PECADORES NAS MÃOS DUM
DEUS MUITO IRADO
Pecadores nas Mãos de um Deus Irado foi um sermão pregado por Jonathan Edwards em 8 de Julho de 1741, em Enfield, Connecticut.
O sermão foi baseado em Deuteronómio 32:35, “... ao tempo que resvalar o seu pé” e proclamava a ira de Deus contra o pecado e uma petição aos ouvintes para viver uma vida santa.
Enquanto ele pregava, houve pessoas que choravam e clamavam por arrependimento, enquanto que outros se agarravam às colunas da igrejas, como se estivessem sentindo sendo engolidos pelo inferno. Ele teve que esperar as pessoas se acalmarem para terminar o sermão.
Na ocasião, havia pessoas gritando e gemendo, sentindo quase que literalmente as chamas do inferno, caindo no chão, desmaiando, incomodadas e extremamente angustiadas enquanto não encontrassem paz com Deus. A cena era como se um furacão tivesse passado no meio de uma floresta. Durante toda a noite seguinte, a convicção de pecados continuou nos lares, onde pessoas buscavam um verdadeiro encontro com Deus. Era como se o dia do Senhor já tivesse chegado.
Enfield, Connecticut Julho 8, 1741
Jonathan Edwards
(1703-1758)
“Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé;
porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se
apressam a chegar.”
Deut. 32: 35
Neste
versículo lemos sobre a iminência da suprema vingança de Deus sobre os
Israelitas, que viviam sob uma graça desmesurada. Mas apesar disso Deus disse
deles: "São gente falta de conselhos, e neles não há entendimento".
Deut. 32:28. De toda a criação de Deus, só eles brotavam sarças e espinhos como
fruto, amargura e ira a Quem os criara. O texto que escolhi para hoje, será
"ao tempo que resvalar o seu pé" e procede daquilo que me
transparece estar relacionado com a suprema devastação eterna que esperava os
Israelitas com quem Deus estava irado por causa dos seus muitos pecados. A
ideia que prevalece é que eles estavam expostos àquela ira inesperada sem o
saberem.
1. Eles
estavam sob a ameaça duma destruição inesperada, estando expostos a ela
continuamente sem o saberem. Eles estavam a escorregar nos lugares tenebrosos
da sua consciência. Isto descreve com fidelidade como estavam na eminência de
serem destruídos a qualquer momento. Será isso que lemos em "Certamente Tu
os puseste em lugares escorregadios; Tu os lanças
2. Isto
implica que estariam permanentemente sob a possibilidade de serem exterminados
e fulminados a qualquer momento sem aviso, mas também sem maneira e sem
qualquer possibilidade remota de escaparem. Estes lugares escorregadios apenas
mostram que, a qualquer momento, qualquer pecador pode cair, que ninguém tem
como prever quando nem como, e também que ninguém tem como impedir que tal
coisa se dê e assim suceda. É isto que transparece das palavras "Tu os
lanças
3. Outra
coisa que se esconde nestas palavras, é que eles cairão por eles mesmos, sem
que seja necessário que alguém ajude ou contribua para que tal suceda. Como
caminha em lugares escorregadios, o pecador não necessita de nada para se
estatelar no inferno por si mesmo, e isto, para sempre.
Pode-se
fazer esta observação a partir das palavras em que vou insistir. "Nada
impede que Deus, pela Sua soberana vontade os deixe cair para sempre, com
excepção do Seu beneplácito e da Sua própria determinação soberana". Quem
poderá impedir Deus de o fazer? Quero que fique claro que toda a destruição
depende tão só de quando Deus assim quiser, pois nada mais existe que tenha
como determinar o preciso destino de qualquer pecador. Esta verdade transparece
das seguintes elações que podemos retirar do texto.
1. Não
existe nenhuma falta de poder em Deus para lançar qualquer ímpio no lago do
inferno a qualquer momento. Nenhuma mão humana tem como se elevar para impedir
Deus de o fazer. Não existe homem que tenha como impedi-lo. O mais poderoso de todos
eles não tem com que resistir se Deus se levantar em ira; ninguém poderá livrar
da Sua poderosa Mão. Não só é capaz de lançar os pecadores no inferno a
qualquer momento, mas também o pode fazer com muita facilidade. Muitas vezes um
príncipe na terra depara-se com grandes dificuldades para vencer um oponente
seu, algum rebelde do seu reino o qual se tenha fortificado com armas e homens
para se opor a este. Mas não é assim com Deus. Não existe fortaleza que resista
ou que tenha defesa contra o poder de Deus. Mesmo de mãos dadas, mesmo que um
grande mar de gente se una num cordão contra Deus, facilmente serão
despedaçados em pequenos pedaços. Serão como palha, montes e pilhas de palha
diante duma forte tempestade, dum furacão. Ou como estrume muito seco perante
as chamas ferozes dum grande fogo que não se apaga. É muito fácil a qualquer um
de nós pisar uma minhoca no chão e esmagá-la sem que esta tenha como se
proteger; é muito fácil para qualquer um de nós cortar uma linha onde algo
esteja pendurado; do mesmo modo ou mais fácil ainda, será para Deus desprender
a vida de alguém que Ele entenda e, quando assim entender, lançar qualquer
inimigo seu, ou multidões deles ao mesmo tempo, no fogo do inferno. Quem somos
nós para que pensemos que podemos resistir a Deus, Aquele que faz estremecer
toda a terra com uma leve repreensão, que provoca uma avalanche de pedras em
todo o tamanho dela com um pequeno sopro?
