assim como também o deram ao lugar de Aveloso, que povoaram na freguesia de Tendais, ao lugar de Vilas Boas no ano de 1122 e à vila de Graleira no ano de 1144. Teve por honra as vilas de Vilar Mediano, de Ramires, e de Vale de Pagas, e possuía o casal de Vila Boa, também honrado. O outro seu filho, Pedro Mendes, casou com Elvira Martins de Riba-de-Vizela e foram pais de Martim Pires Machado, que em 1211 testemunha na doação de D. Afonso II aos frades da Ordem de S. Bento e que tomou este nome em memória do feito de seu tio e avô. De Roberto Mendes e Pedro Mendes foi ainda irmão Nuno Mendes de Candarei, nascido cerca 1140, provável pai daquele Álvaro Nunes de Candarei.

De Lopo Afonso de Lemos e sua mulher D. Tereza Álvares de Candarei diz o mesmo Gândara que foi filho mais novo um Lopo Lopes de Lemos, que Gaio diz que passou a Portugal no tempo do rei D. Dinis, como se infere de uma escritura que há na Casa de Lemos da venda da herança que a este lhe pertencia feita no ano de 1350 (1312). A ser assim, pois não consegui acesso a essa alegada escritura, aquele Lopo Afonso de Lemos, que terá nascido cerca de 1230/40, teria falecido antes 1312, ano em que seu filho Lopo Lopes vende a sua herança na Galiza. Mas a verdade é que não encontrei nenhum rasto documental deste Lopo Lopes de Lemos, o presuntivo primeiro desta linhagem que veio viver para Portugal.

A Corografia Portuguesa (1706), do Padre António Carvalho da Costa, chama D. Afonso Lopes de Lemos ao D. Afonso Pires de Lemos referido pelo conde D. Pedro. E di-lo casado com D. Maior de Naboa y Menezes, da Casa de Maceda, que só pode ser uma versão setecentista da D. Mor Anes, filha de João Pires de Nóvoa, referida pelo conde D. Pedro como mulher do dito D.Afonso Pires. Prossegue a Corografia dando também a este D. Afonso, como Gândara, que aliás cita, os referidos três filhos: Diogo Lopes, o mestre D. Sancho Fernandes e Lopo Afonso, que como vimos não se aceita, pelo menos no que respeita ao mestre. E, seguindo ainda Gândara, o Padre Carvalho da Costa diz que deste Lopo Afonso foi filho Afonso Lopes de Lemos, sendo este pai de Rui de Lemos, que viveu no reinado de D. Afonso IV, rei «que lhe fez merce de varias terras pelos seus serviços», e este pai de Vasco Martins de Lemos, que teve o castelo de Beja «como se pode ver na Chancellaria do mesmo Rey D. Fernando», sendo este Vasco Martins pai do nosso Giral Martins de Lemos.

Tendo em conta o que já ficou dito, Lopo Afonso de Lemos terá nascido cerca de 1230/40 e falecido antes 1312, enquanto seu filho mais novo Lopo Lopes de Lemos terá nascido cerca 1260/70. Para além da irregularidade patronímica, não se pode aceitar, como quer a Corografia, que este Lopo Lopes possa ser 4º avô de Giral Martins, nascido cerca de 1330. Acresce que, ao contrário do que diz o Padre Carvalho, na chancelaria de Dom Fernando não consta nenhum Vasco Martins de Lemos, e muito menos como alcaide-mor de Elvas, nem na Chancelaria de D. Afonso IV consta nenhum Rui de Lemos, embora a Monarquia Lusitana (parte 5, livro. 16, cap. 24, f. 43) refira uma escritura do cartório da Sé de Lisboa em que consta um D. Rui de Lemos. Na verdade, este é certamente o Rui/Rodrigo de Lemos que em 1285 se documenta alcaide (pequeno?) de Lisboa e em 1291 alvazil da mesma cidade, cargos que, nessa época e segundo as melhores opiniões, não eram ocupados por fidalgos. 

No presente estado da investigação sobre estes Lemos portugueses, o mais que podemos aceitar é a hipótese de o escudeiro Giral Martins ser filho, legítimo ou bastardo, de um Martim Lopes de Lemos, nascido cerca de 1300, e este filho, também legítimo ou bastardo, daquele Lopo Lopes de Lemos, o primeiro que veio para Portugal e que em 1312 vendeu a sua herança na Galiza. Mas a verdade é que ainda não consegui documentar nenhum deles. Há um Martim Lopes que em 1332 se documenta como almoxarife de D.Afonso IV em Lisboa. Mas nessa época o almoxarifes também não eram fidalgos.

Aqui, apenas vou tentar reconstituir a descendência de Giral Martins de Lemos até ao séc. XV, tendo em conta os Lemos que se documentam com um estatuto compatível com esta origem e o que de mais ou menos aceitável dizem as genealogias tardias. Correndo portanto o risco de unificar o que pode não ser unificável, mas ganhando com isto alguma análise crítica que pode permitir novas pistas de identificação.   

 

 

Reconstituição genealógica   

 

     1.      Giral Martins de Lemos, escudeiro morador em Lisboa, nascido cerca de 1330 e falecido antes de 4.12.1396. Num documento de 1377 de permuta de terras em Calhariz com o convento de Chelas, publicado pelo marquês de Abrantes, vem como escudeiro e morador em Lisboa. Em 1386 nomeou seu filho como administrador da capela de Calhariz, com obrigação de missa quotidiana na igreja de Stª. Justa, instituída em 1342 por testamento de seus sogros João Esteves e sua mulher Constança Afonso, moradores em Santa Justa. Como ficou dito na introdução, à falta de documentação que melhor informe, e tendo em conta o mais relevante e coerente das genealogias tardias, podia ser filho de um Martim Lopes de Lemos, nascido cerca de 1300, talvez o Martim Lopes que em 1332 se documenta como almoxarife de D. Afonso IV em Lisboa, e este filho, legítimo ou bastardo, de Lopo Lopes de Lemos, o primeiro que veio para Portugal e que em 1312 vendeu a sua herança na Galiza. Giral Martins de Lemos casou com Berengeira Anes, referida na Crónica de D. João I [2], falecida viúva depois 4.12.1386, filha herdeira dos referidos João Esteves e Constança Anes, burgueses muito ricos de Lisboa, ligados à manufactura e comércio de sapatos. A 4.12.1396, nas suas casas de morada, Berengueira Anes, «molher que foe de giral martjnz de lemos scudeiro morador na cidade de Lisboa», nomeia herdeiro das suas casas em Lisboa e da quintã de Calhariz seu único filho varão «gomez martjnz de lemos senhor de goões», para se «seia memorea de seu linhagem». As casas de Lisboa, onde ela morava, com o seu pomar, adegas, cavalariças e casas anexas em que vivia João Afonso, ficavam no Rossio e confinavam com «o mosteiro do conde e com gonçallo viegas e com casas dos gafos e com Rua pubrica». A quintã de Calhariz ficava a par de Benfica, termo de Lisboa, e confinava com herdades que já pertenciam a seu filho, com a herdade dos Gafos, «que ora trage Joham afomso contador das custtas», com caminhos públicos e com Vicente Martins e outros. Diz Berengueira Anes nesta escritura, feita pelo tabelião de Lisboa João Marecos, que Gomes Martins é o seu único filho varão e que estes bens em que o nomeia constituem a sua terça, pelo que determina que o resto dos seus bens são para as filhas, que não nomeia nem numera. E acrescenta que as ditas casas e quinta que deixa a seu filho «uallem mais que qujnhentos florjns d ouro», pelo que, se se apurar que corresponde a mais do que a terça, seu filho terá de pagar tornas às irmãs. A 27 do mesmo mês e ano D. João I confirmou a Gomes Martins de Lemos, seu criado, esta doação e sucessão «em maneyra de moorgado».

