1-1 < 91-12-19-aa> artes alternativas sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2003-novo word - 2713 caracteres - <biogas> <manifesto polémico> os silêncios da democracia

NO CASO CONCRETO

DO BIOGÁS

[ 19-12-1991]

No caso concreto do Biogás -- a forma de Reciclagem mais acessível e mais económica -- a obstrução tem sido idêntica à que se verifica contra outras formas de reciclagem e contra as alternativas de conservação, diversificação e descentralização energética. A obstrução contra o biogás verifica-se pelo menos e principalmente em duas frentes: como alternativa energética, ela incomoda os que sonham com fontes caras e concentradas enquanto receiam a descentralização e a democratização energética: enquanto fonte de fertilizante orgânico da mais alta qualidade, o biogás incomoda naturalmente aos grandes produtores de adubos químicos, para os quais -- a avaliar pela guerra que lhe fazem -- o adubo orgânico parece constituir temível concorrente, nomeadamente quanto a preços.

AS MENTIRINHAS DO BIOGÁS

Em foco nos últimos dias (???), estiveram as declarações de uma autoridade em Biogás, Júlio Maggioly Novais, que, segundo as notícias dos jornais, está agora mais optimista do que há dois anos quanto à possibilidade de o «gás dos pobres» se desenvolver num país dito subdesenvolvido como Portugal.

Ao que parece, a lição da China e da Índia já (nos) é prestável... e também o público português já tem finalmente direito a saber que a Europa investe neste momento dinheiro e capacidade tecnológica no incremento do metano de origem animal, obtido a partir de excrementos animais, nomeadamente ruminantes, onde a fermentação se começa a fazer no próprio organismo.

Enfim, o que alguns eco-miltantes vêm dando como óbvio, começa agora a ser óbvio para engenheiros, especialistas e outros responsáveis. Quando entrará o óbvio nos planos ministeriais da economia e da energia?

Acentuavam as notícias, no entanto, que por enquanto o biogás em Portugal «só existe a nível caseiro».

A ser verdade (e não é) esta mentira, dever-se-ia ela aos papagaios que levaram uma década a gritar que o biogás «não era rentável» e outros lugares comuns da mistificação tecnocrática.

Mas a mentira é mesmo mentira. E as instalações industriais da Lisovo, em Marrazes, Leiria, que conseguem autosuficiência eléctrica com a «energia» dos aviários e de uma vacaria, produzindo o gás metano em circuito fechado, aí estaria a prová-lo. A instalação de Marrazes não só tem dimensão industrial como é das mais avantajadas que existem na Europa.

Como se vê, portanto, e apesar do óbvio já conseguir vencer o nevoeiro da mistificação, a má vontade dos responsáveis é ainda a tónica dominante da retórica nacional sobre energia. Que escamoteia e mente com verve inexcedível. Retórica que, essa sim, consome e desperdiça milhares de quilovátios.☺☺☺☼☼☼