<rifkin-ol>
O MEU TRIBUTO A JEREMY RIFKIN :
INÉDITOS DE AFONSO CAUTELA
(1997 e 2002)
ligue já:
http://www.mario-franco.nome.pt/livros/olivrodomes.html
http://www.nationalcenter.org/dos7126.htm
http://www.paralibros.com/libros/basicos/l09rifk.htm
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<rifkin-0>
Domingo, 2 de Junho de 2002
Temos sorte. Já há 3 livros de Jeremy Rifkin traduzidos e editados em Portugal. Vinte anos depois de ser traduzido por Henrique de Barros e editado pela Universidade do Algarve (Faro), quando era seu reitor o Prof. Gomes Guerreiro, (com a sua obra fundamental «Entropy. A New World View» ) , os editores portugueses redescobrem Jeremy Rifkin, com mais dois dos seus livros-chave:
1) O Século Biotech, Dominando o Gene e Recriando o Mundo, Publicações Europa América, Lisboa, 2001
2) A Era do Acesso – A revolução da Nova Economia, Editorial Presença, Lisboa, 2001
Os que pesquisam o paradigma da viragem e do maravilhoso dispõem agora de um importante manancial informativo, já que os livros de Jeremy Rifkin se caracterizam pelo poder de síntese e pela profundidade de campo, sem prejuízo da acessibilidade, virtudes que não agradarão inevitavelmente aos defensores do paradigma analítico e ordinário da ciência.
As enciclopédias portuguesas ainda não registam o seu nome mas na Internet já se podem encontrar sites com a sua fotografia e biografia, pistas mais do que suficientes para ninguém alegar ignorância sobre este clássico do século XXI
Sobre a importância da 2ª lei da termodinâmica , que entre nós mereceu também a persistente atenção do Prof. Delgado Domingos (nos anos áureos do movimento ecologista, décadas 70 e 80), Jeremy Rifkin escreveu a página que a seguir antologiamos, retirada da tradução portuguesa da sua obra «Entropia», editada pela Universidade do Algarve nos anos 80 mas infelizmente sem data.
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3.000 bytes <rifkin -1> - 1 página – tese de noologia
O LADO QUALITATIVO DAS ENERGIAS
A MAIS VALIA DA VIDA
Paço de Arcos,
21/11/ 1997 - 1- A segunda lei da termodinâmica só funciona na matéria sem vida, no mundo da matéria dita inorgânica.A degradação do nível da qualidade energética - Entropia - só se verifica no mundo inorgânico.
«Quando qualquer coisa acontece - neste mundo inorgânico - a energia é transformada de um nível mais alto (quantitativamente mais alto) para um mais baixo.»
No mundo vivo, porém, acontece o contrário: quando qualquer coisa acontece de criador, há uma mais valia energética.
2 - O termo usado em Física para medir essa quantidade de energia perdida é Entropia e surgiu com Rudolf Clausius (1868).
De acordo com a lei da Entropia (ou 2ª lei da termodinâmica), uma energia material em alto nível (quantitativamente falando) é mais ordenada do que uma energia em baixo nível, porque ela é mais concentrada.
Segundo Jeremy Rifkin,(*) «a própria evolução foi vista como um processo de ordem sempre crescente, surgindo como um resultado das sucessivas espécies cada vez melhor equipadas para levar seu próprio interesse ao máximo e providenciar suas necessidades materiais.
A teoria de Darwin tornou-se uma regurgitação do postulado principal da visão mecanicista do mundo.
Se a lei da Entropia está correcta, então o conceito de evolução é uma violação a essa lei.»
3 - É, de facto, uma violação dessa lei. Como Ilya Prigogine, Prémio Nobel da Química em 1977, provou, a 2ª lei da Termodinâmica não se aplica ao que ele chamou «sistemas abertos » como são os das criaturas vivas.
« As coisas vivas - diz Prigogine - podem adquirir energia nova.»
