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"Não tem mais pequeno?"
Enquanto se instala o debate público, a todos os níveis, sobre a criminalidade, a insegurança, e mais todas essas coisas acabadas em dade e em ança - como pança, perdão, dança - a verdadeira causa destes problemas fica por tratar. Pior que isso, agrava-se a cada dia que passa, sem que ninguém se preocupe verdadeiramente com isso.
Quem não passou já pela revoltante experiência ser perguntado, por um empregado de caixa, se "não tem mais pequeno"? Então se eu vou pagar quinhentos paus com uma nota de mil acha que eu tenho mais pequeno? Se tivesse mais pequeno tinha dado logo, não acha?
Se pago um conto e quinhentos com uma nota de dois contos, porque é que havia de ter mais pequeno? O seu trabalho não é estar aí para fazer o troco?
Porque é que me faz essa cara de sofrimento se eu vou pagar seja o que for com uma nota de cinco contos? Estou-lhe a arrancar algum bocado, junto com as moedas do troco?
Sinceramente, a mim, quando uma empregada de caixa me pergunta "não tem mais pequeno?" apetece-me logo ser ordinário e responder-lhe "é grande não é?"!
É de todo evidente que os jovens (por natureza mais exaltados que as pessoas mais velhas) sejam levados a cometer alguns excessos, em consequência deste tipo de interpelações. Por exemplo, quando todos estão na fila para pagar a gasolina e o caixa nunca mais atende a pessoa que lá está, porque esta lhe quer pagar um conto com uma nota de cinco, é natural que se perca a paciência. E daí até se sacar da caçadeira, é só um tirinho. Um caso ainda mais grave é o dos comboios. Será que os jovens são obrigados a ter trocos consigo?! Se um grupo de cinquenta ou sessenta rapazes se junta para ir ao cinema, é lógico que todos só tenham notas grandes, porque o cinema está caríssimo, hoje em dia. Mas se por acaso o cinema é longe e eles decidem ir de comboio, vão ter que pagar os bilhetes com essas notas grandes. Claro que são logo achincalhados pelo homem da bilheteira, por "não terem mais pequeno". Quem sofre com isso são as pessoas que vão no comboio, que se vêm na obrigação de angariar trocos sufucientes para comprar todos os bilhetes de um grupo assim tão grande.
Estes são apenas alguns exemplos, entre muitos outros casos que têm ocorrido. Tudo pela mesma razão.
Sinceramente, só não vê quem não quer ver.
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