1-15 - domingo, 30 de Novembro de 2003<hmep-md-ed-ce>

MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS: DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA

<hmep-1> - mep 1975

Em 1975, no âmbito do Movimento Ecológico Português, entretanto constituído como associação cívica, era divulgado internamente um documento com algumas das tarefas então atribuídas ao movimento:

1 - Denúncia da crise ambiental portuguesa, sempre que um surto ou foco de carácter mais escandaloso levante localmente problemas de ordem geral;

2 - Apoio às escassas experiências de carácter ecológico já iniciadas e fomento de outras que, igualmente em regime comunitário, venham a realizar-se

3 - Saber o que a experiência do movimento ecológico mundial está realizando em outros países, ganhando o movimento ecológico português com aquilo que possa aprender dos outros;

4 - Intervenção pública, sempre que alguma medida de «política do ambiente» oficialmente seguida pareça susceptível de crítica ou de contestação imediata;

5 - Coordenar os já existentes e fomentar a criação de grupos de acção sectorizados, como por exemplo: liga de protecção às espécies e à natureza; associação contra o ruído; liga contra a vacina obrigatória e os medicamentos; cooperativa para fomento da agricultura biológica; união zoófila; comité de luta contra a degradação do ambiente urbano; grupo de acção contra a poluição do ar; comité de luta anti-nuclear e usos ditos pacíficos das radiações; grupo para a defesa dos rios portugueses; etc.

Destes novos grupos de intervenção ecológica são embriões os «grupos de acção» preconizados no programa do movimento ecológico português, alguns dos quais já em formação.

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1-19 - terça-feira, 14 de Outubro de 2003 <hmep-2>

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO MOVIMENTO ECOLOGISTA EM PORTUGAL (*)

(*) Este texto de Afonso Cautela foi elaborado em Março de 1988

A 16 DE MAIO DE 1974  NASCEU O MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS

Fazendo um pouco de história, referimos as palavras proferidas na primeira reunião convocada para a dinamização do Movimento Ecológico Português e que se realizou a 16 de Maio de 1974, na Cooperativa Unimave, de Lisboa:

"Não se pretende com este Movimento, abafar, minimizar ou excluir associações ou tendências que, mais antigas ou mais recentes, têm tornado possível dentro dos seus programas e através dos anos, a sobrevivência das teses ecológicas;

"O que se pretende com este Movimento, que desejaríamos ver desencadeado a partir desta reunião de hoje, não é substituir essas tendências, já existentes, bani-las ou entrar em conflito com elas, ou sermos uma duplicação delas: antes pelo contrário entendemos urgente e, neste momento vital para nós todos, que se reforce a unidade entre as mais diversas forças e tendências de não-violência e de amor à Natureza;

"O texto do Manifesto que se apresentará à vossa discussão foi, portanto, redigido no espírito de colaboração entre todos e com a intenção fundamental de enunciar aqueles princípios que nos irmanam, que nos unem, que nos são comuns, esquecendo por agora aquilo que nos pode eventualmente distinguir, separar; de enunciar o que é comum a todos os movimentos aqui representados, deixando por agora aquilo que é específico ou peculiar de cada um;

"Em nome da Comissão Organizadora do Movimento Ecológico, cumpre-nos agradecer à direcção da Cooperativa Unimave o apoio que desde a primeira hora, e logo

que tiveram conhecimento do projecto, quiseram dar-nos, principalmente a para começar a cedência desta sala para a presente reunião, e o entusiasmo posto na confecção de cartazes, na policópia de notícias, etc.; em nome do nascente Movimento

Ecológico, muito obrigado;

"Dados tão auspiciosos começos, tudo indica que continuaremos a colaborar em franca camaradagem, o que não exclui a soberana autonomia de cada um: o recíproco apoio que nos vamos prestar não prejudicará o caminho que cada um entende dever percorrer; naturistas unidos, jamais serão vencidos...

"Diligenciámos para que nesta reunião de hoje estivessem representadas as tendências naturistas mais significativas, portanto da UNIMAVE, da Associação Vegetariana, da Sociedade Portuguesa de Naturologia e também da Defesa do Consumidor e da Protecção à Natureza".

***

16 DE FEVEREIRO DE 1975 : APELOS SEM RESPOSTA

Em 16 de Fevereiro, de 1975, o Grupo Coordenador dirigiu um convite a várias personalidades para que apoiassem o Movimento no âmbito de uma Comissão Técnica que teria funções consultivas, "prestando apoio, sempre que necessário, aos restantes elementos do Movimento, nas mais variadas circunstâncias".

E o comunicado-convite exemplificava:

"É o caso, por exemplo, das sessões de esclarecimento que estão a ser solicitadas à Comissão Organizadora por parte de indivíduos ou entidades interessadas na divulgação do programa ecológico.

"É o caso, ainda, do próximo Encontro, a realizar em 1 e 2 de Março, e para o qual a presença de técnicos e especialistas abalizados se supõe imprescindível, por motivos facilmente detectáveis".

E a carta terminava:

"Certos do interesse que lhe merece o Movimento Ecológico e de que, portanto, aceitará o nosso convite, antecipadamente nos sentimos muito gratos por isso" .

Enviado a 21 pessoas, a Comissão Organizadora apenas recebeu 3 respostas. Dos outros nem sequer resposta.

Dos 25 convites enviados, na mesma data, a profissionais da Imprensa para uma "Comissão de Apoio na Imprensa", apenas foram recebidas duas respostas e mesmo essas negativas.

Experiências idênticas, foi a que o Grupo Coordenador teve em 20 de Novembro de 1974, quando elaborou uma lista de endereços-base que lhe pareciam de pessoas já com provas de interesse dadas no Movimento.

"A lista apresentada a seguir é necessariamente incompleta a encontra-se aberta a novos interessados na causa ecológica" - dizia a circular enviada a 69 pessoas, que prosseguia:

"Nesta lista figuram os que assinaram o Manifesto do Movimento ou que, de qualquer outra forma, manifestaram a sua anuência e desejo de colaborar no âmbito do Movimento".

