por
Frank A. Viola
Salmo 14:1
"Diz o néscio no seu coração: Não há Deus!"
Romanos 1:20
"Porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu
poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem, pelas coisas
que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis (sem desculpa)."
Existe hoje na
sociedade uma classe de pessoas que se auto-determina como ateia. Estas pessoas
acreditam que Deus não existe. Ainda que não cheguem todos a esta conclusão da
mesma forma, asseguram com confiança que Deus não existe. Consideremos os três
principais tipos de ateus...
1) Ateu
intelectual
Esta pessoa sente,
honestamente, que existe uma falta de provas evidentes para demonstrar que Deus
existe. O ateu intelectual afirma que não pode colocar a sua fé no quer que
seja que ele mesmo não viu, não sentiu ou tocou com os seus sentidos físicos
(isto, como é evidente, não é argumento válido, pois existem imensas coisas que
aceitamos pela fé e que nunca vimos com os nossos próprios olhos. Por exemplo,
a maior parte das pessoas acredita que os asteróides existem apesar de nunca
terem visto nenhum. Por outro lado, o ateu intelectual utiliza muitos
argumentos, raciocínios e lógica para defender a sua posição. Na verdade, a
maior parte dos ateus intelectuais nunca examinou as evidências da existência
de Deus. Como a maioria deles estão abertos ao raciocínio, grande parte dos
ateus intelectuais deixará a sua posição de ateu ao ouvir algumas provas da
existência de Deus.
2) Ateu imoral
Esta pessoa nega a
existência de Deus porque ama o seu pecado. É uma pessoa egoísta e que tem
prazer em transgredir a Lei de Deus. O ateu imoral rejeita a ideia da
existência de Deus para se libertar do sentimento de culpa devido aos seus
actos. O seu estado de imoralidade impede-o de reconhecer a existência de Deus,
pois se Ele existe, terá uma dívida enorme e estará sujeito a um julgamento
pelos seus actos injustos. Esta pessoa pode ser assimilada a um criminoso que
gostaria de acreditar que os tribunais não existem. Da mesma forma, o ateu
imoral gostaria que Deus não existisse e isto é o fundamento da sua
incredulidade. Para amenizar a sua consciência e evitar o medo do julgamento, o
ateu imoral persuade-se da não existência de Deus.
3) Ateu sentimental
Não há dúvidas que a
maioria dos ateus de hoje pertence a esta categoria. Ao contrário dos ateus
intelectuais ou imorais, o ateu sentimental não rejeita a existência de Deus
por causa de raciocínios ou por amar o seu pecado. O ateu sentimental rejeita a
existência de Deus porque todas as experiências que teve na vida foram
dolorosas, tristes de desagradáveis. Esta pessoa não pode ver qualquer sentido
ou propósito na vida: nada faz sentido para ele. Ela nunca experimentou o amor
verdadeiro, nem o interesse por parte de outros. Assim sendo, ela conclui que
se Deus existisse, as coisas não seriam tão dolorosas. De todos os tipos de
ateus, o ateu sentimental é o mais sensível a perceber a verdade de que Deus
existe. Logo que percebe o amor de Deus, abandona o ateísmo.
Agora que vamos
examinar algumas das provas de que Deus existe, é interessante notar que a
Bíblia não procura provar a Sua existência. Pelo contrário, a Bíblia parte do
princípio que Deus existe desde o princípio e afirma que a Sua existência é um
facto inegável, que não precisa de ser explicado. De acordo com os versículos
da Bíblia que citamos no início do artigo, Deus deu ao homem suficientes
evidências para que este creia n’Ele. É por este motivo que a Bíblia descreve o
ateísmo como ridículo (Salmo 14.1). A loucura do ateísmo manifesta-se
quando consideramos a que ponto o homem é pequeno e limitado no universo.
Quando uma pessoa
afirma com segurança que Deus não existe, na realidade, está a dizer que detém
todo o conhecimento e todo o poder. Isto pode parecer estranho à primeira
vista, mas examinemos de mais perto. Considere, simples ser humano, como pode
ser comparado com tudo o que o rodeia. É uma pessoa sobre o planeta no meio de
6 biliões de outras pessoas iguais a si. Já explorou “os quatros cantos” do
planeta à procura de Deus para saber se Ele verdadeiramente existe ou não? Já
atravessou todos os continentes, todos os países, todas as regiões, sectores e
cidades? Já sondou todos os oceanos, mares, rios e lagos?
Se levarmos a ideia
mais longe, apercebemo-nos que a terra em si já é bastante grande, mas o sol
ultrapassa-a de longe. Se o sol fosse vazio, poderia conter a terra centenas de
milhares de vezes! E o sol é apenas uma estrela de tamanho médio no meio de
milhões de outras estrelas do universo. De facto, algumas estrelas são maiores
do que o sol mais de quinhentas vezes! Para além disso, há ainda centenas de
milhões de outros sistemas solares como o nosso! Isto não nos corta a
respiração? Já explorou cada um deles à procura de Deus?