2.
Qualquer pecador merece tudo isto, merece sempre ser lançado no inferno. É
assim para que a justiça divina triunfe. A justiça divina não tem como impedir
a ira de Deus, não tem objecção sequer contra esse poder que Deus tem para
triunfar; a qualquer momento Ele pode fazer tal coisa. Pelo contrário, é esta
mesma justiça que clama aos Céus para que tal coisa se cumpra, suceda
repentinamente. Ela reclama o supremo castigo do todo pecado. A justiça divina
que conhecemos clama e pede incessantemente que, quando uma videira produz
fruto como o de Sodoma, se corte a árvore. Lemos que "Disse então ao
viticultor: corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente?" Lucas
13:7
3. Todos
os pecadores estão já condenados à partida, estão sob a sentença dum inferno
justo. Eles não apenas o merecem em forma de justiça, mas a própria sentença de
Deus já foi dada - aquela sentença eterna e irreversível, a qual ninguém tem
como reverter. É ela que estabelece a justa vingança do Deus Altíssimo. Esta
sentença foi proferida e nada a detém. Todos estão perante a certeza
irreversível do inferno. João 3:18 diz, "quem não crê já está
condenado". Toda a pessoa que ainda não se converteu pertence ao inferno.
O seu lugar é ali, porque lemos em João 8:23, " E dizia-lhes: Vós sois de
baixo". O pecador está sob a pena do inferno dada pelo Deus eterno. Esse é
o lugar que tanto a palavra de Deus - que não muda -, como a justiça divina e a
sentença da Sua imutável lei reservam ao pecador para sempre. Este lugar
está-lhe já reservado e assegurado.
4. Os
pecadores são objecto da ira portentosa de Deus. Essa mesma ira expressa-se num
inferno de tormentos infinitos – de tal modo se manifesta! A única razão porque
um pecador que ainda vive não caiu lá dentro, não é porque Deus, sob a ira de
Quem está continuamente, não esteja muito zangado com ele do mesmo modo que
está com aquelas muitas criaturas que já lá se encontram há milhares de anos a
sentir na pele os grandes açoites da Sua ira sem fim. Por acaso Deus está mais
irado com muitos dos que se encontram ainda cá na Terra. Não tenham dúvidas”!
Está mais irado com muitos que se encontram agora aqui, a ouvir-me, nesta
congregação, com pessoas que estão aqui, e que se sentem tão à-vontade. Está
mais irado com estes do que com os que estão há muito nas chamas do inferno.
Não é porque Deus se esqueceu deles por cá, porque não esteja atento às suas perversidades,
que não sente o mal dos seus pecados, que não corta a corda que os prende, que
ainda não foram tragados pelas chamas. Deus não é como eles, pecadores, são,
mesmo que todos eles O imaginem assim tal qual eles. A ira de Deus arde para se
concretizar, a sua eterna e justa condenação não dormita como muitos pensam. O
lago de fogo e enxofre está aceso e preparado para os receber a todos, o forno
está sobreaquecido para os engolir logo. As suas chamas já clamam e queimam de
raiva e fúria. A espada flamejante já brande de ira e a terra sob os pés dos
pecadores cederá a qualquer momento. A boca do lago de fogo e enxofre está
pronta e prestes a engoli-los sem mais demora.
5. O
diabo também está pronto para cair em cima deles, reclamando-os como sua única
propriedade exclusiva. Quando ele os quiser Deus permitirá que se faça como ele
bem entender. Eles, os pecadores, pertencem-lhe. Ele é que já possui as suas
almas. Elas estão sob o seu querer incondicional. As Escrituras falam deles
como sua mercadoria exclusiva. Os demónios apascentam-nos, entretêm-nos,
esperando ansiosamente a chegada do grande dia em que vão ser lançados nas
chamas devoradoras. São como leões esfomeados à espera da carne deles; eles
querem-se atirar já à presa, mas estão impedidos de o fazer por ora. Assim que
Deus retire a Sua mão, logo que cesse de os impedir, eles caem-lhes em cima
como se fossem caça. É a Sua Mão que ainda os impede de se arremessarem. Se
esta Mão se retirar, os demónios cairão sobre as suas almas, reclamando-as desde
logo! Aquela velha serpente está a um pequeno passo de os tragar; a morte e o
inferno aguardam por eles impacientemente, e assim que Deus permita, retirando
a Sua Mão impedidora, eles rapidamente serão levados e nunca mais serão vistos.
6.
Dentro das almas dos ímpios reinam princípios infernais, que explodiriam logo
em chamas de grande maldade, se Deus não impedisse que tal sucedesse. Na
natureza carnal de qualquer homem mundano, existe um fundamento igual ao dos
alicerces do próprio inferno. Ardem lá desde sempre todos os princípios do
pecado. Reinam pelo seu próprio poder, possuindo-os por completo e,
factualmente, é essa a semente do inferno. Estes princípios pecaminosos reinam
por si, vivem por si e são violentos por natureza. Não fosse a Mão que os
restringe agora, pegariam logo fogo e queimariam com a mesma inimizade com que
os demónios se lançam a eles. O tormento dentro do coração perverso das almas
condenadas está apenas impedido de se manifestar neles pela poderosa mão de
Deus. As almas dos pecadores ainda vivos são descritas pelas Escrituras como um
mar que não se aquieta – “Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se
pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo” (Is.57:20). De
momento, Deus retém-nos pelo poder do Seu braço poderosíssimo. Essas ondas
estão contidas ainda dentro do aceitável, pois ouvimos-Lhe dizer "Até aqui
virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas", Job
38:11. Mas caso Deus os deixasse à solta, logo se corromperiam e nada impediria
a sua água suja e imunda de inundar tudo à sua volta. O pecado é a semente e a
ruína da alma. Corrompe e é sempre destrutivo e caso Deus não lhe impusesse
limites, nada mais seria necessário para levar qualquer alma ao extremo da sua
maior miséria. A corrupção não se modera a não ser por uma mão poderosa, porque
a sua fúria pecaminosa é fértil e não tem limites. Enquanto o homem ímpio aqui
estiver vivo, tem de ser controlado como o fogo, pois se fosse deixado à solta
logo tudo consumiria à sua volta, mudando até o curso da natureza. Como o
coração é uma fonte de pecado, caso não fosse restringido, tornaria a própria
alma de quem o possui um forno aceso, um vulcão maligno em erupção contínua.
7. O
facto de ainda não verem a sua morte dar sinais de querer aparecer, não deve
servir de símbolo de segurança para qualquer pecador, nem por um momento. A
saúde de alguém não serve de segurança, pois pode-se fragilizar em qualquer
momento, mesmo que se aparente ser a pessoa mais saudável do mundo. A
experiência corrente de todos é que agora pode-se estar vivo, mas daqui a nada
pode-se estar em eminência de morte. Sempre foi assim - os homens a pensarem
que nunca morrem e o inferno a tragá-los um a um. O homem não pensa na morte,
não quer ter consciência dela, mas é a coisa mais certa. Muita gente morre sem
se dar conta senão apenas no último minuto. Os homens têm múltiplas formas de
escaparem da realidade das coisas e quanto mais reais e imutáveis são essas
coisas, tanto mais facilmente e tanto mais profundamente se "esquecem"
delas, tanto mais deixam de pensar nelas voluntariamente. Os homens
não-convertidos navegam num mar de chamas negando sentir-lhes o calor. Como
evitam tombar aqui e ali nos perigos menores, pensam que dessa forma têm como
se livrar da perda inevitável e da queda
maior, que é eminente. A sua casca de palha é tão frágil que só a extrema
misericórdia de Deus tem como evitar que essa casca seja tragada de imediato
por chamas que nunca se apagam. Qualquer seta de morte rasga os céus em plena
luz do dia. Que impede o homem mortal de ser atingido por uma? Elas são setas
invisíveis, que não se vêem quando são atiradas contra o homem mortal. Deus tem
tantos meios de retirar dos mortais a sua vida, para que sigam o seu caminho
para o inferno, para o seu lugar de eleição, que não se pense que algo
miraculoso tem de se passar primeiro para se ver claramente que foi Deus a
fazê-lo, pois há muitas maneiras de se morrer naturalmente. Basta tão só a
Providencia divina, para que alguém se estatele numa morte irreversível. Todos
os meios e mecanismos através dos quais os homens mortais abandonam este mundo,
estão tão dependentes das mãos providenciais de Deus, tão universalmente e
absolutamente sujeitos ao poder da Sua determinação, que de nada mais pode
determinar momento da morte de cada um. Apenas depende da vontade de Deus. Nada
mais impede um pecador de cair para sempre no infinito inferno.
8. O
homem natural e a sua incoerente prudência em preservar-se a si mesmo, ou o
cuidado dos outros em preservá-lo, nada o garante de nada, nem por um
pequeníssimo momento. Disto testemunha a cautelar providencia infinita Que
criou o mundo. Existe este facto já de si comprovado que nenhuma sabedoria
humana pode livrar o homem da morte. Se tal coisa fosse verdade, veríamos alguma
diferenciação entre os políticos e sábios de hoje e outras pessoa menos
inteligentes, no que toca à sua morte. Mas de facto, aquilo que dizem as
Escrituras transparece sempre repleto de verdade infinita, nomeadamente:
"Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de
tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim
morre o tolo!" Ecles.2:16.
9. Todo
e qualquer esquema dos ímpios, todas as suas agonias em escapar do inferno,
enquanto rejeitam Cristo na sua vida prática, mantendo a sua impiedade porque
sem Cristo não terão como se verem livres dela, não lhes assegura uma livrança
do inferno, nem por um momento. Qualquer homem natural que tente escapar do
inferno, bajula seu ego sempre para não ter que pensar que não tem como escapar
dele. O pecador depende dele próprio para escapar, vitoria-se e vangloria-se em
si mesmo, depende das suas próprias forças para escapar à sua maneira.
