<karma- 0> = <karma-10>+<karma-11>+<karma-12> <cartas> - nigredos 1992

ANTES E DEPOIS  DE ETIENNE GUILLÉ

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<karma-10><cartas92><diario92>

O KARMA YOGA

Em trânsito , 18.7.1992 - Vamos lá então falar de Adversidade. Alguma vez a gente havia de falar de coisas sérias e do que verdadeiramente importa. Ao lado deste assunto - o nosso carma - tudo o mais é lixo inconvertível, não degradável. Mesmo a exploração do homem pelo homem - essa afronta -, da mulher pela mulher, a que estamos sujeitos, por exemplo e nem só?

Porque pensas tu que ainda consigo estar vivo? Afinal, a adversidade parece que me fortalece. A questão está só em... Bom, a questão está só no sistema imunitário, e refiro-me tanto ao da alma como ao do corpo (aliás e embora não pareça, é o mesmo). Bom: aí é que reside a nossa conversa, a ter em ambiente não poluído e com todas as forças do Céu - e algumas da Terra - a nosso favor, a ajudar-nos.

Espiritualmente falando, neste Cabo do desespero não temos defesas do Céu, as forças da terra tripudiam à vontade.

Que Deus perdoe a todos os poderosos da Terra... A cada serviço armadilhado, a cada golpe de autoritarismo, a cada acto de exploração do homem pelo homem, a cada desenfreada medida de exploração desenfreada dos trabalhadores, a única diferença, para mim,  é que agora treinei o xuto, jogo à defesa e devolvo, como bom guarda redes, a bola que me atiram à cara.

Teu avôzinho Abel

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<karma-11><diario92>

Lisboa, 1.8.1992 - Estar vivo não chega. É preciso estar vivo e dar graças a Deus por isso. Dar graças a deus por todas as desgraças que (nos) me acontecem. A isso se chama, por isso, «estado de graça». O contrário - o «estado de desgraça» - é sinónimo de Pecado. E Pecado Mortal.

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<karma-9><eu-eu> <diario92> <ADN> <manual>

ANTES E DEPOIS DE ETIENNE GUILLÉ

Lisboa, 5.8.1992 - A diferença entre o antes e o depois de Guillé, é que, com ele, a última instância de justiça ficou, para mim, firmemente comprovada. Era a pedra angular que faltava à minha fé, para ser a Fé. Tudo se resolve à volta do carma e tudo o que escrevi foi e continua a ser - cada vez mais - à volta do carma, único problema, única questão, único mistério. Perante o assédio do Horror Moderno - este tempo-e-mundo em todas as suas histerias olímpicas e expos internacionais - os olhos suplicantes do terreno e mortal sofredor voltam-se para o Céu e perguntam: onde está a justiça última e derradeira, porque estou aqui e qual é o meu papel? Quem pode servir de instância arbitral suprema? Porque sofro eu tanto e aquele Nababo é só farturas? Porque há doença, tortura, crianças assassinadas, gangs, gangsters, chefes, patrões, violência, doenças, interminável sofrimento, crianças-esqueletos, horrores de toda a espécie, humilhações sem fim, opressões internacionais, chantagens e chantagistas, asfixias, Celuloses & Celuloses triunfantes, Petrogais & Petrogais fumegantes?

(...) Será que nunca irá ser reposto o processo interminável das intermináveis injustiças e desigualdades? Esta pergunta - que se fez toda a vida e que toda a vida fica no ar - foi para mim respondida com (alguma) firmeza pelo encontro com Guillé. Vejo, sinto, pressinto (pós Guillé) que a Adversidade faz boomerang contra quem a manda para cima de nós. É o que se chama magia, é o que se chama a aceleração do Karma Yoga. Se quiserem saber o leit motiv de todos os meus ecritos, manuscritos, diários, esboços, ficções, heterónimos - o lugar comum, o ponto central, o meu busílis -, pois é esse. Sempre, em tudo, o meu pressentimento central foi o do Karma Yoga. O Pós Guillé explica porque estou menos nervoso, menos ansioso, menos deprimido, menos inquieto, menos angustiado.

Vejo a justiça concretizar-se à minha frente com muito mais rapidez (assim como os meus velhos sintomas físicos também continuam mas muito mais atenuados e com mais breve duração). O tempo acelera vertiginosamente - é o que, neste momento, julgo ser uma consequência de Guillé e o ficar sob a sua órbita, a órbita das suas vibrações de Iluminado. É uma explicação para o que possa haver de mágico nos que se envolvem com o pêndulo de Guillé. O M.F. tem dado «dicas» nesse sentido: mesmo que não se possa fazer nada perante um caso desesperado e terminal - o que o pêndulo pode fazer é «ajudar» a preparar o postmortem. De qualquer maneira, esta aceleração do carma assusta... O que de bom e de mau tiver que me acontecer, concentra-se em pouco tempo. É como se o processo de sentença, no tribunal de Deus, se acelerasse. Deus torna-se quase uma presença corpórea. E isso assusta. Não há magia negra em Guillé, claro! mas assusta.