Índice:

Editorial

Sábio

Coisas que os que falam línguas não dizem

Criança descobre João 3.16 de uma forma prática

Coisas importantes a aprender com a Arca de Noé

Alimentando as ovelhas ou divertindo os bodes

Deus e a ciência

O grande reavivamento na Inglaterra no Séc. XVIII

A força do perdão

Não percamos a coragem

Pensamentos

O pato morto

Agnóstico = ignorante

Os rochedos


 

EDITORIAL

 

«Na mesma hora, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam, defronte do castiçal, na estucada parede do palácio real ... mas (todos os sábios) não puderam ler a escritura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação» (Dan. 5.5,8).

 

Uma série de relatórios revela que o forte crescimento económico da última década tem-se registado principalmente na área da informação. Os especialistas dizem que temos estado a passar da era industrial para a era da informação.

 

Dados de toda a espécie jorram à nossa volta. A internet tem disponibilizado uma vastíssima quantidade de informação na ponta dos nossos dedos – grande parte dela perfeitamente inútil. Afogamo-nos na imensidão da informação e corremos o risco de pensar que a nossa esperança jaz no acesso fácil à informação tão amplamente disponibilizada.

 

O versículo atrás transcrito revela que as pessoas precisam mais do que mero conhecimento. Nos dias de Daniel havia muito conhecimento. No entanto, todos os sábios e gurus da informação dos dias de Daniel não conseguiram interpretar a escrita da misteriosa mão na parede que trazia informação decisiva para o reino de Babilónia. Só Daniel, como profeta de Deus, o homem entendido nos livros das Escrituras (Dan. 9.2) pôde dizer ao rei o que é que aquelas palavras significavam.

 

Daniel foi informado que no futuro o conhecimento (ciência) se multiplicaria (Dan. 12.4). A explosão de acesso ao conhecimento a que assistimos nos nossos dias tem inebriado muitos, fazendo-os gastar imenso tempo. Aprendamos com Daniel que o entendimento da Palavra de Deus ainda sobrepuja o somatório de todos os conhecimentos.

 

E se é assim, e cremos que é, aconselhamo-lo a que invista a melhor qualidade do seu tempo na leitura e meditação da Bíblia. O conhecimento da mesma proporcionar-lhe-á a si e a toda uma nação, o que toda a quantidade de informação disponível na internet nunca poderá fazer.

 

                               

C.M.O.


 

UM SÁBIO

Era uma vez um velhinho assentado perto de um oásis à entrada de uma vila do Médio-Oriente. Um homem novo aproximou-se e perguntou: Nunca vim aqui. Como são as pessoas desta cidade?

O velhinho respondeu com uma pergunta : Como sãos as pessoas na cidade donde vem?

Egoístas e maus. É por esse motivo que fiquei muito contente por partir.

Encontrarás o mesmo aqui respondeu o velhinho.

Passado algum tempo, outro homem aproximou-se e colocou a mesma pergunta: Acabei de chegar nesta zona. Como são as pessoas desta cidade?

O velhinho respondeu da mesma forma que ao primeiro:

Diga-me uma coisa, como sãos as pessoas na cidade donde vem?

Eram boas pessoas, acolhedoras, honestas. Tinha lá muitos amigos e custou-me muito deixá-los.

Encontrarás o mesmo aqui respondeu o velhinho.

Um comerciante que dava de beber aos seus camelos ouviu ambas as conversas. Logo que o segundo homem se afastou, dirigiu-se ao velhinho num tom de repreensão:

Como pode dar duas respostas completamente diferentes a uma mesma pergunta feita por duas pessoas diferentes?

“Amigo, diz o velhinho, tudo depende do coração de cada um. Donde quer que venham, aquele que até agora não encontrou nada de bom no passado, também não é aqui que encontrará; pelo contrário, aquele que tinha amigos na outra cidade, também encontrará aqui amigos fieis e sinceros, porque as pessoas são em relação a nós, aquilo que encontramos nelas.”

 


 

COISAS QUE OS QUE FALAM EM LÍNGUAS NÃO DIZEM

 

O Movimento Carismático tem influenciado tanto a igreja dos nossos dias que o falar em línguas tem-se tornado num fenómeno aceite em muitos círculos. Tidas como prova e demonstração da “vida cheia do Espírito”, as línguas têm-se tornado padrão da cultura Cristã moderna e são normalmente usadas como medida de validade da experiência Cristã.

 

Os proponentes do falar em línguas procuram usar as Escrituras para provarem a autenticidade da sua prática. No entanto, quando examinamos as Escrituras para verificarmos se esta prática é consistente com as próprias instruções da Bíblia descobrimos que há pelo menos seis factos bíblicos que o movimento das línguas nunca encara. Os que falam línguas falham em não submeterem-se à autoridade final da Palavra de Deus neste assunto e ao usarem apenas as Escrituras simplesmente como “prova de texto” para validarem uma experiência que eles optaram por ter.

 

O Apóstolo Paulo estabelece o procedimento para a prática das línguas em I Coríntios 14. Ele fundou a assembleia em Corinto e a seguir nutriu-a com a Palavra de Deus, tratando de muitas dificuldades causadas pelas suas omissões e falhas. Um dos problemas em Corinto era o abuso dos dons espirituais em evidência no seu meio. Paulo escreveu I Cor. 12-14 para tratar desse abuso.

