<imbrogli  ><títulos> - os silêncios

EUCALIPTO HOJE, DESERTO AMANHÃ

O IMBRÓGLIO CELULÓSICO-FLORESTAL

2-7-1976

LEGENDAS PARA FOTOS DE REPORTAGENS QUE FICARAM INÉDITAS

ONTEM A FLORESTA, AMANHÃ O DESERTO: E HOJE?

SERRA DE OSSA: POLARIZAR A LUTA

No campo das conjecturas, admite-se que outro foco de contestação popular possa nascer, convergente da luta contra as celuloses: dado que a colonização de eucalipto feita pelas multinacionais da Celulose em território português representa a outra face deste crime, dado que é de eucaliptos intensivos que as 8 celuloses em funcionamento no território português retiram toda a matéria-prima com que produzem pasta para papel e dado que a Serra de Ossa, no Alto Alentejo, perto da fronteira leste com Espanha, foi há oito anos destruída com a plantação maciça de 11 milhões de eucaliptos, tudo leva a crer que em torno da Serra de Ossa se está esboçando uma comissão de luta pela defesa da serra contra a colonização de eucaliptos. Comissão de luta que contará, evidentemente, com a solidariedade de milhares de camponeses. Melhor do que ninguém o poderá fazer pois, como dizia um trabalhador rural de Casebres, no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, «o Eucalipto é o fascista dos campos»

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Eucaliptos nas serras do Alto Alentejo (concelhos de Estremoz e Nisa) foi tema de uma série de reportagens publicadas no jornal «O Século» entre 2 e 9 de Julho de 1976, reportagens que se encontram agora recolhidas no volume «Ecologia e luta de classes em Portugal», editado pela Socicultur, de Lisboa, número 3 da colecção Sobreviver.

Alguns outros artigos, entretanto e sobre o mesmo assunto - Eucaliptos em Portugal - foram sendo publicados pelo autor, antes e depois daquela série sobre o Alto Alentejo. Ocorreu-nos dar hoje saída a esse dossiê informativo sobre um problema português que muitos portugueses ignoram mas que, na opinião de alguns, podia ser hoje o mais grave problema ecológico do Portugal de amanhã. Caso haja Portugal amanhã.