CASAMENTO, DIVÓRCIO E RECASAMENTO

 

Por Theodore H. Epp

(Back to the Bible)

 

 

 


O que diz Deus ...

 

Sobre o casamento?

         Porque é que é errado casar com um descrente?

            Porque é que a permanência no casamento é tão importante?

 

Sobre o divórcio?

         Hoje Deus permite o divórcio?

            Porque é que Moisés permitiu o divórcio?

 

Sobre o recasamento?

         Estará correcto voltares a casar, se és a parte inocente?

            Qual a situação para quem foi salvo depois de estar divorciado e recasar?

 

Porque hoje estas três questões são tão essenciais, devemos procurar as respostas na Bíblia e não na mera opinião humana. Que Deus ajude os que, honestamente, procuram a vontade de Deus nestas questões a fim de saberem com exactidão o que é que está certo e errado aos Seus olhos.

 

 

 

 


Deus Institui a Família

 

A família é a célula completa mais pequena da sociedade. Quando a família é afectada, é afectada a igreja, o estado, a nação e até o mundo. Porque a célula da família é tão estrategicamente importante, é imperativo que saibamos o que a Palavra de Deus diz sobre ela.

 

A célula da família, ou o lar, foi a primeira instituição que Deus providenciou para benefício do homem. Tendo sido instituída directamente por Deus, há uma santidade e pureza especiais nela. Se reconhecermos isto, compreenderemos mais facilmente o que a Bíblia, a Palavra de Deus, tem a dizer sobre a família.

 

O casamento foi instituído por Deus antes da entrada do pecado no mundo. Neste estudo sobre o casamento, o divórcio e o recasamento, desejamos discutir primeiro a santidade do casamento instituído por Deus.

 

“E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idónea para ele. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idónea. Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Génesis 2:18-24).

 

O casamento é instituição de Deus, e é importante que compreendamos como Ele o planeou e o propósito que teve ao instituí-lo. Desde modo, assimilaremos facilmente os ensinos apresentados nas Escrituras sobre o assunto. Deus é imutável; Ele não altera os Seus princípios a fim de deixar as pessoas confortáveis. Parece haver apenas uma mudança que alguns têm usado como escapatória para aprovarem o divórcio – mas apenas parece. Veremos isso mais adiante.

 

 

A Primeira Instituição

 

Visto que o casamento é dado por Deus e visto que foi instituído antes do pecado ter entrado no mundo, baseia-se nos santíssimos preceitos de Deus. O divórcio, que é tão comum hoje, destrói aquilo que Deus instituiu e pronunciou santo.

 

Quando Deus criou Adão e Eva, Ele criou-os macho e fêmea à Sua própria imagem (Gén. 1:27). A relação entre homem e mulher nesta condição impecável perfeita era tão sagrada e santa como a relação das três Pessoas da Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. Os três são um. Assim também no casamento, Deus diz, que homem e mulher são um (Gén. 2:24).

 

Para que um casamento funcione adequadamente, os envolvidos nele devem ser tementes a Deus. Os princípios da família devem assentar num relacionamento piedoso no qual as pessoas envolvidas desejam que o amor de Deus flua por elas nas relações familiares. Existem algumas famílias simpáticas cujos elementos são pessoas aparentemente maravilhosas e não são cristãs. Estas pessoas podem ter muita afeição, umas pelas outras, mas não conhecem o amor piedoso que se encontra no mais elevado nível. É a espécie de amor que está sempre a dar; é o próprio carácter de Deus. Quando a família é instituída por princípios tementes a Deus, porque o marido e a mulher têm um relacionamento correcto com Jesus Cristo, tem todo o potencial para usufruir de um relacionamento maravilhoso.

 

Todavia, as pessoas têm por vezes alterado ou ignorado os princípios de Deus pela dureza dos seus corações. E Deus, na Sua misericórdia, pode permitir isso por um certo tempo. Porém os cristãos verdadeiros – aqueles que experimentaram o novo nascimento e receberam o Espírito de graça – nunca devem ser culpados de corações endurecidos e de rejeitarem os princípios de Deus para um lar piedoso.

 

O facto de que o casamento deve permanecer sob os mesmos princípios sagrados de operação estabelecidos quando foi instituído é também indicado pela comparação que é feita em Efésios 5 do relacionamento do homem e a mulher com Cristo e a Igreja. Podemos aprender ali que Cristo foi unido à Igreja através de uma união eterna. Este facto deve ser reflectido na permanência do casamento.

 

 

Uma Relação Sagrada

 

O casamento é a relação mais afectuosa e sagrada da vida. “Serão ambos uma carne”, disse Deus em Génesis 2:24. Isto indica que um deve ser o complemento e a contraparte do outro e que um é incompleto sem o outro. Esse é o princípio de Deus, o Seu fundamento, para a família: “Serão ambos uma carne”.

 

Deus declarou que o casamento é digno de respeito: “Venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará” (Heb. 13:4). A Bíblia diz que “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher” (Gén. 2:24).

 

Deus providenciou o lar para bem do homem. “Não é bom que o homem esteja só”, disse Ele, por isso fez uma boa companheira para o homem (vers. 18). Em 1 Coríntios 7:2 existe uma outra declaração que se refere a esta mesma verdade: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”. Deus instituiu o casamento para reprimir a tentação de afectos impróprios e para suportar a ordem social de modo a que, através de famílias bem estruturadas, a verdade e a santidade pudessem ser transmitidas de geração em geração. A paz e o bem-estar de uma nação dependem da pureza das suas famílias.

 

Por meio do casamento, Deus pretendeu que famílias bem estruturadas transmitissem a verdade e a santidade de uma geração para outra. Isso é evidente em Deuteronómio 6-7:

 

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.”

 

Quer seja nas devoções familiares (“assentado em tua casa”) ou testemunhando aos outros (“andando pelo caminho”) ou mesmo quando uma pessoa acorda (“levantando -te”), cada crente deve estar preocupado em comunicar a Palavra de Deus aos membros da sua família de modo a que estes a conheçam com entendimento.

 

O decreto de Deus a respeito do casamento, a saber, que o homem deve deixar o seu pai e mãe e unir-se à sua mulher, foi dado muito antes de outras leis divinas. Como tal, o decreto sobre o casamento jaz na base de toda a legislação humana e de governo civil. É por isso que pode ser dito que a paz e o bem-estar de uma nação dependem da pureza da família.

 

 

 

Simbólica de Cristo e a Igreja

 

A união matrimonial de marido e mulher é simbólica de Cristo e a Igreja. Neste caso, a palavra “Igreja” não se refere a um edifício mas às pessoas que têm confiado em Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Efésios 5 revela que a relação matrimonial de marido e mulher é um quadro do que o relacionamento de Cristo é com a Igreja. Estudaremos esta porção chave da Palavra de Deus cuidadosamente, mas lembremo-nos que a relação de marido e mulher deve ser tão sagrada como o relacionamento de Cristo com a Igreja. Não existe padrão mais elevado do que o relacionamento de Cristo com a Igreja. Contudo, é lamentável que os padrões do mundo, hoje, tenham descido tão baixo porque há pouca preocupação em fazer do casamento o que Deus tencionou que ele fosse.

 

Os versículos 22-33 de Efésios 5 são frequentemente referidos a respeito da relação matrimonial, e é muito importante observar o que o versículo 21 diz: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”. Isto revela qual deve ser a atitude do cristão para com os crentes em geral e para com a sua esposa em particular. Está em paralelo com o que é dito em Filipenses 2:3: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Notemos que ambas as partes são aludidas – “cada um considere os outros”. Por conseguinte, se alguém pretende relacionar-se correctamente com um parceiro cristão ou com o seu cônjuge, este versículo mostra qual deve ser a atitude de ambos.

