<clima-1> antologia cpt – direito de resposta
O APOCALIPSE CLIMÁTICO
E A IDEOLOGIA DA AMEAÇA(*)
(*) Confirmar se foi publicado em 5/11/1983 na Crónica do Planeta Terra («A Capital»)
20/10/1983 - É uma esperança para a humanidade que os cientistas se ponham a adivinhar a data do Apocalipse, dado que, regra geral, tudo ocorre ao contrário do que a ciência futuriza, nomeadamente quando os cientistas recorrem ao computador, "o animal mais estúpido que há", dizem alguns.
Ora bem: o último alarme vem dos Estados Unidos, mais especificamente de Washington , da sede do governo federal, que decidiu aproveitar este momento das difíceis conversações sobre armamento para distrair as atenções das massas.
Como se sabe e segundo as melhores regras da manipulação de cérebros e consciências, nada melhor para desviar as atenções do seu alvo do que outro perigo supostamente ainda maior.
E é assim que a crise ecológica, particularmente a crise climática, fornece aos pacifistas da Guerra e aos belicistas da Paz, a Leste e a Oeste, motivo sempre oportuno para ameaçar a humanidade de perigos ainda maiores do que o holocausto nuclear em que eles ameaçam mergulhar o Planeta mas que, até agora, não têm tido a coragem de concretizar. Só "bocas"...
Se a Agência Norte-americana do Ambiente anuncia para 1990 o Apocalipse climático, é de facto uma esperança, pois significa que os mandões do Planeta decidiram conservá-lo em éter até essa data e não detonaram (detonarão) até lá nenhuma guerra de mísseis, acompanhada com muitas e quentes "marchas da Paz". No Porto, lá foram os ecologistas do grupo «Terra Viva" agredidos pelos marchantes em nome da paz.
TEORIA LEVA NUCLEAR NO BICO
Se há hipótese, ainda, de haver clima nessa altura - em 1990 - considero esta notícia dos cientistas pessimistas norte-americanos de um optimismo subversivo.
(Ver notícia anexa, em fotocópia)
0 resto, a teoria propriamente dita que mais uma vez se pretende ventilar com o objectivo de aterrar a gente, é história antiga e já bastante gasta. A tese que agora se pretende reavivar com foros de novidade de última hora, tem sido especulada várias vezes: o "efeito de estufa", provocado pelo aquecimento da biosfera, derreteria as calotes polares, os oceanos subiriam de nível e adeus Lisboa, Londres, Nova Iorque e outras cidades costeiras, à beira oceano plantadas.
A hipótese quer no entanto culpabilizar uma forma de poluição, provocada pela queima dos combustíveis bastante fósseis - o óxido de carbono - e torná-lo directamente causador do segundo dilúvio universal. É aqui que o reavivar de teses já antigas, neste preciso momento, parece suspeito: culpar o bióxido de carbono tem servido a iminentes futurologistas para esquecer fontes e centrais energéticas que não aquecem a atmosfera , claro, nem pensar: as nucleares.
Mais um passo e a conclusão impõe-se: enquanto as centrais térmicas de energia , lançando calor para a atmosfera, criariam o efeito estufa (o calor da radiação solar entra na atmosfera mas não sai) e o dilúvio, as nucleares deixariam tudo intacto, sendo portanto, no contexto desta retórica alarmista do óxido de carbono, melhores para o ambiente.
"DAR ARMAS" À ESPERANÇA
Quando os alarmes mais apocalípticos e as ameaças mais horripilantes surgem hoje de quadrantes afectos aos varias blocos que dividiram o mundo em fatias de influência, teremos de concluir, por força da razão e dos factos, pelo menos três coisas:
1 - A Esperança é de Esquerda e anti-imperialista;
2 - Tudo o que se fizer, no campo da Pessoa e da iniciativa personalista, para libertar as pessoas do sistema, contribui para consolidar e "dar armas" à Esperança;
3 - É possível já hoje meter toda uma massa de informação em computador que, a qualquer momento do dia, poderá dar uma resposta "científica" a qualquer das ideologias, quer a niilista quer a da esperança.
