1-2- <87-04-17-ie> sexta-feira, 22 de Novembro de 2002 –scan
CONSTANTES
DO MACRO-SISTEMA
17.4.1987 - Itinerância constante, por mar, terra e ar, dos produtos e subprodutos perigosos, a jusante e a montante das fábricas.
Como o homem não é infalível, há sempre "falhas humanas" e se os desastres com matérias perigosas são prováveis com elas quietas, a catástrofe é cem vezes mais provável com a errância constante das poluições itinerantes, com os veículos longos e camiões-cisterna, numa roda viva que é, cada vez mais, uma roda de morte, nomeadamente quando atravessam centros populosos
- A pose da eternidade é uma constante do triunfalismo tecnológico; manipulando contaminações com tele-efeitos dilatados no tempo e no espaço, sobre as gerações vindouras e em espaços transfronteiras, o Macrosistema está constantemente a posar para a eternidade, como se tivesse o rei na barriga.
Esta pose é duplamente ridícula: ridícula como é qualquer pose, mas ridícula, principalmente porque o sistema que prepara constantemente a efemeridade e fabrica sistematicamente o fim do tempo, nem devia sequer falar em futuro próximo quanto mais longínquo.
É frequente os jornais reproduzirem títulos grotescos como estes : "Um cemitério nuclear para os próximos 50 anos." Onde estarão, daqui a cinquenta anos, os engenheiros construtores do dito cemitério?
- É a era dos êxodos compulsivos, das evacuações em massa dos locais residenciais: é portanto, a era da instabilidade e das raízes originais brutalmente arrancadas em nome do progresso.
A promiscuidade da indústria misturada com a vida humana - de que é símbolo o chamado "bairro-operário", - cria este estranho "conforto" que se revele, afinal na incomodidade constante de perigos iminentes.
É caso para dizer que as populações estão tranquilas, mesmo quando não sucede nada de anormal?
- Ao distinguir acidente menor e catástrofe- máxima, o macrosistema está a enunciar uma das suas constantes mais características. E uma das mais cínicas. O facto de serem noticiados acidentes ditos menores logo a seguir a um máximo que tenha abalado a opinião pública, leva a pensar coisas:
Em termos breves, indicam-se mais algumas constantes do Macrosistema, o tal que vive de ir matando os ecossistemas: