<imbrogli ><títulos> - os silêncios
EUCALIPTO HOJE, DESERTO AMANHÃ
O IMBRÓGLIO CELULÓSICO-FLORESTAL
2-7-1976
-A pirotragédia em 1981 (alusões contra Ribeiro Teles)
-Arboricídio
-Eucaliptomania
-Secas e torrentes
-Incêndios e pirómanos
-«Eucaliptos: a fome que se planta e cresce depressa»
-Fogos 1979 - Pirómanos somos nós todos, culpados dos incêndios são os ecologistas
LEGENDAS PARA FOTOS DE REPORTAGENS QUE FICARAM INÉDITAS
-Cultura extreme e monolítica, o eucalipto prefigura nas grandes massas de plantação o futuro (próximo) deserto
-A verdade é que para alimentar os vários centros de produção celulósica (pasta de papel) a Portucel precisa de cada vez mais eucaliptos: são sempre poucos para as necessidades que a exportação da pasta impõe. Mas a factura ecológica serão as futuras gerações a pagá-la
-Outras espécies de árvores, só muito longe da serra conseguem desenvolver-se
-Com a falta de comida por toda a serra, os gaios, perdizes, lebres e coelhos que ainda vivem, caem em cima de qualquer hortejo que ainda teime em vicejar e dizimam-no
-Todas as formas de vida fogem dos eucaliptos. E na serra d'Ossa foram plantados «apenas» 11 milhões
-O convento dos monges paulistanos testemunha, na Serra de Ossa, uma das presenças humanas que ali deixaram marca mais prolongada e original
ONTEM A FLORESTA, AMANHÃ O DESERTO: E HOJE?
-Enquanto a floresta recua, o deserto avança
-Bacia do Mondego, Nordeste Transmontano e Serra Algarvia: as três zonas mais erosionadas do País, tradicionalmente
-Árvores de protecção mais ameaçadas em Portugal: azinheira e sobreiro
-Glória e morte da Oliveira
-Depois dos incêndios, os eucaliptos; de ano para ano, o pinheiro recua enquanto o euclipto alastra;
-Nos bastidores dos incêndios
-A floresta na conservação do solo e da água: um importante livro dop Prof Gomes Guerreiro
-AA Azevedo Gomes, outro silvicultor que importa entrevistar sobre planeamento florestal
-Dois hectares de xisto transformados em jardim; entrevista com o pequeno agricultor Francisco Sampedro, de Velada (Nisa)
-Pinhais de Barcouço: a primeira cooperativa de pequenos agricultores
SERRA DE OSSA: POLARIZAR A LUTA
No campo das conjecturas, admite-se que outro foco de contestação popular possa nascer, convergente da luta contra as celuloses: dado que a colonização de eucalipto feita pelas multinacionais da Celulose em território português representa a outra face deste crime, dado que é de eucaliptos intensivos que as 8 celuloses em funcionamento no território português retiram toda a matéria-prima com que produzem pasta para papel e dado que a Serra de Ossa, no Alto Alentejo, perto da fronteira leste com Espanha, foi há oito anos destruída com a plantação maciça de 11 milhões de eucaliptos, tudo leva a crer que em torno da Serra de Ossa se está esboçando uma comissão de luta pela defesa da serra contra a colonização de eucaliptos. Comissão de luta que contará, evidentemente, com a solidariedade de milhares de camponeses. Melhor do que ninguém o poderá fazer pois, como dizia um trabalhador rural de Casebres, no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, «o Eucalipto é o fascista dos campos»
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Eucaliptos nas serras do Alto Alentejo (concelhos de Estremoz e Nisa) foi tema de uma série de reportagens publicadas no jornal «O Século» entre 2 e 9 de Julho de 1976, reportagens que se encontram agora recolhidas no volume «Ecologia e luta de classes em Portugal», editado pela Socicultur, de Lisboa, número 3 da colecção Sobreviver.
Alguns outros artigos, entretanto e sobre o mesmo assunto - Eucaliptos em Portugal - foram sendo publicados pelo autor, antes e depois daquela série sobre o Alto Alentejo. Ocorreu-nos dar hoje saída a esse dossiê informativo sobre um problema português que muitos portugueses ignoram mas que, na opinião de alguns, podia ser hoje o mais grave problema ecológico do Portugal de amanhã. Caso haja Portugal amanhã.™