CASAMENTO, DIVÓRCIO E RECASAMENTO
Por Theodore H. Epp
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Bible)
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O que diz Deus ...
Sobre o casamento?
Porque é que é errado casar com um descrente?
Porque é que a permanência no
casamento é tão importante?
Sobre o divórcio?
Hoje Deus permite o divórcio?
Porque é que Moisés permitiu o
divórcio?
Sobre o recasamento?
Estará correcto voltares a casar, se és a parte inocente?
Qual a situação para quem foi salvo depois de estar
divorciado e recasar?
Porque hoje estas três questões são tão essenciais, devemos
procurar as respostas na Bíblia e não na mera opinião humana. Que Deus ajude os
que, honestamente, procuram a vontade de Deus nestas questões a fim de saberem
com exactidão o que é que está certo e errado aos Seus olhos.
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A
família é a célula completa mais pequena da sociedade. Quando a família é
afectada, é afectada a igreja, o estado, a nação e até o mundo. Porque a célula
da família é tão estrategicamente importante, é imperativo que saibamos o que a
Palavra de Deus diz sobre ela.
A célula da família, ou o lar,
foi a primeira instituição que Deus providenciou para benefício do homem. Tendo
sido instituída directamente por Deus, há uma santidade e pureza especiais
nela. Se reconhecermos isto, compreenderemos mais facilmente o que a Bíblia, a
Palavra de Deus, tem a dizer sobre a família.
O
casamento foi instituído por Deus antes da entrada do pecado no mundo. Neste
estudo sobre o casamento, o divórcio e o recasamento, desejamos discutir
primeiro a santidade do casamento instituído por Deus.
“E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o
homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idónea para ele. E Adão pôs os nomes
a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem
não se achava ajudadora idónea. Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado
sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne
em seu lugar; E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher,
e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da
minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto
deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão
ambos uma carne” (Génesis 2:18-24).
O
casamento é instituição de Deus, e é importante que compreendamos como Ele o
planeou e o propósito que teve ao instituí-lo. Desde modo, assimilaremos
facilmente os ensinos apresentados nas Escrituras sobre o assunto. Deus é
imutável; Ele não altera os Seus princípios a fim de deixar as pessoas
confortáveis. Parece haver apenas uma mudança que alguns têm usado como
escapatória para aprovarem o divórcio – mas apenas parece. Veremos isso mais
adiante.
A Primeira Instituição
Visto que o casamento é dado
por Deus e visto que foi instituído antes do pecado ter entrado no mundo,
baseia-se nos santíssimos preceitos de Deus. O divórcio, que é tão comum hoje,
destrói aquilo que Deus instituiu e pronunciou santo.
Quando
Deus criou Adão e Eva, Ele criou-os macho e fêmea à Sua própria imagem (Gén.
1:27). A relação entre homem e mulher nesta condição impecável perfeita era tão
sagrada e santa como a relação das três Pessoas da Trindade – Pai, Filho e
Espírito Santo. Os três são um. Assim também no casamento, Deus diz, que homem
e mulher são um (Gén. 2:24).
Para
que um casamento funcione adequadamente, os envolvidos nele devem ser tementes
a Deus. Os princípios da família devem assentar num relacionamento piedoso no
qual as pessoas envolvidas desejam que o amor de Deus flua por elas nas
relações familiares. Existem algumas famílias simpáticas cujos elementos são
pessoas aparentemente maravilhosas e não são cristãs. Estas pessoas podem ter
muita afeição, umas pelas outras, mas não conhecem o amor piedoso que se
encontra no mais elevado nível. É a espécie de amor que está sempre a dar; é o
próprio carácter de Deus. Quando a família é instituída por princípios tementes
a Deus, porque o marido e a mulher têm um relacionamento correcto com Jesus
Cristo, tem todo o potencial para usufruir de um relacionamento maravilhoso.
Todavia,
as pessoas têm por vezes alterado ou ignorado os princípios de Deus pela dureza
dos seus corações. E Deus, na Sua misericórdia, pode permitir isso por um certo
tempo. Porém os cristãos verdadeiros – aqueles que experimentaram o novo
nascimento e receberam o Espírito de graça – nunca devem ser culpados de
corações endurecidos e de rejeitarem os princípios de Deus para um lar piedoso.
O
facto de que o casamento deve permanecer sob os mesmos princípios sagrados de
operação estabelecidos quando foi instituído é também indicado pela comparação
que é feita em Efésios 5 do relacionamento do homem e a mulher com Cristo e a
Igreja. Podemos aprender ali que Cristo foi unido à Igreja através de uma união
eterna. Este facto deve ser reflectido na permanência do casamento.
Deus
declarou que o casamento é digno de respeito: “Venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém,
aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará” (Heb.
13:4). A Bíblia diz que “deixará o homem
o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher” (Gén. 2:24).
Deus
providenciou o lar para bem do homem. “Não
é bom que o homem esteja só”, disse Ele, por isso fez uma boa companheira
para o homem (vers. 18). Em 1 Coríntios 7:2 existe uma outra declaração que se
refere a esta mesma verdade: “Mas, por
causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o
seu próprio marido”. Deus instituiu o casamento para reprimir a tentação de
afectos impróprios e para suportar a ordem social de modo a que, através de
famílias bem estruturadas, a verdade e a santidade pudessem ser transmitidas de
geração em geração. A paz e o bem-estar de uma nação dependem da pureza das
suas famílias.
Por
meio do casamento, Deus pretendeu que famílias bem estruturadas transmitissem a
verdade e a santidade de uma geração para outra. Isso é evidente em Deuteronómio
6-7:
“E estas palavras, que hoje te ordeno,
estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado
em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.”
Quer
seja nas devoções familiares (“assentado
em tua casa”) ou testemunhando aos outros (“andando pelo caminho”) ou mesmo quando uma pessoa acorda (“levantando -te”), cada crente deve
estar preocupado em comunicar a Palavra de Deus aos membros da sua família de
modo a que estes a conheçam com entendimento.
O
decreto de Deus a respeito do casamento, a saber, que o homem deve deixar o seu
pai e mãe e unir-se à sua mulher, foi dado muito antes de outras leis divinas.
Como tal, o decreto sobre o casamento jaz na base de toda a legislação humana e
de governo civil. É por isso que pode ser dito que a paz e o bem-estar de uma
nação dependem da pureza da família.
A
união matrimonial de marido e mulher é simbólica de Cristo e a Igreja. Neste
caso, a palavra “Igreja” não se refere a um edifício mas às pessoas que têm
confiado em Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Efésios 5 revela que a
relação matrimonial de marido e mulher é um quadro do que o relacionamento de
Cristo é com a Igreja. Estudaremos esta porção chave da Palavra de Deus
cuidadosamente, mas lembremo-nos que a relação de marido e mulher deve ser tão
sagrada como o relacionamento de Cristo com a Igreja. Não existe padrão mais
elevado do que o relacionamento de Cristo com a Igreja. Contudo, é lamentável
que os padrões do mundo, hoje, tenham descido tão baixo porque há pouca
preocupação em fazer do casamento o que Deus tencionou que ele fosse.
Os
versículos 22-33 de Efésios 5 são frequentemente referidos a respeito da
relação matrimonial, e é muito importante observar o que o versículo 21 diz: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de
Deus”. Isto revela qual deve ser a atitude do cristão para com os crentes
em geral e para com a sua esposa em particular. Está em paralelo com o que é
dito em Filipenses 2:3: “Nada façais por
contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros
superiores a si mesmo”. Notemos que ambas as partes são aludidas – “cada um considere os outros”. Por
conseguinte, se alguém pretende relacionar-se correctamente com um parceiro
cristão ou com o seu cônjuge, este versículo mostra qual deve ser a atitude de
ambos.
Em
Efésios 5, quando Paulo desenvolveu as suas declarações sobre o casamento, ele
referiu-se primeiro à mulher e depois ao marido. Por vezes as mulheres
tornam-se defensivas sobre isto, e talvez por via de alguns maridos verem
apenas as responsabilidades da mulher. Todavia, Paulo tocou nas
responsabilidades de ambos, de modo a que um não se impusesse ao outro.
A
respeito dos maridos Paulo disse:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como
também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela, para a
santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para a
apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios
5:25-27).
Notemos
a medida em que todo o marido deve amar a sua mulher – “como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela” (v.
25). Marido, amas a tua mulher o suficiente de modo a poderes dar a tua vida
por ela? Esta é a medida de amor pela tua mulher que Paulo disse que deves ter.
Esta é a espécie de amor que só Deus pode dar; é o amor ágape, pois procura sempre o mais elevado bem do outro. Porque Deus
amou-nos com esta espécie de amor, Ele enviou o Seu Filho para morrer em nosso
lugar.
Paulo
continuou a dizer:
“Assim devem os maridos amar as suas
próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a
si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e
sustenta, como também o Senhor à igreja” (Efésios
5:28-29).
Paulo
estava a afirmar um princípio normal da vida. É normal que uma pessoa evite
fazer algo que, de alguma forma, se injurie ou fira a si mesmo, e Paulo disse
que esta deve ser a mesma atitude que o marido deve ter para com a sua mulher.
É
interessante que Paulo relacionou a atitude do marido para com a sua mulher com
a atitude que temos com o nosso próprio corpo, uma vez que, no princípio, a
mulher surgiu do corpo do homem. Génesis 2:21-23 declara:
“Então o SENHOR Deus fez cair um sono
pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a
carne em seu lugar; e da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma
mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: esta é agora osso dos meus ossos, e
carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.”
Não
foi da sua cabeça que a mulher foi tomada, para não o comandar, nem dos seus
pés, para por ele ser espezinhada, mas do seu lado, para como co-igual, poder
ser amada.
Efésios
5 indica que uma pessoa deve ser tão próxima do seu parceiro de casamento como
é dos membros do seu próprio corpo. Um homem deve amar a sua mulher como ama o
seu próprio corpo. Aquele que não ama a sua mulher está, realmente, a
prejudicar-se, a ferir-se. De facto, quando uma família é destruída através do
divórcio, é dolorosamente rasgada em pedaços, como quando se arranca um membro
do corpo.
A
Igreja, que é o Corpo de Cristo, está segura em Cristo para sempre. Tendo-se
referido ao cuidado do Senhor pela Igreja (v. 29), Paulo disse, “Porque somos membros do Seu corpo, da Sua
carne, e dos Seus ossos” (v. 30).
A
segurança que os crentes, o Corpo de Cristo, têm em Cristo é vista em João 10:28-29:
“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de
perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do
que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai.”
Um
membro do Corpo de Cristo nunca será divorciado de Cristo, e Paulo usou esse
facto em Efésios 5 para ilustrar a segurança que deve existir no relacionamento
marido-esposa.
Paulo
também declarou, “Por isso deixará o
homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne”
(Efé. 5:31). Paulo referiu-se aqui à mesma verdade declarada em Génesis 2:24.
Notemos que os dois se tornam “uma
carne”. Deus tornou-os uma carne e não fez qualquer provisão para o
divórcio. Certamente que os descrentes não se inibem nos seus pensamentos sobre
o divórcio uma vez que não consideram que a Bíblia seja fonte de autoridade,
mas com os crentes a coisa muda de figura. Isto também revela que a relação
matrimonial boa, própria, só se alcança e mantém pelos que têm um
relacionamento correcto com Cristo.
Deus
não fez nenhuma provisão, qualquer que fosse, para o divórcio porque o
casamento foi instituído antes da entrada do pecado. Não existe nenhuma causa,
ou razão, para o divórcio. Apenas o pecado é a causa subjacente à lascívia,
avareza, egoísmo e ódio, que, por sua vez, são causa de divórcio. Mas atendendo
a que o casamento foi instituído antes do pecado entrar no mundo, não havia
nenhuma razão de provisão para o divórcio. E Deus não muda os princípios
básicos que estabeleceu. Por conseguinte, o divórcio não é, nem pode ser, parte
do programa estabelecido de Deus.
“E Ele lhes disse: Qualquer que deixar a
sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu
marido, e casar com outro, adultera.”(Marcos
10:11-12)
Lucas
16:18 declara uma verdade semelhante: “Qualquer
que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a
repudiada pelo marido, adultera também”. Mais adiante estudaremos outras
passagens que revelam qual era o intento original do casamento.
Muito
depois da instituição do casamento, Moisés permitiu o divórcio sob uma
condição. Deus permitiu isso apenas por causa da dureza do coração do povo. Mas
esta permissão não mudou o princípio original de Deus, a saber, que um homem e
uma mulher se uniriam e que seriam uma carne enquanto ambos vivessem. A união
do casamento deve ser tão entretecida quanto as várias partes do corpo. Para o
homem e a mulher casados, o divórcio deveria ser como amputar um braço ou uma
perna do corpo.
Paulo
reafirmou o princípio da unidade ao referir-se à unidade de Cristo e da Igreja
(Efe. 5). Apesar de alguns na igreja terem abandonado a comunhão de Cristo
através de pecado não confessado, é no entanto verdade que não podem ficar
separados dele. Em João 10: 28-29 lemos:
“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de
perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do
que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai.”
Estas
palavras tranquilizantes foram proferidas pelo próprio Senhor.
Uma
outra declaração fundamental sobre o nosso relacionamento inquebrável com
Cristo, encontra-se em Romanos 8: 35-39:
“Quem nos separará do amor de Cristo? A
tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o
perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de Ti somos entregues à morte
todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas
coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. Porque estou
certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem
alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo
Jesus nosso Senhor.”
Convém
manter em mente que Deus usa este relacionamento de Cristo com a Igreja como
quadro do relacionamento permanente de marido e mulher.
A
verdade a respeito da vinda de Cristo para a Sua noiva, a Igreja, enfatiza
ainda mais isto. Por exemplo, lemos em 1 Tessalonicenses 4: 16-17 que o nosso
Senhor virá:
“ ...do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com
eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o
Senhor.”
Uma
vez a Noiva de Cristo unida ao seu Noivo não existe pensamento de separação. A
nossa união com Ele é eterna. Esta unidade de Cristo e da Sua Igreja é usada
para ilustrar a unidade matrimonial que não deve ser quebrada. Deus não fez
nenhuma provisão para o divórcio.
Na
sua fraqueza, as pessoas de pouca visão e rebeldes, enxergam o que parece ser
uma escapatória neste princípio da relação matrimonial inseparável de modo a
darem asas à sua concupiscência e acalmarem as suas consciências. O que eles
procuram é a permissão para o divórcio como foi dada na Lei de Moisés e
aparentemente sancionado por Cristo. Mas Moisés apenas permitiu o divórcio por
causa da dureza dos corações dos Israelitas, e visto que Jesus reafirmou o
facto de que Moisés o permitiu, alguns parecem pensar que Ele o corroborou. Mas
Ele não o aprovou. Ao procurarem escapar do casamento referindo a vontade
permissiva de Moisés e de Deus e a aparente aprovação de Cristo, as pessoas
estão a cometer um grande pecado.
Jesus,
que é Deus, alteraria o princípio estabelecido no começo da raça humana? Deus
não muda com o mudar dos tempos e padrões das pessoas. O padrão de Cristo para
o casamento ainda é aquele que foi colocado no princípio.
Quando
uma pessoa nascida de novo procura uma escapatória na Palavra de Deus para
silenciar a sua consciência de modo a poder continuar na sua vida lasciva, está
a admitir a dureza do seu coração e a sua carnalidade. Ao tentar encontrar
consentimento, ou permissão, na Bíblia para gratificar os desejos da sua carne,
ela está, inconscientemente, a tornar Deus participante do pecado (Ver 1 Cro.
6:13-20). Que Deus abra os nossos olhos para a verdade!
No
estudo da Bíblia deve sempre ser lembrado que um princípio nunca é estabelecido
numa passagem isolada que parece contradizer o claro ensino geral. O estudioso
exemplar das Escrituras dirige-se às passagens que apresentam ensino claro e
estabelece o que é verdadeiro. Depois, as passagens difíceis são interpretadas
à luz daquelas cujo ensino é claro. É indicação de estudo deficiente da Bíblia
construir uma doutrina sobre uma passagem das Escrituras que pode ser
interpretada mais do que uma maneira, ignorando-se passagens onde o ensino é
claro.
Quando
examinamos várias passagens descobrimos que a Lei de Moisés permitia o divórcio
apenas sob uma condição, mas nunca o justificou. Ainda era pecado; por
conseguinte, ainda era errado. Moisés “permitiu-o”
(ver Mat. 19:8), mas nunca o sancionou. O princípio original de Deus do
casamento nunca mudou. Por causa da dureza dos corações das pessoas o divórcio
foi permitido durante o tempo de Moisés, mas nunca foi parte do plano original
de Deus.
Hoje,
muitas pessoas que estão preocupadas com o ponto de vista bíblico do divórcio
tendem a procurar uma escapatória para poderem dar azo aos seus desejos. Alguns
que sabem o que a Bíblia ensina sobre este assunto estão determinados em seguir
o seu próprio caminho de qualquer forma. Outros procuram uma interpretação da
Bíblia que concorde com a sua forma de pensar: deste modo silenciam as suas
consciências, enquanto fazem o que desejam. Quando uma pessoa actua deste modo
evidencia claramente a dureza do seu coração exactamente como os Israelitas
fizeram sob a Lei Mosaica.
Os
que procuram consentimento para gratificarem as suas paixões da carne ao
interpretarem a Bíblia duma maneira que encontrem licença para pecar estão
inconscientemente a tornar Deus participante do seu pecado (ver 1 Cor.
6:15-17). Que blasfémia! Que Deus nos torne sensíveis às verdades espirituais
de modo a que quando compreendemos o que nos é ensinado, vivamos em consonância
com o ensino. Há diferenças de opinião sobre o que a Bíblia ensina a respeito
do casamento e do divórcio, mas nós, que conhecemos Cristo como nosso Salvador,
sejamos sérios na interpretação cuidada das Escrituras, honrando Jesus Cristo em
tudo o que fazemos.
2
Coríntios 6: 14 diz, “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis
(descrentes)”. Se nada mais fosse dito, este mandamento seria suficiente.
Numa relação, as acções de um controlam as acções do outro. Um crente não deve
colocar-se numa posição de ser controlado por um descrente em qualquer relação,
mas isto é especialmente verdade na relação matrimonial.
A
palavra “jugo” não significa muito para algumas pessoas porque o
casamento não lhes parece um jugo. Se lhes desagrada, divorciam-se. Segundo
estatísticas de 1977, aproximadamente um em cada dois casamentos nos Estados
Unidos termina em divórcio. Isto é especialmente verdade entre descrentes, mas
os Cristãos não estão imunes ao problema. Hoje é muito raro encontrar uma
igreja local que não tenha pelo menos uma pessoa divorciada, e a maioria tem
várias que foram divorciadas. Esta situação tem colocado problemas únicos para
os pastores resolverem. Alguns enfrentam a questão com honestidade, mas outros
parecem relutantes em tomar uma posição sobre o divórcio e o recasamento.
A
declaração de Deus sobre marido e mulher é: “Assim não são mais dois, mas
uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus
19:6). O casamento é um jugo. Este jugo não implica cativeiro ou prisão.
Refere-se a uma relação íntima semelhante à que os crentes têm com Cristo (ver
1 Cor. 1:9). Esta relação pode ser ilustrada por dois bois arando juntos um
campo de forma harmoniosa. Estes animais têm de ser uniformemente emparelhados
como salienta Deuteronómio 22:10: “Com boi e com jumento não lavrarás
juntamente”.
Nenhum
crente deve emparelhar de forma desigual com um descrente, “porque, que
sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz [uma pessoa
salva] com as trevas [uma pessoa perdida]? E que concórdia há entre Cristo e
Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel [descrente]? E que consenso tem o
templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como
Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles
serão o meu povo” (2 Coríntios 6:14-16).
Os
descrentes caracterizam-se por andarem nas trevas, enquanto que os crentes
caracterizam-se por andarem na luz. Isto lembra-nos 1 João 1:6,7: “Se
dissermos que temos comunhão com Ele [Deus], e andarmos em trevas, mentimos, e
não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica
de todo o pecado”.
Espiritualmente
um crente e um descrente não têm nada em comum. O crente tem Deus a viver
dentro dele, e é por isso que Paulo se referiu ao Cristão como sendo templo de
Deus (ver 2 Cor. 6:16).
Em 1
Coríntios 6:13-20 Paulo afirmou claramente que nós somos membros do Corpo de
Cristo; por conseguinte, colectiva e individualmente, somos o templo do Deus
vivo. O corpo do Cristão é o templo de Cristo. Portanto que direito tem ele de
se colocar sob o jugo de uma relação íntima com aquilo que é ímpio? 2 Cor.
6:17,18 diz: “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não
toqueis nada imundo, E Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, E vós sereis
para Mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”.
Esta
declaração em 2 Coríntios trata do aspecto espiritual de se estar num jugo
desigual. Esta passagem sobressai pela declaração definida que Deus faz sobre a
proibição de casamentos mistos.
Alguns
podem dizer que o amor resolverá todos os problemas e dificuldades. Mas
resolverá? Há mais do que uma espécie de amor. O amor de Deus é diferente do
amor humano. O amor do mundo – amor humano – é um amor egoísta, emocional, e
cria problemas em vez de os resolver. O amor humano baseia-se em meras afeições
humanas, e a afeição, em si, não é suficientemente forte para vencer todos os
obstáculos que por vezes se erguem num casamento. Por outro lado, o amor
Cristão é dado por Deus, pois origina-se n’Ele. Isso vê-se em Romanos 5:5: “O
amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi
dado”. É o amor que se origina com Deus que os maridos devem utilizar quando
lhes é ordenado: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo
amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela” (Efé. 5:25).
O
importante é que Deus diz que não nos devemos prender a um jugo desigual com
descrentes. Se não seguirmos o Seu conselho, sofreremos as consequências. “Tudo
o que o homem semear, isso também ceifará” (Gá. 6:7). O profeta Amós
perguntou, “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”
(Amós 3:3). A resposta implícita é não.
Muitas
vezes os Cristãos rebaixam os seus padrões tanto que há pouca ou nenhuma
diferença entre o seu estilo de vida e o dos descrentes. Isto não devia ser
assim, mas o rebaixar dos padrões e as cedências podem ser parte da razão de
haverem tantos casamentos mistos hoje.