Solicitando uma resposta, a circular apelava:

"Agradecemos que ratifique a sua adesão, propondo ainda outros elementos ..." .

Ninguém ractificou adesão nenhuma a ninguém propôs novos elementos.

Com esta primeira prova, qualquer outro Grupo Coordenador teria feito as malas a ido para outra parte fazer o Movimento.

Paradoxalmente, o Grupo Coordenador continuou e continua malhando em ferro frio. Será por mania ?"

***

AGOSTO DE 1975: MAIS UMA CIRCULAR ..

Em fins de Agosto de 1975, o Grupo Coordenador fez nova sondagem para aquisição de sócios, entre os que, indicados por outros amigos do Movimento ou tendo eles próprios escrito ao Grupo Coordenador, se poderiam considerar potencialmente interessados no programa do M.E.P. .

Nessa diligência, foi enviada uma circular indicando as realizações em curso a cargo do Grupo Coordenador e solicitando uma resposta de anuência ou desistência ao M.E.P.

A circular era acompanhada de um boletim de inscrição de sócio e de uma cópia fac-similada de um artigo aparecido n’ O Século sobre "Os assessores regionais do Ambiente e Vigilantes da Natureza".

1 DE SETEMBRO DE 1975: RECAI SOBRE O GRUPO COORDENADOR TODO O PESO DA ORGANIZAÇÃO

Embora com os Estatutos publicados no "Diário do Governo", de 7 de Fevereiro de 1975, o Movimento Ecológico Português manteve-se, enquanto associação cultural e cívica, até 1 de Setembro de 1975, sem corpos gerentes, devido as dificuldades encontradas na congregação das pessoas e em se obter unanimidade quanto à necessidade de o Movimento se organizar conforme a letra daqueles estatutos.

Entre outras consequências negativas, resulta daí que o Grupo Coordenador teve de continuar assumindo e monopolizando em si todas as funções que deveriam competir a uma direcção e demais corpos gerentes.

Ainda como consequência negativa - prejudicial ao andamento dos trabalhos - sublinhe-se a que directamente resulta desse mesmo carácter monopolista que, contrariado e malgré lui, o Grupo Coordenador continua a assumir, para que o Movi mento não se desagregasse totalmente a para que não se perdesse o dinheiro já nele investido.

Por um lado, chovem as críticas ao carácter ditatorial do Grupo Coordenador e das decisões que ele tem de continuar tomando para evitar a estagnação e o retrocesso.

.Por outro lado, nas raras reuniões havidas para reorganizar e reestruturar digamos "burocraticamente" a Associação M.E.P., chovem as críticas sobre os que defendem essa organização e esse mínimo de burocracia, defendendo, regra geral, a maioria dos presentes - dentro de um purismo, de um liberalismo e de um criticismo bastante prejudiciais - defendendo a maioria que o Movimento continue com carácter difuso, sem assumir qualquer forma organizativa.

Assim se encontra o Grupo Coordenador entre dois fogos.

Se haviam de se unir para o ajudar a ultrapassar este impasse, porém, os amigos preferem continuar fazendo críticas e, por vezes, criticas violentas ao Grupo Coordenador.

Uns criticam o Movimento por ter propósitos demasiado políticos.

Outros porque não explicitam suficientemente a posição política, admitindo adesões e intervenções de pessoas politicamente ao centro ou à direita.

Para uns, o estatuto de associação cultural e cívica já é demasiado subversivo.

Para outros, só o estatuto de partido e de partido radical, revolucionário, seria suficiente para ultrapassar contradições e uma tendência inegável para a estagnação.

Ou por uma coisa ou por outra, a verdade é que o Movimento, tal como está, sem corpos gerentes organizados e sem ter solicitado ainda uma adesão em massa de militantes e sócios, encontra-se num impasse que vai sobrecarregar totalmente, em gastos, em trabalho, em expediente, em tempo ocupado, o Grupo Coordenador.

OBSTÁCULOS INTERNOS AO AVANÇO DO MOVIMENTO

É de sublinhar os obstáculos teóricos a as posições que principalmente se opõem a uma estratégia realista que impulsione e dinamize o Movimento: o purismo, o liberalismo e o criticismo são os inimigos internos de toda a Revolução e, portanto, da Revolução Ecológica também.

Quando o purista grita "nada de burocracias", a verdade é que - tendo as burocracias que existir - ele se livra de burocracias, rejeitando-as, mas alguém terá de as suportar em bloco; um indivíduo ou um grupo restrito irá então ter que fazer o que o purista não quer, para não sujar as mãos.

Diz o liberalista que o seu amor à liberdade o impede de aceitar um mínimo de disciplina, de autoridade, de hierarquia, de direcção: não explica esse grande "amigo da liberdade" como se pode avançar sem aqueles instrumentos de trabalho e como é que a democracia pluralista por eles proclamada se concilia com a total ausência de ordem, de hierarquia, de autoridade, de disciplina. A liberdade volve-se, assim, um dos inimigos maiores da Revolução.

Quanto ao criticista, decorre ele dos outros dois: porque é purista, nenhuma realidade (porque impura) lhe serve; porque é liberalista, nenhuma tentativa de conciliação dialéctica serve à sua: mítica visão da "liberdade". A crítica sistemática e abstracta - criticismo dogmático - torna-se assim o outro grande inimigo da Revolução e do Movimento Ecológico Português.

NO FUNDO, O QUE SE PASSA ?

No fundo, o que se passa de facto é uma incapacidade de muitos indivíduos para trabalhos apagados, tarefas aborrecidas, incómodas e persistentes de organização. É mais poético, mais agradável, não ter que reunir, ir ao correio, responder a cartas, dactilografar stencils, fazer telefonemas estúpidos, comprar envelopes, dactilografar listas de endereços, selar correio, etc. . Ter que reunir, discutir, deliberar em conjunto é mais difícil...Por isso, os que não querem suportar dificuldades, escudam-se atrás da pureza, da liberdade, da crítica.

SETEMBRO DE 1975 : GRUPOS E MONITORES DE GRUPOS

O Grupo Coordenador, não podendo fazer tudo, teve na primeira linha das suas preocupações a descentralização, a autonomia.