Em I Cor. 14 ele apresenta seis regras claras para a prática das línguas. Se quisermos indagar e confirmar se é Deus que fala por meio duma pessoa que fala uma língua, jaz aqui um conjunto objectivo de regras que identifica claramente quando é o Espírito Santo que está a operar. Esses seis testes apresentam problemas que o moderno movimento de línguas nunca encarará porque o anulariam.

 

Paulo introduz essas instruções ao dizer:

 

«Irmãos, NÃO SEJAIS MENINOS NO ENTENDIMENTO, mas SEDE meninos na malícia e ADULTOS NO ENTENDIMENTO» (I Cor. 14.20).

 

Os que não compreendem o que Paulo se propõe estabelecer nos versículos sequentes demonstram ser «meninos» no entendimento. Isto não significa que sejam demónios, mas que são bebés no que concerne à compreensão de como Deus opera hoje.

 

Amigo, não será tempo de crescer espiritualmente e «acabar com as coisas de menino»? O padrão pelo qual avaliamos o movimento das línguas está estabelecido nas seguintes regras:

 

 

REGRA 1

 

As línguas são para benefício da nação de Israel:

 

«Está escrito na lei: Por gente doutras línguas e por outros lábios, FALAREI A ESTE POVO; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor» (14.21).

 

Quem é «este povo» a quem Deus falará por «outras línguas»? Confira com Isa. 28.11 e veja. «Este povo» é claramente a nação de Israel. Por isso o versículo seguinte declara: «De sorte que AS LÍNGUAS SÃO UM SINAL». Ora, para quem é o programa dos sinais? I Cor. 1.22 não deixa qualquer dúvida:

 

«Porque OS JUDEUS PEDEM SINAL...»

 

As línguas são para benefício da nação de Israel. Elas eram representativas dos dons sinais dados à nação favorecida. Em Marcos 16.17,18, o Senhor Jesus Cristo ordenou:

 

«E ESTES SINAIS SEGUIRÃO AOS QUE CREREM: em meu nome, expulsarão demónios; falarão novas línguas;

 

«Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão».

 

«Estes sinais» são aqui uma unidade colectiva, um pacote de dons associados à confirmação «da Palavra» em relação ao programa de Israel (Mar. 16.20; Heb. 2.4). Este programa de «sinais e maravilhas» tem as suas raízes em Êxo. 4 quando Deus chamou Moisés para libertar Israel do Egipto.

 

Quando Moisés protestou a sua comissão Deus deu-lhe dois sinais – pegar numa serpente e cura – e depois assegurou-lhe:

 

«E acontecerá que, se eles te não crerem, nem ouvirem A VOZ DO PRIMEIRO SINAL, crerão A VOZ DO DERRADEIRO SINAL» (Êxo. 4.8).

 

A referência de Cristo ao pegar em serpentes e às curas transportou os Seus ouvintes para o nascimento da sua nação. Os sinais e maravilhas foram a génese da nação. O poeta de Israel identifica-os mesmo como «os nossos sinais» (Sal. 74.9).

 

A razão específica para a provisão do dom de línguas tem a ver com o equipamento de Israel para que realize o seu propósito como nação do reino de Deus. Zac. 8.23 aponta para diante, para o reino de Cristo, e demonstra o papel de Israel:

 

«Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, DE TODAS AS LÍNGUAS DAS NAÇÕES, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco».

 

Naquele dia «concorrerão a Ele (a Jerusalém) todas as nações ... porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR» (Isa. 2.2,3). A fim de ministrar aos «de todas as línguas das nações» Deus regerá os efeitos da confusão das línguas iniciada em Gén.11, ao dar o dom de línguas a Israel de modo à nação poder cumprir a sua comissão. Assim, as línguas pertencem especificamente à nação favorecida.

 

 

REGRA 2

 

As línguas têm o propósito de convencer descrentes – não de convencer crentes, especialmente crentes Gentios.

 

«De sorte que as línguas são um sinal, NÃO PARA OS FIÉIS (CRENTES), MAS PARA OS INFIÉIS (DESCRENTES); e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis» (I Cor. 14.22).

 

As línguas eram um testemunho para os Judeus descrentes. Por causa da sua herança «os judeus» pediam «sinal» (I Cor. 1.22). Eles simplesmente não creriam sem isso. Isto explica as palavras de Cristo ao nobre Judeu em João 4.48:

 

«... SE NÃO VIRDES SINAIS E MILAGRES, NÃO CREREIS».

 

Mesmo quando em operação entre os Gentios, como em Corinto, os dons sinais eram para benefício específico da nação de Israel incrédula. Com o levantamento do apóstolo Paulo Deus introduziu uma mudança significativa nos Seus tratos. Israel não seria mais o palco central como vaso escolhido de Deus. Paulo declara agora:

 

«... PELA SUA (DE ISRAEL) QUEDA, VEIO A SALVAÇÃO AOS GENTIOS, para os incitar à emulação» (Rom. 11.11).

 

Quando esta suspensão temporária do seu programa foi introduzida, um período especial de testemunho foi estendido à nação de Israel a fim de testificar da mudança que estava a ocorrer. A presença dos dons sinais, que eram possessão especial de Israel, entre os Gentios era um testemunho para os Judeus incrédulos de que o seu Deus se tinha apartado deles e estava a visitar «os gentios, para tomar deles um povo para o Seu nome».

