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7-12-1990

ENDOCRINOLOGISTAS  GARANTEM PROVAS

«MÉTODO DE TALLON ACARRETA PERIGOS»

A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade vai condenar, amanhã, em conferência de imprensa, os métodos utilizados pelo médico espanhol José Maria Tallon para o emagrecimento de obesos por os considerar perigosos para a saúde. A posição deste órgão surge no momento em que o Conselho Nacional do Exercício Técnico da Medicina da Ordem dos Médicos prepara um relatório sobre a actuação clínica daquele oftalmologista, documento que deverá ser divulgado dentro de algumas semanas.

Comentando a posição da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, que desde esta manhã tem reunido em Lisboa o seu 1º congresso, Tallon recusou a «A Capital» as acusações que lhe são feitas, salientando: «Há quatro anos que uso este método em Portugal, já tratei cerca de 18 mil doentes e nunca tive quaisquer problemas graves».

«Temos provas de que os medicamentos aconselhados pelo dr. Tallon são perigosos para a saúde. Basta ver as receitas que ele prescreve», frisou-nos, esta manhã, Galvão Teles, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Aquele médico endocrinologista, que falava minutos antes do início do 1º Congresso Português de Obesidade, reunido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, revelou que a sociedade a que preside vai divulgar amanhã, em conferência de imprensa, a sua posição de repúdio à actuação do médico espanhol, medida que, acrescentou, «visa alertar a Ordem dos Médicos para uma situação que pode vir a ter consequências graves».

Isabel do Carmo, outro dos elementos da direcção da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, adiantou-nos, por seu turno, que «o tratamento utilizado pelo dr. Tallon, que ele trouxe para cá como novidade, tem cerca de vinte anos e já foi proibido em países como a França e a Noruega». A justificar as acusações, destacou a gravidade da utilização diária e em conjunto de «hormona tiroideia, que só deve ser dada a pessoas que sofrem da tiróide, diurético, que provoca uma queda de tensão e desidratação, laxantes e medicamentos para tirar o apetite».

Em resposta a estas acusações, o médico espanhol inscrito na Ordem dos Médicos como oftalmologista garantiu a «A Capital» desconhecer quaisquer complicações decorrentes do tratamento que prescreve no nosso país há quatro anos, com excepção para os «naturais» efeitos secundários como a prisão de ventre, o sono ou a descida de tensão.☺☻