Billy Graham

 

UM TESTEMUNHO IMPORTANTE PARA OS NOSSOS DIAS

 

 

 

De:

 

SUA AUTOBIOGRAFIA

 

O QUE FARIA

 SE VOLTASSE ATRÁS

 

 

 


 

TAL COMO SOU

 

 

Costumo dizer que a primeira pergunta que farei quando entrar no céu será: "Porque eu, Senhor? Porque escolheste um garoto de uma fazenda da Carolina do Norte para pregar a tantas pessoas, ter um grupo tão maravilhoso de associados e fazer parte de tua obra na segunda metade do século 20?"

 

Tenho reflectido muito sobre essa pergunta, mas sei também que só Deus sabe a resposta. "Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido" (l Co 13.12).

 

Todos os dias um grande número de homens e mulheres serve a Cristo de maneira muito mais fiel do que eu, geralmente em lugares escondidos e difíceis, e por isso me pergunto porque é que Deus confiou a nós e não a eles um ministério tão evidenciado.

 

Estou certo de que uma das alegrias no céu será descobrir os modos ocultos como Deus, na Sua soberania, agiu na nossa vida aqui na terra para nos proteger e nos guiar a fim de glorificarmos o Seu nome, a despeito da nossa fragilidade.

 

Ao fazer uma retrospectiva, contudo, sei que o meu mais profundo sentimento é o de infinita gratidão. Não posso receber o mérito por tudo o que Deus decidiu realizar por meio de nós e do nosso ministério; somente Deus é digno de toda a glória, e nossos agradecimentos nunca serão suficientes por tudo o que Ele nos tem feito. Quando reflicto sobre a minha vida, tenho motivos de sobra para agradecer. Tenho também muitos arrependimentos. Falhei inúmeras vezes, e gostaria de ter feito muitas coisas de maneira diferente.

 

Falaria menos, estudaria mais e passaria mais tempo com minha família. Quando me lembro de minha programação há 30 ou 40 anos, fico estarrecido diante de tudo o que realizamos e dos compromissos que assumimos. Às vezes viajávamos de uma região do país para outra, ou de um continente para outro, em questão de dias. Será que todos esses compromissos foram necessários? Será que soube discernir entre os que deveria aceitar e os que deveria recusar? Tenho dúvidas. Os dias passados longe da família não voltarão mais. Embora muitas daquelas viagens tivessem sido necessárias, algumas não foram.

 

Também passaria mais tempo alimentando-me espiritualmente, procurando aproximar-me mais de Deus para me tornar mais semelhante a Cristo. Passaria mais tempo orando, tanto por mim como por outras pessoas. Passaria mais tempo estudando a Bíblia e meditando em sua verdade, não só com a única finalidade de preparar sermões mas para aplicar sua mensagem à minha vida. É muito fácil alguém na minha posição ler a Bíblia apenas com um olho no futuro sermão, negligenciando a mensagem de Deus para si mesmo. E daria mais atenção à comunhão com outros cristãos, que poderiam me ensinar e me incentivar (e até mesmo me censurar se necessário).

 

Se tivesse de fazer tudo outra vez, também evitaria qualquer tipo de envolvimento com partidos políticos. Em geral, como já disse, o meu principal interesse nos contactos que mantive com líderes políticos era como pastor e orientador espiritual, e não como conselheiro político. Quando um presidente dos Estados Unidos, por exemplo, chorou na minha presença ou se ajoelhou comigo para orar ou, então, desabafou reservadamente problemas familiares, eu não estava a pensar na sua filosofia política nem na sua personalidade, mas na necessidade que ele tinha de ser ajudado por Deus.

 

Mesmo assim, houve ocasiões em que ultrapassei a linha divisória entre a política e a minha chamada como evangelista. O evangelista é chamado para fazer uma coisa, uma única coisa: proclamar o evangelho. O envolvimento em questões estritamente políticas ou em partidos políticos inevitavelmente reduz o impacto do evangelista e compromete sua mensagem. Esta é uma lição que eu gostaria de ter aprendido mais cedo.

 

No entanto, existe algo do qual não me arrependo de maneira nenhuma: o meu compromisso há muitos anos de aceitar a chamada de Deus para servi-Lo como pregador do evangelho de Cristo.

