1-1 <huxley-md-1-3> sexta-feira, 7 de Novembro de 2003
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1-1 - <huxley-1> notas de leitura
SUBLINHADOS
DE ALDOUS HUXLEY
Para aqueles de entre nós que olham os homens e as mulheres como indivíduos, mais do que como membros de multidões, ou colectividades arregimentadas, ele parece ter-se enganado repugnantemente. Numa época de superpopulação crescente, de crescente superorganização e de meios sempre cada vez mais eficientes de comunicação com as massas, como podemos manter intacta a integridade e reafirmar o valor do ser humano individual?
Eis um problema que ainda pode ser colocado e que é talvez possível resolver de maneira eficaz. Daqui a uma geração pode ser demasiado tarde para se achar uma resposta, e talvez seja até impossível, no sufocante ambiente colectivo dessas épocas futuras, colocar o problema.
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Desde o momento em que é detida, a vítima é sistematicamente submetida a muitas espécies do pressões físicas e fisiológicas. É mal alimentado, é alojado desconfortavelmente, não é autorizado a dormir durante mais de algumas horas por noite. E é mantido durante esse tempo num estado de suspensão psíquica, de incerteza e de aguda apreensão. Dia após dia, - ou antes, noite após noite, porque estes polícias pavlovianos compreendem o valor da fadiga como intensificador da sugestibilidade - é interrogado frequentes vezes, durante muitas horas seguidas, por inquiridores que se esforçam por amedrontá-lo, por confundi-lo e por desorientá-lo. Após algumas semanas ou meses de tal tratamento, o seu cérebro põe-se em greve, e confessa tudo o que os seus captores querem que ele confesse. Então, se é para ser convertido e não para ser abatido, oferecem-lhe o conforto da esperança. Se ele quiser aceitar a nova fé, pode ser, todavia, salvo - não certamente, numa vida futura (porque, oficialmente, não há vida futura) mas na vida presente.
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Marchar diverte os pensamentos dos homens. A marcha mata o pensamento. A marcha marca o fim da individualidade. A marcha é o passe de mágica indispensável com o fim de habituar o povo a uma actividade mecânica, quase ritual, até que se torne uma segunda natureza.
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