Isto quando a 1ª lei da Termodinâmica - lei da Conservação - postula que não há «energia nova».
Talvez que se devesse acrescentar: energia material nova, não há, mas há energia «nova», qualitativamente falando, ou seja, em termos de frequência vibratória.
4 - A essa energia «nova» da vida, Etienne Guillé chama «função de emergência criadora», expressa pela adição teosófica de 1+1 igual a 3 e não igual a dois como diz a aritmética comum.
A aritmética em que as leis da termodinâmica das energias materiais se baseiam.
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(*) «Entropia - Uma Visão Nova do Mundo», Jeremy Rifkim, Ed. Universidade do Algarve, Faro, s/d
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<jeremy-1> domingo, 2 de Junho de 2002
PÁGINAS DE ANTOLOGIA
Do livro «Entropia. Uma Visão Nova do Mundo.», tradução de Henrique de Barros, Ed. Universidade do Algarve, Faro, s/d, páginas 19 a 24 :
VISÃO MUNDIAL
Ao longo da história, os seres humanos sentiram a necessidade de construir um quadro de referência para organizar as actividades da vida. A necessidade de criar uma ordem capaz de explicar os cornos e os porquês da existência diária foi o ingrediente cultural essencial de todas as sociedades. O aspecto mais interessante de uma visão mundial da sociedade é o facto de os aderentes individuais desta, na sua maioria, não terem consciência de como ela afecta a maneira como fazem as coisas e apreendem a realidade que os rodeia. Qualquer visão mundial só tem sucesso na medida em que fique interiorizada, desde a infância, a ponto de se tornar indiscutida.
A maioria dos americanos acredita que o mundo está a avançar para um estado mais válido devido à rápida acumulação do conhecimento humano e da técnica. Também acredita que o indivíduo existe como entidade autónoma, que existe uma ordem que é própria da natureza, que a observação científica é objectiva, que as pessoas sempre desejaram a propriedade privada, que a competição entre indivíduos ocorreu sempre, e assim sucessivamente. Todas estas crenças são, com efeito, consideradas como fazendo parte da «natureza humana» e, portanto, julgadas imutáveis. É óbvio que o não são e que outras sociedades e civilizações, noutros períodos da história, seriam, pura e simplesmente, incapazes de entender algumas das noções que nós imputamos à natureza humana. É este o poder de uma visão mundial. O seu domínio sobre a nossa percepção da realidade é tão esmagador que nem sequer imaginar podemos qualquer outra maneira de encarar o mundo.
A nossa moderna visão do mundo tomou forma há cerca de 400 anos e, embora haja sido grandemente polida e modificada depois disso, conserva muito da sua anterior visão. Vivemos sob a influência do paradigma da concepção mundial newtoniana do século dezassete. No capítulo seguinte, exploraremos em pormenor este paradigma. Não deve provavelmente haver uma pessoa em cada cem capaz de explicar os aspectos intrincados da mecânica newtoniana e, no entanto, a sombra desta continua presente, influenciando todos os nossos movimentos.
Actualmente, porém, está prestes a surgir uma nova visão que virá eventualmente substituir a concepção mundial newtoniana como quadro organizativo da história: a Lei da Entropia dominará como paradigma regulador ao longo do próximo período da história. Albert Einstein disse que era a primeira lei de toda a ciência; Sir Arthur Eddington referiu-se-lhe como sendo a suprema lei metafísica do universo inteiro.
