<psi-7> da psicologia à naturologia
SAÚDE MENTAL: AJUSTAMENTO OU DESAJUSTAMENTO?
CALOR MATERNO AFINAL
É NECESSÁRIO AO FILHO!
18/12/1998
- A ciência em geral e a ciência psicológica em particular, leva algum tempo e oferece uma grande resistência a conhecer e reconhecer o óbvio.Foi necessário que se cometessem barbaridades, foi necessário que a história da doença mental fosse uma sucessão de horrores, para que, por exemplo, após vários testes e experiências no terreno com gorilas e chimpanzés, a ciência psicológica começasse a «desconfiar» de que o calor do regaço materno é um alimento tão necessário à saúde física e mental da criança como o leite que a amamenta.
E que havia uma diferença abissal entre o leite transmitido de mãe para filho e os leites comerciais que a providencial indústria farmacêutica de leites condensados se tem encarregado de colocar no mercado dos consumos.
À mistura com uns boiões de comida sintética que, dado o seu alto teor em cloreto de sódio ( o tal sabor que leva a criança a papar!), torna os bebés uma pilha de nervos, com uma implosão yang nos seus débeis corpinhos.
Isto para não falar dos brometos dados à parturiente em maternidades e clínicas, e que se destina a secar o leite da mãe.
Esta alteração nos hábitos ancestrais de alimentação infantil poderá ser, obviamente, responsável por algumas das perturbações mais graves do desenvolvimento, por alterações profundas no comportamento e por algumas das mais graves doenças que hoje proliferam com carácter endémico/epidémico.
Mas a ciência que, regra geral, não compreende o que toda a gente vê e já compreendeu, precisa ainda de muitos testes, de muitas provas estatísticas, de muitos estudos epidemiológicos, de muitas investigações no terreno, para aceitar que haja uma relação directa entre ambiente (neste caso o amor materno) e o comportamento (neste caso a criança na idade de colo).
Ou entre os novos alimentos embalados e o «mau feitio» de que as novas gerações dão actualmente mostra...
A sociedade de consumo vem agravar estes qui pro quos ambientalistas, mas a verdade é que se trata de vícios estruturais de um sistema cultural de características acentuadamente esquizofrénicas, ou seja, ausente do real, ou seja, alienado.
Sistema cultural de que a «doenças mentais» são, obviamente, o puro e simples reflexo directo.
É afinal a mais linear das relações entre causa e efeito.
A LAPIDAR DEFINIÇÃO DE DENNIS STOTT
A melhor definição que me foi dado ouvir, até hoje, de «doença mental» vem de Dennis Stott, citado pela nossa professora Judite Corte Real, na aula de 18 de Dezembro de 1998.
Lapidar, Dennis Stott diz: «Mentalmente doente (ou desajustado?) é o indivíduo que age contra os seus próprios interesses.»
Eu permitir-me-ia apenas 2 observações a esta definição lapidar de Denis Stott que parece estar muito próxima do alvo:
a) Ao falar de ajustamento e desajustamento, deveremos entrar numa pormenorização mais subtil do problema, já que o ajustamento se entende, também e principalmente, em relação com o ambiente cultural e, portanto, em sintonia com todas as neuroses e psicoses desse ambiente cultural
b) A fronteira entre o que é e o que não é o interesse próprio de um indivíduo é muito ténue e, a maior parte das vezes, confundem-se.
O que se verifica hoje em dia, no campo dos novos hábitos (des)alimentares do jovem, é que o jovem está perfeitamente ajustado a esses novos hábitos alimentares - de que o hamburger é o símbolo supremo! - e goza, portanto, de perfeita saúde mental, na medida em que se envenena fisicamente.
A cena pode repetir-se com a Coca-Cola, outro símbolo da sociedade de consumo e com todos os restantes símbolos do «fast food» e etc.
À luz da definição de Stott, isto não é ir contra o interesse próprio. Antes pelo contrário: quando come hamburgers (carne picada com alguns ratos e ratazanas à mistura) ele está, evidentemente ajustadíssimo e portanto mentalmente sádio.
O mesmo se diga em relação à Coca-Cola que, conforme a publicidade televisiva não se cansa de repetir, dá mais vida, mais saúde, mais alegria e mais felicidade.
A LAVAGEM AOS CÉREBROS
E é aqui que reside a questão, se fizermos entrar no processo de autoapreço do indivíduo por si próprio aquilo que a sociedade de consumo - com todas as suas artimanhas de psicomanipulação, de envenenamento mediático, monolítico e sistemático dos espíritos, de corrupção dos caracteres, das personalidades e dos temperamentos - lhe indica como bom.
A situação mais perigosa, na perspectiva da saúde mental, não é a de desajustamento - a qual permitirá, no mínimo, uma atenção ao problema e a consciência de que há um problema - mas precisamente a de ajustamento total e completo ao sistema, às modas, truques e lavagens ao cérebro do sistema.
A situação gravíssima, à luz da ética, é quando, por influência do meio consumista, passa a haver um total ajustamento entre o comportamento individual e o meio.
O fenómeno da moda, nas idades jovens, citado pela nossa professora, é o factor «educativo» mais decisivo, muito superior ao que o jovem recebe dos pais ou dos professores.
Com a moda , o consumismo toma conta das consciências juvenis, diria mesmo que as «compra».
E tudo se passa no melhor dos mundos, desde que o jovem adopte os tiques, os cortes de cabelo, os brinquinhos na orelha, os sapatorros inacreditavelmente desconfortáveis, quiçá as tatuagens ( carimbo irreversível, onde pode estar uma das causas da célebre sida!), as noitadas na Avenida 24 de Julho e etc., englobando neste etc as drogas (mais) pesadas.
Há indústrias e industriais especializados nestas técnicas de ajustamento do jovem à sociedade que lhe é proposta. Até os meter nas discotecas, onde, então, em ambiente mais fechado, se passa à segunda fase da psicomanipulação, através do bombardeamento vibratório chamado «música» e que é apenas o ruído suficientemente ensurdecedor que afecta o labirinto, as meninges, os neurónios, o sistema endócrino e nervoso, enfim todo o sistema celular e molecular dos indivíduos. Ou seja, a consciência de si próprio e do que seriam os seus próprios interesses.
Isto é a alienação, a corrupção em massa da saúde mental do jovem, a que se acrescenta o trabalho suplementar das televisões, dos jogos nintendos (epileptogénicos), dos filmes sistematicamente manipulatórios e corruptores, etc.
E nem é preciso chegar ao requinte das «imagens subliminais» como o «Brave New World», do Aldous Huxley, já previa e que, actualmente, ninguém sabe se é ou não sitematicamente usado pelos meios de transmissão de imagem electrónica.
Naturalmente já passámos e ultrapassámos a sofisticação imaginada por Aldous Huxley e George Orwell - mas como estamos todos admiravelmente ajustados e, portanto, somos todos mentalmente saudáveis, já ninguém dá por isso.
Sobre esta situação de total e absoluta perfeição de total ajustamento, filosofou o norte-americano Herbert Marcuse, no seu livro «O Homem Unidimensional».
Recomendável para entender onde começa e acaba o justamento ou desajustamento na chamada saúde mental.
Sobre as barbaridades cometidas no dia a dia com as crianças, ou seja, as barbaridades domésticas, terá que se referir sempre, obrigatoriamente, o texto de Robert S. Mendelsohn, professor na Escola Médica Abrahm Lincoln (Illinois) e presidente do Medical Licensure Committee (Illinois).
Numa crítica radical e frontal à moderna ciência médica, Mendelsohn atribui o nascimento da Pediatria a todas as malfeitorias e conivências do establishment. É um texto modelar, ao qual podemos ter acesso em língua portuguesa, já que figura como prefácio do livro de Michio Kushi, «Cura Natural pela Macrobiótica», editado por Jacinto Rosa Vieira, em 1978. ☼☺☼☺