Da análise dos diversos elementos patrimoniais que se encontram dentro dos limites do Rochoso, e de um estudo mais aprofundado a nível documental nos diversos arquivos, conseguimos tirar conclusões muito interessantes e curiosas. Existe uma forte componente de monumentos megalíticos (menires e cromeleques), cujo período histórico é o Neolítico. Esta foi uma época em que as populações tinham actividades agro-pecuárias. A localização geográfica da aldeia, situada num planalto, servida a norte pela Ribeira das Cabras e a sul pela Ribeira do Noéme, e a existência de grandes elementos rochosos em granito que formam em muitos sítios muralhas impenetráveis favorece a existência de aglomerados populacionais. É precisamente nessa zona, sobretudo a norte que se encontram os castros (segundo a toponímia popular "os castelos"). Além disso, as densas matas de carvalhos (árvore sagrada nesse período) escondem diversas sepulturas antropomórficas, que se podem encontrar quer a norte quer a sul da povoação. Do período romano, que terá retirado as populações nómadas desses locais mais inóspitos e as terá fixado mais perto donde é hoje a povoação, terá ficado uma estrada de grande importância (segundo diversos autores, dentre eles o general João de Almeida) que ligaria a Guarda a Salamanca. Ainda hoje é visível um caminho paralelo à estrada que liga o Pombal ao Rochoso, que passa pelo cruzamento dos "quatro caminhos" e vai dar até ao Abrunhal que, embora não tendo a típica calçada romana (podendo no entanto estar soterrada) que chama a atenção pela sua grande largura, incomum nos vulgares caminhos agrícolas. Nesta localidade terá existido um acampamento romano avançado e fortemente defendido que terá dado origem ao nome da aldeia "Reclausum". (A tradição oral refere que a primitiva localização do Rochoso terá sido num local chamado "Cortes de Vila-Três", perto do Enchido, onde antigamente (quando se lavravam os terrenos) apareciam pedaços de telha. Que povo terá aí habitado? Diz ainda a tradição que esse povoado desapareceu e mudou-se para a actual localização, devido a uma praga de gafanhotos. Perto dos Lamaceiros, existe uma "presa" à beira do caminho apelidada de "Fontinha da Vila". Que "villa" terá sido abastecida por aquelas águas? Entramos assim no campo das hipóteses recorrendo à toponímia popular e à tradição oral...) Na Idade Média terá existido um castelo e respectiva muralha, cujo ponte de vigia principal, estaria junto ao Calvário, num local apelidado popularmente de "Goirita". Este local é um miradouro de vistas largas onde se avista muitas terras do concelho de Sabugal e Almeida, em direcção à raia. Muitas das terras do Rechouse (como então se chamava) pertenceram aos Templários. Ainda nessa época, S. Francisco de Assis terá fundado um convento nesta povoação num local chamado "Vale da Abadia" e a Irmandade das Almas. Desse convento não existem ruínas ou vestígios para aparece documentado e terá tido importância similar ao da Guarda. Em 1527 o lugar de Rechouse tinha 49 habitantes. Sabe-se que a aldeia teve uma comunidade significativa de cristãos-novos, e é ainda possivel encontrar diversos exemplos de casas construídas seguindo esse modelo arquitectural. Nas Memórias Paroquiais de 1758, constatamos que a população ainda habita fundamentalmente no Outeiro de Cima, o centro histórico por excelência da aldeia. A aldeia também foi fustigada pela tropas de Napoleão, na segunda Invasão Francesa de 1810. Nos tempos finais da Monarquia, formaram-se dois partidos no Rochoso: os Republicanos liderados pelo professor da aldeia e os Monárquicos comandados pelo vigário. Nas primeiras décadas do século XX existiam grandes tradições católicas na aldeia e um sentimento que viria dar origem à fundação da Liga dos Servos de Jesus, que mais tarde se expandiu por outros locais em todo o país. Até à década de 70, existiu um grande movimento comunitário quer de dinamização das associações religiosas existentes, como nos trabalhos agrícolas, ainda na preservação de usos e costumes muito antigos. A partir dessa década muita gente emigrou e assistiu-se a uma certa decadência da aldeia, acompanhada do envelhecimento da sua população.