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COISAS DA ENTROPIA

NA ERA DO VIRTUAL

Paço de Arcos, 1989 - O outro lado da prosperidade, do celofane, do néon, do êxito, do sucesso, das metas, dos heroísmos.

O outro lado da opulência ou o preço que se paga pela «felicidade» do consumo.

A duplicidade do real: nada é nunca só uma coisa.

A visão taoísta. O Tao-Te-King como «livros dos paradoxos»? A permanente contradição do que passa e muda é a marca de toda a sabedoria.

A moda da moda torna-se anti-moda.

O que vale hoje, deixa de valer amanhã e volta a valer depois de amanhã com o rótulo de «retro» e volta a deixar de valer depois de depois de amanhã.

O piroso hoje é capaz de ser bestial amanhã, contanto que a máquina do lucro continue girando.

O antigo torna-se «up to date» , tira-se da arca onde estava escondido e chama-se «revivalismo».

O Packard dos anos 40 é a face do modernismo do «Roger Rabbitt».

A avalanche de dados na era do virtual tem a ver com esta cultura da incultura, com esta informação desinformada. Quem selecciona e o que se selecciona?

Onde está o filtro, o critério selectivo, o que permanece do que muda?

Onde e quando (em que momento ) deixa o «budismo tibetano» de ser uma antiguidade clássica para responder a prementes necessidades do espírito moderno , do homem contemporâneo e do vazio do virtual?

Que é isso de moderno e de pós-moderno?

Alguns paradoxos para uma actualização do «Tao te King»:

O fascismo das democracias

A poluição da limpesa

Os desperdicios da Economia

As doenças da Saúde

A desinformação da Informação

A lentidão da rapidez (tráfego urbano, por exemplo)

O stress dos tempos livres

A tecnologia que escraviza

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RITMO E RITUAL

Paço de Arcos, 8/12/1996 - O ritual está ligado ao ritmo e não aos ritos, que são uma decadência do ritual.

Significa isto que é nos ritmos quotidianos mais vulgares e anodinos que o ritual se consuma.

Ou seja, dito de outra maneira, a vida quotidiana ritualiza-se quando o ser humano se liga à sua origem vibratória (= sagrado = divino) . A rotina dos monges num convento é um bom exemplo desse ritual do (nosso) quotidiano. Da presença do sagrado no mais pequeno pormenor da vida vulgar.