A todos os que estão ainda agindo de boa fé - alguns professores, alguns técnicos, meia dúzia de jornalistas, três escritores e meio, filósofos quanto baste e poucos mais - é necessário e urgente dizer a palavra essencial, quer dizer, as tecnologias da esperança.
A nível dos poderes que se digladiam na arena planetária, só resta esperar que se despedacem pelo holocausto nuclear, o que não é muito provável.
O mais certo é ficarem-se pela demagogia da ameaça, algumas medidas de boicote económico logo disfarçadamente retiradas, o encerramento "figurado" do Golfo, enfim, os clássicos filmes de arrepio e suspense que este gigantesco vídeo exibe com a necessária regularidade para que o estado de sítio mental se mantenha entre as massas. Para que as massas continuem massas, quer dizer, incapazes de pensar, querer e agir como pessoas.
Vivem os imperialismos dos sustos que vão pregando, consecutivamente, às pessoas. E como se já não bastasse a ameaça de uma guerra nuclear - um míssil no Rossio, por exemplo, regalam-se alguns cronistas a prometer - logo os pressurosos cientistas, sempre ao serviço do Império, apelam para o grande poço sem fundo de sustos e arrepios, o clima, esse meio fluido, flutuante e vário que nos cerca por todos os lados num anel de mistério e predições profético-meteorológicas...
Aí, sim, como peixes na água, os cientistas, com a maternal ajuda da Organização Meteorológica Mundial e o paternal amen de qualquer instituto de Geofísica, prometem apocalipses a granel para daqui a 5, 10, 20 ou 30 anos. O profeta Zandinga todos os anos tem previsto para breve o grande terremoto de Lisboa.
"Marque já o seu" ou "compre agora o seu apocalipse e pague depois". Os meteorologistas é uma daquelas classes dirigentes que nunca deixa de nos enternecer e fascinar.
Há 20 anos que andam a querer fabricar chuva, e o que temos é uma seca do tamanho do Sara. Eles querem dominar ventos, correntes marítimas, olhos de furacão, mas acabam por se confessar dominados, pagando nós todos, entretanto, cobaias assíduas, as favas de tanta experiência falida.
Mas para lá da manipulação voluntária de climas - procurando fazer das forças naturais uma arma - , manipulação já devidamente regulamentada em reunião internacional das grandes potências que a ela se dedicam, vem sempre a tempo o estafado alarme do óxido de carbono, que o progresso industrial se tem encarregado de mandar para a atmosfera dizendo que é desenvolvimento e qualidade de vida mas que, repentinamente, vem agora dizer-nos: "É o fim, camaradas, nada a fazer». Só nos resta despedir da família e aguardar, de mãos atadas, a subida dos oceanos, tempestades monumentais, secas de partir, enfim, o desequilíbrio ecológico do sistema climático, o pandemónio com hora marcada já na agenda do serviço diário das agências noticiosas, mas hora a hora fabricado por esse mesmo sistema de morte que levou décadas arruinando o Planeta que havia.
UMA UNHA (NEGRA) DE ESPERANÇA
Como ameaça manipulatória e um míssil mais da guerra psicológica em que os imperialismos estão fundamentalmente interessados, é que o famigerado "efeito estufa" merece ser analisado e enquadrado.
A Leste e a Oeste, interessa aos senhores do Mundo muito mais ter-nos rendidos e de cérebro lavadinho do que exterminados e feitos em pó. Mas principalmente o que lhes interessa é o Mundo onde , evoluindo na continuidade, sejamos os robôs servis das suas orgias.
Por isso ainda temos uma margem de Esperança e manobra: nem guerra nuclear nem apocalipse climático são prováveis, já que em ambos os casos os engolfariam também. O que vai aumentar, sim, a Leste e a Veste, são as ameacas de que eles farão uma coisa e outra se a gente desobedecer. Ou não deixar que nos lavem o cérebro à medida das suas meias tijelas.
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(*) Confirmar se foi publicado em 5/11/1983 na Crónica do Planeta Terra («A Capital»)