A Lei da Entropia é a segunda lei da termodinâmica. A primeira Lei estabelece que a totalidade da matéria e da energia no universo é constante, que estas não podem ser nem criadas nem destruídas. Mudam apenas na sua forma mas nunca na sua essência. A segunda lei, a Lei da Entropia, estatui que matéria e energia só numa direcção podem ser mudadas, isto é, passarem de utilizáveis a inutilizáveis, ou de disponíveis a indisponíveis, ou de ordenadas a desordenadas. O que, na essência, a segunda lei diz é que tudo, no universo inteiro, começou com estrutura e valor mas está irrevogavelmente a mover-se no sentido do caos e do desperdício. A entropia é uma medida da extensão em que a energia disponível em qualquer subsistema do universo se transforma, tornando-se indisponível. De acordo com a Lei da Entropia, sempre que se cria uma aparência de ordem, seja onde for na terra ou no universo, é à custa de ocasionar desordens ainda maiores no ambiente circundante. A Lei da Entropia será explicada em pormenor no Capítulo 2.
Por agora, bastam algumas observações simples, nas quais o leitor deverá acreditar, pelo menos até que efectue-mos uma autópsia completa da visão mundial prevalecente e exploremos as dimensões escondidas do novo paradigma da entropia. A Lei da Entropia destroi a noção da história como progresso. A Lei da Entropia destroi a noção de que a ciência e a tecnologia criam um mundo mais ordenado. Na realidade, a Lei da Entropia transcende a moderna visão mundial com uma força de convicção que é, em todos os aspectos, tão persuasiva como foi a concepção newtoniana do mundo quando substituiu a visão cristã medieval da Igreja Romana.
A Lei da Entropia possui um poder especial. É tão completamente irresistível que, uma vez plenamente interiorizada, transforma todos aqueles que com ela contactem; é esta quase mística atracção que torna tão assustador o manejo da Lei da Entropia. No entanto, quando a oportunidade se apresenta, poucas pessoas podem resistir-lhe. A atracção provém da sua natureza abrangente. A Lei da Entropia é o assassino das verdades da Idade Moderna, as quais nos ofereceram um dia a ilusão de segurança e ordem. Hoje, estas verdades metamorfosearam-se em monstruosas mentiras que ameaçam o prosseguimento da nossa existência. A Lei da Entropia é a nossa fuga para a liberdade. À medida que vai metodicamente cumprindo a sua tarefa, desmascarando e afastando as muitas mentiras que durante tanto tempo governaram o nosso mundo, experimentamos a primeira sensação de alívio que provém de termos sido libertados. No entanto, sentimo-nos ao mesmo tempo desesperadamente ansiosos, por não conhecermos a nova ordem que o paradigma da entropia criará.
Passo a passo, a Lei da Entropia levar-nos-á a compreender por que razão ruiu o velho paradigma. A nossa geração, apanhada entre o velho paradigma que nos alimentou e o novo paradigma da entropia hoje emergente, passará a surpreender-se por termos acreditado em princípios e axiomas tão obviamente falsos. Entraremos aos tropeções no novo paradigma, desconfortáveis, às apalpadelas, como um visitante
em terra estrangeira. Incapazes de abandonar por completo a nossa visão nativa do mundo, encararemos o novo paradigma da entropia como uma segunda língua, nunca inteiramente ajustados a ele e nunca capazes de o articular plenamente com as nossas rotinas diárias. Para a geração dos nossos netos, a visão entrópica do mundo será como que uma segunda natureza: não reflectirão acerca dela, limitar-se-ão a vivê-la, inconscientes do domínio que sobre eles exerce, tal como longamente não estivemos conscientes do domínio que a mecânica newtoniana sobre nós exercia.
Desde já, o esboço do novo paradigma da entropia está a ser ensinado aos estudantes em todo o Mundo. Dentro de poucos anos, todas as disciplinas académicas serão voltadas de dentro para fora pela nova concepção da entropia. Surgirão tentativas para enxertar a Lei da Entropia na visão presente do mundo, tarefa que acabará por falhar. Os políticos proclamarão a sua importância ao proferirem discursos sobre temas que irão da energia ao desarmamento. Os teólogos construirão novas interpretações da autoridade bíblica baseadas na Lei da Entropia. Os técnicos desenvolverão novas abordagens à. solução do problema com a convicção errada de que este pode ser quantificado e submetido a medição precisa. Os economistas lutarão entre si para tornar a teoria económica clássica compatível com as verdades centrais da Lei da Entropia. Os psicólogos e os sociólogos reexaminarão a natureza humana tendo a utopia como pano de fundo. Tudo isto acontecerá nos anos mais próximos. Tudo isto e ainda mais. Tanto que nenhum de nós poderá apreender mais do que as sombras o os ecos do mundo que hoje está a nascer.