Bajula-se, entretém-se, gasta mal o seu tempo sempre, e mostra aquilo que consegue
fazer, apenas para acreditar que vai escapar. Todo e qualquer um tem sempre uma
ideia bem delineada de como há-de escapar do inferno. Luta com as suas crença e
credos, tentando sempre convencer-se a si mesmo por todos meios de que há-de
escapar, pensando-se mais sábio de todos os homens. Ouvem sempre que muito
poucos se salvarão, que muitos estão já no inferno, mas mesmo assim cada um
deles imagina sempre que há-de escapar ileso. Acha sempre que será melhor
sucedido que todos os outros que já estão a arder, e que com ele tal coisa
nunca ocorrerá. Ele não quer ir para aquele lugar de tormento, e tenta
enganar-se a si mesmo continuamente que nunca se enganará a esse respeito. Mas
os miseráveis filhos dos homens iludem-se sem cessar, isto através de esquemas
e ocupações próprias, tal a confiança cega que depositam neles mesmos
continuadamente. Confiam numa nuvem sombria. A grande maioria que conseguiu
viver sob a era da graça e morreu, também pensava assim e nem por isso deixou
de ir para no inferno. Eles não seriam menos inteligentes do que todos os que
aqui se encontram; também não foi porque cometeram um qualquer erro de cálculo
nos seus muitos esquemas; se algum de nós pudesse falar com um qualquer desses
homens ou mulheres que já lá estão perecendo, de certeza que quando se lhes
perguntássemos se pensavam em vida que iam para o inferno, todos, sem excepção,
diriam que nunca pensaram ir para um local assim, de tantos horrores. Pensaram
sempre o melhor deles próprios enquanto em vida e nenhum deles diria que tinha
a intenção de ir parar ali. Todos diriam "Não sabia que vinha parar aqui,
nunca concebi que isto viesse a suceder-me, pensava que dum jeito ou de outro
sempre escaparia do juízo de Deus. Eu tinha a certeza que seria impossível eu
ir parar ao inferno! Mas fui apanhado desprevenido, não esperava tal quando
aconteceu - tão rápido foi! Eu bem queria preparar-me, mas pensava que ainda
havia tempo suficiente para fazê-lo. Fui surpreendido pela morte como se é pelo
ladrão de noite. A ira de Deus foi rápida demais para mim. Ó, que maldita
agonia, que maldita loucura a minha! Sempre me bajulei pensando que eu era
especial! E quando eu menos esperava morri. Sempre me convenci que tinha paz
com Deus e enganei-me profundamente, irremediavelmente!
10. Deus
nunca se comprometeu a salvaguardar um único homem carnal do inferno. Nem uma
só vez Deus se comprometeria com tal coisa absurda. Ele com toda a certeza
nunca prometeu vida eterna a quem permanecesse no seu pecado, nem nenhuma
espécie de protecção especial duma morte eterna. Só prometeu a quem cresse no
Senhor Jesus Cristo, para quem as promessas da Sua palavra são sempre sim e
amem! Qualquer um que não haja crido nessas promessas de os livrar de pecar sob
graça, nunca teve interesse no Mediador desse Testamento. Assim, todos aqueles
que estão a caminhar para o inferno por muito que se esgotem a rezar, por muito
religiosos que sejam, por muita seriedade que tenham no bater da porta que para
eles não se abre, peçam o que pedirem, enquanto Cristo não for verdadeiro em si
mesmo como Mediador real, Deus nunca se comprometerá a livrar tal homem da sua
sentença final. Deus terá sempre a última palavra.
É então
assim que Deus segura o homem de cair no inferno, pois ele está sempre pendente
sobre o lago de fogo. Eles mesmo o merecem por si mesmos, estando sempre
sentenciados sob essa mesma pena. Deus está provocado ao extremo na sua ira
contra eles, tanto quando está com aqueles que já estão a sentir a Sua fúria
inalterável no inferno. Nada fizeram para se livrar daquele abismo sem
regresso, sem saída possível. Nada fizeram para aplacar a Sua ira. Deus nunca
se comprometeu em livrá-los de qualquer tormento, e o diabo espera a
oportunidade de os sugar. O inferno está de boca aberta esperando tragá-los a
qualquer momento. As chamas engolem já muitos que não pensavam ir lá parar. O
seu pecado está sempre em chama e não pretendem conhecer Quem os pode livrar
dessas labaredas, dessa semente do inferno. Não pretendem estar seguros, apenas
desejam a mentira desde que seja sua e apesar de tentarem salvar-se a si mesmos
com muitos esquemas errantes, mostram que não pretendem o único Mediador como
tal. Confiam apenas em si mesmos para se livrarem. Resumindo, eles não estão
seguros, não têm qualquer refúgio em qualquer recanto de todo o universo e a
única coisa que os previne de caírem de vez naquele poço de chamas será apenas
uma vontade arbitrária de Deus - uma tolerância voluntária, não comprometida,
dum Deus muito irado.
Aplicação
prática
O uso
deste assunto deve servir para despertar as pessoas nesta congregação. Isso é
para todos vós que não estais em Cristo, e que viveis ainda no vosso pecado. O
outro mundo cheio de miséria esperava-vos a menos que vos convertais hoje. O
lago de fogo eterno já existe, e está preparado, há séculos. De facto existe
esse lugar horrível onde todas as chamas da justa ira de Deus exultam e ardem
há muito. Existe um inferno com a sua boca escancarada ao máximo para engolir
quem nega o Criador da sua vida. Lá não há chão onde firmar os pés, e aqui não
há nada que o separe do inferno a não ser ar e tempo. É tudo uma questão de
tempo. Apenas pela misericórdia de Deus estais aqui a ouvir este sério aviso.
Pode
acontecer que algum ouvinte não esteja com a sua sensibilidade aguçada em
relação a este assunto. Sabe que ainda está longe do inferno, mas não sabe que
é apenas Deus que o impede que caia lá já, para sempre. O ouvinte talvez passe
todo o seu tempo com outros assuntos, com outros afazeres, dando tudo aquilo
que toda a constituição do seu pecado lhe pede, tal como com todos os meios que
ainda pensa que podem salvar a sua vida da fogosa ira de Deus. Deveria antes
temer e se converter. Mas de facto, os meus argumentos são pequenos comparando
com os que podia elaborar. As suas coisas, os seus afazeres, de nada valem à
luz da verdade de todas estas coisas eternas. Se por acaso Deus retirar a Sua
grande mão que trava a sua queda eminente, nada mais neste universo que criou à
sua volta tem como impedir um pecador de estatelar-se para sempre no fogo
eterno.
