1-3 < 96-06-07-ac-ce> - ac – 5 estrelas - quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2003-novo word - 9.216 bytes-8129 caracteres <cdm-1>  <adn> <a-enc> cdm = curriculo do monitor <15/6/95>

 

O ROUBO PRATICADO EM CIÊNCIAS OCULTAS

E O PROBLEMA DO PAGAMENTO

DOS DIREITOS DE AUTOR

7-6-1996

Ao preparar o II Encontro de Estudo sobre Energias Subtis, deparei-me com uma dificuldade: semanas antes, em Abril de 1995, no Plaza Hotel de Lisboa, onde decorria o seminário de Radiestesia, fora eu denunciado ao Grupo de Paris pelos meus colegas de «Radiestesia e ADN», como estando a tomar iniciativas de ajuda ao próximo que iam não só prejudicar o negócio deles como iam colidir com os legítimos direitos de propriedade «adquiridos» pelos 4 proprietários da radiestesia em Portugal: Maria Correia Pinto, Manuel Fernandes, Afonso Lopes Vieira e José Carlos Alverca, os únicos autorizados por Deus a praticar terapia radiestésica e os únicos igualmente autorizados por Deus a fazer seminários de «Radiestesia e ADN».

Ou seja, estava eu proibido, mesmo na casa de banho, de falar a alguém do Etienne Guillé, dos seus livros, do seu método, dos seus diagramas, do que, em suma, aprendi desde Outubro de 1992, nos 22 seminários de «Radiestesia & ADN» que frequentei ao longo dos anos: 1992 (3 seminários), 1993 (10 seminários) e 1994 ( 9 seminários) pelos quais paguei, no total, a quantia de 240 contos de reis.

Como não gosto de roubar ninguém tal como o fisco me rouba a mim, nem tenho o hábito que tem o Estado de andar a tirar carteiras do bolso dos outros, colocou-se-me então um problema de propriedade horizontal muito complicado. Um problema de direitos de autor complicadíssimo.

Como é que eu ia falar da Tábua de Esmeralda sem pagar os respectivos direitos de copyright ao Hermes Trismesgisto?

Como é que eu ia falar da Harmonia das Esferas sem que cobrasse logo o devido ao Laplace e ao Giordano Bruno?

Como é que, meu Deus, valha-me Nossa Senhora, ia falar do Triângulo - base da alquimia da Criação - sem, primeiro, pedir autorização ao Pitágoras que, por sua vez, já o tinha fanado ao Hermes Trimegisto, de quando esteve no Egipto a passar férias.

Mais: como é que eu ia usar o símbolo solar do Yin Yang, se o número do telefone do Lao Tse tem estado impedido e se não tenho o número do fax para lhe mandar pedir esse grande favor.

Mais aflito ainda fiquei, quando se me pôs a questão do Solve e do Coagula, de toda a figuração, quase sempre anónima, quase sempre fantástica, da grande iconografia alquímica. Sim, como é que eu ia telefonar primeiro ao Raimundo Lull, o maior de todos de tal maneira que a Igreja foi obrigado a canonizá-lo para evitar o escândalo, depois ao Roger Bacon, outro misterioso senhor que se mete como piolho por costura nos interstícios da barba, depois o autor, ainda por cima anónimo, do Mutus Liber (qualquer dia tenho o fantasma dele a rondar-me a porta para lhe pagar direitos do Mutus Liber). Depois um tal Basílio Valentinus de quem, aliás, os meus colegas de radiestesia, tão zelosos a proteger o negócio deles, largamente se abastecem e ao qual não me consta que tenham sido atá agora pagos quaisquer direitos de autor.

Mas se me falam de pirâmides - outra pedra angular da Criação - eles, os meus colegas, não falam de outra coisa e qualquer dia têm o fantasma do rei Keóps a rondar-lhes a barguilha, a pedir contas do abuso. E como eles usam as pirâmides, valha-me o deus Rá.