 

Vivemos num mundo conturbado. Manifestações religiosas e intelectuais, que competem entre si e muitas vezes são contraditórias, clamam por nossa atenção e lealdade. No centro de tantas correntes de pensamentos, como podemos assegurar que algo é verdadeiro? Não seria arrogância ou mentalidade tacanha alguém afirmar que existe apenas um caminho para a salvação e que esse caminho é o correcto?

 

Penso que não. Será que culpamos um piloto de ter mentalidade tacanha quando ele segue o painel de instrumentos para aterrar no meio de um temporal ou neblina? Não, queremos que ele se concentre no que faz? E será que culpamos um médico de ser arrogante ou de ter mentalidade tacanha quando ele nos prescreve um único remédio que nos curará de uma determinada doença? A raça humana está infectada com uma doença espiritual—a doença do pecado—e Deus deu-nos o remédio. Será que ousaríamos deixar de insistir para que as pessoas usem esse remédio?

 

Desde o momento em que entreguei a minha vida a Jesus Cristo há cerca de 60 anos, tenho conhecido pessoas que seguem as mais variadas doutrinas religiosas e filosóficas que se possa imaginar. Geralmente impressiono-me com a intensidade da sua busca espiritual e com a profundidade da sua consagração. Ao mesmo tempo, ao passar dos anos, tornei-me mais convencido ainda da supremacia e da verdade do evangelho de Cristo.

 

Seria isso meramente uma obstinação de minha parte ou desejo de enganar-me a mim mesmo? Não, acima de tudo esse sentimento vem de uma compreensão mais profunda e cada vez maior de quem foi Jesus Cristo—e de quem ele é. A Bíblia diz que Jesus Cristo era Deus encarnado, e que há dois mil anos Deus decidiu vir ao mundo, assumindo a forma humana na pessoa de Jesus Cristo. Jesus não foi simplesmente um grande líder religioso a mais, nem fazia parte de um grande grupo de indivíduos em busca da verdade espiritual. Ele era a verdade. Ele era a encarnação de Deus. Só ele poderia dizer: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida" (Jo 14.6).

 

A prova disso é que Cristo rompeu as cadeias da morte por meio de sua ressurreição dentre os mortos, um evento testemunhado por centenas de pessoas. Isso distingue-O de todas os outros que viveram neste mundo.

 

Quando procuro guiar as pessoas a Cristo, é porque estou convencido de que só Ele é a resposta de Deus para os problemas mais profundos da vida. Já presenciei Cristo mudar a vida de inúmeras pessoas que se voltaram para Ele com fé e arrependimento sincero. Uma das imagens mais contundentes do Novo Testamento sobre a conversão espiritual é encontrada na expressão nascer de novo ou novo nascimento. Jesus usou essa expressão ao conversar com o líder religioso Nicodemos: "Em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3.3). Cada um de nós necessita do que Jesus ensinou: um novo nascimento espiritual ou uma renovação interior, pelo poder de Deus.

 

Como é que isso é possível?

 

Nicodemos fez a mesma pergunta. Jesus respondeu que isso de certa forma era um mistério porque um novo nascimento espiritual é algo exclusivo do domínio de Deus. Por outro lado, isso ocorre quando nos voltamos para Cristo com fé e nos submetemos a Ele. Deus passa a habitar na nossa vida por meio do Espírito Santo. Começa a transformar-nos de dentro para fora e dá-nos uma nova razão de viver. Quer seja um casamento que se restabelece, um alcoólatra que se liberta do vício ou um adolescente que encontra uma nova direcção e significado na vida, tudo isso acontece por meio da obra de Deus. Em 2 de Maio de 1996 o Congresso dos Estados Unidos homenageou-nos com a Medalha de Ouro do Congresso.

 

No discurso daquele dia, falei da vinda do terceiro milénio da era cristã e dos desafios morais e espirituais que ele nos traria. Sem dúvida, continuaremos a presenciar surpreendentes avanços tecnológicos no século 21, da mesma forma que no século 20. No entanto, em nenhum outro século, a despeito do progresso tecnológico, houve tanto sangue derramado e tantas tragédias como neste século. Por quê? Porque os nossos problemas básicos provêm do coração humano. E é por esse motivo que a tarefa da evangelização será sempre essencial.

