|
2003.11.17
Metro num instante
Não posso deixar de admirar a clarividência de quem planeou o
novo sistema de acesso às estações
do Metro de Lisboa.
Para quem não conhece ainda, passo a explicar. Agora, não se consegue passar
sem ter um título de transporte válido. Seja ele um bilhete ou um passe, todo
o acesso às carruagens está disponível apenas a quem "passa cartão"
(para usar um dos seus brilhantes slogans). Até aqui nada de muito novo nem genial, o melhor ainda está por vir.
Realmente fascinante é a ideia inédita e revolucionária de ter que se "passar cartão" também para sair.
As vantagens são evidentes (sem ser exaustivo):
- As bichas que se formam à saída promovem o convívio entre os utentes
("então a menina também trabalha aqui perto do Marquês?" "não, ainda vou apanhar o 11 para as Amoreiras") e o
espírito de entreajuda ("olhe, o meu pórtico não aceita o bilhete, o seu está a funcionar bem?"
"está, está, passe por aqui, amigo").
- O ponto anterior também é válido para as bichas que se formam à entrada, nas estações onde há ligação com outros transportes, como é o caso do Cais do Sodré.
- Sabe-se sempre quantas pessoas ainda estão lá dentro. Parecendo que não, isso poupa muito trabalho aos senhores que fecham aquilo à noite. Antigamente, eles tinham de vasculhar todos os corredores para ver se já estava mesmo tudo vazio. Agora já não.
- Em caso de emergência, toda a gente tem que manter a calma,
porque não há maneira de evacuar aquilo depressa.
- O sistema de enfiar o bilhete por um lado e ele sair pelo
outro faz-nos matar saudades desse momento de glória nacional que foi a Expo'98 (que entre outras coisas, nos ensinou a
formar filas — não me canso de repetir isto).
E podia continuar quase indefinidamente a enumerar as vantagens do
novo sistema de acesso às estações
do Metro de Lisboa.
|
|
Mais
|
|