Embora
um crente e um descrente possam concordar em muitas coisas, não concordam nas
coisas mais importantes. Um viu a sua necessidade de salvação e apercebeu-se de
que a sua única esperança é confiar em Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor.
O descrente não confiou em Cristo para a sua salvação. Para o crente, Cristo é
a sua vida e o seu Senhor. Para o descrente, Cristo é somente uma pessoa que
viveu num ponto da história. Nenhuma comunhão íntima, piedosa, é possível a
menos que ambas as partes concordem pelo menos na questão da fé pessoal em
Cristo. Isto envolve também, automaticamente, acordo sobre outros pontos
espirituais importantes. Uma vida de união íntima entre um crente e um
descrente torna impossível a consagração absoluta da parte do crente.
Um
crente deve-se preocupar em dar ouvidos a Romanos 12:1,2: “Rogo-vos, pois,
irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício
vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede
conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso
entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita
vontade de Deus”.
A
instrução destes versículos está longe da mente do descrente; assim, o crente e
o descrente estão em oposição na sua forma de pensar sobre estes assuntos.
Se esta é a tua situação, não
podes realmente dar a tua vida ao Senhor
porque estás a viver com uma pessoa que é descrente. O descrente não cuida das
coisas espirituais, e ele, ou ela, pode impedir-te de fazeres o que Deus quer
que faças. Portanto, é-te impossível seres completamente consagrado a Deus.
Não
podes concordar sobre questões vitais da vida quotidiana. A Bíblia estabelece
padrões para se viver piedosamente. O teu cônjuge descrente aceita-os? E o que
sucederá ao comportamento e educação dos filhos e a uma miríade de outras
questões importantes? O crente olha para a vida do ponto de vista espiritual,
enquanto que o descrente olha para ela com os olhos da carne. Mesmo que a
princípio as diferenças não se consigam notar, um casamento misto está
direccionado para conflitos sérios por causa da diferença de pontos de vista
entre o crente e o descrente. O Cristão pode dizer, “Como Cristão não posso
fazer isto”. Mas o descrente pode dizer, “Não vejo nada de errado nisso”. E
assim começa o conflito.
Ademais,
o Cristão que se casa com um descrente enfrentará constantemente um conflito
porque o Espírito Santo atormentará a sua consciência. Contudo, a fé de alguns
tem titubeado e as suas consciências têm-se tornado endurecidas por tantas
vezes haverem desobedecido a Deus (ver 1 Tim. 1:18,19; 4:1,2). Se fores um
filho de Deus preso a um jugo desigual com um descrente, haverá conflito na tua
alma. “A carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e
estes opõem-se um ao outro” (Gál. 5:17).
Se um
crente seguir as instruções de 2 Coríntios 6:14, ele nunca se prenderá a um
jugo desigual com um descrente no casamento. Mas o que dizer dos casamentos
onde os parceiros eram descrentes na ocasião do casamento, mas mais tarde um
confiou em Cristo como seu Salvador? O que é que o crente deve fazer nesse
caso? Ou talvez na altura do casamento o crente estava tão insensível para as
verdades espirituais que ele, ou ela, casou-se com um(a) descrente quando
andava longe da comunhão com Deus. Mais tarde, tendo voltado á comunhão com
Deus e querendo honrá-Lo em todos os aspectos da sua vida, o crente enfrenta
uma questão séria sobre o que deve ser feito da relação conjugal.
Se um crente estiver casado
com um descrente, independentemente da razão, Deus não quer que o casamento se
dissolva. Aos olhos de Deus o casamento é permanente. Paulo escreveu aos
Coríntios, dando-lhes directrizes a respeito dos casamentos mistos:
“Mas
aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela
consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido
descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe” (1 Cor. 7:12,13).
No
versículo 12 Paulo declarou, “Mas aos outros digo eu, não o Senhor”.
Alguns assumem que Paulo não estava a fazer uma declaração inspirada, mas isso
não é verdade. Ele quis dizer que não havia nenhum mandamento directo dado pelo
Senhor Jesus Cristo sobre este assunto. Contudo, Paulo escreveu por autoridade
apostólica sob inspiração do Espírito Santo. O que ele escreveu tinha a
autoridade de Deus por detrás. O membro da família Cristã deveria fazer todo o
possível para manter o casamento coeso.
Por
outro lado, se a exigência para a separação viesse do membro da família que não
era Cristão, Paulo deu as seguintes instruções: “Mas, se o descrente se
apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à
servidão; mas Deus chamou-nos para a paz” (v. 15).
Isto significa simplesmente
que o marido ou esposa crente não deviam buscar a separação, mas que se a parte
descrente se quisesse apartar, o crente não deveria fechar o caminho. Desta
forma a luta entre eles seria evitada e a paz seria mantida. E também o crente
não estaria sob a escravidão de ter de negar a sua fé a fim de evitar um lar
desfeito.
Contudo,
alguns têm compreendido mal a frase neste versículo que declara que o crente “não
está sujeito à servidão” (v. 15). Alguns interpretam isto como liberdade
para o crente se casar com outra pessoa. Em 1 Coríntios 7:15 Paulo não estava a
pôr de parte o princípio do casamento que já tinha sido estabelecido pelas suas
declarações. Ele estava antes a indicar que um crente não deveria negar a fé
para impedir que o casamento se desfizesse.
Tanto
Cristo como Paulo ensinaram a inalterabilidade do casamento, incluindo
casamentos mistos de crentes com descrentes. Embora o descrente pudesse começar
a iniciar o divórcio, o crente nunca o deveria fazer. E se o divórcio fosse
conseguido pelo descrente, nenhum recasamento era permitido ao crente. O
versículo 11 declara: “Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se
reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”. Por
conseguinte, neste versículo não há nenhum apoio para o divórcio entre
Cristãos.
Ao
parceiro Cristão no casamento, o apóstolo escreveu: “ ... que a mulher
[crente] não se aparte do marido. Se, porém, se apartar [se a união for
dissolvida pelo descrente], que fique sem casar, ou que se reconcilie com o
marido; e que o marido [crente] não deixe a mulher” (vs. 10,11).
Se és
Cristão(ã), Deus proíbe que tu deixes o descrente ou te cases de novo, mesmo
que o descrente te deixe. Se o descrente quiser deixar-te, não podes fazer
nada. Terás de o(a) deixar. Mas não ficas livre para casar de novo (v. 11).
Isto é o que a Palavra de Deus diz.
Paulo
também deu instruções sobre o que fazer se o descrente não desejar separar-se.
As Escrituras dizem, “[se] ele consente em habitar com ela, não o deixe”
(v. 13). Ele também disse que o marido descrente é santificado pela mulher e
que a mulher descrente é santificada pelo marido (v. 14). Isto não significa
que o descrente é salvo pela mera associação ao crente à parte da fé salvadora.
“Santificado” significa “separado” para as bênçãos de Deus –
dedicado ou consagrado por estar unido a um crente. A mesma coisa também é
verídica para os filhos que nascem como resultado de tal união. Contudo, o
descrente pode ser eventualmente salvo.
“Porque,
de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido,
se salvarás tua mulher?” (v. 16)
O
crente deve preocupar-se com a salvação do parceiro descrente. Se o crente
tomar a decisão de terminar com a relação conjugal, isso eliminaria
oportunidades adicionais de testemunho ao parceiro descrente.
Alguns
podem interrogar-se como se testemunha com eficácia a um parceiro descrente.
