<plurimed >- - mein kampf 1988

AFINAL ELAS EXISTEM

FACTOS CONTRA FANTASMAS

Testemunho pessoal em outubro de 1988 como contributo a um relatório impessoal sobre a necessidade e urgência de uma informação sobre o mundo (sector) holístico

 

Outubro/1988 - Afinal as «medicinas heterodoxas» existem, apesar dos enormes esforços que em Portugal a Comunicação Social mais influente faz para as deixar despercebidas.

Como o que tem de ser tem muita força, volta e meia chegam notícias do «mundo holístico», aquele que tem como centro o universo humano, prioridade de todas as prioridades, provando que afinal alguma coisa mexe no campo da saúde (prevenção e profilaxia) e de que nem só do combate à doença (medicina) morre o homem.

[Se ainda não há muito tempo, toda a Comunicação Social deste País ignorou os «15 anos do Movimento Ecologista», exposição de 25 painéis que esteve patente 5 dias no Forum Picoas (entre 23 e 29 de Março), é muito provável que ignore também o mundo de factos e realidades que hoje se conhecem sob a designação de «movimento holístico».

A dúvida, aliás, é se há mesmo ignorância (e a natural inocência que a ignorância dá) ou se há demasiada ciência neste fenómeno de omissão e a arrogância que toda a ciência dá.

Excepção nesta «conspiração de silêncio» foi o presidente da República, que oficiou ao Forum Holístico Internacional a sua decisão de ter aceitado presidir à Comissão de Honra do Congresso Holístico, que em segunda edição se realizou em Lisboa, no Hotel Penta, dias 23, 24 e 25 de Abril de 1988.

Para a Presidência da República, pelo menos, o movimento holístico existe, o que não deixa de ser reconfortante e de nos dar uma certa esperança de ver um dia destes a luzinha ao fundo do túnel e melhores dias para este país de canibais à solta.]

[Claro que a dúvida hamlética sobre o ser ou não ser da Holística (das medicinas ditas naturais) é um facto praticamente exclusivo deste País de anedota, que elegeu Herman como seu patrono.]

Em qualquer parte da Europa dos Doze, as actividades holísticas são prática corrente e as medicinas ditas alternativas ou naturais consideradas como técnicas terapêuticas em pé de igualdade com a medicina estabelecida oficial. [não só não comem crianças ao pequeno almoço como fazem ganhar bom dinheiro a muito boa gente.]

[Ser alternativa ao sistema já não é crime, em outros países da Europa mas aqui, em Portugal, ainda é vergonha, uma espécie de blenorragia que se esconde das visitas].

[Mas nada como os factos para (tentar) desfazer nevoeiros de D.Sebastião e fantasmas de obscurantismos e inquisições.

Contra o nevoeiro do obscurantismo português, em matéria de novos ventos que sopram para o «universo humano», os factos podem coligir-se em catadupa e a dificuldade está só em seleccioná-los.]

ACONTECIMENTOS NÃO FALTAM

DE ANTON JAYASURIYA (SRI LANKA) A FERMIN CABAL (ESPANHA)

Acontecimentos do mundo holístico, não faltam. Por exemplo.

Em Benalmádena-Costa, a 4 Km de Torremolinos e a 20 de Málaga, reuniu-se, de 21 de Abril a 1 de Maio de 1988, o 14º Congresso Mundial de Medicinas Naturais, iniciativa que regularmente se realiza em países europeus mas que irradia, imagine-se, do Sri Lanka, onde Anton Jayasuriya, com a sua organização «Medicina Alternativa» (assim mesmo, com este nome português, a lembrar que Sri Lanka já se chamou Ilha de Colombo e já foi do domínio português...) fez da medicina tradicional do seu País a melhor marca registada para levar a todo o Mundo o prestígio da sua própria cultura.

Com a Acupunctura, o Sri Lanka, através de Anton Jayasuriya, tem vindo a conquistar as elites europeias e não é por acaso que, dos países anglo-saxónicos, o eixo começa a deslocar-se para os países latinos, sempre mais demorados em reagir aos estímulos: é a segunda vez que o Congresso Mundial de Medicinas Naturais se realiza na Costa sul de Espanha.

É de recordar também que o primeiro Congresso Mundial da CIA-MAN (Confederação Internacional das Associações de Medicinas Alternativas Naturais), realizado em 25-27 de Abril de 1986, significou um esforço pessoal de Fermin Cabal, advogado de Madrid consagrado às medicinas que curam, para a definitiva consagração das medicinas leves.

O assunto da oficialização destas medicinas está ainda pendente nas instâncias do Parlamento Europeu, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenta libertar-se dos «lobbies» internacionais da Farmácia para poder pôr em marcha o programa de Alma-Ata em favor das terapêuticas naturais, campanha que vigora sob o eufemismo «Saúde para todos no Ano 2000».

A provar que o «movimento holístico existe» e que as medicinas alternativas são um facto científico comprovado, bastaria lembrar algumas instituições de prestígio que não se envergonham de ser quem são e de levar o nome que levam.

De um ficheiro onde se encontram arquivados cerca de 300 endereços de uma dezena de países, respigamos os nomes de algumas instituições que, por exemplares, podem servir de exemplo a uma realidade que teima em ignorar-se em Portugal, ou antes, que a Comunicação Social em Portugal teima em ignorar :

ALTERNATIVAS NA TELEVISÃO PORTUGUESA

A atenção, ainda que viciada ou viciosa e sectária, por parte dos «mass media» em relação às «tecnologias alternativas de saúde», é também uma prova de que existem e de que não são um sonho.

A RTP apresentou, em 1988 (?), uma série sobre medicinas que curam, mas já em 1985 divulgara um programa de oito episódios «The Medicine Man», da Anglia Television.

À parte este caso, que foi certamente por acaso, quando a televisão se mete no «campo alternativo» é sempre para dar oportunidade à medicina química de impor os seus pontos de vista[, quase sempre de forma troglodita e escolhendo bem os alçapões onde há-de enfiar os opositores.]

O EXEMPLO DE TRÊS REVISTAS FRANCESAS

Revistas francesas de grande prestígio não têm esquecido o tema.

Um número especial da revista «Autrement» era dedicado, em Dezembro de 1986, ao tema «Autres Médecines, Autres Moeurs», tinha 236 páginas e custava 80 francos franceses.

O semanário «Madame Figaro», de 13-19 de Dezembro de 1986, dedicava um dossier especial ao assunto «Médecines Douces», enquanto a revista «Elle» se ocupava de «Ayurveda - os segredos da Medicina indiana» - no seu número de 24/8/1987.

Em Março de 1985, era a revista «Science et Vie», tão ciosa dos seus pergaminhos científicos, que dedicava um dos seus números trimestrais às «Medicinas Paralelas».

No domínio da legislação progressista adoptada, a Austrália mostrava o caminho, fazendo aprovar, em 8 de Setembro de 1985, no Parlamento, a lei sobre Medicinas Naturais.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

AVANÇA SEM MEDO

A Organização Mundial de Saúde editava, em 1983, a obra «Medicina Tradicional e Cobertura dos Cuidados de Saúde», o mais completo e sistemático repositório que já foi elaborado sobre o conjunto das mais preciosas medicinas tradicionais das grandes culturas do mundo como a tibetana, a chinesa, a indiana, etc.

Fazendo assim face às pressões multinacionais para ignorar ou omitir o assunto, a OMS consagra nesta obra e definitivamente as «artes terapêuticas» nas quais terá de se basear, para ser verdade e para ser democrática, a sua campanha «Saúde para Todos no Ano 2000», desideratum que só com as medicinas naturais e nacionais poderá conseguir-se, já que é impossível dotar todo o Mundo com os sistemas sofisticados e de alto custo para onde caminha a medicina de ponta... dita de «alta especialização»

No quadro que a seguir se apresenta, destacam-se com asterisco as «tecnologias apropriadas de saúde» que se encontram largamente referenciadas na obra monumental da OMS « Medicina Tradicional e Cobertura dos Cuidados de Saúde».

TERAPÊUTICAS HOLÍSTICAS

DE A A Z

(*) O asterisco (*) indica as modalidades terapêuticas apenas enunciadas ou largamente analisadas pela obra monumental da Organização Mundial de Saúde sobre medicinas tradicionais publicada em 1983

O QUE DIZ

«O LIVRO DA MEDICINA NATURAL»

Publicado em língua portuguesa pela editora Presença, «O Livro da Medicina Natural» (assim intitulado) considera um quadro de terapêuticas bastante bizarro, já que dele se excluem terapêuticas hoje não só evidentes como de grande público (caso da Acupunctura) enquanto se inserem outras (como a Bioquímica) que dificilmente podemos encontrar referidas em fontes bibliográficas fidedignas sobres estes assuntos.

Quiroprática, Neuroterapia, Terapêutica segmentar, Terapêutica dos focos de doença e Terapêutica das zonas reflexas do Pé são as modalidades indicadas.

A LISTA DA REVISTA

«TEST-ACHATS»

A eleição de novas terapêuticas faz-se, por vezes, em função da ordem indicada pelos números obtidos em sondagens.

No caso da revista belga «Test-Achats», cinco especialidades terapêuticas se encontram entre as mais votadas pelo público consumidor.

A LISTA DA REVISTA

«SCIENCE ET VIE»

Ao reconhecer importância suficiente às «medicinas paralelas» para lhe dedicar um dos seus números (monográficos ou temáticos) trimestrais, a revista francesa «Science et Vie» convidou os seus colaboradores, quase todos catedráticos de Medicina, para falar das seguintes especialidades( assim pela revista classificadas), ou modalidades, aqui indicadas pela ordem como aparecem publicadas na revista:

A LISTA DA REVISTA

«VIE NATURELLE»

Os itens seguintes foram indicados pela revista francesa «Vie Naturelle», que sobre eles organizou seminários e estágios:

A LISTA DA CIA-MAN

Ao convocar o Congresso Mundial de Medicinas Alternativas, a Confederação Internacional de Associações de Medicinas Alternativas Naturais (CIA-MAN) anunciava algumas técnicas como escolhas dos profissionais em Naturoterapia, na ordem em que se indicam a seguir:

A LISTA DA REVISTA

«PLANETA»

Em número especial sobre «Terapias Alternativas», a revista «Planeta», do Rio de Janeiro, propunha as distinções seguintes, aqui indicadas pela ordem em que aparecem na paginação da revista: