5745 caracteres - 3 páginas - <dcm-1> - diário de um consumidor de medicinas - ficha a ficha - cada parágrafo uma ficha
11-6-1997
4 CASOS DE ECOLOGIA HUMANA
FLÚOR ( 1987, publicado) - A experiência-piloto para a fluoretação da água de consumo corrente, ao ser lançada pela Direcção Geral de Saúde, sob a direcção de Lina Delgado, no distrito da Covilhã, inscreve-se num plano internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS). Fingindo ignorar as múltiplas denúncias que foram já feitas sobre os efeitos negativos do flúor no organismo - pode originar graves lesões renais - as referidas organizações ditas de saúde encontram em Portugal um terreno fácil para fazer impor as suas estratégias do Flúor, substância que, como se sabe, está estreitamente ligada, enquanto resíduo, à Indústria do Alumínio e que nestas campanhas do «flúor contra a cárie» encontra escoamento ilimitado. Dado que em Portugal o consumo de açúcar é de 70 gramas - ingestão diária média - enquanto a OMS recomenda que não se deve ultrapassar os 12 gramas, é evidente que a cárie, aqui, e todas as doenças de desmineralização, será endémica e o negócio do flúor poderá fazer carreira. Por um lado acciona-se o consumo de açúcar e do outro o do flúor - resíduo da indústria do Alumínio. A cárie não irá diminuir com o Plano Nacional do Flúor mas irá aumentar o contingente de doenças renais, como era aliás oficialmente reconhecido em Abril de 1982, e com particular incidência nas crianças. Mas todas as doenças derivadas de alterações no metabolismo do cálcio desde a infância inscrevem-se num contexto mais lato, que engloba grande parte do contingente de deficientes motores (ósseos), em que ao açúcar industrial e outros desmineralizantes se vem somar a acção de calcificantes artificiais e do soro das vacinas, para não falar, mais tarde, quando tudo isso degenera em lesões motoras, esse princípio do fim chamado cortisona.
DELITOS ( 15/1/1983, IN «A Capital», Saúde Pública: Delitos & Delinquentes) - É grotesco ser tão rigoroso a punir um comerciante porque atrasou dias a renovação do boletim de sanidade, num país onde se cometem, sem ninguém averiguar, punir ou dizer basta, os maiores atropelos, crimes e atentados contra a saúde pública. Num país onde a lei contra resíduos de pesticidas , hormonas e antibióticos nos alimentos leva dois anos a parir e não se sabe ainda quantos a nascer. Num país onde circulam livremente e têm venda franca todos os remanescentes de medicamentos e produtos proibidos no estrangeiro que os países civilizados não querem. Num país onde os processos de doenças profissionais se acumulam aos milhares nos tribunais de trabalho, sem terem andamento a pretexto de desculpas várias. Num país onde negociantes e traficantes de alimentos avariados têm caminho aberto e fácil. Num país onde o vómito acústico do escape roto continua impune a enlouquecer toda a gente. Num país onde nem uma só vez foram punidos os culpados por intoxicações alimentares que os jornais regularmente noticiam como rotina. Num país onde é preciso pedir licença para se falar em defesa ecológica da saúde. Num país onde, quando se escreve sobre energia nuclear, se promete solenemente ao povo não falar de passarinhos e outros folclores. Num país onde a grosseria se institucionalizou, onde se inverteram totalmente as prioridades e os valores (prioridade que pertence obviamente à sensibilidade, á inteligência e às ideias contra a estupidez tecnocrática, ideológica ou partidária). Num país destes, teremos que continuar à procura de bodes expiatórios? Continuaremos com a severidade para os pequenos delitos e a impunidade para os grandes?
CUSTOS DA DOENÇA - (1987, Inédito) - Se a chamada Caixa paga ou comparticipa, porque há-de o consumidor, beneficiário da dita, privar-se de consumir medicamentos, muitos e caros? Se consumir medicamentos significa, na linguagem comum, consumir saúde, porque não há-de o consumidor ter uma saúde de ferro, transbordar de saúde, enfrascando-se de remédios? Só por má fé alguém será capaz de dizer que estas perguntas estão «feridas» de facciosismo, contrasenso ou ilógica. No entanto, quem será capz de lhe responder? No entanto, é toda a questão dos chamados custos de saúde (que são os custos com a doença) que está em causa. Se ter saúde é consumir medicamentos e se os medicamentos estão cada vez mais caros, não só se devem consumir cada vez mais medicamentos para bem da saúde, como a saúde, assim, ficará cada vez mais cara. Mais um vez a pergunta: Será que a saúde é cara ou o que é mesmo cara é a doença? Os custos da saúde ou o preço da doença?
VACINAS - (1/12/19809) - Os habitantes do 3º Mundo devem ter cada vez mais acesso a medicamentos e vcinas - afirmou o director adjunto da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) ao abrir a reunião de consulta sobre indústria farmacêutica, no Hotel Estoril Sol, dia 1/12/1980. O sr. M.F. Carre falava para cerca de 200 delegados que representam nesta reunião da INUDI meia centena de países de todos os continentes. Igualmente se encontram representados nesta reunião várias organizações, entre as quais: OMS; CEE; Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico; Federeação Mundial dos Sindicatos da Energia, da Química e das Indústrias Diversas; Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica ; Federação Internacional dos Farmacêuticos Católicos; Banco Mundial; UNICEF e outros organismos das Nações Unidas como a UNCTAD. Falando na sessão inaugural, o Ministro da Indústria e Energia, Engº Álvaro Barreto, classificou o «nosso sector farmacêutico» de «modesto na sua capacidade e limitado na sua independência.» De facto, em Portugal mais de 2/3 da respectiva actividade é orientada por empresas multinacionais não portuguesas, a matéria-prima é reduzida e a tecnologia própria só agora começa a surgir.
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