Algumas esposas parecem ter a impressão de que devem pregar aos seus parceiros
descrentes em todas as oportunidades que surjam. Mas não é isso que as
Escrituras indicam. A passagem central que dá instruções às mulheres Cristãs
sobre como testemunhar a maridos descrentes é 1 Pedro 3:1-4: “Semelhantemente,
vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se
alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem
palavra; considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o
exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos
vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um
espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus”.
Tiago
4:17 diz, “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”.
As instruções a respeito da separação do parceiro descrente foram dadas só para
os que já entraram (possivelmente ignorando) numa relação desigual.
1
Coríntios 7:17 expressa a vontade de Deus para os que estão envolvidos num
casamento misto: “E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como
o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”. Este versículo está
na secção que trata dos casamentos mistos; o tema deste capítulo não muda até
ao versículo 25. O crente deve permanecer no estado conjugal em que estava
quando se tornou Cristão.
Consideremos
a primeira passagem das Escrituras sobre o casamento em Génesis 2: 23-24:
“E disse Adão: Esta é agora osso dos meus
ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi
tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua
mulher, e serão ambos uma carne.”
O princípio original de Deus a
respeito do casamento está estabelecido nestes versículos. Notemos que o
divórcio não tem qualquer lugar no programa de Deus. Quando instituiu o
casamento, Ele não contemplou o divórcio no caso do casamento não dar certo.
Deus
é imutável – não muda. Uma vez estabelecidos os Seus princípios, não os muda.
Olhemos cuidadosamente para alguns versículos bíblicos que estabelecem este
facto:
“Deus não é homem, para que minta; nem
filho do homem, para que se arrependa; porventura diria Ele, e não o faria? Ou
falaria, e não o confirmaria?” (Números
23:19).
“Porque eu, o SENHOR, não mudo” (Malaquias 3:6).
“Por isso, querendo Deus mostrar mais
abundantemente a imutabilidade do Seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs
com juramento” (Hebreus 6:17).
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e
eternamente” (13:8).
“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito
vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de
variação.” (Tiago 1:17).
O
Salmo 33:11 diz a respeito da Sua Palavra: “O
conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do Seu coração de geração
em geração”. O Salmo 119:89 diz: “Para
sempre, ó SENHOR, a Tua Palavra permanece no céu”. Isto significa que a Sua
Palavra é imutável. Se Ele mudasse uma coisa, poderia mudar outra. Poderia
mudar o Seu plano de salvação ou os Seus planos a respeito das coisas
vindouras. Mas a Palavra de Deus não muda. Ele deu-a e estabeleceu-a.
O
próprio Cristo, muitos anos após o primeiro casamento, reafirmou o princípio do
casamento encontrado em Génesis 2:23-24 em Mateus 19:4-6:
“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não
tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse:
Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa
só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus
ajuntou não o separe o homem”.
Deus
sempre tencionou que o casamento fosse para toda a vida – ou seja, para o tempo
em que ambas as pessoas estivessem vivas. As partes contratantes de um
casamento devem permanecer casadas uma com a outra. Não devem procurar terminar
o relacionamento sagrado.
O
divórcio não é mencionado nas Escrituras senão muitos anos após o casamento ter
sido instituído por Deus. De facto, não foi mencionado antes da Lei ter sido
dada. Nos 10 Mandamentos, que Deus deu a Moisés, não há qualquer menção do
divórcio. Dois desses mandamentos, o sétimo e o décimo, proíbem-no
indirectamente. Êxodo 20:14 diz, “Não
adulterarás”. O décimo mandamento está no versículo 17: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não
cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu
boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.
Não
haviam quaisquer leis suplementares às dadas por inspiração e por ordem de
Deus. Contudo, entre as leis dadas por permissão por meio de Moisés, leis dadas
por inspiração, mas que não reflectiam a vontade directa de Deus, estava a lei
do divórcio. Examinemo-la na sua categoria própria, não como lei directa, mas
como lei permissiva.
Jesus
referiu-se a ela em Mateus 19:7-8, e Ele disse porque é que ela foi dada. Os
Fariseus compreendiam que não havia razão para o divórcio quando Deus instituiu
originalmente o casamento, pois eles perguntaram, “Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”
(v. 7). Eles quiseram dizer com isso, “Porque
é que Moisés fez isso se no princípio não havia divórcio?”. Jesus respondeu
à questão dizendo, “Moisés, por causa da
dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao
princípio não foi assim.” (v. 8).
O
divórcio não estava na vontade directa de Deus, mas por causa da dureza dos
corações dos Israelitas foi permitido, ou tolerado. Mas o facto de o divórcio
ter sido permitido não o justificava.
Deus permitiu o divórcio
durante o tempo da Lei. Mas foi permitido àqueles em Israel que eram
incircuncisos de coração. Eles estavam circuncidados na carne mas não no
coração; eles estavam errados. Aquilo que foi permitido aos incircuncisos de
coração em Israel não deveria servir de regra àqueles a quem o amor de Deus tem
operado através do Espírito Santo (Romanos 5:5).
No
que diz respeito aos princípios de Deus, não há nenhuma provisão para o
divórcio. Todavia Ele permitiu o divórcio aos de coração duro, incircuncisos de
coração em Israel. Porém o cristão espiritual que crê nos fundamentos da Bíblia
não deve apropriar para si o que Deus permitiu por causa da dureza de coração
de Israel e fazer disso uma regra para a Igreja, que é governada pela lei de
Cristo e não pela permissividade da lei de Moisés.
Cristo
subscreveu o princípio original de Deus, ou restabeleceu a lei permissiva de
Moisés? Os fariseus perguntaram, “É
lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mat. 19:3). A
razão para Lhe terem feito esta pergunta foi porque “chegaram ao pé d’Ele os fariseus, tentando-O” (v. 3). Qual foi a
resposta de Jesus?
“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não
tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse:
Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa
só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus
ajuntou não o separe o homem.” (Mateus
19: 4-6)
Em
resposta à questão dos Fariseus, Jesus reafirmou o princípio original de Deus,
e então eles colocaram-Lhe uma segunda questão: “Então, porque mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?” (v.
7). Ele respondeu, dizendo: “Moisés, por
causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas
ao princípio não foi assim”. Deus permitiu isto por uma única razão – por
causa da dureza dos que eram incircuncisos de coração. Notemos também que
Moisés permitiu o divórcio mas não o ordenou. Em parte alguma lemos que Deus o
tenha sancionado. Deus não poderia ser Deus e mudar os Seus padrões ou
princípios que foram estabelecidos no princípio.
Em
Deuteronómio 24:1 encontramos a declaração completa das condições sob as quais
Moisés permitia que um homem se divorciasse da sua mulher: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que,
se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á
uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa”. A
única razão que permitia a carta de repúdio ou divórcio era a dureza dos
corações dos Israelitas. Não havia nenhuma outra razão.
Se o
marido descobrisse que a sua mulher tinha sido imoral antes do seu casamento,
ou seja, se ela tivesse cometido o pecado de fornicação, ele poderia
“devolvê-la” ao pai dela com um documento de divórcio. Mas neste caso o
resultado seria a morte, se a acusação se comprovasse. Lemos em Deuteronómio 22:
13-14:
“Quando um homem tomar mulher e, depois de
coabitar com ela, a desprezar, e lhe imputar coisas escandalosas, e contra ela
divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher, e me cheguei a ela, porém não a
achei virgem;”
Os
versículos 15-19 dizem-nos como esta acusação deveria ser testada e a pena que
deveria ser dada ao marido se a acusação fosse provada ser falsa. Depois o
registo continua (v. 20 e 21):
“Porém se isto for verdadeiro, isto é, que
a virgindade não se achou na moça, então levarão a moça à porta da casa de seu
pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão, até que morra; pois fez loucura
em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim tirarás o mal do meio de
ti.”
