Índice:
Presidente
George W. Bush (FILHO)
O CHANCELER ALEMÃO E A
RESSURREIÇÃO
Acabámos de ler a
autobiografia que Billy Graham escreveu. A obra, com mais de 700 páginas, foi
concluída no início do segundo mandato do Presidente Bill Clinton, antes do
escândalo Monica Lewinsky acontecer. A transcrição que faremos do que ele
escreveu sobre Clinton deixa transparecer duas coisas.
A primeira, que Clinton
parece ser uma alma que nasceu de novo.
A segunda, que parece que os crentes
americanos, em número significativo, erraram gravemente, não apenas, ao não
orar por ele, como presidente, como alguns foram ainda mais longe ao procurarem
impedir que outros o fizessem.
Com este quadro, não é
de admirar que Clinton tenha sucumbido como sucumbiu. Ao dizermos isto, não
queremos, de forma alguma, eliminar a sua própria responsabilidade na queda que
deu, nem mesmo quando lembramos aqui, aos que o condenam indesculpavelmente, que
o rei David, inquestionavelmente um crente segundo o coração de Deus, fez,
como bem sabemos, pior do que ele.
Todos os crentes, sem
excepção, são permanentemente sujeitos a enormes pressões e tentações.
Como bem sabemos, os que ocupam cargos de responsabilidade, quer na igreja, quer
no estado, são alvos preferenciais do inimigo das nossas almas. Por isso, mais
do que ninguém, carecem incitantemente das orações do povo de Deus.
Escrevemos estas linhas
porque temos constatado com tristeza que muitos parecem estar a querer repetir o
erro com o actual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Quantas críticas
e ataques têm sido feitos a este homem, muitas indubitavelmente injustas, e quão
pouca ou nenhuma oração por ele.
Todos nós devemos dar graças a Deus e
regozijarmo-nos por a nação mais poderosa do mundo da actualidade ter ao leme
um homem que faz profissão de servir a Deus - alguém que “disse adeus a Jack
Daniels (uísque) e sim a Jesus Cristo”, como noticiava recentemente a
revista Newsweek.
Colocaremos algumas
transcrições da mesma obra que revelarão como o seu pai, que também foi
presidente dos EUA, é crente no Senhor Jesus Cristo e se preocupou com a alma
dos seus filhos e netos.
Outras transcrições
deste livro de Billy Graham seguir-se-ão neste número, referentes a alguns dos
ex-presidentes com que ele se relacionou e sobre outros episódios que ele
relatou e que entendemos por bem publicar aqui.
O escritor inglês G. K.
Cherston chamou a América de “uma nação com a alma de igreja” e outro
afirmou, nessa relação, que alguns presidentes foram pastores no púlpito
americano.
Como crentes devemos
orar para que Deus guarde o actual presidente de todo o mal e o use
poderosamente como um exemplo, tirando o máximo partido da vitrina privilegiada
que ocupa, para a glória do Seu Nome e bênção de muitos.
Afinal, não diz a Bíblia
para orarmos “pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que
tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade, porque
isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os
homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade»? (1 Tim. 2.1,2). Quanto
mais o devemos fazer pelos que são crentes!
Sabemos que corremos um certo risco ao escrevermos o que
escrevemos, mas entendemos que é importante que muitos conheçam factos que
normalmente não são noticiados pelos órgãos de comunicação social, e que são
mesmo omitidos. O leitor julgará por si os factos que apresentaremos e que
entendemos serem importantes que sejam do seu conhecimento.
- C.M.O.
Muitas pessoas foram
tocadas pela mensagem da cruz, e qualquer avaliação teria de começar com um
sem-número de vidas que foram transformadas por causa de um encontro com
Cristo. As histórias dramáticas de conversões foram incalculáveis.
Certa noite uma senhora vestida com trajes simples permaneceu
de pé na sala de aconselhamento. Com o rosto banhado em lágrimas ela suplicava
que Cristo fizesse parte da sua vida. Quando um dos conselheiros indagou se
poderia fazer algo para a ajudar, ela respondeu que estava muito preocupada com
o filho. "Ele bebe demais" ela disse, "e receio que venha a
espancar-me quando souber que me tornei cristã." Antes que o conselheiro
tivesse tempo de falar, alguém perto dela gritou: "Fique tranquila, mãe.
Eu também estou aqui".
- Billy Graham
Quando
a revista Christianity Today comemorou o jubileu de ouro do meu
ministério com uma edição especial, datada de 13 de Novembro de 1995, o
presidente Bill Clinton enviou a seguinte carta para ser publicada:
“A
primeira vez que vi Billy Graham foi em Arkansas, quando eu tinha cerca de onze
anos. Veio para dirigir uma cruzada e propagar a mensagem do amor e da graça de
Deus, exactamente na época em que o nosso estado enfrentava sérios problemas
de discriminação racial. Quando o conselho de cidadãos tentou convencê-lo a
separar os negros dos brancos nas suas reuniões, ele disse: ‘Se tiver de
fazer isso, não irei’.
“Pedi
a um professor da escola dominical da minha igreja que me levasse de automóvel
até Little Rock, distante uns 80 quilómetros, para ouvir o Dr. Graham, porque
ele procurava viver de acordo com o que pregava. Depois disso, enviei durante
muito tempo uma pequena porção da minha mesada para as suas cruzadas devido à
forte impressão que ele me causou.
“Alegrei-me
sobremaneira quando Billy retornou a Little Rock para realizar outra cruzada há
alguns anos quando eu era governador. Tivemos a oportunidade de passar bons
momentos juntos, e, desde então, prezo muito a sua amizade, bem como as suas
orações e conselhos.
“Sou
grato pela maneira como o seu ministério e amizade têm afectado a minha vida
e, mais ainda, pelo impacto incomparável que o seu testemunho cristão vem
exercendo no mundo inteiro.
“Sinto-me
honrado em poder compartilhar essa homenagem com o senhor e os seus leitores
nesta data especial.”
As
suas palavras comoveram-me e também fizeram-me lembrar que nenhum de nós,
pregadores, tem condições de saber quem está na plateia—nem mesmo quando se
trata de um futuro presidente.
Conheci
Bill Clinton quando ele era governador do Arkansas. Convidaram-me para falar na
Conferência Nacional de Governadores de 1985, em Boise, Idaho; depois da conferência,
ele perguntou-me se poderíamos conversar um pouco. Dirigimo-nos até o jardim e
conversamos por mais ou menos duas horas. O seu rápido raciocínio e simpatia
impressionaram-me imediatamente. Encontramo-nos outra vez durante a nossa
cruzada em Little Rock, em Setembro de 1989.
Pouco
antes da cruzada, Mary Anne Stephens (que na época era esposa de Jack Stephens,
um dos homens mais ricos de Arkansas) tomou um avião a jacto da sua empresa
para me buscar na Carolina do Norte e me levar até a cruzada. O avião chegou
atrasado na Carolina do Norte.
“Estávamos
a aguardar a chegada de Hiliary”, disse Mary Anne desculpando-se, “mas ela não
apareceu; foi por isso que nos atrasamos tanto.”
O
avião estava lotado de pessoas da alta sociedade; logo em seguida fiquei a
saber que Hiliary era a esposa do governador. Tinha ficado para trás por causa
de um compromisso imprevisto, mas, quando pousamos em Little Rock, ela já se
encontrava ali para me receber.
Um
ou dois dias depois, a esposa do governador perguntou-me se poderíamos almoçar
juntos e conversar.
“Seria
um grande prazer”, respondi, “mas não costumo almoçar a sós com damas
bonitas.”
“Poderíamos
ocupar uma mesa central do salão de refeições do Hotel Capital, onde seríamos
vistos por todos”, disse ela, “e, mesmo assim, conversar reservadamente.”
Foi
o que fizemos. No início falamos sobre Park Ridge, Illinois, a sua terra natal,
onde ela frequentou uma Igreja Metodista, a mesma em que preguei várias vezes.
Herbert J. Taylor, do Club Aluminum, que havia sido director de nossas duas
cruzadas na região metropolitana de Chicago (e também participante activo de
outras causas cristãs) também frequentou aquela igreja.
Eu
não sabia muita coisa a respeito da Sra. Clinton antes do nosso almoço, a não
ser que era advogada. No decorrer da conversa, ela impressionou-me com a sua
intelectualidade. Passava com sabedoria de um tema para outro—de um projecto
do governo ou questão política para um assunto de natureza pessoal ou
familiar, e assim por diante. Saí do almoço bastante impressionado com ela.
O
governador Clinton foi o presidente de honra da cruzada em Little Rock. Ele e
Hiliary ofereceram-nos um almoço, convidando também alguns dos participantes
mais activos da cruzada e autoridades do estado, inclusive o ex-governador Orval
Faubus.
Durante
o almoço, Clinton pediu-me um favor. “O meu pastor está a morrer de
cancro”, disse. “Mora a alguns quilómetros daqui. Gostaria que fosse comigo
até sua casa; poderíamos ler-lhe a Bíblia, orar com ele e animá-lo. Ele tem
sido uma bênção para mim.”
Descobri
que o seu pastor era o Dr. W. O. Vaught, um dos principais líderes evangélicos
da Convenção Baptista do Sul, que exercera papel de suma importância na nossa
ida a Little Rock. Era também muito querido e respeitado por todos.
O
governador levou-me sozinho de automóvel até a casa do pastor. Fomos recebidos
por sua esposa, que imediatamente nos conduziu até ao seu quarto. Ele estava
recostado em alguns travesseiros com uma Bíblia aberta nas mãos. Pesava menos
de 50 quilos, e todos nós sabíamos que não duraria muito tempo.
“W.
O.”, disse eu, cumprimentando-o. “Estamos a orar por si e suplicando a Deus
que o cure, se esta for a Sua vontade.”
“Tenho
algo a dizer-vos, rapazes”, disse W.O. “Sentem-se.”
Começou,
então, a ler na sua Bíblia (versão anotada por Scofield) sobre a Segunda
Vinda de Cristo e a esperança que nós, crentes em Cristo, temos de morar no céu.
Apesar da sua fragilidade, ele deu-nos uma verdadeira aula sobre a Bíblia que
durou 30, talvez 40 minutos, sem interrupção.
Quando
terminou, disse: “Agora cada um de nós vai orar. Oraremos pela cruzada.”
O
governador Clinton e eu ajoelhámo-nos ao lado da cama. O governador orou em
primeiro lugar, uma oração maravilhosa. Orei em seguida, e o pastor Vaught
encerrou a série de orações. Fomos até lá para confortar o pastor, mas
tenho certeza de que os maiores beneficiados fomos nós, Bill Clinton e eu.
Após
a eleição de Clinton, algumas pessoas criticaram-me por eu concordar em
proferir uma oração na sua posse. Em certos aspectos, o novo presidente havia
adoptado posturas que desconcertavam os moralistas mais conservadores, inclusive
alguns cristãos evangélicos.
No
entanto, achei que seria importante cumprir a minha promessa de orar, mesmo não
concordando com todas as suas atitudes. Além disso, sentia uma grande afeição
pessoal pelo Sr. Clinton, a despeito dos seus pontos de vista.
Queria
também que o Sr. Clinton tomasse conhecimento de minhas orações, porque
nenhum presidente pode prescindir da constante ajuda e orientação de Deus. É
por isso que tenho concordado em proferir orações nessas ocasiões, todas as
vezes que sou convidado. Ademais, a Bíblia ordena-nos a orar “pelos reis e
por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e
sossegada, em toda a piedade e honestidade, porque isto é bom e agradável
diante de Deus, nosso Salvador” (l Tm 2.2,3). Quando o apóstolo Paulo
escreveu estas palavras, o império romano era governado por um rei pagão, mas
isso não invalidou a ordem. Perguntei à pessoa que tentava dissuadir-me:
“Você quer dizer que o Sr. Clinton não necessita das nossas orações ou que
não devemos orar por ele?”
Dois
eventos ocorridos no primeiro mandato do presidente Clinton permanecerão sempre
na minha memória.
O
primeiro aconteceu em 1995, logo depois da trágica destruição por bomba do
edifício público federal em Oklahoma City. Qualquer que tenha sido o
motivo—que resultou na morte de 168 pessoas entre homens, mulheres e crianças,
e centenas de feridos—foi um acto absurdo e brutal. A nação inteira ficou em
estado de choque, mas ninguém sentiu mais do que os cidadãos da cidade e do
estado de Oklahoma.
No
dia seguinte ao trágico acontecimento, recebi um convite do governador Frank
Keating e sua esposa, Cathy, para participar de um culto em homenagem às vítimas.
Poucas semanas antes, Laura Bush, esposa de George Bush, governador do Texas,
havia levado a Sra. Keating à nossa cruzada em San Juan, Porto Rico. O culto de
Oklahoma City estava a ser coordenado pela Sra. Keating. O presidente Clinton
também compareceu com a esposa e, na sua maneira simples mas comovente,
apresentou as condolências do casal às famílias das vítimas. No discurso,
ele deixou claro a todos os moradores de Oklahoma que a nação inteira estava
solidária com eles.
Falei
também ao povo ali presente—uma das tarefas mais difíceis da minha
vida—dizendo-lhes com sinceridade que não compreendia por que Deus permitia
que tais coisas acontecessem. Nosso conhecimento é limitado, declarei, e há
algumas coisas que nunca chegaremos a compreender aqui na terra. Contudo,
expliquei que, apesar de não compreendermos, Deus não muda. Ele ainda é o
Deus de amor e misericórdia; e diante da tristeza e dor podemos voltar-nos para
Ele com fé e confiança.
O
culto em si foi inesquecível, mas sempre me lembrarei de maneira especial de
ter acompanhado o presidente Clinton e sua esposa, quando nos reunimos
reservadamente com algumas famílias que haviam sofrido os efeitos da bomba. Não
havia câmaras de TV nem repórteres por perto, e o tempo dedicado pelo Sr.
Clinton àquela gente não lhe traria nenhum benefício político. Todavia,
raramente vi alguém expressar de modo tão comovente e sincero as suas condolências
àqueles que estavam a sofrer. Naquele dia, o verdadeiro pastor foi ele, não
eu. Talvez os seus anos de privações e sofrimentos na infância lhe tenham
dado maior compreensão da dor e do pesar dos que sofrem, qualquer que seja a
causa.
O
segundo evento aconteceu em 2 de Maio de 1996, quando Ruth e eu recebemos a
Medalha de Ouro do Congresso, a maior honra que o Congresso dos Estados Unidos
confere a um cidadão. Charles Taylor, nosso representante no Congresso pelo
lado Oeste do estado da Carolina do Norte foi o primeiro a sugerir a ideia (sem
meu conhecimento) aos líderes daquela casa. Em seguida (também sem meu
conhecimento), conseguiu a ajuda e o apoio do meu companheiro T. W. Wilson.
A
medalha estampava a minha figura e a de Ruth, e no verso, a do novo Centro de Saúde
Infantil Ruth e Billy Granam localizado no Memorial Mission Hospital de
Asheville. T. W. trabalhara junto com o hospital no projecto, e os fundos
angariados pela venda das cópias em bronze da medalha foram enviados para
proporcionar assistência médica às crianças pobres dos montes Apalaches.
Considerei-me
totalmente indigno de tal honra, que foi concedida pela primeira vez a George
Washington, em 1776; disseram-nos que a nossa foi a 114ª medalha concedida em
toda a história dos Estados Unidos. Apreciei sobremaneira o fato de Ruth ter
sido incluída na homenagem, porque sem o seu companheirismo e incentivo ao
longo dos anos, o meu trabalho teria sido impossível.