 

Assim até a prática das línguas entre os Gentios no início da dispensação da graça foi especificamente para benefício da nação de Israel incrédula.

 

 

REGRA 3

 

Numa reunião não devem falar mais que três pessoas:

 

«E, se alguém falar língua estranha, FAÇA-SE ISSO POR DOIS OU, QUANDO MUITO, TRÊS, e por sua vez, e haja intérprete» (I Cor. 14.27). 

 

Esta regra carece de pouco comentário. A instrução é clara: Não mais do que três pessoas devem falar línguas em qualquer reunião. Se estiveres numa reunião e mais do que três pessoas falarem línguas, saberás algo: Não é Deus que o está a fazer.

 

 

REGRA 4

 

Cada uma das três pessoas deve esperar pela sua vez:

 

«... E POR SUA VEZ ...»

 

Quando o Espírito de Deus exercita a língua não falam todos (os três) ao mesmo tempo.

 

Alguém poderá dizer, “Mas eu tenho língua e tenho de a exercitar”. Não, não tens! O versículo diz que se o dom é de Deus está sujeito, sob controlo. Não se trata duma actividade abstracta que simplesmente acontece. É coordenada pelo Espírito de Deus que estabelece as regras para se identificar como é que Ele opera neste domínio. Assim todas as coisas devem ser feitas «com ordem» (v. 40), «porque Deus não é Deus de confusão» (v. 33).

 

 

REGRA 5

 

Uma pessoa deve interpretar:

 

«... e HAJA INTÉRPRETE».

 

«MAS, SE NÃO HOUVER INTÉRPRETE, ESTEJA CALADO NA IGREJA e fale consigo mesmo e com Deus» (14.27,28).

 

Quando não há intérprete, ou tradutor, não deve haver falar em línguas. Quando o Espírito Santo dá língua, Ele faculta um tradutor.

 

 

REGRA 6

 

Apenas os homens devem falar línguas:

 

«E, se alguém (algum homem) falar língua estranha ...

 

«As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei» (14.27,34).

 

O contexto de I Cor. 14.34 tem a ver com o simples falar, e portanto com o falar em línguas também. Portanto, às mulheres «lhes não é permitido falar» em línguas. Esta única regra reprova o moderno movimento das línguas!

 

Se uma pessoa fala «pelo Espírito» não podemos esperar que ela siga senão as linhas mestras estabelecidas pelo próprio Espírito: Dois homens, poderão ser três no máximo, levantam-se para falarem, um após outro, seguidos de um intérprete que traduz o que dizem. Nenhuma mulher fala. Nem ao mesmo tempo há qualquer outro a falar. Nem poderão falar mais do que três. Não pode haver ausência de tradutor. E tudo feito como um testemunho para os Judeus incrédulos!

 

Ninguém que fala em línguas hoje segue estas regras claras. De facto, poucos (se alguns) dos que falam em línguas estão cientes destes elementos básicos da operação do dom de línguas.  Isto demonstra claramente que o moderno movimento de línguas não é de origem divina. É puramente anti-bíblico.

 

A verdade da questão é que hoje Deus não está a operar o programa de dons sinais. Então levanta-se a questão de porque é que Ele deixou de o fazer. Se as línguas estiveram em vigor, porque é que cessaram?

 

I Cor. 13.8 explica que o programa espiritual dos dons cessaria:

 

«A caridade nunca falha; mas, HAVENDO PROFECIAS, SERÃO ANIQUILADAS; HAVENDO LÍNGUAS, CESSARÃO; HAVENDO CIÊNCIA, DESAPARECERÁ».

 

Viria o tempo em que os dons espirituais não estariam mais em operação. Não fariam mais parte do programa de Deus – não seriam mais dispensacionalmente correctos.

 

O detalhe de quando isto estaria para acontecer  encontra-se nos seguintes versículos:

 

«Porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

 

«Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado» (13.9,10).

 

Os dons cessariam «quando ... o que é perfeito» viesse. Alguns sugerem que isso refere-se ao retorno de Cristo, mas não pode ser. Nós referimo-nos ao nosso Senhor como «o que (aquilo)»? Não. Ele é uma pessoa, não uma coisa. Além disso a palavra «perfeito» tem a ver com maturidade – ser trazido ao acabamento pleno. Em parte alguma nas Escrituras somos levados a pensar que devemos esperar até à vinda de Cristo para “crescermos”. Isto é algo com que temos a ver agora (Efé. 4.15).

 

Para identificarmos o significado de «o que é perfeito» não é difícil verificarmos nos próprios versículos: «em parte, conhecemos» - o que é que, então, é «em parte»? Conhecimento. O que é que aniquila o conhecimento parcial?  O conhecimento completo! Ora o perfeito e completo tem de  ser da mesma substância que aquilo que está a ser completado.

 

«O que é perfeito» tem a ver com o acabamento da mensagem entregue ao Apóstolo Paulo. É uma referência à plenitude do conhecimento da revelação do mistério que lhe foi dada a ele. Efé. 4 derrama luz adicional sobre este processo ao dizer-nos:

 

«Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e DEU DONS AOS HOMENS.