 

Evidentemente, ninguém conhece o futuro; só Deus conhece o futuro, porque ele está em Suas mãos.

 

Que novas oportunidades nos trará o próximo milénio, se Deus nos conceder mais tempo antes da volta de Cristo?

 

Que novas tiranias tentarão conquistar o nosso mundo, que novas ideologias enganarão os seres humanos a seguirem o caminho errado na vida?

 

Só Deus sabe.

 

Sem dúvida, algumas das tendências que vemos hoje poderão dificultar ainda mais a evangelização. Os cristãos norte-americanos (e Europeus) enfrentarão novos desafios por viverem numa sociedade cada vez mais pluralista, não só na religiosidade mas no seu estilo de vida e ideias a respeito da moralidade. O secularismo desenfreado e agressivo poderá forçar os cristãos a tomar atitudes defensivas, ou até mesmo reduzi-los a uma minoria rejeitada. Já aconteceu antes. E a derivação dos nossos filhos para as drogas, sensualidade ou relativismo moral propagado pelo entretenimento massificado não é um bom prognóstico para nosso futuro.

Os avanços tecnológicos permitem agora que várias sociedades exerçam influências entre si de uma forma que nunca poderíamos ter imaginado há algumas gerações. O mundo está a mudar, e com ele os métodos de evangelização também mudarão. Mas a mensagem não mudará, porque é eterna e está destinada a cada geração. E qual é a mensagem?

Mais do que qualquer outra coisa, anseio que as pessoas—inclusive os leitores deste artigo—compreendam a mensagem de Cristo e a aceitem.

 

Lembro-me de um antigo pregador metodista que compareceu ao Harringay Arena de Londres em 1954. "Compareci aqui todas as 93 noites [desta cruzada]", ele disse-nos, "e ouvi uma única mensagem". O propósito dele era elogiar-nos, porque ele sabia tanto quanto eu que existe apenas uma mensagem cristã.

 

A mensagem é, acima de tudo, uma mensagem a respeito de Deus. Deus criou-nos à Sua imagem. Ele criou-nos e ama-nos para que vivamos em harmonia e comunhão com Ele. Não estamos aqui por acaso. Deus colocou-nos aqui com um propósito, e a nossa vida só será plena e completa quando o Seu propósito passar a ser o alicerce e o centro da nossa vida. A mensagem é também a respeito da raça humana e sobre cada um de nós. A Bíblia diz que nos separámos e nos afastámos de Deus porque virámos intencionalmente as costas a Ele e decidimos viver sem Ele. É isso o que a Bíblia considera pecado—escolher o próprio caminho em vez de escolher o caminho de Deus, e não Lhe dar o verdadeiro lugar que Ele deve ocupar na nossa vida. A evidência disso está à nossa volta, no caos moral e angústia do nosso mundo. Os noticiários gritam todos os dias que vivemos num mundo quebrantado e destruído pelo pecado.

 

Mas a mensagem declara que Deus ainda nos ama. Ele anseia por nos perdoar e nos ter de volta. Ele deseja dar um significado e um propósito à nossa vida neste momento. Ele deseja que passemos toda a eternidade com Ele no céu, livres para sempre da dor, sofrimento e morte deste mundo.

 

Acima de tudo. Deus tem feito o possível para nos reconciliar com Ele, de uma maneira que não podemos imaginar. No plano de Deus, Jesus pagou pelos nossos pecados quando morreu na cruz, tomando para Si o julgamento que merecemos de Deus. Na Sua ressurreição dentre os mortos, Cristo rompeu as cadeias da morte e abriu-nos o caminho para a vida eterna.

 

A ressurreição também confirma de uma vez por todas que Jesus era de facto quem Ele disse ser: o Filho unigénito de Deus, enviado do céu para nos salvar do pecado. Agora Deus oferece-nos gratuitamente o dom do perdão e da vida eterna.

 

Finalmente, a mensagem é a respeito da nossa reacção. Assim como qualquer outro dom, o dom de Deus para a salvação não se torna nosso até que o aceitemos e o incorporemos na nossa vida. Deus tem feito todo o possível para proporcionar a salvação. Mas devemos ter fé e aceitá-la.

 

Como podemos fazer isso?

 

Primeiro, confessando a Deus que somos pecadores e necessitamos do Seu perdão; arrependendo-nos dos nossos pecados e, com a ajuda de Deus, afastarmo-nos deles.

 

Segundo, entregando a nossa vida a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. O versículo mais conhecido do Novo Testamento define o evangelho de maneira concisa: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigénito, para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele" (Jo 3.16,17). Deus, em Sua graça, convida-nos a receber o Seu Filho hoje mesmo na nossa vida.

 

Se o leitor ainda não fez isso, convido-o a curvar a cabeça neste instante e, mediante uma simples oração de fé, abrir o seu coração a Jesus Cristo. Deus recebe-nos assim como somos. Não importa quem somos ou o que fizemos, somos salvos unicamente pelo que Cristo fez por nós. Eu não irei para o céu porque preguei a grandes multidões. Irei para o céu por uma única razão: Jesus Cristo morreu por mim e confio somente nele para minha salvação. Cristo morreu por si também e oferece-lhe gratuitamente o dom da vida eterna se Lhe entregar a sua vida a Ele.

 

Ao fazer isso, torna-se filho de Deus, adoptado por sua família para sempre. Ele também passa a viver dentro de si e começará a transformá-lo de dentro para fora. A pessoa que entrega sinceramente sua vida a Cristo nunca mais será a mesma, porque a promessa de sua Palavra é verdadeira: "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Cor. 5.17,18).

 

Presenciámos isso acontecer um número infinito de vezes por todo o mundo, e poderá acontecer também na sua vida. Abra o seu coração a Cristo hoje mesmo. No ano em que a Segunda Guerra Mundial terminou, passei a dedicar tempo integral ao ministério de evangelização. Naquela época de incertezas, muitas pessoas estavam prontas para ouvir uma mensagem que lhes devolvesse a estabilidade e a solidez dos valores morais. Pela providência de Deus, aproveitámos a fome espiritual e a busca de valores morais que marcaram aqueles anos para falar do evangelho. No entanto, os tempos mudaram e muita coisa aconteceu, desde a revolução sexual até a desilusão que tomou conta de nosso mundo na década de 1970, apresentando novos desafios e novas oportunidades para a evangelização.

 

O mesmo acontecerá no futuro. Contudo, uma coisa não mudará: o amor de Deus pela humanidade e o Seu desejo de ver homens e mulheres entregarem a sua vida a Ele e conhecê-Lo de maneira toda própria. Não existe nada capaz de satisfazer permanentemente o espírito humano, a não ser Deus. Fomos feitos para Ele, e só Ele preenche o vazio que existe no coração humano. O crescente secularismo e o caos moral da nossa era poderão tornar o povo mais receptivo ao evangelho. Há muitos séculos, Santo Agostinho orou a Deus: "Tu nos fizeste para ti ó Deus, e o nosso coração não descansará até encontrar descanso em Ti." Será um tempo empolgante para viver.

 

Não, não conheço o futuro, mas de uma coisa tenho certeza: o melhor ainda está por vir! O céu aguarda-nos, e esse momento será muito, muito mais glorioso do que podemos imaginar. A Bíblia diz: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é" (l João 3.2). Essa é a esperança de todos os crentes. Essa é a minha esperança, e oro para que seja a sua também.

 

Sei que em breve a minha vida findará. Dou graças a Deus por ela e por tudo o que Ele me concedeu até aqui.

 

Mas aguardo ansiosamente o momento de partir para o céu.

 

Aguardo o momento de me encontrar com os amigos e os entes queridos que partiram antes de mim.

 

Aguardo o momento de morar no céu onde não há tristeza nem dor.

 

Aguardo também o momento de servir a Deus de maneiras que não podemos sequer imaginar, porque a Bíblia diz claramente que o céu não é lugar de ociosidade.

 

E, acima de tudo, aguardo ansiosamente o momento de estar na presença de Cristo e curvar-me diante d’Ele em louvor e gratidão por tudo o que fez por nós, e por fazer uso de mim neste mundo mediante sua graça—tal como sou.

 

- Billy Graham