No que diz respeito ao
tamanho do universo, os astronautas dizem que as estrelas estão tão afastadas
de nós que a sua luz já viajou milhares de anos e ainda não nos atingiu!
Portanto, vivemos numa dimensão espacial e temporal. Podemos nós estar seguros
de que não existe outra dimensão, fora do tempo e espaço, na qual Deus pudesse
existir? Se uma dimensão fora do tempo existe, o que parece verosímil, já a
explorou de alto a baixo? Então, será que você, um no meio de tantos mortais,
que nem sequer percorreu a terra, pode
achar-se competente para afirmar que Deus não existe? Será que você que não
mede mais que dois metros de altura e que ocupa não mais do que alguns
centímetros quadrados sobre a face da terra neste imenso universo, pode
achar-se competente para afirmar que Deus não existe?
Certamente começa a ver
onde quero chegar. Somos tão pequenos, restritos e limitados nos nossos
conhecimentos, existência e poder, comparados à incrível vastidão e grandeza do
universo! Para cada um de nós, declarar com confiança que Deus não existe é
pura arrogância e loucura.
O homem é incompetente
para fazer tal juízo. E, se o faz, está simplesmente a dizer que ele mesmo é
Deus! Por outras palavras, dizer que Deus não existe, é dizer que somos
omniscientes e omnipotentes; quer dizer que já exploramos todos os cantos e
recantos do universo e que chegamos à conclusão que podíamos estar seguros da
não existência de Deus. Nós, que nem podemos explicar como bate o nosso
coração, ou dizer se vai chover amanhã ou ainda se chegaremos ao próximo ano,
como podemos ter a ousadia de dizer que Deus não existe? É por isso que a
posição ateísta, se for estudada atentamente, é verdadeira loucura e presunção.
Consideremos
rapidamente alguns factos que provam a existência de Deus.
1)
A complexidade, ordem, sofisticação e articulação dos elementos do universo, o
ecossistema, toda a vida biológica e botânica, atestam de um Criador
inteligente que é Deus (Romanos 1 :19-20. Salmo 19.1, Salmo
139:14-17). Há três alternativas para explicar a origem do
universo :
1) Sempre
existiu,
2) Foi
criado por acaso, ou
3) Foi
criado por Deus.
É completamente
inconcebível que o universo e tudo o que ele contém possam existir fora de um
Criador Supremo. O universo não pode existir desde sempre, porque se estende e contrai.
Isso sugere que teve um início a um momento do tempo. Para além disso, o
universo não pode ter sido criado por acaso devido à sua ordenação e
complexidade. Existe um princípio de base: as coisas criadas por acaso são
sempre mal organizadas, irregulares, inconstantes e parcialmente articuladas.
Em suma, o que o acaso provoca destrói-se quase instantaneamente.
Por exemplo, se repetir
inúmeras vezes a seguinte experiência: atirar ao ar uma cadeira, há uma pequena
probabilidade para que a cadeira recaia sobre as suas quatro pernas. No
entanto, na próxima vez que a atirar, ela cairá mais uma vez de costas ou de
lado. Tomemos outro exemplo: suponhamos que colocávamos um macaco frente a uma
máquina de escrever e que deixando-o tempo suficiente por detrás da máquina,
ele acabasse por escrever uma frase coerente. Ora bem, ao escrever mais algumas
letras depois da frase coerente, esta frase teria perdido todo o seu sentido
devido às escolhas aleatórias do macaco. É por isso que qualquer organização
que o acaso possa criar se auto-destruirá quase instantaneamente pelo mesmo
processo utilizado para a criar. É então inconcebível acreditar que o acaso
crie alguma coisa complexa e sofisticada, seja um relógio, um carro, ou um
computador. Todas estas coisas precisam de um construtor. Da mesma forma, a
constância, organização, simetria, forma e utilidade do universo, demonstram
forçosamente a existência de Deus.
2)
Um desejo natural e inato por Deus no coração do homem atesta a Sua existência.
Quase todas as
religiões do mundo afirmam a existência de um Criador. Não existe cultura sobre
a face do planeta Terra que não tenha uma religião como parte integral da sua
tradição. A crença numa Pessoa Divina é portanto universal, encontramo-la em
todas as culturas, nações e tribos. No mundo, o desejo implica sempre a
existência dum objecto. Quando uma pessoa deseja algo, isso prova que o objecto
desejado existe, Se por exemplo, desejo um carro, uma família, emprego, então o
meu desejo por essas coisas demonstra a sua existência. Para além disso, por
natureza, os órfãos desejam um amor parental, apesar de nunca terem conhecido
os próprios pais. Todos os órfãos têm esse desejo irresistível. Deste modo,
todos os desejos do coração emanam de algo real e existente. Ao vermos que
todos os povos de todas as culturas têm capacidade e desejo de crer, conhecer e
de ter comunhão com Deus, então Deus deve existir. A explicação para tal é,
como é evidente, que Deus criou o homem com a capacidade de O conhecer e de ter
comunhão com Ele. Curiosamente a Bíblia ensina exactamente isto confirmando
assim a existência de Deus.