Haverá também alguns que se recusarão obstinadamente a aceitar o facto de que a Lei da Entropia reina supremamente sobre toda a realidade física do mundo. Insistirão em dizer que o processo de entropia se aplica somente em casos especiais e que toda a tentativa de o aplicar mais amplamente à sociedade deve ser considerada metafórica. Simplesmente, estão em erro. As leis da termodinâmica facultam a arquitectura do enquadramento científico que explica toda a actividade física ocorrida neste mundo. Segundo as palavras do prémio Nobel da Química Frederick Soddy, as leis da termo- dinâmica, em última instância, «controlam a ascensão e a queda dos sistemas políticos, a liberdade ou a sujeição das Nações, os movimentos do comércio e da indústria, as origens da riqueza e da pobreza e o bem-estar geral físico da raça». A mais simples actividade física que a humanidade exerça está totalmente sujeita ao imperativo férreo expresso nas primeira e segunda leis da termodinâmica.
Deve ser salientado que a Lei da Entropia lida somente com o mundo físico onde tudo é finito e onde todas as coisas vivas são obrigadas a seguir o seu curso e eventualmente a deixar de existir. Trata-se de uma lei que governa o mundo horizontal do tempo e do espaço. Quando, porém, se procura referi-la ao mundo vertical da transcendência espiritual, ela revela-se muda. O plano espiritual não é governado pelos férreos ditames da Lei da Entropia. O espírito é uma dimensão não-material onde não há fronteiras nem limites fixos a ter em conta. A relação entre o mundo físico e o mundo espiritual é a relação de uma pequena parte com o grande conjunto que a abrange. A Lei da Entropia, que governa o mundo do tempo, do espaço e da matéria, é, por sua vez, governada pela força espiritual que a concebeu.
A maneira como uma civilização organiza a sua realidade física e a importância que atribui ao plano material da existência determinam até que ponto são favoráveis as condições para o enriquecimento espiritual. Quanto mais ampla for a visão mundial do
lado material da vida, menos capaz será de oferecer transcendência espiritual. Quanto menos agarrada uma civilização estiver ao mundo físico, mais livre estará a colectividade humana para transcender os confins do plano material e atingir a profunda essência espiritual que tudo abrange.
As leis da termodinâmica governam, portanto, o mundo físico. A maneira como a humanidade se comporta relativamente a elas, estabelecendo um enquadramento para a existência física, assume importância crucial no que se refere ao florescimento ou ao definhamento da jornada espiritual da humanidade. Uma compreensão cabal da Lei da Entropia é crucial para entender o contexto físico de que devem partir todas as posições espirituais.
De uma coisa não poderá haver dúvidas. A visão mundial entrópica triunfará. Tudo aquilo que nos é agora familiar abrirá eventualmente caminho às suas verdades. À medida que cada um de nós se iniciar na intimidade destas verdades, ingressará no pequeno espaço que nos está reservado na grande aventura à nossa frente.
Os historiadores e os antropologistas especularam demoradamente sobre as razões que levam a que um mundo diferente surja em determinados momento e lugar da história. Este ensaio proporá uma resposta à questão seguinte: a condição energética do ambiente faculta o enquadramento amplo do mundo novo que emerge. Antes, porém, de tentarmos demonstrar esta proposição, é importante que nos afastemos da nossa própria visão mundial o bastante para procurar-mos entender como se forjou ao longo dos séculos a nossa percepção da realidade. ■