Os Vinhos de Carcavelos da Quinta do Barão



Brochura bilingue Português/Francês


FORMA DE PREPARAR O

 CARCAVELOS-COCKTAIL

Enche-se um copo grande com pedras pequenas de gelo, ou melhor ainda, gelo pilado.

Sobre o gelo vaza-se:

Uma parte de vinho de Carcavelos Generoso Seco.
Uma parte de <gin> de boa marca.
Algumas gotas de <bitter>.

Mexe-se bem com uma colher comprida até arrefecer fortemente a mistura e transvaza-se para cálices ou copos do tamanho próprio, por um passador.

Não é necessário, nem há vantagem alguma, em sacudir este cocktail

Pode-se meter em cada copo um pedaço de casca de limão, finamente cortada.

 


Vinho de Carcavelos
 

O vinho licoroso da região de Carcavelos é conhecido e apreciado desde o século 17. Filinto Elísio elogia-o em odes imorredouras; o grande Marquês de Pombal consagrou-o dando-lhe foros de marca especial e classificou-o a par dos vinhos do Porto e Madeira.

Mas, além de criar essa marca de Vinhos «Carcavelos Generoso» deu o exemplo da sua admiração por esta especialidade fazendo no seu Morgadio de Oeiras plantações e construindo adegas modelares que ainda hoje merecem a admiração de quantos as visitam.

Os vinhos de Carcavelos tiveram a sua maior expansão no mercado inglês no fim do século 18 e primeira metade do século 19.

Durante este período a produção ultrapassava 3.300 pipas. A maior parte deste vinho era comprada em mosto pelos negociantes do Porto que o exportavam depois de tratado para Inglaterra, onde era muito apreciado.

A popularidade do vinho de Carcavelos em Inglaterra foi devida em grande parte à Guerra Peninsular.

O distrito em que foi legalmente demarcada a área de produção deste vinho fica adentro das famosas Linhas de Torres. Foi aí que Wellington estabeleceu o seu quartel-general, cujas tropas eram constituídas com regimentos de elite do exército inglês.

 Os oficiais desses regimentos bem depressa se habituaram a este precioso vinho que se impunha pelas suas qualidades maravilhosas de gosto e de bouquet .Ao regressarem a Inglaterra as messes desses regimentos fizeram encomendas de Vinho de Carcavelos cuja fama se espalhou rapidamente.
Este período de ouro durou até que as plantações foram completamente destruídas pela filoxera ficando a produção reduzida acerca de 50 hectolitros em 1875.
António Augusto de Aguiar, no seu livro "Conferências sobre Vinhos» que elaborou em seguida à Exposição de Londres de 1874, onde foi comissário régio, classifica o Vinho de Carcavelos como aristocrata e diz: «Reis e vassalos lhes prestam culto e homenagem. Para todos os adularem até o Marquês de Pombal, que estimou principalmente o de Carcavelos, que fora em tempos considerado como o imediato do Porto. Muitos o beberiam com este nome. Hoje pode quási dizer-se que passou à História. O oidium bebeu-o todo. Em 1867, produziu a região, doze pipas, de três mil que lavrava antes da doença.

O Carcavelos viajou muito. Chegava dantes a toda a parte. Bons tempos de certo foram aqueles em que no maior grau de inocência, se manifestava com extrema modéstia. Trajo de camponês e coração de oiro. Oh! Como ele era belo, quando nos aparecia numa garrafa de gargalo torcido, coberta de pó, a rolha quási desfeita, e com um rótulo de papel de costaneira, onde simplesmente se lia, em caracteres desbotados pelo tempo, a palavra Cracavelos, o que era um dos maiores indícios da sua pureza.
  
O tempo altera todas as coisas. Emendou-se a ortografia e perdeu-se o vinho …
 
 Desde muito rapaz que conheço o vinho de Carcavelos com outra feição, quando o comecei a provar nas pastelarias mais afamadas da rua dos Capelistas. Recordo-me optimamente, que um copo dele bebido ao lunch, facilitava a compreensão dos textos latinos, quando eu andava nas Mercieiras, assim como dois a impossibilitavam de todo»

No <Portugal au point de vue Agricole>, livro escrito para a Exposição de Paris em 1900, o Prof. Cincinato da Costa, classifica os Vinhos do Porto, Madeira e Carcavelos como inimitáveis e acrescenta:
O vinho de Carcavelos é muito procurado nos mercados pelo aveludado e suavidade do seu gosto. Infelizmente a zona produtora é muito restrita e a sua produção média anual reduz-se a um stock muito limitado. Este vinho atingiu um grande renome em Inglaterra e no Brasil»

Pela mesma ocasião (em 1889), no inquérito agrícola a que procedeu por mandato do então Director Geral da Agricultura, Conselheiro Elvino de Brito escreveu Paulo de Morais:"O sítio de Carcavelos, ocupando as colinas que se estendem à beira-mar nas proximidades da foz do Tejo, ninguém há que o não conheça. Todas as condições orográficas, geológicas e sobretudo as condições climatéricas que ali concorrem, são de molde a imprimir nos vinhos desta região vinhateira um cunho de incontestável superioridade qualquer que seja o tipo a que o queiram sujeitar...

Em vista disto nenhuma dificuldade apresenta os produtos vinícolas da zona de Carcavelos em se prestarem, pela melhor forma, ao tipo de vinhos generosos. Tal foi a feição com que noutra época granjearam reputação sobejamente merecida dentro e fora do País».