Era
este o mandamento a respeito da lei do divórcio no Velho Testamento. Algumas
pessoas hoje querem aceitar parte dela, mas não a querem na totalidade. Será
que isso está a acontecer para gratificarem os seus próprios desejos? Nestes
dias de imoralidade cada vez maior, os cristãos deveriam ter mais cuidado em
ler este capítulo para verem como Deus abomina os pecados sexuais.
Deuteronómio
22:22 diz que se um homem ou a sua mulher tivessem tido relações ilícitas com
outra pessoa após o casamento, o culpado seria apedrejado até à
morte – não divorciado. Através de Moisés, Deus permitiu o divórcio no caso de
haver pecado de fornicação (prostituição) antes do casamento, mas a mulher
morreria pelo seu pecado. Mas se o pecado de adultério fosse cometido depois do
casamento, ambas as pessoas culpadas seriam condenadas à morte.
As
palavras “fornicação” (prostituição)
e “adultério” não significam a mesma
coisa, de outro modo não seriam ambas usadas na mesma declaração. Ambas as
palavras aparecem em Mateus 5:32; 15:19; 19:9; Marcos 7:21; 1 Coríntios 6:9;
Gálatas 5:19; e Hebreus 13:4. Estas palavras algumas vezes são traduzidas de
forma diferente, mas as formas das palavras Gregas tanto para fornicação como
para adultério aparecem nestes versículos.
Ambas
as palavras referem-se a uma relação sexual, mas diferem no respeitante ao
tempo em que o acto ocorre e ao grau de culpa aliado ao acto. Segundo o
contexto de muitos textos bíblicos que tratam com os pecados sexuais, o
“adultério” referia-se apenas ao acto imoral cometido depois do casamento. “A
“fornicação” (prostituição) referia-se primariamente ao acto cometido antes do
casamento e tinha um significado secundário de adultério.
A
palavra Grega traduzida por “fornicação”
é porneia, que é bastante ampla no significado cobrindo todos os
comportamentos sexuais desviados ou depravados. Contudo, quando é usada em
oposição à palavra “adultério”, um
contraste especial está a ser enfatizado. A palavra “fornicação” refere-se particularmente ao pecado sexual antes do
casamento, enquanto que a palavra “adultério”
refere-se ao pecado sexual depois do casamento. Jesus usou exclusivamente a
palavra “fornicação” quando falou da
Lei de Moisés que permitia o divórcio. Sob a Lei Mosaica, o divórcio era uma
possibilidade apenas quando a fornicação estava envolvida. A punição para o
adultério era o apedrejamento até à morte (Levítico 20:10), por conseguinte o
divórcio nem sequer era considerado em relação a este pecado.
Deuteronómio
22 e 24 refere-se ao pecado da fornicação (prostituição). Estes capítulos
parecem estar a discutir o mesmo pecado, embora tratem do assunto um pouco
diferentemente. Deuteronómio 22 revela que depois de um casal se ter casado, o
marido poderia procurar a anulação do casamento se soubesse que a sua mulher
tinha tido relações sexuais com outro homem antes do casamento. Teria de ser um
julgamento formal, e se as acusações do marido se provassem não ser
verdadeiras, ele seria multado e a mulher continuaria como sua mulher (v. 19).
Se a acusação se viesse a provar como verdadeira, a mulher seria apedrejada até
à morte (v. 21). O capítulo 24, por via do contraste trata do mesmo pecado mas
não menciona um julgamento formal com os seus resultados. Em vez disso, o
marido tomava a decisão privadamente, dando à mulher um certificado de
divórcio, repudiando-a.
No
Novo Testamento, Paulo estava a falar a pessoas não casadas quando disse, “Mas, por causa da prostituição
(fornicação), cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu
próprio marido” (1 Coríntios 7:2). Em João 8:41 os Fariseus disseram a
Jesus, “Vós fazeis as obras de vosso pai.
Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é
Deus”. Eles troçavam do que é precioso para os crentes – o nascimento
virginal de Jesus. Eles estavam a reclamar indirectamente que a Sua mãe se tinha
prostituído (cometido fornicação) e que Jesus era seu filho bastardo. De acordo
com o contexto, eles usaram a palavra “prostituição”
(fornicação) para se referirem a um acto pecaminoso cometido antes do
casamento.
Ambas
as palavras são usadas em Gálatas 5:19: “Porque
as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, ...”. Daqui
concluímos que Paulo estava a referir-se a dois tipos de pecado sexual.
Portanto,
as Escrituras fazem uma distinção entre imoralidade antes do casamento e
imoralidade depois do casamento. Nos nossos dias o uso popular da palavra “fornicação” cobre ambos os casos.
Contudo, o uso bíblico na maioria dos contextos é diferente; foi o uso bíblico
que Jesus seguiu na Sua discussão em Mateus 5:32 quando se referiu à
prostituição e adultério. Os Judeus do tempo de Jesus compreendiam esta
distinção, pois eles sabiam que a punição para o adultério era a morte por
apedrejamento. Quando eles trouxeram uma mulher a Jesus que fora apanhada no
acto do adultério, eles disseram, “E na
lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?”
(João 8:5). Eles estavam a tentar apanhar Jesus numa armadilha através das suas
declarações, mas pelo menos este versículo indica que eles compreendiam
claramente que a punição para o adultério era a morte pelo apedrejamento.
Portanto, mesmo sob a Lei Mosaica, o adultério não era fundamento para o
divórcio.
Os
Israelitas só tinham permissão para se divorciarem quando a prostituição tinha
tido cometida antes do casamento. Mas mesmo neste caso, a permissão fora
concedida apenas por causa da dureza dos seus corações. Contudo, o pecado
cometido depois do casamento (adultério), era punido com a morte. Algumas
pessoas pensam erradamente que nos tempos do Velho Testamento a permissão para
o divórcio e recasamento era concedido pelo adultério, mas isso não era assim.
Deuteronómio 22:22 diz, “Quando um homem
for achado deitado com mulher que tenha marido, então ambos morrerão, o homem que
se deitou com a mulher, e a mulher; assim tirarás o mal de Israel”. Em caso
de adultério, ou pecado sexual cometido depois do casamento, a punição era a
morte.
Portanto
é importante estabelecer que a palavra “adultério”
nunca é usada para descrever o acto sexual antes do casamento. As declarações
do Senhor Jesus Cristo em Mateus referem-se apenas à fornicação (prostituição),
no caso em que uma pessoa sob a Lei Mosaica podia repudiar a sua mulher. Neste
contexto, a palavra “fornicação”
tinha de se referir a algo inteiramente diferente do pecado sexual depois do
casamento, pois as Escrituras são claras que a punição para o adultério era a
morte e o divórcio não era sequer considerado. Levítico 20:10 diz, “Também o homem que adulterar com a mulher
de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o
adúltero e a adúltera”. Assim, vemos que não havia absolutamente nenhuma
acomodação para o divórcio no caso de adultério. As partes culpadas eram mortas
por apedrejamento.