 

Em Efésios 5, quando Paulo desenvolveu as suas declarações sobre o casamento, ele referiu-se primeiro à mulher e depois ao marido. Por vezes as mulheres tornam-se defensivas sobre isto, e talvez por via de alguns maridos verem apenas as responsabilidades da mulher. Todavia, Paulo tocou nas responsabilidades de ambos, de modo a que um não se impusesse ao outro.

 

A respeito dos maridos Paulo disse:

 

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:25-27).

 

Notemos a medida em que todo o marido deve amar a sua mulher – “como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela” (v. 25). Marido, amas a tua mulher o suficiente de modo a poderes dar a tua vida por ela? Esta é a medida de amor pela tua mulher que Paulo disse que deves ter. Esta é a espécie de amor que só Deus pode dar; é o amor ágape, pois procura sempre o mais elevado bem do outro. Porque Deus amou-nos com esta espécie de amor, Ele enviou o Seu Filho para morrer em nosso lugar.

 

Paulo continuou a dizer:

 

“Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja” (Efésios 5:28-29).

Paulo estava a afirmar um princípio normal da vida. É normal que uma pessoa evite fazer algo que, de alguma forma, se injurie ou fira a si mesmo, e Paulo disse que esta deve ser a mesma atitude que o marido deve ter para com a sua mulher.

 

É interessante que Paulo relacionou a atitude do marido para com a sua mulher com a atitude que temos com o nosso próprio corpo, uma vez que, no princípio, a mulher surgiu do corpo do homem. Génesis 2:21-23 declara:

 

“Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.”

 

Não foi da sua cabeça que a mulher foi tomada, para não o comandar, nem dos seus pés, para por ele ser espezinhada, mas do seu lado, para como co-igual, poder ser amada.

Efésios 5 indica que uma pessoa deve ser tão próxima do seu parceiro de casamento como é dos membros do seu próprio corpo. Um homem deve amar a sua mulher como ama o seu próprio corpo. Aquele que não ama a sua mulher está, realmente, a prejudicar-se, a ferir-se. De facto, quando uma família é destruída através do divórcio, é dolorosamente rasgada em pedaços, como quando se arranca um membro do corpo.

 

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, está segura em Cristo para sempre. Tendo-se referido ao cuidado do Senhor pela Igreja (v. 29), Paulo disse, “Porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos” (v. 30).

 

A segurança que os crentes, o Corpo de Cristo, têm em Cristo é vista em João 10:28-29:

 

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai.”

 

Um membro do Corpo de Cristo nunca será divorciado de Cristo, e Paulo usou esse facto em Efésios 5 para ilustrar a segurança que deve existir no relacionamento marido-esposa.

 

Paulo também declarou, “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” (Efé. 5:31). Paulo referiu-se aqui à mesma verdade declarada em Génesis 2:24. Notemos que os dois se tornam “uma carne”. Deus tornou-os uma carne e não fez qualquer provisão para o divórcio. Certamente que os descrentes não se inibem nos seus pensamentos sobre o divórcio uma vez que não consideram que a Bíblia seja fonte de autoridade, mas com os crentes a coisa muda de figura. Isto também revela que a relação matrimonial boa, própria, só se alcança e mantém pelos que têm um relacionamento correcto com Cristo.

 

 

Nenhuma Provisão Para o Divórcio

 

Deus não fez nenhuma provisão, qualquer que fosse, para o divórcio porque o casamento foi instituído antes da entrada do pecado. Não existe nenhuma causa, ou razão, para o divórcio. Apenas o pecado é a causa subjacente à lascívia, avareza, egoísmo e ódio, que, por sua vez, são causa de divórcio. Mas atendendo a que o casamento foi instituído antes do pecado entrar no mundo, não havia nenhuma razão de provisão para o divórcio. E Deus não muda os princípios básicos que estabeleceu. Por conseguinte, o divórcio não é, nem pode ser, parte do programa estabelecido de Deus.

 

Uma vez que Deus não faz provisões para o homem pecar, Ele não fez provisões para o divórcio. Deus não é um participante do pecado, nem tenta ninguém para que peque. Tiago 1:13 diz: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”. Portanto temos que nos lembrar, ao considerarmos várias passagens sobre o casamento e divórcio, que no princípio nenhuma provisão foi feita para o divórcio, porque o divórcio é resultado do pecado. Marcos 10:4-12 revela que o intento de Deus era nunca haver divórcio. Cristo declarou:

 

“E Ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.”(Marcos 10:11-12)

 

Lucas 16:18 declara uma verdade semelhante: “Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também”. Mais adiante estudaremos outras passagens que revelam qual era o intento original do casamento.

 

Muito depois da instituição do casamento, Moisés permitiu o divórcio sob uma condição. Deus permitiu isso apenas por causa da dureza do coração do povo. Mas esta permissão não mudou o princípio original de Deus, a saber, que um homem e uma mulher se uniriam e que seriam uma carne enquanto ambos vivessem. A união do casamento deve ser tão entretecida quanto as várias partes do corpo. Para o homem e a mulher casados, o divórcio deveria ser como amputar um braço ou uma perna do corpo.

 

Paulo reafirmou o princípio da unidade ao referir-se à unidade de Cristo e da Igreja (Efe. 5). Apesar de alguns na igreja terem abandonado a comunhão de Cristo através de pecado não confessado, é no entanto verdade que não podem ficar separados dele. Em João 10: 28-29 lemos:

 

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai.”

 

Estas palavras tranquilizantes foram proferidas pelo próprio Senhor.

 

Uma outra declaração fundamental sobre o nosso relacionamento inquebrável com Cristo, encontra-se em Romanos 8: 35-39:

 

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”

 

Não podemos ser separados do Seu amor.

 

Convém manter em mente que Deus usa este relacionamento de Cristo com a Igreja como quadro do relacionamento permanente de marido e mulher.

 

A verdade a respeito da vinda de Cristo para a Sua noiva, a Igreja, enfatiza ainda mais isto. Por exemplo, lemos em 1 Tessalonicenses 4: 16-17 que o nosso Senhor virá:

 

“ ...do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

 

Nós estaremos com o Senhor para sempre.

 

Uma vez a Noiva de Cristo unida ao seu Noivo não existe pensamento de separação. A nossa união com Ele é eterna. Esta unidade de Cristo e da Sua Igreja é usada para ilustrar a unidade matrimonial que não deve ser quebrada. Deus não fez nenhuma provisão para o divórcio.

 

Na sua fraqueza, as pessoas de pouca visão e rebeldes, enxergam o que parece ser uma escapatória neste princípio da relação matrimonial inseparável de modo a darem asas à sua concupiscência e acalmarem as suas consciências. O que eles procuram é a permissão para o divórcio como foi dada na Lei de Moisés e aparentemente sancionado por Cristo. Mas Moisés apenas permitiu o divórcio por causa da dureza dos corações dos Israelitas, e visto que Jesus reafirmou o facto de que Moisés o permitiu, alguns parecem pensar que Ele o corroborou. Mas Ele não o aprovou. Ao procurarem escapar do casamento referindo a vontade permissiva de Moisés e de Deus e a aparente aprovação de Cristo, as pessoas estão a cometer um grande pecado.

 

Jesus, que é Deus, alteraria o princípio estabelecido no começo da raça humana? Deus não muda com o mudar dos tempos e padrões das pessoas. O padrão de Cristo para o casamento ainda é aquele que foi colocado no princípio.

