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Lisboa, 20/5/1992

CARTA A UM MAGO MEU AMIGO [ESTRITAMENTE CONFIDENCIAL]

Em estado de completa gratidão para contigo, para com a Maria, para com o Pêndulo, para com Etienne Guillé e para com Tudo e todos em geral, incluindo a ordem cósmica, é o momento de te dar notícias, as mais relevantes, das mudanças (da transmutação) verificadas. Tenho-me deixado conduzir, desde que naquela 5ª feira, às 5 da tarde, te telefonei a pedir socorro e é nessa disposição de espírito - deixar-me empurrar pelo que tem de ser, pelo que tem de acontecer - que continuo. Deixo que sejam as forças (quais?) a comandar-me, sem grandes pretensões de impor a minha vontade à Vontade que, cada vez mais, sinto que está decidindo por mim. Tenho sonhado pouco, ou antes, lembro-me pouco do que sonho. Forte, de facto, foi o primeiro sonho que tive, na noite da primeira vez (sexta feira) em que me trataste. Desde então, a intensidade dos sonhos tem declinado. E mal me lembro. Gostaria de sonhar mais e ter consciência desse estrato inconsciente. Mas será assunto para mais tarde, parece-me que há coisas mais urgentes e que novas prioridades se me perfilam no meu dia-a-dia. Para já e sem espanto, acho que já não vou fazer mais nada do que aprender o Pêndulo.

Provavelmente, não te deste conta de que sou, por signo, um inveterado sonhador de projectos - talvez por isso me lembre pouco dos sonhos nocturnos - e a mim próprio me tenho rotulado, com algum desprezo, de «Chico dos Projectos». Toda a vida fiz projectos disto e daquilo. E toda a vida os projectos (quase) sempre saíram furados. Desta vez, o projecto é só um e, furado ou não, vou dedicar-lhe 24 em 24 horas de cada dia. Se o Etienne ensina, entre tantas coisas que ensina, ao diagnóstico precoce, o que é que eu, aquariano de gema, pensei? Vou dedicar o resto da minha (segunda) vida ao sonho de fundar um Atelier de Diagnóstico Precoce, a que em tempos chamei (porque já pensara nisso, evidentemente) Atelier Yin-Yang, onde muito simplesmente se faria o check up holístico da malta, aquilo a que, na altura, chamei o Diagnóstico Holístico personalizado, o Retrato de cada pessoa, o seu Biotipo, a sua diátese.

Com a sua «equação SV-EV», Etienne dá-nos a chave, de facto, e como ele diz, para abrir a fechadura individual: é possível, de cada pessoa, organizar a sua Ficha Pessoal e Intransmissível, de carácter evolutivo, uma espécie de Bilhete de Identidade (ou de Cartão do Contribuinte...) do seu tipo vibratório, da sua equação SV-EV.

Sonhara isto há vários anos, mas acho que o encontro convosco (contigo, com o Pêndulo, com Etienne) é a ponta da meada que me permite agora puxar todos os fios que, qual aranhiço, fui tecendo, sem grande fé de que estivesse a tecer alguma coisa de jeito. O que há de novo, agora, é a Fé de que nada terá sido em vão na minha cármica experiência e que poderei agora e finalmente ajudar os outros, como foi sempre o meu sonho de peixe aquariano impenitente.

O tal perfil holístico, para a pessoa trazer na carteira (assim como traz o cartão de eleitor...)é uma grelha sempre aberta e onde o próprio participa, sabendo que tem obrigações para consigo, com o seu suporte vibratório, com o seu destino cósmico, com o seu ser energético. A minha militância - tanto quanto consigo discernir neste momento - consistirá em trazer para esse projecto todos os que tiveram órbitas próximas da minha (irmãos, amigos, família, etc...) obrigando-os, com argumentos convincentes evidentemente, a dar, a doar, em sinal de gratidão à Ordem do Universo, contributo material e espiritual para esse projecto comum que pode ser, para já, esse tal Atelier Holístico de Diagnóstico Precoce - destinado, sobretudo, a socorrer os que estão longe do Centro de Socorro mais poderoso que é o número 31,2º da Rua Camilo Castelo Branco... Mas atenção, senhor Afonso II Cautela: à luz do yoga tibetano, com quem, desde 1977, contraí também uma infinita dívida de gratidão, pressinto que possa estar a engordar o meu Ego e a ser vítima do pecado do Orgulho, querendo realizar coisas superiores às minhas posses e competências, ou que de todo não me compete realizar. Mas, a este respeito, ouvirei com o máximo respeito, as opiniões que respeito, inclusive e principalmente a tua opinião. Enquanto não me sentir vítima do Pecado do Orgulho, e estiver convencido de que estou tentanto ajudar e servir o meu próximo, batalharei pelo centro Holístico de telediagnóstico, espécie de Socorros a Náufragos no mar Alto do Kali Yuga. Caso estejas interessado em conhecer o projecto que está na minha cabeça, poderei pormenorizar os «dispositivos» que prevejo para o referido Centro Holístico de Diagnóstico. Na leitura de Etienne, apercebo-me de como é necessário e urgente complementar a sua démarche genial com outras démarches que, embora mais modestas e de menos génio, nos deram também contributos decisivos para construir a ponte entre Kali Yuga e Aquário, contributos que poderão «potencializar» o «método de análise dos sistemas» tal como este «m.a.s» é também, e segundo o vejo, um espantoso potenciador sinérgico de múltiplas outras terapêuticas. Estou a pensar, por exemplo, na Macrobiótica e nos seus dois profetas Oshawa e Michio. Como peixe-de-Aquário, acho que estou zodiacalmente investido desta missão de Interface entre complementares, mesmo que sejam opostos mas que, por enquanto, à luz parda de Kali Yuga, ainda vemos como irredutíveis. Com certo pretensiosismo, acho mesmo que é esse o meu papel neste palco, neste momento, neste movimento imparável a que também chamaste «revolução cósmica», ou a que, para facilitar, posso chamar de «movimento holístico» ou «movimento ADN-Pêndulo».

Nas bibliografias apresentadas por Guillé nos dois volumes de «L'Alchimie de la Vie», só uma dezena de títulos (livros) figuram na minha Biblioteca, que um dia baptizei de Biblioteca para os Tempos Difíceis. Nela encontro, de facto, os livros de nomes citados por Etienne: Claude Bernard, René Chauvin, Julius Evola, Fulcanelli, Goethe, René Guenon, I Ching, Carl Jung, C. Louis Kervran, Eliphas Levy, James Lovelock, Stéphane Lupasco, Joseph Needham, E. Pfeiffer, Ilya Prigogine, Patrick Veret, L.C. Vincent, Lyall Watson, R. Wilhelm.

Exemplificando dentro da Macrobiótica, acho que posso ser o «suporte vibratório» para fazer chegar a informação do Michio Kushi, por exemplo, (Kushi que ponho logo a seguir ao Etienne na fila dos meus queridos profetas) ao campo unificado de Etienne. Concretizando ainda mais, vou confidenciar-te isto: quando, na quinta feira seguinte àquela segunda feira em que me recebeste, acordei e fui à cozinha, foi como se alguém por mim me pegasse nas mãos e me fizesse descascar Cenoura+ Abóbora+ Cebola+Couve (a maravilhosa Couve branca do nosso humilde repolho). Fiz, em vinte minutos de lume brando, o «Chá-de-Vegetais-Doces» (assim designado pelo seu inventor, Michio Kushi) e foi nessa manhã que a dor no fundo do intestino, ali permanente havia 4 meses, começou a recuar. Foi nessa manhã que o processo do retrocesso entrou em andamento. A mão que me guiou evidentemente que foi a tua e o guindaste que me puxou do fundo do poço foi o pêndulo (lembrei-me do conto do meu irmão Edgar Alan Poe, que se chama exactamente «O Poço e o Pêndulo»). Bom, mas o «Chá-de-Vegetais-Doces»(C-V-D) foi o suporte vibratório das energias vibratórias que tu accionaste. Para mim o C-V-D está testado. É a «arma» de Kushi tal como a que o Arroz Integral (o célebre Prato nº 7) foi para Oshawa, é a arma para acelerar a vinda do Aquário. Mesmo quando o doente já não pode ingerir alimentos, nem mastigar ou digerir -- nem sequer arroz -- pode ainda receber o «C-V-D», com uma palhinha daquelas com que se bebem refrescos...E pode «ressuscitar». Ao Senhor Pêndulo, portanto, peço licença para juntar este outro senhor, o C-V-D, tão simples e tão poderoso como todas as coisas que são poderosas (porque são) e simples.