Algumas pessoas hoje querem uma parte da Lei
Mosaica, nomeadamente, a lei do divórcio, mas decerto que não querem toda
a Lei. Todavia, se seguirmos o primeiro aspecto da lei permissiva do divórcio,
então somos obrigados a seguir igualmente o seu segundo aspecto. Não poderemos
escapar a isso. Gálatas 3:10 diz, “Todos
aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está
escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão
escritas no livro da lei, para fazê-las”. Tiago 2:10 diz, “Porque qualquer que guardar toda a lei, e
tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. Por conseguinte, se
nos colocamos debaixo da Lei, somos obrigados a guardá-la toda. Se uma pessoa
quiser obter o divórcio na base da lei permissiva, então ele ou ela são
obrigados a guardarem toda a lei. Se quisermos compreender a severidade desta
lei, podemos ler Esdras 9 e 10.
O
Senhor Jesus tornou claro em Mateus 19:7-8 que Moisés permitiu o divórcio
apenas por causa da dureza dos corações das pessoas. O divórcio foi permitido,
ou tolerado, ou consentido, mas nunca foi sancionado como parte do plano de
Deus para o casamento. O divórcio não foi um estatuto sancionado por Deus
acrescentado ao princípio original do casamento. Tratou-se de uma regulação
permissiva designada para ajudar a travar uma prática viciosa, comum nas nações
pagãs e que podia ter destruído a vida familiar em Israel.
Deveríamos
nós, a quem o amor de Deus tem sido derramado pelo Espírito Santo (Rom. 5:5)
regular as nossas vidas de casados sobre uma tal base? Se nos tentarmos
esconder por detrás desta permissão Mosaica, estamos a apelar para uma situação
incompatível com o nosso relacionamento com Deus. Mas alguns estão a tentar ver
quanto conseguem esticar a longanimidade de Deus sobre este assunto.
Quando
os Fariseus tentaram apanhar o Salvador numa armadilha no que concerne à
questão do divórcio, Ele lembrou-lhes o princípio original do casamento. Ele
referiu-lhes o segundo capítulo de Génesis, lembrando-lhes que marido e mulher
são uma só carne e que ninguém deve separar o que Deus uniu. Na realidade, o
Senhor Jesus lembrou aos Fariseus os princípios que Ele Próprio tinha
estabelecido quando a raça humana começou. Colossenses 1: 15-19 diz acerca d’Ele:
“O qual é Imagem do Deus invisível, o
Primogénito de toda a criação; porque n’Ele foram criadas todas as coisas que
há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações,
sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele
é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele. E Ele é a
cabeça do corpo, da igreja; é o Princípio e o Primogénito dentre os mortos,
para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a
plenitude n’Ele habitasse,”
O
nosso Senhor não podia ser Deus se tivesse sancionado os padrões degradantes a
respeito do casamento que pessoas decaídas abraçaram em lugar dos padrões de
Deus.
Na
discussão sobre o que Moisés tinha escrito a respeito do divórcio, o Senhor
Jesus usou a palavra “fornicação” em
vez da palavra “adultério”. Como
temos visto, a palavra “fornicação”,
como usada na maioria dos contextos das Escrituras, era o pecado da imoralidade
cometido antes do casamento e era fundamento suficiente para o marido devolver
a mulher ao pai dela. Contudo, a lei estipulava que se a acusação contra a
mulher fosse provada ser verdadeira, então ela seria condenada à morte. Um
homem e mulher que fossem culpados de adultério – ou seja de relações ilícitas
depois do casamento – também deveriam ser condenados à morte. Hoje o uso
popular da palavra “fornicação”
abrange ambos os significados.
Cabe
a cada um fazer a sua escolha. Podemos ajustarmo-nos ao propósito original de
Deus como é estabelecido no Livro de Génesis, ou podemo-nos tornar duros de
coração, como os Judeus aparentemente se tornaram. Mas se nos tornarmos
endurecidos, sofreremos as consequências que os Israelitas tiveram que sofrer.
As
leis do divórcio de Israel tinham degenerado muito entre o tempo de Moisés e o
tempo de Cristo. As autoridades legais começaram a permitir o divórcio por
quase qualquer desculpa, e a punição do pecado de adultério fora praticamente
abolida. A maioria das pessoas em Israel prestava pouca atenção às regulações
de Moisés. Como resultado, Israel tornou-se tão “moderna” como nós hoje.
Foi
neste quadro que os Fariseus questionaram Jesus. Quão longe eles tinham ido, é
revelado por uma das suas questões: “É
lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mat. 19:3). A implicação
é que o casamento não era considerado vinculativo e que o divórcio podia ser
alcançado por uma enorme variedade de razões. A resposta do nosso Senhor levou
estes homens de volta aos princípios originais de Deus.
Mateus
19 não é a única passagem nos Evangelhos que regista como é que o nosso
Salvador tratou da questão do divórcio. Marcos 10:2 diz que os Fariseus
perguntaram a Jesus, “É lícito ao homem
repudiar sua mulher?” Isto colocava a ênfase na questão do próprio
divórcio. O nosso Senhor respondeu-lhes perguntando o que é que Moisés tinha
instruído sobre a matéria (v. 3). Quando eles responderam que Moisés tinha
permitido, ou consentido, uma carta de divórcio sobre certas condições, o nosso
Salvador disse que foi por causa da dureza dos seus corações que Moisés fez
essa concessão (v. 4-5). Depois o Senhor salientou (v. 6-9),
“Porém, desde o princípio da criação, Deus
os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e
unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão
dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
De
acordo com o versículo
“E ele lhes disse: Qualquer que deixar a
sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu
marido, e casar com outro, adultera.”
Isto
foi tudo o que Jesus disse. Ele não concedeu nem aos Fariseus nem aos Seus
discípulos permissão para o divórcio. Ele reiterou o princípio fundamental que
foi dado no princípio sem qualquer correcção ou adenda.
Este
não se tratava de um novo método que Jesus usava. Em várias ocasiões, de acordo
com o registo dos Evangelhos, o Senhor usou frases como “Ouvistes que foi
dito”. Ele reafirmou os princípios estabelecidos no princípio. Ele fez isto
especialmente pelos Seus discípulos pois eles colocariam o fundamento da
Igreja. Ele instruiu-os correctamente em várias questões essenciais.
Neste
ponto desejamos fazer duas declarações importantes a respeito da interpretação
da Bíblia.
Primeiro,
um verdadeiro e fiel estudioso da Bíblia investigará as Escrituras para
descobrir o princípio fundamental de uma dada doutrina. Depois, se há
dificuldades, ou aparentes contradições, procurará compreendê-las à luz do
princípio fundamental.
Este
método não tem sido seguido por muitos estudiosos da Bíblia quando se trata da
questão do divórcio. Isso é desonesto e revela pouco conhecimento; por
conseguinte, isso é imoral e nunca deveria ser aceite pelos estudiosos da
Bíblia honestos.
Em
segundo lugar, os estudiosos que crêem nas verdades fundamentais da Bíblia
reconhecem que nesta Dispensação da Graça, não estamos debaixo da Lei. A Lei só
foi válida desde Moisés até à morte e ressurreição de Cristo (ver Gálatas
3:16-25). “Pela lei” estamos “mortos para a lei” (2:19). No entanto
muitos destes estudiosos da Bíblia que reconhecem que não estamos mais debaixo
da Lei mas sob a Graça, voltam-se para os regulamentos permissivos da lei
Mosaica no que diz respeito ao divórcio. Aceitam esses regulamentos como
princípios fundamentais do casamento e do divórcio. A respeito desta matéria,
eles ignoram completamente o facto de que nós não estamos debaixo da Lei mas
sob os princípios da Graça. E nisso erram redondamente, pois não está certo.
Gálatas
3:12,13, diz:
“Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que
fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei,
fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for
pendurado no madeiro;”
Nós
não somos libertados da Lei para sermos ingovernáveis, mas para darmos à lei de
Cristo oportunidade de operar em nós. Isso é claro em 1 Coríntios 9:21: “Para os que estão sem lei, como se
estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de
Cristo), para ganhar os que estão sem lei”.