 

Quando uma pessoa nascida de novo procura uma escapatória na Palavra de Deus para silenciar a sua consciência de modo a poder continuar na sua vida lasciva, está a admitir a dureza do seu coração e a sua carnalidade. Ao tentar encontrar consentimento, ou permissão, na Bíblia para gratificar os desejos da sua carne, ela está, inconscientemente, a tornar Deus participante do pecado (Ver 1 Cro. 6:13-20). Que Deus abra os nossos olhos para a verdade!

 

No estudo da Bíblia deve sempre ser lembrado que um princípio nunca é estabelecido numa passagem isolada que parece contradizer o claro ensino geral. O estudioso exemplar das Escrituras dirige-se às passagens que apresentam ensino claro e estabelece o que é verdadeiro. Depois, as passagens difíceis são interpretadas à luz daquelas cujo ensino é claro. É indicação de estudo deficiente da Bíblia construir uma doutrina sobre uma passagem das Escrituras que pode ser interpretada mais do que uma maneira, ignorando-se passagens onde o ensino é claro.

 

Quando examinamos várias passagens descobrimos que a Lei de Moisés permitia o divórcio apenas sob uma condição, mas nunca o justificou. Ainda era pecado; por conseguinte, ainda era errado. Moisés “permitiu-o” (ver Mat. 19:8), mas nunca o sancionou. O princípio original de Deus do casamento nunca mudou. Por causa da dureza dos corações das pessoas o divórcio foi permitido durante o tempo de Moisés, mas nunca foi parte do plano original de Deus.

 

Hoje, muitas pessoas que estão preocupadas com o ponto de vista bíblico do divórcio tendem a procurar uma escapatória para poderem dar azo aos seus desejos. Alguns que sabem o que a Bíblia ensina sobre este assunto estão determinados em seguir o seu próprio caminho de qualquer forma. Outros procuram uma interpretação da Bíblia que concorde com a sua forma de pensar: deste modo silenciam as suas consciências, enquanto fazem o que desejam. Quando uma pessoa actua deste modo evidencia claramente a dureza do seu coração exactamente como os Israelitas fizeram sob a Lei Mosaica.

 

Os que procuram consentimento para gratificarem as suas paixões da carne ao interpretarem a Bíblia duma maneira que encontrem licença para pecar estão inconscientemente a tornar Deus participante do seu pecado (ver 1 Cor. 6:15-17). Que blasfémia! Que Deus nos torne sensíveis às verdades espirituais de modo a que quando compreendemos o que nos é ensinado, vivamos em consonância com o ensino. Há diferenças de opinião sobre o que a Bíblia ensina a respeito do casamento e do divórcio, mas nós, que conhecemos Cristo como nosso Salvador, sejamos sérios na interpretação cuidada das Escrituras, honrando Jesus Cristo em tudo o que fazemos.

 

 

 

 


CASAMENTOS MISTOS

 

Em 1 Coríntios 7 temos a resposta de Deus às questões sobre casamentos mistos – casamentos onde um parceiro é Cristão e o outro não. Outros tipos de casamentos poderiam ser referidas como “casamentos mistos”, mas eu estou aqui a discutir apenas o casamento de um crente com um descrente. Estes casamentos mistos são permitidos ou proibidos pelas Escrituras?

 

 

Um Mandamento Directo

 

2 Coríntios 6: 14 diz, “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis (descrentes)”. Se nada mais fosse dito, este mandamento seria suficiente. Numa relação, as acções de um controlam as acções do outro. Um crente não deve colocar-se numa posição de ser controlado por um descrente em qualquer relação, mas isto é especialmente verdade na relação matrimonial.

 

A palavra “jugo” não significa muito para algumas pessoas porque o casamento não lhes parece um jugo. Se lhes desagrada, divorciam-se. Segundo estatísticas de 1977, aproximadamente um em cada dois casamentos nos Estados Unidos termina em divórcio. Isto é especialmente verdade entre descrentes, mas os Cristãos não estão imunes ao problema. Hoje é muito raro encontrar uma igreja local que não tenha pelo menos uma pessoa divorciada, e a maioria tem várias que foram divorciadas. Esta situação tem colocado problemas únicos para os pastores resolverem. Alguns enfrentam a questão com honestidade, mas outros parecem relutantes em tomar uma posição sobre o divórcio e o recasamento.

 

A declaração de Deus sobre marido e mulher é: “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6). O casamento é um jugo. Este jugo não implica cativeiro ou prisão. Refere-se a uma relação íntima semelhante à que os crentes têm com Cristo (ver 1 Cor. 1:9). Esta relação pode ser ilustrada por dois bois arando juntos um campo de forma harmoniosa. Estes animais têm de ser uniformemente emparelhados como salienta Deuteronómio 22:10: “Com boi e com jumento não lavrarás juntamente”.

 

Nenhum crente deve emparelhar de forma desigual com um descrente, “porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz [uma pessoa salva] com as trevas [uma pessoa perdida]? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel [descrente]? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2 Coríntios 6:14-16).

 

Os descrentes caracterizam-se por andarem nas trevas, enquanto que os crentes caracterizam-se por andarem na luz. Isto lembra-nos 1 João 1:6,7: “Se dissermos que temos comunhão com Ele [Deus], e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.

 

Espiritualmente um crente e um descrente não têm nada em comum. O crente tem Deus a viver dentro dele, e é por isso que Paulo se referiu ao Cristão como sendo templo de Deus (ver 2 Cor. 6:16).

 

Em 1 Coríntios 6:13-20 Paulo afirmou claramente que nós somos membros do Corpo de Cristo; por conseguinte, colectiva e individualmente, somos o templo do Deus vivo. O corpo do Cristão é o templo de Cristo. Portanto que direito tem ele de se colocar sob o jugo de uma relação íntima com aquilo que é ímpio? 2 Cor. 6:17,18 diz: “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, E vós sereis para Mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”.

 

Esta declaração em 2 Coríntios trata do aspecto espiritual de se estar num jugo desigual. Esta passagem sobressai pela declaração definida que Deus faz sobre a proibição de casamentos mistos.

 

Alguns podem dizer que o amor resolverá todos os problemas e dificuldades. Mas resolverá? Há mais do que uma espécie de amor. O amor de Deus é diferente do amor humano. O amor do mundo – amor humano – é um amor egoísta, emocional, e cria problemas em vez de os resolver. O amor humano baseia-se em meras afeições humanas, e a afeição, em si, não é suficientemente forte para vencer todos os obstáculos que por vezes se erguem num casamento. Por outro lado, o amor Cristão é dado por Deus, pois origina-se n’Ele. Isso vê-se em Romanos 5:5: “O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. É o amor que se origina com Deus que os maridos devem utilizar quando lhes é ordenado: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela” (Efé. 5:25).

 

 

Resultado da desobediência

 

O importante é que Deus diz que não nos devemos prender a um jugo desigual com descrentes. Se não seguirmos o Seu conselho, sofreremos as consequências. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gá. 6:7). O profeta Amós perguntou, “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). A resposta implícita é não.

 

Muitas vezes os Cristãos rebaixam os seus padrões tanto que há pouca ou nenhuma diferença entre o seu estilo de vida e o dos descrentes. Isto não devia ser assim, mas o rebaixar dos padrões e as cedências podem ser parte da razão de haverem tantos casamentos mistos hoje.

 

Embora um crente e um descrente possam concordar em muitas coisas, não concordam nas coisas mais importantes. Um viu a sua necessidade de salvação e apercebeu-se de que a sua única esperança é confiar em Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor. O descrente não confiou em Cristo para a sua salvação. Para o crente, Cristo é a sua vida e o seu Senhor. Para o descrente, Cristo é somente uma pessoa que viveu num ponto da história. Nenhuma comunhão íntima, piedosa, é possível a menos que ambas as partes concordem pelo menos na questão da fé pessoal em Cristo. Isto envolve também, automaticamente, acordo sobre outros pontos espirituais importantes. Uma vida de união íntima entre um crente e um descrente torna impossível a consagração absoluta da parte do crente.

