<79-02-08-ie> - <alqueva1>(Adaptação em 6 de Junho de 1997 de um texto de 8 de Fevereiro de 1979)

Uma questão religiosa :

quase 20 anos depois

COMO, POR CAUSA DE ALQUEVA, DEIXEI DE SER DEMOCRATA, PORTUGUÊS E BOM CHEFE DE FAMÍLIA

«Em termos políticos, sem a Reforma Agrária levada às últimas consequências, não valeria a pena Alqueva.

«Mais: Alqueva sem Reforma Agrária seria um desastre para o país.»

António Santos, jornalista, presidente do Sindicato dos Jornalistas, membro do PC, in «A Capital», 6/Março/1976

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«Se o plano fosse executado no seu todo, implicava a necessidade de reestruturação e Reforma Agrária, com a consequente transformação da ordem social.»

Eng. Hidráulico Joaquim Faria Ferreira, que desde 1952 vem dando forma ao Plano de Alqueva na Direcção dos Serviços de Aproveitamento Hidráulico, onde pareceu ser vitalício.

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No «Diário do Alentejo» (8/2/1979), João de Moura colocava os objectores de Alqueva no campo santo da «direita mais reaccionária».

Ainda bem. Fiquei a saber que estava eu, portanto, ao lado das «forças mais retrógradas da sociedade portuguesa», «com os jornais da Direita», etc., só porque Alqueva não me parece ser a caixinha de Pandora que os seus adeptos dizem ser e de onde vão sair todas as soluções para os problemas do Alentejo e do país.

Numa penada da sua ágil pena, o sr. João de Moura, pseudónimo evidente de quem não quer deixar-se conotar por posições políticas demasiado nítidas, coloca todos os críticos à Megalomania de Alqueva no lado dos reaccionários.

Ora e até ao 8 de Fevereiro de 1979, antes de ler o sr. João de Moura, pseudónimo de um ilustre camarada, estava eu convencido do contrário.

Num ensaio que escrevi e publiquei em 1975, nas edições «Frente Ecológica», apontava as primeiras razões que me fizeram fundamentalista em Ecologia e o inimigo Nº 0 de Alqueva: o Inimigo número 1 é o meu amigo Carlos Filipe Marreiros da Luz e o número Dois é o meu estimado amigo Gonçalo Ribeiro Telles.

Essas razões são precisamente razões ideológicas, ou antes, razões de princípio, de ética e de filosofia política, já que as argumentações técnicas redundam sempre, de um lado e de outro, numa manobra de diversão e de distracção para uso de parolos.

Sou o Inimigo Nº 0 de Alqueva porque:

- Alqueva é um projecto herdado do anterior regime e de um Alentejo latifundiário que latifundiário continua a ser através de reformas agrárias e democracias muito parecidas com o fascismo

- Alqueva é o coroamento de um Plano de Rega todo ele latifundiarista e lesivo dos interesses do pequeno e médio agricultor

- Alqueva é um projecto megalómano e suicida, nascido e criado à luz dos sonhos coloniais do extinto Império Colonial Português

- Alqueva promete mundos e fundos para daqui a 10 ou 20 anos, quando já hoje, ontem e anteontem grassa a fome, a miséria, a exploração, o suicídio, a insegurança e a injustiça no Alentejo

- Alqueva tem servido, assim, como o melhor alibi para governos e desgovernos pós 25 de Abril não fazerem rigorosamente nada para acudir à situação de permanente calamidade que é a do Alentejo agrícola

- Alqueva é obra de tecnocratas e o tecnocrata - de Esquerda, de Direita, do Centro ou às riscas - é sempre reaccionário até à raiz dos cabelos

- Alqueva é mais uma obra pública faraónica entre as obras de fachada que o regime anterior já não teve tempo ou dinheiro para erguer em sua própria glória

- Alqueva é o delírio das grandezas na sua máxima expressão, delírio que nos ficou como neurose herdada de outros delírios colonialistas

- Alqueva é obra de superengenharia do Ambiente e toda a engenharia do Ambiente é fascista e quem disser o contrário ainda mais

- Alqueva é o auge dos imperialismos dominantes nesta terra e a submissão dos portugueses aos imperialismos e internacionalismos (incluindo agora o imperialismo europeu) que comprometem a nossa independência e soberania não é, com certeza, o caminho mais progressista

- Alqueva será eventualmente subsidiada por Bruxelas, que vê em Alqueva uma belíssima oportunidade de afundar um País que só anda a atrapalhar os passos dos gentis eurocratas

- Além do crime de Ecocídio e Biocídio mais do que evidente, Alqueva vai praticar o maior crime de Etnocídio ( Aldeia da Luz) jamais cometido contra uma região que é a mais vasta região de Geografia Sagrada deste País, outrora chamado Portugal.

No fundo, o que me faz Inimigo Nº 0 de Alqueva - fundamentalista, como diria o ecólogo e presidente da AR Almeida Santos - são de facto razões de ordem religiosa.

E se há guerras religiosas hoje no Mundo, esta vai ser de certeza a de mais pesadas consequências para os autores do crime a ser cometido, alminhas a quem não invejo o destino :

- Autores materiais

- Autores morais

- Ambientalistas de caca

- Arqueólogos de caca que protestam contra COA e se calam contra ALQUEVA

- Autores do NIM

Paz às suas almas que muito irão retorcer-se nas eternas penas do Inferno.♥☻