1.1.    Gomes Martins de Lemos, «o Velho», nascido cerca de 1360, foi senhor de Góis (era-o em 1396) por sua mulher. Foi ainda senhor de juro e herdade da terra e julgado de Oliveira do Conde (15.1.1386), com todas as suas jurisdições mero e misto império, salvo a correição e alçada, e senhor das quintãs de Lousã e Oliveira de Currelos (12.4.1398), com todas as suas casas, vinhas, herdades, pomares e direitos, senhorio e quintãs que tinham sido de João Fernandes Pacheco, que perdeu todos os seus bens por traição. Como ficou dito, foi o 1º morgado do Calhariz (27.12.1396), com casas no Rossio e quintã e capela a par de Benfica, tendo tido ainda mercê de bens em Sintra (8 e 13.7.1384) e em Santarém (17.8.1385) e da colheita de Góis (13.6.1398), para sempre, que rendia anualmente 67,5 libras da moeda antiga. Gomes Martins de Lemos esteve nas cortes de Coimbra, foi aio do infante herdeiro D. Afonso (irmão mais velho de D. Duarte, que morreu novo), cargo em que se começa da documentar em Abril de 1398, e fidalgo do Conselho de D.João I, a quem acompanhou a Ceuta (1415), comandando uma das sete grandes galeras, porventura a nau de S. Cristóvão que o rei lhe doa a 7.3.1416. Gomes Martins já tinha falecido em 1433, realizando-se a partilha dos seus bens a 5.3.1435 na vila de Góis, no notário Álvaro Nunes, instrumento confirmado por D.Duarte a 23.3.1435. Existe uma sentença régia de 10.2.1408, favorável ao Cabido de Viseu, contra João Afonso e Afonso Álvares, escudeiros de Gomes Martins de Lemos, por estes querem usurpar um moio de pão por ano de casais em Beijós, Cabanas, Laceiras e Oliveira do Conde, que eram do Cabido. E na Chancelaria aparecem várias cartas de mercê real para criados e escudeiros deste Gomes Martins de Lemos. Já a 8 e 13.7.1384 D. João I doou a Gomes Martins de Lemos «pera sempre», para si e seus descendentes, todos os bens móveis e de raiz que Gonçalo Gil Tripeira tinha em Sintra e outros lugares, que os perdeu por estar em deserviço. A 17.8.1385 o mesmo rei doou a Gomes Martins de Lemos, seu vassalo, para si e seus sucessores, todos os bens móveis e de raiz que em Santarém ou em qualquer parte tinha Garcia Rodrigues Taborda, alcaide do castelo de Leiria, que os perdeu por estar em deserviço. A 8.3.1412 Gomes Martins de Lemos, senhor de Góis, tomou posse de um quinta na Aldeia Galega do Ribatejo. A 10.4.1402 o Papa Bonifácio confirma a Gomes Martins de Lemos, senhor de Góis, o padroado da igreja de S. Pedro de Oliveira de Currelos. Gomes Martins de Lemos casou antes de 4.12.1396 (data em que já se documenta senhor de Góis) com Mécia Vasques de Góis, 1ª morgada de Góis por testamento de seu avô de 28.4.1389, e que por morte de seu marido foi confirmada 9ª senhora de Góis e seu termo (23.12.1433), senhora das quintãs de Oliveira de Currelos e da Lousã, da herdade da Barrada, no termo de Moura, e de Pedra Alçada com sua jurisdição (20.12.1433), etc., filha de Estêvão de Góis, falecido em vida de seu pai, e de sua mulher Leonor Gonçalves, e neta paterna e sucessora (testamento de 28.4.1389) do alcaide-mor de Lisboa Estêvão Vasques de Góis, 8º senhor de Góis (22.5.1335), etc., e de sua mulher Constança Afonso.

1.1.1.   Fernão Gomes de Góis, nascido cerca 1398, fidalgo e camareiro-mor de D. João I, esteve com seu pai na tomada de Ceuta (1415), após o que aquele rei o armou cavaleiro. Foi senhor de juro e herdade de Góis (Arganil) e de Oliveira do Conde (13.11.1433), onde jaz em magnífico túmulo de pedra ançã, com a sua estátua jacente, senhor de juro e herdade de Penalva e S. Gião (7.1.1431), etc. Casou com D. Leonor da Cunha, nascida cerca de 1400 (o pai diz em 1431 que ela «pasa de hidade de trinta annos»), que levou por dote os senhorios de Penalva e S. Gião, para o que seu pai obteve licença de D. Duarte de 26.12.1434. Muito embora nesta mercê não se refira que era filha natural, não podia deixar de sê-lo, uma vez que não consta na doação a Afonso da Cunha, onde constam todos os seus irmãos legítimos. O próprio rei, como ficou referido acima, diz nesta carta que Vasco Martins da Cunha se tinha separado da mulher e por seu mandado tornara a viver com ela. Esta Leonor deve ser filha natural, havida nesse interim. Como indício, convém referir que enquanto em 1436 sua irmã vem como D. Maria, ela nesta mercê vem sem o Dona. Casou em 1431, com dote real de 2.500 coroas de ouro de 16.4.1430. Era filha natural de Vasco Martins da Cunha, o Rabo de Asno, 9º senhor de juro e herdade de Tábua, 1º senhor de juro e herdade de Penalva (28.3.1434), senhor de juro e herdade de S. Gião e de Ázere e Sinde (28.3.1434), alcaide-mor de Lanhoso, etc.   

1.1.1.1.     D. Beatriz de Góis, sucessora nos senhorios de seu pai, que seu tio Gomes Martins lhe contestou mas perdeu em julgado. A 21.1.1497 D. Beatriz, filha maior de Fernão Gomes de Góis, fidalgo e camareiro-mor de D. Manuel I, teve deste rei confirmação de uma carta de D. Afonso V de 12.4.1437 que confirmava a Gomes Martins de Lemos os bens que perdera João Fernandes Pacheco, nomeadamente as quintãs na Lousã e Oliveira do Conde, outra de D. Duarte de 20.12.1433 que os confirmava a D. Mécia Vaz, mulher do dito Gomes Martins de Lemos, outra de D. Afonso V de 8.9.1451 que os confirmava a Fernão Gomes de Góis, seu filho maior. Mas D.Manuel I apenas lhe confirmou a quintã de Currelos, pois a da Lousã tivera e tinha Luiz de Cáceres. Já a 2.9.1496 D. Manuel I confirmara a D. Beatriz de Góis o senhorio de juro e herdade do julgado de Oliveira de Currelos. A 2.6.1472 D. Beatriz, mulher de Diogo da Silveira, senhor de Góis, faz transacção com seu criado João de Moraes, morador em Cabanas, sobre a quinta de Cabanas e os casais do Conde e do Ribeiro, por ele doados à dita senhora. D. Beatriz casou com Diogo da Silveira, escrivão da puridade, fidalgo do Conselho, coudel-mor e vedor das obras do reino e 2º senhor do padroado da vila de Terena, suas rendas e direitos reais, bem como do padroado da igreja de S. Pedro desta vila (16.9.1449, confirmada a  25.7.1454), como já tivera seu pai (8.5.1436). A 5.3.1453 D. Afonso V doa a Diogo da Silveira, fidalgo da sua Casa, por seu casamento com D. Beatriz, filha de Fernão Gomes de Góis, uma tença anual de 30.000 reais brancos até perfazer a quantia de 3.000 coroas de ouro da moeda de França. A 30.3.1454 confirma os direitos jurisdicionais a Diogo da Silveira, fidalgo da casa régia, do lugar de Pedrógão Pequeno, terra do priorado da Ordem do Hospital, através de uma carta de prazo, feita com D. Vasco de Ataíde, prior da dita Ordem. A 28.4.1454 confirma o contrato de casamento entre Diogo da Silveira e sua mulher D. Beatriz de Góis, feito pelos pais de sua mulher Fernão Gomes de Góis e Beatriz da Cunha, com a doação para sempre dos bens móveis e de raiz, entre os quais a coutada de Pedra Alçada, com todas as suas rendas, direitos e pertenças e com o morgado de Góis, a quintã de Calhariz, termo de Lisboa, casal de Góis, entre outros (contrato de dote de 16 de Janeiro de 1454). A 10.1.1455 o mesmo rei afora a Diogo da Silveira, do seu Conselho, escrivão da puridade, um chão que é entre a Porta do Mar e a Porta do Paço régio da madeira, pois ele quer construir aí umas casas, pelo foro anual de uma dobra de ouro, contanto que ele nem os seus sucessores paguem os outros aforamentos e emprazamentos que o rei têm, não podem vender sem autorização régia a cavaleiro, dona, escudeiro, mouro, judeu, clérigo, nem a outra pessoa de religião ou de maior condição que ele. A 12.9.1455 privilegia Diogo da Silveira, do seu Conselho, escrivão da puridade e vedor-mor das obras, que conseguira em 3 vidas o emprazamento da vila de Pedrógão Pequeno de D. Vasco de Ataíde; concedendo-lhe autorização para que ele possa dar a outras pessoas, terras, herdades, bens, vinhas, casas, pardieiros, que não tenham sido tratados ou trabalhados, no prazo de 1 ano depois de ter sido feito o pregão na dita vila, pelo qual se mandava que os donos dos ditos bens trabalhassem as terras. A 28.12.1455 doa a Diogo da Silveira, escrivão da puridade, vedor-mor das obras régias, casado com D. Beatriz de Góis, filha maior e legítima de Fernão Gomes de Góis e Leonor da Cunha, o lugar de Góis, com todas as rendas, direitos e padroados das igrejas e outras coisas, como teve o seu sogro, independentemente de o rei já ter doado o lugar a Gomes Martins de Lemos, a quem retirou a demanda. A 12.6.1456 doa para sempre a Diogo da Silveira, do seu Conselho e escrivão da puridade, todos os bens móveis e de raiz que pertenceram a Martim Afonso. A 29.10.1458 doa vitaliciamente a Diogo da Silveira, do seu Conselho e escrivão da puridade, pelos bons serviços que este lhe prestara na armada da vila de Alcácer, todas as terras de Segadães e Recardães, com todas as suas jurisdições e rendas. Era filho sucessor de Nuno Martins da Silveira, escrivão da puridade, fidalgo do Conselho e coudel-mor e vedor das obras do reino, e de sua mulher D. Leonor Falcão.

