1-1- <80-11-27-ie-et> domingo, 1 de Dezembro de 2002-scan
O DINOSSAURO
EM CONSTRUÇÃO (*)
27-11-1980 – A resolução de retomar os trabalhos de construção da barragem de Alqueva decidida em Conselho de Ministros do dia 21 de Outubro de 1980, veio publicada no "Diário da República" de 27 do mês seguinte.
A «crise energética mundial e o seu impacto sobre a economia nacional" são os motivos alegados no preâmbulo da resolução para o relançamento do projecto de Alqueva, o qual refere ainda a necessidade de acelerar os programas de recuperação dos recursos energéticos disponíveis".
Destes, o diploma destaca os hidroeléctricos ainda não aproveitados e que à medida que se tornam rentáveis devem inserir-se progressivamente no sistema eléctrico produtivo."
Nos termos da resolução, "o aproveitamento hidroeléctrico de Alqueva permitirá beneficiar o sector eléctrico pela localização no Sul de um centro produtor com uma potência apreciável e uma produtividade, em ano médio, da ordem dos 500 Gwh equivalente, a cerca de 120 000 toneladas anuais de derivados do petróleo, só comparável território nacional, aos aproveitamentos hidroeléctricos da bacia do Douro."
"Vê-se assim reforçado o interesse energético do empreendimento - sublinha o texto do Governo - como importante fonte de poupança de divisas que, de outro modo, teriam de ser despendidas em importação de fontes energéticas." Nesta perspectiva, " a valia eléctrica pode só por si justificar o investimento da barragem e central de Alqueva, admitindo que todos os caudais sejam afectados à produção de energia, com excepção dos que foram destinados aos abastecimentos de água das populações.
Tudo isto é totalmente refutado por um dos partidos que integram a Aliança Democrática. Com efeito, o PPM, em recente conferência de Imprensa, apresentara publicamente o "Livro Negro de Alqueva", condenando aquele projecto como um suicídio económico e sem qualquer viabilidade, mesmo na valia eléctrica, enquanto não houver garantias do Governo Espanhol sobre o caudal de estiagem que chegará a Portugal.
Segundo o PPM e a comissão do "Livro Negro de Alqueva", tratar-se-ia de mais uma obra de fachada, verdadeiro "dinossauro" que apenas pretender glorificar determinado período histórico, tal como outrora se erguiam pirâmides para incensar faraós e arcos do triunfo para imortalizar ditadores.
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(*) Provavelmente, este texto de Afonso Cautela ficou inédito ☻☻☻