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<92-01-09-AC-CM> <92-01-17- > quinta-feira, 8 de Maio de 2003- novo wordBIOTIPOLOGIA:
PEDRA ANGULAR DA ECOLOGIA HUMANA
9/1/1992 - J. C.M.,
Encontrar alguém com quem dialogar, nesta fase de convalescença, em que tento sair do buraco sem fundo da melancolia, é já meia terapia. Dou-te notícia de alguns projectos pessoais de trabalho -- a que pomposamente chamo de investigação, de eco-investigação -- que gostaria de fazer convergentes da «plataforma ambientalista eleitoral», embora me pareça que a «ecologia humana» continua arredada da política ambiental e por mais que os marxistas agora façam acto de contrição -- «mea culpa, mea grande culpa» -- dizendo que um dos erros do sistema foi ter menosprezado a «psicologia».
Face aos imperativos de uma concepção tecnocrática da economia e da ecologia, penso que a «ecologia humana», pedra angular das ciências humanas, continua omissa, proibida, tabu e sem inserção numa estratégia ecológica global. Pedra angular da Ecologia Humana é uma outra matéria, também omissa de programas e currículos, aquilo a que alguns manuais modernos chamaram «psicologia diferencial» e a que outros, antigos, a meu ver mais correctamente, chamaram «biotipologia».
Não vejo educação ou medicina -- só para dar dois exemplos -- sem apoio em uma Biotipologia esclarecida. Pedra angular da Biotipologia, é a Endocrinologia: e se me tenho enfronhado a ler livros sobre hormonas e glândulas endócrinas!
Mas o obstáculo metodológico, é o mesmo que encontrei em outras áreas: a ciência analítica leva a análise até ao infinito, nunca revertendo para uma aplicação global e prática (terapêutica) dessa análise; os movimentos, como a Fraternidade Rosa Cruz, facção Max Heindel, ramo brasileiro, que se interessam mais globalmente pelos sete «chacras» que são os centros endócrinos, só dizem asneiras, sob o ponto de vista do discurso.
Correntes como a Naturoterapia e a Macrobiótica, ignoram completamente a importância do eixo endócrino no equilíbrio do universo humano. E mais uma vez vejo-me nesta encruzilhada de coisa nenhuma, agarrado com unhas e dentes a uma ideia em que ninguém acredita; desta vez, nem do Estrangeiro me vem ajuda. Regra geral, 15 ou 20 anos depois, acabava por encontrar, vinda dos centros cultos internacionais, companhia para as minhas ideias, embora levasse décadas a fazer, sozinho, a travessia do deserto.
Sei que está aí -- na Biotipologia, ou Perfil Holístico como prefiro chamar-lhe -- um ponto de «viragem» para uma mentalidade diferente e mais humana das coisas humanas; mas encontro apenas cientifismo arrogante e sofístico de um lado, do outro a charlatanaria e o discurso tolinho e esparvoeirado dos pseudo-místicos de pseudo-iniciações.
Quem quer investigar comigo uma linha prática de Biotipologia, que -- valendo-se do muito já investigado pela ciência profana -- leve a uma síntese desde já possível e a uma visão integrada (holística) desta pobre humanidade feita em pedaços?
Se eu assentar num esquema básico de 7 «biotipos», toda a terapêutica -- em sentido lato -- passa a ser a terapêutica de cada um desses 7 tipos, nem mais nem menos. Entre o diagnóstico impessoal e desumano da medicina moderna -- que se preocupa mais com o órgão e a doença do que com a pessoa que tem diante -- e a preconizada «individualização» que pulveriza até ao infinito o número de casos que comparecem diante do terapeuta, a Biotipologia representa uma revolução ... ecológica no campo da terapia.
