1-2<83-10-28-ta> <dta83> diário de tecnologias alternativas de 1983 - na perspectiva «FE» e do realismo ecológico - os tecelões da liberdade, leit motiv ac dos anos 82,83 - matéria-prima inédita para e-t : perguntas e respostas - temas ainda actuais mas que foram silenciados

 os tecelões da liberdade

Lisboa, 28/10/1983

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- Em cada momento histórico e em cada lugar da Terra, os desafios lançados à inteligência e à imaginação dos homens variam de intensidade. O que actualmente se chama crise é um desses desafios e tem causas próximas e longínquas, quer ideológicas, quer de estrutura e organização.

Mas um facto é reconhecido por todos: a chamada «revolução» industrial, designação já de si autocontraditória e tendenciosa, contribuiu fundamentalmente para a sistemática e metódica destruição de recursos e riquezas, de culturas e civilizações, de raízes, de fontes, valores e património.

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- Quando em 1983 se assiste, por exemplo, à destruição de uma antiga indústria nacional - o vidro - assassinada pelo plástico ordinário e pelas multinacionais da petroquímica (a que em 1998 se deverá juntar a concorrência de monopólios vidreiros estrangeiros, (nomeadamente o francês Christal d'ARC), quando a grande indústria pesada destrói a pequena e média, é simultaneamente uma questão de ecologia e património que se põe, quer dizer, uma questão simultaneamente ética e económica.

Conservar a cultura e a civilização significa conservar o equilíbrio ambiental, as relações subtis e qualitativas, as nuances e as diferenças, a identidade, a singularidade, enfim, numa só palavra, a liberdade.

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-Indústria barbaramente assassinada, o artesanato tem toda uma história para contar às novas gerações, elas também atiradas pelo sistema industrial ao lixo da história chamada desemprego. Com as artes e os ofícios que estão morrendo é a liberdade humana que está morrendo também.

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- É dessa perspectiva que o realismo ecológico vê o artesanato, que outros encaram como assunto de turismo ou comércio externo. No meio dos equívocos sobre artesanato que se vende, que se compra, que se mistifica, que se aliena, o trabalho livre artesanal é a própria essência da liberdade e da democracia.

Esta a tese da comunicação apresentada pela «Frente Ecológica» ao I Encontro Regional do Sul sobre Património.

Quando a proletarização deu lugar ao trabalho livre artesnal, estava aberto o caminho para a ditadura tecnofascista que caracteriza a Idade Moderna, a Leste e a Oeste, chamada por alguns «revolução» industrial.

O «proletário», com efeito, é uma criação recente e significa que o trabalhador só possui , como riqueza e propriedade, a sua prole. De tudo o mais foi espoliado, para que sobre ele, total e definitivamente alienado, ditadores de esquerda e de direita erguessem os seus impérios de sangue.

Ergueram. Não sem que algumas bolsas de resistência , aqui e ali, teimassem em sobreviver.

O trabalho livre artesanal é assim o património mais precioso que Portugal pode oferecer ao movimento internacional do património e à resistência universal contra o genocídio.

O assassinato de artes e ofícios - os tecelões da liberdade - tem sido perpetrado por todos os sistemas económicos hoje vigentes, quer os do bloco capitalista quer os do bloco anti-capitalista.

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- Os tecelões da liberdade que ainda resistem foram matéria de reportagens realizadas pela «Frente Ecológica» em diversas circunstâncias.

O estudo analítico e sistemático dessa resistência, com base nessas reportagens, é feito na comunicação apresentada pela «Frente Ecológica» ao I Encontro Regional do Sul sobre Património e intitula-se «Os Tecelões da Liberdade».