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2003.11.24
E se só houvesse perguntas?
Um dia destes, estava eu a ver um filme no segundo canal, daqueles que começam tão tarde que
raramente dá para ver, quando perguntei a mim mesmo: e se eu me fosse deitar?
Depois, respondi-me com outra pergunta: e se eu não me fosse deitar, qual era o problema?
E a seguir: e se só houvesse perguntas?
(Tem tudo a ver, esta sequência de pensamentos, não é?
Mas eu sou assim, o que é que hei-de fazer?)
E se só houvesse perguntas? Seria possível
mesmo assim manter uma conversação?
Olá, como é que te chamas?
João, e tu?
Pedro, e a tua amiga?
O que é que tens a ver com isso?
Nada, mas perguntar não ofende, pois não?
Ai não? E se eu te perguntasse quantas vezes já foste
para a cama com um homem, ó caramelo?
E porque perguntarias uma coisa dessas? Estás assim tão interessado?
É por isso que não me queres apresentar à tua amiga?
Olha lá, e se resolvêssemos este assunto como homens?
Mas ainda não percebeste que não estou interessado em homens?
Estás a desconversar, é? Tens medo de apanhar no focinho?
Estaríamos condenados ao desentendimento?
Será que não se podia fazer uma simples perguntinha sem gerar logo confusão?
Se uma inofensiva conversa de ocasião podia descamber desta forma, como seria no parlamento, por exemplo?
Alguém me responde?
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