Bom: mas que dizer do Tarô egípcio, como se houvesse outro que não fosse egípcio, ainda por cima subaproveitado a cores nas mil cópias e versões (perversões) que dele correm? Não há bruxo ou bruxa, hoje, que não tenha uma de adivinho com o tarô que, mesmo a cores, e mesmo nas versões que continuam, em coro, a pervertê-lo, a deturpá-lo, ainda presta alguns bons serviços premonitários.

Valha-me Nosso Senhor, não se pode estar sossegado neste mundo.

Fulcanelli telefonou-me ontem, e diz que raio de bagunça é esta a roubarem-lhe todos os dias as moradas filosofais e os números do telefone.

Quanto ao Chicung - os mestres chineses do tauismo já se puseram em campo e não vão, com certeza, perdoar à Drª Deolinda que anda a chulá-los. Sem falar dos acupuncturistas todos feitos à pressa que não pagaram direitos ao Imperador Amarelo.

Problema de altíssima gravidade foi quando Patrice Kerviel, que nos tem dado os melhores seminários de Radiestesia e Iniciação, se debruçou, em Abril de 1995, no Plaza Hotel, sobre o grande mito do Graal - ou seja, a procura, a demanda da Pedra Filosofal. Ou seja, Deus.

Aqui o caso de direitos e royalties complica-se: porque por um lado é deus quem vai exigir o pagamento, via deusa Maat. E, por outro, o rei Artur, que nem ao aldrabão do Spielberg e suas coboiadas pseudoesotéricas deveria ter perdoado se nem sequer à sua querida Genebriève perdoou, não vai de certeza ceder direitos.

Tão grave como esta grave violação dos direitos de autor é, por exemplo, tudo o que hoje se apresenta em nome de deus e que é totalmente fanado do Satanás, o grande alfobre onde hoje se abastecem as melhores escolas energéticas, ocultistas, discretas, esotéricas e tutti quanti. Não digo um só nome desses que se abastecem no Hipermercado do demónio, a que Etienne Guillé chamou, em linguagem primordial, MAGA GAU GAS.

Todos quantos falam de chacras e pintam a manta de esquemas sobre esquemas, ilustrados com flores de lótus, deverão ter que ir às Finanças declarar que utilizaram esse esquema, pois, caso existam chacras, o que é bastante discutível, quero ver quem vai receber direitos por este uso e abuso dos ditos centros energéticos.

Talvez mesmo RosenCreuz se revolte na tumba, zangadíssimo com esta indevida apropriação. Só que também ele, Rosacruciano dissidente, igualmente cioso dos direitos de autor - não sei muito bem se já pôs em dia a dívida para com os essénios e até, graças a Deus, a dívida para com os pitagóricos e estes graças a deus a dívida para com o Hermes e este graças a deus com os hierofantes atlantes e lemurianos.

A propósito, será ao Apolónio-da-Tia-Ana ou ao Platão que deverei pagar direitos sempre que tiver de falar, nestes encontros, da alegoria da caverna e da Atlântida?

Aí, no que respeita à nossa pátria celeste, à Lemúria, aos Atlantes, aos sumérios mesopotâmicos, aos celtas, aos egípcios, aos hindus e aos hebreus terá Etienne Guillé que pagar direitos, já que abundantemente se abebera de todos essas civilizações, chegando a construir o diagrama das memórias, essa genial descoberta que quebra todos os limites, todas as escolas, que está no livro de Jean Noel Kerviel, «L'Etre Humain et les Énergies Vibratoires», pg 49, e que não posso mostrar-vos, porque não estou autorizado pelos proprietários das ciências sagradas e de Deus em Portugal.

Aliás, basta sondar a bibliografia, não muito vasta, que Etienne publica, para saber, em casos fulcrais, a quem ele é devedor:

......

Um aspecto, portanto, a que devemos estar sensíveis, nestes encontros de estudo, é os direitos de autor cobrados por entidades, santos, gurus, deuses, escritores, alquimistas, magos, gendarmes, astrólogos, profetas, proprietários do sagrado e outros chulos de deus.

15/6/1995