3)
A multidão de orações respondidas atesta a existência de Deus.
Todos aqueles que
conheceram Deus através dos tempos sabem que Ele é real porque Ele atende às
orações e oferece uma ajuda mestra específica nas suas vidas. Nem a
coincidência, nem o acaso, podem ser responsáveis por milhares de milhares de
respostas a orações que os servos de Deus do passado e do presente receberam.
Ainda que os ateus procurem colocar de lado estas respostas às orações que as pessoas
relataram ao longo dos séculos, alguém poderá provar a falsidade de tais
testemunhos? O tempo e espaço não me permitem descrever as inúmeras respostas a
orações que eu mesmo recebi até ao dia de hoje na minha vida, sem contar os
milhões de outras pessoas que tiveram a mesma experiência. Ainda que esta
evidência seja subjectiva, deve mesmo assim ser examinada, pois é bastante
significativa.
4)
O sentimento da presença de Deus no meio dos que O servem atesta a existência
de Deus
Ainda que este facto seja
subjectivo, é uma realidade para aqueles que conhecem o Senhor. A presença de
Deus pode ser sentida pelo espírito do homem. Apesar da dificuldade em explicar
tal experiência, ela é bem real.
Deus é real e ama-nos
verdadeiramente. Ele deseja revelar-Se a cada um de nós como nosso Pai. Ele
ama-nos e criou-nos com um propósito. Quer acreditemos n’Ele ou não, um dia
compareceremos diante da Sua presença totalmente despidos. Nesse dia, os ateus,
agnósticos e crentes, da mesma forma, verão Deus face a face perante o trono do
julgamento. Como Deus existe, é preciso preparar-se para se encontrar com Ele.
A Bíblia diz: ”Prepara-te para te encontrares com o teu Deus” (Amós 4.12).
É por isso que é loucura e perigoso imaginar que Deus não existe. E não basta
reconhecer a Sua existência. É preciso prepararmo-nos.
Porque será importante
a preparação para o encontro com Deus? Porque Deus criou o homem para que tenha
comunhão com Ele. No entanto, o homem pecou e afastou-se de Deus. Resultado:
todos pecaram. O pecado é a nossa natureza e o pecado destrói a nossa relação
com Ele, sendo por isso que Ele o odeia (para além disso, Deus é Aquele que
mais ama no universo, daí que seja tão oposto ao pecado). Para encontrar Deus
em paz, temos que tratar o problema do pecado que destrói a nossa comunhão com
Deus. A resposta de Deus para o pecado é Jesus Cristo. Fora de Cristo, estamos
todos condenados por Deus. Em Cristo, somos aceites e recebidos por Ele.
Se for ateu, espero que
seja responsável e sóbrio em relação ao assunto e que reconsidere a sua
posição. Se for um ateu intelectual, encorajo-o a considerar a evidência
irrefutável de nosso universo imenso, ordenado e complexo, pois vemos nele as
impressões digitais de Deus. Numa palavra, o universo é uma obra inegável de um
Criador Divino. Negar isso é pura loucura.
Se for ateu sem moral,
desafio-o a ser honesto consigo mesmo e a fazer face ao facto de que nunca se
satisfará ao continuar a viver na mentira e ofendendo a sua consciência.
Arrependa-se da sua má conduta e do seu egoísmo e reconheça que Deus é seu
Criador. Dê um passo para o conhecer. Deixe de jogar a esse jogo e de mentir-se
a si mesmo e aos outros. Não pode enganar o seu Criador.
Por fim, se for um ateu
sentimental, encorajo-o a pedir a Deus para que lhe revele o Seu maravilhoso
amor ao seu coração. Peça-lhe que Se torne real para si, e não O limite quanto
à forma que Ele escolher para o fazer. Não tenha medo de falar com Ele, mesmo
que não tenha a certeza que Ele esteja aqui. Digo-lhe, se o procurar com um
coração sincero e aberto, Ele o ouvirá, porque prometeu: “E buscar-Me-eis e Me
achareis, quando Me buscardes de todo o vosso coração. -- Jeremias 29:13.
O reconhecimento da
existência de Deus conduzir-vos-á naturalmente ao encontro de Jesus Cristo. De
facto, Deus não pode ser conhecido fora de Jesus Cristo. Cristo que é divino,
tomou a nossa humanidade para nos revelar Deus. Só podemos conhecer Deus,
olhando para Jesus. Não existe outro caminho. Possamos nós então reconhecer a
existência de Deus e procurar conhecer Jesus Cristo. Desta forma, Deus não será
mais um Juiz para nós mas um Pai cheio de amor.
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