2003.11.03

A religião das catedrais

Esta moda de chamar catedrais aos estádios de futebol tem uma certa piada. Devo admitir que inicialmente o colorido da metáfora me chocava um pouco, mas depois de pensar melhor nisso, acho que até tem toda a lógica.

Uma catedral é a igreja mais importante de uma diocese, onde está o bispo. Ora, se no caso das dioceses a sua influência e distribuição é geográfica, no caso do futebol não é exactamente assim; tem mais a ver com as convicções de cada um. O que não quer dizer que o paralelismo não seja válido.

Portanto, temos o conjunto dos clubes maiores com os seus estádios-catedrais e depois teríamos, numa segunda linha, os clubes com estádios-igrejas-matriz. Seriam, por exemplo, aqueles clubes que não lutam para o campeonato, mas lutam para as competições europeias, ou que simplesmente lutam para se manterem na primeira divisão, o que já é bastante, mesmo assim. Depois, à medida que descemos em dimensão, teríamos os clubes com estádios-igrejas, com estádios-capelas, estádios-ermidas e por aí fora. E, claro, os centros de estágio seriam os santuários.

O mais interessante, no entanto, é o resto da organização. Do que acabo de dizer decorre que os presidentes dos clubes maiores seriam equiparados a bispos. Os de "nível" a seguir ganhariam a denominação de cónegos e os outros seriam os normais padres. Ainda haveria lugar para os diáconos, que seria a adjectivação dos presidentes de clubes amadores.

Os jogadores, treinadores, adjuntos e demais séquito, tomariam os papéis de monges, abades, acólitos e por aí fora(não necessariamente por esta ordem), enquanto que os sócios fariam as vezes das beatas. O restante dos crentes, que têm sempre pior lugar que as beatas, são os não-sócios, que pagam mais caro e o facto de missa e futebol serem ambos ao Domingo não pode ser só coincidência.

 

 

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