EX-ATEU CONVERTE-SE A
JESUS CRISTO
DR. AUGUSTO JORGE CURY
Psiquiatra,
psicoterapeuta, cientista e escritor
Cristão daqueles que consideram a vida um ministério, o médico
psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Jorge Cury, 44
anos, foi um dos que gostava de criticar a veracidade da Bíblia. Autor de uma
teoria revolucionária sobre a construção dos pensamentos -
a da inteligência multifocal, reconhecida
internacionalmente -, ele começou a estudar a mente de grandes personagens
históricos como Platão, Van Gogh
e Freud. Mas foi quando decidiu investigar a trajectória terrena de Cristo que
teve a maior surpresa da sua vida. "Eu era um ateu convicto e tornei-me
cristão apaixonado", conta. O resultado dessa pesquisa virou uma colecção
de quatro livros, Análise da inteligência de Cristo (Editora Academia de
Inteligência www.academiainteligencia.com.br), que viraram bestsellers, com quase 200 mil
exemplares vendidos no Brasil e no exterior. Tanto que há meses Cury frequenta a lista de mais vendidos da revista Veja. Ao
todo, ele já escreveu dez livros, todos na área da psicologia.
A mini série Jesus, exibida pela TV há dois anos, mostrava um
Cristo excessivamente humano, que até certo ponto da Sua vida nem sabia quem
era e tão-pouco qual a Sua missão. A partir de que momento ele teria tomado
consciência de quem realmente era?
Como Filho de Deus, desde o início da sua infância ele tinha a consciência do Seu
passado eterno e intemporal. Isso não é uma crença teológica, mas psicológica.
Só isso explica porque, aos doze anos, quando os Seus pais O perderam, ele
estava a discutir com segurança com os mestres da lei, a ponto de deixá-los
maravilhados. Ficar longe dos pais deveria tê-Lo
deixado com medo, como qualquer garoto. Mas ele mostrou um controle emocional
que deixou a Sua mãe pasmada. Ali, ele discorreu com eloquência e convicção
sobre aspectos da lei judaica, dando um significado ao templo que jamais fora
dado por alguém. O jovem Jesus chamou-o de "casa do meu Pai", e não
um simples lugar de adoração. Tal informação não lhe foi ensinada pelos seus
pais. De onde Jesus Cristo a teria extraído? Da Sua memória, que excede os
limites do tempo. Com a Sua sabedoria, ele encantava os Seus amigos e fascinava
os Seus inimigos. Pilatos sentiu-se um menino diante da Sua postura. No
encontro dos dois, foi a primeira vez que um réu abalou completamente a
estrutura de um juiz autoritário.
O que o motivou a escrever a colecção Análise da Inteligência de Cristo?
Poucas pessoas foram tão longe no ateísmo como eu. Por pesquisar a construção de
cadeias de pensamentos e a génese dos conflitos humanos, eu considerava Deus,
bem como Jesus Cristo, como desculpa do cérebro que não aceitava o seu fim.
Para mim, Deus era um produto imaginário da psique, para aliviar sua dor diante
das frustrações e perdas existenciais e da inevitabilidade da morte. Mas duas
coisas mudaram o meu pensamento. Primeiramente, ao estudar exaustivamente o
funcionamento da mente humana, descobri que ela tem fenómenos que ultrapassam
os limites da lógica. Para produzir um pensamento, entramos na memória e no
meio de triliões de opções resgatamos verbos, substantivos e pronomes, sem
saber como o fazemos. A construção de cadeias de pensamentos não pode ser
explicada pelo universo físico-químico cerebral, pelo computador biológico do
cérebro. Compreendi que só a existência de um Deus fantástico poderia explicar
o anfiteatro da nossa inteligência. O segundo momento foi o estudo das reacções,
dos pensamentos e das entrelinhas das ideias de Jesus. Compreendi que era
impossível que Ele fosse fruto de uma ficção. Nenhum autor poderia construir
uma personalidade como a d’Ele, que ultrapassa os
limites da previsibilidade psicológica. Amá-Lo não é apenas um acto de fé, mas
uma decisão de muita inteligência.
Falando sobre ateísmo, por ter estudado a sua dimensão psíquica
e filosófica, opino que não há ateu, pois todo ateu é ‘deus
de si mesmo'. Por quê?
Porque apesar de desconhecer inúmeros fenómenos da existência, tais como os
mistérios do universo, os segredos do tempo e os segredos da construção da
inteligência humana, os ateus possuem uma crença ateísta tão absolutista de que
Deus não existe que só um 'deus' poderia ter.
É possível fazer tal estudo apenas baseado nas informações
contidas nos Evangelhos? Os relatos bíblicos não conteriam narrativas com
elementos fantásticos demais?
Há mais de 5 mil manuscritos do Novo Testamento existentes até hoje, o que o
torna o mais bem documentado dos escritos antigos. Muitas cópias pertencem a
uma data próxima dos originais. Há aproximadamente 75 fragmentos datados desde
135 d.C. até o século 8. Todos esses dados, acrescidos ao trabalho intelectual
produzido pelos estudiosos da paleografia, arqueologia e crítica textual, asseguram-nos
de que possuímos um texto fidedigno do Novo Testamento. É necessário imergir no
próprio texto e interpretá-lo de maneira multifocal e
isenta, tanto quanto possível, de paixões e tendências. Foi o que procurei
fazer. Questionei os mais diversos níveis de coerência intelectual dos autores
dos evangelhos e dos textos que escreveram.
Nas suas obras, o senhor fala sobre intenções conscientes e
inconscientes dos autores dos evangelhos, para provar que a personagem Jesus
não seria apenas uma criação literária. Quais eram essas intenções?
Os autores dos evangelhos não tinham a intenção de fundar urna filosofia de
vida, de promover um herói político, ou construir um líder religioso - nem mesmo criar um homem diante do qual o mundo deveria se
curvar. Queriam registrar factos, mesmo que incompreensíveis, de uma pessoa que
revolucionou as suas vidas e lhes ensinou a linguagem do amor. Se os evangelhos
fossem fruto da imaginação literária desses autores, eles não falariam mal de
si mesmos, não comentariam a atitude vexatória que tiveram ao negá-Lo, como fez
Se vivesse no mundo hoje, como Jesus Cristo seria visto pela
psicologia?
Nos dias de hoje, as palavras de Jesus não apenas abalariam os alicerces da
psiquiatria, mas também das ciências, da educação. Ele deixava atónitas as suas
plateias. Os Seus discípulos eram incultos, agressivos, competitivos, reagiam
sem pensar. Ele escolheu a pior estirpe de homens para segui-lo e transformou-os
não apenas em discípulos, mas na casta mais nobre de pensadores.
Algumas correntes teológicas defendem que Jesus não teria
realizado milagres ou só teria feito alguns deles, que poderiam ser explicados
de maneira natural pela ciência. Sem a manifestação de poder sobrenatural, Ele
teria conseguido influenciar tanto a sociedade de sua época?
Analisando os textos das biografias de Cristo, eu convenci-me de que os
milagres que Ele realizou não foram retóricas literárias, nem delírio colectivo,
e muito menos ilusão das pessoas que O cercavam. O que está registado ali foi
realmente realizado. Ele fez coisas inimagináveis. Se Einstein estivesse lá
analisando a maneira como Jesus manipulava os fenómenos físicos, teria que
rever a teoria da relatividade. Mas Jesus mudou a História da humanidade muito
mais pelo Seu comportamento do que pelos Seus milagres. Por exemplo, quando
Cristo é muito maior do que nossa religiosidade consegue
imaginar.