Centenas de boletins para inscrição de monitores foram espalhados, antes e depois do II Encontro, em 1 de Março de 1975, através do correio ou de contactos em reuniões, colóquios, mesas redondas, etc.

De todos os apelos feitos pelo Grupo Coordenador para que os interessados concretizassem a sua adesão a um breve "estatuto" dos monitores, chegaram, até 1 de Setembro de 1975, uma dezena de inscrições.

Esta modalidade de adesão "moral" foi, aliás, pensada para o verdadeiro militante, para o que tendo dificuldade em pagar uma quota, ou relutância em se fazer sócio ("é burocracia" - dizem alguns mais puristas), optaria por uma maneira de colaborar também necessária a valiosa.

O número 1 e 2 do jornal "Frente Ecológica" já divulgava os nomes de alguns monitores de grupo. Tenta-se dar um panorama, mais completo dos que se podem considerar até Setembro de 1975 bases de apoio ao Grupo Coordenador:

ALGÉS: Orlando Vasconcelos de Azevedo

Jorge Leitão

AVEIRO: Rogério Barroca

COIMBRA: Carlos Jorge Morgado Pereira

Manuel Estácio Marques Flórido

COVA DA PIEDADE: Nuno Álvaro de Gil Miranda

CRATO: Delmar Domingos Carvalho

BEJA: . José Salvador

EVORA: Maria de Fátima Soares

Manuel Luís Soares

GUARDA: Nuno Quintela

LISBOA: António Carvalho

Luís Coimbra

António Júlio Vilarinho

João Pedro Costa Araújo Pina

Manuel Camacho Simões

LAGOS: Deodato Santos

MONSARAZ: Aldegice Machado da Rosa

PONTE DE LIMA: Mário Leitão

PORTALEGRE: Mário da Silva Freire

Horácio Catarino

PORTO: Pedro Sinde Martins de Carvalho

Madeira Costa

José Carlos Marques

Celestino Soares

SANTARÉM: José Carlos Lucas

TORRES VEDRAS: Maximino Fernandes

V.N. DE FAMALICÃO: António Cândido de Oliveira

V.N. DE GAIA: Alberto Martins de Andrade

SETEMBRO DE 1975 : 10 MIL EXEMPLARES DE DIFUSÃO

Em Março de 1975, o N°. 77 do mensário "Viver", dirigido por Araújo Ferreira, começava a publicar a secção "Temas Ecológicos", com o objectivo de difundir entre os seus milhares de leitores os objectivos do Movimento e o programa do Grupo Coordenador.

A tiragem do jornal "Viver" era de 10 mil exemplares e a secção regular dedicada ao Movimento Ecológico Português originou um animador número de cartas escritas por leitores que pela primeira vez tomavam contacto com os temas ecológicos e os objectivos da nossa associação.

O Grupo Coordenador enviou pormenorizada informação a todos os leitores de "Viver" que lhe solicitaram, sendo o resultado em sócios, dessa campanha, praticamente nulo.

O fenómeno verificou-se em outras circunstâncias: já no decorrer do II Encontro - e devido à difusão bastante aceitável que dele fez a Imprensa - tinham sido muitas as pessoas que se dirigiam ao Grupo Coordenador e que se diziam profundamente interessadas no Movimento Ecológico Português, sem que, no entanto, correspondessem logo ou depois ao apelo que lhes era constantemente feito para se inscreverem como sócios.

Até 1 de Setembro de 1975, a secção "Temas Ecológicos" do jornal "Viver" tinha sido publicada nos números 77 e 79 (Maio de 1975).

JANEIRO DE 1975 : A IMPRENSA (QUE) ACREDITA EM NÓS

Foram poucos mas foram alguns os jornais que não regatearam apoio noticioso às actividades do Movimento Ecológico.

Entre Dezembro de 1974 e Janeiro de 1975, registámos o apoio e a amizade dos seguintes:

"Diário do Sul" (Évora)

"Cávado" (Esposende)

"Diário do Alentejo" (Beja)

"O Figueirense" (Figueira da Foz)

"O Setubalense" (Setúbal)

"Mar Alto" (Figueira da Foz)

"Diário do Ribatejo" (Santarém)

"Região de Leiria" (Leiria)

"Diário de Lisboa"

"República" (Lisboa)

"O Século" (Lisboa)

"O Mensageiro" (Leiria)

"Povo da Lousã" (Lousã)

"Diário Popular" (Lisboa)

"Diário de Notícias" (Lisboa)

"Voz Portucalense" (Porto)

"A Capital" (Lisboa)

"O Raio" (Covilhã)

"Badaladas" (Torres Vedras)

A RÁDIO AJUDA : ATÉ AO 11 DE NOVEMBRO...

No entanto e apesar do Establishment fazer contra-vapor que até se vê o fumo, o Movimento tem amigos. Hélas! E não falo dos amigos naturais , dos nossos irmãos, dos nossos aliados de sempre: o Sol e o Cosmos, os rios e os oceanos, as baleias ainda sobreviventes e a imaginação criadora dos povos de todo o Mundo, aqueles com os quais os Amigos da Terra sempre contam.

Falo dos que podiam não o ser e, no entanto, mesmo no perigo, se mantêm firmes , fixes, fiéis .

E é assim que, no campo dos meios da comunicação social, um mês bastou para nos tornarmos optimistas, para nos vencer este amargo de boca.

Primeiro a Emissora, cedeu-nos vinte minutos das quartas-feiras, para porta-voz do Movimento.

Depois, Rádio Renascença deixou mais 10 minutos semanais à disposição.

Depois, Rádio Clube.

A Luís Filipe Martins, da Renascença e a Duarte Ferreira do Rádio Clube, o Movimento agradece. Na Emissora, foi Carlos Albino como dirigente dos Serviços Criativos quem primeiro acreditou em nós.

***

ANTINUCLEAR EM 1974

Depois de lançada, no Encontro da Figueira da Foz, em 10 e 11 de Novembro de 1974, a campanha para uma Moratória Nuclear, a partir de um texto apresentado por José Carlos Marques, ( ver file <mep-6>) fizeram-se algumas diligências para que a campanha não caísse em ponto morto.

