1-2 - <92-01-14-aa> = artes alternativas quinta-feira, 4 de Setembro de 2003

[publicado in «A Capital»? em um artigo que me foi encomendado sobre o ano 2000 e os votos que eu faria para esse ano? A confirmar se foi ou não impresso]

PROJECTOS QUE CAÍRAM

NO ESQUECIMENTO

No campo do que o cidadão comum poderia desejar ver feito, e bem feito, até ao Ano 2000, em seu próprio benefício, o realismo ecologista citaria alguns projectos alternativos energéticos, projectos que vão no sentido da criar maior independência aos indivíduos, grupos, povos e países mas que, por falta de «vontade política» -- sujeita a pressões de «lobbies» e de monopólios -- ou por instabilidade governativa (supremo alibi para não se fazer neste país o que deve ser feito), ficaram na gaveta ou no tinteiro dos ministérios.

Conforme o vespertino «A Capital» referia em 6 de Agosto de 1983, a instalação de uma unidade produtora de biogás, na Várzea de Sintra, a partir de excrementos de porco, (cerca de 1200 animais) aguardava, nessa altura, que a Assembleia da República concretizasse (desse o «sim») a um empréstimo de 2500 contos do Banco Mundial para o efeito. Enquanto projecto-piloto, esta prevista unidade de biogás poderia estandartizar em Portugal uma alernativa energética não poluente e o baixo custo das instalações, além de anular ou neutralizar uma das poluições -- pocilgas -- mais frequentes e mais gravosas do nosso País. Portugal poderia criar, além disso, uma indústria de construção de equipamentos de biogás, a partir do prototipo testado naquele projecto, e poderia tornar auto-suficiente em energia e fertilizantes orgânicos o sector agropecuário. Para isto, falta (faltava e continua faltando) apenas «vontade política». Ou vergonha na cara de quem a devia ter e não tem. Para isto, é óbvia a falta de poder que o Poder tem quando o poder dos lobbies e monopólios abre os olhos e fala mais alto.

Ainda no campo das eco-energias, esperemos que até ao Ano 2000 o pêndulo ondomotriz inventado pelo madeirense Fernando Almada, professor e campeão de judo, se torne uma forma corrente de obter energia das ondas, em que Portugal, com tão extenso litoral, é potencialmente riquíssimo, tal como em Fevereiro de 1983 ficou praticamente demonstrado, quando na baía do Funchal o sistema de Fernando Almada ali instalado evidenciou não só a sua viabilidade como o seu extraordinário futuro económico.

Instalar dezenas, centenas e milhares destes geradores ondomotrizes é o que o cidadão deseja para que o monopólio energético poluente deixe de nos trucidar, ora a pretexto de uma crise petrolífera que se inventa e nos estrangula quando convém aos monopólios petrolíferos, ou a pretexto de um excesso de produção.

O jornal «A Capital» entrevistou o inventor Fernando Almada em 1 de Fevereiro de 1983. Esperemos que o país se mostre grato aos seus inventores, dando-lhes ao menos possibilidades de trabalho. É um bom voto para um futuro próximo.

Já se disse que a maior fonte energética é:

1 - Uma política de efectiva racionalização e poupança por um lado;

2 - Uma política de reciclagem sistemática

3 - Uma política de diversificação de fontes.

Pequenas e médias empresas industriais foram, em Setembro de 1983, incentivadas a montar dispositivos para conservação de energia, podendo contactar a Linha de Crédito do Banco Mundial para as PM's portuguesas. Este incentivo estava a cargo, cremos, do LNETI, pelo que nunca mais dele se ouviu falar. Talvez que até ao ano 2000 e pela calada, a conservação de energia seja um facto e o País posso beneficiar com isso, bem como o respectivo meio ambiente.