A
cerimónia foi realizada na rotunda do Capitólio, com a presença de muitos
representantes dos dois partidos políticos, entre eles o vice-presidente Al
Gore, o porta-voz da Câmara dos Deputados Newt Gingrich, o líder majoritário
do Senado Bob Dole, o presidente do Senado Pró Tem Strom Thurmond e os nossos
dois senadores pela Carolina do Norte, Jesse Helms e Lauch Faircioth.
As
palavras do Sr. Gore foram especialmente gratificantes porque, além de se
referir a Ruth e a mim, ele falou dos propósitos soberanos de Deus. “Vocês
tocaram o coração da família americana”, disse. “Ao conferir esta Medalha
de Ouro... os Estados Unidos da América fazem uma declaração veemente sobre o
que é verdadeiramente importante na vida nacional. Vocês tocaram aquela parte
do espírito do povo americano que sabe que a Providência tem um propósito
maior para a nossa nação.”
(O
seu comentário sobre a família americana fez-me lembrar de uma noite agradável
que passei na residência de Al Gore alguns meses antes. O vice-presidente
apresentou-me orgulhosamente os seus filhos, e depois ele e eu jantamos à luz
de velas no ambiente tranquilo da sua sala de refeições.)
Senti-me
satisfeito porque muitos membros de nossas famílias puderam estar presentes na
rotunda, entre eles os nossos cinco filhos e vários netos.
Em
seus comentários, Bob Dole, que possui um extraordinário senso de humor, disse
em tom de brincadeira: “Quando a ideia de conceder a Medalha de Ouro do
Congresso [ao casal Graham] foi aventada, houve um acontecimento raro nesta
casa—aprovação unânime.”
Em
tom mais sério, complementou gentilmente que em breve os historiadores começariam
a emitir as suas opiniões a respeito das pessoas mais influentes do século 20,
assegurando que “qualquer lista será incompleta se não incluir o nome de
Billy Granam”.
Declarações
como essa sempre me fazem sentir que não mereço o elogio. Se existe alguma
verdade nas palavras do Sr. Dole, é porque milhares de pessoas têm orado pelo
nosso ministério e proporcionado apoio financeiro para torná-lo possível.
Respondi que Ruth e eu estávamos a aceitar a medalha também em nome deles, e
que não nos sentíamos merecedores de todos os elogios e da homenagem em si.
No
dia anterior, o presidente Clinton havia telefonado pedindo que eu fosse até a
Casa Branca. Passamos a maior parte da tarde juntos, conversando não apenas
sobre os acontecimentos presentes e passados, mas também sobre a Bíblia e o
que ela diz a respeito do plano de Deus para a nossa vida. Foram bons momentos
de companheirismo com um homem que nem sempre tem recebido a aprovação de seus
irmãos cristãos, mas que tem no coração o desejo de servir a Deus e fazer a
Sua vontade.
Após
a cerimónia da entrega da medalha no Capitólio, o Sr. Clinton compareceu ao
banquete oferecido pelo Memorial Mission Hospital. “Raramente chego a um lugar
como presidente [sem que] Billy Granam já tivesse estado ali antes de mim para
pregar”, disse ele aos presentes. Lembrou-se também de sua experiência na
infância, quando compareceu à nossa cruzada em Little Rock na época de grande
tensão racial, e da influência que isso teve na sua vida. Falou das nossas
conversas ao longo dos anos. Após o seu discurso, ele ofereceu-me uma cópia
emoldurada do projecto legislativo que autorizou a entrega da Medalha de Ouro do
Congresso a nós, e a caneta com a qual ele o assinou. Depois, longe dos olhos
dos convidados, ele deu-me um forte abraço antes de partir. Foi um final memorável
de um dia memorável.
Oro
no sentido de que seja feita a vontade de Deus e que Ele conceda sabedoria,
compaixão e integridade à pessoa que for eleita para o cargo mais alto da nação.
Essa foi também a minha oração enquanto permaneci na tribuna em 20 de Janeiro
de 1997, na cerimónia de posse do segundo mandato do presidente Clinton e do
vice-presidente Gore. E foi a minha oração por todos os presidentes que
conheci, quer seja de maneira formal ou mais íntima. As opressões e as
responsabilidades desse cargo são enormes e ninguém é capaz de suportá-las
com as suas próprias forças, a não ser mediante a graça e a ajuda do Deus
todo-poderoso.
- Billy Graham
Num Verão, George
perguntou a Ruth: "Eu estarei a aproveitar da bondade de Billy, se o
convidar para fazer uma palestra a um grupo de jovens esta noite?"
"Ele sentir-se-ia
mais à vontade numa sessão de perguntas e respostas", respondeu ela.
Era essa a maneira que
eu gostava de conversar com estudantes universitários. E aconteceu o mesmo em
Kennebunkport. Os jovens sentaram-se em volta de mim – “Os netos e os seus
amigos de uma parede a outra”, conforme Ruth descreveu a cena - e fizeram-me
perguntas.
Foram perguntas
interessantes acerca da vida e da teologia as quais exigiram bastante reflexão
da minha parte. Tentei responder de acordo com os princípios bíblicos. No ano
seguinte, e também no seguinte, os jovens pediram para repetirmos a sessão de
perguntas e respostas Aquelas experiências ajudaram a estabelecer vínculos
entre mim e os quatro filhos e a única filha do casal Bush - um vínculo que
continua até hoje.
