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<91-01-17> <tecnofas> manifesto ideiforAFINAL QUEM É UTOPISTA?
17/1/1991 - O tecnocrata chama realismo aos seus delírios de grandeza e à cegueira dos seus planos megalómanos, classificando de utopia tudo o que procura furtar-se a essa megalomania, optando por soluções de bom senso que são todas as tecnologias leves, alternativas e apropriadas.
O tecnocrata recomenda então «bom senso» quanto à política energética, afirmando que não podemos ser muito puritanos quanto à qualidade de ambiente e qualidade de vida, se é a riqueza do país (a riqueza das classes exploradoras, leia-se e subentenda-se) que está em jogo.
«Cuidado, não vamos cair em exageros ambientalistas» - diz cinicamente o cínico profissional que é o tecnocrata. «Entre ficarmos com um ambiente bom e andarmos de tanga, há que escolher» faz ele questão de acentuar.
Especialista na chantagem, no dilema sofístico, eis que o tecnocrata não hesita em jogar a cartada. E faz a chantagem em que é perito: a acreditar no tecnocrata, o povo consumidor de energia só terá então que escolher entre um cancro por pessoa e um nível de vida e de emprego razoável, aquele que o tecnocrata se dignará dizer que nos dá, a troco da porcaria generalizada, da poluição generalizada, da doença generalizada.
Mas basta olhar a curva de crescimento exponencial, tão querida do tecnocrata, para termos a imagem mais evidente da megalomania utopista.
Quando um tecnocrata, com o maior dos desplantes, classifica de utopista, irrealista, sonhador, romântico, etc. o defensor das tecnologias apropriadas e da imediata abertura de um sector ecoalternativa no sistema -- um sector convivial --, é necessário acentuar quem caminha afinal para dimensões megalómanas e alvos utópicos, quem preconiza curvas infinitas de crescimento infinito (que são fisica e logicamente impossíveis), quem julga poder continuar violentando as leis da natureza que a ciência estabeleceu, quem à viva força quer imitar os fortes, os grandes, os poderosos, os industrializados, os desenvolvidos e os exploradores.
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BIBLIOGRAFIA CASEIRA [AUTOBIBLIOGRAFIA]
OS TECNOCRATAS
A Megavitamina como pretexto, in «NA», 15/5/1957
Charlatães à vista, in «NA», 25/12/1971
Os Charlatães, in «DA», 5/1/1972
Agora a varíola, in «DA», 3/4/1972
Os vendedores de morte defendidos pela nomenclatura técnica, in «NA», 8/5/1972
Crime condicionado, in «DA», 12/10/1972
Norman Borlaug, in «DA», 6/1/1973
Carta à OMS, in «DA», 30/8/1973
Católicos e a defesa dos métodos naturais, in «DA», 5/2/1974♦