1-1- <80-07-07-ie> quinta-feira, 2 de Janeiro de 2003
OS GEÓLOGOS, CIENTISTAS
PARTICULARMENTE CHOCANTES(*)
[ 7-7-1980]
Quando todos acreditavam que a Humanidade tinha vindo das furnas da barbárie para se alcandorar hoje aos píncaros da Civilização, vem a crise ecológica e mostra o contrário: estamos, assim, num dos auges da Barbárie que jamais, e em tempo algum, a humanidade, nas suas diversas formas, conheceu.
A partir daqui bem podem evacuar discursos sobre o Progresso assim e o Progresso assado. É tudo conversa. Biombo para tapar a podre e suja e fedorenta realidade. Véu para encobrir o cancro, a crise, a mentira, o medo, a morte, a mentira. Eventualmente chocante, a Poluição.
Com o mito do Progresso, pulverizam-se outros: o do Futuro, por exemplo. Mas também o da Ciência. O da Tecnologia. O da Universidade e sua missão de "transmitir cultura" (leia-se "transmitir barbárie").
Os cientistas continuam a fazer congressos colossais e a sua força agora reside no número: para o do Cancro, em 1983, prevê-se uma concorrência de 12.000 técnicos em cancro, de 95 países.
No de Geologia, centenário, em Paris, reuniram-se 5.000 geólogos, (7/Julho 1980) os quais irão provar, evidentemente, não haver ligação entre testes nucleares subterrâneos e bombas.
Assim vai a ciência. Impoluta. Acima das fraquezas e tremores de terra. Geológica à brava e com tectónicas de placas (inventadas) bailando à nossa volta e metendo-nos os dedos pelos olhos.
Assim vai a podre ciência vendida aos exploradores de jazigos petrolíferos, uraníferos , enfim, fósseis, que outra coisa nunca foram (além de abortos) estes cientistas que se jactam de grandes coisas. Eles são de facto indispensáveis à manutenção do "status". Viverão o tempo que o Establishment quiser. Depois, sim, começará a ciência.
Por enquanto, é a história e estes milhares de congressistas, abortos marrando nos fósseis com que as multinacionais os compram.
Eles apodreceram a Terra. Agora dizem que a estudam. Em Paris, em vez de se irem divertir às Folies Bergères.
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(*) Este texto de Afonso Cautela, 5 estrelas apesar de breve, deverá ter ficado, obviamente, inédito ™