1.1.1.1.1.    Muno Martins da Silveira, sucessor, nascido cerca de 1454 e falecido em 1522. A 2 e 3 de Maio de 1521 D. João III confirma a Nuno Martins da Silveira, do seu Conselho, senhor de Góis e vedor-mor das obras do reino, cartas D. Manuel I, D. Afonso V, D.Duarte e D. João I, em que se confirmava o senhorio de juro e herdade de Oliveira de Currelos a Gomes Martins de Lemos, do Conselho e aio de D. Afonso, bem assim como das quintas na Lousã e Oliveira de Currelos. A 22.1.1515 Nuno Martins da Silveira, do Conselho, passou procuração a Francisco Álvares para receber do almoxarife de Viseu 45.635 reais que lhe foram desembargados. 20.4.1515 Nuno Martins da Silveira, do Conselho de D. Manuel I, teve provisão para receber 60.000 reais de tença. A 20.4.1516 teve provisão para receber no almoxarife de Viseu 15.000 reais de sua tença e a 20.4.1516 para receber 17.135 reais. Já tinha falecido a 9.6.1522 quando seu filho Luiz da Silveira teve mercê do ofício de vedor-mor das obras, terças e resíduo, por falecimento de seu pai Nuno Martins da Silveira. Nuno Martins da Silveira casou, com autorização real do contracto de seu casamento de 22.7.1482, com D. Filipa da Silva, filha de Fernão Telles (de Menezes), senhor de Unhão, e de sua mulher D. Maria de Vilhena. Destes foi filho sucessor D. Luiz da Silveira, 1º conde de Sortelha, por causa de quem Oliveira de Currelos passou a chamar-se Oliveira do Conde. Com geração nos condes de Sortelha e marqueses de Abrantes.

1.1.1.1.2.    Martim da Silveira, alcaide-mor e senhor de Terena. A 27.11.1466 D. Afonso V confirma a doação vitalícia a Martim da Silveira, filho de Diogo da Silveira, do seu Conselho, escrivão da puridade, vedor-mor das obras régias, do padroado da vila de Terena, suas rendas e direitos reais, bem como do padroado da igreja de S. Pedro desta vila, conforme o conteúdo das doações anteriores a seu pai (insertas cartas do rei D. Duarte de 8.5.1436 e de D. Afonso V de 16.9.1449 e de 25.7.1454). Casou com D.Catarina de Azambuja, c.g.

1.1.1.1.3.    Henrique da Silveira, fidalgo do Conselho, nascido cerca de 1460 e faleceu depois de 1519. A 20.5.1504 D. Manuel  I ordena aos contadores de sua Casa levem em a conta a Diogo da Ponte, recebedor que foi da sisa da marçaria de Lisboa, 40.000 reais por outros tantos que pagou a Henrique da Silveira, do seu Conselho, de sua tença. De 1505 a 1519 teve várias provisões pare receber diferentes tenças. Casou com D. Isabel Pereira, filha de Garcia de Mello, alcaide-mor de Serpa, c.g.

1.1.2.   D. Afonso Gomes de Lemos, Dom prior da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (Guimarães), que teve uma tença de 20.000 reais, que deixou a seu sobrinho João Gomes de Lemos, que dela teve confirmação de D. Manuel I a 20.12.1497. A Gomes Martins de Lemos e Afonso Gomes de Lemos, vassalos d'el rei, concede D. Afonso V, a 30.10.1449, carta de privilégio de fidalgos para todos os seus caseiros, lavradores, mordomos e apaniguados nas comarcas de Entre-Tejo-e-Guadiana, Estremadura, Beira e Entre-Douro-e-Minho. Em 1454 Afonso Gomes de Lemos era prior de Stª Mª de Guimarães, quando obtém do rei carta de privilégio para João Afonso, clérigo de missa. A 25.1.1482 Afonso Gomes de Lemos, prior de Santa Maria da Oliveira de Guimarães, fez emprazamento de vários casais a seu sobrinho João Gomes de Lemos e sua mulher. Talvez tivesse tido o seguinte filho natural:

1.1.2.1.     ?(N) Afonso de Lemos, que a 3.7.1483 foi nomeado escrivão da coudelaria de Guimarães. Deve ser o Afonso de Lemos que casou com Beatriz Dias ou Dinis e foram pais de Pedro Afonso, matriculado em ordens sacras em Braga em 1480, que depois aparece como Pedro de Lemos e em 1499 era capelão do rei a abade de Sendim (Felgueiras). Deste abade deve ter sido filho Jorge de Lemos, com geração em Felgueiras, assim como o Francisco de Lemos que foi escrivão de Felgueiras (Ementas, 9, 186).

1.1.3.   Gomes Martins de Lemos, «o Moço», nascido cerca de 1405 e faleceu nonagenário entre 3 e 7 de Novembro de 1497. Foi o 1º senhor de juro e herdade da Trofa (13.11.1449), de Pampilhosa (12.11.1458) e de Álvaro (16.8.1472), tudo com jurisdição cível e crime, fidalgo do Conselho (1458) e 5º senhor de juro e herdade de Jales e Alfarela (26.11.1449), como mais detalhadamente digo na sua página. Casou, com aprovação real de 12.7.1444, com D. Maria de Azevedo, donzela da Casa da infanta D. Isabel, que foi senhora da honra e torre de Silva e levou por dote o senhorio de Jales e Alfarela, nascida cerca de 1417 e falecida em 1453, filha de Álvaro de Meira e sua mulher D. Maria de Azevedo, como também mais detalhadamente aí se refere.

1.1.3.1.     João Gomes de Lemos, 2º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação do rei D. Manuel I de 7.11.1497, fidalgo das Casas de D. Afonso V, D. João II e do Conselho D. Manuel I (26.4.1511), cavaleiro da Ordem de Cristo e nesta ordem comendador de Castelejo, etc., como mais detalhadamente digo na sua página. Nasceu cerca de 1445 e faleceu depois de 14.4.1516 e antes de 5.5.1517. Casou com D. Violante de Sequeira, colaça da infanta Stª Joana, que a 22.4.1477 recebeu de D. Afonso V, pai desta infanta, 2.000 coroas de ouro para dote de casamento. D. Violante ainda vivia a 18.5.1523 quando na sua vila da Trofa, como D. Violante de Sequeira, viúva de João Gomes de Lemos, fez uma procuração em pública forma a Henrique Dias, morador em Aveiro, para que em seu nome pudesse cobrar a sua tença onde quer que ela fosse paga. D. Violante de Sequeira já era donzela da infanta a 20.7.1469 quando obtém uma mercê real para um mouro forro, sapateiro em Lisboa. Como Dona Violante, mulher de João Gomes de Lemos, teve a 16.4.1512 provisão para se pagar no almoxarifado de Aveiro a sua tença de 20.000 reais, e a 22.5.1517 mais uma tença separada de 16.000 reais.

1.1.3.1.1.    Duarte de Lemos, 3º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela (8.7.1514), ainda em vida de seu pai, fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (r. de 1220) e de D. João III (22.3.1522), cavaleiro da Ordem de Cristo e nesta ordem comendador de Castelejo, capitão-mor do mar e da costa da Etiópia e da Arábia, etc., como mais detalhadamente digo na sua página. Nasceu cerca de 1485 e faleceu a 27.6.1558, com 73 anos de idade. Casou com D. Joana de Mello, falecida a 12.10.1529. C.g. na Casa da Trofa, como se desenvolve.

1.1.3.1.2.    Francisco de Lemos, fidalgo da Casa Real e comendador de Samora Correia na Ordem de Santiago. Casou com D. Catarina de Ataíde, filha de João Mascarenhas e sua mulher D. Maria Ribeiro. Tiveram dois filhos, um, Jorge de Aguiar, que morreu solteiro, e outro, Aires Gomes de Lemos, que sucedeu na comenda e foi cavaleiro fidalgo da Casa Real com 2.700 reais de moradia (1550). Este Aires casou a 1ª vez com D. Catarina de Noronha, s.g., e a 2ª vez com D. Maria Henriques, tendo deste matrimónio dois filhos, Francisco de Lemos que morreu na Índia, s.g., e D. Guiomar Henriques que casou com Luiz de Mendanha, seu primo-direito, pois era sobrinho da dita D. Maria Henriques, s.g. Este Luiz de Mendanha esteve preso por ordem de D. Filipe II, por apoiar a causa do prior do Crato.

1.1.3.1.3.    Fernão Gomes de Lemos, capitão-mor e governador do Sri Lanka (1522), embaixador à Pérsia (Maio de 1515), esteve na Índia com seu irmão Duarte, participou na tomada de Malaca, Adem e Ormuz, foi como capitão de Armada ao Estreito e ao Mar Roxo e foi capitão-mor de Columbo. É um dos quatro irmãos de António de Lemos que Martim Afonso de Souza diz terem morrido no serviço ao rei. A 4.1.1517 Fernão Gomes de Lemos escreveu a D. Manuel I, dizendo que Afonso de Albuquerque o nomeara como embaixador ao cheque Ismael, serviço difícil pois nem o caminho se sabia, mandando ao rei um livro da embaixada e da armada de Ormuz. Já antes, a 7.5.1515, Fernão Gomes de Lemos, embaixador ao xeque Ismael, mandara ao rei notícia do seu conhecimento e do escrivão da sua embaixada. Fernão Gomes de Lemos comprou a Álvaro Pacheco uma quinta de Alenquer, pelo que a 3.8.1529 lhe trespassa 850.000 reais que lhe devia na Casa da Índia, para pagar a quinta e respectiva sisa. Faleceu solteiro, mas deixou uma filha natural, Filipa de Lemos, a quem deixou em testamento 40.000 reais para seu casamento. Alão põe a hipótese de esta Filipa ter casado com Vasco Fernandes Homem. Noutro lugar, Alão dá a este Fernão Gomes, a que chama Fernão Martins, duas filhas naturais, uma Filipa de Lemos, a que não dá marido, e outra Guiomar de Lemos que dá casada com Pedro Homem. O certo é que em 1504 testemunham um instrumento do conde de Tentúgal Filipa de Lemos e Nuno Homem, seus criados.