Todos os domingos em
Kennebunkport, a par das outras actividades programadas para aqueles dias de
folga, George, Barbara, Ruth e eu íamos à igreja para assistirmos ao culto [às
vezes assistíamos a dois cultos). Quase sempre George providenciava para que eu
pregasse na pequena e pitoresca Igreja Episcopal de Santa Ana, perto da cidade.
Num domingo, fomos
conduzidos à igreja por um motorista novato. Ele passou velozmente perto de uma
pessoa que pedalava uma bicicleta. “Tome cuidado com essa velhinha na
bicicleta”, disse o presidente “Ela é a minha mãe!”
- Billy Graham
(FILHO)
no
Dia Nacional de Oração
em
1 de Maio 2003

Um
presidente em oração
O
Presidente George W. Bush e Laura Bush curvam as suas cabeças em oração
durante a cerimónia do Dia Nacional de Oração na Casa Branca. À sua direita
estão James Dobson e a sua esposa, Shirley, que presidiu à iniciativa da oração
anual.
O Presidente Bush
descreveu o ultimo mês como “um outro tempo de prova para a América e um
outro tempo de intensa oração” como ele
observou no Dia Nacional de Oração no dia 1 de Maio.
Falando na Casa Branca, o presidente referiu-se às semanas desde que a Guerra
no Iraque começou, “os Americanos têm estado a orar pela segurança das
nossas tropas e pela protecção das vidas inocentes do Iraque. Os Americanos
oraram para que a Guerra não fosse necessária e agora oram para que a paz seja
justa e duradoura. Continuamos a orar pela recuperação dos feridos e pelo
conforto de todos os que perderem um ente querido. As Escrituras dizem: O Senhor
está próximo de todos os que O invocam”.
Muitos Americanos adoptaram um membro das forças armadas para orarem durante a
Operação Liberdade Para o Iraque, e
alguns usaram pulseiras para não se esquecerem de orar pelo pessoal militar,
disse ele.
Bush agradeceu aos capelães militares que assistiam à observância do Dia
Nacional de Oração. “Vós fizestes uma tremenda diferença nas vidas, nas
vidas diárias das pessoas que estavam assustadas e solitárias e ansiosas e
fortes e corajosas”, disse-lhes ele. “Aprecio muito o que fizestes e
continuais a fazer”.
Este discurso de manhã cedo na Casa Branca foi proferido no dia em que ele
declarou a vitória no Iraque quando ele falou ao fim da tarde no porta-aviões
USS Abraham Lincoln no Oceano Pacífico.
Oramos para que Deus nos
conceda essa sabedoria e justiça e humildade nos nossos desafios correntes, e
nos anos futuros”.
O presidente descreveu a oração como “um acto de generosidade” que ensina
a humildade e conduz à gratidão. “Descobrimos que o plano do Criador algumas
vezes é muito diferente do nosso”, disse Bush. “Apesar disso, aprendemos a
depender da Sua vontade impregnada de amor, curvando-nos diante dos Seus propósitos
que nem sempre compreendemos”.
Ele agradeceu aos participantes do acto na Casa Branca, “pois ajudaram a
manter a oração como parte integrante da nossa vida nacional”.
O presidente emitiu uma
proclamação de um Dia Nacional de Oração no dia anterior ao evento.
O início da sua alocução foi assim: “Obrigado por terdes vindo. Estou contente por estardes aqui na casa do povo (Casa Branca). Laura e eu damo-vos as boas vindas. Estamos mesmo felizes por estardes aqui. Quero agradecer a cada um de vós por participardes no Dia Nacional de Oração. É uma boa ocasião para orarmos – todos os dias são uma boa ocasião para orarmos!”.
“Sr. Graham, qual a
sua opinião a respeito de sexo?”, perguntou.
“O sexo é a coisa
mais maravilhosa do mundo”, respondi, “desde que Deus esteja envolvido.
Quando Satanás se intromete, é a coisa mais terrível do mundo”.
A repórter anotou a
minha resposta, mas pareceu embaraçada diante do que eu lhe disse, e retirou-se
apressadamente sem sequer agradecer. Ao que me consta, a rápida entrevista não
foi publicada em lugar nenhum.
- Billy Graham
Em Dezembro de 1968 o
presidente Eisenhower, recostado em travesseiros entre tubos intravenosos,
segurou-me na mão e olhou-me directamente nos olhos.
“Billy,
você já me contou como devo ter a certeza de que os meus pecados estão
perdoados e que irei para o céu. Pode falar-me sobre isso outra vez?”
Peguei no Novo
Testamento e li-lhe várias passagens. Depois orei.
“Obrigado”, disse
ele.
“Estou preparado!”.
- Billy Graham
Depois
de eleito presidente, Reagan convidou-me para acompanhá-lo nas cerimónias da
tomada de posse em 20 de Janeiro de 1981, às quais tive a honra de comparecer.
Convidou-me também para falar no primeiro acto oficial do dia, um culto de oração
na Igreja Episcopal São João, em frente à Casa Branca, para o presidente e o
vice-presidente eleitos e suas respectivas famílias.