 

Um crente deve-se preocupar em dar ouvidos a Romanos 12:1,2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.

 

A instrução destes versículos está longe da mente do descrente; assim, o crente e o descrente estão em oposição na sua forma de pensar sobre estes assuntos.

 

Se esta é a tua situação, não podes realmente dar a  tua vida ao Senhor porque estás a viver com uma pessoa que é descrente. O descrente não cuida das coisas espirituais, e ele, ou ela, pode impedir-te de fazeres o que Deus quer que faças. Portanto, é-te impossível seres completamente consagrado a Deus.

 

Não podes concordar sobre questões vitais da vida quotidiana. A Bíblia estabelece padrões para se viver piedosamente. O teu cônjuge descrente aceita-os? E o que sucederá ao comportamento e educação dos filhos e a uma miríade de outras questões importantes? O crente olha para a vida do ponto de vista espiritual, enquanto que o descrente olha para ela com os olhos da carne. Mesmo que a princípio as diferenças não se consigam notar, um casamento misto está direccionado para conflitos sérios por causa da diferença de pontos de vista entre o crente e o descrente. O Cristão pode dizer, “Como Cristão não posso fazer isto”. Mas o descrente pode dizer, “Não vejo nada de errado nisso”. E assim começa o conflito.

 

Ademais, o Cristão que se casa com um descrente enfrentará constantemente um conflito porque o Espírito Santo atormentará a sua consciência. Contudo, a fé de alguns tem titubeado e as suas consciências têm-se tornado endurecidas por tantas vezes haverem desobedecido a Deus (ver 1 Tim. 1:18,19; 4:1,2). Se fores um filho de Deus preso a um jugo desigual com um descrente, haverá conflito na tua alma. “A carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro” (Gál. 5:17).

 

Deus pede-te para Lhe dares o teu corpo sem reservas a fim de fazeres o que O honra (ver Rom. 12:1,2). Como é que podes fazer isto se te casares com um descrente, que é contra a vontade de Deus, dando-lhe a ele ou ela o teu corpo? O descrente exigirá de ti certas coisas enquanto que Deus far-te-á outras exigências. O descrente quererá que passes tempo a fazeres coisas que de nenhuma forma contribuirão para a glória de Deus; no entanto Deus quer que consideres como as coisas que tu fazes contribuem para a Sua honra. Estarás constantemente a ser solicitado para rebaixares os teus padrões a fim de te acomodares aos padrões do descrente. Haverá conflito com o descrente se tu não baixares os teus padrões, mas se os baixares, entrarás em conflito com a tua consciência iluminada, e aperceber-te-ás que estarás a desonrar o Senhor. Tu quererás reunir-te com a igreja para estares com outros crentes que têm a mesma visão e valores que tu tens, mas o teu parceiro(a) pode pensar que ir à igreja é absurdo. Tu quererás fazer a obra de Deus, mas não poderás porque o descrente poderá exigir que fiques em casa.

 

“Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). Poderão, como marido e mulher, viver juntos de forma feliz? A nível espiritual é impossível. Só será possível a nível terreno. (Até mesmo diferenças denominacionais entre maridos e mulheres crentes têm muitas vezes causado sérios problemas). Porque o crente e o descrente têm pontos de vista tão diferentes, descobrirão que discordarão não apenas em questões espirituais mas também em questões não espirituais.

 

 

Regulando Um Casamento Misto

 

Se um crente seguir as instruções de 2 Coríntios 6:14, ele nunca se prenderá a um jugo desigual com um descrente no casamento. Mas o que dizer dos casamentos onde os parceiros eram descrentes na ocasião do casamento, mas mais tarde um confiou em Cristo como seu Salvador? O que é que o crente deve fazer nesse caso? Ou talvez na altura do casamento o crente estava tão insensível para as verdades espirituais que ele, ou ela, casou-se com um(a) descrente quando andava longe da comunhão com Deus. Mais tarde, tendo voltado á comunhão com Deus e querendo honrá-Lo em todos os aspectos da sua vida, o crente enfrenta uma questão séria sobre o que deve ser feito da relação conjugal.

 

O Capítulo sete de 1 Coríntios estabelece alguns princípios que têm a ver com o regulamento de um casamento misto que já foi consumado. A separação, depois do casamento se consumar, é totalmente desencorajada. Contudo, se o cônjuge descrente se quiser separar, então não deve haver recasamento para o Cristão.

 

Se um crente estiver casado com um descrente, independentemente da razão, Deus não quer que o casamento se dissolva. Aos olhos de Deus o casamento é permanente. Paulo escreveu aos Coríntios, dando-lhes directrizes a respeito dos casamentos mistos:

 

“Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe” (1 Cor. 7:12,13).

 

O crente não deve deixar o descrente se o casamento já tiver sido realizado. É muito possível que na situação Coríntia com que Paulo estava a tratar, que os casamentos em questão tenham sido realizados quando marido e mulher eram ambos descrentes. Posteriormente, um foi salvo como resultado de ter ouvido o Evangelho. Mas independentemente da razão dos casamentos serem mistos, é da vontade de Deus que um casamento seja permanente.

 

No versículo 12 Paulo declarou, “Mas aos outros digo eu, não o Senhor”. Alguns assumem que Paulo não estava a fazer uma declaração inspirada, mas isso não é verdade. Ele quis dizer que não havia nenhum mandamento directo dado pelo Senhor Jesus Cristo sobre este assunto. Contudo, Paulo escreveu por autoridade apostólica sob inspiração do Espírito Santo. O que ele escreveu tinha a autoridade de Deus por detrás. O membro da família Cristã deveria fazer todo o possível para manter o casamento coeso.

 

Por outro lado, se a exigência para a separação viesse do membro da família que não era Cristão, Paulo deu as seguintes instruções: “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz” (v. 15).

 

Isto significa simplesmente que o marido ou esposa crente não deviam buscar a separação, mas que se a parte descrente se quisesse apartar, o crente não deveria fechar o caminho. Desta forma a luta entre eles seria evitada e a paz seria mantida. E também o crente não estaria sob a escravidão de ter de negar a sua fé a fim de evitar um lar desfeito.

 

Contudo, alguns têm compreendido mal a frase neste versículo que declara que o crente “não está sujeito à servidão” (v. 15). Alguns interpretam isto como liberdade para o crente se casar com outra pessoa. Em 1 Coríntios 7:15 Paulo não estava a pôr de parte o princípio do casamento que já tinha sido estabelecido pelas suas declarações. Ele estava antes a indicar que um crente não deveria negar a fé para impedir que o casamento se desfizesse.

 

Tanto Cristo como Paulo ensinaram a inalterabilidade do casamento, incluindo casamentos mistos de crentes com descrentes. Embora o descrente pudesse começar a iniciar o divórcio, o crente nunca o deveria fazer. E se o divórcio fosse conseguido pelo descrente, nenhum recasamento era permitido ao crente. O versículo 11 declara: “Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”. Por conseguinte, neste versículo não há nenhum apoio para o divórcio entre Cristãos.

 

Ao parceiro Cristão no casamento, o apóstolo escreveu: “ ... que a mulher [crente] não se aparte do marido. Se, porém, se apartar [se a união for dissolvida pelo descrente], que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido [crente] não deixe a mulher” (vs. 10,11).

 

Se és Cristão(ã), Deus proíbe que tu deixes o descrente ou te cases de novo, mesmo que o descrente te deixe. Se o descrente quiser deixar-te, não podes fazer nada. Terás de o(a) deixar. Mas não ficas livre para casar de novo (v. 11). Isto é o que a Palavra de Deus diz.

 

Paulo também deu instruções sobre o que fazer se o descrente não desejar separar-se. As Escrituras dizem, “[se] ele consente em habitar com ela, não o deixe” (v. 13). Ele também disse que o marido descrente é santificado pela mulher e que a mulher descrente é santificada pelo marido (v. 14). Isto não significa que o descrente é salvo pela mera associação ao crente à parte da fé salvadora. “Santificado” significa “separado” para as bênçãos de Deus – dedicado ou consagrado por estar unido a um crente. A mesma coisa também é verídica para os filhos que nascem como resultado de tal união. Contudo, o descrente pode ser eventualmente salvo.

 

“Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?” (v. 16)

 

O crente deve preocupar-se com a salvação do parceiro descrente. Se o crente tomar a decisão de terminar com a relação conjugal, isso eliminaria oportunidades adicionais de testemunho ao parceiro descrente.

 

Alguns podem interrogar-se como se testemunha com eficácia a um parceiro descrente. Algumas esposas parecem ter a impressão de que devem pregar aos seus parceiros descrentes em todas as oportunidades que surjam. Mas não é isso que as Escrituras indicam. A passagem central que dá instruções às mulheres Cristãs sobre como testemunhar a maridos descrentes é 1 Pedro 3:1-4: “Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus”.

 

Ma o facto de que um casamento misto pode resultar na salvação do descrente não deve dar a uma pessoa licença para intencionalmente desobedecer ao mandamento de Deus e efectuar um tal casamento. Por outras palavras, se estás salvo(a), mas a pessoa com quem estás comprometido(a) está perdida, não tens o direito de casar com essa pessoa, esperando que ele ou ela mais tarde creia.  Nada nesta passagem implica licença para contrair casamento com descrentes. Os que estão aqui a ser contemplados são apenas o que já estão casados. O jugo desigual é expressamente proibido segundo 2 Coríntios 6:14 e 1 Coríntios 7:39.

 

Tiago 4:17 diz, “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”. As instruções a respeito da separação do parceiro descrente foram dadas só para os que já entraram (possivelmente ignorando) numa relação desigual.

 

1 Coríntios 7:17 expressa a vontade de Deus para os que estão envolvidos num casamento misto: “E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”. Este versículo está na secção que trata dos casamentos mistos; o tema deste capítulo não muda até ao versículo 25. O crente deve permanecer no estado conjugal em que estava quando se tornou Cristão.

 

Deus ordenou que os casamentos devem ser permanentes. Se um crente se casou com um descrente, talvez em ignorância, ele ou ela não se devem separar. Se o descrente se aparta, o crente não pode impedi-lo, mas ele ou ela não devem voltar a casar. Se o descrente continuar no lar, ele ou ela é santificado, ou separado, e pode vir a ser salvo.

 

 

 

 


CASAMENTO E DIVÓRCIO

 

Consideremos a primeira passagem das Escrituras sobre o casamento em Génesis 2: 23-24:

 

“E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

 

 

Originalmente Não Havia Divórcio

 

O princípio original de Deus a respeito do casamento está estabelecido nestes versículos. Notemos que o divórcio não tem qualquer lugar no programa de Deus. Quando instituiu o casamento, Ele não contemplou o divórcio no caso do casamento não dar certo.

 

Deus é imutável – não muda. Uma vez estabelecidos os Seus princípios, não os muda. Olhemos cuidadosamente para alguns versículos bíblicos que estabelecem este facto:

 

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?” (Números 23:19).

 

“Porque eu, o SENHOR, não mudo” (Malaquias 3:6).

 

“Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do Seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento” (Hebreus 6:17).

 

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (13:8).

 

“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:17).

 

O Salmo 33:11 diz a respeito da Sua Palavra: “O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do Seu coração de geração em geração”. O Salmo 119:89 diz: “Para sempre, ó SENHOR, a Tua Palavra permanece no céu”. Isto significa que a Sua Palavra é imutável. Se Ele mudasse uma coisa, poderia mudar outra. Poderia mudar o Seu plano de salvação ou os Seus planos a respeito das coisas vindouras. Mas a Palavra de Deus não muda. Ele deu-a e estabeleceu-a.

 

O próprio Cristo, muitos anos após o primeiro casamento, reafirmou o princípio do casamento encontrado em Génesis 2:23-24 em Mateus 19:4-6:

 

“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”.

 

Deus sempre tencionou que o casamento fosse para toda a vida – ou seja, para o tempo em que ambas as pessoas estivessem vivas. As partes contratantes de um casamento devem permanecer casadas uma com a outra. Não devem procurar terminar o relacionamento sagrado.

 

O divórcio não é mencionado nas Escrituras senão muitos anos após o casamento ter sido instituído por Deus. De facto, não foi mencionado antes da Lei ter sido dada. Nos 10 Mandamentos, que Deus deu a Moisés, não há qualquer menção do divórcio. Dois desses mandamentos, o sétimo e o décimo, proíbem-no indirectamente. Êxodo 20:14 diz, “Não adulterarás”. O décimo mandamento está no versículo 17: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.

 

Não haviam quaisquer leis suplementares às dadas por inspiração e por ordem de Deus. Contudo, entre as leis dadas por permissão por meio de Moisés, leis dadas por inspiração, mas que não reflectiam a vontade directa de Deus, estava a lei do divórcio. Examinemo-la na sua categoria própria, não como lei directa, mas como lei permissiva.

 

Jesus referiu-se a ela em Mateus 19:7-8, e Ele disse porque é que ela foi dada. Os Fariseus compreendiam que não havia razão para o divórcio quando Deus instituiu originalmente o casamento, pois eles perguntaram, “Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?” (v. 7). Eles quiseram dizer com isso, “Porque é que Moisés fez isso se no princípio não havia divórcio?”. Jesus respondeu à questão dizendo, “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.” (v. 8).

 

O divórcio não estava na vontade directa de Deus, mas por causa da dureza dos corações dos Israelitas foi permitido, ou tolerado. Mas o facto de o divórcio ter sido permitido não o justificava.

 

 

Hoje Deus Permite o Divórcio?

 

Deus permitiu o divórcio durante o tempo da Lei. Mas foi permitido àqueles em Israel que eram incircuncisos de coração. Eles estavam circuncidados na carne mas não no coração; eles estavam errados. Aquilo que foi permitido aos incircuncisos de coração em Israel não deveria servir de regra àqueles a quem o amor de Deus tem operado através do Espírito Santo (Romanos 5:5).

 

No que diz respeito aos princípios de Deus, não há nenhuma provisão para o divórcio. Todavia Ele permitiu o divórcio aos de coração duro, incircuncisos de coração em Israel. Porém o cristão espiritual que crê nos fundamentos da Bíblia não deve apropriar para si o que Deus permitiu por causa da dureza de coração de Israel e fazer disso uma regra para a Igreja, que é governada pela lei de Cristo e não pela permissividade da lei de Moisés.

 

Cristo subscreveu o princípio original de Deus, ou restabeleceu a lei permissiva de Moisés? Os fariseus perguntaram, “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mat. 19:3). A razão para Lhe terem feito esta pergunta foi porque “chegaram ao pé d’Ele os fariseus, tentando-O” (v. 3). Qual foi a resposta de Jesus?

 

“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mateus 19: 4-6)

 

Em resposta à questão dos Fariseus, Jesus reafirmou o princípio original de Deus, e então eles colocaram-Lhe uma segunda questão: “Então, porque mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?” (v. 7). Ele respondeu, dizendo: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim”. Deus permitiu isto por uma única razão – por causa da dureza dos que eram incircuncisos de coração. Notemos também que Moisés permitiu o divórcio mas não o ordenou. Em parte alguma lemos que Deus o tenha sancionado. Deus não poderia ser Deus e mudar os Seus padrões ou princípios que foram estabelecidos no princípio.