Esta aventura que confidencialmente te conto, tem tanto de alucinante que chego a recear pelo meu próprio equilíbrio mental... Deixo-me guiar pela intuição e a verdade é que ela, mesmo nos momentos de menor fé, de mais fraca vibração, nunca me deixou ficar mal. Criou-me sim foi muitos dissabores, mas isso é outra história: sempre tem dissabores quem vê esta porcaria desta sociedade com lucidez. A influência que tu o Pêndulo operou sobre mim é de tal forma e de tal monta, que estou ainda a digerir, a metabolizar os efeitos. É que tu deste com um peixe de aquário com ascendente escorpião - e desencantaste um processo de tal modo complexo, profundo e intenso que - como deves compreender - vou levar algum tempo a «compreender». Entretanto e para ir aproveitando o tempo - é preciso lutar contra a implacável Entropia desta época terrível - estou lendo, relendo, treslendo as 650 páginas dos dois volumes de «L'Alchimie de la Vie» que, no mínimo, deverei classificar de vertiginoso. Anseio por chegar à prática e o destino já me trouxe amigos que me vão ajudar a praticar com o pêndulo. Agora que a decisão está tomada e é irreversível, acho que não vou duvidar: se me deste, com a ajuda do Pêndulo, uma segunda vida para viver, a minha obrigação é pôr essa «segunda via», em sinal de gratidão, ao serviço do Pêndulo. (Fio de Ariadne, como lhe chama Etienne). Muitas vezes escrevi, na vida anterior, que a «Gratidão é o Oxigénio da Alma» e acho agora que Etienne não desdenharia desta minha frase. Entre outras coisas, a Gratidão inclui, agora, eu ir repescar os Fios que, ao longo da vida anterior, vieram ter comigo. Ao sintonizar-me com eles, é porque estavam inscritos no meu código genético vibratório... A gratidão leva-me agora a reprocurar esses velhos amigos que funcionaram, afinal, como precursores do Profeta Etienne Guillé. É o estado de Gratidão que me leva, assim, a juntar à bibliografia apresentada por Etienne, alguns nomes a quem devo muito e falando apenas dos que investigaram o Cancro em sentido estrito ou o Cancro em sentido lato (= Entropia= Violência=Stress). Em sentido estrito: Alexis Carrell, Rachel Carson, Carlos Carvalho, William Duffy, Michio Kushi, George Oshawa, Satillaro, Wilhelm Reich, Michel Rémy, Serge Jurasunas, André Voisin. O Cancro em sentido lato: Ernesto Bono, Murray Bookchin, Josué de Castro, Teilhard de Chardin, Mircea Eliade, Ivan Illich, Krishnamurti, Edgar Morin, Theodor Roszack, E.F, Schumacher,

ESTRITAMENTE CONFIDENCIAL

Sobre a máscara africana tão falada, uma informação estritamente confidencial para ti: já somos amigos. Depois de algumas voltas no circuito do Medo, acabei por trazê-la de novo a casa, convencido de que iríamos ser amigos. E somos. Se foi ela que me agravou o sintoma - a dor no intestino - abençoada Dor, e abençoada máscara. É assim que a vejo hoje, como «instrumento» que me empurrou para o que tinha de ser. O Verso e o reverso. Quanto maior a face, maior o Dorso. Sem crise não há mutação. Sem grande crise, não há grande mutação. Há muito tempo, a minha intuição chamava a isto os «demónios de deus». E sempre acreditei no Karma Yoga, único em que julguei ter alguma perícia...

Outro conselho que preciso de ti: não sei se estou a proceder bem mas é no sentido em que a intuição me está guiando. Refiro-me às pessoas necessitadas de socorro a que darei o número do teu consultório. Para já, só o farei àquelas pessoas que me parecerem minimamente preparadas para compreender e aceitar o inesperado. Estou a enviar para ti os casos verdadeiramente difíceis, os de stress máximo, os terminais, os «in extremis» e por duas razões que te explicito: 1º - Por um lado, acho que não podes perder o teu tempo, tão precioso, com casos menores, agudos, dores de dentes ou de cabeça...; 2º - De acordo com o que Etienne tantas vezes explicita, é - digo eu - «quando se bate com o cu no fundo do poço» que a transmutação se torna possível e desejável. Estarei a interpretar correctamente o ensinamento de Etienne?

Uma informação para ti também confidencial é o meu regime de horas... Acordo por volta das 3 da manhã, tomo o meu Guaraná e o meu CVD. Às 7-8 horas, ponho-me ao computador a ordenar o Projecto. A meio da tarde, um minuto de «relax», uma inspiração profunda, uma rápida passagem ao nível de Sono e a pilha energética recarrega em questão de minuto e meio. Depois, é o estudo intensivo de Etienne até me dar o sono mais pesado e profundo. Vou para a cama dormir. Tudo somado, acho que durmo demais, as seis horas clássicas. Quanto a comer, aspiro chegar à tua perfeição, dispensando, pelo menos, uma refeição por dia.

 Afonso