Cheguei
à igreja quase meia hora antes do início do culto. As únicas pessoas
presentes eram Frank Sinatra e sua esposa, Barbara.
“Frank, aposto que
esta é a primeira vez que você chega a uma igreja em primeiro lugar!”
disse-lhe.
Ele
riu. “Tento ser o mais assíduo possível.”
Permaneci
ao lado do presidente Reagan na plataforma durante a cerimónia de juramento. O
seu pastor, Donn Moomaw—que em
1954 trabalhou connosco na Cruzada em Londres e agora pastoreava a Igreja
Presbiteriana de Bel Air, na Califórnia—proferiu as orações.
Ao
ser reeleito quatro anos depois, ele convidou-me novamente para participar das
cerimónias da tomada de posse, iniciando com um culto de oração na Catedral
Nacional de Washington, no qual falei. Por causa do mau tempo e do frio intenso,
as cerimónias públicas no Capitólio e o desfile foram cancelados. O juramento
teve de ser proferido na rotunda do Capitólio.
Durante os oito anos do
mandato de Reagan, tivemos a oportunidade de nos encontrar inúmeras vezes.
Contaram-me
que, no final da sua adolescência, ele chegou a pregar em Dixon, Illinois,
cidade onde foi criado. Na época, era membro da Igreja Cristã, um pouco
semelhante à Igreja Batista. Todavia, esqueci-me de perguntar isso a ele, e
hoje arrependo-me bastante.
Certa
noite, quando eu estava na Casa Branca, Nancy e o presidente começaram a
discutir o assunto da salvação—quem seria salvo e quem seria condenado. Ele
expôs sua opinião a respeito da conversão e do novo nascimento, baseando-se
na Bíblia. Nancy virou-se para mim.
“Billy,
isso está certo?”
Confirmei
e apresentei uma explicação um pouco mais detalhada.
Ambos
estavam interessados em compreender melhor as Escrituras, principalmente Ron.
Frequentemente ele fazia-me perguntas sobre temas importantes sob o ponto de
vista bíblico. Ele levantou o assunto da Segunda Vinda de Cristo. Esse mesmo
assunto voltou à tona várias vezes nas nossas conversas posteriores. O aborto
foi um dos assuntos com os quais ele se debateu. Sempre enfatizei a doutrina bíblica
sobre o sagrado direito à vida, inclusive para os que estão por nascer.
Conversamos também a respeito de outros assuntos da actualidade, mas sempre em
termos de princípios, e não sobre política ou programas específicos que
deveriam ser adoptados ou desconsiderados.
A
grande maioria dos cristãos não compreendeu e censurou o presidente Reagan
pelo facto de ele não ter frequentado assiduamente a igreja em Washington
durante os seus dois mandatos. Por mais estranho que possa parecer, fui um dos
que lhe sugeriram permanecer afastado da igreja. Conversamos sobre isso pouco
depois que ele foi baleado em 1981.
“Agora,
quando vamos a qualquer lugar”, ele disse-me, “temos de ser acompanhados por
um enorme esquema de segurança, e isso atrapalha o culto. Quando o presidente
entra no templo, a atenção volta-se para ele, e desvia-se do sermão ou do
culto. Não me sinto muito à vontade nessa situação.”
“Ron”,
eu disse-lhe, esquecendo-me da maneira correcta de me dirigir ao presidente,
“penso que talvez seja melhor o senhor não comparecer à igreja por uns
tempos. Acho que a maioria compreenderá. Além de correr perigo de vida, também
estará pondo em risco a vida de outras pessoas. Espere até que esse
acontecimento [o atentado] tenha serenado, e até que o Serviço Secreto esteja
melhor organizado.”
“Se
você quiser”, complementei, “os cultos poderão ser realizados aqui [na
Casa Branca], no cinema localizado no andar inferior para um pequeno grupo,
incluindo alguns funcionários ou, então, proceder como Nixon, isto é,
realizar os cultos no East Room (salão de recepção) da Casa Branca. Penso que
a maioria das pessoas compreenderá.”
Com
o tempo, o casal Reagan decidiu frequentar a Igreja Presbiteriana Nacional de
Washington. O Dr. Louis Evans [antecessor de Donn Moomaw}, que havia sido pastor
da família em Bel Air, Califórnia, fez algumas modificações estruturais para
atender às necessidades do presidente. O casal Reagan passou a entrar pelos
fundos do templo para não interromper o culto, sentando-se na galeria, sem ser
notado pela congregação.
Continuamos
a manter contacto com Ron e Nancy depois que ele deixou o cargo. A sua vida de
aposentado incluiu muitas viagens, compromissos e inúmeras responsabilidades.
Sendo o amigo leal de sempre, encontrava tempo para me telefonar ou enviar uma
carta manuscrita, indagando a respeito da minha saúde e assegurando que ele e
Nancy continuavam a orar por nós. Encontrei-me com eles várias vezes na Califórnia
e, em algumas ocasiões, comparecemos juntos à Igreja Presbiteriana de Bel Air.
Também o vi no funeral de Richard Nixon, em 27 de
abril de 1994, onde ele lhe prestou uma homenagem junto com os ex-presidentes e
o presidente Clinton. Contudo, notei que parte daquela vivacidade já não mais
existia, e fiquei muito triste quando soube, alguns meses depois, que ele estava
padecendo do mal de Alzheimer.
Mesmo
assim, a sinceridade e a coragem do casal Reagan diante do precário estado de
saúde de Ron, tem servido de exemplo para todos nós.
Durante
o seu mandato presidencial, Ronald Reagan concedeu-me a maior das honras que
pude imaginar. Em 23 de Fevereiro de 1983, ele me homenageou com a Medalha
Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração civil que o nosso governo
concede a um cidadão norte-americano por serviços prestados ao país. Não me
considerei—e até hoje não me considero—merecedor de tal honra. Porém,
independentemente do seu significado, essa condecoração sempre me fará
lembrar da generosidade e benevolência de um homem extraordinário e do meu
amigo cordial e valente, Ronald Wilson Reagan.
- Billy Graham
"Velma,
você chegará a casa antes de nós. Amanhã à noite estará nos braços de
Jesus", eu disse-lhe ao telefone de minha casa poucas horas antes da sua
execução por injecção letal.
"Louvado
seja o Senhor!" ela respondeu com voz confiante.
Velma
Barfield tornara-se viciada em drogas e, como tinha confessado, envenenou quatro
pessoas—entre elas a sua mãe—a sangue frio. Agora, depois de viver no
Corredor da Morte durante seis anos, aguardando que o sistema judiciário
esgotasse todos os seus recursos, ela estava prestes a ser a primeira mulher
executada criminalmente nos Estados Unidos em 20 anos.
Não
chegámos a conhecer-nos pessoalmente, mas certamente ela não era nenhuma
estranha. Durante algum tempo, Ruth e ela trocaram correspondência e
conversaram por telefone. A nossa filha Anne visitou-a várias vezes na prisão
localizada perto de Raleigh, Carolina do Norte, orando com ela e doutrinando-a
na Bíblia. A pedido de Velma, Anne seria testemunha da sua execução.
Velma
aceitou a Cristo com fé no Seu perdão e tornou-se numa cristã fervorosa e
consagrada pouco depois de ser presa. Estava convicta de que os seus pecados
tinham sido completamente perdoados por Deus. Agora só lhe restava pagar o preço
derradeiro exigido pela sociedade.
Ela não subestimava o
que havia feito; cometera crimes horríveis, e sabia disso; nem subestimava o
perdão de Deus, porque custara a morte de Cristo na cruz. Sabia também que,
por meio desse sacrifício, Deus demonstrara o Seu amor pelos pecadores—até
mesmo por uma pecadora desprezível como ela.
"Se
tivesse de escolher entre viver do lado de fora [da prisão] sem o meu Senhor e
viver no Corredor da Morte com Ele", disse Velma reiteradas vezes a Anne,
"escolheria o Corredor da Morte."
Poucos meses antes da
sua morte, Velma terminou de escrever, a pedido de Ruth, a história da sua vida
trágica, uma vida de confusões, drogas, raiva, depressão, violência
e—finalmente—plena da graça de Deus.
"Quero contar minha
história na esperança de poder ajudar as pessoas a compreenderem o que Deus
pode fazer na vida de um ser humano odioso e desesperado", escreveu.
"Entendo o que o apóstolo [Paulo] quis dizer quando se considerou o maior
dos pecadores."
"Deus transformou a
sua cela no Corredor da Morte no mais insólito dos púlpitos",
escreveu-lhe Ruth. "Há pessoas que ouvirão o que você tem a dizer por
causa do lugar em que está. Enquanto Deus tiver um ministério para si aqui na
terra, não a levará daqui."
Quando
peguei no telefone em Montreat para falar com Velma no seu último dia de vida,
deixei a Bíblia aberta diante de mim sobre a escrivaninha. Sabia que ela me
pediria para ler algumas passagens.
No dia seguinte, Velma
caminhou tranquilamente para a morte, movendo os lábios numa oração
silenciosa.
Um mês depois, Anne e
eu entrámos na Penitenciária Feminina da Carolina do Norte para realizar um
culto especial. Quase todas as detidas e agentes penitenciárias estiveram
presentes. O meu sermão baseou-se em João 3.16, mencionando a vida de Velma
Barfield como um exemplo do que Deus pode fazer na vida de uma pessoa que se
consagra a Cristo. A prisão, eu disse-lhes, é um dos lugares mais difíceis do
mundo para se viver como cristão. A vida da pessoa está sob vigilância
constante, e muitos prisioneiros demonstram cepticismo a respeito de supostas
conversões religiosas. A vida de Velma, porém, demonstrou a realidade de
Cristo, e todos os presentes àquele culto sabiam disso.
Quando
fiz o apelo, 200 pessoas apresentaram-se, entre elas várias agentes penitenciárias.
Enquanto
estive ali, visitei a cela de segurança máxima onde Velma permaneceu até ser
executada. "Não consigo entrar aqui desde a morte de Velma", disse-me
o director da penitenciária. "Na noite da sua execução, ela foi o ser
humano mais feliz e mais radiante que conheci."
A
vida dela exemplificou um tema central da fé cristã: o perdão de Deus em
Cristo é oferecido a todos, não importando quem somos ou o que fizemos.
- Billy Graham
Certa
vez, há muitos anos, quando Ruth estava grávida, ela atendeu alguém que batia
à nossa porta.
"Sou
Jesus Cristo", disse o ho
"Então", respondeu Ruth, "por que é que o senhor precisou de bater? Por que não entrou com a porta fechada?"
O
homem parou, coçou a cabeça, e foi-se embora.
- Billy Graham
Aquele
evangelista e as demais pessoas no hall estavam exaustos; eram homens e mulheres
procedentes dos lugares mais miseráveis do mundo, muitos trazendo cicatrizes físicas
e emocionais da perseguição. A maioria esteve na prisão por causa da sua fé.
“De
onde você é?” indaguei.
“De
Botsuana.”
Incentivado
pela minha pergunta, ele falou-nos sobre o seu ministério. Disse que viajava,
quase sempre a pé, pelos povoados, pregando o evangelho de Cristo a quem
quisesse ouvir. Às vezes, admitiu ele, sentia-se desanimado por causa das
constantes oposições e pouca receptividade.
“Há
muitos cristãos em Botsuana?”, perguntei.
“Alguns”,
respondeu. “Muito poucos.”
“Qual
é sua formação? Você frequentou alguma escola bíblica ou fez algum curso
para ajudá-lo no seu trabalho?”
“Na
verdade”, respondeu, “recebi um diploma de mestrado pela Universidade de
Cambridge.”
Senti-me
imediatamente envergonhado por tê-lo rotulado como alguém sem formação académica.
Também recebi uma lição de humildade, não apenas por ele ser mais instruído
do que eu, mas por algo mais: qualquer homem de Botsuana que retornasse à sua
subdesenvolvida terra natal com um ambicionado diploma de Cambridge encontraria
oportunidades praticamente ilimitadas para conseguir poder político, posição
social e progresso financeiro. Aquele homem, porém, sentia-se plenamente feliz
por ter atendido à chamada de Cristo para ser evangelista. Ele poderia repetir
com toda a sinceridade as palavras do apóstolo Paulo: “Mas o que para mim era
ganho reputei-o perda por Cristo ”
(Fp 3.7).
Quem
poderia saber que obra para Cristo um homem como aquele desenvolveria na África
futuramente? Orei silenciosamente em sinal de gratidão pela sua dedicação e
pela oportunidade que Deus nos concedera de estarmos reunidos com um grupo tão
extraordinário procedente de todas as partes do mundo—cerca de 8.000
evangelistas itinerantes vindos de 174 países para receberem treinamento e
incentivo.
A
conferência de Amsterdão em 1986 e a anterior, em 1983, marcaram o ponto
culminante de uma série de conferências internacionais com as quais nos
envolvemos por mais de duas décadas; todas tiveram como tema central a obra
evangelística da Igreja.
- Billy Graham
Não
se mede a verdadeira grandeza de um homem ou de uma mulher pelos títulos ou
riqueza que acumulam. A verdadeira grandeza deve ser medida pelo carácter
interior da pessoa, ou seja, seus valores e princípios morais.
Há
alguns anos, Ruth e eu presenciámos um exemplo típico numa ilha do Caribe. Um
dos homens mais ricos do mundo, de 75 anos de idade, convidou-nos para almoçar
na sua mansão. No decorrer da refeição ele esteve à beira de cair em
prantos.
"Sou
o homem mais infeliz do mundo", disse. "Está ali o meu iate. Posso ir
a qualquer lugar que quiser. Tenho um avião particular e helicópteros. Tenho
tudo o que quero para me fazer feliz. E mesmo assim sinto-me um desgraçado."
Conversámos
com ele e orámos, na tentativa de levá-lo a Cristo, o único que dá
significado eterno à vida.
Após
o almoço, descemos a colina rumo ao pequeno chalé onde estávamos hospedados.
Naquela tarde, o pastor da igreja baptista local foi visitar-nos. Era inglês e
também tinha 75 anos. Por ser viúvo, passava a maior parte do tempo livre
cuidando de duas irmãs inválidas. A figura dele fazia-me lembrar a de um
grilo—sempre a saltar aqui e ali, pleno de entusiasmo e amor por Cristo e
pelas pessoas.
"Não
tenho dinheiro", ele disse com um sorriso, "mas sou o homem mais feliz
desta ilha."
"Qual
dos dois é o homem mais rico?" perguntei a Ruth depois que ele partiu.
Ambos
sabíamos a resposta.
RESSURREIÇÃO
Memorável
foi o chanceler alemão Konrad Adenauer. Certa vez, quando eu estava a pregar na
Alemanha, ele convidou-me para comparecer no seu gabinete. Serviram-nos café,
mas antes do meu primeiro gole, ele começou a falar.
"Jovem,
você acredita na ressurreição de Jesus Cristo?"
"Certamente
que sim", respondi.
"Eu
também. Se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado, não haveria um mínimo de
esperança para a raça humana. Quando deixar este cargo, vou passar o resto da
minha vida a estudar e a escrever sobre a ressurreição de Jesus Cristo. É o
acontecimento mais importante na história da humanidade."
O evangelista não é
livre para modificar a mensagem, da mesma forma que um apresentador de televisão
não é livre para modificar as notícias.
- Billy Graham
Alguém
comentou certa vez comigo que, na maioria das universidades, o evangelho é mais
ignorado do que estudado e rejeitado.
- Billy Graham
Cabe ao senhor levar o evangelho às massas, e não
aguardar em sua igreja que o povo vá até ao senhor.
-
Billy Graham