 

Em Deuteronómio 24:1 encontramos a declaração completa das condições sob as quais Moisés permitia que um homem se divorciasse da sua mulher: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa”. A única razão que permitia a carta de repúdio ou divórcio era a dureza dos corações dos Israelitas. Não havia nenhuma outra razão.

 

Se o marido descobrisse que a sua mulher tinha sido imoral antes do seu casamento, ou seja, se ela tivesse cometido o pecado de fornicação, ele poderia “devolvê-la” ao pai dela com um documento de divórcio. Mas neste caso o resultado seria a morte, se a acusação se comprovasse. Lemos em Deuteronómio 22: 13-14:

 

“Quando um homem tomar mulher e, depois de coabitar com ela, a desprezar, e lhe imputar coisas escandalosas, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher, e me cheguei a ela, porém não a achei virgem;”

 

Os versículos 15-19 dizem-nos como esta acusação deveria ser testada e a pena que deveria ser dada ao marido se a acusação fosse provada ser falsa. Depois o registo continua (v. 20 e 21):

 

“Porém se isto for verdadeiro, isto é, que a virgindade não se achou na moça, então levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão, até que morra; pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim tirarás o mal do meio de ti.”

 

Era este o mandamento a respeito da lei do divórcio no Velho Testamento. Algumas pessoas hoje querem aceitar parte dela, mas não a querem na totalidade. Será que isso está a acontecer para gratificarem os seus próprios desejos? Nestes dias de imoralidade cada vez maior, os cristãos deveriam ter mais cuidado em ler este capítulo para verem como Deus abomina os pecados sexuais.

 

Deuteronómio 22:22 diz que se um homem ou a sua mulher tivessem tido relações ilícitas com outra pessoa após o casamento, o culpado seria apedrejado até à morte – não divorciado. Através de Moisés, Deus permitiu o divórcio no caso de haver pecado de fornicação (prostituição) antes do casamento, mas a mulher morreria pelo seu pecado. Mas se o pecado de adultério fosse cometido depois do casamento, ambas as pessoas culpadas seriam condenadas à morte.

 

 

Adultério e Fornicação

 

As palavras “fornicação” (prostituição) e “adultério” não significam a mesma coisa, de outro modo não seriam ambas usadas na mesma declaração. Ambas as palavras aparecem em Mateus 5:32; 15:19; 19:9; Marcos 7:21; 1 Coríntios 6:9; Gálatas 5:19; e Hebreus 13:4. Estas palavras algumas vezes são traduzidas de forma diferente, mas as formas das palavras Gregas tanto para fornicação como para adultério aparecem nestes versículos.

 

Ambas as palavras referem-se a uma relação sexual, mas diferem no respeitante ao tempo em que o acto ocorre e ao grau de culpa aliado ao acto. Segundo o contexto de muitos textos bíblicos que tratam com os pecados sexuais, o “adultério” referia-se apenas ao acto imoral cometido depois do casamento. “A “fornicação” (prostituição) referia-se primariamente ao acto cometido antes do casamento e tinha um significado secundário de adultério.

 

A palavra Grega traduzida por “fornicação” é porneia, que é bastante ampla no significado cobrindo todos os comportamentos sexuais desviados ou depravados. Contudo, quando é usada em oposição à palavra “adultério”, um contraste especial está a ser enfatizado. A palavra “fornicação” refere-se particularmente ao pecado sexual antes do casamento, enquanto que a palavra “adultério” refere-se ao pecado sexual depois do casamento. Jesus usou exclusivamente a palavra “fornicação” quando falou da Lei de Moisés que permitia o divórcio. Sob a Lei Mosaica, o divórcio era uma possibilidade apenas quando a fornicação estava envolvida. A punição para o adultério era o apedrejamento até à morte (Levítico 20:10), por conseguinte o divórcio nem sequer era considerado em relação a este pecado.

 

Deuteronómio 22 e 24 refere-se ao pecado da fornicação (prostituição). Estes capítulos parecem estar a discutir o mesmo pecado, embora tratem do assunto um pouco diferentemente. Deuteronómio 22 revela que depois de um casal se ter casado, o marido poderia procurar a anulação do casamento se soubesse que a sua mulher tinha tido relações sexuais com outro homem antes do casamento. Teria de ser um julgamento formal, e se as acusações do marido se provassem não ser verdadeiras, ele seria multado e a mulher continuaria como sua mulher (v. 19). Se a acusação se viesse a provar como verdadeira, a mulher seria apedrejada até à morte (v. 21). O capítulo 24, por via do contraste trata do mesmo pecado mas não menciona um julgamento formal com os seus resultados. Em vez disso, o marido tomava a decisão privadamente, dando à mulher um certificado de divórcio, repudiando-a.

 

No Novo Testamento, Paulo estava a falar a pessoas não casadas quando disse, “Mas, por causa da prostituição (fornicação), cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Coríntios 7:2). Em João 8:41 os Fariseus disseram a Jesus, “Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus”. Eles troçavam do que é precioso para os crentes – o nascimento virginal de Jesus. Eles estavam a reclamar indirectamente que a Sua mãe se tinha prostituído (cometido fornicação) e que Jesus era seu filho bastardo. De acordo com o contexto, eles usaram a palavra “prostituição” (fornicação) para se referirem a um acto pecaminoso cometido antes do casamento.

 

Ambas as palavras são usadas em Gálatas 5:19: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, ...”. Daqui concluímos que Paulo estava a referir-se a dois tipos de pecado sexual.

 

Portanto, as Escrituras fazem uma distinção entre imoralidade antes do casamento e imoralidade depois do casamento. Nos nossos dias o uso popular da palavra “fornicação” cobre ambos os casos. Contudo, o uso bíblico na maioria dos contextos é diferente; foi o uso bíblico que Jesus seguiu na Sua discussão em Mateus 5:32 quando se referiu à prostituição e adultério. Os Judeus do tempo de Jesus compreendiam esta distinção, pois eles sabiam que a punição para o adultério era a morte por apedrejamento. Quando eles trouxeram uma mulher a Jesus que fora apanhada no acto do adultério, eles disseram, “E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (João 8:5). Eles estavam a tentar apanhar Jesus numa armadilha através das suas declarações, mas pelo menos este versículo indica que eles compreendiam claramente que a punição para o adultério era a morte pelo apedrejamento. Portanto, mesmo sob a Lei Mosaica, o adultério não era fundamento para o divórcio.

 

Os Israelitas só tinham permissão para se divorciarem quando a prostituição tinha tido cometida antes do casamento. Mas mesmo neste caso, a permissão fora concedida apenas por causa da dureza dos seus corações. Contudo, o pecado cometido depois do casamento (adultério), era punido com a morte. Algumas pessoas pensam erradamente que nos tempos do Velho Testamento a permissão para o divórcio e recasamento era concedido pelo adultério, mas isso não era assim. Deuteronómio 22:22 diz, “Quando um homem for achado deitado com mulher que tenha marido, então ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher, e a mulher; assim tirarás o mal de Israel”. Em caso de adultério, ou pecado sexual cometido depois do casamento, a punição era a morte.

 

Portanto é importante estabelecer que a palavra “adultério” nunca é usada para descrever o acto sexual antes do casamento. As declarações do Senhor Jesus Cristo em Mateus referem-se apenas à fornicação (prostituição), no caso em que uma pessoa sob a Lei Mosaica podia repudiar a sua mulher. Neste contexto, a palavra “fornicação” tinha de se referir a algo inteiramente diferente do pecado sexual depois do casamento, pois as Escrituras são claras que a punição para o adultério era a morte e o divórcio não era sequer considerado. Levítico 20:10 diz, “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera”. Assim, vemos que não havia absolutamente nenhuma acomodação para o divórcio no caso de adultério. As partes culpadas eram mortas por apedrejamento.