Mas acima de todos os atestados e títulos nobiliárquicos que pudessem ter elevado e firmado os créditos do velho tipo de Vinho de Carcavelos, desse vinho que conseguimos inteiramente reconstituir na Quinta do Barão onde nunca se perdeu a melhor técnica do seu fabrico, há o estudo magistral de Ferreira Lapa, o patriarca da Agronomia Portuguesa que sobre ele escreveu: «Junto à foz do Tejo e por de traz da torre de S. Julião da Barra demora a região vinícola de Carcavelos, cujos vinhos eram outrora tão afamados, que se consideravam logo imediatos aos vinhos do Douro e da Madeira. Posto que esta região compreenda um certo número de freguesias e uma extensão não inferior a duas léguas quadradas, é Carcavelos o lugar em que se produzia o mais precioso vinho deste nome, e neste mesmo eram os chamados lombos de Carcavelos as courelas mais privilegiadas. Os lombos são as colinas suaves que se estendem à beira-mar de Carcavelos; terrenos em parte anateirados, em parte rochosos, com magnifica exposição a sueste, ao mesmo tempo enxutos sem serem áridos, que devem talvez a estas condições a sua superioridade para vinhedos, aos outros terrenos das imediações.

Com efeito, o solo formado pelo depósito das águas que cobriu mais ou menos completamente a formação secundária, a qual parece estender-se por toda a costa oceânica do nosso País desde a foz do Tojo até Aveiro, oferece em Carcavelos uma camada bem temperada de argila, de areia e de cal sustentada por um subsolo umas vezes marnoso outras vezes cascalhoso, outras ainda gresífero, qual deles o mais ajeitado à cultura da vinha e da vinha delicada, que requer em cima uma capa não muito espessa de terra substancial, e no fundo, um terreno permeável que dê fácil escoante às águas.

A esta boa lotação e arranjo mecânico dos terrenos reúne Carcavelos, nos lombos especialmente, um relevo suave, tanto quanto é necessário para sacudir o excesso das águas, sem desnudamento da flor mimosa do solo, relevo que expõe a cultura por igual às influências da luz e do calor, e que deixa correr os ventos sem obstáculos para dissipar as humanidades do ar e do terreno.

E a tudo isto ajunta-se o contacto das águas, que refrigerando no verão e aquecendo no Inverno este já pedaço de costa, acabam assim de temperar o clima tão propício quanto é coroável o tempero do terrão. A proximidade das águas parece exercer uma notável influência e favorável na produção das vinhas que as guarnecem: e já Plínio tinha feito a observação deste facto, citando em apoio o haverem perdido a sua reputação as vinhas de Emus, cidade de Thracia, por se lhes ter desviado o curso do rio Ebro, que as banhava. Nos tempos actuais pode ver-se o mesmo facto, passando em revista algumas das regiões vinícolas. O vinhedo de Tokay, por exemplo, que tem a fama de produzir o primeiro vinho licoroso do mundo, plantado por ordem do imperador Probus no ano de 280 no monte daquele nome, no condado de Zemplin, entre Buda e Cracóvia, fica na foz dos rios Theisse e Bro­dog.

É na vertente do Vesúvio, fronteira ao mar, que existem os vinhos do célebre Lacryma Christi.

As colinas que cercam o lago Averno entre Puzzollo e Baía produziam aquele falerno, generosum et Iene, como o requeria Horácio.

O Johannisberg e os grandes vinhos da Alemanha são produzidos na margem esquerda e direita do Rheno, e do Meuse.

Os dulcíssimos vinhos do Arquipélago recebem de todas as partes a influência das águas do Mediterrâneo.

As vinhateiras do Medoc, a contar do cabo de Graves, estão todas escalonadas, as melhores principalmente, sobre a margem esquerda do rio Gironda; e continuam sobre as margens do Dordogne e do Garona.>…

Actualmente existem apenas três propriedades produtoras de Vinho de Carcavelos com as mesmas características do que se produzia há um século. São elas as Quintas do Barão, da Alagoa e de Paulo Jorge.

A Quinta do Barão, que forma por assim dizer o coração de Carcavelos, pertence ainda hoje à mesma família que produzia o melhor vinho da região no princípio do século 18.

O vinho de Carcavelos não é nem um Madeira nem um Porto. É Carcavelos. O seu paladar, bouquet, cor, são característicos e inconfundíveis. Por isso a Duquesa de Abrantes nas suas interessantíssimas memórias o chama sempre <Ce Délicieux vin de Carcavelos>.

Toma-se com prazer como aperitivo antes das refeições e como vinho de sobremesa, depois delas. Abre o apetite porque é seco e ajuda as funções digestivas visto o seu grau alcoólico ser moderado. Constitui por isso um excelente tónico, corrigido talvez na sua antiga riqueza alcoólica de acordo com as instruções de A. A. Aguiar, (hoje tem a força de 17 graus), o vinho de Carcavelos ganhou no seu armamento e bouquet e continua sendo aquele que Filinto Elísio cantava na sua Ode Genial suavizando as agruras das saudades da Pátria:

   

<Rapaz, deita mais vinho

Vê se inda achas do doce Carcavelos

Garrafa nalgum canto>
 


O Vinho de Carcavelos
Licoroso

é o mais belo aperitivo, o melhor auxiliar de digestão
e a mais aromática base para o COCKTAIL.

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A Aguardente Velha
da
Quinta do Barão

é superior às marcas de Cognac de fama mundial
 


Todos os textos que constam desta
página foram extraídos da brochura
cuja capa está acima reproduzida