5 DE DEZEMBRO DE 1974

Em 5 de Dezembro de 1974, o Grupo Coordenador emitia o seguinte comunicado: (posteriormente reproduzido no Boletim N°. 5, primeira fase)

CENTRAIS NUCLEARES: A RESISTÊNCIA ECOLÓGICA À PROVA

Prezado Amigo do MOVIMENTO ECOLÓGICO:

"1 - A Campanha para uma Moratória Nuclear está sendo e será cada vez mais, a medida que os factos se consumarem e os acontecimentos se precipitarem, um teste decisivo posto à coesão interna do Movimento Ecológico, um desafio aos que se dizem militantes ecológicos, ou que de coração o desejam ser.

"A Campanha para um debate sobre as consequências das centrais nucleares será a prova definitiva para os que alimentam a veleidade de oferecer Resistência à ofensiva tecnocrática dos que, antes do 25 de Abril, alinhavam à direita com o Poder estabelecido e, depois do 25 de Abril, dizem alinhar à esquerda com o Poder estabelecido.

"Ninguém mais habilitado a tomar a cor ideológica que convém, do que aquele que diz não ter cor ideológica.

"O tecnocrata afirma orgulhosamente a sua neutralidade ideológica, alegação que lhe permite ir fazendo sempre, de harmonia com o meio ambiente, a política da sua conveniência imediata.

"2 - O Movimento Ecológico não se limita nem limitará à luta anti-nuclear, feliz ou infelizmente muitas outras frentes solicitam a nossa acção e a nossa Resistência.

"Mas a verdade é que, historicamente e desde Hiroxima, as duas coisas andam muito ligadas e muitos foram os momentos em que totalmente se identificaram.

"A Resistência antinuclear, sem se confundir com Resistência ecológica, tem sido, em numerosas circunstâncias, o seu catalizador, a circunstância que despertou a consciência ecológica dos mais adormecidos ou indiferentes e mobilizou para a acção e para a resistência activa os que, já conscientes, não se atreviam a dar o passo decisivo da intervenção.

"3 - Em. Portugal, as declarações oficiais e para-oficiais que se têm sucedido, de há semanas para cá, sobre a próxima instalação de centrais nucleares, deixam prever o que já era previsível: quer dizer, o facto consumado, sem prévia consulta às populações (como nos velhos tempos), a já clássica arrogância do tecnocrata para com o povo, seus reais interesses e suas necessidades fundamentais, a chantagem-slogan "indústria nuclear ou desemprego", o menosprezo das consequências ambientais a ecológicas . (quer dizer, para a saúde da população portuguesa, gerações presentes e principalmente futuras), o triunfalismo economicista, a inevitabilidade desta forma hiperpoluente de energia, a inviabilidade de energias alternativas e limpas, etc. .

"Significam essas declarações e mesas redondas que a luta, a travar-se, clarificará muitas posições e contribuirá para extremar campos e pôr à prova o civismo dos portugueses; significa isso, também, que não podemos andar a fingir de resistentes e militantes ecológicos e que nos empenhamos na causa, cada um à sua maneira mas unidos nos objectivos comuns, ou devemos resistir já. Quem não quiser resistir, que desista.

"4 - Ou nos organizamos e cumprimos o nosso dever revolucionário de pacifismo, humanidade e amor às gerações presentes e futuras, ou nos comprometemos com nossos filhos e netos a deixar-lhe esta herança de resistência que só a eles, ao fim a ao cabo, irá trazer eventualmente alguns benefícios, ou passamo-nos para o lado do triunfalismo tecno-bio-burocrático, ou traímos definitivamente a fé e a esperança ecológicas .

"Se for caso disso, devemos honestamente confessar que nos enganámos .

5 – Alguns "sacrifícios irão ser pedidos aos que ficarem, aos verdadeiros amigos do Movimento Ecológico.

"Até agora, o maior "sacrifício" foi que assinasse e angariasse assinaturas para um abaixo-assinado que circulou em alguns meios onde nos foi possível divulgá-lo.

"Por pudor, não foram pedidas até agora ajudas em dinheiro, a não ser para o boletim, mas é óbvio que para a Campanha da Moratória prosseguir, e outras campanhas necessárias e urgentes, teremos todos de ajudar com dinheiro; de contrário, a Campanha para uma Moratória Nuclear acabará por morrer de inanição e o Movimento Ecológico com ela.

"6 - De futuro, será pedido ao eco-militante que se organize; que reuna no local onde reside com outros interessados pela ecologia política.

"Crê o Grupo Coordenador que é o momento exacto de propor a todos os interessados, pares multiplicar a eficácia da sua acção, um esquema que regule o trabalho de cada indivíduo ou grupo, tornando-o solidário de outros indivíduos ou grupos.

"A esse regulamento ou estatuto (cujo projecto segue em anexo) vincular-se-á, cada um livremente, como não podia deixar de ser, de acordo com os direitos e deveres da sua consciência (ecológica) .

"7 - Não se pede ao militante ecológico um "juramento de sangue "mas um compromisso rígido e formal com o Regulamento que venha a ser aprovado; para já com o Projecto de Regulamento enviado. Mas espera-se dele a boa vontade e a colaboração que decorrem do simples facto de se considerar amigo do Movimento Ecológico".

5/DEZEMBRO/1974

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MOVIMENTO ECOLÓGICO 1974

16 DE MAIO DE 1974

Reunindo representantes de várias associações e correntes não-violentas, o encontro de 16 de Maio de 1974, na Cooperativa UNIMAVE (Rua da Boa Vista,57 - Lisboa), convocado pelos jornalistas Afonso Cautela e António Carvalho, foi ponto de partida para a organização dos ecologistas, até à data sem consciência da sua própria força e identidade.

Começaria nessa reunião a ser discutido um manifesto que tentava compendiar os princípios comuns a todas essas tendências.

Constituído em "Comissão Organizadora do Movimento Ecológico em Portugal", o grupo organizador iria promover mais algumas reuniões de trabalho, até aprovação, em Agosto de 1974, do "Manifesto", que ficaria até hoje (1980) como a única Declaração de Princípios dos ecologistas portugueses.