Todos os
seus pecados tornam-no tão pesado como chumbo em ar leve. Vai cair para sempre
sem se poder levantar de novo. Todo os pesos que carrega na sua consciência
empurram-no pela força do seu peso; o destino de quem não crê em Cristo é um
poço sem fundo que emite fogo e enxofre. Se Deus o deixar cair, desaparece logo
sem nunca mais poder voltar. Toda a sua corpulência, todos os seus cuidados e
artimanhas em escapar, toda a sua prudência, toda a sua saúde de nada lhe
valerá; não há nada que impeça o pecador de prestar as contas todas da sua vida
a Deus. A sua auto-estima, o seu arrependimento e remorso por perder a sua vida
assim tão tolamente, nada resolverão, para nada mais servirão, do mesmo modo
que uma teia de aranha perante um incêndio, ou a mesma teia perante um
pedregulho que lhe cai das alturas. Não fosse a soberania de Deus sobre todas
as coisas, decerto que já estaria a experimentar este enorme sofrimento da ira
de Deus. Não fosse essa soberania, nenhum local em toda a terra o suportaria
por um momento mais que fosse, pois o ouvinte faz a terra queixar-se de
desespero pelo seu pecado, uma vez que sujeita a criação de Deus a enormes
pesadelos. A sua corrupção é uma ameaça à servidão ao pecado de todas as outras
criaturas de Deus. Essas criaturas não querem estar sujeitas àquela perdição,
mas todo o seu pecado as sujeita a isso contra a sua vontade. O sol não brilha
com alegria por não suportar a sua iniquidade vendo-o servir Satanás e seus
anjos; a terra não produz como gostaria ao ver o desperdício das suas
banalidades perversas; até o ar que respira se opõe a ser respirado por ele na
sua pureza quando sente seus deleites pecaminosos e o vê a usar as suas forças
a favor dos inimigos eternos do Deus vivo. Toda a criatura de Deus, toda a sua
criação é perfeita e tudo foi criado para dar sempre glória ao Deus altíssimo.
Nenhuma destas coisas criadas por Ele, sustém de ânimo leve quem desonra a
criação para malefício de todos os outros à sua volta. Todo o universo
vomitaria um verme pecador do seu meio ambiente não fosse a vontade e a
paciência de Deus em dar mais algum tempo para que o homem se converta! Toda a
criação suspira na esperança de um dia obter uma libertação do domínio total do
pecado. Nada impede senão Deus. Temos toda a ira de Deus a pairar sobre as
nossas cabeças, como uma nuvem negra prestes a rebentar todo o seu conteúdo de
fogo e enxofre, não fosse a mão de Deus que restringe os elementos que
cooperarem na esperança de ver um pecador que seja a tornar-se santo e a
glorificar Deus para sempre. O soberano desejo de Deus impõe aos elementos que
O glorificam sempre, cuspirem toda a imundície para bem longe de si. De momento
apenas ouvimos falar uma coisa muito vaga da suposta ira de Deus, pois pelas
tempestades e calamidades Deus dá a entender um pouco de tudo aquilo que ainda
se vai passar e que ninguém terá como impedir.
A ira de
Deus é como as grandes águas de uma represa, que crescem mais e mais, aumentam
de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a força das águas for
reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo na sua libertação. É verdade
que até agora ainda não houve um julgamento por obras más. A enchente da
vingança de Deus encontra-se presa. Mas, por outro lado, a sua culpa cresce
cada vez mais, e dia a dia acumulam cada vez mais ira contra si mesmos. As
águas estão a subir e a acumular-se gigantescamente, fazendo a sua força
aumentar cada vez mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém essas
águas, as quais não querem continuar enjauladas e forçam a sua saída. Se Deus
retirasse a Sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar
impetuoso da sua fúria e da ira de Deus precipitar-se-iam com ira inconcebível,
e cairiam sobre vós com poder omnipotente. E mesmo que vossas forças fossem dez
mil vezes mais do que são, sim, dez mil vezes maiores do que a força do mais
forte e vigoroso demónio no inferno, de nada serviriam para deter essa fúria
divina.
O arco
da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça
aponta a flecha ao seu coração esticando o arco. E nada, a não ser a
misericórdia de Deus, dum Deus irado que com nada se compromete e a nada Se
obriga, impede que a flecha se embeba já com o sangue de qualquer um de vós.
Assim
todos os que ainda não estais salvos estais a testemunhar este perigo, todos
aqueles que nunca experimentaram uma transformação real em seus corações pela
acção poderosa do Espírito do Senhor nas suas almas; todos os que não nasceram
de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para
um estado de luz e para uma vida nova nunca experimentada até aqui, os que
ainda não se converteram, em suma, que ainda não creram que Jesus morreu na
cruz por eles. Por mais que tenhais modificado a vossa conduta em muitas coisas
e venhais à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim estais
nas mãos de um Deus irado. Somente a Sua misericórdia vos livra de serdes
tragados pela destruição eterna agora, neste preciso momento.
Por
menos convencidos que estejais agora quanto às verdades ouvidas, no porvir
sereis plenamente convencidos. Aqueles que já se foram e que estavam na mesma
situação que a vossa, percebem que foi exactamente isso que lhes aconteceu,
pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperavam, e
quando mais afirmavam estarem a viver em paz e plena segurança. Agora eles vêem
que aquelas coisas em que puseram a sua confiança tendo a paz e segurança como
objectivo, eram nada mais que uma brisa ligeira e sombra despida de verdade.
