1-4<92-01-17> <varios > publicado ac em 27/12/1986??? – os dossiês do silêncio

OS SILÊNCIOS QUE FALAM

17/1/1992 - [mais alguns temas proibidos e tabus sobre os quais recai naturalmente o silêncio - dentro da ecologia em geral, assunto já de si pouco popular, a ecologia humana é ainda mais tabu e, dentro desta, a ecologia do trabalho e, dentro desta, o cancro ocupacional ou a iatrogénese, por exemplo]

Tem todo o ar de luta quixotesca, a resistência que alguns teimam em manter para que não sossobre a esperança das alternativas, a alternativa da esperança. Lendo, por exemplo, o que foi a entrada subreptícia das ideias liberais em Portugal, o paralelo impõe-se.

Hoje, o tempo da liberalização e da perestroika é em relação a outros «absolutismos», mas a clandestinidade da luta é a mesma.

Por exemplo: sempre que alguém fala de Iatrogénese, o olhar do interlocutor afasta-se, finge não ouvir e olha em redor a ver se haverá sinal da polícia do Estado...

A encomenda de livros como a edição da OMS sobre «Medicinas Tradicionais», o tratado sobre Iatrogénese editado em Barcelona, o «Solo, Ervas e Cancro» de André Voisin, os manuais de Acupunctura tradicional chinesa, o Guia de Riscos Químicos no Trabalho, etc. levam meses a chegar, ou não chegam, sob o pretexto infantil de que estão «esgotados». Para invocar o atraso na chegada de livros indesejáveis, invoca-se inclusive o Banco Central e suas demoras na movimentação de divisas.

O SILÊNCIO  DAS ANÁLISES INCÓMODAS

Ao nível de serviços que têm por função oficial (nacional) efectuar análises de produtos, é o silêncio.

Esses serviçostrabalham, em muitos casos, com dinheiro do estado mas o cidadão contribuinte não tem o direito de saber nada do que esses laboratórios vão debitando,

seja na percentagem de radioactividade encontrada nas águas do Tejo,

seja no nível de chumbo atingido pela gasolina,

seja no grau cancerígeno dos fumos negros dos escapes,

seja na quantidade de hormonas, penicilinas e antibióticos encontrada na carne de consumo corrente, etc. [continuar lista]

É tudo silêncio, é tudo segredo, é tudo tabu.

LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS [ vd iatrogénese]

O ar lampeiro e rotineiro com que se retiram do mercado medicamentos que eles próprios anunciam perigosos, é de registar com um grande «oh» de espantação.

A rotina sacraliza o acto. Culpados nefandos e amigos do anti-progresso são os eternos «out-siders» que denunciam o fenómeno iatrogénico , sem que ninguém das vítimas diga «basta» e com todos os vendedores a gritar «mais».

Higiene e segurança no trabalho é o mais tabu dos assuntos-tabu. É o silêncio sobre os pontos mais quentes que são as doenças do trabalho ou doenças ocupacionais. Na Direcção Geral da Higiene e Segurança, o puro silêncio. No Instituto Nacional de Seguros, o silêncio. Na Caixa das Doenças Profissionais, o silêncio.

A informação proliferante sobre as terapêuticas de fundo metabólico para o Cancro, preenche hoje relatórios das próprias Nações Unidas e da própria Casa Branca, mas se a gente tenta dar a notícia no jornal, nunca há espaço.

MEDICINA IATROGÉNICA

Os argumentos da medicina química em defesa da sua própria indústria atingem as raias do sofisma .

Sofisma que interessa aos da química é o de inventar que a «saúde» é a ausência de determinado sintoma e não um estado global psicossomático (como a própria OMS a define), estado que tem a ver com todos os milhões de células e de vibrações que ligam o micro-cosmos ao macro-cosmos.

Sofisma que acciona todos os negócios, desde a «vacina» aos «medicamentos», consiste em banir as noções lógicas e ecológicas de Biotipologia, de Terreno Orgânico, de Equilíbrio metabólico, de Psicossomática, etc.

Reduzir a globalidade holística do fenómeno humano à carpintaria das ciências ditas humanas, é não só um sofisma mas um erro de 1ª grandeza.

OUTROS ASSUNTOS «PROIBIDOS» NOS MEDIA

Outros exemplos de assunto silenciado: Amputar da história das ideias aqueles autores que convergem na Biotipologia e na fisiologia do terreno,

ignorar que, até hoje, mais de 15 teorias, além da microbiana, foram elaboradas para explicar a dialéctica doença-saúde

ignorar que não há feito sem causa

ignorar que doenças da civilização não podem ser tratadas com bisturi ou antibióticos -- não será ignorância deliberada a mais?

DESTRUIÇÃO PELO RIDÍCULO

Outro exemplo: No mercado dos produtos alimentares alternativos, à parte o mostruário exuberante dos que não aquecem nem arrefecem, os produtos verdadeiramente radicais e eficazes escondem-se, dificultam-se, são «só por receita médica». (????)

Os lugares onde se come «alternativo» são olhados pelos «media» como um gueto..

O silêncio aqui é imposto pela caricatura e pelo ridículo.

Mais do que um sofisma, bem evidente, temos um «ciclo vicioso».

PESTICIDAS E TUMORES

Cientistas ainda não conseguiram demonstrar se há ou não há relação de causa-efeito entre o uso de pesticidas na agricultura e o aparecimento de tumores ou mutações hereditárias.