Entre 16 de Maio de 1974 (reunião na Cooperativa UNIMAVE) até 20 de Fevereiro de 1975, integram a "Comissão Organizadora do Movimento Ecológico" os seguintes elementos:

António Carvalho

José Abreu

Afonso Cautela

José Louza

Jacinto Vieira

José Carlos Marques

Fernando Pires Moreira

Carlos Ciríaco

Luís Silva

Luís Lousteau Mateus

Gomes Ribeiro

Maria Suzete Ribeiro

Rocha Barbosa

Luís Filipe Martins

Jorge Branco

António Pedro Pita

Araújo Ferreira

Maria João Baltar

Gomes Guerreiro

Romeu de Melo

João Barreto

Atalayão

Vítor Martini

Júlio de R. de Carvalho Bossa

Taciano Zuzarte

A . Furtado

Gonçalo Cabral

Jaime Gil Paz

Domingos Janeiro

Paulino de Magalhães

João Alberto Rodrigues Varia

Alberto Martins de Andrade

João Augusto Homénio

27 DE JULHO DE 1974

Em reunião convocada através da Imprensa diária e que se realizou em 27 de Julho de 1974, na Cooperativa Unimave, foi discutido e finalmente aprovado o texto do Manifesto do Movimento Ecológico Português, segundo o qual o M.E.P. pretendia "abrir caminho às alternativas eco-tácticas e eco-estratégicas" além de querer "defender o progresso e, por isso, criticar as mitologias do "progresso" e do "bem estar material", bem como "proclamar a necessidade de politização dos fenómenos sócio-económicos quotidianos e imediatos que até à data a ela têm escapado - saúde, salubridade, água pura, ar livre, silêncio, paisagem, espécies animais e vegetais, cidade, condições de trabalho, cultura, publicidade, sexualidade, procriação, suicídio - já que se revelam, mais do que nunca, fenómenos de índole política e portanto essenciais à reformulação de novas estruturas sociais".

10 DE NOVEMBRO DE 1974

Por iniciativa do Grupo Coordenador do Movimento Ecológico (Paço de Arcos), realiza-se na Figueira da Foz, no Centro Ecuménico de Reconciliação (Buarcos), um Encontro de Ecologistas onde José Carlos Marques apresentará o texto de uma campanha para a Moratória Nuclear.

Presentes no Encontro da Figueira da Foz:

Paulino de Magalhães, Afonso Cautela, Jacinto Vieira, Rocha Barbosa, Vítor Pita Dias, Alberto Martins Andrade.

16 DE DEZEMBRO DE 1974

Em 16 de Dezembro de 1974 foi enviada pelo Grupo Coordenador do Movimento

Ecológico em Portugal uma convocatória para a reunião a realizar na sede provisória do M.E. a na qual se indicavam os nomes a quem a circular foi enviada (não respeitando qualquer ordem alfabética):

José A. Martins de Abreu

Carlos Amado

Fernando Antunes

João Barreto de Atalayão

Maria João Baltar

Rocha Barbosa

Afonso Botelho

António Manuel Branco

Jorge Branco

Casimiro de Brito

António Carvalho

Afonso Cautela

José Matos Cruz

José António Fernandes Dias

Luís Valadas Esteves

Araújo Ferreira

Duarte Figueiredo

Amândio Fonseca

A. Furtado

Manuel Gomes Guerreiro

Domingos Janeiro

José Louza

Paulino Magalhães

José Carlos Marques

Vítor Martini

José Furtado Mateus

Fernando Moreira

Eduardo Olímpio

Luis de Lousteau Mateus

Romeu de Melo

Jaime Gil Paz

José Albertino Gomes Ribeiro

Luís de Jesus Silva

Jacinto Vieira

Fernando Dil

Eurico da Fonseca

Serge Jurasunas

 

MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS

1975

7 DE FEVEREIRO DE 1975

Em face da constituição do Movimento Ecológico Português, como associação cultural a cívica, registado no 10° Cartório Notarial de Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1975, e na expectativa de eleições para os primeiros corpos gerentes, resolve a "Comissão Organizadora", com os elementos que responderam à convocatória em 20 de Fevereiro de 1975, constituir-se em "Direcção Provisória".

Assinaram o registo notarial dos estatutos do Movimento Ecológico Português: Afonso Cautela, Jacinto Vieira, Domingos Janeiro, Taciano Zuzarte, Paulino de Magalhães e José Gomes Ribeiro.

Entre os sócios fundadores do M.E.P. contam-se: Jacinto Vieira, Fernando Moreira, Rocha Barbosa, Afonso Cautela, Manuel Camacho Simões e Luís Filipe Martins.

16 DE FEVEREIRO DE 1975

Não teve praticamente resposta, o convite dirigido em 16 de Fevereiro de 1975, pelo grupo (coordenador) de Paço de Arcos, a várias personalidades para que apoiassem o Movimento Ecológico em Portugal, no âmbito de uma "comissão técnica"

com funções consultivas , "prestando apoio sempre que necessário, aos restantes elementos do movimento, nas mais variadas circunstâncias".

Esta e outras iniciativas do "grupo de Paço de Arcos" devem-se a que o M.E.P., embora já com estatutos aprovados, se manteve sem corpos gerentes até 1 de Setembro de 1975, devido às dificuldades encontradas na congregação das pessoas e em se obter unanimidade quanto à necessidade de o Movimento se organizar conforme a letra dos Estatutos.

Entre outras consequências negativas desta desintegração, resulta que o grupo de Paço de Arcos teve de continuar assumindo e "monopolizando" em si todas as funções que tivera na fase de arranque e instalação do M.E. P. .

1 DE MARÇO DE 1975

Marcado por enorme afluência de pessoas interessadas, o II Encontro do Movimento Ecológico em Lisboa, a 1 e 2 de Março de 1975, contou com 30 comunicações inscritas em 5 temas fundamentais:

a) Agrobiologia a Naturoterapêuticas;

b) Energia Nuclear a Alternativas Energéticas;

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c) Condições Ecológicas para uma Política de Saúde;

d) Movimento Ecológico e Políticas do Ambiente definidas pelos partidos políticos;

e) Sociedade revolucionária ou sociedade do desperdício ? (A decisiva encruzilhada do Terceiro Mundo).

