A Companhia de Cavalaria 2430, foi uma das três companhias operacionais do Batalhão de Cavalaria 2854, tendo como Unidade Mobilizadora o Regimento de Cavalaria 4, situado no Campo de Santa Margarida.
A partir de 17 de Junho de 1968, começou o período de instrução do Batalhão, estando o mesmo pronto para embarque a 27 de Setembro. O embarque efectuou-se a 12 de Outubro no velho Cais da Rocha de Conde Óbidos, no navio “VERA CRUZ”, com destino a Angola e desembarcou em Luanda a 21 de Outubro de 1968.
Depois de um pequeno período de estadia no Campo Militar do Grafanil, a Companhia foi enviada para o ZALA, situado nos DEMBOS (sector ZAL) juntamente com o Comando do Batalhão e a Companhia de Cavalaria 2431, tendo a Companhia 2429 sido enviada para a Bela Vista no sector do Ambriz.
Aquartelamento do Zala – 1969
1º Período Operacional – Região dos Dembos
A zona onde a Companhia ficou estacionada, tinha aspectos característicos, tais como zona bastante acidentada e cortada por vales e de densa vegetação, com cursos de água importantes, sendo o principal o Rio Loge. O sector era essencialmente agrícola, com algumas antigas fazendas abandonadas, tendo sido antes do início da guerra um grande produtor de café e óleo de palma.
Relativamente à Rede Rodoviária, existiam alguns itinerários:
Zala – Bela Vista (42 Km), passando pelo famoso Bico do Pato.
Zala – Vila Pimpa (46 Km), antigo aquartelamento do exército (abandonado).
Zala – Madureira (22 Km), fazenda produtora de café (onde estava estacionada uma Companhia Independente de Caçadores).
Zala – Nambuangongo (cerca de 50 Km).
A Companhia, esteve operacional na zona, entre o mês de Novembro de 1968 e Novembro de 1969.
Tendo participado neste período em diversas operações militares:
· Operação Galope 3, na região do Morro do Albino (nomadização e montagem de emboscadas).
· Operação Galope 6, a Companhia foi atacada por um grupo IN, durante 15 minutos, sem consequências para as nossas tropas.
· Numa coluna motorizada, na picada de Zala para Bela Vista, no famoso Bico do Pato, foi accionada uma mina, causando danos na viatura “rebenta minas”, tendo um militar ficado bastante ferido, perda do pé direito.
· Operação Meia Lua, região do COA (Comando Operacional de Angola, do movimento UPA/FNLA) durante 3 dias com montagem de emboscadas em combinação com um golpe de mão efectuado, pela Companhia de Caçadores sita na Madureira, foram capturados 3 homens, 4 mulheres e 6 crianças e diverso material e documentação.
· Operação Inopinada 8 (2ª tentativa de golpe de mão ao famoso quartel do COA), com 4 dias de duração, foi tentado o golpe de mão, mas por ter sido perdida a surpresa o mesmo não foi efectuado. Nesta operação a Companhia participou com 2 Grupos de Combate e no regresso a Zala fomos atacados por um grupo IN estimado em 8 elementos, sem consequências, já na região de Vila-Pimpa.
· Operação Galope 9, golpe de mão e batida com a destruição da secção de Capela, onde foram capturados 1 homem, 4 crianças, material militar e documentos.
· Operação Inopinada 5, golpe de mão à secção de Banza Bamda, onde o IN reagiu fortemente contra as nossas tropas, na reacção imediata foi destruído o objectivo. No regresso a Zala um grupo armado emboscou fortemente a coluna de viaturas, da reacção a esta emboscada o IN retirou com baixas prováveis; mas as nossas tropas sofreram 4 mortos e 6 feridos graves (por acidente com uma granada de dilagrama deficiente).
· Num reconhecimento ofensivo na picada de Zala-Vila Pimpa, foi detectado e levantado, um engenho explosivo (fornilho), composto por uma granada de mão, uma granada de lança foguete e uma cabeça de bomba de avião.
Picada Zala – Madureira Ataque e destruição da secção Capela
Além desta actividade operacional, a Companhia efectuou diversas colunas motorizadas de apoio ao MVL (Movimento de Viaturas Logísticas), principalmente no itinerário de Zala-Madureira e de Zala- Nambuangongo.
Colaborou intensamente com a CSS e a Companhia 2431, em diversas obras de beneficiação de Zala, nomeadamente no melhoramento da pista de aviação, na recuperação da capela, construção do cinema em anfiteatro com 400 lugares, construção e reparação de diversos pontões e construção da “famosa” piscina.
No mês de Agosto de 1969, a Companhia participou na Região da Missão-Fazenda Maria Fernanda, no apoio à Engenharia Militar na abertura de novos itinerários e na construção de uma ponte sobre o Rio Dange, efectuou também diversas operações de busca e destruição de acampamentos do IN e escoltas de colunas para a região do Piri.
2º Período Operacional – Região do Icolo e Bengo
No início do mês de Dezembro de 1969, o Batalhão rodou de zona operacional, tendo sido colocado na província do ICOLO E BENGO, com o seguinte dispositivo:
* Comando e CCS - Catete
* Comp. Cav. 2429 - Quinfangondo (Cacuaco)
* Comp. Cav. 2430 - Calomboloca
- 1 Grupo de Combate no destacamento do Bom Jesus
* Comp. Cav. 2431 - Barraca
- 1 Secção no destacamento da Maria Teresa
A zona atribuída ao Batalhão, geograficamente era confinada a Norte pelo Rio Zenza, a Sul pelo Rio Quanza, Oeste pela Rede (que circundava o cidade de Luanda) e pela cidade de Viana, a Leste pela povoação do Zenza do Itombe; sendo atravessada pela linha de caminho de ferro de Luanda para Malange e pela estrada asfalta de Luanda para o Dondo, com ligações a Malange e para o Sul de Angola.
Era uma região essencialmente de cultura de algodão, cana-de-açúcar e criação de algum gado.No destacamento do Bom Jesus, existia uma grande fazenda e fábrica de produção de cana-de-açúcar e seus derivados. Nesta zona existiam diversas sanzalas, junto dos aquartelamentos e civis brancos que exploravam algumas fazendas e lojas comerciais.
A companhia esteve operacional, nesta zona entre Dezembro de 1969 e Outubro de 1970, neste período de tempo participou nas seguintes operações militares:
· Operação Inopinada 17, acção de nomadização com colocação inicial de Heli com 2 grupos de combate. O IN sofreu um morto e foram capturados outros elementos e diverso armamento, da reacção às nossas tropas, sofremos um ferido grave.
· Operação Cilha 8, patrulhamento e emboscadas nas margens do Rio Zemza.
· Operação Estocadas 2, acção de assalto e golpe de mão ao aquartelamento IN, designado por COREIA DO SUL, deste assalto resultou a destruição de 30 a 40 cubatas, auditório e refeitório.
· Operação Galope 33, patrulhamento ofensivo entre a margem direita do Rio Zenza e o Rio Futo, o In reagiu sem causar danos, da reacção das nossas tropas resultou a destruição de diversas cubatas e lavras de milho e mandioca.