 

«Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, A VARÃO PERFEITO, à medida da estatura completa de Cristo» (Efé. 4.8,13).

 

A dádiva do dom foi necessária “até” que a revelação estivesse completa. A este respeito, Col. 1.25,26 diz-nos:

 

«Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, PARA CUMPRIR (COMPLETAR) A PALAVRA DE DEUS:

 

«O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos».

 

 O mistério revelado a Paulo completou a Palavra de Deus. Terminou com a necessidade de revelações adicionais. A Palavra de Deus escrita está agora completa.

 

É neste ponto que os clamores do movimento de línguas é mais desorientador. Quando uma pessoa diz que fala línguas diz que Deus fala por meio dela (cf. Act. 2.4). E isto é uma total negação da autoridade completa e final da Palavra de Deus escrita.

 

Nós simplesmente não podemos crer que a Palavra de Deus está completa quando ao mesmo tempo reclamamos que Ele continua a dar palavra adicional através de revelações extra-bíblicas.  E era exactamente isso que se fazia com as línguas: Quando elas estavam em vigor eram usadas para comunicar revelações de Deus. Hoje essas revelações estão completas. Deus tem consumado (completado) a Sua Palavra.

 

O movimento das línguas não é simplesmente anti-bíblico; é perigosamente errado. Falar em línguas é o erro mais perigoso do Movimento Carismático, não por causa dos seus excessos ou ênfase emocional, mas porque é, na sua forma mais básica, a  doutrina cúltica da inspiração contínua – uma doutrina que fere o próprio coração da Palavra de Deus escrita.

 

Nós temos a Palavra de Deus completa e preservada, e têmo-la disponibilizada, como povo que fala Português, duma forma segura, autoritária, em que podemos confiar plenamente, na Versão Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida. É através da Palavra da verdade escrita num livro estudado e «bem manejado» que Deus fala hoje – e através do qual crescemos em Cristo e nos tornamos obreiros de Deus (Efé. 4.15; 2 Tim. 2.15).                                    

- R.J.

 


 

CRIANÇA DESCOBRE O SENTIDO DE JOÃO 3:16 DE UMA FORMA PRÁTICA

 

Na cidade de Chicago, durante uma noite escura e gelada, desencadeou-se uma tempestade de neve. Numa esquina, um menino vendia jornais e pessoas passavam cheias de frio. O menino tinha tanto frio que não conseguia vender os jornais.

Chegou-se a um agente da autoridade e disse : “Por favor, o senhor sabe dizer-me onde posso encontrar um sitio quente para dormir esta noite? Como vê, durmo debaixo desta caixa de cartão no fim da avenida e esta noite está demasiado frio”. O polícia olhou para ele e disse: “Desce esta rua até chegares a uma casa branca e bate à porta. Quando te abrirem dizes: «João 3 :16» e deixar-te-ão entrar.”

O menino foi até à casa branca e bateu à porta, e uma senhora abriu-lha. De seguida, pronunciou as palavras : “João 3:16” e a senhora respondeu: “Entra, meu filho”. Levou-o e instalou-o num sofá frente a uma chaminé. E o menino pensou. “João 3:16... não compreendo muito bem, mas sei que transforma um menino gelado num menino quentinho”.

Mais tarde, a senhora voltou e perguntou se tinha fome e o menino respondeu que já não comia nada desde há dois dias. A senhora levou-o à cozinha e instalou-o frente a uma mesa onde se encontrava comida em abundância. Comeu mais do que nunca e pensou: “João 3:16... continuo a não compreender muito bem, mas sei que transforma um menino esfomeado num menino saciado”.

De seguida, a senhora levou-o para a casa de banho e encheu a banheira de água quente, onde o menino ficou confortavelmente. Enquanto tomava banho pensou de novo : “João 3:16... continuo a não compreender muito bem, mas sei que transforma um menino sujo num menino limpo”. Depois disse: “Sabe, é a primeira vez que tomo um verdadeiro banho. O único que até então tinha tomado, tinha sido numa boca de incêndio aberta enquanto os serviços de limpeza limpavam a rua”.

A senhora levou-o para um quarto e deitou-o numa grande cama e deu-lhe um beijo desejando-lhe boa noite antes de desligar a luz. Então no escuro o menino pensou: “João 3:16... continuo a não compreender mas sei que transforma um menino cansado num menino repousado”.

Na manhã seguinte, a senhora voltou e levou novamente o menino perante a mesa cheia de comida. Após terem comido, ela levou-o novamente para o sofá frente à chaminé e pegou numa Bíblia antiga. Olhando para o rosto dele perguntou amorosamente: “Sabes o que significa  João 3:16?”

Ele respondeu. “Não, não sei minha senhora... a primeira vez que ouvi falar foi através do policia ontem à noite”. Ela abriu a Bíblia em João 3:16 e começou a falar-lhe de Jesus. Naquele lugar, frente a uma velha chaminé o menino creu no Senhor Jesus Cristo. E pensou: «João 3 :16... continuo a não perceber muito bem, mas transforma um menino perdido num menino salvo”.