O Deus
que vos mantém fora do abismo do inferno abomina-vos; Ele está terrivelmente
irritado e o Seu furor, arde como fogo contra vós. Ele vê em vós uma dignidade
imensa apenas para serem lançados no fogo do inferno. E os Seus olhos são tão
puros que não podem tolerar tal visão. Sois dez mil vezes mais abomináveis a
Seus olhos do que a mais odiosa das serpentes venenosas é para todos os
humanos. Tendes-LO ofendido infinitamente mais do que qualquer rebelde
obstinado ofenderia um governante. No entanto, nada, a não ser a Sua mão,
pode-vos impedir de cair no fogo a qualquer momento. O facto de nenhum de vós
ainda não ter ido para o inferno na noite passada e vos haver sido concedida a
graça de acordardes ainda neste mundo, depois de terdes fechado os olhos para
dormir ontem, deve-se a esta mesma graça e favor. Não existe outra razão para
todos vós não terdes sido lançados no inferno antes de vos terdes levantado
pela manhã, a não ser o facto da mão de Deus ter-vos sustentado. E não existe
outra razão para que não caiais no inferno, já, neste exacto momento.
Ó
pecador, pensa no perigo terrível que corres! É sobre essa grande fornalha de
furor que estás pendurado; sobre um abismo imenso e sem fim, cheio do fogo da
Sua ira, seguro pela mão de Deus, cujo furor acha-se tão inflamado contra ti,
como contra muitas pessoas já condenadas que já estão no inferno. Estás
suspenso por uma linha quebradiça, com as chamas divinas a toda a sua volta
prestes a queimá-la, prontas a atearem fogo e a queimá-la por inteiro. E
continuas sem interesse nesse Mediador - Jesus, sem teres onde te agarrar para
te poderes salvar da tal ira certa, nada podes fazer para afastar as chamas da
cólera divina, nada tens em ti próprio, nada que tenhas feito ou possas vir a
fazer, para poderes persuadir o Senhor a poupar a tua vida por mais um minuto
que seja. Considera, então, mais uns aspectos dessa cólera que ameaça chegar
com tão grande empenho:
l. A
quem pertence essa ira? É a ira do Deus infinito. Se fosse somente a ira
humana, mesmo a do governante mais poderoso sobre a terra, comparativamente,
seria considerada como coisa pequena. E a ira dos reis é bastante temida,
principalmente a dos monarcas absolutos, que possuem os bens e as vidas dos
seus súbditos nas suas mãos, para serem usados a seu bel-prazer.
"
Como o rugido do leão é o terror do rei; o que o provoca à ira peca contra a
sua própria alma [vida]” (Prov.20:2). O súbdito que enfurece esse tipo de
governante totalitário, sofre os maiores tormentos que se possa conceber, que o
poder humano pode aplicar pela sua fúria.
Por essa
razão, os maiores príncipes desta terra, em toda a sua grandeza, majestade e
poder, mesmo revestidos dos seus grandes terrores e ameaças, não são mais do
que vermes debilitados e desprezíveis que rastejam no pó que Deus criou, quando
comparados com o grande e Todo-Poderoso Criador e Rei dos céus e de toda a
terra. Mesmo quando estão irados - e essa sua ira chega ao máximo do seu rubro
- é muito pouco o que podem fazer se compararmos com a ira de Deus. Os reis da
terra são como gafanhotos perante Deus - tão pequenos! Valem menos que nada.
Tanto o seu amor quanto o seu ódio são desprezíveis. A ira do grande Rei dos
reis é muito acima, mais terrível do que a deles, tal como é maior a Sua
majestade - maior e de maior dimensão que a deles. "Digo-vos, pois, amigos
meus não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer.
Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: Temei Aquele que depois de matar,
tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer."
(Lucas 12:4-5).
2. É a
esta ferocidade da Sua ira que estais todos expostos. Lemos muito sobre a ira
de Deus, como por exemplo em Is.59:18: "Conforme forem as obras deles,
assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários”. E também em Is. 66:15:
"Porque, eis que o SENHOR virá com fogo; e os seus carros como um
torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de
fogo". E assim lemos também em muitos outros lugares na Bíblia. Lemos
também em Apoc. 19:15, "o lagar do vinho do furor e da ira do Deus
Todo-Poderoso". Estas palavras são incrivelmente aterradoras. Se estivesse
escrito "a ira de Deus" apenas, isso já nos faria supor algo bastante
terrível e aterrador. Mas está escrito "o furor da ira de Deus", ou
seja, a fúria de Deus, o furor do Senhor! Oh, quão terrível deve ser essa
fúria! Quem pode exprimir ou mesmo conceber o que essas palavras pesam em si?
Contudo não é apenas isso que está escrito: é "o furor da ira do Deus
TODO-PODEROSO". Estas palavras dão a entender uma grande manifestação de
Seu grande poder omnipotente quando julgar. Através dela Ele infligirá aos
homens TODO o furor da Sua ira contida durante milhares de anos. Assim como os
homens costumam manifestar a sua própria força através do seu furor, a omnipotência
de Deus irá, da mesma forma, enfurecer-se e manifestar-se. E qual será a
consequência de tudo isso? O que será dos pobres verme fortes, e quem e com que
coração conseguirá suportar tanto furor duma só vez e para sempre? Quem virá a
sofrer todo este mal? Quão terrível, quão inexprimível, quão inconcebível
abismo de miséria irá chegar a toda a pobre criatura humana que for vítima dum
duro juízo como este!