Um elemento do Grupo Dinamizador do II Encontro diria à Imprensa:

"Estamos convencidos de ser efectivamente a vanguarda da luta pela Política da Qualidade e pela Revolução da Qualidade".

Integravam o Grupo Dinamizador deste Encontro: Afonso Cautela, Araújo Ferreira, Jacinto Vieira, António Carvalho, Taciano Zuzarte, Barreto Atalayão.

Na comunicação de abertura, Afonso Cautela escrevia:

"O profetismo marxista, aliás, dá-se muito bem com o profetismo pós-apocalíptico e pos-industrial de um Ivan Ilich, de um Pierre Fournier.

"Isto para não falar daqueles cuja formação marxista - Michel Bosquet, Edgar Morin, Henri Lefebvre, Garaudy - os não tem impedido de prestar à investigação ecológica um dos mais valiosos "apports". Mas, talvez por isso, expulsos como hereges ...

"O Movimento Ecológico acabará por realizar as grandes sínteses dialécticas entre termos antinómicos que mais nenhuma corrente teria coragem (nem independência) de superar.

"Por isso nos chamam utopistas ("Utopia ou Morte"). Por isso nos chamam românticos ("Natureza ou Morte"). Por isso nos chamam "pessimistas." ("Ecologia ou Morte").

"Mas, por isso também, se temos motivos de inquietação e se vemos o terror tecno-bio-burocrático descarregar ameaças terríveis sobre a cabeça inocente dos nossos filhos, acreditamos nesta simples evidência: se dentro de 30 anos não formos apenas os fósseis de amanhã, se uma viragem súbita não se operar na desenfreada corrida para o abismo, se a humanidade conseguir inflectir a marcha para a catástrofe (para o Apocalipse) unicamente aos pessimistas, aos românticos e aos utopistas da prática ecológica de hoje o ficaremos devendo".

GRUPO COORDENADOR 1975

OUTUBRO DE 1975

"A falta de sede e de um mínimo de condições básicas para trabalhar não foi para o Grupo de Paço de Arcos - de onde partiu o arranque para o Movimento Ecológico Português - motivo suficiente que o fizesse parar.

Num apelo lançado em Outubro de 1975, o Grupo de Paço de Arcos explicava as suas precárias condições de trabalho:

Ao propor-se abrir um Centro de Documentação Ecológica, quer o Grupo Coordenador sublinhar os seguintes pontos:

a) Desde a sua criação, em Maio de 1974, que o Movimento Ecológico luta com falta de instalações para a sua sede, de modo a cumprir o programa que se propôs e que já muitos esperam dele;

b) A falta de sede e de um mínimo de condições básicas para trabalhar, porém, não impediu o Grupo Coordenador de promover as mais variadas iniciativas: edições, colóquios, programas radiofónicos, encontros, sessões de esclarecimento em estabelecimentos de ensino, ciclos de animação, circulares, artigos, traduções, boletins informativos, fornecimento de documentação pelo correio sem despesas para os destinatários, etc., tudo foi realizado sem sede, sem qualquer base de apoio financeiro, sem fundos, sem fontes de receita;

c) O pedido de informação e documentarão é um dos que o Grupo Coordenador recebe com mais frequência, procurando responder pelo correio a todos os pedidos: ascende à centena e meia o número de pedidos atendidos pelo Grupo Coordenador;

d) A maior parte dos pedidos que o Grupo Coordenador recebe provêm de professores e alunos - desde o ciclo preparatório até ao universitário -, que pretendem informação ecológica para dar satisfação aos seus próprios interesses intelectuais ou à letra do programa escolar onde essa matéria já vem designada;

e) Lembra-se, portanto, e em resumo, o esforço despendido até agora pelo Grupo Coordenador e as despesas em que o mesmo se tem empenhado - acima da centena de contos - sem qualquer objectivo de lucro ou sequer de compensação dos gastos efectuados;

Lembram-se, ainda, algumas das realizações levadas a efeito pelo Grupo Coordenador:

- Edições policopiadas nas séries "Mini-Ecologia" (8 títulos) " Textos de Apoio" (6 títulos) e "Sine Qua Non" (2 títulos), "Manifesto Ecológico" e outras;

- 5 números da primeira face do boletim, em edição de stencil;

- Mais de 6 números do jornal "Frente Ecológica" em edição off-set;

- Emissões de rádio semanais desde Maio até 25 de Novembro de 1975;

- Colóquios e mesas redondas, sempre que foi possível lograr sala;

- Dezenas de circulares, semana a semana, com noticiário interno;

- Propaganda e documentação enviada através do correio para todos os pontos do País que a solicitam ao Grupo Coordenador;

- Correspondência diária mantida pelo Grupo Coordenador com todo o País;

- Realização de dois Encontros: o primeiro na Figueira da Foz, em Novembro de 1974; o segundo em Lisboa, em Março de 1975;

- I Ciclo de Animação Ecológica;

- Prevista a realização do Congresso, que a instabilidade (crítica) do País tem adiado;

- Contactos epistolares com organizações estrangeiras congéneres, contactos que só não foram desenvolvidos por absoluta impossibilidade financeira do Grupo Coordenador e por falta de sede.

Lembra-se ainda que tudo isto foi conseguido sem que o Grupo Coordenador dispusesse de fundos, a não ser algumas quotas, poucas, pagas pelos sócios e donativos (raros) de militantes.

Até Setembro de 1975, data em que a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu ao Grupo Coordenador um subsídio de 25 mil escudos, o Movimento existiu praticamente à custa de um único responsável, que nele acredita e que nele apostou quanto lhe foi possível.»

No mesmo comunicado do Grupo de Paço de Arcos previa-se "recolha e inventário de: formas de indústria artesanal; moinhos de vento e de água; árvores seculares e sua classificação; morfologia e características; pontos de água da região; poluição de rios e lagos, etc.".

