Casas de Cristãos-Novos
Os cristãos-novos eram Judeus convertidos à força no reinado de D.Manuel I. Na maior parte das vezes essa conversão era forjada e mantinham os ritos judaicos às escondidas. Existiam na região comunidades importantes de Judeus: Guarda, Belmonte e Trancoso. Pela quantidade de casas cujo traça arquitectónica pode ser imputada às dessa época também deve ter havido uma importante comunidade no Rochoso. A casa da primeira figura está localizada perto da Igreja e está inserida num enorme pátio recolhido onde existem outras casas e no seu interior diversos quintais. Esta configuração permitia a existência de diversas famílias e o recato necessário às práticas judaicas. O objectivo era que esse conjunto fosse o mais autónomo possível do resto da sociedade. Para além disso é claramente visível a cruz gravada no centro da fachada. A gravação de símbolos cristãos nas paredes atestava e mostrava à sociedade a conversão daquela família.
A casa da segunda figura encontra-se junto ao largo a caminho do Outeiro de Cima. Existem diversas cruzes gravadas nas paredes e tem a particularidade de ter gravada na ombreira da porta um peixe (o peixe é um dos símbolos do Cristianismo). A casa está inserida numa rua estreita, com poucas aberturas e um postigo na porta e embora as restantes casas não apresentem esses símbolos pode suspeitar-se que sejam do mesmo tipo. Pela estrutura das casas pode deduzir-se que os donos daquela casa tivessem algum ofício ou fossem vendedores. Existe ainda no Outeiro de Cima e na Rua da Procissão outros edifícios claramente identificado e com símbolos gravados nas suas paredes. A título de curiosidade, no livro "Denúncias em nome da fé", sobre os processos movidos contra Judeus na Inquisição na região da Guarda, aparece o processo de um judeu do Rochoso de nome Gonçalves que terá sido denunciado por inveja.