Pensai
bem, vós todos aqueles que estais aqui agora e que permaneceis no vosso estado
pecaminoso. O facto de Deus derramar o furor de Sua ira, torna implícito que
Ele infligirá esse castigo sem compaixão. Quando Deus olhar a indescritível
aflição do vosso estado de condenados e vir como os vossos tormentos são
absolutamente desproporcionais à vossa força, como estais esmagados, imersos em
trevas eternas, não terá compaixão de nenhum de vós, não irá deter a execução
da Sua ira, ou, de forma alguma, tornar mais leve Sua mão nessa hora. Deus não
usará de nenhuma misericórdia para convosco, nem susterá mais o Seu vento
impetuoso. Ele nunca mais considerará o vosso bem-estar, nem irá evitar que
sofrais dali em diante! Na verdade, fará com que sofrais na justa medida exacta
que toda a Sua rigorosa justiça requerer. Nada será moldado só pelo facto de
ser difícil de suportar por algum de vós. "Pelo que também Eu os tratarei
com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que Me gritem
aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei." (Ezequiel 8:18). Deus está
pronto; agora, usa de compaixão para convosco. Hoje é o dia da misericórdia
para convosco. Podeis clamar neste instante e ainda ter esperanças de alcançar
graça e misericórdia. Mas quando o dia de toda misericórdia passar, o vosso
lamento, o mais doloroso pranto, os gritos, serão completamente ignorados
perdidos no ar e alienados dos ouvidos sensíveis Deus. O Senhor não terá mais
uso de vós a não ser sofrerdes vossas misérias continuamente para servirdes de
exemplo a quem não estiver ainda no céu. No que toca todo ao vosso bem-estar,
vereis que Deus nunca terá outra opção senão a de entregar-vos ao sofrimento e
à vossa miséria e admitireis até que Ele é justo nisso mesmo. Não tereis outra
perspectiva de salvação, pois sereis um vaso de ira, preparado para a
destruição. Não existe outro uso para tais vasos, senão o de enchê-los da ira
de Deus. Quando clamarem ao Senhor, Ele estará tão longe como o sol está agora!
Vede, inclusive, o que está escrito a esse respeito: que Deus irá,
simplesmente, "rir e zombar" de vós (Provérbios 1:25-26, etc.). A
Bíblia diz: “Antes rejeitastes todo o Meu conselho, e não quisestes a Minha
repreensão, também de Minha parte eu Me rirei na vossa perdição e zombarei, em
vindo o vosso temor”.
Vejam
quão terríveis são estas palavras do grande Senhor: "Eu sozinho pisei no
lagar, e dos povos ninguém houve Comigo; e os pisei na Minha ira, e os esmaguei
no Meu furor; e o seu sangue salpicou as Minhas vestes, e manchei toda a Minha
vestidura" (Is. 63: 3). É quase impossível de se conceber palavras que
tragam em si uma manifestação maior destas três coisas: desprezo, ódio e fúria
de indignação dum Deus Omnipotente. Se clamarem a Deus por consolo, Ele estará
longe de vos querer consolar, ou de vos querer demonstrar qualquer interesse
favorável. Pelo contrário, o Senhor simplesmente irá esmagá-los sob os Seus
pés. E apesar de saber que, ao pisá-los, nunca poderão suportar o peso da Sua
omnipotência, ainda assim Ele não se importará com isso e irá esmagá-los na
mesma, sem piedade, espremendo o seu sangue e fazendo com que o mesmo espirre,
manchando as Suas vestes, maculando os Seus trajes resplandecentes. Ele não só
irá odiá-los, como lhes dedicará a todos o maior desprezo. Lugar algum será
considerado próprio para eles, a não ser debaixo dos Seus pés, para serem
pisados como se pisa a lama das ruas.
E visto
que este é o Seu desígnio e o que Ele determinou, ou seja, mostrar como é
terrível e ilimitada a Sua ira, fúria e indignação, Ele vai revelar isso com
toda a realidade. E espero que não seja a vós. Será algo horrendo, muito
terrível.
Quando o
grande e furioso Deus se houver levantado e houver executado a Sua terrível
vingança sobre o mísero e desgraçado pecador que estiver a sofrer o peso e o poder
infinito da Sua indignação, então Deus chamará o universo inteiro para
contemplar a imensa majestade e o tremendo poder que n'Ele existe. " E os
povos serão queimados como se queima a cal; como espinhos cortados arderão no
fogo. Ouvi, vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós que estais
vizinhos, conhecei o Meu poder. Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor
surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem
dentre nós habitará com as labaredas eternas? " (Is. 33 :12-14).
Assim
acontecerá com vós todos os que não vos converterdes a tempo, se permanecerdes
nesse vosso estado de insensatez. O poder infinito, a majestade e a
grandiosidade do Deus omnipotente serão exaltados em vós através da
inexprimível força dos tormentos que vos sobrevirão, com toda a certeza. Sereis
atormentados na presença dos santos anjos e na presença do Cordeiro.
E quando
estiverem nesse estado de sofrimento, os gloriosos habitantes do céu sairão
para contemplar esse espectáculo horrendo vendo como é a ira e a fúria do
Todo-Poderoso para nunca mais esquecerem. E quando virem todas essas coisas,
prostrar-se-ão e adorarão o Seu grande poder e majestade. " E será que
desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne
a adorar perante mim, diz o SENHOR. E sairão, e verão os cadáveres dos homens
que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo
se apagará; e serão um horror a toda a carne."(Is.66:23-24).