A recolha de slides a fotos em zonas-desastre do Ambiente Português era outro ponto que apontava nesse documento para o Património.

Entre os inquéritos propostos por esse documento do Grupo de Paço de Arcos, previa-se:

"Inquérito ao desemprego e ao inaproveitamento de recursos humanos, como contradição mais flagrante do actual processo revolucionário, que tão carecido de trabalho e aproveitamento está.

"Inquérito aos marginais da sociedade portuguesa, aos que não possuem qualquer estatuto social, ao lumpen-proletariat, aos velhos sem reforma nem amparo, às

crianças sem pai, aos doentes sem cama, etc. .

"Saber em que medida a saúde mental e, portanto, algumas manifestações de patologia social (suicídio, homicídio, alcoolismo, toxicomania, neurose, esquizofrenia, etc.) são afectados pelos espaços congestionados, principalmente aglomerados urbanos".

MOVIMENTO ECOLÓGICO NA RÁDIO

1975

Emissora Nacional:

Lisboa 1, Ondas Médias

Quartas-feiras, às 22,30 horas

Rádio Clube Português:

Emissores Lisboa e Porto (não simultâneo), Ondas Médias

Quintas-feiras, entre as 18 e as 20 horas

Emissores Lisboa/Porto (em simultâneo), Ondas Médias

Sextas-feiras, entre as 2 e as 6 horas da manhã

F.M. (Frequência Modulada)

Sextas-feiras, entre as 8 e as 10 horas da manhã

Rádio Renascença:

Ondas Médias

Terças e Sextas-feiras, entre as 17 e as 18 horas

Quartas e sábados, entre as 19,30 e as 21 horas.

ESTAMOS EM DÍVIDA COM A NATUREZA AJUDE-NOS A PAGÁ-LA

A NATUREZA ACABA ONDE O CAPITALISMO COMEÇA

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MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS

1976

Com a sede localizada na Avenida da Liberdade , 240-2º, entre Fevereiro de 1976 e Dezembro de 1976, o Movimento Ecológico Português, teve, como associação, o seu período mais animado, reunindo regularmente os membros da direcção e criando núcleos em diversas localidades como: S. João do Estoril, Porto, Portalegre, Cacém e Évora.

Frequentavam, nessa altura, as reuniões do M.E.P. nomes como:

Fernando Carvalho

Yolanda Gonçalves

António Lima

Lurdes Fadista

Vítor Dias

Afonso Cautela

Fernando Sacramento

Belmiro Farto

Jorge Marques

Regina Andrade

Horácio Catarino

Isabel Leiria

Jorge Claudino

Matos Pereira

José Silva Carvalho

Vítor Sousa

Em 5 de Junho desse ano, Dia Mundial do Ambiente, o M.E.P. realiza também uma exposição documental na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo principalmente trabalhado na sua execução: Yolanda Gonçalves, Lurdes Fadista e Regina Andrade.

***

20/FEVEREIRO/1975

MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS EM 20/FEVEREIRO/1975

II PROJECTO PARA O ORGANIGRAMA POLÍTICO

COMISSÃO ORGANIZADORA ATÉ 20 DE FEVEREIRO DE 1975

Entre 16 de Maio de 1974 (reunião na Cooperativa UNIMAVE), até 20 de Fevereiro de 1975 (reunião na Rua Rodrigues Sampaio, 6-7º ) integram a Comissão Organizadora do Movimento Ecológico os seguintes elementos:

António Carvalho

José Abreu

Afonso Cautela

José Louza

Jacinto Vieira

José Carlos Marques

Fernando Pires Moreira

Carlos Ciríaco

Luis Silva

Luis Lousteau Mateus

Games Ribeiro

Maria Suzette Ribeiro

Rocha Barbosa

Luis Filipe Martins

Jorge Branco

Antonio Pedro Pita (Coimbra)

Araújo Ferreira

Maria João Baltar

Gomes Guerreiro

Romeu de Melo

João Barreto Atalayão

Vítor Martini

Júlio de Ravasco de Carvalho Bossa

Taciano Zuzarte

A . Furtado

Gonçalo Cabral

Jaime Gil Paz

Domingos Janeiro

Paulino de Magalhães

João Alberto Rodrigues Faria

Alberto Martins Andrade(V.N.de Gaia)

João Augusto Homénio

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PRIMEIROS ÓRGÃOS CENTRAIS

DO MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS

20 DE FEVEREIRO DE 1975

Em face do acto da constituição do Movimento Ecológico Português como associação cultural e cívica, registado no 10° Cartório Notarial de Lisboa, a 7 de Fevereiro de 1975, e na expectativa de eleições para os primeiros corpos gerentes, resolve a Comissão Organizadora, com os elementos reunidos no dia 20 de Fevereiro de 1975, dar lugar aos primeiros corpos centrais que poderão vir a integrar o Organigrama do Movimento Ecológico Português.

É assim que, de acordo com os elementos presentes nessa reunião, registada em acta, ficaram constituídos a Comissão directiva e o Secretariado, estando em formação o Conselho Técnico e a Comissão de Apoio na Imprensa, Rádio e TV. Representantes destes quatro órgãos políticos do Movimento Ecológico Português constituirão o Comité Central, que reunirá periodicamente, ou de emergência, para emitir orientações de ordem geral.

***

QRGÃOS CENTRAIS NASCIDOS DA COMISSÃO ORGANIZADORA (*)

(*) Indicam-se, por ordem alfabética de apelido, os elementos que até agora, 25 de Fevereiro de 1975, os integram.

