<79-10-20-CS> = constantes do sistema – teses exemplares – publicado ac de 1979
SE O DESEMPREGO NÃO EXISTISSE
TERIA QUE SER INVENTADO(*)
20/10/1979 - Há certos males de sistema, que ainda que não lhe fossem intrínsecos a pudessem ser resolvidos, persistiriam como males e seriam agravados propositada e artificialmente, porque o sistema precisa deles como seu alimento indispensável.
Por exemplo: pensa-se, regra geral, que o desemprego é uma disfunção do capitalismo, algo que existiria a contragosto dos responsáveis pela exploração do homem pelo homem.
Para engano! O desemprego é alimentado, mantido, provocado: enquanto hipócritas medidas para o combater são proclamadas pelos políticos, o que verdadeiramente se faz, é evitar que o desemprego diminua.
Porque, sem ele, a maior parte dos trabalhos ofensivos, alienatórios, penosos, tóxicos, poluentes, inseguros, de fins directa ou indirectamente militaristas ou mercenários, não seriam realizados.
A pesquisa de petróleo o outros trabalhos arriscados, penosos, patogénicas como o trabalho das minas, não haveria ninguém que os fizesse.
Tal como o cancro (que alimenta algumas das mais poderosas indústrias do mundo ocidental ) o desemprego não é nem uma doença incurável, nem uma maldição, nem um fatalismo. É um mecanismo mantido a todo o transe como sustentador e multiplicador do sistema nas suas rodas dentadas principais. Tal como a famosa e famigerada poluição.
Na U. R. S. S., entretanto, não é preciso desemprego para haver quem faça os trabalhos forçados que o progresso do imperialismo industrial implica: o Estado tem aí processos muito mais expeditos e não precisa de fomentar artificialmente a desocupação.
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(*) Publicado no jornal «A Capital», 20/10/1979