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4-5-1999

SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS

E ECOLOGIA DA DOENÇA

As chamadas «doenças da civilização» são assim classificadas pelas próprias autoridades médicas, nomeadamente a autoridade máxima que se gaba de ser a Organização Mundial de Saúde. Não se trata, pois, de uma designação caluniosa proferida por qualquer inimigo raivoso do progresso, por qualquer «descontente da civilização», como dizia o Segismundo (Freud).

É o mesmo que dizer «doenças do ambiente», «doenças do consumo», «doenças da sociedade industrial», «doenças da fome», «doenças da abundância», são tudo sinónimos. No fundo e à luz da chamada «medicina do terreno», são as «doenças de carência», doenças que surgem no organismo espoliado de todas as suas defesas pelo estilo de vida que leva, pela desalimentação que tem, pelo stress que suporta, pelas poluições que o agridem, pelos venenos que o intoxicam, etc., etc..

«Doenças da civilização» é uma forma lógica e ecológica de classificar a patologia usual nesta civilização, ela própria uma doença...

Mas se está geralmente admitido, Europa e arredores, que as doenças têm causa ambiental ou, como se diz, no estilo de vida que se leva nestas sociedades canibalescas de stress e de exploração do homem pelo homem, como se poderá entender o discurso que normal e persistentemente é debitado, pelas autoridades competentes, para o público ignaro, sempre ue abordam as endemias da civilização como o cancro?

A campanha « A Europa contra o cancro» dão o modelo do discurso oficialmente despendido em torno da mais típic doença da civilização que é o cancro.

De facto, quando a autoridade sanitária da CEE decide afrontar um problema de «saúde pública» como o cancro, fá-lo com pressupostos que, no mínimo, se devem considerar ofensivos da inteligência média do médio consumidor, a saber:

- A autoridade sanitária reage sempre tarde e a más horas - foi preciso que se chegasse à percentagem escandalosa de um morto por cada três europeus para se fazer qualquer coisa, que mais não seja espectáculo

- O fazer qualquer coisa como esta campanha em curso, é ainda e apesar de tudo, pior do que não fazer nada, porque, tal como os dados estão lançados, não é a erradicação do cancro que se pretende e o que se vai conseguir, mas o adiamento (até ao ano 2000) da via correcta para se eliminar esse e outros flagelos, a prorrogação da verdadeira cura e das verdadeiras terapêuticas com as habituais desculpas de mau pagador que têm sido sempre as da medicina perante aquilo que ela própria, muitas vezes, fabrica;

- Se o cancro é produto do sistema, como o pilrito é produto do pilriteiro, a sua incidência só diminuirá quando o sistema fizer autocrítica dos seus crimes contra a saúde pública e abrandar nas suas aberrantes condições de vida cancerígenas, incitando a pessoas safar-se através das alternativas (terapêuticas) em vez de as combater;

- A percentagem de 15% menos de mortalidade até ao ano 2000 é falaciosa, além de ser um insulto à esperança dos doentes: porque é possível subir muito essa percentagem (caso se adoptem medidas de verdadeira profilaxia natural já hoje conhecidas e que a medicina oficial estupidamente rejeita sem ver) e porque, indicando a meta do ano 2000, está-se usando um truque aleatório abominável, criando apenas falsas esperanças e adiando, mais uma vez, as soluções daquilo para que a medicina sabe não ter soluções:

- Se o cancro é produto do meio, é evidente que nenhuns progressos se podem obter no «combate» à doença, enquanto três frentes não forem contempladas simultaneamente:

O cancro é um escândalo para a sociedade que o promove(através das suas superestruturas ideológicas chamadas instâncias científicas) para se admitir, ainda por cima, que a Europa venha gozar connosco com este insulto dos 15% menos mortos atá ao ano 2000.

Uma campanha que polariza o seus pretensos alvos de ataque no tabaco, quando, até, do tabaco, os factores cancerígenos comprovados (fora os outros) se podem contar por centenas, o que dizer destas campanhas, deste discurso, desta mistificação a que o emblema europeu das estrelinhas está dando cobertura?

Todos sabemos que o problema do cancro é um problema de ideologia e de poder médicos: enquanto o dogma científico estiver ao serviço das multinacionais da química que sõ, por todos os lados, inclusive o medicamentoso, as multinacionais do cancro, quem pode acreditar na sinceridade de campanhas como esta que nem sequer piedosas são?

Se medicamentos e cosméticos como

Se as radiações ionizantes , que estão por todo o lado, são, por natureza, cancerígenas

Se aditivos, corantes e conservantes químicos alimentares há muito são indicados como cancerígenos (alguns nos próprios rótulos)

porque se fala só de tabaco, porque não se proibem (já) os fabricantes de açúcar, de refinados, de aditivos químicos, de conservantes, de corantes, porque se adia a expectativa pública e o sofrimento humano com o «bluff» dos estudos epidemiológicos e com as campanhas caritativas «contra o cancro», contra isto e contra aquilo?

Se se deixa intacta a causa e, em muitos casos, ainda se multiplica, ao que vem a demagogia de campanhas alegadamente a favor da saúde pública?