1.1.3.1.4.    Simão de Lemos, que faleceu solteiro, s.g. É um dos quatro irmãos de António de Lemos que Martim Afonso de Souza diz terem morrido no serviço ao rei. É certamente o Simão de Lemos, fidalgo da Casa Real, que a 25.8.1516 teve provisão para receber a sua moradia na cidade de Safim, onde estava. Cidade onde ainda estava a 2.9.1517, quando aí teve provisão para receber a sua tença de 20.000 reais. Esta tença de 20.000 reais tinha sido doada a 20.6.1516 por D. Manuel a Simão de Lemos, fidalgo da sua Casa.

1.1.3.1.5.    Jorge de Lemos, capitão da nau «Graça» na armada de seu irmão Duarte, com quem serviu na Índia. Faleceu solteiro, s.g. É um dos quatro irmãos de António de Lemos que Martim Afonso de Souza diz terem morrido no serviço ao rei.

1.1.3.1.6.    D. Filipa de Lemos, que casou com Luiz Mascarenhas, comendador de Garvão na Ordem de Santiago. Tiveram dois filhos: Álvaro Mascarenhas, que fal. solt. s.g., e Filipe Mascarenhas, que sucedeu na comenda de seu pai, serviu na Índia e parece que casou com D. Ana Freire, filha de Gomes Freire, e tiveram uma filha, D. Isabel Mascarenhas, que casou com Vasco de Souza Pacheco, capitão-mor de Pernambuco.

1.1.3.1.7.    António de Lemos, que teve de D. João III mercê da capitania de Goa e dizem que foi também capitão-mor de Ceilão. Esteve no socorro de Ormuz e na tomada de Soar. Faleceu solteiro, s.g. A 1.12.1543 Martim Afonso de Souza escreve de Goa a D. João III pedindo para António de Lemos o governo de Cochim em sua vida, referindo os muitos serviços que este fez na Índia e em África e que quatros seus irmãos tinham sido mortos no serviço a el-rei. O próprio António de Lemos já a 11.11.1540 tinha escrito uma carta a D. João III, onde se queixa de não ter sido premiado pelos serviços de 24 anos feitos na Índia e da guerra com o Turco. Estaria portanto na Índia ou África desde 1516, teria 21 anos de idade.

1.1.3.2.     Diogo Gomes de Lemos, fidalgo da Casa do príncipe D. João (futuro D. João II), a quem acompanhou na batalha de Toro, tendo-se aí notabilizado por ter recuperado a bandeira real que os castelhanos tinham conseguido arrancar ao célebre «Decepado». Por este feito fez-lhe o príncipe mercê de uma tença de 18.000 reais de prata, por carta de padrão passada em Toro a 7.3.1497, seis dias após a batalha, salientando-se no documento que «Dº gomez de Lemos fidallgo da nossa cassa que com nosco era na nossa batalha, a fez primcepalmente rrecobrar encontrando e derribando huu cavaleiro dos ditos Inimigos que a dita bamdª tinha». Como fidalgo da Casa do príncipe D. João, teve a 25.5.1476 uma tença real 18.000 reais por ano. Alão de Moraes, que lhe dá a alcunha de «o Froxo», diz que o mataram em Abrantes, sendo solteiro, sem geração.

1.1.3.3.     Gonçalo Gomes de Lemos, que foi clérigo. Talvez possa ter tido o seguinte filho natural:

1.1.3.3.1.    ?(N) Fernão Gonçalves de Lemos, escudeiro, morador em Ferreira e Carapito, que a 22.7.1476 é nomeado vitaliciamente por D. Afonso V para o cargo de coudel em Ferreira e Carapito.

1.1.3.4.     D. Mécia de Lemos, dama da rainha D. Joana de Castela, que foi violada pelo cardeal de Castela D. Pedro Gonçalves de Mendoza, com geração em Espanha nos príncipes de Melito, nos duques do Infantado e de Medina-Sidonia (de quem descende nomeadamente a rainha D.Luiza de Gusmão e por ela a dinastia de Bragança), etc., que depois casou com D. Cláudio de Quinhones, sem geração.

1.1.3.5.     D. Margarida de Lemos, camareira-mor da rainha D. Joana de Castela, que casou com D.Sancho de Córdova, senhor de Casa-Palma, filho dos 2ºs condes de Cabra, com geração em Espanha nos duques de Sessa, nos marqueses de Miranda de Anta, etc.

1.1.3.6.     D. Joana de Lemos, que nasceu cerca de 1450 e a 28.2.1482 teve uma tença de 36.000 reais. Casou com o Pedro de Souza Ribeiro, fidalgo da Casa Real e comendador de Pombal, irmão do grande arcebispo de Braga D. Diogo de Souza e filho dos 3ºs senhores de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão.

1.1.3.6.1.    Simão de Souza Ribeiro, alcaide-mor de Pombal e senhor da Moita Santa, nascido cerca de 1470. A 16.7.1501 Simão de Souza teve provisão para receber uma tença de 10.000 reais que devia haver de certas coroas de seu casamento. Casou com D.Catarina Henriques, com geração nos condes de Castelo Melhor.

1.1.3.6.2.    João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos, deão da Sé de Coimbra.

1.1.3.6.3.    D. Maria da Silveira, falecida depois de 1523 e antes de 1527. Casou com Leonel de Abreu, 6º senhor de Regalados, fidalgo da Casa Real, cavaleiro e comendador de Regalados na Ordem de Cristo, fal. antes de 10.5.1548. Foi também senhor de Valadares e alcaide-mor de Lapela, que vendeu cerca de 8.11.1519, quando pede traslado do seu padrão de 141.400 reais de juro, que lhe passou D. Pedro de Menezes, marquês de Vila Real e conde de Valença, pelo castelo de Lapela e direitos de Valadares. Em 1509 o barão do Alvito manda Braz da Costa pôr no livro das moradias verba em como o rei faz empréstimo de dinheiros a Leonel de Abreu e a Gaspar Mendes, que estavam servindo em Safim, e Leonel de Abreu, fidalgo da Casa Real, recebe do feitor de Safim 14.000 reais de empréstimo sobre sua moradia. A 3.7.1521 o rei manda o prior do convento de Tomar lançar o hábito de Cristo a Leonel de Abreu, fidalgo da sua Casa. A 26.11.1511 Pedro Gomes de Abreu, fidalgo da Casa Real, passa procuração a seu filho Leonel de Abreu para cobrar sua tença de 15.000 reais cada ano, e a 13.1.1522 Leonel de Abreu recebeu do recebedor das sisas de Entre Homem e Cavado 4.500 reais da tença de Pedro Gomes de Abreu. A 2.1.1522 Leonel de Abreu, fidalgo da Casa Real, faz escritura de doação a seu irmão António Abreu de 15.000 reais de pratas que tinha de tença e mais 5.000 reais nas suas rendas, por ano, enquanto estivesse vivo. A 10.6.1545 Lopo del Vito escreve a D. João III pedindo licença para vir à corte requerer sua justiça na causa que trazia com Leonel de Abreu, sobre a comenda de que lhe tinha feito mercê. A 10.5.1548 o visconde de Ponte de Lima escreve ao rei pedindo a comenda de Regalados para seu filho, que vagou por morte de Leonel de Abreu. Leonel de Abreu casou 2ª vez com D. Maria de Noronha, c.g, de ambos os matrimónios.

1.1.3.6.4.    Lopo de Souza Ribeiro, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor de Tentúgal. A 4.5.1515 Lopo de Souza Ribeiro, fidalgo da Casa Real, teve provisão para receber 7.500 reais da sua moradia de escudeiro fidalgo. Casou com D. Joana Couceiro, nascida cerca de 1511, filha de Pedro Couceiro e sua mulher Helena de Alvim. C.g.

1.1.1.1.     D. Leonor de Lemos, que nasceu cerca de 1452 ou 53, cujo parto, neste caso, provocou a morte da mãe. Sobre D. Leonor, que ainda vivia em 1527, há muita documentação, nomeadamente uma carta D. Manuel I de 30.3.1511 em que faz mercê a D. Leonor de Lemos, viúva de Fernando Pereira, de um tença 34.519 reais, a pagar no almoxarifado de Ponte de Lima, em satisfação de Penela, Vila Chã e Larim, e suas jurisdições, que lhe pertenciam e passaram para o duque de Bragança. A 11.10.1524 D. Leonor de Lemos, moradora no concelho de Vila Chã, terra do conde de Vimioso, faz uma procuração a seu filho Henrique Pereira para cobrar do almoxarife de Ponte de Lima o que se lhe dever de sua tença. Foi a 2ª mulher de Fernão Pereira, senhor de Castro Daire, já viúvo c.g. de D. Maria Ribeiro.

1.1.1.1.1.     Henrique Pereira, alcaide-mor de Arraiolos pelo duque de Bragança e senhor da quinta de Geja. A 23.2.1504 Henrique Pereira passou recibo ao almoxarife de Ponte de Lima de como recebeu 12.000 reais de um desembargo. A 10.5.1510 Henrique Pereira, fidalgo da Casa do duque de Bragança, volta a ter provisão para receber a mesma tença, que recebe em Ponte de Lima pelo menos até 1529, por vezes através de procurações que passa. A 10.8.1513 Henrique Pereira, fidalgo da Casa do duque, teve provisão para receber 23 arrobas e 18 arráteis de carne de vaca salgada para mantimento de vinte e nove homens, que leva na armada, por tempo de 1 mês. Casou duas vezes, a 1ª com D. Maior Pacheco, filha de Afonso Pires Alcoforado, com geração nos condes de Castro. Casou 2ª vez com D. Briolanja de Souza, filha de Diogo de Azevedo, s.g.

1.1.1.1.2.    D. Maria de Lemos, que casou com D. António de Lima, filho de D. Álvaro de Lima, monteiro-mor de D. Manuel, c.g. extinta. A 15.7.1535 D. António de Lima teve provisão para receber 15.000 reais de tença. 

1.1.1.1.3.    D. Vicência, freira em Vale de Pereiras.

1.1.2.   Beatriz Gomes de Lemos, nascida cerca de 1412. A 12.6.1443 D. Afonso V doa para sempre a Beatriz Gomes de Lemos, mulher do Doutor João do Sem, do seu Conselheiro, e a Gonçalo Nunes, escrivão dos livros do Infante D. João, todos os bens herdados por Leonor Gonçalves, por morte de Inês Pires, e os perdera por estar no testamento como sobrinha e não como filha. A 26.9.1445 o mesmo rei passa Beatriz Gomes de Lemos, mulher do Doutor João do Sem, carta de privilégio para que seus criados possam andar de mula de sela e freio por todo o treino. Casou em 1431 com o Doutor João do Sem, do Conselho de D. Afonso V e seu chanceler-mor, falecido em 1449, senhor do morgadio dos Sem (torre da Marca), senhor de Ribeira de Soaz e da terra de Sousa, senhor da lezíria do Martim (entre Almorol e a ribeira de Cardiga) e do Cazal (10.1.1434), etc. A 31.8.1439 D. Afonso V confirma doação ao Dr. João do Sem, do seu Conselho e chanceler-mor, do acrescentamento dos direitos da terra de Ribeira de Soaz, no termo da vila de Guimarães, como lhe doara D. Duarte a 5.8.1437. A 6.9.1449 D. Afonso V doa a João de Sousa, fidalgo da casa do infante D. Henrique, a terra de Sousa, da comarca de Entre-Douro-e-Minho, com todas as rendas e direitos, a qual fora de João do Sem, que morrera.

1.1.2.1.     António do Sem, sucessor, nascido cerca de 1432 e falecido depois de 1502 e antes de 1517. A 1.4.1450 D. Afonso V doa a António do Sem, filho do Doutor João do Sem, a tença anual de 6.000 reais, para seu mantimento e estudos. A 18.3.1455 o mesmo rei privilegia António do Sem, seu moço fidalgo, a pedido da rainha de Castela, doando-lhe uma tença anual de 44.000 reais em substituição do mantimento de estado que este havia. E a 25.11.1456 privilegia António do Sem, fidalgo da sua Casa régia, para todos os seus caseiros e lavradores. A 24.8.1468 D. Afonso V doa a António do Sem, fidalgo da sua Casa, uma tença anual de 30.000 reais, pelos muitos serviços que tem prestado ao reino. E ainda vivia a 25.51502 quando António do Sem, fidalgo da Casa Real, teve mercê de uma tença de 30.647 reais. Mas já tinha falecido a 20.5.1517 quando sua viúva D. Filipa teve 8.000 reais de graça separada. Casou com D. Filipa de Souza, filha dos 1ºs senhores de Beringel e Sagres, c.g. nos condes de Lumiares

1.1.3.   D. Mécia Gomes de Lemos, que nasceu cerca de 1415 e já viúva teve de D. Afonso V a 24.3.1463 mercê das terras e casais de Álvaro e Golfar, no almoxarifado de Aveiro, com todas as suas rendas, direitos, foros, tributos, jurisdição, entradas, saídas e montes. Nos termos que tinha Nuno Vasques de Castello-Branco, fidalgo da Casa Real e monteiro-mor, que a elas renunciou com outorga e prazimento de seu filho Lopo Vasques. D. Mécia recebeu de D. Duarte, por carta de 17.8.1436, o dote de 2.000 dobras de ouro para casar com João Álvares da Cunha, 4º senhor de Pombeiro da Beira, fidalgo da Casa do infante D. Henrique, recebendo depois o casal, por cartas de D. Afonso V de 4 e 5.2.1444, a confirmação do dote, acrescido da mercê de uma tença anual de 20.000 reais de prata.

1.1.3.1.     Artur da Cunha, 5º senhor de Pombeiro da Beira, nascido cerca de 1437 e falecido antes de 1497. Casou cerca de 1465 com D. Leonor de Souza, nascida em 1445/6, filha natural de Frei D. Gonçalo de Souza, comendador-mor da Ordem de Cristo e alferes-mor do infante D.Henrique. Destes foi filho sucessor João Álvares da Cunha, nascido cerca de 1467, fidalgo da Casa Real, que a 23.8.1497 teve confirmação de D. Manuel I das terras e casais de Álvaro e Golfar, no almoxarifado de Aveiro, com todas as suas rendas, direitos, foros, tributos e jurisdições. Este João Álvares da Cunha, fidalgo da Casa Real, ainda vivia a 18.5.1517 quando teve provisão para receber 60.000 reais de tença. Mas já tinha falecido a 30.9.1522 quando sua viúva e herdeiros passam em Pombeiro passam procuração para Rui Pires poder arrecadar todas as suas dívidas em qualquer parte e dar as respectivas quitações. A 18.7.1527 D. João III dá provisão para o almoxarife de Coimbra dar aos herdeiros de João Álvares da Cunha 16.000 e 32.000 reais de tenças. C.g. nos condes de Pombeiro

1.1.3.2.     D. Isabel de Lemos, que morreu solteira.

1.2.   Beatriz de Lemos, que será uma das irmãs documentadas de Gomes Martins de Lemos, pois se sabe pela referida doação da mãe que este não teve irmãos mas que teve pelo menos duas irmãs. D. João I doou a 14.2.1397 a Beatriz de Lemos, sua criada, as rendas e direitos de três moinhos em Leiria.

1.3.    Maria de Lemos, nascida cerca de 1364, que seria a outra irmã. Casou com Fernão Lopes de Sande. Em 1513 teve carta de armas Francisco de Sande Vilalobos, onde se diz que era filho de Fernão Lopes de Sande e neto de Lopo Fernandes de Sande, morador em Estremoz no tempo de D. João I, sendo este neto de Lopo Afonso de Sande. Gaio, como é habitual, faz semelhante confusão nestes Sande do séc. XVI que nos manda «cada um seguir o que quiser»… Parece desde logo evidente que o bisavô do armoriado se chamou Fernão Lopes de Sande, pelo que não se entende porque Gaio supõe ter-se chamado Estêvão Lopes de Sande. Este Fernão Lopes, bisavô do armoriado, diz Gaio (chamando-lhe Estêvão) que casou com «Mónica de Oliveira ou D. Maria de Lemos filha de Giraldo Martins de Lemos». Estes foram portanto os pais de Lopo Fernandes de Sande (avô do armigerado), que nasceu cerca de 1380, pelo que teria cerca de 4 anos quando o mestre de Avis tomou o poder. Seu filho Fernão Lopes terá assim nascido cerca de 1415, sendo provavelmente o Fernão Lopes de Sande, escudeiro da Casa Real e almoxarife do almoxarifado da Guarda, a quem a 25.4.1475 D. Afonso V doa a renda desta cidade, para além dos foros, que já tinha. O filho deste, Francisco, terá nascido cerca de 1450, tendo portanto cerca de 63 anos quando teve a carta de armas. Com estas balizas cronológicas é possível aceitar que Fernão Lopes, o almoxarife, seja irmão, como diz Gaio, de Nuno Fernandes de Sande e de Luiz Lopes de Sande, sendo aquele o Nuno Fernandes de Sande, cavaleiro da Casa do conde de Faro, a quem a 6.9.1475 D. Afonso V doa, a pedido do dito conde, o castelo de Ginota, perto da vila de Olivença, bem como todas as coisas que ao dito castelo pertencem. E o Luiz é o Luiz Lopes de Sande, cavaleiro, morador na vila de Estremoz, que a 29.4.1480 D. Afonso V confirma nomeação no cargo de couteiro das terras da vila de Estremoz e seu termo. Gaio diz que aquele mais antigo Fernão Lopes (a que chama Estêvão) era irmão de um Pedro Lopes de Sande, sendo este pai de uma Isabel de Sande e avô de Fernão de Lemos. Desde logo, a cronologia não permite esta genealogia. Fernão de Lemos nasceu cerca de 1418 e casou, segundo Gaio, com Júlia Martins de Vilalobos, filha de Martim Vicente de Vilalobos, certamente o homónimo que a 2.2.1453 era juiz do rei em Moura e a 4 de Maio do mesmo ano, sendo referido como cavaleiro da Casa Real, foi nomeado por D.Afonso V para o cargo de juiz da vila de Serpa e seu termo, nos feitos crimes e cíveis e no regimento da relação. Foi depois corregedor na comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana, cargo em que é substituído a 13.2.1456 por ter sido nomeado corregedor da correição da Beira. Fernão de Lemos era portanto uma geração anterior ao armoriado Francisco de Sande Vilalobos e, como ele, devia ser neto de Maria (Giraldes ou Martins) de Lemos, cujo nome usou. Possivelmente era filho do João Lopes de Lemos escudeiro do infante D. Pedro, que a 1.1.1441 é nomeado escrivão do almoxarifado da rainha D. Leonor e já tinha falecido a 4.8.1468 foi substituído no cargo de escrivão da câmara, dos órfãos, da gafaria e da almotaçaria, contador de todos os feitos, inquiridor, distribuidor perante os tabeliães, provedor e escrivão da casa e albergaria do Santo Espírito na vila de Óbidos. Sendo Este João Lopes irmão de Fernão Lopes.