 

 Sabe, tenho que reconhecer que ainda não compreendo muito bem porque Deus quis enviar o Seu Filho para morrer por mim e porque Jesus consentiu. Não compreendo como o Pai e os anjos puderam ver desde o Céu Jesus sofrendo até à morte. Não compreendo este amor tão grande por MIM que vi em Jesus na cruz até ao fim.

 

João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigénito para que todo aquele que n’Ele crê não pereça mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Quem crê n’Ele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Unigénito Filho de Deus”.

 

 Amo a Deus . Ele é a minha fonte de existência e o meu Salvador. Em Cristo posso todas as coisas, sem Ele nada posso fazer. (Filip. 4:13).

 Aquele que ama a Deus não se envergonha das suas maravilhas. Partilhe este texto com outras pessoas.

 

Autor desconhecido

 

 


 

Coisas importantes a

aprender com a

Arca de Noé

 

1.     Não perca o barco.

2.     Lembre-se de que estamos todos no mesmo barco.

3.     Planeie o futuro. Quando Noé construiu a Arca não estava a chover.

4.     Mantenha-se em forma. Quando tiver 60 anos, alguém pode-lhe pedir para fazer algo realmente grande.

5.     Não dê ouvido aos críticos; apenas continue a fazer o trabalho que precisa ser feito.

6.     Construa o seu futuro em terreno alto.

7.     Por segurança, viaje em pares.

8.     A velocidade nem sempre é uma vantagem. As tartarugas estavam a bordo com os linces.

9.     Quando estiver deprimido, flutue por um tempo.

10. Lembre-se que a Arca foi construída por amadores; o Titanic por profissionais.

11.  Não importa a tempestade, pois quando está com Deus há sempre um arco-íris que o aguarda.  

 


 

Alimentando  as  Ovelhas

ou

Divertindo os Bodes

C. H. Spurgeon

 

Existe  um  mal  entre  os  que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em seu despropósito, que a maioria dos que possuem  pouca  visão  espiritual dificilmente  deixará  de  perceber.

 

Durante as últimas décadas, esse mal tem-se desenvolvido em proporções  anormais. Tem agido como o  fermento, até toda a massa ficar levedada.

 

O diabo raramente criou algo tão perspicaz como sugerir à igreja que  a sua  missão  consiste  em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.

 

A  igreja  abandonou  a  pregação ousada, como a dos puritanos; depois amenizou gradualmente o seu testemunho; a seguir, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e finalmente, começou a tolerá-las nas suas fronteiras; agora, a igreja adoptou-as sob o pretexto de ganhar as multidões.

 

A minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma  de  suas  passagens,  que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja.

 

Se esta é uma obra cristã, por que é que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro.

 

Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para  aqueles que  não  gostam  do evangelho”, assim teria acontecido.

 

No  entanto,  tais  palavras não  se encontram na Bíblia. Nem sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos,  outros  para  profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11).

 

Onde aparecem neste  versículo  os  que providenciariam  entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito  deles.  

 

Os  profetas  foram  perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires. Novamente,  prover  entretenimento está em directo antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação  de  nosso  Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava a falar com terrível seriedade!

 

Se Cristo houvesse introduzido mais  elementos  brilhantes  e  agradáveis no seu ministério, teria sido mais  popular  nos  seus  resultados, porque os Seus ensinos eram perscrutadores.  Não  O  vejo  a dizer: “Pedro, vai atrás do povo e diz-lhe que  teremos  um  culto  diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diz-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vai já, Pedro, pois temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!”

 

Jesus  teve  compaixão  dos pecadores,  lamentou  e  chorou  por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento.  

 

A  mensagem  das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!” Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João terem sido encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja reuniu-se  para  orar,  mas  não suplicaram: “Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado  uso  da  recreação  legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”. Eles não paravam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo  para  arranjar entretenimento  para os seus  ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpa a igreja de todo o lixo e disparate que o diabo impôs sobre ela e traz-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

 

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados  desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo da sua conversão! A  resposta  é  óbvia:  a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.

 

A necessidade actual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade do nosso tempo é doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no  íntimo dos convertidos.

 

 


 

DEUS E A CIÊNCIA

Hugh Ross  (Cientista)

 

Decidi tornar-me um astrofísico com a idade de oito anos. Meti mãos à tarefa de ler todos os livros de física e astronomia da secção de crianças da minha biblioteca. A minha família apoiou o meu apetite voraz por conhecimento. Todavia, os meus professores preocupavam-se achando que me estava a tornar extremamente especializado. Atribuíram-me uma série de projectos extracurriculares no âmbito das ciências sociais, que eventualmente incendiaram a minha investigação espiritual.

No meu último ano na escola Secundária, estudei a Guerra dos Trinta Anos num desses projectos extra. Porque é que católicos e protestantes derramaram tanto sangue por causa de doutrinas triviais? Eu tinha curiosidade em saber. Eu fazia perguntas provocadoras ao meu professor, que o fazia baixar a cabeça no seu modo usual, e me enviava à biblioteca para que lesse livros sobre o estudo comparativo das religiões.

Descobri depressa que todas as principais religiões do mundo se baseiam em livros sagrados, supostamente de Deus. Porém eu era um céptico. Como os astrónomos do meu tempo, eu defendia a teoria criacionista do “Big Bang”. Para mim Deus era impessoal e indiferente às trivialidades dos seres humanos. Portanto, esses livros sagrados tinham que ser fraudes, produtos da imaginação dos homens. Movido pelo orgulho juvenil, decidi provar isso. As minhas normas seriam os factos da história e da ciência.