Rio Zenza – Operação Galope 33 Fazenda do Bom Jesus
No mês de Fevereiro de 1970, a companhia 2431 foi colocada na ZMLESTE (Cazage) tendo
a Companhia 2430 participado com 2 grupos de combate; derivado a esta situação a Companhia passou a reforçar, o aquartelamento da Barraca e o destacamento da Maria Teresa, com duas secções de combate respectivamente.
A Companhia manteve neste período, diversos patrulhamentos apeados à linha de caminho de ferro Luanda-Malange, escoltas a comboios entre o aquartelamento da Calomboloca e Zenza do Itombe, patrulhamentos em conjunto com os fuzileiros especiais no Rio Quanza, apoio e escolta na prospecção de petróleo pela Total (francesa) e rondas para controle das populações civis
A partir de 19 de Outubro, o Batalhão foi rendido por outro de Caçadores, tendo marchado para o Campo Militar do Grafanil e embarcou para a Metrópole a 15 de Novembro.
A 24 de Novembro e de novo no Campo Militar de Santa Margarida, após uma breve cerimónia o Batalhão passou à situação de disponibilidade.
A Companhia de Cavalaria 2430 teve como seu primeiro Comandante o Capitão de Cavalaria Carlos Manuel Dias de Almeida, a partir de Julho de 1969, foi substituído pelo Capitão Miliciano de Cavalaria Luís Filipe Azedo Moreira Feio.
Outras Imagens da Nossa Presença

Zala - Pista de Aviação

Zala - Saída para a 2ª. Operação do COA

Zala - Saída da escolta ao MVL

Zala - Reabastecimento aéreo

Missão - Acampamento da companhia
Calomboloca - Vista Parcial
30 ANOS DEPOIS...

Abril de 2000 – Lisboa - Almoço de Convívio
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