É uma
ira eterna. Já seria algo terrível sofrer o furor e a cólera do Deus
todo-poderoso por um momento. Mas tereis de sofrê-la por toda uma eternidade.
Esta intensa e horrenda miséria nunca mais terá fim. Ao olhardes para o futuro,
vereis à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá
devorar os vossos pensamentos e assombrar as vossas almas. E ireis desesperar,
mas em vão, com toda a certeza, por não conseguirdes nenhum livramento, fim,
alívio ou descanso para tanta dor ao mesmo tempo. Sabereis também, que tereis de
a sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos,
lutando em vão contra esta vingança que nunca mais aceita qualquer clemência,
que é todo-poderosa. Então, depois de passardes por tudo isto, quando tantos
séculos vos tiverem consumido, sabereis que tudo não passa apenas de uma gota
de água quando comparado com o que ainda resta. Portanto, o vosso castigo será,
com toda segurança e certeza, infinito. Oh, quem poderia exprimir o estado de
uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto,
apenas nos dá uma débil e frágil visão daquela realidade. Ela é inexprimível,
inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"
Quão
horrendo é o estado daqueles que diariamente, continuamente a cada hora, que se
encontram em perigo de sofrer tamanha ira de infinita miséria! Mas este é o
caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral,
austera, sóbria e religiosa que possa ser. Oh, que penseis em todas estas
coisas, jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles
que ouviram o evangelho mas não se decidiram certamente estarão expostos a este
tormento por toda a eternidade também. Não sabemos quem são eles, nem o que
pensam. Pode ser que estejam tranquilos agora, escutando esta mensagem sem se
perturbarem muito e que se estejam até a enrolar na esperança de que
conseguirão escapar. Se soubéssemos que de entre os nossos conhecidos existisse
uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós
encararmos esta realidade. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos,
tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro e
prantear por causa dela. Mas, infelizmente, a realidade é longe de ser uma só
pessoa. Será que só vos lembrareis destas exortações quando estiverdes no
inferno? E inúmeras destas pessoas podem estar no inferno em breve, antes mesmo
do ano terminar. E aqueles que estais agora com saúde, tranquilos e seguros,
podeis chegar lá antes do amanhecer. Todos vós os que persistirdes nesse vosso
estado natural pecaminoso e que consigais ficar fora do inferno por mais algum
tempo, estareis lá também
Mas aqui
estais vós, na terra dos vivos, cercados por todos os meios da graça, tendo uma
grande oportunidade de obterdes a salvação. O que não dariam aquelas pobres
almas condenadas, desesperadas, lá no inferno por uma simples oportunidade de
viver mais um só dia, como a que desfrutais vós neste momento! Não a
desperdiçariam e se converteriam JÁ.
Mas
agora sois vós que tendes uma excelente oportunidade de salvação. Hoje é o dia
Não
existem, porventura, muitos que, apesar de estarem já há longo tempo neste
mundo, mesmo assim ainda não nasceram de novo e por essa razão são estranhos à
comunidade de Israel e nada têm feito durante toda a sua vida, a não ser
acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh senhores, o vosso caso, é sem
dúvida, extremamente pernicioso. Toda a dureza dos vossos corações e a vossa
culpa são imensuráveis. Acaso não vêem como as pessoas da vossa idade estão
mais perto de perder a misericórdia de Deus? Necessitais de reflectir e de despertar
do vosso sono, pois jamais podereis suportar a fúria e a ira dum Deus infinito.
E todos
vós que ainda sois rapazes e moças, ireis negligenciar este tempo precioso que
ainda desfrutais, quando tantos outros jovens da vossa idade já renunciaram às
futilidades da sua juventude e acorreram céleres até Cristo? Tendes neste
momento uma oportunidade única, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que
agora está a acontecer com todos aqueles que gastaram os dias preciosos da sua
mocidade em pecado, chegando a uma terrível situação de cegueira e
insensibilidade espiritual.
E vós
crianças, que não vos convertestes ainda, não sabeis que estais perto do
inferno onde também sofrereis noite e dia a horrenda ira daquele Deus que está
encolerizado contra vós por causa dos vossos pecados? Será que ficareis felizes
por serdes filhos do diabo, quando tantas outras crianças já se converteram e
se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?
Que
todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendendo sobre o abismo do
inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, pessoas de meia idade, jovens
ou crianças, possam dar-me ouvidos, e mais ainda ao clamor dos chamamentos da
Palavra e da providência de Deus. Este é o ano aceitável do Senhor, um dia de
grandes misericórdias para alguns, e sem dúvida um dia de extremo castigo para
outros também. Se negligenciais as vossas almas a este ponto, os vossos
corações endurecem-se e a vossa culpa aumenta vertiginosamente. Podeis estar
certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está
posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produzir fruto, será cortada e
lançada no fogo eterno.
Portanto,
todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do
Deus Todo-Poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja da
sua Sodoma: "Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em
toda a campina; foge para o monte, para que não pereças."
"E
assim, conhecendo o terror do Senhor, persuadimos os homens à fé."
"De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus por nós
rogasse. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus;"
(2 Cor 5.11-20; 6.2). "Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o
enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus
pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele e volte-se para o
nosso Deus, porque é rico em perdoar." (Is. 55:6-7). Amém.