Analisei cada um dos livros sagrados. Investiguei as declarações acerca da natureza e da história, depois testei-as para verificar se eram exactas. Primeiro analisei os Vedas dos Hindus com cerca de 3.000 anos. Eles reclamavam a existência de civilizações nas traseiras da lua e cidades no sol. Depois de descobrir uma dúzia de declarações absurdas deste tipo, concluí com segurança que os Vedas eram produto humano.

Eu via assim: Deus criou o mundo natural onde nós vemos consistência e não contradição. Se este mesmo Deus estava a comunicar connosco de forma escrita, então deveria fazê-lo do mesmo modo: consistente e livre de contradição.

Movi-me para os escritos Budistas, depois para o Corão do Islão, correndo todas as religiões do mundo. Em cada caso, depois de várias horas de estudo, coligi suficientes declarações científicas e históricas inexactas para me convencer que cada uma delas era de origem humana.

Eu tinha o sentimento de que a Bíblia seria o caso mais difícil de analisar, por isso deixei-a para o fim. Depois de ler apenas dois capítulos, vi que a Bíblia era diferente da poesia esotérica dos outros livros. A Bíblia era directa e específica. Apresentava nomes, datas e lugares. A minha luta com os outros livros era encontrar coisas para as submeter a teste. Porém, na Bíblia, todas as páginas proporcionavam várias coisas que podiam ser postas à prova. O Corão tinha uma dúzia de predições; a Bíblia tinha 3.500! O meu bloco de notas que continha as declarações históricas e científicas que eu tinha testado e descoberto serem exactas  enchia-se cada vez mais. E dois anos depois, o meu bloco de notas reservado para os erros estava vazio.

Admito ter encontrado uma série de problemas insolúveis, coisas que hoje não consigo compreender. Mas isso não me incomodou, porque é exactamente isso que vemos na natureza!

Só a Bíblia predizia correctamente o nascimento e feitos de pessoas com nome – Rei Ciro, Rei Josias, e o Messias – por vezes com centenas de anos antes deles terem nascido. Mais de 200 predições detalham o retorno dos Judeus a Israel, que eu verifiquei com artigos nos jornais London Times e Jerusalem Post.

Se considerarmos apenas 13 das predições da Bíblia, qual a probabilidade das 13 terem coincidido? A resposta é menos do que uma possibilidade em 10 elevado a 138. Meu amigo, esse número é tão elevado que significa que a Bíblia é mais exacta do que as nossas leis mais confiáveis da física! Isto abalou-me e pôs-me de joelhos.

À 1:07 da manhã, entreguei a minha vida a Jesus Cristo. Eu sabia que tinha ofendido Deus com o meu orgulho, e aceitei o perdão tornado possível por meio de Cristo. Entreguei-Lhe o controlo da minha vida, sabendo que isso significava partilhar o facto no dia seguinte com o meu colega. Coisa engraçada: mal me entreguei, antecipei avidamente essa conversa. De repente descobri ser bem mais interessante e que me proporcionava mais alegria falar às pessoas acerca de Jesus Cristo do que descobrir quasars nos extremos do universo.

Deus tem proporcionado muitas evidências à nossa geração. Melhor ainda, Ele diz na Bíblia, «Provai e vede». Este cientista fê-lo. E eu estou convencido de que a ciência prova, e prova conclusivamente, que nós interagimos com o Deus da Bíblia.

 

 


 

O GRANDE REAVIVAMENTO

NA INGLATERRA NO SÉCULO XVIII

 

A condição moral deplorável em que se encontra o nosso país quase dispensa qualquer comentário. A impiedade e perversão dos homens, que cada dia mais têm trocado a verdade de Deus pela  mentira,  mudando  a  glória  do Deus incorruptível, adorando e servindo a criatura ao invés do Criador, têm suscitado a ira de Deus sobre Portugal. Por isso, Deus tem entregue o nosso povo à imundícia, pela concupiscência de seus próprios corações. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem toda a espécie de coisas inconvenientes e aprovarem os  que  assim procedem  (Rm  1.18, 23, 24, 25, 28, 32).

 

A INGLATERRA ANTES DO REAVIVAMENTO

DO SÉCULO XVIII

 

Esse estado de impiedade e depravação pode, às vezes, levar- nos a pensar que a situação é irremediável e que não encontra paralelo na história de outras nações. Nem uma coisa nem a outra é verdade. A Inglaterra da primeira metade do século XVIII caracterizava-se  pela  impiedade, corrupção  e imoralidade. As trevas espirituais assolavam todas as camadas sociais daquele país. A terra de muitos reformadores e dos puritanos decaiu tanto, que  a corrupção, a desonestidade e o desgoverno nos altos postos era a regra, e a pureza, a excepção. A Igreja  da Inglaterra, na sua grande maioria, jazia inerte, sem nenhum vigor. Os sermões, meros ensaios morais, nada podiam fazer no sentido de despertar, converter  e salvar os pecadores. As importantes verdades pelas quais Hooper e Latimer tinham ido para a fogueira, e Baxter e muitos dos puritanos, para a prisão, pareciam ter sido totalmente esquecidas e colocadas na prateleira.