1.3.1.   Lopo Fernandes de Sande, que viveu em Estremoz e nasceu cerca de 1380, pelo que teria cerca de 4 anos quando o mestre de Avis tomou o poder e 54 anos quando este morreu, pelo que se pode dizer que viveu no reinado de D. João I, como refere a carta de armas do neto.

1.3.1.1.     Fernão Lopes de Sande, nascido cerca de 1415, certamente o Fernão Lopes de Sande, escudeiro da Casa Real e almoxarife do almoxarifado da Guarda, a quem a 25.4.1475 D. Afonso V doa a renda desta cidade, para além dos foros, que já tinha. Casou com filha de Martim Vicente de Villalobos, referido adiante. Foi pai de Francisco de Sande Vilalobos, nascido cerca de 1450, tendo portanto cerca de 63 anos quando teve a carta de armas, e provavelmente do Rui de Sande, que a 1.1.1491 foi alcaide-mor de Castelo Real e teve 30.000 reais de tença, e a 13.8.1491 foi alcaide-mor de Torres Vedras. De Francisco de Sande Vilalobos foi neto outro Francisco de Sande Vilalobos que em 1576 pediu carta de armas para Sande e traslado da carta do avô de 1513, conforme refere Sanches de Baena.

1.3.1.2.     Nuno Fernandes de Sande, cavaleiro da Casa do conde de Faro, a quem a 6.9.1475 D.Afonso V doa, a pedido do dito conde, o castelo de Ginota, perto da vila de Olivença, bem como todas as coisas que ao dito castelo pertencem.

1.3.1.3.     Luiz Lopes de Sande, cavaleiro, morador na vila de Estremoz, a quem a 29.4.1480 Dom Afonso V confirma a nomeação no cargo de couteiro das terras da vila de Estremoz e seu termo. Deste foi filho Manuel de Sande, que Gaio diz que foi alferes-mor da Ordem de Cristo e capitão-general de Mazagão e que fez uma justificação de nobreza na vila de Estremoz em 1526. O certo é que Manuel de Sande se documenta apenas como feitor na cidade de S. Jorge da Mina, pelo menos entre 1516 e 1518.

1.3.2.   João Lopes de Lemos, nascido cerca de 1382 e falecido em 1468. É o João Lopes de Lemos, escudeiro do infante D. Pedro, que a 1.1.1441 é nomeado escrivão do almoxarifado da rainha D.Leonor e já tinha falecido a 4.8.1468 quando foi substituído no cargo de escrivão da câmara, dos órfãos, da gafaria e da almotaçaria, contador de todos os feitos, inquiridor, distribuidor perante os tabeliães, provedor e escrivão da casa e albergaria do Santo Espírito na vila de Óbidos. Foi também alcaide do castelo de Óbidos, certamente interino por D. João de Noronha, pois a 20.2.1444 o mesmo rei perdoa a justiça régia a João Lopes de Lemos, alcaide do castelo de Óbidos, culpado da fuga de uns presos, tendo pago 3.000 reais pratas. Tendo em conta o que diz Gaio, João Lopes de Lemos terá casado com sua prima-direita Isabel de Sande, filha de Pedro Lopes de Sande, comendador da Alcáçova de Elvas e de Noudel, e de sua mulher Luiza Mascarenhas. Este Pedro Lopes de Sande parece ser o Pedro ou Pero Madruga cujo filho natural (havido em Constança Esteves) Álvaro Pires de Sande foi legitimado por carta real de 25.8.1385.

1.3.2.1.     Pedro de Lemos, nascido cerca de 1410, que julgo filho de João Lopes. Terá estado, e provavelmente morrido, na batalha de Alfarrobeira, pelo infante D. Pedro, pois a 24.7.1449 D.Afonso V doa ao secretário Rui Galvão a parte dos moinhos no rio de Leiria que pertencia a Pedro de Lemos, com toda a sua renda e pertenças. Estes moinhos foram-lhe doados por D.Duarte em 1433, como se vê numa carta de D. Afonso V de 10.10.1452, na qual este rei confirma a Isabel de Lemos, donzela da Casa da infanta D. Isabel, uma carta dada por seu pai, Pedro de Lemos, pela qual lhe dá autorização para construir uma casa de moinho junto dos outros seus moinhos.

1.3.2.1.1.    Isabel de Lemos, nascida cerca de 1435, donzela da Casa da infanta D. Isabel quando a 10.10.1452 teve a autorização acima referida. A 8.7.1451 D. Afonso V privilegia Isabel de Lemos, filha de Pedro de Lemos, isentando-a do pagamento dos dois pedidos para o casamento da infanta D. Leonor, assim como de qualquer outros pedidos e empréstimos régios.

1.3.2.1.2.    João de Lemos, que julgo filho de Pedro de Lemos. A 15.5.1473 D. Afonso V nomeia João de Lemos, escudeiro, morador na vila de Leiria, para o cargo de procurador do número da dita vila e seu termo, em substituição de Fernão Rodrigues Dantas, tabelião geral, que o perdera por não ser comprido o que tinha ficado estipulado nos capítulos de cortes da cidade de Évora.

1.3.2.1.3.    Pedro de Lemos, que também julgo filho de Pedro de Lemos. Casou com Joana da França. A 2.6.1472 D. Afonso V perdoou a justiça régia pela fuga da prisão e concede carta de segurança a Pedro Eanes, acusado por Joana de França, mulher de Pedro de Lemos, morador em Leiria, de casar com Maria Anes, criada desta, sem licença, e de a tirar de sua casa.

1.3.2.2.     Joana de Lemos, nascida cerca de 1415, que julgo filha de João Lopes de Lemos. Casou com Rui Dias Cabral, cavaleiro da Casa Real e alcaide-mor de Veiros, falecido cerca de 1499. A 15.9.1454 D. Afonso V doa a Rui Dias Cabral, cavaleiro da sua Casa, e a sua mulher Joana de Lemos, a renda do serviço novo dos judeus de Fronteira, Borba e Vila Viçosa. A 20.4.1450 o mesmo rei doa a Rui Dias Cabral, cavaleiro da sua Casa, a administração da capela de Vasco Esteves, no mosteiro de S. Francisco de Estremoz, pertencente a Diogo Nunes de Abreu, cavaleiro do infante D. Fernando, que a perdera por se ter colocado ao lado de D. Pedro e ir para Castela. E a 13.9.1454 nomeia Rui Dias Cabral, cavaleiro da sua Casa, para o cargo de alcaide-mor de Veiros, com todas as suas rendas direitos e foros, como usufruía Artur Gonçalves.

1.3.2.2.1.    Isabel de Lemos, nascida cerca de 1435 e falecida depois de 1522. Estava viúva quando a 16.7.1480 D. Afonso V concede carta de privilégio a Isabel de Lemos, mulher que foi de João de Barros, cavaleiro da Casa Real e uchão-mor, isentando todos os seus caseiros, lavradores, amos, mordomos e apaniguados do direito de pousada. A 18.3.1482 teve mercê de administração da capela de Vasco Esteves, como tinha seu pai, e a 22.4.1482 autorização para ser coutada herdade em Estremoz. A 24.4.1499 D.Manuel I confirma uma carta de D. João II de 20 dias antes, na qual confirma a Isabel de Lemos, filha de Rui Dias Cabral e Joana de Lemos, por morte de seu pai, a doação que D. Afonso V fez a seus pais dos direitos e serviço novo dos judeus de Estremoz, assim como andavam em renda com os de Evoramonte, Vimieiro e Veiros, em três vidas. Ainda vivia a 19.3.1501, data em que Isabel de Lemos, filha de Rui Dias Cabral e Joana de Lemos, teve uma tença de 10.000 reais em satisfação dos direitos que perdera do serviço novo dos judeus de Estremoz, Evoramonte, Vimieiro, Sousel e Veiros. Casou com João de Barros, cavaleiro da Casa Real e uchão-mor (já o era em 1468, provavelmente em sucessão a seu proposto pai), falecido cerca de 24.8.1476, quando o rei doa a Gomes de Figueiredo o serviço velho e novo e direitos dos judeus de Fronteira, Borba e Vila Viçosa, como os tivera João de Barros, que morrera, e seu sogro, Rui Dias.

