1-2 < 93-04-29-rh> radiestesia quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2003- novo word - 3687 caracteres <da-19><adn> diário de um aprendiz -> trabalhar com o pêndulo> vicissitudes da radiestesia

vicissitudes da radiestesia

APÓS UM ANO

DE SE VER ENVOLVIDO

Lisboa, 29/4/1993

1 - Após um ano de se ver envolvido com a Radiestesia, chega provavelmente o momento de o Aprendiz (se) perguntar se não estará metido num buraco (irreversível) maior do que aquele do qual julgou safar-se. Os sinais contraditórios que recebe são mais que muitos e por mais que tenha ouvido falar, nos seminários e conferências, na lei da ressonância vibratória, e no facto de esta lei «não ter nada a ver» com a lei de causa-efeito, com uma leitura linear da realidade, por mais que o tenham doutrinado de acordo com o método da análise global dos sistemas, a verdade é que ninguém - nem ele nem os instrutores - consegue dispensá-la e aguentar-se interminavelmente num tempo sem tempo e num espaço sem espaço, numa dialéctica que ora é trialéctica, ora é tetraléctica, ora é pentaléctica, etc.

2 - Se, para não partir a cabeça num dos muitos tombos, o Aprendiz tenta segurar-se agarrando-se ao prático, às aplicações práticas do método, como é o caso do «transfert» de energias, a chuva de contradições é igualmente copiosa. Numa página lê que o transfert é acessível a toda a gente, desde que aprenda, mas na página seguinte já lê que ninguém deve fazer transfert nem querer considerar-se Deus! Primeiro o transfert é democrático, para toda a gente, mas depois é só para eleitos, para hierofontes, para os iniciados nos mistérios de Elêusis, para os faraós propriamente ditos, «especialistas em transfert», como diz Etienne Guillé (EPH, _____).

É escusado perguntar em que ficamos, porque nunca nos ficamos, estamos sempre a mudar. O curioso é que o método de Radiestesia tem uma série de respostas feitas (prontas a responder) para todo o tipo de questões deste tipo que o Aprendiz possa fazer.

3 - Se o Aprendiz se vê grego (ou egípcio) porque tudo muda constantemente, logo lhe acenam com as virtudes da mudança e o pecado da estagnação. Se o Aprendiz geme porque de hora a hora mudam as referências - os diagramas ilustrativos, por exemplo, e os eixos hierárquicos - logo a mesma resposta de mudança lhe cala a boca. Se o Aprendiz procura ser humilde, logo lhe dizem que o maior orgulho é o da humildade. Se procura fugir ao poder do dinheiro, logo lhe dizem que só quem merece esse poder o pode legitimamente ter e que mais vale ser pobre toda a vida do que ir parar ao Inferno (como se não estivéssemos no Inferno).

4 - A propósito de Inferno, o diagrama dos potenciais energéticos é também ilustrativo das contradanças a que o Aprendiz é submetido: dizem-lhe para (se) autotestar o seu nível vibratório, mas depois dizem-lhe que afinal aquilo não serve para nada, serve só para o fazer claudicar no seu egozinho egoísta.

A respeito de «impecabilidade» - virtude principal exigida ao iniciando - o Aprendiz pergunta se a impecabilidade é prometer e não cumprir, mudar de humor e opinião de 5 em 5 minutos, cobrar 20 contos por seminário e ainda ratear, ainda escamotear informação, se impecabilidade é ter escolhido o Hotel da Lapa para sede da radiestesia em Portugal, se impecabilidade é deixar as pessoas entregues aos stresses desestruturantes sem nunca lhes ter explicado o que é um stress positivo e o que o distingue de um stress negativo.

Será impecabilidade ir dando a informação teórica em rajadas e a informação prática em conta-gotas, sem parar para tirar dúvidas de fundo?

Será impecabilidade confundir todos os tipos de Aprendiz e mandar recados aos que querem a radiestesia para ganhar dinheiro a dar consultas, como se não houvesse quem procure a Radiestesia exactamente como derradeira alternativa ao desespero e ao suicídio, como um caso de vida ou de morte.

Se os mais bem informados, energeticamente falando, não distinguem quem têm diante, quem irá distinguir?