 

Um conhecido advogado cristão da época afirmou que visitou todas as igrejas mais importantes de Londres, e que não ouviu um único discurso  que apresentasse  mais  cristianismo do que os escritos de Cícero, e que lhe seria impossível descobrir, do que ouvira, se o pregador era um seguidor de Confúcio, de Maomé ou de Cristo! Os bispos e arcebispos da época, na sua grande maioria, eram homens mundanos; tão mundanos que houve casos em que o próprio rei teve de intervir  para  restringir  a  impiedade deles. Para se ter uma ideia da situação, conta-se que, quando a pregação de Whitefield começou  a  incomodar  o clero,  foi  sugerido com seriedade  pelo próprio  clero  que  a melhor  maneira  de dar  um fim  à  sua influência era torná-lo bispo.

 

Quanto ao  clero paroquial, Ryle afirma que os seus sermões eram tão  indizível  e indescritivelmente ruins, que é reconfortante lembrar que eram geralmente pregados a bancos vazios.  

 

A  verdade é que a situação moral da Inglaterra na primeira metade do século XVIII era tão baixa, que condutas  reprováveis  e comuns hoje em Portugal, como a imoralidade, o jogo, a linguagem  obscena, a profanação do domingo  e  a bebedice,  também  não eram consideradas  coisas  condenáveis na Inglaterra na primeira metade do  século  dezoito.  

 

Estas  eram  as práticas da moda nas camadas mais elevadas da sociedade da época e não escandalizavam ninguém.

 

A TRANSFORMAÇÃO DA INGLATERRA

NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XVIII

 

Na  segunda  metade  do  século XVIII, a Inglaterra mudou. Foi radicalmente  transformada.  Isto  porque milhares de pessoas foram transformadas. Trabalhadores e membros das classes  mais elevadas  viram a  sua moral  e costumes  transformados. Como diz Nichols, forte entusiasmo apoderou-se da vida religiosa da Inglaterra, afugentando a indiferença e o desinteresse que marcou a primeira metade  do  século XVIII. Que uma mudança, para melhor, aconteceu na Inglaterra  nos  últimos  cem anos, afirma Ryle no final do século  XIX, é um facto que, eu supo- nho,  nenhuma  pessoa  bem  informada jamais tentaria negar... Houve uma grande mudança para melhor. Tanto espiritualmente como moralmente,  o  país  passou  por uma completa revolução. As pessoas não pensam, não falam, nem agem como faziam em 1750. Este é um facto, que os filhos deste mundo não podem negar, por mais que tentem explicá-lo. Foi  nesse  período  que surgiram  as obras  sociais  de  carácter  cristão,  as escolas dominicais - um dos primeiros passos na educação popular da Inglaterra -, a abolição do comércio de escravos, as reformas nas  prisões, hospitais,  bem  como  o moderno movimento missionário que alcançou  muitos  países  na  Ásia, África e Américas. A transformação que a Inglaterra experimentou foi tão grande,  que  muitos  historiadores afirmam  que,  não  fora  isto, o  país  também  sofreria  fatalmente as agruras de uma revolta interna, como a Revolução Francesa. A estas transformações também  se  atribui  a  ascensão da Inglaterra à posição de líder entre as nações no século passado.

 

OS INSTRUMENTOS DE TRANSFORMAÇÃO DA

INGLATERRA

 

O que é que operou essa transformação? A  que  se  deve tamanha mudança? Ryle  observa  acertadamente, que o governo do país não pode reivindicar para si o crédito das mudanças. A moralidade  não  pode  vir  à existência  através  de  decretos-lei  e estatutos. Até hoje as pessoas jamais se tornaram religiosas por meio de actos  parlamentares.  A  Igreja  da Inglaterra, como instituição, também não pode reivindicar este crédito. Os bispos, arcebispos  e  clero  que  descrevemos há pouco jamais poderiam ser os instrumentos de tal obra. Qual, então, foi a fonte e quais os instrumentos de tamanha transformação?

 

 Deus foi a fonte; e uma dúzia de homens  simples,  a  maioria ministros da Igreja da Inglaterra, foram os instrumentos. Aprouve a Deus escolher alguns de seus servos fiéis; não eram poderosos, nem pessoas de nobre nascimento. Entretanto, foram estes  homens  humildes, mas fiéis, que Deus escolheu para envergonhar os fortes, a fim de que ninguém se vanglorie na presença d’Ele.

 

George Whitefield, John Wesley, William Grimshaw, William Romaine, Daniel Rowlands,  John  Berridge, Henry Venn, Samuel Walker, James Harvey, Augustus Toplady  e  John Fletcher, soberanamente escolhidos, habilitados, ungidos e revestidos de especial graça, sacudiram a Inglaterra de um extremo ao outro com a antiga arma apostólica da pregação.

 

A espada que o apóstolo Paulo empunhou com poderoso efeito, quando tomou de assalto as fortalezas do paganismo dezoito séculos antes, escreve Ryle, foi a mesma espada pela qual eles obtiveram as suas  vitórias.

