<nc-1><ecos><Diário 1992>

O MUNDO

DA ECOLOGIA HUMANA

Lisboa, 19/6/1992 - Sem qualquer preconceito nem moralidade, mas será este tipo de agressão suportável? O chamado neutralismo informativo, tudo justificará? E à conta de publicidade, tudo poderá ser dito, mesmo as barbaridades mais criminosas? Eu preciso de estar calmo com agressões deste teor! Mas será possível manter a calma quando o abominável é assim assumido e praticado?

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PERGUNTAS DISPARATADAS

Se eu inventasse um dia uma máquina para medir o «crime» de certos anúncios alimentares da televisão, acha que alguma empresa iria comercializar o meu invento?

Se eu inventasse uma máquina capaz de provar que o fogão microondas (retirando o electromagnetismo dos alimentos) é pré-cancerígeno, acha que a Miele iria comercializar o meu invento?

Se eu inventasse um detector de radiações e lhe chamasse Contador Geiger para medir, em casa e nos locais de trabalho, as radiações ionizantes, acha que a Apifarma me iria patrocinar o invento?

Se eu inventasse um aparelho capaz de medir, de analisar, nos cabelos humanos, o nível de metais pesados (cádmio, mercúrio. chumbo) no organismo exposto às poluições químicas, acha que a CIP iria promover na FIL 93 o meu invento?

Se eu descobrisse um aparelho que lesse na consciência das pessoas o seu grau de sinceridade, acha que o KGB iria patrocinar o meu invento?

Se eu amanhã descobrisse com o pêndulo a técnica divinatória do diagnóstico, revelando a presença de radicais livres no organismo provocados pela poluição industrial, acha que o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos iriam formar um leasing para comercializar o invento?