 

 Algumas pessoas hoje querem uma parte da Lei Mosaica, nomeadamente, a lei do divórcio, mas decerto que não querem toda a Lei. Todavia, se seguirmos o primeiro aspecto da lei permissiva do divórcio, então somos obrigados a seguir igualmente o seu segundo aspecto. Não poderemos escapar a isso. Gálatas 3:10 diz, “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. Tiago 2:10 diz, “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. Por conseguinte, se nos colocamos debaixo da Lei, somos obrigados a guardá-la toda. Se uma pessoa quiser obter o divórcio na base da lei permissiva, então ele ou ela são obrigados a guardarem toda a lei. Se quisermos compreender a severidade desta lei, podemos ler Esdras 9 e 10.

 


Divórcio e Recasamento

 

O Senhor Jesus tornou claro em Mateus 19:7-8 que Moisés permitiu o divórcio apenas por causa da dureza dos corações das pessoas. O divórcio foi permitido, ou tolerado, ou consentido, mas nunca foi sancionado como parte do plano de Deus para o casamento. O divórcio não foi um estatuto sancionado por Deus acrescentado ao princípio original do casamento. Tratou-se de uma regulação permissiva designada para ajudar a travar uma prática viciosa, comum nas nações pagãs e que podia ter destruído a vida familiar em Israel.

 

Deveríamos nós, a quem o amor de Deus tem sido derramado pelo Espírito Santo (Rom. 5:5) regular as nossas vidas de casados sobre uma tal base? Se nos tentarmos esconder por detrás desta permissão Mosaica, estamos a apelar para uma situação incompatível com o nosso relacionamento com Deus. Mas alguns estão a tentar ver quanto conseguem esticar a longanimidade de Deus sobre este assunto.

 

Quando os Fariseus tentaram apanhar o Salvador numa armadilha no que concerne à questão do divórcio, Ele lembrou-lhes o princípio original do casamento. Ele referiu-lhes o segundo capítulo de Génesis, lembrando-lhes que marido e mulher são uma só carne e que ninguém deve separar o que Deus uniu. Na realidade, o Senhor Jesus lembrou aos Fariseus os princípios que Ele Próprio tinha estabelecido quando a raça humana começou. Colossenses 1: 15-19 diz acerca d’Ele:

 

“O qual é Imagem do Deus invisível, o Primogénito de toda a criação; porque n’Ele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele. E Ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o Princípio e o Primogénito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude n’Ele habitasse,”

 

O nosso Senhor não podia ser Deus se tivesse sancionado os padrões degradantes a respeito do casamento que pessoas decaídas abraçaram em lugar dos padrões de Deus.

 

Na discussão sobre o que Moisés tinha escrito a respeito do divórcio, o Senhor Jesus usou a palavra “fornicação” em vez da palavra “adultério”. Como temos visto, a palavra “fornicação”, como usada na maioria dos contextos das Escrituras, era o pecado da imoralidade cometido antes do casamento e era fundamento suficiente para o marido devolver a mulher ao pai dela. Contudo, a lei estipulava que se a acusação contra a mulher fosse provada ser verdadeira, então ela seria condenada à morte. Um homem e mulher que fossem culpados de adultério – ou seja de relações ilícitas depois do casamento – também deveriam ser condenados à morte. Hoje o uso popular da palavra “fornicação” abrange ambos os significados.

 

Cabe a cada um fazer a sua escolha. Podemos ajustarmo-nos ao propósito original de Deus como é estabelecido no Livro de Génesis, ou podemo-nos tornar duros de coração, como os Judeus aparentemente se tornaram. Mas se nos tornarmos endurecidos, sofreremos as consequências que os Israelitas tiveram que sofrer.

 

As leis do divórcio de Israel tinham degenerado muito entre o tempo de Moisés e o tempo de Cristo. As autoridades legais começaram a permitir o divórcio por quase qualquer desculpa, e a punição do pecado de adultério fora praticamente abolida. A maioria das pessoas em Israel prestava pouca atenção às regulações de Moisés. Como resultado, Israel tornou-se tão “moderna” como nós hoje.

 

Foi neste quadro que os Fariseus questionaram Jesus. Quão longe eles tinham ido, é revelado por uma das suas questões: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mat. 19:3). A implicação é que o casamento não era considerado vinculativo e que o divórcio podia ser alcançado por uma enorme variedade de razões. A resposta do nosso Senhor levou estes homens de volta aos princípios originais de Deus.

 

Mateus 19 não é a única passagem nos Evangelhos que regista como é que o nosso Salvador tratou da questão do divórcio. Marcos 10:2 diz que os Fariseus perguntaram a Jesus, “É lícito ao homem repudiar sua mulher?” Isto colocava a ênfase na questão do próprio divórcio. O nosso Senhor respondeu-lhes perguntando o que é que Moisés tinha instruído sobre a matéria (v. 3). Quando eles responderam que Moisés tinha permitido, ou consentido, uma carta de divórcio sobre certas condições, o nosso Salvador disse que foi por causa da dureza dos seus corações que Moisés fez essa concessão (v. 4-5). Depois o Senhor salientou (v. 6-9),

 

“Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

 

De acordo com o versículo 10, a conversação com os Fariseus tinha ocorrido no exterior. Depois, Cristo e os Seus discípulos entraram em casa, e os discípulos interrogaram-No de novo sobre o divórcio. Ele disse-lhes (vers 11-12):

 

“E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.”

 

Isto foi tudo o que Jesus disse. Ele não concedeu nem aos Fariseus nem aos Seus discípulos permissão para o divórcio. Ele reiterou o princípio fundamental que foi dado no princípio sem qualquer correcção ou adenda.

 

Este não se tratava de um novo método que Jesus usava. Em várias ocasiões, de acordo com o registo dos Evangelhos, o Senhor usou frases como “Ouvistes que foi dito”. Ele reafirmou os princípios estabelecidos no princípio. Ele fez isto especialmente pelos Seus discípulos pois eles colocariam o fundamento da Igreja. Ele instruiu-os correctamente em várias questões essenciais.

 

 

Métodos de Interpretação

 

Neste ponto desejamos fazer duas declarações importantes a respeito da interpretação da Bíblia.

 

Primeiro, um verdadeiro e fiel estudioso da Bíblia investigará as Escrituras para descobrir o princípio fundamental de uma dada doutrina. Depois, se há dificuldades, ou aparentes contradições, procurará compreendê-las à luz do princípio fundamental.

 

Este método não tem sido seguido por muitos estudiosos da Bíblia quando se trata da questão do divórcio. Isso é desonesto e revela pouco conhecimento; por conseguinte, isso é imoral e nunca deveria ser aceite pelos estudiosos da Bíblia honestos.

 

Em segundo lugar, os estudiosos que crêem nas verdades fundamentais da Bíblia reconhecem que nesta Dispensação da Graça, não estamos debaixo da Lei. A Lei só foi válida desde Moisés até à morte e ressurreição de Cristo (ver Gálatas 3:16-25). “Pela lei” estamos “mortos para a lei” (2:19). No entanto muitos destes estudiosos da Bíblia que reconhecem que não estamos mais debaixo da Lei mas sob a Graça, voltam-se para os regulamentos permissivos da lei Mosaica no que diz respeito ao divórcio. Aceitam esses regulamentos como princípios fundamentais do casamento e do divórcio. A respeito desta matéria, eles ignoram completamente o facto de que nós não estamos debaixo da Lei mas sob os princípios da Graça. E nisso erram redondamente, pois não está certo.