 

Tendo contemplado a glória de Deus mais vivamente (como Paulo, na estrada de Damasco, e Estêvão, ao ser apedrejado); tendo o amor de Deus sido derramado nos seus corações pelo Espírito  Santo; tendo recebido nos seus espíritos o testemunho directo do Espírito Santo, a  respeito do  seu bendito relacionamento com Cristo, e estando cheios de uma alegria indizível e cheia de glória, tais homens anunciaram o Evangelho de  Cristo  de  modo  simples, directo, ousado e cheio de fervor. Proclamavam as palavras de fé com fé, e a história da vida, com vida. Eles falavam com ardente zelo, como homens que estavam totalmente persuadidos de que o que diziam era verdade. O que pregavam esses homens? Todo o conselho de Deus, especialmente doutrinas como a suficiência e a supremacia das Escrituras, a total corrupção da natureza humana, a morte expiatória de Cristo na cruz, a justificação pela graça mediante a fé, a necessidade universal de conversão e de uma nova criação pelo Espírito Santo, a união inseparável da verdadeira fé com a santidade pessoal, o ódio eterno de Deus pelo pecado e o seu amor pelos pecadores. Eles não hesitavam em proclamar clara e directamente às pessoas que elas estavam mortas  e  precisavam viver; que se encontravam culpadas, perdidas, desamparadas, desesperadas e em perigo iminente de destruição eterna. Por mais estranho e paradoxal que pareça a alguns, afirma Ryle, o primeiro passo  deles  no  propósito  de tornar bom o homem, foi mostrar que este era completamente mau; e o argumento primordial deles, no sentido de persuadir as pessoas a fazerem alguma  coisa  pelas suas  almas,  era convencê-las de que não podiam fazer  nada  por elas.  Eles  também nunca  recuaram  em  declarar,  nos termos mais claros, a certeza do julgamento de Deus e da ira futura, se os homens  persistissem  na  impenitência e incredulidade; e, apesar disso, nunca cessaram de magnificar as  riquezas  da bondade  e  da  compaixão de Deus e de conclamar todos os pecadores a arrependerem-se e voltarem-se para Deus, antes que fosse tarde demais.

 

CONCLUSÃO

 

Foram estes os homens e esta, a pregação que Deus usou como instrumentos para reavivar a Igreja na Inglaterra e, assim, transformar completamente  o  país.  Através  desses instrumentos de Deus, muitos crentes foram levados a renovar sua aliança com o Senhor e passaram a viver uma vida cristã vigorosa e cheia de frutos; milhares foram profundamente convencidos dos seus pecados, foram levados ao mais sincero arrependimento, compreenderam a graça de Deus em Cristo Jesus e por ela foram alcançados; e muitos  que até se opunham foram secretamente influenciados e estimulados. Foram estes os homens e estas, as doutrinas, que, nas mãos de Deus,  tomaram de assalto as fortalezas de Satanás, conclui Ryle, arrancando milhares como que tições do fogo, e mudaram o carácter da época. Foram estes os homens sinceros e fiéis - e esta, a pregação viva, verdadeira e ungida - que aprouve a Deus escolher para reavivar sua Igreja e transformar a Inglaterra na segunda metade do século dezoito. Abençoa-nos também, a nós ó Deus, livra-nos da incredulidade e concede-nos a mesma alegria indizível e cheia de glória. Reaviva a tua obra no nosso país.

- P.A.

Nota:  A  maioria  das  citações  e  informações deste artigo foram extraídas do  relato  sobre  o  reavivamento  espiritual  do século  XVIII  na  Inglaterra, escrito por J. C. Ryle.

 


 

A FORÇA DO PERDÃO

 

Um certo beduíno estava dentro da sua tenda ao sol da Palestina quando entrou correndo um garoto adolescente, que se refugiou atrás dele, chorando e grunhindo. Logo em seguida chegou uma turba alvoroçada, empunhando cacetes e facas. Abriram a portinha da tenda e disseram ao beduíno: "Dá-nos este menino porque ele é um assassino". O beduíno respondeu: "Mas há uma lei entre nós que diz que quando um assassino se refugia numa tenda e o dono da tenda lhe der abrigo e guarida, ele está absolvido. Eu me compadeci deste garoto, quero perdoar-lhe". E o garoto tremia... Mas eles disseram: "Você quer perdoá-lo porque não sabe o que ele fez e nem a quem matou". O beduíno falou: "Não importa, eu quero perdoá-lo". Os homens então afirmaram: "Ele matou seu filho. Vá ver o corpo dele sangrando na areia ali fora". O beduíno caiu num profundo silêncio, depois, enxugando as lágrimas, disse: "Então eu vou criá-lo como se fosse o meu filho a quem ele matou". Este é o padrão do perdão divino para nós.

 

 


 

NÃO PERCAMOS A CORAGEM !

Num domingo de manhã, um crente idoso chegou-se perto do pastor e disse, com tristeza, mas também com dureza : «Deve haver algo que não está bem na sua pregação ou na forma como trabalha, pois apenas um membro foi acrescentado à igreja neste último ano e trata-se de um menino!

Nesse dia, o velho pastor pregou, com o coração contrito e terminou a pregação com as lágrimas nos olhos. Desejou chegar ao fim da sua carreira e deitar-se para nunca mais acordar debaixo dos ciprestes do cemitério. Demorou-se a sair, procurando a solidão, quando um menino se aproximou comovido.