Quem me ajuda a escrever o livro que tenho em projecto, de homenagem aos meus 58 anos e a toda a gente que fizer mais do que 49 anos, 7 X 7 ? ... «As Nossas Sete Idades e a alimentação yin-yang», eis o nome que gostaria de dar a esta tentativa de fazer a súmula útil de tudo o que, de útil à humanidade sofredora, a ecologia alimentar -- ciência aliada à Sabedoria -- pode dar. Macrobiótica é o horrível nome que resolveram dar a uma linha de ecologia alimentar que data de alguns milhares de anos como linha enviada dos deuses para sabedoria dos humanos. No envelope azul, vinha também esse tesouro de sabedoria chamado Acupunctura, que igualmente transformámos -- à excepção de alguns centros iniciáticos -- em pechisbeque de agulhas.
LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA UMA POLÍTICA ECOLÓGICA EM CABO VERDE -- «A RIQUEZA DE SER POBRE» -- Projecto no qual espero possas vir a colaborar com os preciosos dados informativos que possuis, é o de um relatório-projecto para Cabo Verde que estou elaborando, com vista a sublinhar algumas tecnologias apropriadas que teriam ali, naquele arquipélago «maldito», a sua terra de eleição.
Projecto-piloto, como vês, embora não goste muito da expressão. Quando me vi empurrado de todos os lados, ouvindo, no meu autismo esquizofrénico, atrás de mim gritos roucos «sai daqui, sai daqui», «nada tens a fazer aqui», «rua, rua», «destruam-no, destruam-no», resolvi muito simploriamente fazer a vontade a toda esta gente e fui inscrever-me como cooperante para Cabo Verde, embora sabendo das poucas probabilidades que me restam disso: eles querem é médicos (dos bons, dos autênticos, dos que receitam medicamentos em barda) e professores do secundário, também dos bons: não estão muito necessitados de professores do ensino primário, que é o título que tenho, nem de jornalistas falhados.
Mas não desisto, até ver, de continuar juntando informação eco-alternativa, que possa dar umas luzes de verdade aos novos políticos de Cabo Verde, já suficientemente hipnotizados, como é óbvio, pela Unideologia do chamado «desenvolvimento». Já reparaste, José Carlos, que a Unideologia chega sempre primeiro do que as «tecnologias apropriadas»?
O CABO DA NOSSA PACIÊNCIA [ + UM ESPANTO MEU SOBRE AQUILO QUE NÃO ESPANTA NINGUÉM ] - As todo poderosas Mitsubishi e Citroen e Yahmai, mandam não só em todo o continente africano -- de Paris ao Cabo -- mas também sobre jornais e jornalistas, helicópteros e esferográficas, telexs e telepaxs, câmaras e telejornais.
As imagens dadas pela televisão -- os potentes carros perfurando os intestinos dos povos africanos, numa imagem fálica que só podia apaixonar Freud -- através de florestas lindíssimas, e arrumando à berma, de vez em quando, feita em cacos, uma criança desprevenida ou um velho já mais surdo -- eis o que não posso deixar de reconhecer como o mau serviço prestado à democracia ocidental e, portanto, à humanidade pelo fulgor das imagens televisivas.
O que uma imagem pode fazer para nos destruir por dentro, meu deus! ou para nos conformar à mais inverosímil e insólita das violências. Desporto é desporto -- um verdade dogmática que a religião do Consumo não discute. Salazar só não discutia Deus, Pátria e Família. Estamos muito, muito longe, hoje, do intocabilismo salazarista. O que se não discute hoje no salazarismo eurocrático do Establishment admitido, é uma lista interminával de bens de consumo. Quase nada que nos é dado -- metido boca abaixo pelos «media» - se discute hoje. Dantes, creio, era «só» Paris-Dacar, mas pelos vistos era pouco para os orgasmos mediáticos e seus anexos. Era preciso ir mais a fundo e mais longe. Paris-Cabo, dá-me impressão que nunca mais acaba. Imagens chocantes de população «ceifada» por um Ferrari, foi só no primeiro dia, depois, tacitamente, houve ordens da organização para que tais notícias fossem totalmente erradicadas. Censura era dantes. Óbvio, não? ☺☼