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<ciência-2-cc> = contra a ciência
= crítica da ciência = «ecologia humana, ciência maldita » - os dossiês do
silêncio – inédito de 15/2/1986 - Sexta-feira, 25 de Julho de 2003 – 5
estrelas
DA ABORDAGEM SISTÉMICA À HOLÍSTICA
CIÊNCIAS HUMANAS ANDAM NA LUA - I
- Tudo é ambiente
- Não há ciências humanas sem ecologia humana
- Causalidade e Sintomatologia
- Desintoxicar é subverter o sistema de perversões
15/2/1986 - São pura ficção e fantasia as chamadas
"Ciências Humanas" (sic) que assentam as suas premissas em concepções do homem
não só abstractas e vagas mas historicamente ultrapassadas.
Ciência do homem que não parta da sua mais concreta e profunda situação real
a que se chama Ecologia, só pode conduzir à fantasmagoria que são hoje a
Sociologia, a Psicologia, a Antropologia, a Medicina e demais ciências ditas do
Homem.
O modelo cartesiano do pensamento continua em vigor e deu à luz essas
aberrações da Natureza em que muita gente dita séria ainda acredita.
Como é óbvio e alguns já sabem, nenhuma ciência se poderá hoje reivindicar de
humana, se não assentar sobre o real concreto, situado e existencial que são,
por exemplo, as "cloacas industriais" modernas ou os "pesadelos urbanos".
O comportamento nessas cloacas altera-se, as patologias multiplicam-se, o
quotidiano dos viventes é sistematicamente bombardeado de poluições, agressões e
violações de direitos os mais variados. De que homem abstracto falam afinal
essas ciências?
MIGRANTES DE MARTE
- Quando a ciência, por exemplo, analisa ou psicanalisa o indivíduo, no
consultório, esquece as inúmeras condicionantes que nele convergem, como se
acabasse de chegar de Marte ou da Lua, como se emanasse de um ambiente
liofilizado, normal, limpo, equilibrado, saudável, humano...
- No diagnóstico científico esquece-se que, diariamente, aquele "paciente" é
alvo privilegiado de um autêntico bombardeamento de insultos, poluições e
agressões.
- É sempre incompleta a lista (negra) dos factores que condicionam o
comportamento humano, sujeito a coordenadas definidas de tempo e de lugar.
Indicam-se alguns desses factores, a que alguns (poucos) chamam "fascismos
quotidianos":
- - publicidade explícita mas principalmente publicidade disfarçada de
"informação ao consumidor"
- - multas, verdadeiros roubos (assaltos) legais praticados pelas
autoridades
- - bichas a que se obriga o cidadão, obrigado a prazos para pagar coisas a
que o obrigam
- - ruído, principal destruidor do sistema nervoso
- - fisco e sua actualização electrónica e informática (Cartão do
Contribuinte)
- - chicana partidária que paralisa a vida do País e narcotiza as
consciências
- - medicamentos e seus efeitos secundários
- - pesticidas e sua escalada de morte, fome, miséria, mas tudo isso em nome
da fartura e da produtividade
- - sismos provocados por rebentamentos subterrâneos de bombas
termo-nucleares que as potências testam constantemente
- - boatos de guerra nuclear , guerra de nervos que as superpotências lançam
para aniquilar, pelo medo, as consciências muito antes de as destruir pelas
bombas
CAUSA DAS ENDEMIAS SOCIAIS
- - A macrocefalia urbana e quem a defende ou fomenta
- - O imperialismo industrial e quem o defende ou fomenta
- - O gigantismo de situações e construções sem escala humana
- - O congestionamento de espaços e transportes
- - A cidade-cancro, auge da entropia
- - Projectos megalómanos que arrastam projectos megalómanos e quem os
promove
- - Lógica logarítmica do Desperdício e do Absurdo
- - Retrocessos humanos dos chamados progressos industriais
Factores mais remotos mas que igualmente se potencializam em
concentracionários urbanos e cloacas industriais ( zonas ditas desenvolvidas)
podem ser, entre outros:
- Êxodo rural, sangria de reservas humanas (conspiração secular do
Tecnocrata contra o Mundo Rural)
- Quando se fala em desenvolver e tal como se tem visto, a única coisa que
se desenvolve é o sub-desenvolvimento
- Crescimento de Catástrofes, Doença e Morte tem sido a outra face do
crescimento industrial
- A chamada "delinquência juvenil" é apenas o subproduto da delinquência
senil
- Às doenças da Macrocefalia, do Gigantismo e da Desertificação chama-se
pomposamente "Doenças da Civilização" (O holocausto quotidiano é - dizem-nos -
o preço a pagar em vidas e almas pelo progresso)
- Desenvolver , até agora e conforme o proclamam todos os papagaios do
desenvolvimento, tem significado apenas destruir
+
A estrutura do próprio sistema (concentracionário mais do que autoritário)
contribui, desde logo, para um terreno psíquico pré-patológico que a ciência
estabelecida não reconhece, porque se encontra ela própria, enquanto
instituição, enquadrada por outra ou outras destas instituições:
- - Escola colectivista não personalizada
- - Burocracia incurável de repartições
- - Transportes e comunicações em estado crónico de congestionamento
- - Sistema energético centralizado, não permitindo o princípio alternativo
da auto-suficiência que cria confiança e sentido da responsabilidade
- - Assistência médica em hospitais concentracionários ou em serviços com
filas de espera intermináveis
O modelo militar de "internamento" ultrapassou a própria instituição e,
combinado com o modelo inquisitorial da Igreja, refinou nas novas instituições
da "terceira vaga", que informatizam apenas o campo de concentração que outros
se tinham limitado a electrificar. Prisão, Escola, Hospital, Asilo, - são, de
facto, formas artesanais de um modelo que leva hoje à perfeição, com a
informática, o universo concentracionário.
INDICADORES DE CAUSAS PROFUNDAS
O sistema revela-se ao observador por indicadores que são efeitos de causas
instaladas: o fumo de uma fábrica apenas indica que há um criminoso por trás
dela a inquinar o ambiente...
Isolar das causas os efeitos, encarar os indicadores como entidades em si
próprias sem antecedentes nem consequentes, é a habitual metodologia da ciência
e da informação corrente.
Para um investigador holístico, são as causas que interessa analisar quando
fica perante um qualquer indicador. §§§