Os
princípios básicos do casamento e do divórcio para o período da graça foram
claramente dados no início e foram reafirmados em passagens como Mateus
19:3-12, Marcos 10:2-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2,3 e 1 Coríntios 7:10-17,39.
Quando
o Senhor Jesus reafirmou o que Moisés disse sobre o divórcio, Ele não deu o Seu
consentimento ao mesmo mas simplesmente respondeu às questões dos Fariseus.
Deus não mudou; não pode mudar e ainda é Deus. Ele é imutável.
Assim
queremos enfatizar que uma vez que Ele é imutável, Ele não muda no que diz
respeito ao Seu princípio sobre o casamento e o divórcio. O divórcio é tão
pecado hoje como foi quando surgiu pela primeira vez. O que foi permitido nas
vidas dos incircuncisos de coração em Israel nunca deveria tornar-se regra para
o filho de Deus que vive sob a lei de Cristo, que é a lei do amor. A lei de
Cristo é Cristo em nós, vivendo a Sua vida em nós e por nosso intermédio.
Ao
longo de todas as epístolas é-nos dito que não há nenhuma provisão para o
divórcio. Na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 7, versículos 2 e 3, por
exemplo, ele escreveu:
“Porque a mulher que está sujeita ao
marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está
livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera
se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não
será adúltera, se for de outro marido.”
Como
é que podemos ignorar esta revelação clara?
Sob a
inspiração do Espírito de Deus, Paulo declarou este princípio em 1 Coríntios 7.
O versículo 39 diz, “A mulher casada está
ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu
marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”.
Este ensino é encontrado ao longo do resto do Novo Testamento.
O
único lugar no Novo Testamento onde a lei do divórcio permissivo foi mencionada
foi quando Jesus reafirmou a lei de Moisés ao falar aos Fariseus endurecidos.
Mas mesmo ali Jesus explicou vivamente que no princípio isso não foi assim e
que o que Deus uniu, o homem não deve separar.
Como
devemos interpretar o capítulo 7 de 1 Coríntios? Deus, ali, não permite o
divórcio? Não vemos nada sobre divórcio para o cristão neste capítulo. A
separação iniciada pelo descrente é mencionada nos versículos 10-16. Mas é
muito claro que o crente não deve deixar o descrente. Se o descrente desejar
apartar-se, o crente deve deixá-lo(a) ir. Nesses casos o crente não está sob a
escravidão, ou obrigação, de negar a sua fé para evitar um casamento
fracturado. Por outras palavras, se estiveres casado(a) com um(a) descrente que
te queira deixar, não tens de negar a tua fé para o(a) impedires que vá.
Nos
versículos 10 e 11 Paulo aconselhou a mulher a não deixar o seu marido. Mas se
o casamento se dissolver, ela não deve casar de novo. Em vez disso, a
reconciliação deve ocorrer o mais depressa possível.
Estas
são as palavras de Deus, e elas esclarecem as questões que estão diante de nós.
Não há nenhuma permissão, qualquer que seja, para o divórcio ou o recasamento
no plano e provisão de Deus para o Cristão. Só durante o período em que o
coração do povo de Israel esteve endurecido e em que eles estiveram a ser
testados, Deus permitiu este ultraje aos Seus santos princípios do casamento.
Ao
tentar-se compreender o que a Bíblia ensina sobre o divórcio e o recasamento, é
necessário dar especial atenção às declarações feitas no Novo Testamento,
especialmente pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Jesus fez quatro declarações
sobre o divórcio e o recasamento. Duas estão registadas no Evangelho de Mateus,
uma no Evangelho de Marcos e uma no Evangelho de Lucas.
O
primeiro pronunciamento de Jesus registado por Mateus é o do Seu Sermão do
Monte. Ao clarificar o significado da Lei Mosaica, Jesus disse (cap 5, vers
31-32):
“Também foi dito: Qualquer que deixar sua
mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar
sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério,
e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.”
Mateus
estava a escrever o seu evangelho primariamente com os Judeus em mente, e
registou estas declarações de Jesus para dar uma interpretação correcta da Lei
Mosaica sobre o divórcio.
Uma
vez que Mateus, no seu Evangelho, se dirigiu primariamente aos Judeus, era
necessário que ele clarificasse o verdadeiro significado da Lei Mosaica sobre
várias questões, especialmente sobre o divórcio e o recasamento. Nos dias de
Jesus, muitos dos Judeus – especialmente os Fariseus – tinham quase anulado o
efeito da Lei. Tinham a Palavra de Deus toda embrulhada nas suas próprias
interpretações e tradições mortas, precisamente como muitas pessoas hoje. Mas
Jesus rompeu a capa das interpretações erradas e falsas tradições que envolviam
muitas daquelas questões, e por causa disto Ele recebeu uma violenta reacção
dos Judeus. Eles odiaram-No tanto que tentaram tudo o que puderam para O matar.
Por fim, crucificaram-No por causa dos Seus ensinos e por reclamar ser Deus.
Contudo, deveria ser lembrado que eles só O conseguiram crucificar porque Jesus
quis dar a Sua vida por toda a humanidade. Sobre a Sua vida, Jesus disse:
“Ninguém ma tira de Mim, mas eu de Mim
mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este
mandamento recebi de Meu Pai” (João
10:18).
Portanto
as palavras de Cristo sobre o divórcio e o recasamento visaram pôr a nu o falso
ensino que os Judeus tinham tecido em torno da Lei do Velho Testamento. É
especialmente significativo notar as palavras “fornicação” (prostituição) e “adultério”,
registadas em Mateus 5:32. Quando usada isoladamente, a palavra Grega traduzida
por “fornicação” em Mateus 5:32 pode
referir-se a toda a espécie de relações sexuais anormais. Contudo, quando a
palavra é usada em contraste com a palavra Grega “adultério”, uma distinção especial está a ser feita. Este é um
ponto muito importante em toda a discussão para se saber se há ou não bases
para o divórcio e o recasamento. Hoje, quando as pessoas se referem a uma razão
para se divorciarem e voltarem a casar, pensam usualmente em adultério. Mas
Jesus disse que durante o tempo de Moisés a base para o divórcio e o
recasamento era a fornicação, não o adultério.
Como
foi salientado anteriormente, as palavras “fornicação”
e “adultério” não são idênticas no
significado. Ambas referem-se a pecado sexual, mas no uso das Escrituras, “fornicação” refere-se ao acto sexual antes
do casamento e o “adultério” a
relações sexuais ilícitas depois do casamento.
Sob a
Lei Mosaica, o divórcio só era permitido quando o pecado da fornicação estava
envolvido. Mesmo então, esta permissão para o divórcio só era concedida por
causa da dureza dos corações dos Israelitas.
Sob a
Lei Mosaica, o adultério, ou o pecado sexual cometido depois do casamento,
resultava nas mortes das pessoas culpadas. Por conseguinte, o divórcio tendo
por base o adultério nunca foi sequer considerado.
Muitos
hoje querem seguir a regra permissiva da Lei Mosaica sobre o divórcio. Mas
muitas vezes confundem adultério com fornicação e não compreendem bem o que a
Lei dizia sobre cada um destes pecados. Os que dizem que apoiam o divórcio por
causa do adultério evitam o facto de que a morte, não o divórcio, era a punição
para o adultério.
Na interpretação da Bíblia, muitos dos nossos dias torcem as Escrituras para justificarem as suas próprias acções. Mas se a pes