2003.11.10

O "efeito bola de neve"

Não sou grande entendido em neves e outros assuntos gelados. Nunca quis o destino que eu fosse fazer "férias na neve", nem nada disso. Mas uma vez, na Serra da Estrela, numa dessas estâncias de "sku" que lá existem, à beira da estrada, fiz a fatal experiência. Com a calma de um artífice, agarrei num bom pedaço de neve e fiz uma enorme bola. Depois, controlando o nervosismo, atirei-a pela encosta abaixo. Não aconteceu nada. Quero dizer, o "efeito bola de neve" não provocou a destruição por esmagamento de Seia (ou de Manteigas, nunca percebi muito bem para que lado estou virado, na Torre). O meu "germe do apocalipse" esborrachou-se mal bateu no chão.

Desilusão. Afinal andei enganado estes anos todos. Mas sendo assim, de onde vem o mito do "efeito bola de neve"? Por que obscura razão toda a gente acha óbvio que uma pequena bola de neve vai rolar pela encosta e crescer até se tornar imparável, qual "armageddon-das-neves"?

Só existe uma explicação possível. Toda a gente leu "As Histórias do Avôzinho" em criança. Agora que penso nisso, torna-se evidente. A verdade é que todos os meus (dois) amigos tinham a colecção completa. E, de facto, havia lá uma história que explicava pormenorizadamente que uma bola de neve a rolar encosta abaixo cresce à medida que vai descendo, até se tornar tão grande que destrói tudo à sua passagem - infelizmente não estou em condições de citar de memória. Até tinha umas ilustrações, coisa que na altura constituía prova material.

Meus amigos, fala-vos o saber de experiência feito. O avôzinho enganou-nos bem.

 

 

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