1.3.2.2.1.1.   Guiomar de Barros, nascida cerca de 1453, que casou com Duarte de Mello, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor de Castelo de Vide, filho de Vasco Martins de Mello, fidalgo do Conselho e alcaide-mor de Castelo de Vide e Castelo Branco. A 6.2.1498 Duarte de Mello, fidalgo da Casa e alcaide-mor de Castelo de Vide, recebeu 14.200 reais de tença em satisfação da renda da judiaria da dita vila. A 23.1.1522 Duarte de Mello, alcaide-mor de Castelo de Vide, passou recibo em que declara que recebeu do almoxarife de Portalegre, Jorge Martins, 24.200 reais de sua tença e da de sua sogra Isabel de Lemos. A 15.3.1538 D.Filipa de Abreu teve provisão para receber 100.000 reais em cumprimento de 200 que tinha seu filho Duarte de Mello na comenda de Santa Maria de Castelo de Vide. C.g.

1.3.2.3.     Fernando de Lemos, nascido cerca de 1418, que era alcaide-mor de Elvas em 1483. Deve ainda ser o Fernando de Lemos que a 29.3.1487 teve 20.000 reais de tença. Trata-se certamente o Fernão de Lemos que Alão diz que viveu em Portel, foi criado do infante D.Henrique e era primo-direito de João Gomes de Lemos. Na verdade era primo-direito do pai deste João Gomes. Diz ainda Alão que casou com Grimaneza da Silva (a), filha de Jorge Dias da Silva, e que tiveram dois filhos, Paulo e Pedro. E é ainda o Fernão de Lemos que Alão, sem lhe dar mulher, diz que viveu em Estremoz e foi pai de Isabel de Lemos. Julgo portanto tratar-se do mesmo Fernão de Lemos, morador em Portel e depois em Estremoz e Elvas. Que terá assim casado 2ª vez com a mulher que Gaio de atribui, Júlia Martins (ou Vicente) de Villalobos (b), filha de Martim Vicente de Villalobos, certamente o homónimo que a 2.2.1453 era juiz do rei em Moura e a 4 de Maio do mesmo ano, sendo referido como cavaleiro da Casa Real, foi nomeado por D.Afonso V para o cargo de juiz da vila de Serpa e seu termo, nos feitos crimes e cíveis e no regimento da relação. Foi depois corregedor na comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana, cargo em que é substituído a 13.2.1456 por ter sido nomeado corregedor da correição da Beira. Gaio diz que este Martim Vicente de Villalobos foi juiz da cidade de Évora e «instituiu o Morgado de Fonte Boa em 1449, como se vê na sua sepultura que está em S. Francisco da cidade de Évora que tem as Armas de sua família e diz nela que é do muito nobre Cavaleiro Martim Vicente Juiz que foi da dita cidade».

1.3.2.3.1.    ?(a) (…) de Lemos, nascida cerca de 1445, que proponho que tenha casado com Gaspar de Boaços, filho de Luiz Pires de Boaços, cavaleiro fidalgo da Casa Real, que foi contador e requeredor da comarca do almoxarifado da Guarda e faleceu em 1452, pois a 18 de Junho deste ano D. Afonso V nomeou Cristóvão Gonçalves Lobo, escudeiro da sua Casa, para os cargos de contador e requeredor da comarca do almoxarifado da Guarda, em substituição de Luiz Pires de Boaços, que morrera.

1.3.2.3.1.1.   Antónia de Lemos, nascida cerca de 1460, que casou com Gonçalo Pires Amado Ferreira, segundo a carta de armas (17.6.1543) de seu bisneto Pedro Anes Amado de Santarém Baracho e seus irmãos Lourenço, João, Simão, Álvaro e Afonso, sendo todos então ainda jovens.

1.3.2.3.1.2.   ?Luiz Pires de Boaços, que a 22.3.1503 e 16.3.1507 passa recibo ao Paço da Madeira dos 3.000 reais de tença que tem por ano na folha do dito Paço, em Lisboa.

1.3.2.3.1.3.   ?Francisco de Lemos, escrivão das valas e tapadas da Golegã (Ementas, 7, 75).

1.3.2.3.1.4.   Gaspar de Boaços, dito irmão de António de Lemos quando seu filho Diogo do Quintal testemunha feito por seu tio António de Lemos, referido de seguida.

1.3.2.3.1.5.   António de Lemos, que a 4.9.1504, com confirmação real de 9 de Novembro, referido como filho de Gaspar de Boaços e neto de Luiz Pires de Boaços, cavaleiro da Casa Real, confirma a doação feita por Filipa Vaz, viúva de Henrique de Lemos, que foi morador em Lisboa, seu filho, de todos os seus bens, nomeadamente uma quinta em Palma, junto a Alvalade, emprazada ao mosteiro de Odivelas pelo foro anual de 1.200 reais e dois capões, e vários bens móveis, ressalvando para si, em sua vida, o respectivo usufruto. Deve ser o António de Lemos que teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 4, 65v) e foi escrivão das valas do campo da Golegã (ib, 12, 152).

1.3.2.3.2.   (a) Paulo de Lemos, que Alão diz ter sido pai de:

1.3.2.3.2.1.   Álvaro de Lemos, que viveu em Évora, casado Beatriz Correa, c.g. É certamente o Álvaro de Lemos, cavaleiro da Casa Real, que a 6.9.1515 teve mercê do ofício de contador das terças do bispado de Évora, portanto o Álvaro de Lemos, fidalgo da Casa Real, que a 27.2.1516 teve uma tença de 12.000 reais em satisfação do ofício que tinha de contador das terças do bispado de Évora. E o Álvaro de Lemos, fidalgo da Casa Real, que a 10.9.1513, por estar prestes a servir com armas e bestas na guerra, teve carta de privilégio para seus caseiros, amos, mordomos e lavradores de suas quintas, terras e casais.

1.3.2.3.3.   (a) Henrique de Lemos, que só Gaio refere e diz ter casado, c.g. extinta. Deve ser o Henrique de Lemos que a 30.8.1487 teve carta de privilégio de fidalgo.

1.3.2.3.4.   (a) Pedro de Lemos, nascido cerca 1455 e falecido depois de 1531, dado por Alão como filho de Fernão de Lemos. Foi capelão fidalgo da Casa Real (reconfirmado a 1.2.1526), cónego e chantre (18.11.1531 - G.XIX,5,13) da Sé de Lamego, abade de S. Martinho de Ranhados e visitador do convento de Stª Cruz de Coimbra por D. Manuel (1517). A 18.11.1531 renunciou ao cargo de chantre da Sé de Lamego, onde era cónego. A 10.7.1507 era capelão do rei quando teve quitação de todo o dinheiro que recebeu das moradias e recebimentos do 1% das rendas da Guiné e Índias e dos quartos que os comendadores da Ordem de Cristo eram obrigados por bula papal. E em 1506 recebia uma tença de 78.000 reais, que lhe dera a rainha D. Leonor. A 11.2.1504 D. Manuel I manda o almoxarife ou recebedor das sisas dos vinhos de Lisboa entregar a Pedro de Lemos, recebedor do um por cento, 10.766 reais e meio que tanto importou na renda por que andava arrendado o dito almoxarifado. A 13.11.1504 D. Manuel I manda os almoxarifes da Alfândega e sisa dos vinhos de Lisboa entregarem a Pedro de Lemos o dinheiro que restar dos assentamentos. A 6.2.1505 o mesmo rei manda o almoxarife da sisa dos panos da cidade de Lisboa pagar a Pedro de Lemos, recebedor do um por cento, a quantia de 40.000 reais. De 21.7.1509 ficaram uns apontamentos que fez Pedro de Lemos sobre o governo do Hospital Real de Todos-os-Santos, de todas as suas rendas, direitos e privilégios. A 26.9.1515 D. Manuel I dá provisão para Rui Leite, seu tesoureiro, pagar a Pedro de Lemos, seu capelão, 2.376 reais de sua vestiaria. E já a 3.11.1498 Dom Manuel I confirma a Pedro de Lemos, seu capelão, a mercê da igreja de S. Francisco de Ponte de Sor, no bispado da Guarda. Pedro de Lemos teve filhos naturais, muito provavelmente em Isabel Fernandes, solteira, moradora em Lisboa, que a 30.3.1496 teve perdão real por ter sido manceba de Pedro de Lemos, clérigo de missa, por querer viver honestamente daqui em diante, tendo pago 500 reais para a arca da piedade.

1.3.2.3.4.1.   Doutor Henrique de Lemos, nascido cerca 1490, doutorado pela UC, que depois de viúvo foi cónego da Sé de Viseu (bula do Papa Paulo IV de 2.10.1555) e parece que abade de Sever do Vouga e visitador do convento de Stª Cruz de Coimbra por Dom João III. Instituiu em Viseu o morgadio de Moure por testamento de 10.10.1554, em que nomeou seu filho António de Lemos e a que vinculou a casa da Prebenda, de que foi 1º senhor, com sua capela de S. Sebastião, armoriada, nos claustros da Sé de Viseu. Casou cerca de 1519 com Ana Tavares, filha de Afonso Álvares de Sever. C.g. em Viseu nos morgados de Moure. [3]

1.3.2.3.4.2.   Fernão de Lemos, segundo Alão, que o diz sem geração. Deve ser o Fernando de Lemos que foi recebedor das sisas das vilas de Ranhados e outras (Ementas, 4, 174).

1.3.2.3.4.3.   Frei Diogo de Lemos, segundo Alão. A 11.5.1515 Frei Diogo de Lemos, procurador do convento de Benfica, passou recibo onde consta receber do almoxarife da Portagem de Lisboa 644 reais, que se lhe davam cada ano para mostarda. A 8.11.1553 Frei Curado escreve a D. João III queixando-se do bacharel Diogo Vaz e do ferimento que fizera ao padre Diogo de Lemos e Frei Afonso, padres do mosteiro de S. Domingos da cidade de Évora, e lhe mandava instrumento do caso e pedia a Sua Alteza o castigasse como merecia, fazendo-lhe os protestos necessários para que não houvesse efusão de sangue nem talhamento de membros.

1.3.2.3.4.4.   ?Joana de Lemos, que julgo filha de Pedro de Lemos. Foi mãe de Miguel de Lemos, da vila de Ranhados, que em 1588 teve carta de armas para Lemos, com uma brica de prata e sobre ela uma almofada verde, dizendo-se aí apenas que era filho de Joana de Lemos 

1.3.2.3.5.   (b) Isabel de Lemos, nascida cerca de 1462, que casou com Jorge da Mesquita [4], nascido cerca de 1458, filho de Álvaro Martins da Mesquita, nascido cerca de 1436, que tirou ordens menores em Braga a 23.9.1452, e de Isabel Simões, natural do Algarve.

1.3.2.3.5.1.   Fernão de Lemos, segundo Alão, nascido cerca de 1480. Deve ser o Fernando de Lemos que a 18.6.1510 teve provisão para receber a sua tença de 20.000 reais e nove dias depois nomeia Duarte Lopes seu procurador para arrecadar 20.000 reais que tem de tença no Veropeso de Lisboa. Bem assim como o Fernando de Lemos, cavaleiro da Casa Real e couteiro de Sintra, que a 6.5.1526 teve mercê real de 30 cruzados, e o Fernão de Lemos que a 9.11.1534 a Câmara da cidade de Goa diz ao rei não ter suficiência para a mercê do ofício de escrivão da matrícula dos moradores daquela cidade.

1.3.2.3.5.2.   António de Lemos, segundo Alão, que se distingue bem do seu homónimo contemporâneo, da Casa da Trofa, referido acima. Deve ser o António de Lemos, guarda-mor da porta da cidade de Goa, a quem a 24.2.1511 Afonso de Albuquerque manda dar meio fardo de açúcar para seus mantimentos e a 22.8.1515 D. Manuel I faz mercê de 3.000 reais.

1.3.2.3.5.3.   Dois filhos que morreram na Índia, segundo Alão.

1.3.2.3.5.4.   Frei Gil, franciscano, segundo Alão.

1.3.2.3.5.5.   Duas filhas freiras, segundo Alão.

1.3.2.3.6.   (b) Nuno de Lemos, que Gaio diz ter sido fidalgo da Casa Real e a nona testemunha que jurou na justificação que fez na vila de Estremoz Manuel de Sande em 1528, como ficou dito acima, onde declara que é primo co-irmão do pai do justificante, e que casou com Joana de Moura, c.g. Destes poderá ser filho o Pedro de Lemos cujo filho Fernando de Lemos, natural de Estremoz, se matriculou em Cânones na Universidade de Coimbra em 1592, tirando o bacharelato a 31.10.1598.

1.3.2.3.7.   (b) Júlio de Lemos, segundo Gaio, c.g.

1.3.2.3.8.   ?(b) Filipe de Lemos, tesoureiro da capela da rainha D. Catarina, que a 9.8.1556 lhe faz mercê de uma tença de 10.000 reais.

1.3.3.   ?Rui Martins de Lemos, nascido cerca de 1383, virtual pai de:

1.3.3.1.    ?Diogo Martins de Lemos, referido num perdão real de 10.11.1471 a um criado do conde de Faro, com quem tivera querela. Este documento encontra-se muito danificado, não sendo possível uma leitura correcta.

1.3.3.2.     Martim Rodrigues de Lemos, nascido cerca de 1410, que Alão diz ter vivido na Beira, onde casou, e com quem começa o título dos «Costas, com Dom», sem o filiar. Este casamento, com Isabel Gonçalves da Costa, ter-se-á realizado cerca de 1468, portanto um pouco tardiamente, mas nada de anormal. Alão não filia esta Isabel Gonçalves da Costa, que eu proponho filha de Gomes Gonçalves da Costa, senhor de Stª Eufémia da Matança (Gouveia), e neta de Gonçalo Fernandes de Gouveia e sua mulher Maria Anes da Costa, que refiro em «Ascendências Visienses». Vide o meu Ensaio sobre a origem dos Costa medievais.

1.3.3.2.1.    Andreza Rodrigues da Costa, segundo Alão, que a diz casada com Sebastião Nunes Frazão. Gaio acrescenta que este Sebastião Nunes foi cavaleiro da Ordem de Cristo e que foram pais, nomeadamente, de Simão da Costa, que casou com Catarina da Costa, filha de Gaspar da Costa, deão da Sé do Porto, dos de Alpedrinha, sendo pais de Sebastião e Bartolomeu da Costa, ambos tesoureiros-mores da Sé de Lisboa. Alão dá aquele Simão como filho de uma terceira filha de Martim Rodrigues de Lemos, que não nomeia. Segundo algumas genealogias, aquele Sebastião Nunes Frazão seria bisneto de um Rui Frazão, alcaide-mor de Alcanede. A verdade é que a 26.7.1466 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Afonso Vasques, morador em Alqueidão do Mato, termo de Alcanede, acusado de ter pecado na lei do casamento com Catarina Martins, mulher de Rui Frazão, alcaide (não diz mor) do dito lugar, tendo pago 1.500 reais para a Piedade, mediante o perdão das partes.

1.3.3.2.2.    D. Isabel Rodrigues da Costa, nascida cerca de 1470 e fal. viúva depois de 6.2.1514. Alão chama-lhe erradamente Mécia. Como D. Isabel Rodrigues, viúva de Pedro da Costa, fidalgo da Casa Real, a 11.10.1513, sendo então moradora na vila de Tomar, fez procuração a seu filho Gaspar da Costa em todas as suas coisas e especialmente em um concerto que faz com seus enteados. E a 6.2.1514 Isabel Rodrigues, dona viúva, mulher que foi de Pedro da Costa, passou recibo em como recebeu de Diogo Fernandes Cabral 3.150 reais dos 5.000 que lhe são devidos. Foi portanto 2ª mulher de Pedro da Costa Cabral, fidalgo da Casa Real, senhor da quinta de Ninho de Açor, já falecido em 1513. O único que documentei que pode ser identificado com este é o Pedro da Costa, cavaleiro da Casa d'el rei, que a 24.10.1507 teve de D. Manuel I quitação do trigo, especiarias, outras mercadorias nomeadas e dinheiro no montante de 951.810 reais, que recebeu e despendeu quando foi capitão no navio S. Simão, ao Castelo Real, em Berberia, no ano de 1506.

1.3.3.2.2.1.   Gaspar da Costa Cabral, cavaleiro fidalgo da Casa Real e de cota de armas (21.8.1552), foi capitão-mor dos fidalgos da Casa Real. Nasceu cerca de 1490,  viveu em Pedrógão (Coimbra) e em Lisboa e sucedeu na quinta de Ninho de Açor. A 15.2.1516 Gaspar da Costa, escudeiro da Casa Real, teve provisão para receber 6.500 reais de moradia  A 21.10.1540 D. João III manda o recebedor das sisas de S. Vicente da Beira pagar a Gaspar da Costa tudo o que D. Álvaro da Costa (seu tio) tinha vencido dos 100.000 reais de tença, para este o dar a seus herdeiros. Como Gaspar da Costa Cabral, cavaleiro fidalgo da Casa Real, teve carta de armas para Cabral, Costa (2 e 3º quartéis, o que de facto corresponde ao facto de ambos os seus pais serem Costa) e Lemos, sem aí se referirem sequer o nome dos pais, dizendo apenas que descendia dos Cabral e Costa por parte de seu pai e dos Costa e Lemos por parte de sua mãe. Segundo a «Corografia Portuguesa», Gaspar da Costa Cabral casou com uma D. Maria Manso, acrescentando Gaio que era filha de António Manso. Alão e outros dizem que Gaspar da Costa casou c