COMISSÃO DIRECTIVA

(futuros dirigentes associativos a eleger em 1ª assembleia geral)

João Barreto Atalayão

Rocha Barbosa

Afonso Cautela

Araújo Ferreira

Domingos Janeiro

Paulino Magalhães

José Carlos Marques

Luís Filipe Martins

Fernando Pires Moreira

Jose Gomes Ribeiro

Jacinto Vieira

SECRETARIADO

(Comissão executiva)

Gonçalo Cabral

António Carvalho

Afonso Cautela

A . Furtado

Paulino Magalhães

José Carlos Marques

Luís Filipe Martins

Maria Delfina Nogueira

Jacinto Vieira

Taciano Zuzarte

Anneke Zuzarte

CONSELHO TÉCNICO

(Consultivo)

Jorge Branco

Gomes Guerreiro

José Almeida Fernandes

José Flórido

Serge Jurasunas

José Furtado Mateus

Luis Lousteau Mateus

Romeu de Melo

Prof. Agostinho da Silva

COMISSÃO DE APOIO NA IMPRENSA, RÁDIO E TV

José Matos Cruz

Duarte Figueiredo

Joaquim Gaio

Vasco Granja

José António Moedas

Jorge Nogueira

Madeira Piçarra

Nuno Rocha

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"MOVIMENTO ECOLÓGICO PORTUGUÊS" - SÓCIOS FUNDADORES DA ASSOCIAÇÃO

25 DE FEVEREIRO DE 1975

Lisboa, 25 de Fevereiro de 1975

Enquanto Associação cultural e cívica, de fins não lucrativos, o "Movimento Ecológico Português" organiza-se de acordo com os estatutos, a massa associativa (assembleia geral) e os respectivos corpos gerentes ou dirigentes administrativos.

Sócios fundadores (com a entrada inicial de 1.000$00, além da quota semestral), são até agora, 25 de Fevereiro de 1975, os seguintes os que asseguraram a sua comparticipação no lançamento dos fundamentos do "Movimento Ecológico Português":

Jacinto Vieira

Fernando Moreira

Rocha Barbosa

Afonso Cautela

Manuel Camacho Simões

Luís Filipe Martins

Manuel Pires

José Fernandes Cautela

Espera-se que muito em breve esta lista se encontre substancialmente aumentada para garantia e futuro do Movimento Ecológico Português.

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COMPETÊNCIA E FUNÇÃO DOS ÓRGÃOS CENTRAIS

COMISSÃO DIRECTIVA

Tem a competência e funções que lhe estão consignadas pelos estatutos do Movimento, nomeadamente:

- decidir sobre despesas, desde que saiam da rotina e constituam eventual problema para o orçamento previsto;

- decidir os elementos que constituirão em definitivo a lista A de candidatos à eleição dos primeiros corpos gerentes da Associação "Movimento Ecológico Português";

- decidir dos nomes que constituirão as diversas comissões centrais a sancionar os representantes destas, eleitos para o Comité Central;

- sancionar os grupos que, desejando federar-se no âmbito do Movimento Ecológico, o poderão fazer;

- decidir, portanto, os grupos que não comprometem ou traem, fundamentalmente, os princípios e objectivos definidos pelo Manifesto;

- quanto aos Grupos Locais de Trabalho - livres de se multiplicar e organizar como melhor entenderem - apenas cabe à Comissão Directiva ter conhecimento desses grupos de trabalho, dar-lhes o apoio que na altura for possível e, quando solicitada, definir o âmbito ideológico em que esses grupos deverão trabalhar se o desejarem fazer ajustados ao programa do Manifesto Ecológico;

- na medida em que se sente apetrechada no campo doutrinal e documental - tendo reunido vários dossiês sobre as matérias incluídas no programa ecológico - a Comissão directiva reserva-se o direito de apresentar textos de motivação e apoio, formar listas bibliográficas ou listas de contactos a estabelecer pelos grupos, quer lho solicitem ou não, e sempre que o entenda desejável para progresso e unidade do Movimento,

SECRETARIADO (função executiva)

São competência a funções do secretariado:

- Corresponder às solicitações locais para comparência de equipas, indigitando, em princípio, as pessoas que podem estar presentes nessas reuniões;

- Preparar um I Congresso Ibérico do Movimento Ecológico, ao qual se trariam as bases (grupos locais) a uma assembleia geral onde se estatuíssem directivas que orientassem a dessem corpo doutrinário coerente ao Movimento como unidade centralizada a centralizadora;

- Criar as subcomissões de trabalho indispensáveis às várias tarefas a realizar, a curto e a médio prazo;

- Responder à correspondência do País e do Estrangeiro, decidindo os termos em que o deve fazer;

- Reunir semanalmente para deliberar assuntos da sua competência;

- As reuniões semanais são indispensáveis, entre outras funções para que o Movimento possa emitir comunicados e tomar posição em relação a determinados factos da actualidade ecológica;

- Indigitar comissões encarregadas das seguintes tarefas consideradas urgentes para a dinamização do Movimento:

- Festival Internacional do Meio Ambiente (filmes em 16m/m), abrangendo manifestações paralelas, colóquios, debates públicos e exposições documentais;

- Contactar e incentivar professores para que a temática ecológica sirva de centro de interesse a aulas e lições;

- Contactar meios da Imprensa, Rádio e TV, no sentido de consagrarem secções e atenção aos temas do Ambiente no espírito preconizado pelo Manifesto do M.E.P.;

- Reincentivar a campanha contra o Ruído;

- Reincentivar outras campanhas urgentes: Para uma Moratória Nuclear; Contra a Obrigatoriedade em Portugal das 4 vacinas; contra a Agricultura Química; etc.

- Reincentivar a edição de opúsculos com textos de apoio à acção e resistência ecológica;

NÚCLEOS LOCAIS DE APOIO

Espera-se que colaborem nas tarefas que nesta data se apresentam prioritárias:

- recolher assinaturas da Campanha para uma Moratória Nuclear e dos futuros abaixo-assinados;

- receber do Grupo Coordenador os exemplares do Boletim que se encarregará de distribuir e difundir na área da sua residência como militante do Movimento Ecológico;

- receber para difundir quaisquer comunicados no âmbito do Movimento Ecológico;

- enviar ao Boletim notícias sobre o Ambiente no local onde reside;

- recrutar sócios para a Associação "M.E.P."

- levar a efeito reuniões de esclarecimento sobre temas ecológicos, sempre que necessário com o apoio das comissões centrais (directiva, Secretariado, Conselho Técnico e Comissão de Apoio na Imprensa);

- recolher inscrições de assinantes do Boletim.

Lisboa, 25 de Fevereiro de 1975♥♥♥