1-1 <ecorealismo-1-ie-ds> os dossiês do silêncio – entrevista-testamento-> revisão da matéria - sábado, 13 de Julho de 2002
QUEM TEM MEDO DA ECOLOGIA?(*)
(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no «Jornal de Évora» (ou «Notícias de Évora»?) ,
23/10/197423/10/1974 - O número 4 do mensário «La Gueule Ouverte», que se publica em Paris, lembrava:
«Um dote nossos eminentes adversários, M. Robert Poujade diz que ser Ministro da Ambiente é ser ministro de tudo. É sem dúvida o que o consola de não poder coisa nenhuma.»
Exacto: a ecologia reúne o que o atomismo tecnicista pulverizou, e talvez por isso o referido mensário ecológico se chama A Goela Aberta... Mas também é verdade que a unificação das partes será olhada como um desastre pelos que dessa divisão vivem, desse atomismo e dessa parcelarização tecnicista, dos alibis e mitos inerentes.
Precisamente porque a Ecologia oferece uma resistência frontal à parcelarização e aos alibis do tecnicismo, é que surge, de repente, por baixo dos lugares-comuns da poluição, o seu carácter herético, ameaça pendente sobre os que vivem e vivem bem dos seus alibis de especialistas.
Porque a Ecologia é um esforço de síntese, é que deve conclamar a ódio dos extremistas.
Porque é uma dialéctica concreta, a raiva de todas os metafísicos da esquerda e da direito.
Porque - repito - a Ecologia é o domínio verdadeiramente dialéctico da realidade viva, é que deve impacientar os funcionários da Morte, que na entanto talvez se digam dialécticos em discursos e em teoria
Porque a Ecologia é a valorização do concreto humano, alienado por todos os sistemas morais, políticos ou económicos que o têm alienada, deve enfadar as funcionários desses sistemas.
Porque implica a Ética mais rigorosa que houve sobre a terra, não pode agradar a nenhum sem-lei, a nenhum terrorismo da esquerda ou da direita.
Porque unifica, não agrada aos que reinam dividindo.
Porque apresenta uma alternativa de vida e sobrevivência, não interessa aos Industriais da Morte e do Suicídio colectivo deste mundo.
Porque repõe a questiona em conjunta uma «civilização» homicida e exige a criação de uma verdadeira civilização, não agrada aos profissionais da obra feita, da política, da economia, que se reclamam de humanistas mas para quem o humano é exactamente o principal obstáculo aos seus planeamentos de colectivização maciça.
Porque pode ensinar e já está ensinando pequenos grupos a sobreviver independentemente dos grandes trusts, estados, monopólios, porque não há-de haver tanta gente que tem medo da ecologia?
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no «Jornal de Évora» (ou «Notícias de Évora»?) , 23/10/1974