 

Gálatas 3:12,13, diz:

“Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;”

 

Nós não somos libertados da Lei para sermos ingovernáveis, mas para darmos à lei de Cristo oportunidade de operar em nós. Isso é claro em 1 Coríntios 9:21: “Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei”.

 

Os princípios básicos do casamento e do divórcio para o período da graça foram claramente dados no início e foram reafirmados em passagens como Mateus 19:3-12, Marcos 10:2-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2,3 e 1 Coríntios 7:10-17,39.

 

Quando o Senhor Jesus reafirmou o que Moisés disse sobre o divórcio, Ele não deu o Seu consentimento ao mesmo mas simplesmente respondeu às questões dos Fariseus. Deus não mudou; não pode mudar e ainda é Deus. Ele é imutável.

 

Assim queremos enfatizar que uma vez que Ele é imutável, Ele não muda no que diz respeito ao Seu princípio sobre o casamento e o divórcio. O divórcio é tão pecado hoje como foi quando surgiu pela primeira vez. O que foi permitido nas vidas dos incircuncisos de coração em Israel nunca deveria tornar-se regra para o filho de Deus que vive sob a lei de Cristo, que é a lei do amor. A lei de Cristo é Cristo em nós, vivendo a Sua vida em nós e por nosso intermédio.

 

 

Ensino Adicional do Novo Testamento

 

Ao longo de todas as epístolas é-nos dito que não há nenhuma provisão para o divórcio. Na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 7, versículos 2 e 3, por exemplo, ele escreveu:

 

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido.”

 

Como é que podemos ignorar esta revelação clara?

 

Sob a inspiração do Espírito de Deus, Paulo declarou este princípio em 1 Coríntios 7. O versículo 39 diz, “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. Este ensino é encontrado ao longo do resto do Novo Testamento.

 

O único lugar no Novo Testamento onde a lei do divórcio permissivo foi mencionada foi quando Jesus reafirmou a lei de Moisés ao falar aos Fariseus endurecidos. Mas mesmo ali Jesus explicou vivamente que no princípio isso não foi assim e que o que Deus uniu, o homem não deve separar.

 

 

Divórcio

 

Como devemos interpretar o capítulo 7 de 1 Coríntios? Deus, ali, não permite o divórcio? Não vemos nada sobre divórcio para o cristão neste capítulo. A separação iniciada pelo descrente é mencionada nos versículos 10-16. Mas é muito claro que o crente não deve deixar o descrente. Se o descrente desejar apartar-se, o crente deve deixá-lo(a) ir. Nesses casos o crente não está sob a escravidão, ou obrigação, de negar a sua fé para evitar um casamento fracturado. Por outras palavras, se estiveres casado(a) com um(a) descrente que te queira deixar, não tens de negar a tua fé para o(a) impedires que vá.

 

Nos versículos 10 e 11 Paulo aconselhou a mulher a não deixar o seu marido. Mas se o casamento se dissolver, ela não deve casar de novo. Em vez disso, a reconciliação deve ocorrer o mais depressa possível.

 

Estas são as palavras de Deus, e elas esclarecem as questões que estão diante de nós. Não há nenhuma permissão, qualquer que seja, para o divórcio ou o recasamento no plano e provisão de Deus para o Cristão. Só durante o período em que o coração do povo de Israel esteve endurecido e em que eles estiveram a ser testados, Deus permitiu este ultraje aos Seus santos princípios do casamento.

 


As Quatro Declarações de Jesus Sobre o Divórcio e o Recasamento

 

Ao tentar-se compreender o que a Bíblia ensina sobre o divórcio e o recasamento, é necessário dar especial atenção às declarações feitas no Novo Testamento, especialmente pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Jesus fez quatro declarações sobre o divórcio e o recasamento. Duas estão registadas no Evangelho de Mateus, uma no Evangelho de Marcos e uma no Evangelho de Lucas.

 

 

Primeira Declaração: Mateus 5:31,32

 

O primeiro pronunciamento de Jesus registado por Mateus é o do Seu Sermão do Monte. Ao clarificar o significado da Lei Mosaica, Jesus disse (cap 5, vers 31-32):

 

“Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.”

 

Mateus estava a escrever o seu evangelho primariamente com os Judeus em mente, e registou estas declarações de Jesus para dar uma interpretação correcta da Lei Mosaica sobre o divórcio.

 

Uma vez que Mateus, no seu Evangelho, se dirigiu primariamente aos Judeus, era necessário que ele clarificasse o verdadeiro significado da Lei Mosaica sobre várias questões, especialmente sobre o divórcio e o recasamento. Nos dias de Jesus, muitos dos Judeus – especialmente os Fariseus – tinham quase anulado o efeito da Lei. Tinham a Palavra de Deus toda embrulhada nas suas próprias interpretações e tradições mortas, precisamente como muitas pessoas hoje. Mas Jesus rompeu a capa das interpretações erradas e falsas tradições que envolviam muitas daquelas questões, e por causa disto Ele recebeu uma violenta reacção dos Judeus. Eles odiaram-No tanto que tentaram tudo o que puderam para O matar. Por fim, crucificaram-No por causa dos Seus ensinos e por reclamar ser Deus. Contudo, deveria ser lembrado que eles só O conseguiram crucificar porque Jesus quis dar a Sua vida por toda a humanidade. Sobre a Sua vida, Jesus disse:

 

“Ninguém ma tira de Mim, mas eu de Mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de Meu Pai” (João 10:18).

 

Portanto as palavras de Cristo sobre o divórcio e o recasamento visaram pôr a nu o falso ensino que os Judeus tinham tecido em torno da Lei do Velho Testamento. É especialmente significativo notar as palavras “fornicação” (prostituição) e “adultério”, registadas em Mateus 5:32. Quando usada isoladamente, a palavra Grega traduzida por “fornicação” em Mateus 5:32 pode referir-se a toda a espécie de relações sexuais anormais. Contudo, quando a palavra é usada em contraste com a palavra Grega “adultério”, uma distinção especial está a ser feita. Este é um ponto muito importante em toda a discussão para se saber se há ou não bases para o divórcio e o recasamento. Hoje, quando as pessoas se referem a uma razão para se divorciarem e voltarem a casar, pensam usualmente em adultério. Mas Jesus disse que durante o tempo de Moisés a base para o divórcio e o recasamento era a fornicação, não o adultério.

 

 

A Fornicação e o Adultério Contrastados

 

Como foi salientado anteriormente, as palavras “fornicação” e “adultério” não são idênticas no significado. Ambas referem-se a pecado sexual, mas no uso das Escrituras, “fornicação” refere-se ao acto sexual antes do casamento e o “adultério” a relações sexuais ilícitas depois do casamento.

 

Sob a Lei Mosaica, o divórcio só era permitido quando o pecado da fornicação estava envolvido. Mesmo então, esta permissão para o divórcio só era concedida por causa da dureza dos corações dos Israelitas.

 

Sob a Lei Mosaica, o adultério, ou o pecado sexual cometido depois do casamento, resultava nas mortes das pessoas culpadas. Por conseguinte, o divórcio tendo por base o adultério nunca foi sequer considerado.

 

Muitos hoje querem seguir a regra permissiva da Lei Mosaica sobre o divórcio. Mas muitas vezes confundem adultério com fornicação e não compreendem bem o que a Lei dizia sobre cada um destes pecados. Os que dizem que apoiam o divórcio por causa do adultério evitam o facto de que a morte, não o divórcio, era a punição para o adultério.

 

Na interpretação da Bíblia, muitos dos nossos dias torcem as Escrituras para justificarem as suas próprias acções. Mas se a pes